Capítulo 12: Nexus (4)
Capítulo 12: Nexus (4)
15 anos atrás - Maverick’s Street
O pequeno Damian brincava em seu quarto, distraído com carrinhos e bonecos enquanto seu irmão mais velho estudava na escrivaninha.
— Dam, pode falar um pouco mais baixo? Tô tentando estudar.
— Me desculpe…
Ele continuou a brincadeira, dessa vez em silêncio para não perturbar Seth.
Alguns minutos depois, a mãe dos dois surgiu no quarto com um prato de biscoitos, despertando a curiosidade do mais novo.
— Meninos, querem comer?
— Sim, mãe! — disseram em uníssono.
Ela deixou o prato na escrivaninha e se despediu deles, voltando para a cozinha. O mais velho terminou de estudar e se juntou a Damian no chão.
— Ei, Seth.
— Sim, Dam?
— Me deixa brincar com o seu Capitão Armstrong, por favor…
O mais velho relutantemente coçou seus longos cabelos negros e balançou a cabeça, negando o pedido.
— Nem vem, Dam, já falei que não é um brinquedo, é action figure!
— E qual é a diferença? ele parece um brinquedo pra mim.
— Só entenda que é pra ele ficar na prateleira, o pai gastou uma fortuna por essa edição limitada.
— Ok…
Vendo que o mais novo ficou triste, Seth se aproximou e bagunçou seu cabelo.
— Não fica assim, depois te compro alguma coisa maneira.
Os olhos da criança brilharam de felicidade com a promessa.
— Sério?, o quê?
— Surpresa.
Damian encheu as bochechas de ar, frustrado com o mistério.
— Nem uma dica?
— Não mesmo.
Desistindo, ele se deitou no chão e observou as pinturas de estrelas no teto, embora ainda estivesse tentando adivinhar qual presente seu irmão iria lhe dar.
Alguns dias depois
Os dois voltaram caminhando da escola, com o mais novo animado para seu aniversário.
— Você deixou o presente no quarto?
— Sim, quando a gente chegar você pode abrir.
— Beleza!
Quando chegaram em sua rua, uma sensação estranha os envolveu, principalmente quando viram os vizinhos os observando com olhares angustiados.
— O que tá acontecendo?
— Não sei, Dam…
O cheiro de fumaça invadiu suas narinas, e o desespero tomou conta dos irmãos ao verem sua casa em chamas.
— Não…
— Merda…
Eles correram para lá, porém, a proprietária do restaurante Danna’s Heaven, segurou seus braços e os puxou para protegê-los.
— Danna, o que tá acontecendo? Cadê meus pais? — perguntou Seth.
Ela estava com os olhos marejados, suas mãos afagavam as cabeças das crianças, lutando para responder a pergunta da melhor forma possível.
— Eu sinto muito, meninos…
O mais velho congelou, entendendo o significado sutil na resposta da mulher, então, se soltou rapidamente e correu para sua casa.
— Seth! Venha aqui! — ela gritou, tentando puxá-lo de volta, mas sem sucesso.
Damian fez o mesmo e seguiu o irmão, Danna soltou um suspiro pesado e se levantou para ir atrás deles.
Seth chegou em sua rua, e percebeu que a casa estava destruída, a fumaça era visível em todos os lados e as pessoas em volta demonstravam expressões de angústia e tristeza.
O jovem foi impedido de entrar por um dos bombeiros.
— Se afaste, garoto, é muito perigoso!
— Me larga! Essa é minha casa! Cadê meus pais?
O bombeiro ficou paralisado ao ouvir que o garoto era filho dos mortos, então se agachou para encará-lo diretamente.
— Isso vai ser difícil de dizer, garoto…
O homem apontou para o carro do DML, e ele foi até lá, sendo alcançado por Danna e Damian.
— Não fuja desse jeito, menino, eu fiquei preocupada.
Apesar da repreensão, ela não aparentava estar brava com a atitude dele, sentia empatia por vê-lo de olhos arregalados, que observava os corpos dos pais sendo levados em macas.
O mais novo tocou no braço de Seth, também perplexo com a cena.
— Seth?
— O que foi, Dam?
— O que a gente faz agora?
— Não sei…
Os dois choraram, não em uma cena escandalosa ou muito emotiva, mas de forma calma, percebendo a gravidade da situação. Os irmãos sofreram com a perda repentina e se abraçaram para dar suporte um ao outro.
Vou te proteger, Dam…
5 anos depois - Danna’s Heaven
Em mais uma manhã tranquila no restaurante, Damian ajudou a proprietária na cozinha. Após anos sendo cuidado por ela e seu irmão, decidiu retribuir de alguma forma.
— Vá lavar os pratos, pirralho!
— Já vou, velha.
— Do que me chamou?
Os dois trocaram ofensas há algum tempo, que havia se tornado sua forma de afeto.
O irmão mais velho chegou do centro, seus novos óculos lhe deram um aspecto intelectual.
— Tô de volta!
— Seth! Que bom! — disse Danna, se aproximando para abraçá-lo.
— Como estão as coisas por aqui?
— O de sempre… pedidos que não acabam, reclamações do velho Billy, e seu irmão preguiçoso fazendo corpo mole.
Damian estalou a língua e colocou o prato para secar com um pouco mais de força.
— Eu não sou preguiçoso.
— Não… claro que não, moleque.
Seth colocou sua bolsa na sala de trás do restaurante e levantou as mangas para ajudar com os pratos, uma das empregadas do lugar, Molly, se aproximou dele para conversar.
— Como foi na universidade, Seth?
— Foi tranquilo… é mais fácil do que eu pensei.
— Não é de se admirar, você é tão inteligente, aposto que é bastante popular.
O rapaz riu e balança a cabeça, destacando ainda mais o volume de seus cabelos negros.
— Que nada! Eu fico na minha.
A loira se inclinou para encarar Damian do outro lado do balcão, que estava entediado ao cuidar do bar para Danna.
— Por que não tenta ser como seu irmão um pouquinho, Dam?
— Por que não se incomoda com sua vida, pirralha?
A adolescente sorriu depois de conseguir provocar o colega de classe, fingiu estar ferida com a resposta seca dele.
— Tá vendo, Seth? Seu irmão só fala assim comigo…
— Dam… seja gentil com a Molly.
— Até você caiu no papinho dessa aí?
Após cuidar dos pedidos dos clientes, Danna retornou e viu o trio conversando, ela suspirou e bateu o pano no balcão do bar.
— Parem de ficar de conversinha e voltem a trabalhar!
Seth e Molly acenaram com a cabeça, enquanto Damian bufou, e assim os três focaram em suas tarefas.
Horas depois, quando o restaurante estava fechado e todo mundo dormia, o mais novo acordou de madrugada para beber um pouco de água na cozinha.
Enquanto andava em direção ao bebedouro, ele virou a cabeça para a porta de entrada, e percebeu que estava aberta.
Que estranho… a velha nunca se esqueceu de fechar a porta…
Depois de beber água, Damian foi até a porta, mas travou com a mão na maçaneta quando viu seu irmão mais velho conversando com um homem desconhecido na rua.
— Se eu for, vai deixar eles em paz?
— Sim… contanto que eles não tentem mexer com a gente.
O mais novo ficou confuso com o que acabou de ouvir, como assim, se eu for?, repetiu Damian em sua mente.
— Seth?
De olhos arregalados, o mais velho se virou.
— Ainda tá acordado, irmão?
— O que está acontecendo, pra onde você vai?
O homem estranho voltou ao seu carro em silêncio, e Seth ficou indeciso quanto ao que fazer, nenhuma palavra saiu de sua boca por alguns segundos, até que ele respira fundo e disse:
— Me desculpe, Dam…
Assim, ele entrou no carro preto, deixando Damian perplexo na entrada do restaurante.
O que tá acontecendo?
Ele saiu correndo em direção ao carro, desesperado por respostas, e com medo de acabar descobrindo.
— Seth! Volta aqui!
O motorista acelerou o veículo, deixando o jovem para trás, ofegante e vendo seu irmão mais velho sorrir de maneira forçada, um sorriso que não chegava nos cantos dos olhos.
— Volta aqui…
Vencido pelo cansaço, o rapaz parou no meio da estrada e se ajoelhou no chão, a rua estava deserta, de longe apenas os latidos de cachorros e o leve canto dos grilos.
Damian fechou os olhos e chorou, sentindo o peso do abandono pela segunda vez em sua vida.
— Damian!
O homem se assustou com o tom mais elevado de Holly, quase se esqueceu que estavam indo para o centro da cidade.
— Tá tudo bem? Você tava no mundo da lua.
Ele limpou a garganta e continuou com o olhar focado na calçada, levemente incomodado com o olhar preocupado da loira.
— Sim, sim, tô de boa. Quando a gente vai atrás daquele grupo, hein?
— Paciência, lindinho, vamos relaxar por enquanto, ainda temos tempo pra pegá-los.
Os dois continuaram o trajeto para seus pontos favoritos de entretenimento, e Kane não conseguia deixar de pensar no que seu irmão poderia estar fazendo.
Starqueens - Mansão do Justin - 04:00 P.M
O grupo de Edward se preparou para ir à próxima cidade, Allen entregou a chave de seu carro SUV ao líder.
— Obrigado por nos receber, Justin, desculpe pelo prejuízo na sua entrada…
O famoso riu e bateu no ombro dele, nem um pouco enfurecido com os acontecimentos recentes.
— Fica tranquilo, líder, a culpa não foi de vocês, além disso, não vai doer nem um pouquinho no bolso.
— Deve ser legal poder gastar sem se preocupar com a conta no final do mês — respondeu Edward, com um riso leve.
— Pode apostar que sim.
Enquanto isso, Kyle e Faith arrumaram as coisas que iriam levar no porta-malas, a proximidade deixou a mulher um pouco corada, ao mesmo tempo que o homem estava distraído com os arredores.
— Kyle…
— Sim?
— Você está bem? Aquela luta foi tão assustadora.
— Tô bem, obrigado por se preocupar, Fey.
Ela ficou ainda mais envergonhada ao ouvir o apelido novo, algo inesperado. A jovem mulher colocou a mão na boca para esconder o sorriso que se formou de forma inconsciente, e deu um soco leve no ombro dele.
— Fey? De onde você tirou esse apelido pra mim?
— Não posso te chamar assim?
— Pode…
Kyle sorriu e continuou a arrumar as coisas, Sanders se aproximou dele para continuar a conversa.
— Mas é sério… eu fiquei bastante preocupada com sua luta, eu pensei que você fosse…
Ela parou de falar, e fechou os olhos para impedir as lágrimas de se formarem, Denvers percebeu que ela estava triste e envolveu seus ombros com seu braço esquerdo.
— Escuta… prometo que não vou te deixar preocupada de novo, tá bom? Não precisa ficar assim.
Faith deixou Kyle abraçá-la, e veio uma faísca de segurança e calmaria com suas palavras simples, mas poderosas.
— Gostei de te ver dando uma surra naquele maluco, você me impressionou.
— O-Obrigado.
Percebendo a mudança de clima, ela se afastou dele, mexeu em uma das bolsas para tentar mascarar a vergonha que estava sentindo. Kyle também ficou envergonhado e encarou as flores do jardim, com um sorriso desajeitado.
— V-Vou beber um pouco de água antes de sair. — disse o hacker.
— B-Boa ideia, mas não demore, precisamos sair logo.
— Ok.
Justin colocou Samantha no banco de trás do carro, soltando um suspiro antes de voltar para conversar com Edward e Lacey.
— Obrigado por aceitarem levá-la pra Gigamach, vou ficar devendo essa.
— Tranquilo, Jus, e aí? Quem é esse mecânico que você mencionou? — perguntou Kushina, curiosa.
— O nome dele é Patrick Hanks, não se preocupem, deixei as coordenadas certas pra oficina dele no carro.
— Obrigado, Justin
— De nada, líder.
Assim, os Unidos entraram no veículo e saíram da mansão, Keaton dirigiu para a próxima região, sentiu-se um pouco empolgado com tudo o que estava vivenciando com seus companheiros.
Sede da Nexus - 09:25 P.M
Horizon trabalhou com certa frustração na descriptografia de dados importantes, ela manteve suas sobrancelhas cerradas, a mão inquieta nos cabelos castanhos e a pressão colocada nas teclas ao digitar.
Por que o papai só coloca eu pra fazer isso? Que chato…
— Boa noite, Scarlet.
A mulher se assustou com a voz feminina, se virando para descobrir ser Holly Wells.
— Ah, Rouge, não sabia que você ia vir, não é seu dia de folga?
— Pois é… mas eu gosto de vir pra cá, é bem relaxante.
Scarlet levantou uma sobrancelha e deixou escapar uma risada, perplexa com o que ouviu.
— Relaxante!? Aqui? Você só pode tá ficando doida.
Holly riu de volta e se aproximou, com uma linguagem corporal calma e calculada.
— Tô só brincando mesmo, na verdade eu queria conversar com você.
— Comigo? Sobre o quê?
— Ah, mana! Somos as únicas mulheres do grupo, achei que a gente podia se conhecer melhor, sabe.
A jovem mulher ficou um pouco envergonhada, porém sorriu levemente com a proposta.
— Bem… não parece ser uma ideia ruim, eu tô farta de ficar o dia todo quieta sem fazer nada divertido nesse lugar, a gente pode comer alguma coisa, o que acha?
Wells sorriu ainda mais e acenou com a cabeça.
— Eu tava pensando nisso também, tá vendo como a gente se entende?
Quinn desligou o computador da empresa, ignorando completamente a tarefa que lhe foi entregue, no lugar ela pegou suas coisas e saiu com a loira para fora do prédio.
As duas conversavam sobre temas cotidianos, elogiavam a aparência uma da outra e estavam tendo um momento tranquilo e ordinário entre amigas, até que Holly fez uma pergunta estranha para a morena.
— O que acha dos Unidos, Scarlet?
Ela travou com a pergunta, parou na calçada para encarar os olhos da companheira de equipe.
— C-Como assim?
— Ah, para né? Todo mundo tá falando deles! Quero saber o que pensa deles.
A morena demorou alguns segundos fingindo estar pensando no que falar, e com um suspiro, ela disse:
— Eles são uns idiotas, estão sendo caçados pela gente e muito provavelmente pelo governo todo, acho que eles são uns suicidas.
— Entendo… por isso denunciou eles para o governo?
Scarlet ficou de olhos arregalados.
— Ahn!?
— Ahn? Ahn? Que foi? Tá surpresa com o fato de ter sido descoberta, querida?
— Descoberta? Do que você tá falando?
A loira pegou o celular e mostrou a gravação de uma chamada interceptada do celular de Scarlet, onde ela deu informações sigilosas para alguém em Edge Times.
— Eu…
— Você é a traidora do grupo, não é? Quais as suas intenções reais?
A jovem olhou em volta, e percebeu que não havia ninguém que pudesse descobrir quem são. Ela ativou sua armadura e voou de volta para a sede da Nexus.
— Medrosa…
Rouge fez o mesmo e a perseguiu no ar, pegando suas duas katanas e acertando as costas de Horizon.
— Argh!
Ela caiu no topo do prédio, o impacto rachou o solo em volta de seu corpo.
A loira desceu e se aproximou lentamente da traidora.
— Você é mais fraca do que eu pensei.
— Cala a boca! Eu nem me preparei direito!
Horizon se levantou e puxou sua espada, o cabo tinha uma cabeça de cobra na ponta, feita de cobre.
— Hum… gostei da espada.
— Diga olá para a Medusa, os cortes que eu vou fazer em você vão ser permanentes, Rouge.
— Veremos.
Uma luta se iniciou, as duas utilizaram todas as habilidades para atingir a outra. Os cortes atravessaram as armaduras, atingindo a pele em diversas partes.
Rouge desviou do ataque direto de Horizon, se inclinou para o lado direito e se agachou para cortar a perna dela.
— Urgh!
A traidora caiu de joelhos com o peso da perna machucada, porém a loira aproveitou para chutar o seu rosto, lançando-a para trás e quase a derrubou para fora do prédio.
— Você é muito forte…
— Obrigada.
Rouge segurou a oponente, encarando seus olhos diretamente, a morena arfou sem parar, e congelou de medo com o que estava acontecendo.
— Seu nome não é Scarlet, não é?
Horizon se cansou de lutar para se soltar, e aceitou a situação com um suspiro pesado.
— Não…
— Ótimo! Estamos indo a algum lugar finalmente.
Ela reforçou puxando os cabelos da mais jovem para trás, tirando dela um gemido de dor.
— Qual seu verdadeiro nome?
— Não vou dizer…
— Diga! Você sabe que não vai demorar muito pros Unidos descobrirem, você vai apenas atrasar o inevitável!
Rouge respirou fundo para se controlar, agoniada com a dor latejante dos cortes da espada Medusa. Os ferimentos serviram como lembrete constante de que não devia hesitar em sua abordagem.
— Eu já vi o seu rosto, não vai ser difícil descobrir quem você realmente é.
De repente, a agente foi jogada para o lado com força total. Sua mente não conseguiu processar bem o acontecimento, e ela viu apenas o próprio corpo caindo quase que em câmera lenta.
— Não podia deixar essa passar — disse uma voz masculina próxima de Horizon.
A visão da loira escureceu aos poucos, ela tentou se levantar com o restante de energia que tinha, porém não foi suficiente, e Holly desmaiou.