LNCrawler

Capítulo 4: A Batalha entre os Alunos do Primeiro e do Terceiro Ano

A Classe De Elite — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 4: A Batalha entre os Alunos do Primeiro e do Terceiro Ano

JÁ SE HAVIAM PASSADO QUASE três meses desde que os novos alunos haviam ingressado na Advanced Nurturing High School , e eles já começavam a compreender a situação da instituição. Os alunos do primeiro ano também estavam em pleno processo de formação de grupos para o grande exame especial que se aproximava. No entanto, não demorou muito após a escola permitir oficialmente que os estudantes começassem a formar esses grupos para que os problemas surgissem.

Os alunos da Classe 1-D, liderados por Housen Kazuomi, recusavam-se teimosamente a entrar em qualquer grupo e rejeitavam propostas de troca de cartões. Quando alunos de outras classes os procuravam para formar grupos, os estudantes da Classe D exigiam pontos em troca; caso contrário, não aceitavam participar. Por causa disso, os novos alunos se viram em uma situação em que não conseguiam formar grupos livremente.

Embora representantes das outras três classes esperassem que Housen mudasse de ideia em algum momento de junho, até hoje, no primeiro dia de julho, nada havia mudado. Algumas classes do mesmo nível tentaram ignorar a Classe D, mas Yagami Takuya, da Classe 1-B, impediu essa postura.

Era fácil para os demais alunos simplesmente ignorar a Classe D e formar grupos apenas entre as três classes restantes, a competição entre níveis era uma parte importante daquele exame especial.

Yagami havia defendido que, caso esse ponto fosse priorizado, seria absolutamente necessário selecionar cuidadosamente os melhores de cada classe para formar grupos ideais. Quase ao mesmo tempo, com o apoio de estudantes que compartilhavam sua opinião, as outras três classes concordaram em adotar uma postura de espera até julho.

No entanto, a contínua recusa deliberada de Housen tornou essas discussões anteriores praticamente inúteis. E agora, com o prazo final chegando, os representantes das quatro classes do primeiro ano deveriam se reunir para resolver a situação.

Yagami propôs que a reunião fosse simples, para não aumentar desnecessariamente o nível de sigilo do encontro. Ficou decidido que o líder de cada classe, ou alguém próximo a ele, participaria. Mas, quando as aulas terminaram naquele dia, não houve qualquer resposta da Classe D, justamente o centro de toda a questão.

Em um corredor ladeado por salas comuns e pouco marcantes do primeiro ano, a primeira pessoa a chegar ao encontro foi Yagami, da Classe 1-B. Ele acreditava ser necessário chegar antes dos outros, por ter sido o principal proponente da reunião. Pouco depois, Utomiya Riku, da Classe 1-C, também apareceu.

— Parece que ainda somos só nós dois aqui, Yagami.

— Ah, olá, Utomiya-kun. Eu meio que esperava que fosse você a participar dessa conversa — respondeu Yagami.

— Não é muito do meu feitio ser líder ou algo assim, mas vim porque ninguém mais queria. Os alunos da minha turma até gostam de falar o que pensam, mas não são muito fãs desse tipo de coisa complicada — disse Utomiya.

— Acho que é justamente por confiarem em você que te pediram para vir. Eu vi os valores atualizados do OAA deste mês. Seu índice de Contribuição Social subiu para B, não foi? — disse Yagami, com um sorriso leve e animado.

Utomiya, apesar do elogio, franziu levemente a testa. O interlocutor, Yagami, tinha nota C em Habilidade Física, mas A em Habilidade Acadêmica. Além disso, suas pontuações de Adaptabilidade e Contribuição Social haviam subido para A graças às suas contribuições repetidas à Classe B. Em termos de capacidade geral, ele era claramente acima da média. Mais importante, porém, a Classe C não estava exatamente em uma situação confortável.

— Perdemos alguém. Sinceramente, acho que foi uma perda grande — disse Utomiya.

— Eu também não esperava que Hatano-kun fosse expulso. Foi realmente uma pena — respondeu Yagami.

— É.

Hatano era um aluno da Classe 1-C. Também era valioso, com nota A em Habilidade Acadêmica. No entanto, foi atingido de forma fatal ao se envolver em ações que, quando descobertas, resultaram em expulsão imediata como punição. Os alunos do primeiro ano, ainda relativamente despreocupados, foram novamente lembrados da dureza daquela escola. Já havia se passado um mês desde a expulsão de Hatano.

Utomiya, seu colega de classe, infelizmente nem teve tempo de lamentar adequadamente a perda. Agora que havia perdido um de seus melhores alunos, precisava obter resultados concretos no próximo exame especial.

— Parecia que você e o Hatano eram bem próximos — disse Utomiya.

— Ele disse que queria entrar no conselho estudantil comigo. Queria tornar a escola um lugar mais divertido — respondeu Yagami.

Utomiya assentiu levemente e então voltou o olhar para a sala da Classe 1-D.

— Você acha que o Housen vai aparecer? — perguntou Utomiya, pensando justamente na pessoa que estava no centro de toda aquela discussão.

— Eu diria que a chance é cinquenta e cinquenta — respondeu Yagami.

— Cinquenta e cinquenta? Uau, você realmente confia bastante no Housen, hein. Aposto que ele não aparece — disse Utomiya.

— Se ele não comparecer a esta reunião, então a questão estará resolvida. Vamos em frente e formar grupos apenas com os alunos das nossas três classes. Se isso acontecer, a Classe D — e apenas a Classe D, que vinha tentando arrancar muitos pontos de nós — ficará de lado. E então qualquer chance que eles tenham de vencer desaparecerá — disse Yagami.

— Se ele acha que pode nos fazer desembolsar nossos Pontos Privados, então realmente tem um ego enorme. Ele se opôs à ideia de formar grupos de maneira harmoniosa entre todas as classes. Sendo os alunos do segundo e terceiro ano nossos inimigos aqui, deveríamos estar cooperando. Ainda assim, Housen recusou — disse Utomiya.

Mesmo estando todos no mesmo nível de ano, Housen queria competir em áreas em que nem precisariam entrar em disputa.

— Ao menos superficialmente, parece isso. Mas não consigo imaginar que seja isso o que o Housen-kun realmente esteja planejando no fundo — disse Yagami.

— Consigo entender que seja uma tática de barganha da parte dele. Mas é uma que não vai dar certo — respondeu Utomiya.

— Se ele realmente pretende jogar esse jogo, então tenho que me perguntar se isso não seria, na verdade, uma bênção disfarçada para nós. Porque isso significaria que o Housen-kun não é uma ameaça tão grande assim — disse Yagami.

— É, você tem razão — respondeu Utomiya.

Yagami explicou que havia organizado aquela reunião para tentar entender o que Housen estava pensando. Enquanto os dois ainda debatiam, uma terceira pessoa apareceu.

— Ei! Riku, Takuya. Eu já imaginava que seriam vocês dois! — gritou Takahashi Osamu, da Classe 1-A, acenando enquanto se aproximava em voz alta.

Apesar de ter um nível baixo de Habilidade Acadêmica, apenas C+, ele era especialmente bom em fazer contatos, não importava com quem fosse. Frequentemente era chamado para participar de discussões. Também tinha muitos amigos em outras classes e séries.

— Osamu-kun, você veio porque foi obrigado a resolver isso pela sua classe de novo? — perguntou Takuya.

— Bom, o líder da nossa classe é o tipo de pessoa que odeia lidar com esse tipo de dor de cabeça, sabe? Então eu acabo assumindo isso — respondeu Takahashi.

— Então essa conversa vai fluir bem mais fácil agora que você chegou, Osamu — acrescentou Utomiya.

Assim como no caso de Utomiya, o líder da classe não precisava necessariamente comparecer à reunião. Pelo contrário, seria até mais útil que viessem alunos mais habilidosos em conversação.

— Então só falta o Kazuomi, hein? — disse Takahashi.

Faltavam apenas cerca de três minutos para o horário marcado. Se ele não aparecesse, os três seguiriam com a reunião sem hesitação.

— Vocês não acham que seria melhor nos unirmos já nesta fase? Sinceramente, eu queria isolar a Classe D para esmagá-la o quanto antes — disse Utomiya.

— Disseram que o exame na ilha deserta vai avaliar mais do que apenas nossas habilidades acadêmicas. Em termos de desempenho acadêmico, a Classe D está no fim da classificação, mas em capacidade física eles estão em segundo lugar. É possível que tenham um papel importante na formação dos grupos — disse Takuya.

— Olha, eu entendo o que você quer dizer, Riku. A minha turma também está bem frustrada com essa situação. Mas não acha cedo demais pra simplesmente desistir da Classe D? Quer dizer, não dá pra ter certeza de que não vão surgir mais exames como esse no futuro, em que todas as classes do nosso ano tenham que trabalhar juntas, certo? — disse Takahashi.

Enquanto Utomiya defendia o isolamento da Classe D, Yagami mantinha a posição de que deveriam apoiá-la. Takahashi, por sua vez, não se inclinava firmemente para nenhum dos lados, permanecendo neutro.

— Se o que precisamos é apenas trabalhar juntos para lidar com este exame, então nossas três classes já são suficientes. Admito que há pessoas competentes na Classe D que poderíamos aproveitar, mas não a ponto de eu querer me submeter ao Housen para tentar ganhar a confiança dele. Além disso, já está na hora da reunião começar. Gostaria que nossas três classes começassem a discutir um acordo entre nós — disse Utomiya.

Nesse momento, como se já tivesse previsto a direção da conversa, o próprio assunto em discussão apareceu com uma postura despreocupada.

— Temo que isso não vai funcionar desse jeito, Riku — disse Housen.

— Parece que você acabou vindo mesmo, hein, Housen-kun? — respondeu Yagami, cumprimentando-o com um sorriso no rosto.

Por outro lado, Housen se aproximou dos três exibindo seus dentes brancos de forma inquietante, como de costume. Utomiya lançou um rápido olhar para Housen e, em seguida, desviou os olhos, fitando a janela.

— Ei, Kazuomi! Você chegou numa ótima hora! — exclamou Takahashi de maneira amigável, sem demonstrar medo de Housen.

O que Takahashi queria era simples: que todos se dessem bem. Era só isso.

— Não fala meu nome como se fôssemos amigos. Eu vou te matar — retrucou Housen.

Depois de tentar intimidar Takahashi, Housen voltou o olhar para Yagami e Utomiya.

— Então? Decidiram pagar? — perguntou.

— Não faz piada sem graça. Não vamos te dar nem um ponto — respondeu Utomiya.

— Calma, calma. Vamos nos acalmar, certo? Não dá pra discutir se vocês já começam querendo briga — disse Yagami.

— Beleza, já que todo mundo tá aqui, acho que podemos começar isso. Sobre os grupos, nós—

— Não começa a falar sozinho — Housen interrompeu, empurrando o ombro de Takahashi, que caiu pesadamente sentado no chão.

Utomiya, incomodado com a atitude de Housen, lançou um olhar frio e intenso.

— Housen. Não traga essa sua violência pra cá.

— Ah é? Vai tentar me impedir? — respondeu Housen.

— Se for necessário, sim — disse Utomiya.

— Hmph… interessante. Se acha que consegue, então tenta.

No momento em que Housen levantou a mão esquerda, Takahashi se levantou às pressas.

— Espera, espera, calma! Eu só escorreguei e caí, só isso! Vamos lá, se acalma, Riku! — gritou Takahashi, em pânico.

— Viu? Foi só isso, né? — disse Housen.

— Infelizmente pra você, eu não sou tão bonzinho quanto o Takahashi — respondeu Utomiya.

— Então por que não me mostra o que você tem?

No instante em que Housen cerrou o punho, Utomiya estendeu a mão e agarrou seu braço.

— Oh…?

d8b3ccbf9346e1de3800a97afbba1035.jpg

Housen sorriu com satisfação ao sentir a força do aperto de Utomiya em seu braço. O olhar nos olhos de Utomiya deixava claro que aquilo não era apenas encenação — ele estava disposto a lutar ali mesmo, se necessário.

Housen até tinha achado que seria divertido uma briga de socos naquele instante, mas acabou reconsiderando. Ele certamente desejava enfrentar os alunos de outras séries mais do que qualquer outra pessoa, embora fizesse isso de uma maneira bastante peculiar.

— Bom, parece que vou me divertir brincando com você. Mas vou deixar a diversão pra depois — disse Housen.

— Você acha que violência é um jogo? — respondeu Utomiya.

— Claro que é — respondeu Housen.

— Que idiotice. Mas se é isso que você quer, posso te dar agora mesmo. Não precisa esperar até a próxima vez. Só com a condição de que você nunca mais encoste em nenhum dos meus colegas.

Naquela situação em que tudo podia sair do controle a qualquer momento, os dois lados se encaravam com firmeza, sem ceder.

— Ei, ei, o que você quer dizer com isso? — disse Housen.

— Quero dizer que estou supondo que você foi o responsável pela expulsão do Hatano. Ele não era o tipo de aluno que quebraria as regras da escola tão facilmente — disse Utomiya.

— Ah, aquele fracote só ficou com medo de ser expulso e se destruiu sozinho. Foi só isso, não foi? — disse Housen.

— Eu me lembro claramente da expressão no rosto do Hatano depois da expulsão. Ele foi prejudicado por alguém.

— E você tá dizendo que esse alguém sou eu? — disse Housen.

— Quem mais poderia ser além de você, idiota? — retrucou Utomiya.

Embora Housen tivesse recuado um pouco antes, as faíscas voltaram a surgir.

— Ei, calma aí, os dois! Riku, se você começar uma briga aqui agora, vai estar fazendo exatamente o que o Kazuomi quer, cara — disse Takahashi.

— O Takahashi-kun está certo. O importante agora é focar no próximo exame de sobrevivência na ilha deserta — acrescentou Yagami.

— Ah, é mesmo, esse tal exame especial da ilha. A gente pode formar grupos com alunos de outras classes — disse Housen, como se só naquele momento tivesse se lembrado disso.

— E daí? Você recusou cooperar com as outras classes. Isso não é da sua conta, certo? — disse Utomiya.

— Ei, se você fizer tanta questão assim… tipo, muita mesmo… eu até trabalho com vocês. Tá vendo? — disse Housen.

— Chega de brincadeira. Eu não me juntaria a você nem se fosse o último sobrevivente — respondeu Utomiya.

— Que frio — disse Housen.

Utomiya soltou lentamente o braço de Housen. Yagami, que observava a situação, interveio naquele momento, julgando ser a hora certa.

— Estamos perdendo tempo. Vamos começar? — disse Yagami.

— Espera aí, quem disse que eu vou participar dessa conversa? Eu não tô começando nada — disse Housen.

— Então por que você veio aqui? Só pra perder tempo? — disse Utomiya.

— E se eu disser que sim? — respondeu Housen.

— Eu não acredito. Você não é tão idiota assim — provocou Utomiya.

Mesmo enquanto conversava com Housen, Yagami mantinha um sorriso tranquilo.

— Toda essa ideia de sobrevivência na ilha deserta até parece absurda, mas os alunos do segundo e terceiro ano já passaram por isso antes. Nós, do primeiro ano, teremos que fazer esse teste em desvantagem significativa — explicou Yagami.

— Mas a gente também não vai ter algum tipo de vantagem, né? — disse Takahashi.

Diante do comentário otimista de Takahashi, Yagami manteve sua explicação de forma calma e gentil.

— Os alunos do segundo e terceiro ano têm vantagem tanto em habilidade acadêmica quanto física por serem mais velhos. Isso não muda. Se não conseguirmos cooperar, os veteranos vão nos engolir. Entendem?

Era exatamente por isso que Yagami insistia que a cooperação entre as quatro classes era essencial.

— Dispenso esse seu papo fraco, Yagami. Segundo ou terceiro ano, eu consigo esmagar qualquer um — disse Housen.

— Sim, claro que existem alunos excepcionalmente talentosos. Mas não dá pra esconder que, em termos de capacidade geral, nosso ano é inferior. Nem todos são tão privilegiados quanto você, Housen-kun — disse Yagami.

A gentileza constante de Yagami, junto ao fato de reconhecer as habilidades de Housen, era o que impedia a conversa de desmoronar.

— É por isso que acho necessário nos unirmos e formar um único grupo ideal entre os alunos do nosso ano. Um grupo forte de quatro pessoas. Precisamos reunir estudantes que, como o próprio Housen-kun disse antes, não seriam derrotados nem contra alunos do segundo ou terceiro ano — disse Yagami.

— Quer dizer que não vamos competir entre nós por pontos de classe nesse exame especial? — disse Utomiya.

— As regras dificultam a cooperação dentro do mesmo ano, por isso os alunos do segundo e terceiro ano, que têm menos tempo aqui, encaram com mais dificuldade a perda de pontos de classe que esse exame traz. Mas nós ainda temos dois anos inteiros pela frente. Por isso, deveríamos abrir mão dos pontos desta vez — explicou Yagami.

A diferença de pontos entre a Classe A e a Classe D ainda era de no máximo 300. Embora Yagami não visse motivo para preocupação, Utomiya parecia pensar diferente e franziu o cenho.

— Os benefícios de cooperar com as outras classes são pequenos demais. Jogar fora pontos de classe seria um desperdício — disse Utomiya.

— Mas se formos engolidos pelos veteranos, perder pontos de classe não será o único problema — disse Yagami.

— Ainda assim, isso significa que ninguém vai conseguir se destacar no nosso ano — argumentou Utomiya, insistindo que, se problemas surgissem como Yagami dizia, isso seria simplesmente inevitável.

— Ei, espera um segundo. Tem uma coisa que fiquei curioso, Takuya. Por que apenas um time? Os três primeiros colocados vão ganhar pontos de classe, certo? Além disso, se considerarmos que podemos formar grupos maiores durante a parte da ilha do exame, não seria melhor criar vários grupos fortes? — disse Takahashi.

— Você está absolutamente certo. No entanto, se tentarmos formar vários grupos fortes desde o início, teremos que pensar no equilíbrio de cada um deles. Estamos enfrentando alunos mais velhos. Eles não serão oponentes fáceis de derrotar. Nesse caso, é importante focarmos em montar o grupo mais forte possível de quatro pessoas, para garantir de forma confiável o primeiro lugar. Além disso, parece que será difícil formar livremente grupos maiores durante a parte principal do exame, e mesmo que os veteranos realmente tentem cooperar entre si, eles ainda só poderão formar grupos de três pessoas, representando três classes — respondeu Yagami rapidamente, tentando dissipar as dúvidas de Takahashi.

Depois de ouvir a resposta de Yagami, Takahashi entendeu o que ele queria dizer.

— Então, se ficarmos em primeiro lugar, o resto não importa. Mesmo no pior cenário, podemos abrir mão de tudo o mais — disse Takahashi.

— Eu realmente acho que poderíamos formar um grupo forte o suficiente se ignorássemos Housen-kun e trabalhássemos apenas com nossas três classes. No entanto, nesse caso, estaríamos essencialmente jogando pelas mesmas regras dos outros anos. A razão pela qual gostaria que as quatro classes trabalhassem juntas não é apenas para selecionar as melhores pessoas possíveis. É também porque acho que isso ajudaria a unificar nossa vontade de lutar como um só, em todo o nosso ano. Nós, alunos do primeiro ano, fomos os únicos que receberam a opção de formar grupos de até quatro pessoas. Seria um desperdício jogarmos fora essa vantagem valiosa que nos foi dada — disse Yagami.

Se a Classe D fosse deixada de fora, naturalmente isso levaria a uma situação em que eles tentariam atrapalhar todos os outros na disputa pelo primeiro lugar. E, se isso acontecesse, era claro que a Classe D faria de tudo para impedir que as outras classes vencessem. Yagami estava dizendo que, se as quatro classes cooperassem plenamente, deveriam buscar essa estrutura ideal.

Então Yagami voltou-se novamente para Housen.

— Eu entendo que você, sozinho, consegue se virar contra os alunos das séries mais velhas. Então, espero que nos ajude — disse Yagami, apelando para que Housen compreendesse a necessidade de união entre as quatro classes.

Utomiya, porém, observava Housen com desconfiança. Ele não acreditava que alguém que havia se recusado a discutir o assunto por mais de duas semanas aceitaria algo assim.

— Certo. Eu vou trabalhar com vocês — disse Housen.

No entanto, Housen havia aceitado prontamente a proposta de Yagami.

— O que você está tramando, Housen? — perguntou Utomiya.

— Tramando? O que você quer dizer com "tramando" ? Você disse que precisava da minha ajuda. E como eu poderia ignorar um pedido tão adorável? — respondeu Housen.

— Muito bem, então vamos ouvir suas condições — disse Yagami.

Após considerar a rapidez com que Housen mudou de posição, Yagami o incentivou a falar sem perder tempo.

— Dois lugares no grupo principal têm que ser reservados para alunos da Classe D. Essa é uma condição inegociável — disse Housen.

— O quê? — reagiu Utomiya, naturalmente irritado com a proposta de Housen, que parecia beneficiar apenas a própria classe.

— Mas e se não conseguirmos formar os grupos grandes que queremos na ilha? E então? — disse Yagami.

— Já falei. Minhas condições são que alunos da Classe D estejam incluídos no grupo principal. Sem "mas " — disse Housen.

— Entendo. Se não conseguirmos trazer dois alunos da Classe D para o grupo na ilha, então completaremos com apenas os quatro iniciais — disse Yagami.

— Além disso, se colocarmos logo de cara os quatro melhores num grupo, não deveria fazer tanta diferença, certo? Não vai atrapalhar nossas chances de vencer.

— Já chega dessa sua besteira, Housen — disse Utomiya.

— Não tô mentindo. Se não gosta, então cai fora.

— Escuta aqui, seu…!

Utomiya já estava prestes a partir para cima de Housen por causa das exigências absurdas, mas Yagami rapidamente se colocou entre os dois, separando-os.

— Por favor, se acalme, Utomiya-kun. Eu aceito a condição dele — disse Yagami.

— Você vai simplesmente entregar a eles a vantagem de mão beijada? — perguntou Utomiya.

— Nossa prioridade agora é fazer com que nosso ano se una como uma frente única. Não podemos perder para os outros anos — disse Yagami.

— Se deixarmos o Housen conseguir o que quer assim, ele vai repetir isso de novo — disse Utomiya.

— Se abandonarmos a Classe dele agora, isso mudaria alguma coisa? — perguntou Yagami.

— Bem, eu…

— O que importa é que nosso ano vença o próximo exame. O resto não é tão relevante — disse Yagami.

— Tenho que admitir, concordo com ele nessa, Riku. Eu entendo como você se sente, mas primeiro precisamos trabalhar juntos como um ano — disse Takahashi.

Utomiya estalou a língua em sinal de resistência, mas acabou cedendo graças aos esforços de persuasão de Yagami e Takahashi.

— Tudo bem então. Mas sem mais exigências além disso. Entendeu, Housen? — disse Utomiya.

Housen, porém, não respondeu. Simplesmente virou as costas, como se aquilo já tivesse encerrado a conversa.

— Tem mais uma coisa que acho importante para o nosso ano estar alinhado. Acho que as cartas de itens deveriam ser redistribuídas cuidadosamente entre todos, para evitar conflitos internos e para que possamos usá-las da forma mais eficiente possível. Também é importante garantir que os alunos com menor capacidade, ou que estejam em grupos com maior risco de cair nas últimas posições, recebam a carta "Half Off". Presumo que você também concorde com isso, Housen-kun? — perguntou Yagami.

— Façam o que quiserem — respondeu Housen.

Logo em seguida, Housen saiu sem demonstrar qualquer hesitação. Enquanto os três observavam sua partida, Takahashi se inclinou em direção a Yagami.

— Ei, falando nisso, Takumi, quem você tá pensando em escolher da Classe B? — perguntou.

— Basta dizer que os quatro que vieram a esta reunião hoje seriam as melhores opções para formar nosso grupo mais forte. Isso inclui o Housen-kun, claro. Você acha que estou errado? — disse Yagami.

Yagami lançou seu olhar gentil, porém penetrante, sobre Takahashi, Utomiya e, por fim, sobre Housen enquanto ele se afastava.

— Mesmo admitindo que o Housen seja capaz, acho errado incluí-lo no grupo. Ele é… — disse Utomiya, antes de ser interrompido.

— Podemos levar nosso tempo depois para decidir com cuidado quem vai entrar no grupo. Não acha que já é suficiente termos conseguido uma direção unificada por enquanto? — disse Yagami.

— Tudo bem — respondeu Utomiya.

— Se trabalharmos juntos, podemos ficar em primeiro lugar. Vamos mirar nisso por agora — disse Yagami.

Embora relutante, Utomiya acabou se deixando convencer e concordou com o que Yagami havia sugerido. Em seguida, cada um seguiu seu próprio caminho.

*

NO DIA SEGUINTE, APÓS AS AULAS, em um café no Keyaki Mall.

— Eu odeio esse tipo de relógio. O movimento do ponteiro dos segundos é tão irritante… tic-tac, tic-tac — disse Amasawa, demonstrando sua aversão ao relógio de pulso que Housen usava no braço esquerdo enquanto ele estava sentado à sua frente.

— Tch… cala a boca. Você faz ideia de quanto isso aqui vale? — retrucou Housen.

— Vale? Isso é tipo um modelo caro ou algo assim? Não tenho tempo pra aprender coisas que eu odeio — disse Amasawa.

— Pfft… é por isso que mulher é idiota — disse Housen, sorrindo enquanto acariciava brevemente o relógio.

— Ei, olha aqui você… Ah, tanto faz. Enfim, o que você quer? — perguntou Amasawa.

— Te chamei pra falar do exame da ilha que vai ter. Se junta comigo, Amasawa — disse Housen.

— Ah, quer minha ajuda de novo, é? E ainda na ilha… hm, você tá pensando em alguma coisa bem safada, não tá? — disse Amasawa.

— O quê? — respondeu Housen.

Mesmo com a testa franzida e encarando Amasawa, ela respondeu com um sorriso demoníaco, sem nenhum sinal de medo. Em seguida, após descruzar lentamente as pernas, Amasawa as abriu de forma provocante.

— Quer ver minha calcinha? Pode dar uma espiada por baixo da mesa se quiser. Tá bom assim? — disse Amasawa.

Se ele se arrastasse para debaixo da mesa, poderia ver diretamente entre as pernas abertas dela. Diante dessa provocação, porém, Housen inclinou o corpo para frente, apoiando o cotovelo direito sobre a mesa.

— Você realmente acha que eu não levantaria a mão contra uma garota? — disse Housen.

— Ah não, eu acho que você levantaria sim. Sem dúvida. Não se preocupe. Acho que você é do tipo que não teria problema nenhum em bater numa garota sem pensar duas vezes — disse Amasawa.

— Então para de falar besteira. Isso é perda de tempo — disse Housen.

— Ah, perda de tempo, é? Tudo bem então. Vamos lá, me diz. Seu plano. Por que você me chamou? — perguntou Amasawa.

— Porque você tem a coragem de não hesitar quando se trata de fazer o Ayanokoji ser expulso — disse Housen.

— Bom, claro. Quer dizer, tem muita gente que sabe da recompensa e não faz nada, ou até tenta, mas sem muita convicção. Eu imagino que, se tem dois milhões em jogo, você faria de tudo para destruir isso. Não é o normal? — disse Amasawa, sem demonstrar qualquer vergonha ou culpa. — Então, o que eu ganho em troca por te ajudar? Eu não sou barata, sabia?

Nesse momento, após Amasawa perguntar o que receberia em troca, uma voz firme veio de trás dela.

— Nós seremos todos iguais. Acredito que já tenha dito isso antes.

A voz pertencia a Nanase, que havia chegado um pouco atrasada ao encontro.

— Iguais? Uau, você tem um rostinho tão bonitinho, mas suas palavras não são nada doces. Você já chegou dizendo isso direto. Então, Housen-kun aprecia o fato de você não ser tímida nem um pouco? — disse Amasawa.

Os três agora estavam sentados ao redor da mesa.

— Certo. Então o Housen-kun estava pensando em nos colocar os três no mesmo grupo. Mas e a quarta pessoa? — disse Amasawa.

— Não precisa de quarto. Quem vai ganhar esse exame da ilha não vai ser ninguém do segundo ou terceiro ano. Vamos ser nós três — disse Housen.

— Uau, que confiança. Mas parece que tem muitos veteranos bem mais fortes que os do primeiro ano, não acha? — disse Amasawa.

— Não importa. Eu vou esmagar todos eles — disse Housen.

— Bem, supondo que você seja o mais forte em termos de habilidade, Housen-kun… Não foi o nosso ano que falou em cooperar? As quatro classes juntas? Se estamos falando dos mais fortes da Classe D, acho que vocês dois seriam as melhores escolhas, não? — disse Amasawa.

— Eu sou o responsável pela Classe D. Isso quem decide sou eu. Entendeu? — disse Housen.

— Ah, então você vai simplesmente mandar alguns figurantes da Classe D como representantes do grupo principal, sem nem disfarçar. Vai acabar criando inimigos por todos os lados — provocou Amasawa.

— Isso depende do que você considera como "força principal". Se enviarmos alunos com boa habilidade acadêmica ou física, pelo menos, não haverá tanto risco. Além disso, colocar o Housen-kun nesse grupo supostamente mais forte traria problemas — disse Nanase.

— É, ele realmente não parece do tipo que sabe trabalhar em grupo. Nesse sentido, é mais seguro deixá-lo de fora. Enfim, voltando ao assunto: quanto você vai me dar? — disse Amasawa.

— Não há pontos para te dar. Como já foi dito, seremos iguais nessa parceria. Claro, você receberá uma parte igual dos Pontos Privados que a Classe D obtiver — respondeu Nanase, acrescentando: — Isso não é suficiente para você?

— Mas não é como se o nível de contribuição fosse igual, certo? Afinal, tenho certeza de que posso contribuir mais do que qualquer um, na ilha deserta ou em qualquer outro lugar. Parece que esse exame vai exigir muita resistência. Nanase-chan, você é bem fofa. Vai conseguir acompanhar meu ritmo?

— Vamos testar isso? — respondeu Nanase, devolvendo a provocação.

Amasawa lançou um olhar rápido para Housen, mas então, sem aviso, estendeu o braço em direção ao rosto de Nanase. Sua intenção era surpreendê-la com um tapa para desestabilizá-la. No entanto, Nanase não hesitou e rapidamente segurou o braço de Amasawa antes que o golpe fosse desferido.

— Você é bem ousada, não é? Achando que pode me testar aqui — disse Nanase, em tom ríspido.

— Uau. Você se garante bem, hein? Eu adoro garotas fortes — disse Amasawa.

— Você também não é exatamente normal — respondeu Nanase.

— Hmm, talvez? Quer testar mais um pouco?

Enquanto uma sorria, a outra mantinha o rosto impassível. Era como se estivessem avaliando a força uma da outra naquele instante.

— Você, eu e a Nanase vamos formar um grupo de três. Entendido? — disse Housen.

— Eu entendo que a Nanase-chan consegue se virar mais ou menos, mas ainda assim não acho que estamos realmente em condições de igualdade, sabe?

— Por quê? É por causa de sermos da Classe D? — perguntou Nanase.

— Não é isso. Quer dizer, claro, os Pontos Privados vão ser divididos igualmente. Mas… já que estão me pedindo ajuda, acho que preciso de algo a mais em troca — disse Amasawa, fechando a mão esquerda e fazendo o gesto de "gorjeta" , esfregando o polegar e o indicador.

— É natural querer se vender por um preço alto quando alguém aparece disposto a pagar pelos seus serviços, não acha?

— Você tem um ego enorme. Vocês duas, você e a Nanase, têm mais coragem que o Yagami e o Takahashi — disse Housen.

— Ah, não sabia? Hoje em dia, garotas são mais fortes que garotos — disse Amasawa.

— Tudo bem então. Eu vou ouvir. O que você quer, além das recompensas do grupo? — perguntou Housen.

— Ficar em primeiro lugar, claro. Mas isso não é a única coisa importante aqui — disse Amasawa.

Então, Amasawa parou o gesto de "gorjeta" com a mão esquerda, levou a mão até o pescoço com o polegar levantado e pressionado contra a garganta. Em seguida, deslizou lentamente o polegar do lado direito do pescoço para o esquerdo, num gesto de execução.

— Eu quero tudo. Todos os pontos obtidos com a expulsão do Ayanokoji-senpai. Essa é minha condição para te ajudar — disse Amasawa.

— Pfft… agora você tá realmente fazendo exigências absurdas. Essas são condições que eu não posso simplesmente aceitar assim tão facilmente — disse Housen.

— Ah, então vai me recusar? Mas o que você vai fazer sem mim? Se não tiver aliados em quem confiar além da Nanase-chan, vai ter um grande problema nesse exame especial, não acha? — disse Amasawa.

Como ela havia sugerido antes, Housen já vinha criando inimigos por todos os lados. Além disso, como as quatro classes planejavam cooperar entre si, se ele resolvesse formar um grupo à parte, não haveria ninguém disposto a ajudá-lo — pelo menos não alguém normal. Talvez apenas alguém tão fora do comum quanto Amasawa.

— Além do mais, se eu me juntar ao Housen-kun, vou acabar ainda mais isolada na Classe A do que já estou. Não é natural eu pedir uma compensação adequada antes de aceitar? — disse Amasawa.

Housen e Amasawa se encararam por um longo momento, em silêncio.

— É verdade que, se você me entregar toda a recompensa por expulsá-lo, não vai receber nem um ponto. Mas, em compensação, você será o único reconhecido por ter feito o Ayanokoji-senpai ser expulso, Housen-kun. Isso não é suficiente? — disse Amasawa.

— Não precisa aceitar as condições dela. Pensando no nosso futuro, se a Classe A ganhar mais vinte milhões de pontos, então———

— Cala a boca, Nanase — interrompeu Housen, sem deixar que ela terminasse, ainda encarando fixamente os olhos de Amasawa.

— Eu te dou a recompensa — disse Housen.

— Obrigada. Sabe, acho até bonito você não ser um mesquinho — disse Amasawa, levantando-se suavemente da cadeira.

— Ansiosa pelo exame! — acrescentou.

Com as negociações concluídas, Amasawa decidiu que não havia mais motivo para ficar e saiu sem olhar para trás.

— Você tem certeza disso? — perguntou Nanase.

— Tá tudo bem — respondeu Housen.

— Entendo. A decisão é sua. Mas você tem certeza de que é seguro confiar na Amasawa-san? Acho que ela é o tipo de pessoa que trairia os aliados sem pensar duas vezes — disse Nanase.

— Confiar? Não assume que eu confio nela. Eu não confio nem em você — disse Housen.

— Então por que decidiu formar um grupo com ela? — perguntou Nanase.

— Porque ela é diferente do resto do lixo por aí. Tem coisas nela que eu não consigo entender. Igual você — disse Housen.

— Entendo. Talvez você esteja certo. Mas mesmo assim, vinte milhões de pontos é uma condição absurda — disse Nanase.

— Foi só um acordo verbal. Eu tô nem aí pra isso. Enquanto ficar claro que fui eu quem fez o Ayanokoji ser expulso, vou receber esses pontos. Não me importo se ela vier chorando depois — disse Housen.

Housen estava dizendo que nunca teve intenção de cumprir sua promessa desde o início.

— Você realmente é uma pessoa terrível — disse Nanase.

— Não importa se é o Ayanokoji, o Ryuen ou qualquer outro. Quem vier me mostrar os dentes, eu esmago. Já tô cansado dessas regras idiotas dessa escola — disse Housen, com um sorriso que mal conseguia conter o entusiasmo.

*

As férias de verão estavam se aproximando. Era agora 6 de julho. Com exceção de Akito, que já tinha ido para as atividades do clube, todos do nosso grupo estavam reunidos ao redor do meu lugar perto da entrada da sala de aula. Isso porque havíamos combinado de nos encontrar depois no quarto de Keisei.

Assim que saímos da sala, fui abordado por Kushida, que me chamou.

— Ayanokoji-kun, você tem um minuto? — perguntou Kushida.

— O que foi? — respondi.

Aquilo era um pouco incomum. Ultimamente, Kushida vinha me abordando cada vez menos. Mesmo eu enviando pontos a ela uma vez por mês, conforme nosso acordo, nossa relação se resumia apenas a essa troca. Não conversávamos.

E como a quantidade de Pontos Privados distribuída a cada aluno normalmente era igual, não havia necessidade de verificar contas alheias com frequência.

— Para ser sincera, um aluno do primeiro ano quer se encontrar com você, Ayanokoji-kun… Você está ocupado agora? — perguntou Kushida.

Ela lançou um olhar meio apologético para Haruka e os outros do grupo antes de continuar.

— Acho que vai levar cerca de uma hora. Ele me pediu para ajudar a marcar esse encontro com você.

— Kiyopon, hein? Será que alguma garota do primeiro ano vai se declarar pra você ou algo assim? — provocou Haruka, fazendo Airi entrar em pânico.

— Q-Que?! R-Realmente?! — gritou Airi.

— Se for isso mesmo, acho que não podemos deixar ele ir — concluiu Haruka.

Ela mesma sugeriu que poderia ser uma garota e, logo depois, decidiu que não me deixaria ir por causa disso.

— Isso é verdade? — perguntei, achando melhor confirmar com Kushida.

— Hã? A-Ah… bem… é um garoto que quer te encontrar… desculpa — disse Kushida, com uma expressão um pouco constrangida.

Não havia motivo algum para ela se desculpar. Eu já imaginava que não fosse algo como Haruka tinha sugerido, mas ainda assim foi bom ouvir a confirmação de Kushida.

— Então tudo bem ele ir, não acha? Acho bom ele conversar um pouco com os novos alunos — disse Haruka.

— Concordo. Nosso grupo não é exatamente bom em lidar com relações sociais, então não seria ruim o Kiyotaka conhecer mais alunos do primeiro ano — acrescentou Keisei.

Independentemente das intenções do aluno, Haruka e Keisei achavam que pelo menos um breve contato seria positivo. Airi pareceu aliviada por não ser algo romântico e concordou em me deixar ir.

— Tudo bem. O que eu preciso fazer? — perguntei.

— Ah, obrigada! Vou avisar ele então, Ayanokoji-kun — respondeu Kushida.

Kushida então pegou o celular e começou a discar para alguém.

— Bom, então a gente já vai. Depois a gente se encontra — disse Haruka.

Com isso, os outros membros do Grupo Ayanokoji seguiram de volta para o dormitório antes de mim.

— Desculpa por isso — disse Kushida.

A ligação ainda não havia sido completada, e Kushida falou comigo com o telefone ainda no ouvido.

— Não é nada demais. Ninguém do meu grupo vai reclamar com algo assim — respondi.

Pouco depois, o aluno do primeiro ano atendeu.

— Alô? Sim, o Ayanokoji-kun disse que pode te encontrar agora. Certo. Ah, entendi… então vamos esperar aqui — disse Kushida.

Ela encerrou a ligação em menos de dez segundos.

— Parece que ele já está a caminho. Vamos esperar aqui para não perdermos ele — disse Kushida.

Aparentemente, o aluno já estava vindo em direção às salas do segundo ano.

— Você já parece bem próxima dos alunos do primeiro ano, Kushida — comentei.

— Hã? Ah… já estamos em julho, não é? Acho que já deu tempo suficiente… — respondeu ela.

— É, suponho que sim — respondi.

Já fazia mais de três meses desde que os novos alunos haviam chegado à escola. Enquanto eu olhava pela janela do corredor, via o sol alto no céu, lançando seus raios fortes e escaldantes sobre o chão. Estava prestes a começar o primeiro grande coro de cigarras do ano.

Para alguém como eu, que tem dificuldade em se comunicar, "apenas" três meses pareciam pouco. Mas para Kushida, isso já era tempo suficiente para criar conexões com outras pessoas.

— Ayanokoji-kun, você fez algum amigo entre os novos alunos? — perguntou Kushida.

Ela perguntou como se fosse algo natural que eu tivesse feito isso, mas a resposta era não.

— Ainda não conheci ninguém que eu possa chamar de amigo — respondi.

— E-Entendo… mas não precisa ter pressa. Ainda há bastante tempo — disse Kushida.

Suas palavras eram gentis e cuidadosas, mas soavam um pouco vazias. Eu já havia conversado com alguns alunos do primeiro ano, mas ainda não havia chegado ao ponto de ter contato pessoal com eles.

A conversa parou em um silêncio estranho. Enquanto eu pensava no que dizer em seguida, o aluno do primeiro ano finalmente apareceu.

— Kushida-senpai.

A pessoa que virou a esquina era Yagami Takuya, que havia estudado no mesmo colégio que Horikita e Kushida. Kushida aproveitou a chegada dele para quebrar o clima desconfortável e sorriu.

— Esse é o aluno do primeiro ano que queria te encontrar, Ayanokoji-kun — disse Kushida.

— Olá. Prazer em conhecê-lo, Ayanokoji-senpai. Obrigado por arrumar um tempo para me encontrar hoje — disse Yagami.

Como ele tinha vindo até mim através da Kushida, eu já tinha alguma ideia sobre ele.

— Se não me engano… você é da Classe 1-B, certo? — perguntei.

— Sim, exatamente. Meu nome é Yagami Takuya.

Eu me lembrava de tê-lo visto durante aquele tumulto envolvendo os alunos do primeiro ano, mas não cheguei a falar com ele. Esta era nossa primeira conversa de fato. Dizia-se que ele havia se tornado uma espécie de líder da Classe 1-B, e eu me perguntava até onde sua influência se estendia. Era simpático, amigável e tinha uma aparência agradável. Somado ao seu alto desempenho acadêmico, parecia alguém bastante popular.

— Bom, talvez não seja adequado conversarmos aqui em pé. Que tal irmos ao meu quarto? Eu consegui recentemente umas folhas raras de chá preto que encomendei. Demora um pouco para preparar, mas é bem saboroso — disse Yagami, acrescentando que ficaria feliz se eu aceitasse.

Eu normalmente não bebia chá preto, então fiquei um pouco curioso. Mas, se aceitasse, talvez não conseguíssemos concluir essa conversa dentro de uma hora.

— Ah, desculpa, Yagami-kun. Para ser sincera, o Ayanokoji-kun já tem um compromisso com amigos mais tarde. Acho melhor que esse encontro dure menos de uma hora, se possível… — disse Kushida.

Kushida havia percebido que a proposta de Yagami poderia levar algum tempo, então recusou com elegância em meu nome.

— Entendo. Tudo bem então. Nesse caso, que tal conversarmos no café do Keyaki Mall? — sugeriu ele.

Embora parecesse um pouco desapontado, Yagami aceitou facilmente, entendendo a situação.

— Então vamos indo. Certo, Ayanokoji-kun? — disse Kushida.

Assenti em resposta, decidindo ir até o Keyaki Mall junto com Kushida e Yagami.

— Ah, isso me lembrou. O exame especial na ilha deserta vai começar em breve, não é? Kushida-senpai, Ayanokoji-senpai, vocês já passaram por um exame parecido no ano passado, certo? — perguntou Yagami.

9d2893bc1e7788399bf67923a1ea3dd3.jpg

— Sim. Foi uma época difícil — disse Kushida.

— Vocês poderiam me contar quais eram as regras daquele exame? E o que aconteceu na época? Nós, alunos do primeiro ano, não temos essa experiência, então gostaríamos ao menos de reunir algumas informações — disse Yagami.

— Bom, não me importo em compartilhar, mas… não tenho certeza se isso vai ser útil. Parece que as regras deste ano são completamente diferentes das do ano passado — disse Kushida.

— Sim, entendo. Também ouvi dizer que o exame que vocês fizeram foi diferente do que os alunos do terceiro ano enfrentaram — disse Yagami.

— Ah, agora que você falou… os alunos do terceiro ano também fizeram um exame na ilha deserta, não fizeram? — disse Kushida.

— Pelo que parece, eles também fizeram no primeiro ano, assim como vocês. Ao que tudo indica, esse exame na ilha deserta antes era realizado apenas uma vez durante o período escolar… Este ano é uma exceção? Ou a regra mudou a partir de agora? — perguntou Yagami.

Aparentemente, Yagami tinha muito mais informações do que nós.

— Você acha estranho? Eu ter informações sobre os alunos do terceiro ano? — perguntou Yagami.

Ele havia direcionado a pergunta a mim. Eu estava ouvindo em silêncio até aquele momento.

— É porque entrei para o conselho estudantil. Com isso, pude perguntar ao presidente Nagumo, e ele me deu novas informações sobre o exame de sobrevivência na ilha deserta realizado no ano retrasado. Naquela época, os alunos eram divididos em grupos de quatro dentro das próprias classes, e um total de doze grupos competia entre si, aparentemente — disse Yagami.

As regras do exame de sobrevivência na ilha deserta eram diferentes das que havíamos enfrentado antes. Era seguro assumir que, com raras exceções, nenhum exame especial seria igual ao anterior.

— Como vocês passaram o tempo na ilha da última vez? Eu estava pensando que talvez pudesse obter algumas pistas a partir disso — disse Yagami.

Mesmo que Kushida e eu ficássemos em silêncio e deliberadamente não contássemos nada a Yagami, era óbvio que outra pessoa acabaria informando-o de qualquer forma. Provavelmente não havia motivo para tentar esconder isso inutilmente. Além disso, Kushida certamente acabaria respondendo.

E, como esperado, ela começou a explicar educadamente o que havia acontecido no exame da ilha no ano passado. Eu continuei ouvindo em silêncio, enquanto seguia atrás dos dois.

*

QUANDO Kushida terminou de contar a Yagami sobre o exame de sobrevivência na ilha que havíamos feito antes, o café do Keyaki Mall já estava logo à frente. Esperávamos que fosse fácil conseguir lugares, mas uma situação inesperada surgiu.

— Está bem cheio, não é? — comentou Kushida.

O café estava completamente lotado. Havia até alunos esperando na entrada, na esperança de conseguir uma mesa.

— O que fazemos? Quer tentar ver se há lugar no segundo andar para conversar? — perguntou Kushida.

— Por favor, esperem um momento — disse Yagami.

Ele tirou o celular com a mão esquerda e começou a mexer nele.

— Acabei de confirmar com um amigo. Parece que o café do segundo andar também está cheio. Como teremos que esperar de qualquer forma, e há apenas duas pessoas na nossa frente, por que não aguardamos aqui mesmo? — sugeriu ele.

Aparentemente, seu amigo já estava no outro café, e Yagami havia entrado em contato por mensagem. Ele tomou uma decisão rápida para não perder tempo.

No mesmo momento em que concordamos com sua sugestão, ele notou um estudante se aproximando por trás. Talvez, temendo que outra equipe tomasse nossa vez se demorássemos para registrar a reserva, ele pegou uma caneta com a mão livre enquanto ainda segurava o celular e escreveu o número de pessoas do nosso grupo e seu sobrenome no quadro da entrada do café, com uma caligrafia bastante elegante. Era claramente superior aos rabiscos dos outros alunos.

— Uau, Yagami-kun, sua letra é muito bonita! — exclamou Kushida.

Era natural que Kushida o elogiasse após ver sua escrita. Yagami sorriu, aparentemente satisfeito. Em seguida, nós três nos sentamos nas cadeiras do lado de fora do café, esperando nossa vez.

— Meu avô sempre dizia que, mesmo que eu não fosse bom nos estudos, ao menos deveria escrever de forma legível — disse Yagami.

— Seu avô? — perguntou Kushida.

— Sim. Ele é instrutor de caligrafia — respondeu.

— Isso é incrível. A minha letra não é tão boa assim — disse Kushida, humildemente.

Ela estava sendo modesta. Pelo que eu lembrava das poucas vezes em que vi sua escrita, não era ruim. Embora não fosse tão refinada quanto a de Yagami, sua caligrafia era organizada e com traços delicados e femininos.

Ainda assim, Yagami não parecia alguém que se vangloriava de suas habilidades. Mesmo tendo dito antes que não era tão bom academicamente, sua avaliação no OAA era A, um nível extremamente alto. Ele era um estudante exemplar, sem qualquer traço de arrogância. Essa impressão me fazia pensar que ele era praticamente um equivalente de Yousuke.

Depois de algum tempo, uma mesa para quatro pessoas ficou disponível, então fizemos nossos pedidos e nos sentamos.

— Para ser sincero… talvez seja um pouco tarde para dizer isso, mas há algo que queria lhe contar, Ayanokoji-senpai. Você já sabe sobre o exame especial que foi aplicado apenas a um número extremamente limitado de alunos do primeiro ano, certo? — disse Yagami.

Kushida o observava com uma expressão confusa, provavelmente por nunca ter sido informada sobre isso. Esse exame especial ao qual ele se referia era aquele em que a escola oferecia vinte milhões de pontos a quem conseguisse me expulsar.

Pelo modo como Yagami falou, não parecia ser apenas um boato. Ele falava como se aquilo fosse real.

Ainda assim, decidi esperar para ver o que ele diria a seguir. Sem confirmar nem negar, apenas continuei ouvindo.

Yagami assentiu.

— Eu soube disso em abril. No entanto, como não tinha interesse em prejudicar alguém para ganhar uma recompensa, não quis participar — disse ele.

Era verdade que Yagami nunca havia feito nada contra mim. Se ele estivesse interessado na recompensa, não seria estranho termos tido ao menos alguns contatos indiretos. Mas até recentemente, ele nunca sequer havia olhado na minha direção.

— Por que está me dizendo isso agora? — perguntei.

— Recentemente, soube que Housen-kun fez um ataque preventivo que acabou falhando. E que essa tentativa foi a causa do ferimento na sua mão esquerda, Ayanokoji-senpai. Não acho impossível que ele fizesse algo desumano, mas o que ele realmente fez parece ter ido muito além do que eu poderia imaginar — disse Yagami.

— Bem, não vou negar isso — respondi.

O olhar de Kushida ia e voltava entre mim e Yagami enquanto ela escutava nossa conversa aparentemente incompreensível, tentando entender o que estava ouvindo. No ritmo em que as coisas estavam, era provável que Yagami acabasse explicando tudo claramente de qualquer forma.

— Existe também… mais um motivo pelo qual decidi falar com você, senpai — disse Yagami.

No entanto, ele não entrou nesse outro motivo imediatamente.

— Eu pretendia apenas ficar nos bastidores, como um observador, pelo bem de proteger os alunos do primeiro ano. Porém, se eu deixar as coisas como estão, o Ayanokoji-senpai… bem, eu concluí que, dependendo de como essa situação se desenrolasse, havia a possibilidade de que os danos se estendessem até mesmo aos seus colegas de classe, Kushida-senpai. Por isso pedi que você organizasse este encontro, para que eu pudesse lhe contar tudo o que sei — disse Yagami.

Kushida, que vinha ouvindo a conversa, ergueu a mão esquerda de forma tímida, como quem pede desculpas antes de falar.

— Umm… desculpe, mas eu realmente não entendo do que vocês estão falando… — disse ela, um pouco sem jeito.

— Tudo bem se eu continuar? — perguntou Yagami, virando-se para mim.

— Eu não tenho o direito de te impedir — respondi.

Parece que Yagami fez Kushida se sentar conosco porque estava preocupado com ela. Mesmo que eu dissesse que não era para ele falar sobre aquilo ali, se ele resolvesse conversar com Kushida depois, sem meu conhecimento, no fim não faria diferença.

— Nesse caso, vou explicar tudo desde o começo, para que vocês entendam toda a história. Tudo começou com uma ligação do presidente do conselho estudantil, Nagumo. Fomos instruídos a escolher um ou dois representantes de cada classe e nos reunir em segredo na sala do conselho estudantil. Na verdade, isso aconteceu pouco tempo depois do início das aulas — disse Yagami.

A palavra "conselho estudantil" se destacou na fala de Yagami.

— Os alunos do primeiro ano que se reuniram lá foram: Takahashi Osamu e Ishigami Kyou da Classe A, eu da Classe B, Utomiya Riku da Classe C e, por fim, Housen Kazuomi e Nanase Tsubasa da Classe D. Ao todo, seis pessoas participaram — disse Yagami.

Se isso fosse verdade, era uma informação valiosa. Não era coincidência que aqueles dois da Classe 1-C tivessem vindo falar comigo naquele momento. No entanto, o que mais me preocupava era o fato de o nome de Amasawa não estar na lista.

— O exame especial que nos foi dado era expulsar o aluno do segundo ano, Ayanokoji-senpai — disse Yagami.

— Hã?! Expulsar o Ayanokoji-kun?! — exclamou Kushida, surpresa, embora ainda em voz baixa.

Yagami assentiu e continuou. Pelo que eu conseguia perceber, Kushida não estava agindo de forma suspeita nem demonstrava conhecer aquilo de antemão. Ela realmente não parecia saber de nada.

— Fomos instruídos a concluir isso até o início do segundo semestre, por qualquer meio necessário. Também fomos avisados para não deixar ninguém além dos seis envolvidos saber do conteúdo desse exame especial. Como Utomiya-kun e eu representávamos nossas classes sozinhos, tínhamos permissão para escolher um colega de nossas respectivas classes para conversar, a fim de manter a igualdade. Mas eu ainda não havia falado com ninguém. Existe, porém, a possibilidade de Utomiya-kun já ter falado com alguém — disse Yagami.

Ou seja, naquele momento, seis ou sete alunos do primeiro ano já estavam cientes daquele exame especial.

— Foi o Nagumo-senpai, presidente do conselho estudantil, quem nos disse que pagaria vinte milhões de pontos ao aluno que conseguisse expulsar o Ayanokoji-senpai — acrescentou Yagami.

— V-Vinte milhões de pontos…? C-Como a escola poderia aprovar algo assim? — exclamou Kushida.

Era natural que qualquer pessoa ficasse chocada ao ouvir aquilo. A questão de até que ponto eu podia confiar em Yagami ainda me incomodaria por um tempo, mas, por enquanto, ele não parecia estar mentindo. Por outro lado, se aquilo fosse mentira e acabasse sendo descoberto depois, a relação entre Yagami e eu se deterioraria. E se a Classe D do segundo ano fosse prejudicada, Kushida também poderia acabar sendo afetada.

— É perfeitamente compreensível que você fique tão surpresa, Kushida-senpai. Nós mesmos não sabíamos muito sobre esta escola em abril, mas agora entendemos melhor. Sabemos que esse exame especial é extremamente incomum. Foi justamente por chegar a essa conclusão que pedi sua ajuda para organizar este encontro — disse Yagami.

Depois de concluir essa parte da explicação, Yagami levou sua xícara à boca, como se fizesse uma pausa para respirar. Agora que Kushida havia entendido a conexão entre os vinte milhões de pontos e a minha expulsão, ela fez uma pergunta:

— Não é meio estranho… o presidente do conselho estudantil organizar o próprio exame especial…?

— Sim, suponho que sim. Bem, acho que é melhor dizer que o problema está na forma como expressei a ideia. Embora isso esteja sendo chamado de "exame especial" por simplicidade, no fundo, acho que é mais fácil encarar isso como uma espécie de desafio lançado pelo presidente do conselho estudantil Nagumo aos alunos do primeiro ano — disse Yagami.

Havia a possibilidade de Nagumo estar envolvido nesse assunto. Horikita tinha a tarefa de investigar essa possibilidade. No entanto, justamente quando pensei que o próprio Nagumo não revelaria seu envolvimento com tanta facilidade, a verdade veio à tona por uma parte inesperada: Yagami.

— P-Por que o Ayanokoji-kun, então? Existem outros alunos sendo alvos como ele? — perguntou Kushida.

— Apenas o Ayanokoji-senpai, pelo que ouvi. Quanto ao motivo, não acho que exista uma razão significativa. O presidente Nagumo disse que escolheu aleatoriamente entre os alunos do segundo ano. Ou seja, ele simplesmente sorteou uma pessoa entre 157 nomes — disse Yagami.

Suponho que Yagami não teria como conhecer toda a história, já que não sabia do histórico de Nagumo. Ele nem parecia duvidar da ideia de que eu havia sido escolhido ao acaso. Claro, não era impossível que Nagumo tivesse realmente preparado algum tipo de sorteio e eu tivesse sido escolhido por pura coincidência, mas, dadas as circunstâncias, isso não parecia provável.

Eu me perguntei se Nagumo realmente se daria ao trabalho de preparar vinte milhões de pontos apenas para lidar comigo. Pelo que eu havia visto dele até agora, não conseguia imaginá-lo sendo o tipo de pessoa que chegaria a tanto. Ou melhor, talvez ele fosse capaz de qualquer coisa se decidisse fazer, mas eu não tinha certeza de que o valor que ele dava a mim fosse alto o bastante para justificar isso.

— Partindo do princípio de que esse exame especial foi iniciado pessoalmente pelo presidente do conselho estudantil, como ele conseguiu os vinte milhões de pontos? — perguntei, pressionando um pouco Yagami para ver que outras possibilidades ele poderia revelar.

— Sim, essa é uma boa pergunta. Sinto dizer isso, mas não poderia ser tudo isso uma mentira ou uma brincadeira? É difícil acreditar que ele realmente colocaria vinte milhões de pontos em um exame tão estranho — disse Kushida, incrédula.

Eu já esperava essa reação. Vinte milhões de pontos era uma quantia absurda. Qualquer pessoa desconfiaria se o presidente do conselho estudantil anunciasse algo assim de repente.

— É realmente uma soma enorme, sem dúvida. Agora consigo entender como seria difícil acumular tantos Pontos Privados. Mas naquela época, nós do primeiro ano tínhamos acabado de entrar, e ele sendo um aluno do terceiro ano, presidente do conselho estudantil e alguém da Classe A, naturalmente confiávamos nele mais do que em qualquer aluno comum. Mais importante ainda, acho que ingenuamente pensamos que ele, claro, teria tantos pontos assim — disse Yagami.

Embora a quantidade de pontos distribuída aos alunos deste ano fosse menor do que a do ano anterior, os novos alunos ainda recebiam 80.000 pontos ao entrar na escola, e esse valor era depositado mensalmente. O dormitório era limpo e bem equipado, e o Keyaki Mall era praticamente exclusivo para os alunos, com uma grande variedade de lojas.

Para os estudantes, era como ser jogado em um mundo de sonhos. Nós mesmos havíamos experimentado, no ano passado, a sensação de perder completamente a noção do valor do dinheiro ao chegar aqui.

— E a verdade é que eu mesmo confirmei com meus próprios olhos que ele realmente possui os vinte milhões de pontos — disse Yagami.

Não era nada estranho que alguém como Nagumo tivesse acumulado uma quantia tão grande.

— Mas vocês não acharam um pouco desconfortável participar de um "exame especial" que não foi sancionado pela escola? — perguntou Kushida.

— Deixando de lado a natureza desagradável da tarefa, ninguém realmente se sentiu desconfortável. Acho que todos os alunos, exceto eu, estavam bem abertos à ideia. Disseram que era um exame especial legítimo — disse Yagami.

— Nunca ouvi falar do presidente do conselho estudantil aplicando um exame especial assim… — disse Kushida.

— Bem, não foi por confiarmos no presidente Nagumo que aceitamos o exame — disse Yagami.

— Hã…? — respondeu Kushida.

— Quando o presidente do conselho estudantil nos contou sobre o exame, o diretor interino estava presente como testemunha — disse Yagami.

E assim, Tsukishiro, a pessoa que eu suspeitava ser a mais provável de estar envolvida nesse caso, entrou em cena. O fato de que Tsukishiro e Nagumo estavam trabalhando juntos e por trás da origem daqueles vinte milhões de pontos agora estava confirmado.

— Em uma situação dessas, seria totalmente razoável aceitar aquilo como um exame especial sem questionar, não acha? — disse Yagami.

— Sim, se o diretor interino estava lá… Sim, você está absolutamente certo — disse Kushida.

Um exame especial para expulsar um aluno. Alguns estudantes considerariam essa ideia absurda e suspeitariam de algo errado ao ouvir isso. No entanto, o fato de o Diretor Interino estar presente acabou abafando essas suspeitas.

— Isso é tudo o que tenho de informação sobre o assunto — disse Yagami.

— Embora eu esteja grato por você ter me contado tudo isso, você pode ter se colocado em perigo ao falar comigo — eu disse a ele.

Essa era uma informação extremamente útil para mim, mas não trazia nenhum benefício para Yagami.

— Você vai ficar bem, Yagami-kun? Se o fato de você ter contado isso acabar vazando… — disse Kushida, deixando a frase no ar.

— Vou ficar bem, Kushida-senpai. Não ouvi nada sobre qualquer tipo de punição por falar disso com outras pessoas — disse Yagami, sorrindo e ignorando as preocupações.

— Além disso, já estou preparado para o ódio que vou receber dos outros alunos do primeiro ano. Mais cedo ou mais tarde, já era inevitável que fôssemos entrar em conflito — acrescentou.

Pelo que parecia, ele estava totalmente preparado para enfrentar o desafio. Yagami Takuya da Classe 1-B provavelmente era, em essência, o tipo de pessoa que adota uma postura defensiva não agressiva. No entanto, também poderia realizar um ataque preventivo com base em autodefesa, caso a situação exigisse. Ainda assim, até que ponto ele enxergava a situação era algo incerto.

Em um canto do café, entre vários estudantes, uma aluna lançava olhares ocasionais na minha direção. Ela estava sentada diretamente atrás de Yagami, então ele provavelmente não a havia notado. Era Tsubaki Sakurako, da Classe 1-C. Pouco depois de iniciarmos nossa conversa, ela apareceu no café e se posicionou perfeitamente entre os clientes, observando-nos de seu lugar. Ela segurava o celular e parecia estar falando com alguém.

Ela estava atrás de mim…? Ou talvez sua intenção fosse monitorar Yagami, que estava conversando comigo casualmente havia algum tempo? De qualquer forma, Tsubaki agora sabia que Yagami e eu havíamos tido contato. Coincidência ou não, aquilo não era uma situação desejável para Yagami.

Dentro dos limites relativamente pequenos do campus, era difícil evitar ser observado, não importava o que se fizesse. Mesmo que um aluno não conseguisse rastrear alguém sozinho, poderia cobrir uma grande área se toda a sua classe estivesse trabalhando em conjunto.

Isso também era prova de que os alunos do primeiro ano estavam travando suas próprias batalhas.

— Por favor, tome cuidado, Ayanokoji-senpai. É bem possível que existam outros alunos que, assim como eu, tenham quebrado as regras ao contar a amigos sobre esse exame especial — disse Yagami.

— Certo. Nesse caso, com quem você acha que eu deveria me preocupar, Yagami? — perguntei.

— Vamos ver… Se pensar bem, Housen-kun da Classe 1-D definitivamente é alguém com quem você deve ter cautela. Um oponente que ignora completamente as regras quando parte para cima pode ser bastante problemático — disse Yagami.

Então, parecia que Housen também era visto como uma pessoa perigosa entre os próprios alunos do primeiro ano.

— No entanto, se eu tivesse que citar apenas uma pessoa para tomar cuidado, então… — ele estava prestes a dizer um nome, mas pareceu hesitar em terminar a frase. — Não, acho melhor parar por aqui.

— Hã? Por quê? Fiquei curiosa — disse Kushida.

Yagami soltou uma leve risada antes de responder.

— Sinto que isso não é algo que eu deva comentar com você ou com os outros alunos do seu ano. Se eu mencionar o nome da pessoa da qual desconfio, naturalmente vocês ficariam atentos a ela, certo? Acho que isso é importante, mas não seria justo. Peço desculpas pelo que disse sobre o Housen-kun antes — disse Yagami.

Era verdade que Kushida e eu ficaríamos cautelosos se nos dissessem que alguém de outra turma representava perigo. Também poderíamos alertar nossa classe e nos preparar.

— Além disso, ainda não tenho total certeza. É apenas uma suspeita de que essa pessoa seja perigosa — admitiu Yagami.

Ele parecia acreditar que até mesmo rivais deveriam lutar de forma justa.

— Vou investigar isso durante o próximo exame especial, por enquanto. Se eu confirmar que essa pessoa realmente é uma ameaça, então vou lhe contar, Ayanokoji-senpai — disse Yagami, prometendo me avisar depois de confirmar com seus próprios olhos.

— Tome cuidado, Yagami-kun — disse Kushida.

— Sim, tomarei. Ah, e também… não me importo se for depois do exame da ilha deserta, mas gostaria de marcar um encontro com você novamente, Kushida-senpai, só nós dois. Há algo que preciso conversar com você — disse Yagami.

— Okay… tudo bem. Mas sobre o quê…? — disse Kushida.

Ela fingiu não saber do que se tratava, mas até alguém como eu, que costuma demorar a perceber essas coisas, conseguia sentir que havia algo ali. O jeito como Yagami olhava para Kushida era diferente de como um aluno normalmente olharia para um veterano.

— De qualquer forma, as informações que você me deu foram muito úteis, Yagami. Eu agradeço — eu disse.

— Tudo bem. Achei absurdo você ser o único em desvantagem, Ayanokoji-senpai — disse Yagami.

— Eu também queria te agradecer, Yagami-kun. Você realmente ajudou muito — disse Kushida.

— Só de ouvir isso já é recompensa suficiente para mim. Se o Ayanokoji-senpai fosse expulso, isso causaria danos enormes à sua turma. E eu realmente quero que você também se forme na Classe A, Kushida-senpai — disse Yagami.

Não havia muitos alunos do primeiro ano com quem eu tivesse conversado por tanto tempo assim. Entre todos eles, Yagami parecia um estudante de honra excepcionalmente comum, e nada mais. Eu sempre mantive cautela ao interagir com vários alunos, pensando que algum deles poderia ser um Aluno da Sala Branca, mas até agora ele parecia o aluno do primeiro ano mais "natural" com quem eu havia interagido.

Ele não havia feito nada de suspeito comigo até então. Muito pelo contrário — havia sido bastante generoso ao me fornecer informações úteis. Claro, isso não significava que ele era inocente. Eu não o descartaria, mas se Yagami fosse mesmo o Aluno da Sala Branca, então ele seria um oponente com o qual eu realmente não gostaria de lidar.

Eu tinha minhas dúvidas de que alguém criado naquele ambiente pudesse se tornar tão natural em tão pouco tempo.

De qualquer forma, por enquanto, eu apenas aproveitaria ao máximo as informações que Yagami havia me fornecido.

— Parece que tem ainda mais gente aqui agora. Já terminei o que tinha a dizer, então, se estiver tudo bem para vocês, vou indo na frente. Com licença — disse Yagami.

— Você tem mais algum compromisso? — perguntou Kushida.

— Não, só quero evitar que os outros alunos do meu ano me vejam aqui — respondeu Yagami.

Embora já fosse tarde demais, ainda assim era uma atitude sensata. Agradeci mais uma vez, e então Yagami se despediu e foi embora. Depois que ele saiu, permaneci ali com Kushida.

— Parece que você conseguiu um bom kouhai, Kushida — comentei.

— É… ele é quase bom demais para mim, na verdade… mas isso realmente não é o tipo de desenvolvimento que eu esperava — disse Kushida, passando o dedo pela borda da xícara.

Eu não disse nada em voz alta, mas já entendia o que Kushida estava pensando. Se Yagami havia estudado no mesmo ensino fundamental que ela, havia a possibilidade de ele conhecer seu passado.

— O Yagami-kun sabe — disse Kushida.

Ela simplesmente respondeu à pergunta que eu estava me fazendo.

— Tudo bem você me dizer isso assim? — perguntei.

— Mesmo que ele não soubesse, isso não faria diferença — disse Kushida.

— Quer dizer… — comecei, mas fui interrompido.

— Quer dizer que vou ter que fazê-lo desaparecer o mais rápido possível — disse Kushida.

Quando ela murmurou isso, olhando diretamente para mim, havia um tipo de determinação intensa em seus olhos. Yagami claramente admirava Kushida, mas mesmo assim ela o via como um inimigo. Parecia que Kushida jamais seria capaz de aceitar alguém que conhecesse seu passado.

— Vai ser mais difícil eliminar um calouro do que a Horikita ou eu — eu disse a ela.

— Acho que isso depende de como você faz — respondeu Kushida.

Pelo tom dela, parecia que já tinha um plano em mente.

— São justamente aqueles que se acham especiais demais, que se gabam tanto da própria excelência, que acabam caindo com mais facilidade. Você e a Horikita-san não são exceção, Ayanokoji-kun — disse Kushida.

— Achei que tínhamos concordado com uma trégua? — respondi.

— Por enquanto — disse Kushida.

Eu nem pretendia baixar a guarda desde o início, mas Kushida parecia especialmente motivada.

— No momento, estou meio em fase de derrotas, então vou ficar quieta… por enquanto — disse Kushida, empurrando a cadeira para trás, mostrando que estava pronta para ir embora.

— Até mais, Ayanokoji-kun.

— É.

Como não havia motivo para impedi-la, apenas observei Kushida ir embora. O que eu havia entendido era que ela estava trabalhando em algum tipo de estratégia nos bastidores.

*

DEPOIS de me separar de Yagami e Kushida, fui até uma loja de conveniência, já que pensei em levar algumas coisas para Keisei e os outros quando nos encontrássemos. Também queria dar à pessoa que me seguia à distância uma chance de fazer contato.

Comprei alguns salgadinhos aleatórios e algumas bebidas.

— Um… — disse uma voz.

Era arrastada, prolongada. Assim que fui pagar, Tsubaki da Classe 1-C se aproximou por trás de mim. Ela segurava um pirulito na mão, provavelmente como uma tentativa improvisada de parecer que tinha ido apenas comprar algo.

— Ah, Tsubaki. Você precisa de alguma coisa? — perguntei, sem mencionar o fato de que ela já estava no café antes.

— Eu quero falar com você. Pode me esperar lá fora? — disse ela.

Tsubaki, com uma expressão um tanto apática, pagou pelo doce. Era verdade que não poderíamos conversar ali no caixa, então decidi esperar do lado de fora em silêncio.

Esperei por um tempo, mas não havia sinal de ela sair. Quando me virei, vi que Tsubaki apenas me observava enquanto segurava o celular e falava com alguém. Ela estava sendo bem ousada, me fazendo esperar daquele jeito.

— Desculpe pela demora — disse Tsubaki.

Tsubaki retirou o papel do doce com os dedos delicados enquanto começava a caminhar. Ela seguia na direção dos dormitórios.

ec2b0b2170ac7944089e7f113034893a.jpg

— Então, sobre o que você queria falar? — perguntei.

— Havia algo que eu queria te dizer, Ayanokoji-senpai, da próxima vez que te visse — disse Tsubaki.

Certo, então ela já vinha pensando que tinha algo para me dizer. Mas o quê? Achei que ela começaria a falar imediatamente, mas ela apenas continuou lambendo o pirulito, sem dizer mais nada. Em vez de demonstrar interesse por mim, parecia mais focada no que estava à sua frente.

— É sobre o Utomiya? — perguntei.

Ao mencionar o nome do aluno que me veio à mente, Tsubaki parou de lamber o doce.

— Parece que eu estava certo — acrescentei.

— Ele disse que já estava vindo — respondeu Tsubaki.

Então a pessoa com quem ela falava ao telefone no café era mesmo seu colega de classe, Utomiya. Pouco tempo depois da ligação de Tsubaki, Utomiya apareceu caminhando em nossa direção. Ele assentiu levemente ao se juntar a nós.

— Desculpe por chamá-lo assim de repente — disse Utomiya.

— Do que exatamente se trata isso? — perguntei.

Seria sobre Yagami? Ou talvez sobre o exame especial de que eu tinha ouvido falar?

— É sobre Housen Kazuomi — disse Utomiya.

O nome que saiu de sua boca, no entanto, não era o que eu esperava.

— Ayanokoji-senpai, você fez parceria com o Housen durante o exame especial de abril, certo? — disse Utomiya.

Naquela época, Tsubaki estava procurando um aluno do segundo ano para formar dupla. Utomiya chegou a me abordar para ver se eu poderia fazer dupla com ela, mas eu recusei.

— Nunca imaginei que sua parceria anterior fosse com o Housen — disse Utomiya.

— Isso é tão surpreendente assim? — perguntei.

— Você já deve saber bem que a Classe D não coopera facilmente com os outros. Mesmo neste exame de sobrevivência na ilha deserta, eles se mantiveram completamente isolados até o último momento — disse Utomiya.

Housen provavelmente já sabe que não há vantagem em se isolar. Ainda assim, ele parecia decidido a continuar agindo de forma teimosa, sem recuar.

— E então? — perguntei.

— Queremos pegá-lo desprevenido e lançar um ataque surpresa neste exame — disse Utomiya.

Seu tom antes educado havia se tornado mais agressivo, e seus lábios se contraíram.

— Porém, não entendemos como será o exame. E as regras também não estão muito claras — respondi.

— Bem… sim, é verdade que não há garantia de que conseguiremos armar emboscadas contra outros grupos. Mas, desde que exista competição entre nós, tenho certeza de que algo nesse sentido estará envolvido — disse Utomiya.

Essa interpretação estava, sem dúvida, correta. A ideia de que os grupos competiriam entre si era um dado adquirido.

— O Housen não tem muitos Pontos Privados no momento. Ou seja, se ele for eliminado durante este exame, mesmo considerando as punições mais leves para alunos do primeiro ano, ele não conseguirá pagar — disse Utomiya.

Nesse caso, Housen Kazuomi acabaria inevitavelmente expulso da Classe 1-D.

— Então você quer expulsá-lo? — perguntei.

— Pode apostar… quer dizer, sim, eu quero — disse Utomiya.

Embora ele continuasse abandonando o tom mais formal e usando palavras cada vez mais casuais, respondeu sem hesitar.

— Posso perguntar o motivo? — perguntei.

— Um aluno da Classe 1-C foi expulso. O nome dele era Hatano. Imagino que o Housen tenha tido algo a ver com isso — disse Utomiya.

Se ele estava disposto a citar um nome, significava que já havia reunido várias pistas.

— Então isso é vingança? — perguntei.

— Seria mentira dizer que não há ressentimento, claro. Mas o importante é garantir que ninguém mais seja expulso injustamente — disse Utomiya.

— É. Por causa disso, perdemos cem pontos de classe — murmurou Tsubaki secamente, colocando o pirulito de volta na boca.

— Certo, entendi o motivo, mas o que isso tem a ver comigo? — perguntei.

— Housen, em essência, não coopera com ninguém fora do próprio grupo. No entanto, ele cooperou com você, Ayanokoji-senpai — disse Utomiya.

Então ele pensava que, ao me contatar, poderia encontrar algum ponto fraco de Housen para explorar. Pelo tom de Utomiya, parecia que ele realmente queria derrotar Housen. Tsubaki não parecia compartilhar exatamente do mesmo sentimento, mas estava disposta a cooperar com ele. Caso contrário, não teria atuado como intermediária para me conectar a Utomiya.

— Por favor, me ajude — disse Utomiya.

— Eu não posso simplesmente aceitar isso quando nem sei exatamente o que será avaliado neste exame — respondi.

— Nesse caso, ao menos considere a proposta e mantenha isso em mente. Se você nos ajudar a eliminar o Housen logo no início da prova e conseguirmos expulsá-lo… quando isso acontecer, nós vamos te recompensar generosamente — disse Utomiya.

Ele parecia estar oferecendo "comprar" minha colaboração, mas havia mais de alguns pontos nessa proposta que eram difíceis de engolir.

— Você não considerou a possibilidade de eu estar do lado do Housen? Nós inclusive tivemos uma relação razoável, já que fomos parceiros antes. Não pensou que poderia haver risco em me contar isso? — perguntei.

De qualquer forma, ele estava revelando informações demais, sem qualquer tentativa de se proteger.

— Bom, isso é… — disse Utomiya, interrompendo-se de repente.

Então ele direcionou sua atenção para Tsubaki pela primeira vez durante toda a conversa. Eu fiz o mesmo. O pirulito dela já estava ficando menor, e Tsubaki parecia um pouco abatida. Talvez não tivesse percebido que tinha atraído a atenção de nós dois, pois apenas encarava o doce. Pouco depois, porém, ela abriu a boca para falar.

— Você não sofreu a lesão na mão esquerda durante o confronto com o Housen-kun? — comentou ela, voltando a lamber o pirulito com a ponta da língua.

— O que te faz pensar isso? — perguntei.

— Porque nós também estávamos atrás da recompensa de vinte milhões de pontos — respondeu ela, admitindo isso abertamente, sem qualquer sinal de culpa.

— Entendo. Então vocês também participaram desse exame especial? Isso significa que, quando se aproximaram de mim antes, estavam fingindo procurar um parceiro? — perguntei.

Mesmo já tendo recebido informações de Yagami sobre a participação deles, fingi não saber. Por outro lado, Tsubaki não mencionou nada sobre eu ter estado em contato com Yagami.

— Isso mesmo — respondeu ela.

— Mas mesmo se eu tivesse feito parceria com a Tsubaki naquela época, vocês não teriam como me expulsar à força, certo? — perguntei.

Era verdade que poderiam me eliminar se Tsubaki desistisse do exame, mas isso significaria a própria expulsão dela também.

— Provavelmente não posso responder isso — disse Tsubaki.

Até então, eu havia pensado que Utomiya era o cérebro da dupla. Porém, olhando agora, havia algo que sugeria que isso não era exatamente verdade.

— Peço desculpas por isso. No entanto, não estamos mais participando daquele exame — disse Utomiya.

— Por quê? — perguntei.

— Mesmo que conseguíssemos expulsar você, Ayanokoji-senpai, isso se espalharia pela escola em questão de segundos. E, obviamente, isso nos tornaria inimigos da Classe 2-D. Seria natural que seus colegas nos odiassem por te tirarmos da escola — disse Utomiya.

Ele basicamente estava dizendo que só percebeu isso agora, justamente depois que seu próprio aliado foi eliminado pelas ações de Housen.

— Então, nesse caso, não seria a mesma coisa se vocês expulsassem o Housen? — perguntei.

— Não acredito que seja. A própria classe dele tem medo dele. Na verdade, muitos dos colegas dele provavelmente prefeririam vê-lo fora — disse Utomiya.

Se você não se importasse com ressentimentos, poderia fazer o que quisesse sem hesitar, suponho.

— Enfim, por favor, mantenha minha proposta em mente. Tudo o que queremos é derrotar o Housen — disse Utomiya.

Depois de reforçar isso, Utomiya e Tsubaki se afastaram, seguindo em direção ao dormitório dos alunos do primeiro ano.

Esses alunos da Classe 1-C não deixavam claro o que realmente estavam pensando, nem desta vez, nem na anterior em que vieram até mim. Ainda assim, a ligação deles com o Aluno da Sala Branca continuava incerta. Por enquanto, eu deveria manter a guarda alta e não esquecer o que me disseram sobre Housen.

*

Horikita havia entrado para o conselho estudantil, mas mesmo depois de se tornar oficialmente membro, eu não estava recebendo novas informações.

Deixando de lado opiniões pessoais sobre Nagumo, parecia que o conselho estudantil funcionava de forma estável.

As coisas começaram a se mover no fim de semana, quando estávamos prestes a encerrar a tarefa de formação de grupos após a primeira semana. Recebi uma ligação do vice-presidente Kiriyama. Foi assim que tudo começou.

Kiriyama originalmente apoiava o antigo presidente do conselho estudantil, Horikita Manabu, que havia se formado no ano anterior. Ele pretendia impedir que Nagumo agisse livremente. Mas, no fim, o tempo passou sem que a situação melhorasse. Talvez Kiriyama também tenha desistido. Pelo menos foi o que eu pensei — até ele me chamar para um encontro pessoal.

Mesmo assim, o que ele estava pensando ao me chamar para conversar em plena luz do dia, em um dia de semana após as aulas? Se quisesse manter isso em segredo de Nagumo, poderia ter escolhido a noite ou o início da manhã. Não teria nada de anormal nisso. Se a intenção fosse cautela, deveria ter feito dessa forma. Mas não fiz questão de apontar isso a ele. Apenas aceitei o pedido.

Depois da aula, fui até o Keyaki Mall me encontrar com Kiriyama.

— Então você veio — disse Kiriyama.

— O que exatamente o vice-presidente quer comigo? — perguntei.

— Não seja tão apressado para encerrar isso. Vou pedir que você fique um pouco mais comigo hoje — disse Kiriyama, me incentivando a caminhar com ele.

Passei a andar ao seu lado.

— O grande exame especial de sobrevivência na ilha deserta vai começar no fim deste mês. Você está preparado? — perguntou ele.

Eu esperava que ele falasse sobre o conselho estudantil, mas o assunto que trouxe foi o exame especial.

— Pretendo fazer o que for possível. E o senhor, vice-presidente Kiriyama? — perguntei.

— Formei um grupo de três pessoas, representando as três classes além da A — respondeu ele.

Ou seja, ele estava tentando evitar uma disputa direta mais pesada, para encurtar a distância entre a Classe A e as demais. No caso dos alunos do terceiro ano, a diferença de Pontos de Classe entre a Classe A e as outras era ainda maior do que no nosso ano. Se as classes inferiores quisessem ter alguma chance de virar o jogo, precisariam conquistar as primeiras posições com grupos formados dentro das próprias classes.

— Eu sei o que você está pensando. Está pensando que, se nós — ou seja, a Classe B do terceiro ano — quiséssemos uma virada, precisaríamos absolutamente ficar em primeiro neste exame com um grupo formado apenas por alunos da própria classe. E que a única forma de vencer seria continuar ganhando os próximos exames com uma margem esmagadora. Mas isso é simplesmente irreal — disse Kiriyama.

Suponho que, se milagres acontecessem tão facilmente, ele não estaria nessa situação desde o começo.

— Espero usar este exame em particular para travar uma batalha pessoal com Nagumo — disse Kiriyama.

— Uma batalha pessoal? — repeti.

— Já faz bastante tempo desde que perdemos para Nagumo e fomos rebaixados para a Classe B. Agora ele é o presidente do conselho estudantil e controla não só o nosso ano, mas a escola inteira. Dá para dizer que a situação como classe já está definida — disse Kiriyama.

— Sim, acho que você está certo. Eu também penso assim — respondi.

A maioria dos alunos do terceiro ano estava seguindo Nagumo simplesmente porque havia desistido de alcançar a Classe A.

— Mas, pessoalmente, não me considero inferior ao Nagumo — disse Kiriyama.

O aluno da Classe B do terceiro ano, Kiriyama, realmente tinha altas notas no OAA. Seus índices eram todos B+ ou superiores, sem aparentes pontos fracos. Não era estranho que tivesse tanta confiança. Porém, Nagumo Miyabi era ainda superior em capacidade geral. Pode-se dizer que a confiança de Nagumo era compatível com suas habilidades.

Mas também era verdade que o OAA não era tudo. Havia alunos que não demonstravam todo o seu potencial e outros com talentos únicos — como rapidez de raciocínio ou percepção — difíceis de quantificar e, portanto, não refletidos no sistema.

Se Kiriyama acreditava pessoalmente que podia vencer Nagumo, então ele devia ter alguma chance.

— Você pode formar grupos de até seis pessoas, independentemente da classe. E, para vencer, é preciso ter um bom olhar para talentos e também a capacidade de trazê-los para o seu lado. Nesse ponto, não acho que perderei para Nagumo — disse Kiriyama.

Esse era um exame especial com dois aspectos distintos. Embora também permitisse competição entre anos diferentes, ele funcionava como uma forma de disputa interna dentro da própria série. Parecia que esse exame de sobrevivência na ilha era uma das poucas chances restantes que Kiriyama ainda tinha.

— Entendo o que você quer dizer com tudo isso, mas isso não era algo que você precisasse me reportar especificamente, era? — perguntei.

Não conseguia imaginar que houvesse qualquer benefício para ele em me contar aquilo.

— Não quero que você se meta no caminho — respondeu ele.

— Não tenho interesse na sua disputa com o presidente do conselho estudantil — respondi.

— Eu entendo isso. O que estou tentando dizer é que não quero que nenhum terceiro atrapalhe meus planos.

— Terceiros?

— Estou falando de Horikita Suzune. A pessoa que acabou de entrar no conselho estudantil — disse Kiriyama.

— Entendo. Parece que você a vê como um obstáculo, mas, só para constar, eu a enviei para o conselho estudantil a pedido do irmão mais velho dela, o ex-presidente do conselho — respondi.

Talvez isso já não importasse mais para Kiriyama. Ainda assim, decidi deixar isso claro.

— Isso não tem mais importância. Ele só tem mais alguns meses como presidente, de qualquer forma. A partir de agora, não se trata mais de tirá-lo do cargo, e sim de resolver as coisas entre indivíduos — disse Kiriyama.

— Nesse caso, por que você simplesmente não faz isso, Vice-presidente Kiriyama? — perguntei.

Não havia nada de estranho em querer resolver as coisas diretamente. A única questão era o que tudo aquilo tinha a ver comigo.

— O motivo de você ter feito a irmã do Horikita-senpai entrar no conselho foi para vigiar o Nagumo, certo? — perguntou ele.

— Seria mentira dizer que isso não fazia parte, mas o principal motivo era outro. Como a própria Horikita disse na frente do presidente Nagumo, ela quer seguir o mesmo caminho do irmão — respondi.

— Nesse caso, ela não vai tentar interferir no Nagumo?

— Enquanto Horikita não considerar Nagumo um obstáculo, não — respondi.

— Isso não é suficiente. Quero que ela abandone qualquer pensamento de se envolver com Nagumo. Qualquer coisa além disso só vai gerar conflitos desnecessários — disse Kiriyama.

Então ele basicamente estava voltando atrás no que havia dito antes e pedindo que tudo permanecesse como estava. No início, eu não me importava. Mas agora eu queria ver de perto o que Nagumo faria. Se Horikita julgasse que ele estava errado, provavelmente o enfrentaria. Mas era estranho Kiriyama me pedir para impedir isso, dizendo que seria inútil.

— Vou levar o que você disse em consideração, Vice-presidente Kiriyama — respondi.

Talvez ele não tenha gostado da minha resposta vaga, pois havia sinais de insatisfação em seu olhar.

— Isso foi uma forma educada de dizer "não faça nada" — disse ele.

— Achei que também estava respondendo de forma indireta, dizendo que entendi — respondi.

— Nesse caso, você está me garantindo aqui e agora que não vai fazer nada. Posso interpretar assim?

— Você pode interpretar como quiser, mas eu não estou dizendo nada — respondi.

Enquanto essa troca inútil continuava, o normalmente calmo Kiriyama começou a elevar o tom de voz.

— Nagumo sabia, mais ou menos, que eu estava trabalhando com o Horikita-senpai. Mas como tenho sido submisso às ordens dele e feito tudo o que ele pede, ele apenas observa em silêncio. Até algo simples como a irmã do Horikita-senpai entrar no conselho pode ser problemático. E se ela fizer algo desnecessário—

— Então isso colocaria você em perigo, Vice-presidente Kiriyama? — interrompi, completando sua frase.

— Sim, exatamente.

Então esse era o motivo de ele ter me procurado com aquele aviso severo. Superficialmente, parecia preocupação conosco, mas na verdade era mais uma questão de autopreservação. Eu não via isso como algo negativo. Não tinha intenção de reclamar da relação entre Nagumo e Kiriyama, onde o vencedor e o perdedor já estavam praticamente definidos.

— Você quer mesmo que alguém tenha a chance de se formar na Classe A? Aquilo que o Nagumo propôs? — perguntei.

— Eu… — ele hesitou.

O ex-presidente do conselho estudantil, Horikita Manabu, seguia uma política baseada na vitória da turma como um todo. Na verdade, essa era a política da escola até este ano. Mas seguir isso tornava impossível vencer a Classe A do terceiro ano liderada por Nagumo. Na prática, já estava praticamente decidido que Kiriyama se formaria na Classe B.

No entanto, se ele seguisse Nagumo e vencesse com suas próprias forças, isso poderia mudar. Se fosse realmente talentoso, havia a possibilidade de chegar à Classe A. Ele dizia querer uma batalha pessoal com Nagumo na ilha, mas no fim parecia apenas querer chegar ao topo para acumular Pontos Privados. Era apenas um pretexto para que Horikita e eu não interferíssemos.

— É tão estranho assim querer se formar em outra classe? — perguntou ele.

Não havia nada de estranho nisso. Talvez ele estivesse apenas tentando preservar o próprio orgulho.

— Qual o sentido de vir para esta escola se for para se formar em qualquer classe que não seja A? Não quero acabar como aqueles que tinham talento, mas desistiram da luta. Não quero seguir esse caminho. E definitivamente não quero ir junto com o resto dos incompetentes e fracassados da Classe B — disse Kiriyama.

Me perguntei se Manabu ficaria desapontado ao ouvir aquilo. Ou se apenas diria que já sabia desde o começo que Kiriyama tinha esse lado fraco.

— De qualquer forma, acho que você entende o que estou tentando dizer — disse Kiriyama.

— Sim, entendo muito bem. Também entendo por que apenas você esteve presente, além do Nagumo, quando a Horikita entrou no conselho estudantil, enquanto os outros membros foram apresentados a ela depois — respondi.

Ele estava preocupado que eu ou Horikita pudéssemos ter dito algo desnecessário.

— Você pode dizer qualquer cois—

— Kiriyama.

No meio da conversa, uma voz chamou o vice-presidente Kiriyama de perto. Embora seu nome tivesse sido dito claramente, ele não reagiu de imediato.

— Kiriyama. Não está me ouvindo? — disse a voz, agora um pouco mais alta.

— Tch… falando no diabo — murmurou Kiriyama em voz baixa antes de se virar, de forma relutante, para quem o chamava.

Quando olhei na direção, vi uma estudante do terceiro ano sentada em um banco. Ela parecia relaxada, encostada, com as pernas cruzadas e os braços esticados. Comparei seu rosto com os registros do OAA para confirmar sua identidade. Então era… Kiryuuin, da Classe B do terceiro ano.

42fe65ed85341cc62ff79e78c84cd5eb.jpg

— O que você quer? — perguntou Kiriyama.

Apesar de serem colegas de turma, o semblante irritado de Kiriyama não mudava ao olhar para ela. Aqueles dois claramente não eram compatíveis.

— Fufu. Só vi que você estava com um kouhai interessante, então pensei em dar um oi — disse Kiryuuin, direcionando o olhar para mim.

— Seu nome é Ayanokoji Kiyotaka, certo? Ouvi dizer que você virou uma espécie de celebridade depois de tirar nota máxima naquele teste difícil de matemática — acrescentou ela.

Antes que eu pudesse responder, Kiriyama interveio, elevando o tom de voz.

— Isso não tem nada a ver com você, Kiryuuin — disse ele, seco.

Ele começou a se afastar, como se quisesse colocar distância entre nós e ela.

— O que você está fazendo, Ayanokoji? Vamos — disse ele, percebendo que eu não me movia.

— Sabe, você não vai ganhar nada passando tempo com um cara como ele — disse Kiryuuin.

Era como se eu estivesse entre a espada e a parede… ou melhor, entre dois estudantes do terceiro ano. Qual lado eu deveria ouvir? Sendo honesto, eu não queria ouvir nenhum dos dois.

— É muito mais proveitoso para ele passar tempo comigo do que com você — disse Kiriyama.

— Isso não é algo que o Ayanokoji deveria decidir? Kiriyama, por favor, pode ir embora logo? — respondeu ela com um sorriso debochado, ainda sentada confortavelmente.

— Que tal termos uma conversa mais significativa? Só nós dois — acrescentou, voltando-se para mim.

— Gr… — rosnou Kiriyama entre os dentes cerrados.

Ele parecia mais incomodado por ela interromper nossa conversa do que pelas provocações em si.

— Pode ignorar essa garota — disse Kiriyama, em tom agressivo.

— Mas ela também é uma estudante do terceiro ano. Assim como você, vice-presidente Kiriyama. Então não posso simplesmente ignorar.

— Ela é a Kiryuuin. Da Classe B, igual a mim.

— Vi no aplicativo OAA. Ela tem ótimas avaliações, não tem?

— Em termos de notas, sim. Mas a Kiryuuin não tem ninguém apoiando ela, como o Nagumo. Ela nem sequer tem um único amigo de verdade.

Kiriyama basicamente dizia que não havia com o que se preocupar caso a ignorássemos.

— Ei, ei, não me elogie tanto assim. Vou acabar ficando com vergonha.

Mesmo sem ter sido elogiada de fato, Kiryuuin exibiu um sorriso ousado.

— Se formos comparar com alguém do seu ano, ela seria como o Koenji. Não importa o que você diga ou faça, é perda de tempo tentar lidar com ela — disse Kiriyama.

Esse era um nome que eu não esperava ouvir como comparação. Koenji tinha uma personalidade peculiar, praticamente única, mas ali parecia existir alguém semelhante. Ainda assim, Kiryuuin também claramente tinha uma personalidade fora do comum. Minha curiosidade foi despertada, mas ao mesmo tempo senti que seria melhor não me envolver.

Notei, porém, algo importante: Kiryuuin tinha notas A+ tanto em habilidade acadêmica quanto em capacidade física. Ela era a única estudante da escola inteira — homem ou mulher — com A+ nessas duas categorias. Sua contribuição social não era tão baixa, um C+. Seu único ponto fraco era a adaptabilidade, avaliada como D. Apenas pelos números, ela poderia ser considerada a melhor aluna da escola.

— E aí? Você não vem? — ela perguntou.

— Você está falando comigo? — respondi.

— Se você não vier comigo, eu vou com você então. Mas tudo bem para você, Kiriyama? — disse Kiryuuin.

— É por pessoas como você que eu estou condenado a ficar preso na Classe B — murmurou Kiriyama em voz baixa.

— Com colegas excepcionais como ela, você não consegue resistir ao presidente Nagumo? — perguntei.

— Eu já te disse que ela é exatamente como o Koenji, não disse? Como ser humano, ela é um caso perdido. Nos últimos três anos, não contribuiu em nada para a classe, além de focar apenas no próprio desempenho. Sempre agiu sozinha. É como uma espécie de contaminação estrangeira na nossa turma, que só aparece quando quer, de forma egoísta — disse Kiriyama.

Era verdade que, olhando apenas para o OAA, ela tinha um desempenho excepcional. Mas eu nunca tinha ouvido seu nome mencionado por terceiros. Se ela fosse alguém que Nagumo ou o recém-formado Horikita Manabu estivessem observando, não seria estranho eu já ter ouvido algo sobre ela.

— Ah, obrigada pelo elogio, Kiriyama — disse Kiryuuin, sussurrando diretamente no ouvido dele.

— Guh?!

Agora que ela havia se levantado do banco, vi que era surpreendentemente alta. Devia ter mais de 1,70m. Seu corpo bem proporcionado e atlético deixava clara sua capacidade física excepcional. Era difícil acreditar que existia uma aluna do terceiro ano com aquela presença.

Isso me lembrou do que Kiriyama havia dito antes: que não queria " afundar junto com o resto da Classe B, cheia de incompetentes e fracassados". Talvez Kiryuuin fosse justamente uma dessas pessoas a quem ele se referia.

— Se tem algo a dizer, diga logo — disse Kiriyama, irritado.

— Eu pretendo, claro. Mas você está atrapalhando, Kiriyama — respondeu Kiryuuin.

— Tudo bem. Faça o que quiser. Eu estou indo embora — disse ele, bufando.

Pelo visto, ele não tinha intenção nenhuma de ficar por perto, e decidiu sair.

— Não esqueça o que eu te disse, Ayanokoji. Dependendo de como isso se desenrolar, posso acabar me tornando seu inimigo também — disse Kiriyama.

Recebi um último aviso do vice-presidente. Normalmente, eu também já estaria indo embora, mas aquela outra pessoa, Kiryuuin, ainda era do terceiro ano da Classe B.

— Não precisamos ficar em pé para conversar. Por que não se senta? — disse Kiryuuin, me chamando para o banco.

— Certo… — respondi.

Eu só queria encerrar aquilo o mais rápido possível.

— Então, sobre o que queria falar comigo? — perguntei.

— Qualquer coisa. Se eu conseguir entender que tipo de pessoa você é, já basta — disse Kiryuuin.

— Entender que tipo de pessoa eu sou? O vice-presidente Kiriyama disse que você não contribui muito para sua classe, Kiryuuin-senpai. Isso não significa que você não se interessa pelos seus colegas? — perguntei.

— Se interessar e cooperar são coisas completamente diferentes, não são? Há pessoas interessantes na minha turma, e às vezes eu só quero conversar de forma amigável, como agora — respondeu ela.

Entendo. Isso fazia sentido.

— Não tenho interesse no sistema desta escola de tentar chegar à Classe A. Dizem que o principal benefício é poder ingressar em qualquer universidade ou emprego, mas acredito que já posso fazer isso com minhas próprias habilidades. Vim para esta escola por puro capricho — disse Kiryuuin.

Pelo que ela dizia, realmente lembrava Koenji. Uma confiança absoluta e esmagadora em si mesma. E os resultados A+ em habilidade acadêmica e física davam suporte a essa confiança.

— Você não teria vindo para cá se soubesse que o sistema exige cooperação entre alunos? — perguntei.

— Não. Eu gosto desta escola. Na verdade, nunca me senti insatisfeita com nada aqui. O sistema de pontos também é bem agradável — disse Kiryuuin.

Koenji também parecia aproveitar a vida aqui, então provavelmente pensava da mesma forma. Pessoas que conseguem se sustentar sozinhas depois da formatura não precisam se prender à Classe A.

— Parece que você não se importa em ser malvista pelos outros — comentei.

— A opinião dos outros não significa nada para mim — respondeu ela, com um sorriso estranho, porém confiante.

— Eu queria te fazer algumas perguntas, mas parece que é você quem está me interrogando — acrescentou.

Kiryuuin, como se invertesse o papel da conversa, passou a me pressionar.

— Acho que já está na hora de você me contar sobre si — disse ela.

— Por que eu? Existem muitos alunos talentosos aqui — respondi.

— Um palpite. Minha intuição diz que você não é um estudante comum — disse Kiryuuin.

Então era apenas intuição, sem base alguma. Já tinha pensado que ela e Koenji eram parecidos, mas agora pareciam praticamente iguais.

— Você pretende ficar em primeiro na prova da ilha deserta? — perguntou ela.

— Existe alguém que não queira ficar em primeiro? Exceto pessoas como você, Kiryuuin-senpai, suponho — respondi.

— Deixando o primeiro lugar de lado, eu estou mirando nas posições mais altas. Se eu conseguir uma boa colocação, ganho Pontos Privados. Eu gasto tudo o que tenho, então estou sempre sem dinheiro — disse Kiryuuin.

Então, Pontos de Classe e Pontos de Proteção eram secundários para ela. No fim, parecia que Kiryuuin estava participando apenas desse exame para obter Pontos Privados.

— Nagumo, Kiriyama e os outros naturalmente esperam ficar em primeiro lugar. E tenho certeza de que também há alguns alunos mais jovens bem competentes alinhados, certo? Esse próximo exame especial vai ser uma batalha para decidir quem fica em primeiro na escola — disse Kiryuuin.

— Certamente pode ser, sim — respondi.

As habilidades necessárias nesse exame não se limitavam estritamente à capacidade acadêmica ou física. Se isso era uma batalha de capacidade geral, então dava para dizer que era exatamente isso que seria necessário.

— Se meu interesse em você vai ou não desaparecer vai depender do que você fizer na ilha — disse Kiryuuin.

— Se eu tivesse que responder alguma coisa a isso, diria que preferia que você perdesse o interesse em mim, senpai — respondi.

— Entendo. Você diz coisas interessantes. Estou ansiosa para lutar com você, Ayanokoji — disse Kiryuuin.

E com isso, Kiriyama acenou para mim como se estivesse tentando espantar um pequeno animal, sinalizando que eu deveria ir embora.

— Com licença — disse, antes de me afastar.

Embora eu tivesse acabado de me encontrar com uma terceira-anista bastante bizarra, uma coisa era certa. Se eu quisesse alcançar uma das primeiras posições nesse próximo exame, eu também teria que derrotar Kiryuuin. E parecia que ela seria tão problemática quanto Nagumo e Kiriyama, ou talvez até mais.

*

Mesmo depois de Ayanokoji ter ido embora, Kiryuuin continuou no mesmo lugar.

Sua rotina diária era simplesmente relaxar e aproveitar o dia à vontade, de acordo com seus próprios caprichos. Em seu campo de visão, ela viu um familiar cabelo loiro balançando. Ao lado do dono daquele cabelo loiro estava o vice-presidente do conselho estudantil, Kiriyama, que havia acabado de sair momentos antes.

— Ora, ora, ora! Parece que o cão fiel voltou e trouxe o seu mestre com ele — disse Kiryuuin.

— O quê…? — resmungou Kiriyama.

— Bem, se o que eu disse está te irritando, parece que você interpretou de uma certa maneira, Kiriyama. Eu não me lembro de ter dito exatamente quem são o cão fiel e o mestre entre vocês dois. Estou apenas falando como uma terceira pessoa, alguém que não conhece a situação de vocês. Por que digo isso? Porque foi você quem se afastou antes, Kiriyama, então você é o único que se encaixa na descrição de cão fiel — respondeu ela, enquanto Kiriyama se aproximava com Nagumo ao lado.

— Que garota irritante… — murmurou Kiriyama.

— Isso é uma coisa bem desagradável de se dizer, Kiriyama. Não parece algo que um vice-presidente sério deveria falar — respondeu Kiryuuin.

— Nagumo, lidar com ela é perda de tempo. Você já sabe muito bem disso — disse Kiriyama.

— É, eu concordo. Vocês dois podem sair da minha frente imediatamente? Isso é só desperdício do meu precioso tempo — disse Kiryuuin.

— Quem você pensa que é? Primeiro de tudo, você—

Nagumo interrompeu, dando um leve tapinha no ombro de Kiriyama para fazê-lo parar.

— Kiryuuin, por favor, não machuque meu precioso colega assim — disse Nagumo.

Nagumo então forçou Kiriyama a recuar e se colocou à frente de Kiryuuin.

— Ah, um colega precioso, hein? Mas eu não senti nenhuma emoção em você quando disse isso — disse Kiryuuin.

— Isso é só imaginação sua — disse Nagumo.

— Então, me pergunto qual é o negócio do presidente do conselho estudantil comigo? Achei que não voltaríamos a falar um com o outro — disse Kiryuuin.

— Eu não quero ficar perto de você por muito tempo, se possível — disse Nagumo, sentando agressivamente no banco ao lado de Kiryuuin.

— Você é bonita, mas não tem nenhum charme. Eu só me interesso por mulheres com charme — acrescentou Nagumo.

— Eu tenho charme. Só ainda não encontrei o cavalheiro certo que consiga despertá-lo — disse Kiryuuin.

— Se existe mesmo um homem capaz de revelar seu charme, eu gostaria de vê-lo — disse Nagumo.

— Eu também. Mas, deixando seus gostos de lado, por que será que eu não sou popular, hein? — perguntou Kiryuuin.

— É porque uma mulher que é capaz demais e talentosa demais é difícil de lidar. Infelizmente, também não consigo gostar desse tipo de mulher — disse Nagumo.

— Entendo. Nesse caso, acho que nunca vou passar nos seus padrões. Se o motivo de eu nunca ter tido um namorado até essa idade é porque sou boa demais, então sim, isso faz sentido — disse Kiryuuin.

Depois de aproveitar um pouco de conversa sem sentido com Kiryuuin, Nagumo foi direto ao ponto.

— Ouvi algo de Kiriyama. Nunca imaginei que você, que não demonstrou admiração nem por Horikita-senpai nem por mim, estivesse interessada em Ayanokoji. Fiquei chocado quando ouvi isso — disse Nagumo.

— E é por isso que você veio até aqui falar comigo? Você deve ter muito tempo livre, presidente — disse Kiryuuin.

— Já terminei meu trabalho administrativo. Tenho algum tempo livre agora — disse Nagumo.

— Parece que você entendeu algo errado. Eu não sou totalmente indiferente às pessoas, Nagumo. Faço questão de falar pelo menos uma vez com quem desperta meu interesse. Você e Horikita Manabu já tinham despertado meu interesse antes — disse Kiryuuin, passando suavemente a mão na franja de Nagumo.

— Parece que você nunca relaxa quando se trata de cuidar bem do seu cabelo. Dá para perceber que você cuida melhor dele do que eu, uma mulher, cuido do meu. Não é surpresa você ser popular, presidente. Diga, sua vida amorosa foi frutífera nesses últimos três anos? — disse Kiryuuin.

— Você nunca esteve com um homem antes. O que você sabe sobre amor? — rebateu Nagumo.

— Embora seja verdade que eu não tenha nenhuma experiência nesse campo, não há nada de vergonhoso nisso. Na verdade, alguns poderiam até dizer que isso me torna mais valiosa, não concorda? — disse Kiryuuin.

— Parece que você continua com ideias absurdas como sempre — respondeu Nagumo.

Kiryuuin e Nagumo mais uma vez desviaram para uma conversa bizarra, mas Nagumo voltou o foco ao assunto principal.

— Então, o que você achou de Ayanokoji? Ele é alguém que merece sua atenção? — perguntou Nagumo.

— Eu só fiz algumas gentilezas porque ele é um aluno mais novo bonitinho. Mas foi só isso — disse Kiryuuin.

— Só isso? Quer dizer que você não ficou impressionada com ele? — perguntou Nagumo.

— Vou deixar essa pergunta em aberto por enquanto. Tivemos uma breve conversa cara a cara, mas não consegui compreender suas verdadeiras habilidades. Embora isso, por si só, já possa ser considerado uma espécie de habilidade. Enfim, ele é mais interessante para mim do que você, presidente, de quem eu já perdi o interesse — disse Kiryuuin.

— Você é a única pessoa da nossa série que consegue falar comigo com tanta ousadia — disse Nagumo.

Nagumo então se aproximou, levando a boca perto do ouvido de Kiryuuin, e baixou a voz até um sussurro.

— Se você acha que é melhor do que eu, ficarei mais do que feliz em corrigir essa ideia arrogante que você parece ter na cabeça. Entendeu? — ameaçou ele, em voz baixa.

Nagumo lançou um desafio, praticamente declarando um confronto para o próximo exame especial na ilha.

— Quando você perde, o que você perde é incalculável, presidente. Parece que você está entendendo algo errado aqui. Mas não é como se eu estivesse subestimando você. Eu não tenho as habilidades de liderança excepcionais que você e Horikita Manabu possuem, nem tenho talento para fazer amigos. Na verdade, eu nunca tive ninguém que pudesse chamar realmente de amigo. Certo? — disse Kiryuuin.

Nagumo afastou o rosto do ouvido de Kiryuuin, parecendo um tanto entediado.

— No entanto, em outras questões, é diferente — disse Kiryuuin.

Embora Nagumo tivesse começado a se afastar, os rostos dos dois ainda estavam a menos de quarenta centímetros um do outro. Nagumo lançou um olhar afiado para Kiryuuin.

— Está dizendo que sou inferior a você em alguns aspectos? — perguntou ele.

— Ora, você pode afirmar com absoluta certeza que não há nenhuma área em que você seja inferior? — rebateu Kiryuuin.

— Eu te dei várias chances para testar isso, e você não fez nada. E o resultado foi que acabou em B — disse Nagumo.

Até aquele ponto, Nagumo havia competido contra Kiriyama e a classe de Kiryuuin em diversos exames especiais. Mas Kiryuuin nunca participou ativamente nem cooperou com sua turma. Como resultado, sua classe foi rebaixada de A para B.

— É verdade que, olhando apenas para esses resultados, fui completamente derrotada — disse Kiryuuin.

Kiriyama continuava a encará-la com intensidade, enquanto Kiryuuin apreciava a conversa com tranquilidade, sem que ele a interrompesse.

— Bom, sei que você não é o tipo de pessoa que realmente liga para A ou B — disse Nagumo.

Nagumo então se levantou do banco, sinalizando o fim da conversa.

— Desculpe incomodá-la, Kiryuuin. Aproveite o restante do seu tempo nesta escola — disse Nagumo, preparando-se para ir embora.

— Eu disse antes que deixaria em aberto a questão de Ayanokoji ser ou não alguém que me impressiona. Mas acho que ele é um aluno interessante — disse Kiryuuin.

— O quê? — perguntou Nagumo.

— Essa não era a resposta que você queria ouvir de mim sobre Ayanokoji? — perguntou Kiryuuin.

Uma das razões pelas quais Nagumo havia ido falar com Kiryuuin era justamente para descobrir o que ela pensava sobre Ayanokoji.

— Interessante? Eu diria que esse tipo de personalidade está longe de ser interessante. Não acha? — disse Nagumo.

Kiryuuin sorriu, como se dissesse: "Viu? Você acabou mordendo a isca."

— Bem, você conhece o provérbio: " um falcão habilidoso esconde suas garras", não é? Ouvi dizer que ele tirou nota máxima em uma prova de matemática bastante difícil — disse Kiryuuin.

— Claro, existem pessoas que escondem seus talentos para não chamar atenção. Mas eu já venci todos eles. E não achei nenhum deles particularmente interessante — disse Nagumo, desviando o olhar para Kiriyama, que o aguardava à distância.

— Se eu tivesse que dizer algo, é a "vibe" d ele, suponho. Ele tem uma atmosfera diferente da sua e da de Horikita Manabu — disse Kiryuuin.

— Isso é bastante abstrato — disse Nagumo.

— Então por que você não o testa e vê por si mesmo? — perguntou Kiryuuin.

— Claro, pretendo fazer isso. Talvez eu consiga ver do que ele é capaz durante o exame de sobrevivência na ilha deserta — disse Nagumo.

— Você parece entediado desde que Horikita Manabu se formou. Esse aluno mais novo vai ser um bom passatempo para você? Se você estiver sério nesse desafio, vai definitivamente ficar em primeiro no exame da ilha, Nagumo — disse Kiryuuin.

— Obviamente, eu vou ficar em primeiro. Ou talvez seja Kiriyama, já que ele está morrendo de vontade de competir comigo. Mas vamos precisar de mais um grupo se quisermos ocupar os três primeiros lugares no exame, não é? Você vai assumir esse papel, Kiryuuin. Eu posso fornecer companheiros úteis, se necessário — disse Nagumo.

E então Nagumo tocou no verdadeiro motivo de ter ido falar com Kiryuuin naquele dia. Kiryuuin sorriu, como se já entendesse o que ele estava pedindo.

— Entendo. Então você veio até mim em busca da minha ajuda — disse Kiryuuin.

— Você pode achar que eu deixaria ao menos os alunos mais novos ficarem com o terceiro lugar, mas eu não sou tão bonzinho assim — disse Nagumo.

— Você tem incontáveis peças à sua disposição para mover no tabuleiro, não tem? Não precisa depender de mim — disse Kiryuuin.

— Quer dizer que você não está disposta a fazer isso? — perguntou Nagumo.

— Ficar em algum lugar entre os cinquenta por cento melhores já está bom por enquanto. Desculpe por desperdiçar seu tempo — disse Kiryuuin.

Nagumo, como se já soubesse que receberia essa resposta, virou o rosto e olhou ao longe.

— Você realmente é esse tipo de pessoa, eu suponho. Pensei em conversar com você como alguém da minha série, mas parece que foi perda de tempo — disse Nagumo, indicando que iria embora.

Ele caminhou até onde Kiriyama estava.

— Já que você veio até aqui para falar comigo, vou te dar um conselho — disse Kiryuuin.

— Vai me dar um conselho? Desculpe, mas não preciso disso de alguém abaixo de mim — disse Nagumo.

— Seguindo essa lógica, você não poderia receber conselho de ninguém — disse Kiryuuin.

Nagumo, de costas para Kiryuuin, soltou uma risada de desprezo. Kiryuuin continuou falando.

— Nesse caso, pense no que vou dizer como se eu estivesse falando comigo mesma. Você deveria olhar para frente, não prestar atenção nos alunos mais novos. Se você focar nos alunos que estão atrás de você, vai acabar sentindo muita dor — disse Kiryuuin.

— Que monólogo entediante — disse Nagumo.

Nagumo pareceu ter decidido que ficar ali por mais tempo seria perda de tempo, então foi embora.

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag

💬 Quer acompanhar os próximos lançamentos, dar sugestões e trocar ideia com a gente?

Entre no nosso servidor do Discord e faça parte da comunidade! 🚀