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Capítulo 13 — 1 Quase Escalada (1/6)

A Cavaleira De Preto — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 13 — 1 Quase Escalada (1/6)

[Oeste das Terras Centrais]

O trio dava passos regulares e constantes em direção à imensa parede verde da floresta que se erguia logo à frente. Sob o sol impiedoso das Terras Centrais, a mulher que seguia na dianteira parecia ignorar as leis da física; esbanjando um largo sorriso que iluminava seu rosto, ela carregava um grande e pesado fardo nas costas, uma trouxa amarrada com cordas grossas que pareceria impossível para alguém de seu porte. No entanto, Lavina não apresentava nenhum sinal de cansaço ou fadiga, caminhando com a mesma leveza de quem apenas passeia por um jardim, mesmo após uma jornada extenuante de três dias e três noites sem descanso prolongado.

Atrás dela, o cenário era drasticamente diferente. Glamich já não se aguentava de tanto calor e cansaço acumulado. Em seu rosto avermelhado pelo esforço, deslizavam verdadeiras cascatas de suor que brotavam de sua testa e encharcavam a gola da túnica, sinalizando o quanto ele não suportava aquele clima abafado e o peso morto do fardo que carregava nas costas. Suas pernas, antes firmes, agora tremiam de forma visível, com os músculos doloridos clamando por uma trégua a cada passo dado sobre o solo seco. Seus ombros reclamavam sob as alças da carga, enviando pontadas de dor que subiam pelo pescoço.

Em total contraste com o sofrimento do homem, a pequena Vaiola andava ao seu lado com uma energia invejável. Seus lábios estavam curvados para formar um grande e genuíno sorriso, espelhando a alegria da mãe que ia à frente. Embora houvesse suor molhando seu rosto juvenil e colando alguns fios de cabelo azul à testa, nem as suas pernas, nem os seus ombros apresentavam qualquer sinal de fraqueza. Ela saltitava entre as pedras do caminho, movida por uma curiosidade que parecia combustível infinito.

— Finalmente, chegamos — disse a mulher, parando diante da trilha estreita e sombria que levava ao interior profundo daquela floresta densa.

— Será. Que. Podemos. Fazer. Uma. Pausa? — Glamich sugeriu com dificuldade, levantando o dedo indicador trêmulo para enfatizar o pedido. Suas costas estavam arqueadas sob o peso da mochila, a mão esquerda buscava apoio nos joelhos que não paravam de vibrar, e seus pulmões ardiam tanto pelo ar quente que o forçavam a ofegar pesadamente a cada palavra proferida.

— A gente descansa lá dentro, pai. — Vaiola respondeu prontamente, sem desviar os olhos da vegetação. Suas pupilas brilhavam intensamente enquanto ela apreciava cada detalhe das folhas largas e dos troncos cobertos de musgo. Seu coração pulsava inquieto no peito, tomado por uma expectativa vibrante, e seu sorriso se alargava a cada segundo que passava.

— Ouviu a pequena, Glamich — Lavina comentou, virando-se para o esposo. Assim como a filha, ela não mostrava o menor sinal de sequer cogitar aceitar a sugestão de parada. — Tem muito lugar para descansar lá dentro. Sabia que dizem que a floresta é mágica, Vaiola?

— Uaau, é mesmo?! — Os olhinhos da garota brilharam com uma intensidade ainda maior, tornando-se inquietos e rápidos, buscando imediatamente qualquer sinal de Criaturas, brilhos ou fenômenos extraordinários naquela imensidão verde que os cercava.

— Foi o que ouvi, mas nunca confirmei. — Lavina relatou, mantendo o tom misterioso enquanto seus olhos analisavam a entrada da mata, que parecia perfeitamente normal à primeira vista. — Vamos descobrir isso hoje, todos juntos.

— AÊÊÊ…!! — As mãos de Vaiola foram ao alto em uma comemoração efusiva. A ansiedade agora pulsava em suas veias, tornando quase impossível ficar parada no lugar. Ela já sentia o chamado daquele lugar dito ser mágico, pronta para explorar cada segredo escondido sob as sombras das árvores.

— Ebáaaa! — Glamich fingiu uma animação que claramente não sentia, levantando fracamente o punho direito enquanto lutava para regular sua respiração ruidosa. Logo em seguida, pegou o cantil de couro pendurado na cintura e despejou a última reserva de água na garganta seca, sentindo o líquido morno descer como um alívio momentâneo.

— Então, prontos?

[Duas semanas antes]

Naquela tarde, o sol começava a se despedir, pintando o horizonte com pinceladas de laranja e carmesim. Vaiola já tinha esquecido completamente as palavras sombrias que lhe foram ditas pelos dois Hyems horas antes. Ela dançava com uma animação contagiante pelo caminho de terra, balançando os braços ritmicamente enquanto levantava os joelhos em passos altos. Dava pequenos pulinhos de pura alegria, girando no ar com a leveza de uma pluma, fazendo seu vestido balançar.

Era impossível para qualquer observador não notar a empolgação vibrante presente naquele largo sorriso. Havia um brilho intenso irradiando de seus olhos, que se voltavam repetidamente para o seu próprio ombro direito, focando na cicatriz que marcava a pele naquela região — uma marca que, para ela, parecia mais um troféu do que uma ferida.

Glamich, que a acompanhava logo atrás, ainda sentia um peso no peito. Estava preocupado e com a mente nublada após escutar os avisos enigmáticos dos dois Hyems, mas, ao observar a dança espontânea da filha, não pôde deixar de sorrir. A animação de Vaiola era um vírus benéfico que logo o contagiou, empurrando as preocupações para o fundo de sua mente. Em poucos minutos, ele também já tinha esquecido a presença intimidadora dos Hyems.

Depois de uma curta caminhada, eles chegaram à pequena casa de madeira e pedra. Vaiola estendeu a mão até a maçaneta desgastada, pronta para entrar, mas parou bruscamente. Ela retraiu a mão no mesmo instante, como se tivesse se lembrado de algo crucial.

— Hmm… — A cabeça da menina tombou para o lado e ela cruzou os braços sobre o peito, fixando os olhos em um ponto indeterminado da madeira da porta. O sorriso sumiu por um breve momento enquanto ela mordia o lábio superior com força e agitava a mandíbula inferior para os lados, em um tique nervoso de concentração.

Glamich parou os passos logo atrás dela e cruzou os braços, observando a cena com um carinho paternal. Ele achava engraçado e extremamente fofo o modo como a filha entrava em transe sempre que mergulhava profundamente em seus próprios pensamentos e planos mirabolantes.

— Ah!

O sorriso radiante retornou à face de Vaiola apenas alguns segundos depois. Com um movimento rápido, ela levou as mãos à parte de trás da cabeça e desfez com habilidade o nó da fita vermelha que prendia seus cabelos. No mesmo instante, a cascata azul de seus fios caiu livremente, espalhando-se sobre suas costas e cobrindo seus ombros como um manto de seda colorida.

Ela deu uma pequena sacudida nos ombros, confirmando que o cabelo agora cobria perfeitamente a cicatriz no ombro direito, escondendo-a de qualquer olhar curioso. Só então, voltou a levantar a mão até a maçaneta com confiança.

Kriiunk…

As dobradiças velhas rangeram alto quando a porta foi aberta, denunciando a chegada deles para quem quer que estivesse lá dentro. O cheiro de lenha queimada e comida caseira flutuou para fora.

— Estamos de volta!! — A criança gritou a plenos pulmões, com a voz ecoando pelas paredes da casa. Ela sabia que sua mãe já deveria estar em casa àquela hora, afinal, o céu lá fora já começava a ganhar os tons roxos e profundos do crepúsculo. — Mamãe!?

Vaiola soltou a porta com pressa, que só não bateu contra a parede com um estrondo por ter sido segurada firmemente pelo pai, que entrava logo atrás. A menina avançou correndo para o interior familiar da residência, os pés descalços batendo ritmicamente contra o chão de madeira.

Ela passou voando pela pequena sala de estar, desviando com agilidade da mesa de madeira maciça que era maior do que ela, posicionada bem ao centro do cômodo. Passou pelas três cadeiras dispostas ao redor da mesa e ignorou as cinco grandes talhas de barro que ficavam escoradas na parede à sua direita, servindo como estoque de grãos e água. Seus passos não pararam até alcançar a abertura na parede que servia de portal para o próximo cômodo: a cozinha.

Cot! Cot! Cot…

O som rítmico de algo sendo picado preenchia o ar.

— Mamãe!! — gritou novamente, transbordando animação ao identificar o som da faca batendo ritmicamente contra a tábua de corte de madeira.

Bastou dar a curva e colocar o pé dentro da cozinha para ver a silhueta da mãe de costas, concentrada em cortar legumes sobre o balcão de pedra. Entretanto, antes que pudesse abraçá-la, algo mudou.

— Huh? — A intuição da garotinha disparou como um alarme ensurdecedor dentro de sua cabeça. “Perigo!!!!”, gritou seu instinto primordial.

No mesmo instante, ela escutou um som quase inaudível, um assobio agudo e rápido, como o de um objeto cortando o ar em alta velocidade, vindo em sua direção.

— Hã?!! — Seus reflexos agiram por conta própria. Sua mão direita se levantou instintivamente, subindo à frente de seu rosto com a palma aberta.

Foi uma questão de frações de segundos. Um milésimo de segundo antes de o objeto atingir seu rosto, ele se chocou violentamente contra o centro de sua palma. O impacto foi forte o suficiente para causar uma dor aguda em seu pulso e forçá-la a dar um passo para trás para manter o equilíbrio.

Imediatamente, um cheiro pungente, ácido e extremamente desconfortável invadiu suas narinas, fazendo seus olhos arderem.