LNCrawler

Capítulo 53.2 — 1 Cadáver

A Cavaleira De Preto — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 53.2 — 1 Cadáver

Ainda fitava o telegrama que me fora enviado nesta manhã, revisitando pela enésima vez a mensagem codificada ali contida:

[Está tudo pronto]

[Vá para Tragor]

Ansiava por compreender a razão subjacente a essa ordem repentina, mas nenhuma outra informação chegou depois, nenhuma explicação, sequer.

E a maior interrogação que me assolava era: o que de tão gravoso teria sucedido nesta Cidade-Fortaleza, ao ponto de ser necessária a presença de um Inspetor-Chefe do meu calibre?

Tentara elaborar conjecturas durante as horas de viagem e, quando não consegui conceber nada concreto que pudesse servir de fundamento, deliberei dobrar a folha branca com a mensagem e restituí-la ao bolso.

É certo que o fato das vias que conectam Tragor ao mundo, inclusive as ruas internas, serem pedregosas me surpreendera no início, mas o balanço contínuo da carruagem já não me importunava há algumas horas. O que se tornava insuportável, deveras, era o quão sufocante se encontrava o interior.

Ignorando os dois que viajavam comigo, levei a mão até a janela à minha direita e a abri. Uma brisa tépida invadiu o interior da carruagem no mesmo instante, refrescando aquele espaço.

Foi salutar para reorganizar os pensamentos.

Todavia, meus olhos contraíram-se no segundo subsequente, quando encontraram dois pares de olhos a me fitar.

Corpo musculoso e imponente, dois pares de olhos roxos, onde linhas místicas pareciam dançar, quatro braços, cauda longa e peluda na ponta e longos cabelos trançados…

Não existia dúvida: era mesmo um Hyem. E, ao lado dele, uma Lihyf.

Nossos olhares cruzaram-se por apenas um instante e, no segundo seguinte, a carruagem já curvava numa esquina que surgiu.

Não era a primeira vez, neste ano, que via seres de outras raças nas terras humanas, mas cada encontro não deixava de ser estranho.

“Bem, suponho que não seja o único a considerar isso estranho.”

Devia ser estranho para todos os outros ver as pessoas de outras raças caminhando entre nós, ainda mais quando se percebia que os Hyems são uma raça de apenas negros e que a maioria dos Lihyfs enviados por conta do Tratado de Reconhecimento eram negros.

Para uma humanidade que, durante incontáveis gerações, fora condicionada a associar a pele negra à inferioridade, aquela mudança certamente constituía uma ruptura bastante significativa com aquilo que lhes fora ensinado a considerar natural.

“Só espero que nenhum imbecil tenha a presunção de tentar alguma coisa contra eles.”

Não era, entretanto, uma questão que me competisse solucionar. Então, joguei tudo no fundo de minha mente e, durante o trajeto restante, mantive a atenção nas ruas que iam surgindo, assimilando um pouco de informação sobre aquele lugar.

A escravidão existia por ali também, sendo possível ver vários humanos de pele negra com coleiras negras ou algemas.

“Pelo menos, aqui eles são usados apenas como carregadores.”

O tanto de coisa que já vi neste mundo me fez perceber que a humanidade consegue ser abjeta quando quer… com uma capacidade quase inesgotável para a crueldade. Admira-me apenas a audácia com que ainda atribuíam aos outros o título de “selvagens” ou coisas piores.

Sendo que são os verdadeiros monstros.

“Haaa…”

Ruas e ruas foram surgindo e ficando para trás; em nenhum momento a carruagem foi interpelada pelo grande número de soldados pelas ruas. Pelo contrário: ao me ver na janela, eles paravam para demonstrar respeito com uma continência.

Duvido que a maioria deles me conheça, mas o Emblema da Agência de Segurança de Kartumz entalhado na carruagem com certeza não havia ninguém que desconhecesse.

— Quanto falta? — indaguei, meus olhos focados nas construções sem cor que lentamente passavam do lado de fora.

— Estamos perto, senhor. — Quem respondeu foi o homem de uniforme preto, com detalhes vermelhos, sentado à esquerda no assento diante de mim. Era Veigas, de cabelos escuros e olhos verdes. Se bem me recordo, estava comigo há já três anos.

Assim como Veigas dissera, depois de poucos minutos a carruagem enfim cessou de balançar, e o cocheiro abriu a porta.

— Inspetor. — Escutei, assim que ia descer. Já estava ali alguém para nos receber. — Sou Gyrion Haus, o responsável por esta investigação no momento.

“Investigação?”

Então a razão para eu ser enviado para aqui é uma investigação? Mas que tipo de investigação seria tão crucial para que fosse necessária a presença do Inspetor-Chefe da Capital Imperial?

— Investigação? — Questionei, em busca de respostas.

O homem, de cabelos grisalhos espetados e bigode espesso, pareceu perplexo por um segundo, mas alguma compreensão surgiu em seus olhos após piscar algumas vezes.

— Ah, sim, é mesmo. Por conta da suspeita de que os desaparecimentos que vêm acontecendo estejam sendo perpetuados por pessoas com objetivos sombrios e que talvez haja alguma ligação com o atual caso, preferimos não disseminar muita informação sobre, para evitar… — Gyrion travou por um segundo e, de tão sério que o assunto era, ele até endireitou a postura. — Para evitar “alertá-los”.

“Alertá-los…”

Curiosa aquela escolha de palavras.

Quer dizer, então, que o que aconteceu aqui é sobrenatural.

Já sabia sobre os desaparecimentos que vinham acontecendo nos últimos três anos e até estava envolvido na investigação, junto com as igrejas. Até aquele momento não tínhamos nada, mas a suspeita sobre ser alguma coisa envolvendo sacrifícios e rituais malignos era enorme.

Ou seja, se este caso está, de alguma forma, relacionado aos desaparecimentos, significava que era algo muito além das capacidades de humanos comuns.

Mas, por outro lado, isso ainda não justificava a minha convocação. Existiam pessoas como eu aqui ou na Capital de Remis, que é bem mais próxima… Por que não chamar as equipes próximas e recorrer a Kartumz?

— Qual a situação?

— Por favor, venha por aqui, senhor — disse Gyrion, indicando o caminho em direção a uma casa rodeada por um número considerável de soldados. Enquanto andávamos, explicou: — Outros como o senhor foram requisitados, mas todos falharam assim que tentaram investigar a situação geral. Estão todos agora em observação, já que descobrimos uma certa… “marca” lá.

“Uma marca?”

Parece que a situação é ainda mais gravosa do que pensei.

Passamos pelos soldados que vigiavam o lugar, que rapidamente se curvaram ao notar meu sobretudo vermelho e as quatro barras prateadas na parte de baixo.

Observando com um pouco de atenção, consegui notar o nervosismo de todos ali. Alguns tremiam de forma quase imperceptível, outros cochichavam com os colegas, e uns estavam sempre olhando em direção à casa a que me dirigia.

Era como se temessem que algo, repentinamente, fosse sair dali.

Todos estavam desconfortáveis com o fato de precisarem estar ali. Levando em conta que aqueles eram soldados experientes, que enfrentavam as Bestas da Floresta das Bestas quase que diariamente, aquilo me chamou bastante atenção.

Então, ali dentro estava algo mais assustador que uma Besta?

— O que exatamente está lá? — indaguei, ainda mais intrigado, depois de sentir as barreiras invisíveis erguidas ao redor da casa.

Normalmente, uma única Barreira de Existência, ou usando algum tipo de Peça, já era o suficiente, mas ali havia exatamente sete.

Neste ramo, sete não era só um número; era quase como um conceito…

Os Sete Reinos Celestiais…

As Sete Camadas do Abismo…

Os Sete Deuses…

Os Sete Primordiais…

E, principalmente, os Sete “Eu’s” do Supremo.

Se ergueram Sete barreiras significava que o que quer que estivesse lá era assustador o suficiente ao ponto de talvez ter a capacidade de corromper a realidade.

Parece que realmente existiam razões para me trazer aqui.

— Senhor… será melhor ver pessoalmente.

Aquela resposta me deixou ainda mais intrigado.

Quando chegamos à porta, vi Gyrion apertar um lenço branco que tirou do bolso, que ganhou um sutil brilho dourado após algumas preces silenciosas.

Uma Peça Encantada.

Estava confiante na minha resistência, mas, para não me afundar na minha arrogância, fechei os olhos por um segundo, toquei em cinco pontos sobre o tronco, para formar uma balança, e sussurrei os Títulos da Justiça.

“Oh, Indeturpável Balança dos Mundos…”

Ao fim, meus olhos se abriram, e Gyrion abriu a porta.

Torci o nariz, e a testa franziu-se. Foi uma reação automática, tanto que minha mão voou para bloquear o nariz.

O que me alcançou primeiro, imediatamente após a porta ser aberta, foi um forte cheiro de sangue.

Mas não era só sangue. O ar foi contaminado também pelo fedor de carne podre e um cheiro difícil de discernir… algo como uma mistura de cabelo queimado e ovo podre.

Fiquei imóvel por um segundo, tempo suficiente para que meus sentidos se habituassem. Então, dei o primeiro passo em direção ao interior da casa.

A sala estava imersa em escuridão, indo contra a iluminação do sol, com alguns cristais luminosos vermelhos posicionados em alguns cantos por ali.

Havia um cadáver no centro, o corpo de um homem que parecia não ter sido tocado desde que caíra ali. Sangue manchava as paredes e os cômodos.

Analisando mais um pouco o local, encontrei outros corpos estatelados pelos cantos da sala, todos com ferimentos profundos de cortes e mutilações.

“Uma mulher, um menino e uma menina…”

Tinha até um neonato ali no meio, em condições completamente indescritíveis.

Voltei minha atenção ao corpo no centro. Estava com marcas de cortes, perfurações leves e profundas, marcas de queimaduras pelo corpo, cuja maior era a que tinha na lateral esquerda do rosto.

“Hmmm… essa não parece ser da mesma época que as que estão pelo corpo. É bem mais antiga.”

Aproximei-me, e mais detalhes chegaram até meus olhos, como o fato do homem não possuir mais nenhuma unha, nem nas mãos, nem nos pés. E pensei que ele fosse careca, mas não era o caso…

Seus cabelos não estavam lá por terem sido arrancados, tufo a tufo, provavelmente. A maior parte daquele sangue na cabeça certamente vinha dali.

Estava claro: este homem foi severamente supliciado antes de morto.

— Quem é?

— Linus Wasrat. — Gyrion respondeu ao meu lado, limpando algumas gotículas de suor na testa. — Pelo que investigamos, era o líder de um grupo de agiotas que surgiu recentemente, cerca de três anos atrás. Eles agiam, geralmente, no que sobrou das cidades afetadas pela Grande Inundação.

— Ao que parece, foi muito torturado antes de morrer. — Ao dizer essa parte, olhou para os demais cadáveres por ali, visivelmente desconfortável.

— Podes sair.

— Sim, senhor. — Ele tentou esconder, mas suspirou aliviado.

Se ficasse mais, certamente acabaria por desfalecer.

Quando ficamos apenas eu e os dois que vieram comigo, olhei para eles por cima do ombro e acenei com a cabeça. Eles retribuíram o sinal e dispersaram-se pela casa, em busca de qualquer coisa que pudesse nos auxiliar.

Sozinho na sala, aproximei-me do cadáver do homem no centro e agachei-me ali, a mão estendida sobre o corpo. Fios de Existência surgiram das pontas dos dedos por um segundo e desapareceram em seguida.

Quando senti um sutil calor nos olhos, fechei-os e mergulhei na escuridão que me engoliu.

No instante seguinte, os momentos finais daquele homem surgiram diante de mim, nebulosos e obliterados, mas visíveis o suficiente.

Ele chorava e gritava em desespero, enquanto o som de carne sendo rasgada e queimada e pelos sendo arrancados sobrepunha-se aos gritos e sons advindos da agitação do homem na cadeira em que estava amarrado por…

Tentáculos?

Tentei afiar o olhar, mas não dava para ver mais do que aquilo. O detalhe mais essencial que obtive é que a tortura não ocorreu nesta casa.

Sequer deu para ver quem tinha feito aquilo. Não importa que tipo de desavenças a tal pessoa tinha com o morto, aquilo que fez com as crianças e o neonato foi demasiado.

Pessoas assim não mereciam viv…

“Hum!!?”

— Que merda…

Meus olhos não queriam acreditar no que viam. Não fazia sentido nenhum, mas estava ali.

O homem da cicatriz de queimadura no rosto parecia ter conseguido fugir, de alguma forma que não consegui ver, e estava agora na sua casa… desferindo facadas violentas contra a sua própria família.

“O que é isso?”

Por que ele fez iss…

“Ah!”

Ele estava se movendo de uma forma tão estranha, travada e mecânica, como se seu corpo não estivesse sob seu comando.

“Então é isso.”

Aquele homem não fez aquilo por vontade própria.

“Quem teria feito isso?”

Os olhos do homem ainda brilhavam e jorravam lágrimas sem cessar. Ou seja, mesmo sem poder controlar o corpo, o homem ainda estava lá, impotente, enquanto via seu próprio corpo realizar aquela monstruosidade.

Abri os olhos em seguida, voltando a encarar o cadáver torturado.

“Ele falou de uma marca…”

Não foi difícil encontrar a marca mencionada, já que tinha sido desenhada nas costas da vítima, raspando a pele e…

— Mas que…!!?

O que era isso? Esses traços, essas linhas, essas curvas… Era impressão minha ou isso se parece com uma…

Balança?

Era uma balança distorcida.

“Que grande Heresia!!!”

Quem ousa usar o Símbolo que representa a Justiça desse jeito?

Agora, como fiel devoto da Justiça, isso tinha se tornado pessoal.

Mais uma vez coloquei a mão sobre o corpo, desta vez bem acima daquela marca herética.

“Vou encontrá-los e fazê-los pagar!”

Fios de Existência escaparam da ponta de meus dedos mais uma vez. Durou apenas um segundo; então, fechei os olhos, após o leve ardor.

O breu voltou a me abraçar, mas, desta vez, era bem mais profundo e insondável, com uma névoa branco-acinzentada se movendo de forma louca por ali.

A névoa que ia para a direita era a mesma que ia para a esquerda, para cima e para baixo.

Nada apareceu por alguns segundos; então, escolhi uma direção e segui, sempre dando alguns giros para obter informações de todos os lugares.

Depois de alguns passos, parei. Uma silhueta negra tinha surgido lá na frente.

Estava distante demais para conseguir obter mais detalhes. Aquilo na frente parecia apenas uma sombra em pé na névoa.

— Juiz inevitável de todas as coisas… — Sussurrei mais uma vez os Títulos da Justiça, buscando Sua companhia neste lugar que parecia cada vez mais sinistro.

Com mais um passo dado, a silhueta na minha frente ganhou detalhes: vestia um terno preto elegante que, certamente, devia ser um dos mais caros. Além daquilo, era difícil distinguir as outras características.

“Foi ele quem desenhou aquela marca herética?”

Afiei os olhos para tentar visualizar qualquer outro detalhe, e até que funcionou, já que consegui ver suas mãos protegidas por luvas brancast.

As elevações e entradas nas luvas deixavam a impressão de estarem cobrindo mãos que eram puro oss…

“Merda!!!!”

Cambaleei algumas vezes para trás, e meu coração levou alguns segundos para se acalmar.

Estava tão focado em procurar por detalhes que sequer notei que aquela criatura estava de frente para mim.

Sim, uma criatura. Não havia nada em sua face. A cabeça parecia feita de pura escuridão, delineando apenas os cabelos.

“Face Esculpida da Ordem, Guardião das Leis…”

Continuei focado em procurar detalhes. Precisava descobrir quem era.

Mas aquele talvez tivesse sido o meu pior erro.

Um rombo surgiu na escuridão que formava a cabeça, onde estaria posicionado o olho direito, e dali se formou um vórtice bizarro que deixava vazar uma espécie de névoa escarlate, que logo distorceu toda aquela região do rosto.

Eu ainda estava me recuperando daquela surpresa quando um sorriso feito de dentes finos e longos se abriu naquela escuridão, por onde vazou sangue e larvas ensopadas pelo sangue, que se debatiam com furor, de seus corpos rasgados saindo uma espécie de pus branco-amarel…

“O quê!!!!!!!?”

Seu rosto estava a centímetros do meu.

Caí para trás, e meu corpo recusou-se a se mover. Foi quando a criatura se curvou em minha direção, o sangue e as larvas que vazavam de seu sorriso caindo sobre meu rosto.

Levantou o indicador em seguida, balançando-o de um lado para o outro, como se me dissesse que eu não tinha permissão para ver além daquilo.

Foi só naquele momento que vi incontáveis tentáculos negros, ensopados de sangue, dançando por entre a névoa que tinha se aquietado, por todos os lados e abraçando aquela criatura também.

E, naquele instante, compreendi que aquilo que eu julgara ser um ambiente vazio, talvez jamais tivesse estado vazio.

No segundo seguinte, senti apenas meus joelhos tocando o chão.

— Senhor!! — Ouvi passos se aproximando, e aquela voz devia ser do…

— GHAAAAHH!!!

Agulhas…

Era como se…

Inúmeras agulhas…

Perfurassem meu crânio de todos os lados…

Possíveis…

— Senhor!!

— Saiam! — Tentei gritar após ouvir a voz novamente e os passos se aproximando ainda mais.

— Mas, senhor…

— SAIAM!!! — gritei, os olhos abertos e a face virada na direção da voz.

Eu só via vultos enevoados e, não sei o que eles viram, mas tenho quase certeza de que eles tremeram por um segundo, paralisados, antes de sair da casa.

— Indeturpável Balança dos Mundos… — murmurei, enquanto desenhava a Balança da Justiça no meu peito, lutando contra a enxurrada de sussurros e delírios que invadiam minha mente. — Juiz Inevitável de Todas as Coisas…

Parecia que não ia adiantar, já que os sussurros só ficavam mais intensos, me obrigando a me contorcer, as mãos cobrindo os ouvidos, perto de esmagar minha cabeça.

Mas eu não ia desistir.

— Face Esculpida da Ordem… Guardião das Leis…

Os delírios e sussurros pareciam querer me dizer algo…

“Para de prestar atenção!”

Não conseguia entender porque aquilo era uma sobreposição de milhões de vozes, mas certamente havia uma mensagem ali.

“Para de ouvir, PORRA!!!”

Era algo como: — … nça…

Não! Ainda estava incompleto.

“Não escuta!!!”

— Vin…

— … nga…

— … ança…

“O que está acontecendo comigo? Isso é perigoso, preciso parar de ouvir!”

— Vinga…

— … ngança…

“Preciso me apressar!”

— Vingança.

Foi só então que eu compreendi.

A balança distorcida…

Uma Justiça corrompida…

É claro…

Vingança.

Naquele instante, um Emblema vermelho ilusório surgiu diante de meus olhos. Parecia uma balança com duas medidas idênticas, perfeitamente equilibrada.

Porém, tentáculos corrompiam sua estrutura, envolvendo-a como se quisessem arrancá-la da própria realidade.

“Consegui…”

Minha consciência se esvaiu em seguida.

2c0fb683cedc3d8c8c06aded132254a3.jpg