Interlúdio 1: Watanuki Rino Quer Se Acalmar!
Interlúdio 1: Watanuki Rino Quer Se Acalmar!
Eu estava refletindo sobre o deslize de hoje em frente à minha escrivaninha.
Já havia guardado minha lapiseira. Porque eu simplesmente não conseguia me concentrar nos estudos de jeito nenhum. O que aconteceu na casa do Amemoto-kun continuava se repetindo na minha mente sem parar.
“Aquela não era eu... A Watanuki Rino não aceita convites estranhos de garotos mais novos... Ela não solta sons desleixados com a massagem de um kouhai...”
O que me vem à memória é o “Curso Especial de Relaxamento” (perguntei mais tarde, mas o que sequer é aquilo?), um curso completo de cura pelo Amemoto-kun.
Durante o processo, expus vários lados embaraçosos de mim mesma. Normalmente, consigo me esforçar adequadamente para ser um modelo para os mais jovens.
Foi como se todas as minhas trancas tivessem sido destravadas de uma vez só.
Isso tudo é culpa do Amemoto-kun.
Minha primeira impressão foi de que ele parecia quieto, um garoto discreto.
Antes de nos conhecermos na loja de conveniência, eu o vi no corredor sendo pego por uma chave de braço por um estudante de aparência assustadora que disse: “Amemoto, conto com você para hoje à noite também”. Inicialmente, pensei que ele estivesse envolvido com um delinquente ou algo assim.
Naquela época, ele estava apenas sorrindo de um jeito preocupado...
Ele não parecia o “estudante que é bom em jogos e tem uma certa presença” de quem a Urushibara às vezes falava.
Mas agora eu entendo.
Sinto-me feliz quando ele está ao meu lado, e um pouco solitária quando ele se vai. É confortável quando estamos juntos. Ele é decidido e me trata com empatia...
É a primeira vez que conheço um garoto assim.
“...Haa.”
Amemoto-kun, a quem conheci por acaso e que escorregou direto para a minha vida diária.
Amemoto-kun, que, com uma expressão avoada, ainda assim seguia seriamente o meu cronograma.
Amemoto-kun, que, antes de pegar no sono, disparava elogios incríveis um atrás do outro.
Diante dele, inevitavelmente abaixo a guarda. É estranho. É bizarro.
Mesmo que eu tente me manter firme, meu coração começa a acelerar imediatamente.
Eu fico... muito... incapaz de me acalmar.
Vivendo por cerca de dezessete anos, nunca pensei que me apaixonaria por um kouhai. Achei que um garoto mais novo era a única coisa que não aconteceria.
[Jeff: Eita, mas já caiu pelos encantos do Goat do relaxamento?!]
Quero dizer, ele diz que vai me ajudar, mas... o que será exigido como o preço do contrato? Será que realmente preciso estar preparada para entregar a minha alma ou algo assim...? Existe até a possibilidade de eu ter feito um acordo perigoso.
Ugh, pensar que meu coração estaria disparado de várias maneiras por causa de um parceiro mais novo para quem eu achava que não deveria demonstrar nenhuma fraqueza...
“...Preciso esfriar a cabeça.”
Não consigo mais focar nos estudos. Meu rosto está queeente... Sinto que posso desmaiar com a febre do primeiro amor. Sinto vontade até de negligenciar minha rotina noturna.
Isso não é bom.
Mesmo que a eu deste ano tenha que se tornar ainda mais forte. Não tenho tempo para ficar animada pensando: “O que será feito comigo na próxima vez que eu for à casa do Amemoto-kun?”.
Quando saí para o corredor num impulso para preparar uma bolsa de gelo, minha irmã Shion estava bem ali.
Ela estava vestindo provavelmente apenas a calcinha por baixo de uma camiseta unissex grande demais. O cabelo dela, ainda úmido, cheirava ao mesmo creme de tratamento que o meu. Ela tinha acabado de tomar banho.
“......”
Não consegui dizer coisas como “Você está sendo desleixada” ou “Vai pegar um resfriado”. Uma tensão cortante nos envolveu.
“Onee, por que você está acordada até tão tarde... Estava se forçando a estudar de novo?”
Olhos indiferentes que enxergam através de tudo. Aquele olhar, que costumava ser suave, agora é como metal. Completamente frio.
Pensar que uma única unha cravada naquele dia criaria tamanha fenda.
“Sabe, Onee. Diligência é bom, mas mantenha a moderação. Não suporto assistir quando você exagera.”
“...É.”
“Isso é tudo o que tenho a dizer.”
Minha irmã, com quem tenho uma relação fria, entrou no quarto ao lado. Fui deixada sozinha no corredor.
Uma comunicação que não funciona. Minha cabeça esfriou completamente também.
No entanto, tudo o que acabo pensando é nele. Pergunto-me se isso é a maldição do amor; zombei de mim mesma no corredor escuro.
O Amemoto-kun disse: “Vamos resolver as coisas uma a uma a partir da próxima semana”, mas o que ele pretende fazer?
Na próxima vez que as atividades do clube estiverem suspensas, talvez eu vá perguntar a ele diretamente de novo.
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