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Capítulo 0212: Encurralados

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Capítulo 0212: Encurralados

Siegfried não queria estar com Lavina.

Foi até a parte de trás do castelo, onde deu uma olhada em seus homens e arranjou para que comessem e descansassem. Fez o mesmo com Sábio. Depois tomou um banho, limpou a espada… Qualquer desculpa para ficar longe dela era uma boa desculpa.

Decidiu também contar ao Barão Kessel a respeito do desejo de Theron Gaelor e o sumiço de Sam. Como era de se esperar, a sua reação não foi muito positiva. Imediatamente enviou Adrien Dalton com uma pequena tropa de batedores para o campo — e Siegfried não falhou em notar as nuances de tal decisão; Sir. Edgar Whitefield era o comandante dos batedores, mas nem ao menos foi notificado da situação.

“Há desconfiança entre eles.”

O Barão Kessel havia prometido a Sir. Edgar o comando do Salão Branco, mas isso foi no verão passado, há quase um ano, e o cavaleiro não estava mais perto de tomar o título do seu falecido irmão do que antes.

A princípio, tudo não passava de um impasse até que pudessem resgatar o Barão Lawgard, Alethra Gaelor e os seus respectivos filhos. Não havia como a Baronesa Whitefield resistir por muito tempo. Mas a situação mudou. E se ela se aliasse ao Rei Donoghan?

Draco Whitefield, o primogênito do falecido Barão Zander Whitefield, estava no Castelo Essel. Antes era apenas um prisioneiro nas mãos da Condessa Essel, mas agora era um possível aliado do Rei Donoghan. E a casa Whitefield tinha poder.

As coisas poderiam sair de controle bem rápido.

— Preciso pôr um fim nisso! — confidenciou o Barão Kessel, quando estavam a sós. — A Raven é perigosa demais. Precisamos fazer dela nossa aliada novamente. Não temos outra escolha. Se ela convencer os Coyle de que o Conde Donoghan é mais poderoso do que eu…

— O que está planejando?

— Foram os Whitefield. Todos nós estamos aqui por causa da jogada deles. Os Coyle e os Lawgard, sim, mas também eu… Talvez tenha sido um erro permanecer no condado. Pensei que pudesse derrotar o Conde Essel. E derrotei. Mas de que serviu? Agora temos um exército ainda maior para enfrentar.

— Você quer recuar.

— …

— Eles vão nos seguir.

— Eu sei.

— Se voltarmos para o Condado de Gaelor, vão enviar um exército atrás de nós. Iríamos trazer a guerra direto para nossas portas.

— Eu sei!

— …

— Não posso recuar agora.

— E então?

— Eu preciso da Baronesa Whitefield. Quero que você fale com ela. Convença-a de que a nossa aliança é mais valiosa para ela do que a do Conde Donoghan.

— Não vai ser fácil.

— Então confio em você para tomar o Salão Branco novamente. Se não for nossa aliada, então que seja nossa prisioneira!

Siegfried partiu naquela mesma noite.

Mas, antes…

Foi encontrar Lavina dormindo em sua cama, no alojamento das servas, protegendo o filho deles em um abraço delicado. Bonita. Não a amava, mas era linda. E a criança… Era sua. Uma sensação estranha. Sentiu o mesmo ao ver Ingrid pela primeira vez. Era pai. Um pai de verdade. Mas o que isso significava?

Sempre imaginou que fosse ter um filho, mas não desta forma.

Na sua imaginação, a mãe dos seus filhos era sempre a Princesa Lura. Até que desistiu dela e, então, a mãe dos seus filhos deixou de ter um rosto. Mas sempre supôs que já estivessem casados quando a criança finalmente viesse ao mundo e, mais importante, que já seria um rei quando isso acontecesse. Esperava ser um homem feito, com tudo resolvido, quando enfim tivesse o seu primeiro filho.

“Agora tenho dois e não faço a menor ideia do que fazer.”

Estava assustado.

Dara e Ingrid também haviam-no enchido de dúvidas, mas sentia-se revigorado ao pensar nelas. Como se elas lhe dessem um objetivo. Algo mais pelo que lutar. Com a Lavina era… Diferente. Ela enchia-o de dúvidas, sim, mas também de responsabilidades. Não desejava mantê-la ao seu lado, apenas sentia que era a sua obrigação. Um peso em suas costas… Um que não estava disposto a carregar.

Buscou por Sábio nos estábulos e partiu de imediato em direção ao Salão Branco.

Cavalgou durante horas, mas foi apenas ao nascer do sol, quando sentiu o cansaço em seus ombros, que notou ter esquecido de avisar Esmond Kroft e seus homens. Parou para descansar, dormiu e então continuou a viagem.

Chegou no Salão Branco ao entardecer do dia seguinte.

Vila Nova era agora um vilarejo sitiado. Soldados Kessel haviam realizado um cerco à fortaleza e o clima era melancólico. Sentia isso ao cavalgar pelas ruas. Mas a verdade é que pouco havia mudado. Tudo permanecia exatamente como Siegfried se lembrava — a taverna era o único comércio aberto e havia fartura de bêbados desmaiados em becos. Talvez a única diferença era que agora as rameiras haviam se tornado mais jovens e menos flácidas. Notou também alguns garotos igualmente jovens que decidiram entrar no ramo.

“Vila Rameira seria um nome mais adequado para esse lugar.”

Alguns soldados pararam-no e fizeram questão de interrogá-lo. Haviam-no reconhecido, mas não acreditavam na sua história, tampouco estavam dispostos a deixá-lo ver a Baronesa Whitefield. Ao invés disso, enviaram um soldado até a Vila do Lobo e aguardaram. O homem voltou três dias mais tarde e confirmou a história.

Houveram pedidos de desculpas e então Siegfried foi autorizado a fazer o que bem entendesse.

♦

Os portões do Salão Branco se abriram de imediato, assim que os guardas reconheceram Siegfried. Homens Greenlock patrulhavam os muros em turnos. Trinta ao todo.

Gelo, Fantasma e Carrasco, seus Mantos Negros, vieram assim que souberam de sua chegada. Fizeram uma vênia, saudaram seu retorno seguro e então passaram a segui-lo como se fossem suas sombras.

Viu Allane e Will duelando com as lanças no pátio de treinamento, enquanto Elsa assistia. Os três pararam boquiabertos para prestar atenção ao retorno de Siegfried, mas ele não parou e nenhum deles veio em sua direção.

“Mais tarde, tenho que contar a eles sobre a Ethel”, lembrou. “Era amiga deles. Merecem saber.”

Foi encontrar a Baronesa Whitefield em seus aposentos, lendo uma carta, enquanto a sua filha (Astrid) sentava-se desleixada na cama, como se esperasse por uma resposta da mãe.

— Milady — chamou Siegfried.

A baronesa se virou lentamente, sorriu e o convidou a se sentar.

Os Mantos Negros partiram e então ficaram apenas os três no quarto. Siegfried tomou o assento em volta da pequena mesa. Raven Whitefield fez o mesmo e chamou pela filha:

— Astrid, querida. Onde estão seus modos? Tenho certeza de que Sir. Siegfried deve estar com sede depois da sua árdua jornada.

A garota não respondeu, mas pegou uma garrafa de vinho numa pequena estante, serviu duas taças, se afastou e observou em silêncio. O destino da casa Whitefield e da casa Blackfield estava para ser decidido.

“Se não for nossa aliada, então que seja nossa prisioneira!”, lembrou das palavras do Barão Kessel.

E as negociações começaram.