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Capítulo 2: Rastreando o Cronograma

A Bela Senpai Do Clube De Arquearia Está Dormindo No Meu Quarto Com A Barriga À Mostra. — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 2: Rastreando o Cronograma

Capítulo 2: Rastreando o Cronograma

Um ano e meio atrás, quando eu estava me recuperando, decidi vir para este colégio.

Para ser sincero, era uma escola particular com uma grande quantidade de alunos, então até eu, que passei meus dias de ensino fundamental fazendo nada além de jogar FPS, conseguiria entrar se me esforçasse. Foi uma escolha puramente calculada.

Acima de tudo, o fato de eu poder ir a pé contou muito. O custo do trajeto seria mínimo.

Sendo esse tipo de pessoa, a menos que eu durma demais, sou o primeiro a chegar na escola de manhã.

Apenas algumas horas atrás eu estava lidando com a Watanuki-senpai, mas consegui acordar direito, então conquistei o primeiro lugar de novo hoje.

“Que sono... Com certeza vou realizar um Curso Especial de Relaxamento nesta próxima sexta-feira...”

Não havia colegas de classe por perto ainda para ouvir meus resmungos.

Enquanto eu fechava os olhos para descansar o cérebro, esperei na sala de aula na penumbra pela chegada dos meus colegas.

— Aí vem alguém.

Dos fundos da sala de aula, um garoto que parecia ser uma promessa para o clube de basquete colocou a cabeça para dentro. O parceiro de hoje era ele; que sorte. Continuando sentado na minha carteira, ergui uma mão em cumprimento.

“Bom dia.”

“Nn. Você chegou cedo de novo hoje, Amemoto.”

“Mesmo se eu ficasse em casa, não teria nada para fazer.”

Eu tenho como regra puxar assunto com o primeiro aluno a chegar, quem quer que seja. Uma sala de aula com apenas duas pessoas força uma oportunidade de conversar.

“Como estão as coisas ultimamente? Tudo indo bem?”

“Amemoto, seus ganchos de conversa são desleixados demais.”

Ele me deu um leve empurrão enquanto sorria de canto.

Eu não sou particularmente íntimo desse cara do clube de basquete, mas, fazendo questão de falar com ele, estabelecemos uma relação onde a conversa flui naturalmente.

“Ultimamente, cara... Os trotes dos senpais estão brutais como sempre. Desde que o segundo trimestre começou, estou seriamente exausto.”

“Ah. Ouvi dizer que mesmo depois que você sobe de ano e se acostuma com as coisas, os clubes de esportes são sempre difíceis.”

“Nem me fale. Só de ser do primeiro ano já é tipo um jogo de punição. Eu já queria passar de ano logo.”

Era um papo furado trivial, mas esse era exatamente o tipo de coleta de informações que importava para mim.

Apenas isso já revelava que ele estava “frustrado com a pressão colocada sobre ele dentro do clube como um calouro promissor”. O estresse estava se acumulando.

Ele é uma figura central na sala de aula, com influência e uma personalidade forte.

Minha impressão é de que o clima do ambiente muitas vezes muda dependendo do estado dele naquele dia.

Em outras palavras, ele é uma existência capaz de perturbar o ambiente chamado “sala de aula”, onde passo metade do meu dia — seria um problema se o desânimo dele se arrastasse. Eu provavelmente deveria massagear o ego dele um pouco.

“Tenho certeza de que é difícil, mas é maneiro que você esteja mirando no torneio nacional e se esforçando. É apaixonante. Eu sou totalmente inútil em esportes, então sinto inveja.”

Isso foi um elogio misturado com inveja vindo de um cara com uma presença apagada (setenta por cento de sentimentos verdadeiros). Ele não pareceu se sentir mal com isso e deu um sorriso largo.

“Aqueles senpais são irritantes, mas é um amor bruto, então vale a pena. Mas cansa para caramba. Ultimamente, tenho ficado irritável depois das atividades do clube...”

“Entendi. Ah, na verdade, tenho gostado bastante de misturar aromas ultimamente. Se você tiver interesse, quer testar uma mistura original?”

Pesando o custo de investir nele contra o retorno, considerando a influência dele no grupo. O resultado foi que eu deveria fazer uma sugestão proativamente aqui.

“Original? O que é isso? Você consegue fazer coisas desse tipo?”

“Sim, é fácil. Se for um aroma que combine com a pessoa, o estresse tende a cair significativamente, então eu recomendo.”

“Mas essas coisas de aroma não são meio de garota? Eu queria dizer 'não preciso disso' — mas...”

“Mas?”

“Aquelas coisas de autocuidado que você me ensinou no outro dia foram muito boas também. Estou contando com você; parece que com certeza vai funcionar.”

O jogador de basquete do primeiro ano, acumulando fadiga, assentiu com um rosto sério. Bom, minhas interações constantes estão dando frutos.

Recentemente, depois de falar sobre formas de se revigorar no processo de extrair informações, passei a ganhar um pouco de confiança.

Pela paz da classe, quero que ele seja ainda mais tranquilo. Justo quando eu estava prestes a prometer trazer na próxima vez —

“Bom diaaa~. Ouvi algo sobre aromas serem coisa de garota, isso não é meio anacrônico?”

[Jeff: Anacrônico é algo que está fora do seu tempo ou época correta.]

“Coisas que cheiram bem deixam toda a humanidade feliz igualmente, né!”

“Hã? Eu não perguntei para vocês. Estou perguntando para o Amemoto.”

Como as garotas populares que acabavam de entrar na sala de aula se juntaram ao assunto, decidi segurar a minha afirmação. Disse “Bom dia”. Depois disso, aumentei a proporção dos meus acenos de cabeça na conversa que se animava.

E então, conforme o número de pessoas se juntando aumentava ainda mais, apaguei minha presença ainda mais e saí de cena aos poucos. Ninguém notou que eu tinha deixado o círculo.

O assunto ficou animado entre as figuras centrais da sala, e o clima da classe melhorou. Com isso, posso dizer que meu objetivo foi alcançado.

Bem, a minha influência é minúscula, na verdade. Se trabalhar quietinho assim aumenta a probabilidade de passar dias pacíficos mesmo que em um por cento, não é uma tentativa ruim.

É mais ou menos a mesma quantidade de esforço que coletar bônus de login em um jogo de gacha. Vale a pena fazer.

Agora, então, quem deveria ser meu próximo parceiro de conversa (ou melhor, alvo de coleta de informações para apoiar a paz da sala de aula do meu próprio jeito)? Sentei no meu lugar e olhei ao redor.

Falando em alguém que poderia influenciar o clima da classe — a garota na carteira ao lado da minha. A presença dela é forte como sempre. Enquanto eu a encarava, nossos olhos se encontraram.

“...O quê?”

“Ah, não, não é nada. Watanuki-san.”

Imediatamente coloquei um sorriso falso para não provocá-la.

Esta é Watanuki Shion-san, que compartilha o mesmo sobrenome, mas não tem nenhuma semelhança com aquela senpai digna, porém lamentável.

Para ser gentil, uma garota descolada e solitária. Para ser realista, uma garota isolada e assustadora. Seu corte wolf cut e os brincos de corrente em ambas as orelhas combinavam com seus traços afiados e belos. Seus olhos frios tinham uma intensidade indescritível.

A líder indiscutível no meu ranking de “Colegas de Classe de Quem Não Consigo me Aproximar” suspirou e me encarou com o rosto sério.

“...Já que é uma boa oportunidade, deixe-me deixar isso claro. Você provavelmente quer me conquistar também, mas é inútil.”

“Eh, espera. Do que você está falando do nada?”

Fiquei desorientado com a maneira inesperada com que ela abordou o assunto. Con-conquistar ela?

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“Você não precisa se fingir de bobo. Você tem agido como o gerente do meio de campo da classe o tempo todo, observando até os excluídos como eu... É uma perda de tempo. Você não precisa fazer isso.”

Minha atenção secreta para melhorar o clima da sala de aula recebeu a dura avaliação de “agir como um gerente de meio de campo”. Eu... fiquei vagamente chocado.

“...Haha.”

Não tive escolha a não ser forçar um sorriso educado.

Watanuki Shion é um lobo solitário que costuma perturbar a paz. Ela não coopera com trabalhos em grupo e eventos e, inclusive, já ouvi garotas reclamando desse tipo de atitude várias vezes.

Eu queria pedir para ela “por favor, tente lidar com as coisas de forma mais pacífica” se eu conseguisse construir uma relação, mas...

“Eu não tenho absolutamente nenhuma intenção de ser um gerente de meio de campo. Me desculpe se pareci mandão. Sou mais baixo que um funcionário comum, juro.”

“Não me importo com a sua autodepreciação — estou te dizendo que é uma perda de tempo se envolver comigo, então pare.”

Parece que nos tornarmos amigos enquanto estamos na escola é impossível, né? (Eu desisto.)

“Ah... Pensando bem, a Watanuki-san tem algum parente na nossa escola?”

Técnica secreta: Mudar de assunto. Um movimento especial que eu costumava usar direto no ensino fundamental quando o clima ficava ruim durante uma partida de FPS com o time completo.

Se falar sobre uma senpai com o mesmo sobrenome pudesse melhorar o ambiente nem que fosse um pouco —

“...Hã? Por que você está perguntando isso agora?”

O olhar dela ficou ainda mais afiado...! Como eu pensava, talvez eu tenha uma química ruim com essa garota.

“Não, bem, eu conversei com uma senpai com o mesmo sobrenome ontem. Pensei que talvez vocês fossem parentes distantes.”

“Segundo grau. É a minha irmã mais velha.”

“Sério...”

Você está brincando, a vibe delas é diferente demais... Elas são tão diferentes que eu tinha, inconscientemente, descartado a possibilidade de serem irmãs.

Se aquela lá é um arco longo e gracioso, esta aqui é uma faca afiada e exposta. Se você esticasse a mão descuidadamente, acabaria se cortando.

“De qualquer forma, toque a classe sem mim. Isso é tudo o que tenho a dizer.”

Ela desviou o olhar abruptamente. Sacando um smartphone sem capinha, ela se isolou de mim e aos arredores.

Não, quem toca a classe não sou eu, mas aquele cara do basquete e o círculo dele... Eu queria retrucar, mas era tarde demais.

Na verdade, sinto que o ar ao redor da Shion-san ficou ainda mais espinhoso depois que mencionei a irmã dela. Será que elas têm uma relação ruim?

Quando eu conversar com a Watanuki-senpai algum dia, talvez eu devesse perguntar.

◆ ◆ ◆

O horário do almoço, é a hora de pagar as contas.

Como eu mantenho conscientemente amizades rasas e amplas, não tenho um parceiro fixo de almoço. Inevitavelmente, costumo acabar comendo sozinho.

Bem, está tudo bem, já que posso comer em paz. Um tempo para descansar a mente é necessário mesmo na escola.

Carregando o “Bento Cheio de Amor da Irmã Mais Velha” (Ela fica brava se eu não chamar pelo nome formal) que a Mei me fez trazer, saí de fininho da sala de aula.

Talvez eu coma no refeitório por hoje. Embora eu não goste porque é barulhento.

Bem quando dei um passo em direção ao meu destino decidido aleatoriamente, uma voz me chamou por trás.

“Amemoto, Touya-kun! E-Eu posso ir com você?!”

“Hum? Urushibara... Kouta?”

Um colega de classe com cara de bebê me chamou pelo nome completo como se tivesse tomado uma decisão firme. Fisgado pelo momento, acabei respondendo com o nome completo dele também.

Mesmo dentro do meu círculo amplo e raso de amigos, Urushibara era um colega de classe na extremidade particularmente “rasa”. Nós só tínhamos jogado FPS juntos uma vez como amigos.

“Tenho uma coisa para conversar com você, Amemoto! Todo mundo diz que você é bom em ouvir problemas... Quero que me ajude com as minhas preocupações!”

Ele parecia um samurai falando. Além disso, seu rosto estava vermelho. O pão com yakisoba na mão direita dele estava amassado de tanto que ele o apertava. Ele está em pânico?

“Calma, você não precisa ficar nervoso perto de alguém como eu. Nós já jogamos juntos uma vez, lembra? Calma. Vamos relaxar. Puxa o ar, solta o ar.”

Dizendo isso, dei um leve toque no braço direito do Urushibara — ele tem bons músculos. Fiquei secretamente surpreso com a sensação inesperadamente firme.

O surpreendentemente musculoso Urushibara respirou fundo, suuu-haaa, e então sorriu timidamente enquanto olhava para mim.

“...Obrigado. Amemoto, você é bem maduro, e a sua vibe é diferente de todo mundo... É estranho eu ficar nervoso perto de um cara da mesma classe!”

Urushibara estava sem jeito, abrindo e fechando a mão esquerda freneticamente.

Certo, para começar, a avaliação dele sobre mim é estranha. Um adjetivo como “maduro” não deveria ser usado para o Amemoto.

“Vamos afrouxar gradualmente essa impressão errada e a sua tensão. E então? Tudo bem se eu ouvir a sua consulta enquanto caminhamos?”

“Ah, se possível, por favor, vamos para algum lugar sem ninguém! O assunto é, bem, hum, é sobre amor!”

“Conselho amoroso... Tem certeza de que sou a pessoa certa para isso?”

“Claro!”

Sim, claro. Como alguém como eu, que só ganhou chocolate de Dia dos Namorados da própria irmã, poderia ser um “especialista em relacionamentos”?

“O Amemoto parece guardar segredos, e a avaliação de todo mundo depois de se consultar com você é alta!”

Eu não saio espalhando segredos porque não tenho nenhum colega de classe próximo. Consultas são apenas uma extensão de papo furado. Minha avaliação é, no máximo, duas estrelas de cinco.

Como eu pensava, Urushibara parecia estar entendendo errado. Não posso simplesmente dar conselhos sobre qualquer coisa. Eu não entendo coisas como “amor” ou “beijo” (verdade nua e crua).

Sinto muito por ele ter vindo até aqui todo nervoso, mas vou recusar a consulta... Bem quando eu estava prestes a abrir a boca, as costas do Urushibara de repente se endireitaram.

“— Bom trabalho, Capitã!”

“Ah, bom trabalho, Urushibara. Um cumprimento impressionante como sempre hoje. E também, olá, Amemoto-kun.”

Mesmo no corredor barulhento, a voz tranquila da Watanuki-senpai ecoou bem, possuindo uma presença que ia além de apenas sua aparência.

A Senpai estava usando um cardigã branco de novo hoje. Seu cabelo de comprimento médio, que estava solto na noite passada, estava preso em um coque. Em outras palavras, modo normal. Vendo-a de perto, ela dava uma impressão ainda mais graciosa.

“Você tem um minutinho?”

Até a maneira como ela inclinou a cabeça enquanto colocava uma mecha do cabelo atrás da orelha dava uma impressão de ser “sofisticada” em vez de apenas fofa. Que tipo de mágica é essa?

“Umm. O Urushibara me convidou primeiro, então...”

“Não! Desculpe, Amemoto, por favor, priorize a Capitã! A Capitã é prioridade máxima; eu posso esperar! Com licença!”

“Desculpe fazer você ceder. Isso ajuda. Vejo você depois da escola.”

Pelo visto, o Urushibara era do clube de arquearia. Ele deve ser aquele que falou de mim para a Watanuki-senpai.

Será que o assunto da “conversa amorosa” dele era a Watanuki-senpai? Não, isso é improvável. Na resposta dele agora há pouco, senti nada além de um certo tipo de respeito.

Urushibara saiu como se estivesse em pânico. Enquanto eu observava as costas dele, Watanuki-senpai disse brevemente “Venha” e começou a andar.

Eu a segui apressadamente (embora apenas em uma caminhada rápida).

Como eu deveria colocar isso? A Senpai parece “mais forte” do que ontem... Me sinto um pouco intimidado. Se eu não estivesse acostumado a interagir com pessoas mais velhas na internet, com certeza estaria desorientado.

“Então — faz tempo desde a noite passada. Dormiu bem?”, ela perguntou.

“Digo o mesmo para você. Você não correu para casa depois de se sentir tão mal só para ficar acordada até tarde de novo, né?”

“Fufu, uma resposta dura. Até eu descansei imediatamente após chegar em casa. Obrigada por se preocupar. Sua gentileza me salvou ontem.”

Parando brevemente, a Senpai colocou a mão no peito, que pressionava contra o uniforme. Então ela se curvou novamente. Seus movimentos, como os de uma cavaleira, pareciam naturalmente elegantes.

Uma baita diferença da impressão frágil de ontem, hein...?

“Vamos ao assunto principal. É sobre o 'obrigada' que mencionei quando nos despedimos.”

“Ah, sim.”

O assunto que deixou meu sono raso porque eu estava curioso demais sobre o que realmente era.

“Fiquei pensando em várias coisas durante a aula hoje — mas não consegui pensar em nada, então vim te perguntar diretamente.”

“Você veio de forma bem honesta, não foi?”

Então você não tinha pensado em nada até ontem... Eu fiquei jogando um quiz sem resposta infinitamente na minha cama?

Quando direcionei um olhar levemente ressentido para a Senpai, que era naturalmente diabólica, ela retribuiu com um sorriso terno e suave. Que postura composta. Ela é uma Senpai super forte.

“Eu ainda quase não sei nada sobre você, Amemoto-kun. Tudo o que sei é que você é um calouro encantador.”

“B-Bem, não faz nem um dia que nos conhecemos. É natural que as nossas impressões um do outro sejam vagas.”

“Sim. É por isso que quero que você me diga, Amemoto-kun. O que você deseja de mim, e o que você quer que eu faça?”

“Isso já é... pedir algo difícil.”

[Jeff: Esse tipo de pergunta, é complicada de se fazer para alguém que vc acabou de conhecer kkk ossada. ]

Enquanto dizia isso, meu cérebro já estava girando em velocidade máxima.

Quando apresentado a inúmeras opções de repente, inevitavelmente tento tomar uma decisão de forma instantânea. Era como um mau hábito enraizado em mim por jogar milhares de horas de jogos de FPS estilo battle royale.

Antes que percebesse, fiz uma pergunta por reflexo.

“Então, por favor, me diga o motivo de você precisar de uma quantidade massiva de energéticos, Watanuki-senpai. Especificamente, com o que você está enfrentando problemas?”

“Existe um lugar perfeito para conversas secretas —”

Dizendo isso, o lugar para onde Watanuki-senpai me guiou foi um banco à sombra de uma árvore, um pouco afastado do prédio da escola.

Não havia ninguém lá. Era exclusivamente nosso.

Upa , ao me sentar e olhar para cima, as folhas já estavam começando a mudar de cor. Além delas, havia um céu azul-pálido. Querendo ou não, dava para sentir o outono.

“Se você andar um pouco a partir daqui, tem o dojo de arquearia. Consegue ver? Aquele telhado de telhas que parece ter viajado no tempo.”

“Ah, verdade. Eu não sabia... Não costumo observar as atividades dos clubes.”

“Ah? Nós no clube de arquearia sempre damos as boas-vindas a novos membros, sabia? Que tal começar com um teste?”

Havia um clube de arquearia na escola de ensino fundamental que frequentei também. De acordo com um colega de classe que entrou na época: “Eu entrei pensando em uma imagem elegante, mas era um clube de esportes genuinamente pesado”. Em outras palavras, impossível para mim.

“Não, vou passar. Sou raquítico demais; corro o risco de eu mesmo virar a corda do arco.”

“Fufu, o que é isso?”

Ela deu uma risadinha. Fazia tempo que uma piada minha não funcionava... Como eu mais passo o tempo só acenando com a cabeça na aula, é uma sensação nostálgica.

“Entendi, que pena. Mas se você se tornasse um membro, Amemoto-kun, eu teria que te instruir rigidamente também... Talvez esta relação seja melhor do jeito que está.”

Olhando para o céu limpo de outono, a Senpai murmurou distraidamente.

— Mesmo nesse curto período de convivência, há coisas que passei a entender.

A Watanuki-senpai não fica com a guarda alta quando está na frente de um grande número de alunos? Exatamente como uma corda de arco tensionada.

Só não sei se essa dedução tem a ver com as preocupações da Senpai.

“Mais uma vez, por favor, me diga o motivo de precisar de energéticos, Senpai. Vou aceitar isso como o meu 'obrigada'.”

[Jeff: Detalhe, não é erro esse ‘obrigada’ é só que está se referindo diretamente a fala anterior da Watanuki-senpai no cap 1.]

“De todas as coisas, logo esse assunto... Não pode ser outra coisa? Já que sou grata, posso disponibilizar um orçamento decente. Você não quer uma lata de biscoitos caros ou algo assim?”

“Eu não como muitas coisas doces.”

“Entendi. Mas são deliciosos se você comer de vez em quando. Se você quiser experimentar, posso te ajudar a comer — posso fazer um movimento assim para nos ajudarmos, que tal?”

“Não, tenho apenas um pedido. Por favor, me conte as suas circunstâncias, Watanuki-senpai.”

“É mesmo...”

A Senpai arrancou um pedaço do pão de sal que estava segurando e o comeu, parecendo um pouco solitária. E-Ela está visivelmente desanimada.

Ugh ... Meu peito fica apertado com uma culpa misteriosa. Eu deveria ter aceitado a lata de biscoitos doces...?

Não, não, não entre em pânico, respire fundo, meu eu. Confie na minha própria intuição. Porque o problema que esta Senpai provavelmente está guardando é exatamente a minha área de especialidade.

“Mais cedo, o Urushibara veio se consultar comigo prevendo a minha discrição. Eu escondi o assunto dos energéticos ontem até da Mei. Se eu ainda não for digno de confiança, desisto de perguntar. Vamos com os biscoitos.”

“Não... Não é algo para se esconder de um benfeitor. Posso confiar em você, Amemoto-kun. Eu vou falar. ...Santo Deus, você é o único calouro para quem mostro a minha fraqueza, sabia?”

Inclinando-se para a frente enquanto estava sentada, ela sorriu para mim de um forma sem jeito. Olhando para mim de uma posição baixa. Uma expressão travessa apropriada para a idade dela.

Ela consegue fazer uma cara assim também. Só saber disso já seria o suficiente como um “obrigada”, mas vou ficar calado. Ela vai me contar agora, afinal de contas.

Vendo o meu rosto expectante, a Senpai franziu as sobrancelhas como se estivesse incomodada.

“Você está esperando demais. Não é grande coisa... Sou péssima nos estudos.”

“Eh. É mesmo?”

“Sim. Se eu não me forçar ficando acordada até tarde com energéticos, tem matérias onde eu tiraria notas vermelhas.”

De fato, eu tinha a impressão de que ela tirava notas quase perfeitas com uma cara de tranquilidade. Isso só significa que a impressão passada pela aparência dela é forte a esse ponto.

“Todo mundo me elogia por ser realizada tanto nas artes literárias quanto nas militares, mas eles simplesmente não conhecem a realidade... Estou mal conseguindo acompanhar estudando até tarde da noite. Tenho olheiras profundas também. Só estou escondendo com corretivo; eu jamais poderia mostrá-las.”

Com um sorriso autodepreciativo, ela deu leves toques na área abaixo dos olhos com as pontas dos dedos. O quão profunda é a exaustão por baixo daquela maquiagem natural, é invisível na superfície.

“Eu gostaria de conseguir lidar com as coisas de forma mais eficiente... Ultimamente, minha eficiência em tudo tem caído. Mesmo nas atividades do clube, desde que me tornei a nova capitã, só tenho andado em círculos. Não consigo me concentrar totalmente nos disparos também — honestamente, eu mesma não sei o que fazer.”

“......”

Desse jeito, a Watanuki-senpai não vai acabar desabando?

Talvez seja projeção pessoal focar na parte sobre tomar energéticos e trabalhar duro a noite toda. Mas simplesmente não consigo pensar nisso como o problema de outra pessoa.

Era assustador. O futuro da Senpai, falando com uma voz abatida, poderia ser o meu antigo eu deitado no chão frio. Não quero que esta Senpai lamentável prove esse tipo de sentimento.

Um desejo natural de ajudar brotou dentro de mim. Por um momento, engavetei a minha balança mental de custo e retorno.

“Viu, era uma história sem graça, não era? Para usar o seu 'obrigada' em algo assim, você é surpreendentemente ruim de negócios, não acha?”

“Não, consegui a informação que queria. Fico feliz de poder tocar nas suas preocupações, Senpai. A propósito, o negócio começa a partir daqui.”

“Eh?”

“Eu posso ser capaz de resolver o problema que você está carregando, Senpai — por favor, me deixe ajudar. Vamos fazer um contrato provisório. O pagamento pode ser depois.”

◆ ◆ ◆

Eu entendi em grande parte a situação da Watanuki-senpai.

No entanto, apenas ouvir a história dela durante o horário de almoço não me ajudou a bolar uma solução concreta.

Não importa como se olhe, sou apenas um estudante figurante doensino médio... Ao contrário de um detetive de poltrona, as coisas não vão dar certo só por ouvir o que alguém diz.

Preciso coletar informações no local.

“— Mesmo assim, há realmente necessidade de você se juntar a mim para a corrida matinal?”

“Não, vou correr ao seu lado”, eu disse, me alongando. “Vou me mover de acordo com o seu cronograma hoje, Senpai. Posso te causar problemas, mas, por favor, tenha paciência comigo.”

Eu tinha tomado uma decisão. Antes de eu sair de casa, a Mei tinha me despedido chorando, dizendo: “Não desabe, beleza?! Volte vivo!”

O horário atual é 5h30 da manhã. O local é a pista de corrida na margem seca do rio. Tínhamos nos reunido usando nossos agasalhos do colégio. Honestamente, estou com sono. Que tipo de hora ímpia é essa para começar suas atividades...

“Hum, tem certeza absoluta? Sobre o 'cronograma habitual' que você quer, posso te enviar um resumo em PDF mais tarde, sabia?”

A voz dela parecia preocupada.

Ontem, a Senpai aceitou minha proposta prontamente, mas parecia preocupada em colocar o mesmo fardo sobre mim. O suficiente para tentar me convencer do contrário várias vezes até o horário de almoço acabar.

Mas há um significado em me esforçar aqui. Deixe-me explicar.

“Por favor, me deixe correr. Quero poder de persuasão como orientador.”

“Poder de persuasão?”

“Sim. Nem mesmo você, Watanuki-senpai, pensaria em mudar seu estilo de vida com base em palavras vindas de mim se eu não tivesse passado por nenhuma dificuldade, certo?”

“Isso é... bem, eu me pergunto... Bem, se você tem uma ideia firme, não devo dizer mais nada. Entendido, vamos correr juntos hoje.”

Talvez a minha determinação tenha chegado até ela; Watanuki-senpai cruzou os braços e assentiu. Seu peito farto ficou enfatizado, mas não me importei. Minha motivação para correr era maior do que isso.

“Certo, terminei de me alongar conforme as instruções. Vamos começar imediatamente. Qual a distância que você costuma correr?”

“Sim. Depende do dia, mas geralmente cerca de 5 km para ir, eu acho.”

“...Em outras palavras, 10 km no total.”

Senti minha motivação para correr despencar vertiginosamente. Ehhh... isso é quase um quarto de uma maratona completa...? Eu vou morrer?

“Vou diminuir o meu ritmo para acompanhar o seu o máximo possível, Amemoto-kun. Já que você está fazendo isso por mim, eu vou cooperar! Vamos fazer pausas e terminar a corrida. Lá vamos nós!”

Com o volume e a bravura dignos de uma capitã de clube de esportes, Watanuki-senpai disparou à frente, afastando-se continuamente com uma forma bonita de correr. Nossa, que rááápida. Sinto vontade de regredir a uma criança de colo para escapar da realidade. É sério que ela está diminuindo o ritmo com isso?

...Desculpe, Mei. Talvez eu não volte vivo hoje.

◆ ◆ ◆

“Só mais um pouco, Amemoto-kun, estamos quase na linha de chegada!”

“S... Sim...!”

Meus pulmões doíam a cada respiração. O vento batendo no meu rosto é frio. Minha cabeça não está funcionando direito. Meus joelhos estão gritando, e as solas dos meus pés estão exigindo barulhentamente para pisar no freio já faz um tempo.

Ainda assim, graças à Watanuki-senpai me puxando junto, minhas pernas estão de alguma forma se movendo. Estou correndo.

“Aquela placa ali na frente é a marcação! Um último esforço, aguenta firme!”

“U... Uooooooohhhhhhhhh!”

Fazia eras que eu não gritava tão alto. Espremi a última gota das minhas forças — e finalmente cruzei a linha de chegada. Eu consegui. Eu realmente realizei isso... Desabei bem ali na grama ao lado da pista de corrida.

“Bom trabalho, Amemoto-kun! Isso foi incrível, belos culhões!”

“O... bri... gado...”

“Não, sou eu quem deveria agradecer por me acompanhar”, disse a Senpai, entregando-me um isotônico da bolsa na sua cintura sem a menor ponta de falta de ar. “Aqui. Que bom que trouxe um para você.”

A Senpai, que não estava nem um pouco ofegante, me entregou a bebida. Sou grato... Como um passarinho esperando por comida, levei a boca até ela freneticamente.

Nossa, está absorvendo. Permeando. Meu esôfago se sente bem. Sinto que estou vivo...

Quando foi a última vez que corri uma distância tão longa? Para mim, alguém que desistia depois de vinte tiros de corrida na aula de educação física, isso foi um feito heroico.

“Se-Senpai... Eu... consegui...”

“Sim, você conseguiu! Eu estava olhando”, disse Watanuki-senpai, sorrindo gentilmente para mim sob o brilho do amanhecer. “Pretendo testemunhar o seu trabalho duro até o fim —”

“Certo, então, depois de descansarmos bem, vamos correr os 5 km de volta juntos!”

[Jeff: E eu achando que já tinham sido os 10 km kkkkkkk]

“...?”

“Claro, vou diminuir o ritmo ainda mais, beleza? Se você conseguiu chegar até aqui, deve ser capaz de conseguir!”

“......”

Vasculhei o bolso do meu agasalho enquanto ainda estava caído. Naturalmente, não havia dinheiro para chamar um táxi para a viagem de volta. Não houve milagres. O retorno correndo estava confirmado.

“...E-Eu vou dar o meu melhor no caminho de volta também...”

Eu me preparei psicologicamente com uma voz fraca. Não posso desabar aqui...!

Inacreditavelmente, o dia da Watanuki-senpai estava apenas começando.

◆ ◆ ◆

Durante o tempo de coleta de informações desta manhã, eu não estava em condições de conversar com ninguém.

Ignorando a sala de aula barulhenta, eu estava debruçado sobre a minha carteira.

Eu queria aliviar o cansaço que havia se acumulado de uma vez só, mesmo que fosse só um pouco. Minhas pernas doíam porque me forcei a correr o caminho inteiro.

Ah, caramba, só quero virar um com a carteira assim e ser exibido em um museu de arte como esse tipo de objeto... Quero me tornar algo que seja reconhecido apenas por existir...

“Ah, Amemoto, sobre aquela consulta.”

“...Urushibara, né.”

Quando de alguma forma consegui levantar o rosto e olhar para cima à direita, um rosto de bebê que parecia que seria popular com mulheres mais velhas estava olhando para mim.

Ele provavelmente veio me consultar sobre a “conversa amorosa” do horário de almoço de ontem, mas se eu lidasse com ele nesse estado exausto, sinto que só seria capaz de dizer: “Por que você não se confessa por enquanto?”.

“Desculpe, acho que não consigo dar conta disso agora... Podemos deixar para outra hora?”

“Entendido. Vou te chamar de novo quando você estiver parecendo cheio de energia!”

“Oh? O que foi Amemoto, no modo fadiga?”

Uma garota de uma carteira próxima se aproximou com um tom de provocação. Ouvindo isso, os alunos ao redor também se aglomeraram, querendo saber o que estava acontecendo.

Antes que eu percebesse, meu lugar estava cercado por vários garotos e garotas. O que é essa situação? É um evento de raridade máxima até na minha história pessoal.

“Amemoto sem energia? Isso é raro.”

“Aha, verdade. Primeira vez que vejo uma cara de cansado em você. Algo te deixou para baixo?”

“Isso pede por aquilo, né? Você tem que ir desestressar no karaokê com a gente para variar, está decidido!”

E assim foi decidido sem que eu tivesse poder de veto. Não, eu não vou a um karaokê faz anos, mas...

“Espera aí, cantar não é ainda mais cansativo quando você já está esgotado?”

“Os caras realmente não entendem. É exatamente em momentos assim que a gente ousa se animar juntos. Você cobriu a limpeza para mim no outro dia, então vou te animar ao máximo!”

“Nada disso, eu vou animar ele. O Touya tem me ensinado um monte de dicas de jogos, afinal de contas!”

Conversas entre colegas de classe estavam surgindo por todos os lados, me cercando. Urushibara estava recuando, tendo sido arrastado pelo círculo que se formou tão de repente.

Mais do que ninguém, eu sou o surpreso. Não acho que a minha condição ruim seja um assunto grande o suficiente para se tornar o centro da classe...

Não tive escolha a não ser espremer um sorriso forçado e dizer: “Vamos marcar um dia. Um dia desses”.

Normalmente, eu diminuiria a minha presença e sairia de cena do círculo de conversa, mas não dá para escapar quando se está cercado na própria carteira.

Sou grato por eles se importarem, mas lidar com essa quantidade de gente com meu nível atual de cansaço é impossível —

“Eu não consigo sentar”, veio uma voz clara, semelhante à da irmã dela.

Era a “Loba Selvagem” das irmãs Watanuki, Shion-san. Ela estava olhando para este círculo com aqueles olhos congelantes de novo. A alça de sua bolsa escolar pendurada no ombro havia escorregado um pouco e estava balançando.

“Se o Amemoto está cansado, por que não deixam ele em paz? Se fosse eu, gostaria de tirar um cochilo, mesmo que rápido.”

Palavras que pareciam apáticas, mas carregavam um tom de acusação. Havia um ar intimidador, como se ela estivesse olhando de cima de um palco, um nível mais alto. Um garoto de pé bem perto dela assentiu em pânico.

“Ah... É, a Watanuki-san está certa. Mal aí, Amemoto.”

“Não, recuperei um pouco de energia. Quero sair com todo mundo de vez em quando também, então vamos fazer isso mais tarde.”

Com essas minhas palavras, o grupo se desfez, e os colegas que formavam o círculo se espalharam. A única que restou foi a recém-chegada Watanuki Shion-san na carteira à minha direita.

“Umm... Obrigado por me defender.”

“Não preciso de agradecimentos. Não estou buscando a sua avaliação”, disse ela, pegando um livro de bolso e prontamente mergulhando nele.

Ao longe, as garotas olhavam para a loba solitária e sussurravam algo.

Eu na verdade já tinha ouvido as reclamações delas antes. Coisas como: “O jeito da Watanuki falar não é meio duro?” ou “Ela bem que podia tentar se enturmar um pouco mais”.

...Não tenho margem para pensar nesse assunto agora. Mais importante, a irmã mais velha dela é a prioridade.

Porque o dia de rastrear o cronograma da Watanuki-senpai estava apenas começando.

◆ ◆ ◆

Horário de almoço, onde a sensação de cansaço não sumia de jeito nenhum. Me encontrei com a Watanuki-senpai novamente no banco que ela me apresentou ontem. Era um almoço juntos pelo segundo dia consecutivo.

“Itadakimasu.”

Watanuki-senpai estava arrancando pedaços de pão de sal para comer de novo hoje. Era uma cena de refeição refinada.

Eu também abri minha sacola e juntei as mãos. Pelo visto, há uma padaria que ela frequenta na vizinhança, e ela havia preparado a mesma coisa para mim (pagamento já acertado).

Crocante por fora, fofinho por dentro. Sem recheio, e salgadinho. É uma delícia, mas eu queria algo com mais sustância...

Enquanto comia e pensava nisso, Watanuki-senpai olhou para mim apoiando o queixo na mão, com o cotovelo escorado em sua coxa esguia.

“Então, Amemoto-kun, como foi durante a aula?”

“...Quase dormi algumas vezes.”

Belisquei as costas da minha mão direita e continuei acordado através da dor.

“Entendi. Eu compreendo isso. Durante os períodos em que estou me forçando nos treinos do clube, há momentos em que quase durmo também.”

“Mas... eu julguei que você continuaria acordada mesmo se estivesse cansada, Watanuki-senpai, então me forcei a aguentar o sono”, eu disse, enfiando a última mordida de pão de sal na boca.

A Senpai piscou seus olhos grandes, surpresa. Eu disse algo tão estranho assim?

“Fufu, você estava pensando tanto assim em mim?”

“Ah... Desculpe por falar como se soubesse de tudo.”

“Está tudo bem, fico feliz. É verdade que eu não cochilo — porque odeio perder partes da aula e ficar incapaz de acompanhar.”

Ela tem firmeza em seu jeito de falar, mas sinto impaciência e ansiedade no conteúdo. Achei que a atitude e as palavras dela estavam desalinhadas.

“Entendi.”

“É isso.”

O assunto morreu ali. Juntos, contemplamos distraidamente o céu nublado. Um silêncio gélido caiu entre nós. Se eu pudesse tomar um chá bem quente junto com o 'Bento Cheio do Amor da Onee-chan' agora mesmo, seria perfeito, no entanto.

Pensando nisso, mordi o segundo pão de sal. Isso é gostoso por si só, mas mesmo assim.

“Como eu deveria colocar isso... a quantidade do almoço não é insuficiente?”

Eu já estava prestes a terminar o meu segundo. Não sinto que vá conseguir repor a energia que consumi pela manhã.

Quando perguntei, Watanuki-senpai sorriu com uma expressão levemente preocupada.

“É minha política não comer muito no almoço. É uma questão de constituição... Se não for o suficiente, quer que a gente vá comprar algo juntos?”

“Ah, não, se você não vai comer, Senpai, então eu também não preciso de mais nada.”

“...Você não precisa ser tão minucioso, sabia? Não precisa continuar se moldando a mim. Se a palavra vem de você, Amemoto-kun, eu posso confiar plenamente.”

Um olhar que parecia me atravessar com sinceridade. Assim como o de sua irmã, há uma mágica que habita naqueles olhos que não permite contestação.

E o fato de ela ter colocado gentilmente a mão sobre as costas da minha mão, que ainda estava dolorida, provavelmente era uma expressão do sentimento dela de querer me convencer.

“Não, eu vou continuar.”

Não tenho a intenção de ceder a esse apelo caloroso. Com a paciência que um dia treinei, afastei a vontade de desistir. Já que cheguei até aqui, vou até o fim.

“A menos que eu experimente a mesma carga que você, Senpai, não serei capaz de tratar o problema como meu. Pelo bem da responsabilidade, por favor, me deixe continuar.”

“Mou. Você é teimoso. Mas... eu não desgosto dessa natureza irredutível. Se vai insistir tanto assim, me acompanhe até o amargo fim, beleza?”

“Sim. A partir do ponto em que corri 10 km logo pela manhã, minha intenção já era essa faz tempo.”

Como se enfrentássemos um rival do destino, nos encaramos sem desviar o olhar. Não demorou muito para que nenhum de nós conseguisse se segurar e ríssemos juntos.

“Fufufu”, disse Watanuki-senpai, inclinando a cabeça com um olhar divertido. “Mas Amemoto-kun, o que você vai fazer depois da escola? Eu tenho o clube de arquearia. Você disse que passaríamos pelo mesmo cronograma, certo?”

É uma pergunta completamente natural. Em relação a isso, eu tenho uma ideia que é até difícil de dizer.

“Um, eu pensei em uma coisa... mas quero que você recuse se for um incômodo.”

“Não, diga. Sua seriedade foi transmitida. Vou dar o meu melhor para fazer acontecer.”

Se ela fala de forma tão direta antes mesmo de eu perguntar, não tenho escolha a não ser enrijecer ainda mais a minha determinação... né? Tomei coragem e falei.

“Depois da escola, você poderia me deixar observar a situação no clube de arquearia? Sob o disfarce de uma inscrição de teste.”

◆ ◆ ◆

O dojo de arquearia estava tão silencioso que era difícil acreditar que estavam no meio do treino.

Havia pouca conversa paralela, e as vozes eram mantidas baixas. Havia cerca de quinze pessoas. Isso é um número bem pequeno para o nosso colégio, eu imagino.

Como o torneio de verão terminou e os alunos do terceiro ano se aposentaram, dizem que voltaram aos dias de treino básico.

Os calouros usavam arcos de borracha para praticar e aprender os fundamentos da arquearia, algo chamado de os 'Oito Estágios do Disparo' ou algo assim. Naturalmente, o papel de instrutora incluía a capitã, Watanuki-senpai.

“Espere. Sua postura acabou de desabar. Você percebeu, não foi?”

“S-Sim!”

“Mais uma vez, do começo. Vamos checar a partir do 'Ashibumi'.”

[Jeff: Ashibumi (足踏み) é o primeiro passo do Shaho-Hassetsu (os 8 estágios do tiro) no Kyudo, a arte marcial japonesa do arco e flecha.]

Vestida com um hakama, Watanuki-senpai colocou um dedo indicador esguio em seu queixo bem desenhado e retomou sua observação calma. O gi de estilo japonês que ela usava combinava tanto com ela que parecia até um traje de gala.

A garota do primeiro ano recebendo instruções dela provavelmente está nervosa. Ela está tremendo bastante, não está?

Watanuki-senpai parece ainda mais tensa durante as atividades do clube. Sinto que aquela aura super forte aumentou vários níveis.

De um canto onde eu não atrapalhasse o treino, assisti à cena do treinamento com um bloco de notas em uma das mãos.

Embora eu estivesse na posição de um membro de teste, graças à explicação da Watanuki-senpai de que “ele quer observar a atmosfera do clube”, pude vigiar a Senpai de perto, à distância.

Enquanto apagava a minha presença para não causar problemas — quero levar de volta informações sobre a Watanuki-senpai a partir do estado dela durante as atividades do clube. Deve haver alguma pista escondida aqui também.

Tentei anotar minhas observações no bloco que trouxe comigo, só por garantia.

> [Possibilidade de acúmulo de fadiga mental devido à posição como capitã.]

Isso é um questionário médico de um doutor? Se eu acabar mostrando isso para ela, ela pode achar que estou sendo condescendente. Vou reescrever em uma página diferente.

> [Watanuki-senpai, não seria melhor se você relaxasse mais os ombros?]

Hum, ainda parece condescendente... Reescrevi mais uma vez.

> [Senpai Power Relax]

Beleza. Parece muito mais um memorando e, se eu tiver que mostrar para ela, isso aqui serve.

“Vou mostrar um exemplo puxando com o corpo inteiro uma vez.”

Mas enquanto eu fazia essa reescrita sem sentido, Watanuki-senpai começou a se mover. Ah, será que...? Apressadamente, entrei em posição de flexão.

Quando ela usa os músculos do braço, eu também faço treino muscular. Ao fazer isso, eu revivo a dificuldade. Esse também é um dos propósitos dessa inscrição de teste.

A Senpai puxou o arco com movimentos que pareciam belos até para os olhos de um leigo. Simultaneamente, comecei minhas flexões.

Uuuma...!

“...Minhas pernas...!”, sussurrei em desespero enquanto a parte inferior do meu corpo gritava e começava a tremer.

Então quem estava tremendo mais neste dojo de arquearia era eu —

Tchac.

Um som curto ecoou, cortando meus pensamentos triviais. A Senpai havia acertado firmemente o centro do alvo, que estimei estar a mais de 20 metros de distância. Mesmo que ela devesse estar sob mais pressão do que eu, sua postura não oscilou nem um pouco.

“......Linda. ...Tão distante.”

A garota da mesma idade que recebia as instruções murmurou baixinho.

Tendo falhado na minha segunda flexão e descansando a barriga no chão, pensei: “Digo o mesmo”.

Lembro-me de ela dizer algo como 'desde que me tornei a nova capitã, só tenho andado em círculos'... mas a Watanuki-senpai na verdade não é super confiável para os seus calouros?

O treino silencioso continuou e, por volta do momento em que consegui de alguma forma completar cerca de dez flexões, Watanuki-senpai bateu palmas alto.

Clap!

“Hora do intervalo. Retomamos em dez minutos. Pessoal, não se esqueçam de se hidratar.”

Em resposta às palavras da capitã, um uníssono “Sim!” ecoou de volta.

Depois disso, a tensão finalmente se afrouxou, e os membros disciplinados começaram a se mover individualmente.

Ouvi dizer que a arquearia valoriza a etiqueta, mas isso é incrível... Mesmo que eu seja tecnicamente um membro de teste, entrar de verdade parece impossível. Tanto mental quanto fisicamente.

“Amemoto! Eu não esperava que você viesse até o clube de arquearia! Bem-vindo!”

É o Urushibara, o rosto de bebê que me acostumei a ver ontem e hoje.

Um colega de classe de hakama parece revigorante. Como a Watanuki-senpai combinava tanto com aquilo que parecia natural, a roupa se destacava ainda mais nele.

“Bem, estou mais observando do que fazendo uma inscrição de teste... Desculpe por ser um de fora sem fazer nada.”

Curvei a cabeça para o meu colega de classe que estava treinando seriamente. Quando olhei para cima, ele estava balançando as duas mãos freneticamente.

“Não, não! Amemoto, você estava cheio de motivação, fazendo até flexões enquanto observava! Você estava coçando para puxar um arco, não estava?!”

Não estava. Meu ombro vai deslocar de verdade dessa vez.

“Haha... Eu ainda não decidi se vou entrar, no entanto.”

Então, só pude dar uma resposta vaga para a animação dele.

“...Com licença enquanto vocês dois estão aí se enturmando~. Amemoto-kun, era esse o nome? Você está em dúvida se vai entrar no clube~?”

Uma Senpai com o cabelo fofinho me notou e chamou com uma voz gentil.

Se mais uma pessoa surgir aqui, vou ficar completamente acima da minha capacidade. Só consegui responder instantaneamente com um: “O clima está bom”. Eu sou... um fraco...!

“Ah, eu deveria ter começado com uma apresentação. Sou a vice-capitã, Ayamori Eiko~. Você estava observando com paixão o tempo todo; o que estava escrevendo na sua nota~?”

“I-Isso mesmo, Ayamori-senpai! Também estou curioso; se estiver tudo bem, você podia mostrar para a gente!”

Por alguma razão, Urushibara também implorou apaixonadamente com as mãos juntas. ...Eh, as coisas que anotei sobre a Watanuki-senpai? Em relação ao problema de fadiga da Senpai, como os energéticos, isso provavelmente deveria ser mantido em segredo.

Mas o que eu faço? Não mostrar com o fluxo das coisas assim causaria uma má impressão. Hum... se for a página que escrevi de forma concisa, eles não devem saber sobre quem é.

“Claro, se algo assim servir”, eu disse, mostrando aos dois o papel com [Senpai Power Relax] escrito nele. “Pode não ser de grande ajuda, no entanto.”

“...Hee~”

“A-Amemoto, esse é um objetivo impressionante, como esperado!”

Ao ver a nota, os olhos do Urushibara se arregalaram. Eh, uma única anotação desleixada como essa fez calafrios subirem pela espinha dele?

A atmosfera fofinha da vice-capitã ao lado dele também sumiu. Seus olhos, que antes estavam estreitados em um sorriso refinado, agora estavam bem abertos.

“Urushibara-kun. Será que ele é... um arqueiro experiente?”

“Não ouvi nada desse tipo... Mas quando jogamos FPS juntos, a mira dele era nível profissional! Dependendo da velocidade de evolução dele, uma situação em que ele ultrapasse o 'poder' de uma Senpai é possível...!”

...Meu cérebro não estava funcionando por causa do cansaço, mas será que isso está sendo interpretado como uma provocação?

Não tem algo como uma aura de batalha emanando da Ayamori-senpai, que parecia tão gentil...?

“Então você estava avaliando a habilidade de nós, os alunos do segundo ano~. Mumun, desculpe se fomos uma decepção.”

“Não, hum, eu não estava fazendo uma inspeção igual a um protagonista no primeiro capítulo de um mangá de arquearia; é um mal-entendido...!”

“Nada disso, vou me matar de trabalhar depois dessa para conseguir ser uma barreira para você, Amemoto-kun! Vou me tornar uma personagem rival que faz um novato promissor querer entrar no clube~!”

“Por favor, me escute, que parte destes braços finos parece promissor para você...!”

Até o intervalo acabar, continuei dando uma explicação plausível de que estava “aprendendo a importância de relaxar a força com a Senpai”.

Mas Ayamori-senpai apenas assentiu com os olhos brilhando, dizendo: “Você não precisa dar desculpas~. Meu espírito frouxo foi revigorado~.”

Será que esse mal-entendido foi realmente desfeito...?

◆ ◆ ◆

Corrida matinal, aulas com sono, almoço insuficiente, atividades de clube com carga pesada...

Depois de passar por tudo isso, finalmente consegui chegar em casa.

Claro, o dia não termina aqui. Pelo visto, depois de voltar, a Senpai janta bastante, toma um banho... e estuda a partir daí.

Nós trocamos nossos números de contato, nos conectamos por uma chamada de voz e estávamos trabalhando em nossos respectivos estudos em um formato de sessão de estudos online.

Abri meu livro de referência de matemática e tentei memorizar novas fórmulas, mas... nada estava entrando. Estou com tanto sono quanto se estivesse na manhã seguinte após virar duas noites acordado. Meus braços e pernas doem. Estou no meu limite.

“Hoje, graças a você, consegui me concentrar até mesmo durante as atividades do clube.”

No meio disso, apenas a voz bonita misturada com suspiros vinda dos fones de ouvido que mantinha a minha consciência conectada.

“Ultimamente, tem tido muito treino básico, então havia partes em que estávamos relaxando demais. A Ayamori e os outros do segundo ano disseram isso também, que ter um observador ajudou a firmar as coisas.”

“É... mesmo... Fico feliz, se eu não tiver sido um incômodo...”

Apesar de a própria Watanuki-senpai estar passando por um momento difícil, ela é gentil o suficiente para se preocupar comigo até em uma hora dessas... ela é doce...

“Você realmente trabalhou duro, Amemoto-kun. Se estiver cansado, pode ir dormir mais cedo, sabia?”

Com aquela voz reconfortante, meu sono aumentou ainda mais.

“Não, vou te acompanhar até o fim... Até que horas você costuma fazer esse estudo autônomo?”

“Começo às 21h00 e, no máximo, até a 1h da manhã, eu acho.”

A resposta inacreditável dela veio através dos fones. O choque quase me acordou. Ainda falta mais da metade. Quando é que você dorme, sua criatura...

“Ter você me fazendo companhia até para estudar assim, minha confiança em você subiu ainda mais. Então, ei. Você não precisa ir até o fim. Já foi mais do que o suficiente. Descanse bem hoje. Tá bom?”

“...É mesmo. Então, só até onde eu conseguir aguentar...”

“Fufu, sua voz parece que está prestes a pegar no sono.”

Ela parece tão cheia de energia... Watanuki-senpai é o completo oposto de mim. A voz dela é suave e parece se espalhar pela noite, e ainda assim é radiante. A resistência básica dela provavelmente é diferente. Esse estilo de vida, mesmo por apenas um dia, é pesado para mim.

“Estudar sozinha conversando com um calouro assim, é a primeira vez para mim... Também nunca tive a experiência de correr com outra pessoa. Fazer isso com um garoto, de certa forma é estranho.”

“É mesmo... Acho que sim...”

Isso é mau, minhas pálpebras finalmente não abrem mais.

Como a Watanuki-senpai disse “Você não precisa ir até o fim”, em algum lugar do meu coração, senti um alívio. Minha consciência parece estar derretendo em um sono profundo.

Mas a chamada ainda está conectada. Não posso dormir... Para me forçar a acordar, soltei a voz mesmo com o cérebro sem funcionar.

“...Naturalmente foi a primeira vez para mim também... ver uma Senpai tão bonita se esforçando, ao lado dela o dia inteirinho...”

“............Bo...!?”

Hã... talvez o sinal esteja ruim; não consegui ouvir direito a voz da Watanuki-senpai.

Mas se eu parar de falar agora, sinto que vou cair no sono...

“Fazer isso todo santo dia, achei que era incrível... Era deslumbrante... Você é linda, estoica e se esforça tanto que não deixa ninguém perceber que é ruim nos estudos... Não é à toa que os calouros que te admiram não conseguem se aproximar... Você parecia tão distante...”

“A-Ame......!? Amemoto-kun! ...Mais... mais que isso é...”

Parece que o sinal está ruim mesmo. O volume da chamada está instável, cortando. E está ficando mais baixo.

Mesmo assim, tenho que continuar falando... Eu queria evitar dormir na frente dessa pessoa a todo custo.

“Assim como você testemunhou o meu trabalho duro, Watanuki-senpai... eu estava devidamente assistindo ao seu trabalho duro também...”

“......! ............~!!”

“A partir de amanhã, me deixe te ajudar a relaxar de forma apropriada...”

Não adianta, não consigo nem dizer “por favor”... Não consigo... resistir ao sono... mais...

“............A-Amemoto-kun? Alôôô... Você dormiu? ...Ehh. Isso é mau... Como é que eu vou olhar na sua cara amanhã...”

[Jeff: Que final foi esse meus amigos, amemoto é o novo Goat? me digam aí]

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