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Capítulo 0217: Hora da DR

A Ascensão Do Rei Mercenário — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 0217: Hora da DR

Siegfried abriu a porta com cuidado, mas de pouco adiantou. A madeira rangeu e Lavina o notou imediatamente.

— Milorde. — Ela se ajeitou na cama e sorriu.

— Desculpa — disse Siegfried. — Não quis acordá-la. Vou te deixar dormir…

— NÃO!

— …

— Q-quero dizer. O-o senhor não precisa ir. Pode ficar um pouco… Se for do seu agrado.

Siegfried pensou em uma desculpa para ir embora. Quando não encontrou, mandou a serva do Lorde Coyle (que descansava em uma cadeira ao lado) deixá-los a sós, fechou a porta e sentou-se ao pé da cama.

Silêncio.

— O-o senhor tá bem? Parece preocupado.

— Eu tô bem… Obrigado.

— Hum. Entendi.

— …

— Nós vamos voltar pro Salão Branco, não é?

— Isso. Amanhã de manhã.

— Entendi. Isso é bom, não é?

— Hum. Acho que sim.

— É… Que bom…

— …

— Ah! E-eu… Hum.

— …

— Milorde…

— Fala.

— T-tem alguma coisa errada… Comigo?

— O quê?

— O senhor parece tão… Distante, desde que voltou. Quando eu soube que tava grávida… Achei que o senhor fosse ficar um pouco mais… Feliz. Quero dizer, eu sei o quanto os homens querem um filho. Um garoto forte pra manter o nome da família. Alguém pra quem ensinar a lutar e essas coisas. Quando ele nasceu… O senhor não queria que ele tivesse…? Que eu não tivesse…?

Siegfried não olhou para Lavina, mas sabia que ela estava segurando as lágrimas.

— O problema sou eu ou o bebê? — ela criou coragem e perguntou. — Eu sei que tô horrível, tá legal?! Eu nunca tive um filho antes. E o parto… E-eu não sabia que demorava tanto. Quero dizer, eu sabia que doía. Era só o que todo mundo me dizia. Que ia doer. Que eu teria que ser forte pelo bebê. Mas eu não sabia que demorava tanto. Quando eu tava naquela cama. Com todo aquele sangue. E ele não saía… Por Elyon. E-eu realmente pensei que fosse morrer. E acho que todo mundo pensou o mesmo. Era tanto sangue… E-eu sei que a minha cara não tá boa, tá legal!? Eu ainda não tive tempo de cuidar da aparência. Meu corpo todo dói e eu também me sinto um bebê. Não consigo fazer praticamente nada sozinha e preciso de ajuda até pra ir no banheiro. Mas, que droga, eu te dei um filho! Será que não pode, pelo menos, olhar pra mim!?

Siegfried hesitou, mas olhou.

Lavina tinha o rosto vermelho e empapado de suor, os olhos inchados de tanto chorar. Os cabelos loiros desgrenhados. De fato, a sua aparência estava uma bagunça — não que fosse esse o motivo de ignorá-la. A bem da verdade, continuava linda. E como poderia ser diferente? Era a mãe do seu filho.

— Você não queria que ele tivesse nascido? Não queria que eu te desse um filho?

— N-não… Não é tão simples assim.

— Você não queria ter um filho comigo?

— …

— Eu fui feita de refém por oito meses! Sem saber se você tava vivo ou se ia voltar. Dia após dia, rezando pro Barão Kessel não pôr uma corda em volta do meu pescoço. Rezando para que fosse bondoso o bastante para poupar a vida do nosso filho. Sem saber se ele teria ou não um pai. Sem saber se ele chegaria a me conhecer. Sem saber se ele viveria! Eu passei um dia inteiro naquela cama de parto, sangrando tanto que eu queria morrer! Mas eu fiz isso! Por você! Por ele! Eu mereço saber!

Silêncio.

Mesmo com o acesso de raiva de Lavina, o bebê não acordou.

“Com esses nervos de aço, ele vai ser um guerreiro formidável”, brincou e deixou um sorriso escapar. “Nada intimida ele.”

Mas Lavina tinha razão. Era a mãe do seu filho. Depois de tudo que a fez passar, uma resposta era o mínimo que ela merecia. Não podia continuar fugindo do assunto.

— Eu tenho uma filha — admitiu Siegfried. — Ela fez cinco meses na semana passada. Ou será que foi na outra antes dessa?! Não tenho certeza.

Aquilo pegou Lavina de surpresa.

Silêncio.

E então…

— E-eu… Entendo.

— Sinto muito.

— Cinco meses…

— …

— E ainda vai fazer um ano. Em quinze dias, vai fazer exatamente um ano desde que eu conheci o senhor. Isso quer dizer que a mãe dela… Você a conheceu antes de mim, não é?

— É.

— Você ama ela?

Siegfried hesitou, mas…

— Amo.

— Entendi. — E pôs as mãos no rosto para esconder as lágrimas que escorriam sem controle. — E-eu entendi.

— …

— Então é por isso que o senhor tem me evitado desde que voltou. Desde que o viu. Você realmente… — Ela forçou um sorriso. — Você não queria que eu te desse um filho, não é? Acho que a culpa é minha. Lembro de ter dito algo assim no passado. Que eu não me importava de ser a sua escrava de cama, nem a sua concubina. E, no fim, acho que isso era tudo o que eu sempre fui, não é? O senhor nunca me viu como…

Ela riu. Não parecia feliz. Não estava feliz. Mas riu assim mesmo. Um riso triste.

— Me desculpa. É só que… Elyon. Eu realmente achei que… Eu pensei que… Nada. Esquece.

— Lavina…

— O que acontece agora? Depois que chegarmos no Salão Branco, quero dizer. O que vai ser da gente?

— Eu ainda não sei. Espero achar um lugar seguro pra você. Pra vocês dois! Uma boa casa. E prata. O suficiente para alguns anos, pelo menos. Acho que vou deixar um dos meus homens com você também. Por segurança. Alguém precisa te proteger.

— E o senhor?

— Eu ainda tenho muita coisa pra resolver.

— Então eu nunca mais vou te ver. O nosso filho… Ele não vai lembrar do seu rosto. Não vai ter nenhuma memória sua.

— …

— Por que o senhor voltou?

— O quê?

— Por que o senhor me salvou? Não precisava ter feito isso. Podia ter deixado o Barão Kessel me matar. O senhor nem sabia que eu tava grávida. Não tinha como saber. Então por que…? Ou é por causa do bebê? O senhor voltou por que queria me fazer a sua concubina de novo? Foi isso? Mas aí desistiu quando viu ele?

A pior parte daquela pergunta é que ela não estava tão longe assim da verdade. Siegfried de fato desejava tê-la de volta em sua cama. Mas não foi por isso que voltou.

— Eu voltei porque prometi voltar!

— …

— Eu sei o que parece, mas não tô tentando te abandonar. Nem o bebê. Mas você merece mais. Muito mais do que eu posso te dar. Você merece alguém melhor.

— Eu não sou uma criança!

— …

— Palavras bonitas não me enganam! Você diz que eu mereço coisa melhor, mas e se eu quiser você!? Eu não posso decidir o que é melhor pra mim!? Eu não sou idiota! Eu sei o que você realmente tá pensando! Você tem uma filha. Com uma garota que conheceu antes de mim. Você quer ficar com ela, não é?! Você quer levar ela pra sua casa, brincar com a criança de vocês e dormir abraçado com ela todas as noites! Você quer voltar pra casa e ver ela te esperando com um sorriso no rosto e elogiar ela. Elogiar ela por ter te dado um filho. Por te amar. Por estar lá com você. É isso, não é? Você quer ser feliz… Com outra mulher! A mulher que você ama!

Lavina parecia querer chorar ainda mais, mas as lágrimas já haviam secado. Agora restava apenas raiva e um rosto vermelho com os olhos inchados.

— Você quer viver uma vida feliz com a sua família de verdade. E não me quer por perto pra atrapalhar você. É isso, não é? Pode falar. Eu aguento. Mas não finja que tá me mandando embora porque se importa comigo!