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Capítulo 42 — 1 Demônio (4/10)

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Capítulo 42 — 1 Demônio (4/10)

Impossibilitada de se mover, Vaiola conseguiu apenas escutar o estalo de Daaran, o Apóstolo da Guerra, antes de ver um brilho prateado cair dos céus… inúmeros brilhos prateados.

Era uma chuva de espadas.

As lâminas caíram como meteoros sobre a nanica. O som da queda de todas ao mesmo tempo soou como uma explosão.

Booom!

Os sete Apóstolos observaram a cortina de fumaça que se erguera e, mesmo tendo certeza de que a Rainha demoníaca fora atingida pela chuva de centenas de espadas, nenhum deles ousou relaxar.

Continuaram em prontidão para o combate, aguardando o resultado da investida. Sabiam que, se fosse um demônio qualquer — ou até mesmo um grupo deles —, teria sucumbido sem luta diante daquilo. Mas o que enfrentavam não era um mero demônio…

Era a própria Rainha dos Demônios em pessoa.

Quando a poeira levantada se dissipou, os Apóstolos se posicionaram com maior rigor.

Como já era esperado, as espadas não tinham deixado sequer um arranhão no corpo daquela criatura.

— Então… — O Apóstolo da Guerra apertava o cabo de uma espada longa em sua mão direita. — Parece que o seu corpo é impenetrável.

— Heh, heh. — Vaiola ainda não conseguia se mover e, mesmo impressionada com a destruição que as espadas caídas ao seu lado podiam causar, não deixou de debochar. — Parece que sim.

Ela estava no centro de uma cratera repleta de rachaduras e pedregulhos espalhados, como se uma rocha fumegante tivesse caído ali.

Voosh.

O sorriso da nanica desapareceu no instante seguinte, quando a enorme Alliardes, com seus incríveis dois metros e oitenta e sete de altura, surgiu diante dela, o corpo curvado e o punho, do tamanho de sua cabeça, voando em direção ao seu abdômen.

“I-isso é…” Iola tentou reagir, com uma sensação de alerta a inundando. “muito… muito perigoso.”

Mas a amiga imaginária não pôde fazer nada para impedir que aquele enorme punho se encaixasse perfeitamente.

Bam.

O tronco da nanica se dobrou, seus dentes cerrados e olhos arregalados.

Quando aquele punho a atingiu, não veio apenas a dor. Ela sentiu todos os seus órgãos se agitarem loucamente, como se um terremoto estivesse acontecendo dentro dela.

— Coungh!

Sua boca se abriu, mas nenhum grito saiu. Ela apenas tossiu, e sangue jorrou como uma cachoeira. Então seu corpo foi arremessado para dez metros de distância.

As vezes em que rolou pelo chão foram insignificantes perto da dor causada por aquele soco.

Assim que parou de rolar, distante dos Apóstolos, notou que podia se mover, mas não conseguia. Seus olhos, ouvidos e nariz também jorravam sangue sem cessar.

“O que…” — Ela ainda tossia, sentindo os órgãos internos agitados dentro dela. — “O que foi aquilo?”

“Levanta, rápido!” Iola ordenou, seu olhar focado nos sete Apóstolos. “Está vendo aquela armário e a quatro olhos…” Enquanto limpava os fios de sangue em seu queixo, Vaiola não conseguiu evitar estranhar o linguajar de sua amiga imaginária. Contudo, apesar de tudo, o importante era que tinha conseguido entender. “Não tira os olhos delas!”

Vaiola escutou as instruções e, mesmo sentindo tudo bagunçado dentro de si, forçou-se a se levantar. Precisava voltar à luta; precisava viver.

Assim que se colocou de pé, antes mesmo que pudesse se posicionar de frente para os seus oponentes, correntes vieram do nada e prenderam-se aos seus pulsos e tornozelos.

Foi algo repentino, tanto que ela quase caiu de joelhos quando as correntes a puxaram para baixo. Mas conseguiu se manter firme pelos breves segundos em que resistiram.

As correntes se quebraram sem muita dificuldade, mas o som do rompimento transmitiu estranheza à menor. Quando Vaiola olhou para elas, entendeu a razão de parecerem tão estranhas.

— Quê!?

Não era metal…

Era tinta.

O líquido escuro perdeu a forma de correntes e manchou a pele da nanica.

— Transformação Criativa. — Enquanto ainda tentava entender o que era aquela tinta, Vaiola ergueu a cabeça para ver de quem era aquela voz calma e suave.

Ao longe, seus olhos encontraram um homem esbelto segurando um pincel, com uma venda arco-íris e cabelos médios divididos numa proporção de sete para três.

Era Fargeus, Apóstolo da Arte.

De um segundo para o outro, Vaiola caiu de joelhos, incapaz de manter o corpo firme, os punhos tocando o chão.

— Mas que…!!? — Era inacreditável o que seus olhos estavam vendo.

As manchas de tinta em seus pulsos e tornozelos tinham se transformado em braceletes com a inscrição [100 Toneladas] gravada neles.

Mesmo usando todas as suas forças, não conseguia levantar os braços nem as pernas.

— Foi impressão minha, ou foi uma costela quebrando que eu ouvi lá atrás? — A questão veio de Alliardes, que dava passos lentos em sua direção. — Heh. Parece que é como eu imaginava: sua pele pode até ser impenetrável, mas e o resto de você?

Vaiola rangeu os dentes, sentindo a dor extrema da costela quebrada. Era como a Apóstola dizia. Para além da pele extremamente resistente — impenetrável —, todo o resto que compunha seu corpo não chegava nem perto daquele nível.

— Se é assim, nós precisamos apenas nos focar em…

BAM!

— Coungh!

Vaiola voltou a vomitar sangue quando, repentinamente, conseguiu levantar as mãos. Mas, antes de poder fazer qualquer coisa, algo pesado atingiu seu abdômen novamente, lançando, mais uma vez, o corpo da nanica para longe.

— Golpes de impacto — completou o Apóstolo da Guerra. Ele segurava sobre o ombro um martelo muitas vezes maior que ele próprio, como se seu peso fosse insignificante.

Como aqueles que estavam abaixo apenas dos Profetas, ou seja, os segundos na hierarquia de suas igrejas, eles já tinham visto de tudo naquele mundo. Afinal, já estavam há muito tempo naquela função.

Entender como funcionavam as habilidades dos oponentes após algumas trocas tornara-se algo automático.

— Certo. — A Apóstola do Tremor se posicionou ao lado de Daaran, preparando os punhos. — Eu e Daaran seremos a vanguarda. Os outros dêem suporte.

Nenhum dos Apóstolos contestou aquela decisão. Afinal, os dois que se colocavam na vanguarda, Alliardes e Daaran, eram crentes da [Guerreira Mãe], a Deusa dos Montes, e do [Monarca Vermelho], O Deus da Guerra, respectivamente.

Em combate, nenhum outro se comparava a eles.

Distante, Vaiola voltou a se levantar, tentando ao máximo ignorar as dores latejantes em suas costelas.

Depois de ter os órgãos agitados e ainda receber aquele golpe de martelo, ela mal conseguia se manter de pé, com a consciência ameaçando mergulhar na escuridão continuamente.

— Vi… ver… — Era tudo o que a mantinha de pé: seu desejo de viver. — Eu vou…

Antes que pudesse terminar a frase, uma criatura feita de fogo dourado surgiu diante dela num instante, desferindo um soco que por pouco não atingiu a pequena.

Vaiola conseguiu se esquivar lançando o corpo para trás. Contudo, antes de poder se reposicionar, outra criatura, agora de pedras, apareceu ao seu lado, acertando-lhe um golpe.

O impacto não lhe causou tanta dor; não era nada comparado ao soco daquela mulher anormalmente alta e musculosa.

Depois de ser empurrada por dois metros, conseguiu olhar para cima, para onde estavam dois outros Apóstolos.

Lado a lado estavam um homem de túnica branca e cabelos loiros e uma mulher de túnica dourada e cabelos prateados.

Eram Jirion, o Apóstolo do Sol, e Riwen, Apóstola da Vida.

Jirion estalou os dedos, e chamas douradas surgiram diante dele, um monte atrás do outro. Logo após, Riwen estendeu as mãos sobre elas, moldando-as em formatos humanoides e dando-lhes vida.

Assim como acontecia com as chamas do Apóstolo do Sol, as pedras no chão se sobrepunham e, de um segundo para o outro, ganhavam vida e avançavam contra Vaiola como um pequeno exército.

A nanica se esquivou da investida de uma criatura de pedras, depois das chamas de outra, fazendo de tudo para não ser encurralada pela dezena de criaturas de fogo e pedra.

Mas, sem que ela pudesse sequer entender como aconteceu, um punho enorme a alcançou num instante, agitando seu corpo de dentro para fora.

Mais uma vez, sangue jorrou de seus olhos, nariz, ouvidos e boca. Ela quase perdeu a consciência.

— Devo te dar o crédito. — Alliardes falou, depois de lançar o corpo da nanica para longe. — O Impacto do Tremor é um golpe tão devastador que meus oponentes morrem antes mesmo de eu tocá-los. — Seu corpo exalava Tremor, criando rachaduras no solo sob seus pés. — Mas você suportou dois golpes diretos.

— Você é realmente um monstro. — Finalizou.

“E-eu.” — Seus olhos estavam quase se virando, mas ela continuava lutando, forçando-se para além de seus próprios limites.

Pinga.

Mas seus esforços foram barrados pela tinta negra que caiu do céu, pintando seus pulsos.

Mais uma vez, Vaiola se viu incapaz de levantar as mãos; nos pulsos, braceletes pintados de 100 toneladas.

No instante seguinte, tudo foi mergulhado em escuridão quando o enorme martelo de Daaran atingiu seu rosto.

— Haaa. Ela finalmente desistiu. — Escutou, antes de tudo ficar silencioso.