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Capítulo 5: Convite

A Classe De Elite — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 5: Convite

A BATALHA PRELIMINAR PARA a prova especial da ilha desabitada esquentava cada vez mais por toda parte, dia após dia. Restavam apenas alguns dias para o fim desse período preparatório.

O processo de formação dos grupos, que seria encerrado em cerca de uma semana, havia chegado ao auge. Mais de 90% dos alunos da escola já faziam parte de grupos compostos por duas ou mais pessoas e, portanto, haviam estabelecido relações de cooperação nas quais, na prática, compartilhavam o mesmo destino.

Os alunos que haviam me convidado para fazer parte de seus grupos, como Ishizaki e Matsushita, acabaram desistindo de tentar me recrutar com o passar do tempo. Aquilo era perfeitamente natural. Afinal, quanto mais demorassem para formar seus próprios grupos, maior seria o risco a que estariam se expondo.

Eu me perguntava o que os alunos restantes, que agora representavam menos de 10% do corpo estudantil, decidiriam fazer até a próxima sexta-feira.

Foi justamente enquanto pensava nisso que recebi um e-mail.

Já passava um pouco das nove e meia da manhã daquele sábado. O remetente não era ninguém menos que Ishizaki, da Classe 2-B.

Enquanto pensava em como ele vinha entrando bastante em contato comigo ultimamente, percebi que o conteúdo daquela mensagem parecia diferente do habitual. Pelo visto, ele queria que eu fosse até o café porque Ryuen estava me chamando.

A ausência de palavras como "se possível" na mensagem dava a entender que, aparentemente, aquela era uma convocação obrigatória. Eu poderia recusar, é claro, mas imaginei que Ishizaki acabaria levando a culpa por isso.

Eu tinha combinado de me encontrar com o Grupo Ayanokoji naquele dia, mas, por sorte, nosso encontro estava marcado apenas para uma da tarde. Então, fazer algo agora não deveria causar nenhum conflito.

Quando terminei de me arrumar e saí em direção ao Keyaki Mall, quinze minutos já haviam se passado. Considerando que eu tinha levado apenas esse tempo para me preparar, calculei que conseguiria chegar lá sem me atrasar.

O processo de formação dos grupos estava entrando em sua fase final. Isso significava que Ryuen, que permanecera em silêncio até então, estava prestes a fazer seu movimento.

Naquele momento, Ryuen ainda não havia formado grupo com ninguém. Não era impossível que ele tentasse me recrutar, mas, na verdade, eu considerava essa possibilidade bastante improvável.

Mantendo isso em mente, fiquei curioso para descobrir sobre o que exatamente ele queria falar comigo, caso não fosse esse o assunto.

Enquanto seguia em direção ao Keyaki Mall, encontrei Kanzaki, que parecia estar voltando da loja de conveniência. Duas garrafas de dois litros apareciam por cima da sacola plástica que ele carregava.

— Está indo ao shopping a esta hora? — perguntou Kanzaki.

— Afinal, quando a prova da ilha começar, não vamos ter tempo para ficar relaxando — respondi.

Como eu ainda tinha algum tempo de sobra, parei para conversarmos.

— Parece que sua classe está avançando bastante na formação dos grupos, mas você ainda continua sozinho, hein? — perguntou ele.

— Bom, ao contrário dos outros alunos, eu não tenho muitos amigos — respondi.

Pensei em tentar levar a situação na brincadeira, mas Kanzaki permaneceu impassível.

— Imagino que você e Horikita sejam, na prática, os jogadores reservas destinados a entrar em cena para ajudar os alunos da Classe D que estiverem com dificuldades, certo? Afinal, pessoas excepcionais conseguem obter resultados independentemente do grupo em que estejam — disse Kanzaki.

Aquela devia ser a única forma pela qual Kanzaki conseguia enxergar a situação. Afinal, ele agora tinha uma opinião muito mais elevada a meu respeito e já vinha se mantendo cauteloso comigo havia algum tempo.

— Imagino que você esteja desempenhando um papel parecido, Kanzaki, já que, por enquanto, também continua sozinho — respondi.

Assim como eu, Kanzaki ainda não havia se juntado a ninguém e continuava agindo por conta própria dentro de sua classe.

— Ayanokoji, Ichinose parece confiar muito em você. Podemos mesmo confiar em você? — perguntou.

— Se eu disser que podem confiar em mim, você confiaria? — perguntei de volta.

— No mínimo, eu poderia levar isso em consideração — respondeu.

Enquanto o ar ao redor das garrafas geladas dentro da sacola esfriava, pequenas gotas de condensação surgiam em sua superfície. O calor do auge do verão, que facilmente ultrapassava os trinta graus, castigava-nos sem piedade.

— Mesmo que nossa aliança tenha sido desfeita, não considero Ichinose uma inimiga — respondi, dizendo a verdade a Kanzaki.

— Essa afirmação pode ter significados diferentes dependendo da interpretação. Você considera a Classe C sua inimiga? — perguntou ele.

Eu havia pensado que conseguiria despistá-lo com habilidade, mas parecia que a cautela de Kanzaki era vários níveis mais aguçada do que eu imaginava.

— Kanzaki, o que exatamente você quer que eu diga? — perguntei.

Ele parecia diferente do habitual. A impressão que transmitia naquele momento sugeria que estava com pressa para fazer alguma coisa. Se eu previsse de onde vinha aquela atitude e o que exatamente ele estava tentando arrancar de mim, conseguiria enxergar com um pouco mais de clareza qual era seu objetivo.

— Está tentando arrancar alguma declaração de mim para depois fazer Ichinose ouvi-la? — perguntei.

— Você é muito mais perspicaz do que Ichinose imagina... Não, na verdade, é mais perspicaz do que nós dois imaginávamos. Muito mais. Desde a primeira vez que nos encontramos, tive uma sensação estranha de que havia algo em você que eu não conseguia identificar. Mas agora finalmente consigo enxergar. É você quem está por trás da rápida ascensão da Classe D — disse Kanzaki.

— Quem sabe? — respondi.

— Nesse caso, vou falar diretamente. Quero pedir sua ajuda. Ichinose confia muito em você. É exatamente por isso que quero que diga a ela que, do jeito que está agora, ela não é boa o bastante — disse Kanzaki.

Quando ele deu um passo em minha direção, diminuindo a distância entre nós, uma gota d'água escorreu da sacola plástica e caiu no chão.

— E você acha que Ichinose mudaria a maneira de pensar se eu dissesse isso? — perguntei.

— Sim — respondeu.

— Desculpe, mas não posso ajudar com isso. Quero ver como Ichinose vai lidar com as coisas.

— Quer dizer que deseja assistir à nossa ruína, já que somos seus inimigos? — disse Kanzaki.

— Bom, acho que não seria exatamente errado interpretar o que eu disse dessa forma, mas... — respondi, deixando a frase no ar.

Pensei por um instante. É claro que, naquele momento, ninguém sabia qual destino aguardava Ichinose.

No entanto, quando ela finalmente despencasse até o fundo...

Hesitei por um momento, perguntando-me se deveria contar a Kanzaki o que eu estava pensando, mas logo decidi que não. A situação não melhoraria se eu fizesse algo desnecessário ali, algo que eu não havia levado em consideração.

Na verdade, isso provavelmente só acabaria introduzindo um elemento externo desnecessário naquela situação.

— Em termos fundamentais, cada um precisa agir em benefício da própria classe. Não é? — falei.

— Sim, acho que é isso mesmo. Talvez pedir sua ajuda tenha sido injusto da minha parte — disse Kanzaki, parecendo refletir sobre o que havia me pedido antes.

Assenti em resposta.

— Eu pretendia encontrar uma resposta por conta própria. Mas pensei que, se pudesse evitar colocar isso em prática e existisse uma opção mais fácil, talvez eu pudesse simplesmente escolher esse caminho — disse Kanzaki, antes de seguir de volta para o dormitório.

Eu tinha certeza de que ele estava entrando em pânico porque sua classe já não tinha mais nenhuma margem para erros. Ainda assim, dizem que até um rato encurralado morde um gato. Kanzaki também poderia acabar se tornando um adversário formidável e ficar em nosso caminho durante a próxima prova especial.

*

Cheguei ao café do shopping um pouco antes do horário em que deveríamos nos encontrar. Enquanto terminava de pagar minha bebida, vi dois caras que normalmente jamais esperaria encontrar sentados juntos.

Um deles era Ryuen, justamente a pessoa que havia me chamado até ali naquele dia.

E o outro era...

— Você disse que mais uma pessoa viria. Então estava falando de Ayanokoji? — disse Katsuragi Kouhei, da Classe 2-A.

Ele dirigiu o olhar para mim com uma expressão rígida no rosto. Eu não diria que Ryuen e Katsuragi eram exatamente como água e óleo, mas os dois definitivamente estavam longe de se dar bem.

— Afinal, que tipo de reunião é esta? — perguntei.

— O quê? Tá planejando ficar em pé enquanto a gente conversa? Senta aí — disse Ryuen, com um sorriso estranho no rosto.

Fiz o que Ryuen mandou e me sentei em uma cadeira vazia. Havia uma atmosfera peculiar naquele lugar, diferente de qualquer coisa que eu já tivesse experimentado antes.

— Eu sabia que havia algo diferente em você em comparação com um aluno comum, mas parece que possui ainda mais talentos escondidos do que eu imaginava, Ayanokoji. Pensar que você conseguiu uma nota perfeita na prova de matemática... — comentou Katsuragi, admirado.

Eu não falava com ele desde que começamos o segundo ano, e ainda assim ele imediatamente trouxe à tona minha nota em matemática.

— Kuku. Qual é, Katsuragi, não precisa admirá-lo tanto. Isso já é história antiga — disse Ryuen.

— História antiga? Você parece bastante tranquilo, considerando que surgiu um inimigo inesperadamente poderoso bem diante de você. Está tão eufórico assim por ter derrotado Ichinose e subido para a Classe B? — perguntou Katsuragi.

— Poupa essa. Ichinose tá se destruindo sozinha. Ela nem chega perto de entrar no meu radar — respondeu Ryuen.

Como esperado, aquela combinação totalmente inesperada já estava fazendo o clima azedar. A tensão entre os dois era evidente.

— E então? Gostaria de saber por que me chamou até aqui — disse Katsuragi.

Aquilo confirmou que Ryuen realmente era o responsável por organizar aquela reunião. Assim, junto com Katsuragi, esperei que ele começasse a falar.

— Pra que essa pressa toda? Vai, relaxa um pouco — disse Ryuen.

— Não há como eu relaxar. Se alguém me vir junto de você, só isso já será suficiente para me causar problemas — respondeu Katsuragi.

Ele estava preocupado em ser visto pelas pessoas ao nosso redor, então não era estranho que estivesse pressionando Ryuen para ir direto ao assunto.

Mesmo sendo de manhã em um dia sem aulas, certamente havia mais do que alguns alunos observando os arredores. Se estudantes do nosso ano nos vissem juntos, dificilmente conseguiriam esconder a surpresa.

— O que a Classe A tá buscando na próxima prova especial? — perguntou Ryuen.

— O que estamos buscando? Certamente o mesmo que todos os outros — respondeu Katsuragi.

— Vocês vão tentar abocanhar todos os Pontos de Classe sozinhos? Ou tão planejando alguma outra coisa? Essa é a questão. Pelo que dá pra ver no OAA, vocês têm formado grupos principalmente com a Classe C. Mas parece que o Kitou continua sozinho. E Ichinose, Shibata e Sakayanagi juntos... não importa como eu olhe pra isso, tem cheiro de coisa estranha. Vocês tão trabalhando juntos? — perguntou Ryuen.

Eu também estava curioso quanto a isso. Além do grupo de três que Ryuen havia mencionado especificamente, Hashimoto e Kamuro, da Classe A, haviam formado um grupo com Ninomiya, um dos alunos mais talentosos da Classe C.

E, além disso, havia o fato de que a carta "One More" , que originalmente pertencia a Amikura, agora estava nas mãos de Hashimoto, da Classe A. Era difícil imaginar que tudo aquilo fosse mera coincidência.

— Você é livre para interpretar a situação da maneira que quiser, mas não posso confirmar nada — disse Katsuragi.

— Não tô interessado nesse papinho diplomático de vai e volta. Me dá umas respostas sinceras — disse Ryuen.

— Nesse caso, vou lhe dar uma resposta bastante simples de entender. Não tenho a menor intenção de lhe contar absolutamente nada — respondeu Katsuragi, de maneira clara e categórica.

Embora Katsuragi e Sakayanagi tivessem se colocado em lados opostos, ele demonstrou naturalmente que jamais compartilharia informações confidenciais de sua classe com Ryuen, um inimigo.

— Você só descobrirá como Sakayanagi pretende conduzir essa batalha no dia em que a prova começar. Ninguém saberá nada sobre a estratégia dela até que ela própria diga alguma coisa. Se realmente precisa saber, basta perguntar diretamente a ela — acrescentou.

— Ah, então você simplesmente não sabe porque ela não confia em você, é isso? — disse Ryuen.

— Pode ser — respondeu Katsuragi.

Como o próprio Ryuen havia dito, as informações não necessariamente chegavam até Katsuragi.

Ele havia mencionado antes que Katsuragi e Sakayanagi estavam em lados opostos, mas, na realidade, a situação era mais simples: Katsuragi era o único aluno da Classe A que não fazia parte da facção de Sakayanagi.

Esse fato era tão conhecido que eu sequer precisava me dar ao trabalho de perguntar para confirmar.

De qualquer forma, toda aquela conversa até então não passava do ato de abertura.

— Como os poderosos caem, hein, Katsuragi? Nesta mesma época no ano passado, você era um adversário digno de brincar comigo. Mas agora não passa de uma sombra do que já foi. Virou igual ao resto do lixo. Acho que esse é o fim da linha pra quem teve a própria facção derrotada, não é? — disse Ryuen.

— Se bem me lembro, você mesmo já levou uma surra do Ishizaki uma vez — rebateu Katsuragi.

— Qual é, você também não tá a fim de se arrastar de volta pro topo? Quero dizer, aquele cara que tava te segurando, o Totsuka, já se foi, não é? — provocou Ryuen.

De repente, Katsuragi bateu o punho direito com força sobre a mesa. Yahiko idolatrava Katsuragi. Quando Ryuen mencionou seu nome, Katsuragi, que até então havia permanecido calmo, deixou sua raiva transparecer.

— Se seu objetivo era me irritar, então conseguiu, Ryuen. Satisfeito? — perguntou Katsuragi.

— O quê? Ah, ainda não conseguiu se livrar desses sentimentinhos? Fico até aliviado — disse Ryuen.

Ele bateu palmas três vezes, oferecendo a Katsuragi uma salva de aplausos debochada. Então continuou:

— Não acha que seria uma reviravolta interessante se a gente conseguisse expulsar a Sakayanagi na próxima prova especial?

— O quê? — perguntou Katsuragi.

— Se ela for embora, a Classe A vai ficar sem líder, obviamente. Se isso acontecer, você pode assumir o comando — disse Ryuen.

— Não sei o que você está tramando, mas isso é impossível. Mesmo supondo que, de alguma forma, você consiga derrotá-la na ilha, ela possui Pontos Privados de sobra, o bastante para se salvar. Além disso, se a situação exigir, ela ainda poderá usar seu Ponto de Proteção — argumentou Katsuragi.

Fazer Sakayanagi ser expulsa seria uma tarefa extremamente árdua, considerando que ela dispunha tanto de recursos financeiros quanto de um Ponto de Proteção.

— É, é verdade que, se a gente quiser mesmo expulsá-la da escola, vai precisar acertá-la pelo menos duas vezes. Bom, de qualquer jeito, eu tava só brincando sobre essa história da prova da ilha. Foi uma piada. Sobreviver na ilha vai ser uma questão de abrir caminho até o topo com a própria força, não de derrubar os inimigos — disse Ryuen.

Eu percebia que, pouco a pouco, ele estava se aproximando do verdadeiro motivo pelo qual havia organizado aquela reunião.

— As recompensas do primeiro ao terceiro lugar me dariam pontos suficientes pra chegar a uma distância em que eu poderia ameaçar a Classe A, mas as regras são meio complicadas. Então pensei em fazer uma coisinha antes pra cuidar desse problema — disse Ryuen.

— E foi por isso que chamou Ayanokoji e eu até aqui? — perguntou Katsuragi.

— Acertou — respondeu Ryuen.

Fosse qual fosse aquela estratégia, Katsuragi não aceitaria participar dela tão facilmente. Embora eu tivesse certeza de que ele nutria fortes sentimentos em relação a Sakayanagi, tornar-se inimigo dela significaria, essencialmente, desafiar a própria Classe A, da qual ainda fazia parte.

Talvez a situação fosse diferente se isso tivesse acontecido no início, quando Katsuragi e Sakayanagi disputavam a supremacia dentro da classe. Porém, tomar uma atitude dessas a essa altura só acabaria prejudicando-o.

— Mesmo assim, tô bem curioso pra saber por que a Ichinose se juntou a ela. Será que a Sakayanagi conseguiu conquistá-la com aquele papinho suave? Ou será que se juntar a uma perdedora incompetente como a Ichinose foi a única coisa que ela conseguiu pensar? O que você acha? — perguntou Ryuen.

— Não tenho como saber, e isso não é da minha conta. Além disso, se Sakayanagi ouvisse o que você acabou de dizer, tenho certeza de que devolveria essas palavras diretamente para você. Afinal, não há exatamente muitas pessoas dispostas a trabalhar ao seu lado. Você é um aluno problemático — disse Katsuragi.

Sua resposta não demonstrava qualquer hostilidade contra Sakayanagi. Pelo contrário, ele falava quase como um aliado dela.

— Bom, nesse caso, eu diria que todo mundo aqui é um "aluno problemático" — respondeu Ryuen.

Naquele momento, nós três estávamos simplesmente agindo por conta própria. Nenhum de nós havia formado grupo com alguém.

Ainda assim, por que Ryuen estava deliberadamente tentando provocar Katsuragi?

Por mais que tentasse alimentar a hostilidade dele contra Sakayanagi, pela maneira como a conversa estava se desenrolando, era óbvio que Katsuragi não a trairia tão facilmente.

Ou talvez...

Será que Ryuen estava fazendo aquilo justamente para confirmar, de uma vez por todas, que Katsuragi não venderia Sakayanagi? Apenas para ter certeza?

— Tá bom, Katsuragi. Sabe, esse seu jeito inutilmente honesto e certinho... não é de todo ruim — disse Ryuen.

— Você não vai conseguir nada tentando me provocar, Ryuen — respondeu Katsuragi.

A essa altura, Ryuen finalmente devia ter decidido entrar no assunto principal, pois ajeitou a postura e recostou-se na cadeira.

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— Uma das coisas mais importantes nessa próxima prova especial é impedir que qualquer outra pessoa roube nossos Pontos de Classe. Não tô exatamente a fim de deixar os alunos do primeiro ou do terceiro ano encherem os bolsos com os nossos pontos. Isso seria uma merda. Então, pra garantir que isso não aconteça, acho que preciso ter pelo menos alguns aliados, certo? Um número mínimo deles. Porque ninguém teria força suficiente pra vencer tudo sozinho contando apenas com o que tem dentro da própria classe — disse Ryuen.

Ele havia entrado em contato conosco para fazer uma proposta justamente quando todos já estavam quase terminando de formar seus grupos.

— Se eu acabasse preso num grupo com uns fracotes da minha classe, digamos que eu preferiria lutar sozinho. Seria melhor assim. Mas se eu pudesse puxar alguns talentos de fora da minha classe... aí a história muda — disse Ryuen.

Ele abriu um sorriso inquietante e encarou Katsuragi.

— Não acredito no que estou ouvindo. Está realmente dizendo que quer que eu trabalhe com você? — perguntou Katsuragi.

— Não só você. Aquele cara ali que tá viajando enquanto escuta nossa conversa também. Ayanokoji — disse Ryuen.

Seu olhar então se voltou para mim.

— Eu também? — perguntei.

— Eu não ia te chamar até aqui sem motivo, ia? — retrucou Ryuen.

Eu havia considerado improvável que algo assim acontecesse. Sinceramente, jamais esperava que ele fosse me convidar para trabalhar com ele.

— Recuso. Mesmo que a Classe A também recebesse uma parte das recompensas, não tenho a menor intenção de trabalhar com alguém como você — disse Katsuragi.

— Nossa, que decisão apressada. Nem vai ouvir tudo o que tenho pra dizer? — perguntou Ryuen.

— Não há necessidade. Mas... por que chamou Ayanokoji? Gostaria de saber o motivo — respondeu Katsuragi.

— Como assim, por quê? — perguntou Ryuen.

— Foi surpreendente ele ter obtido uma pontuação perfeita na parte de matemática da prova especial que fizemos no fim de abril. É inegável que possui capacidades extraordinárias, e reconheço isso. Entretanto, pode realmente afirmar que ele é necessário para que você vença? — perguntou Katsuragi.

Embora Katsuragi tivesse recusado imediatamente a proposta de cooperação de Ryuen, parecia ainda nutrir algumas dúvidas sobre a estratégia dele. Ao que tudo indicava, não estava convencido de sua eficácia, considerando que Ryuen havia elaborado um plano levando minha participação em conta.

— O quê? Tá achando que eu bolei algum plano meia-boca ou coisa assim? — perguntou Ryuen.

— Sim, estou. Ao incluir Ayanokoji nisso, significa que as recompensas em Pontos de Classe serão divididas entre três classes. Se, de qualquer forma, pretende convidar alguém da Classe A — no caso, eu —, seria mais sensato incluir Kitou no grupo. Se for absolutamente necessário reunir pessoas de três classes diferentes, Kanzaki, da Classe C, ainda está sozinho. Eu diria que, no mínimo, ele deveria ter prioridade sobre Ayanokoji — disse Katsuragi.

Ele sugeria candidatos adequados para Ryuen considerar quase como se fosse seu conselheiro.

— Acho que quem não sabe das coisas não tem como entender mesmo. Era de se esperar. Mas tenho certeza de que fiz a escolha certa. Não é, Ayanokoji? — disse Ryuen.

— Não sei do que está falando.

Dei de ombros para demonstrar que também não entendia por que havia sido convidado, concordando com a dúvida de Katsuragi.

— Ah, qual é, cara. Você é péssimo atuando. Já chega disso. Afinal, foi você quem me derrubou e me fez calar a boca daquela vez — disse Ryuen, sem se importar nem um pouco com o quanto aquela revelação poderia me ser inconveniente.

Embora o que ele tivesse acabado de dizer pudesse ser interpretado como uma piada, Katsuragi não se contentaria com uma conclusão tão simples.

— Fez você se calar...? Isso é mesmo verdade? — perguntou.

Ele olhou primeiro para mim e depois voltou os olhos para Ryuen, tentando confirmar a verdade daquilo.

— É, cara. Levei uma surra feia pra caralho. Na época, até decidi largar a escola de vez por causa disso — disse Ryuen.

Depois de ouvir tudo aquilo, Katsuragi provavelmente começava a juntar as peças em sua cabeça, relacionando aquela revelação a outras coisas que já sabia. Se ligasse o que acabara de ouvir ao fato de Ryuen ter desaparecido de cena por algum tempo, não seria difícil imaginar que aquilo era verdade.

— Admita logo, Ayanokoji. Mesmo que continue tentando esconder isso do Katsuragi, eu vou continuar falando sobre o assunto de qualquer jeito — disse Ryuen.

Era quase como se ele estivesse tentando me ameaçar ao revelar todas aquelas informações desnecessárias naquele momento.

— Se eu admitir, acha que vou cooperar com você? — perguntei.

— Bom, acho que não seria tão fácil assim. Igual com o Katsuragi aqui — respondeu Ryuen.

Depois de ouvir Ryuen e eu trocarmos palavras, Katsuragi soltou um suspiro.

— Ainda não estou convencido pelo que acabou de dizer. Não consigo acreditar que Ayanokoji tenha derrotado você. Além disso, já falei que, se três classes trabalharem juntas, mesmo que conquistem o primeiro lugar, ainda assim cada uma receberá apenas cem Pontos de Classe. Você não conseguirá diminuir em nada a distância entre sua classe e seu alvo atual, a Classe A — disse Katsuragi.

Katsuragi tinha sérias dúvidas quanto à razão de existir daquele grupo em particular.

— Ah, é mesmo, cara. Eu tinha esquecido completamente disso. Você com certeza tem talento pra ser conselheiro — disse Ryuen com um sorriso, voltando o olhar para Katsuragi.

Mesmo naquela situação, Ryuen não diminuía o ritmo. Continuava se fazendo de idiota e levando tudo na brincadeira.

— Entendo... Eu estava me perguntando por que você faria uma proposta tão ineficiente, sugerindo que três classes se unissem, além de fazer uma afirmação tão absurda quanto dizer que foi derrotado por Ayanokoji. Mas parece que nunca teve a intenção de ter uma conversa séria desde o início — disse Katsuragi.

Ele se levantou, claramente disposto a ir embora depois de perceber que Ryuen havia passado toda aquela conversa apenas brincando com ele.

— Uma conversa séria, é? Qual é, você sabia desde o começo que seria assim. Mesmo assim veio. O quê? Pediram pra você me espionar em nome da Classe A ou alguma coisa do tipo? — perguntou Ryuen.

Katsuragi havia aceitado o convite de Ryuen, embora pudesse simplesmente tê-lo ignorado. Certamente havia algum motivo para ter vindo.

— Você é um homem morto procurando uma chance de voltar à vida. Não é? — disse Ryuen.

Totsuka Yahiko, alguém extremamente leal a Katsuragi, havia sido expulso por causa de Sakayanagi. Ryuen estava tentando confirmar se Katsuragi realmente a havia perdoado pelo que aconteceu.

— Esteja eu ou não procurando por isso, não tem absolutamente nada a ver com você — respondeu Katsuragi.

— De qualquer jeito, você veio até aqui. Então escuta tudo o que eu tenho pra dizer — disse Ryuen.

— Não importa o que diga, não vou trabalhar com você de maneira alguma. É verdade que minha relação com Sakayanagi é um tanto conflituosa, mas não desejo causar problemas aos meus colegas de classe. Jamais poderia fazer algo assim — disse Katsuragi.

Ryuen começou a aplaudi-lo novamente, divertido com o que acabara de ouvir. Dessa vez, porém, não parecia estar fazendo aquilo para zombar dele. Era mais como se estivesse esperando que Katsuragi dissesse exatamente algo daquele tipo.

— Não quer causar problemas pra sua classe, é? Esqueceu que, desde a prova da ilha do ano passado, vocês da Classe A vêm mandando diligentemente uma bela quantidade de pontos pra mim todo mês, como parte do nosso contrato? — disse Ryuen.

Katsuragi, ainda de pé, voltou o olhar para Ryuen.

— É um contrato justo. Recebemos duzentos pontos da sua classe. A Classe A está apenas pagando o que deve, nada além disso. Tudo o que fiz foi para ajudar a Classe A a estabelecer uma vantagem esmagadora. E, para esse objetivo, foi útil — disse Katsuragi.

— É, claro, isso é verdade. Se você olhar só pros números. Mas será que o pessoal da sua classe não sofre um baque psicológico todo santo mês? Tenho certeza de que ficam se perguntando: "Por que temos que dividir nossos Pontos Privados?" Não é? — disse Ryuen.

As pessoas são criaturas surpreendentemente gananciosas. Mesmo quando tudo acontecia exatamente de acordo com o que havíamos planejado, acabávamos começando a nos sentir insatisfeitos.

Mês após mês, Ryuen continuava sangrando a Classe A, arrancando deles uma quantidade de pontos equivalente a vinte mil ienes por pessoa. Embora agora houvesse uma pessoa a menos na Classe A, isso ainda representava, no total, o equivalente a setecentos e oitenta mil ienes para a classe inteira.

Isso significava que o equivalente a nove milhões e trezentos e sessenta mil ienes por ano ia diretamente para os bolsos de Ryuen. Se aquela quantia estivesse indo para alguém com quem a Classe A mantivesse uma relação amistosa, seria uma coisa. Mas eu imaginava que não devia ser nada agradável sustentar financeiramente um líder inimigo que se colocava diretamente contra a Classe A.

Além disso, quem havia assinado o contrato não fora Sakayanagi, a líder da classe, mas Katsuragi, que agora havia recuado para as sombras.

— Imagino que você deva estar se sentindo bem desconfortável. Com essa dívida pairando sobre a sua cabeça e sem poder se vingar — disse Ryuen.

— E... E daí?! — gritou Katsuragi em resposta, voltando a se enfurecer.

Ele lançou a Ryuen um olhar que parecia dizer que estava prestes a agarrá-lo pelo pescoço. Ryuen encarou Katsuragi nos olhos e, depois de parecer ter se convencido de alguma coisa, voltou a falar.

— Venha para a Classe B, Katsuragi.

Ryuen fez um convite bastante ousado. Katsuragi deve ter parado para pensar, pois ficou imóvel por um instante, quase como se tivesse se esquecido da raiva que sentia até então.

— Que palhaçada. Você realmente acha que eu iria para a Classe B? — disse Katsuragi.

— É claro que eu vou te dar os pontos necessários — respondeu Ryuen.

— Mesmo que você tenha a quantidade de pontos necessária para isso, por que diabos eu iria para a Classe B? Acha que eu abriria mão por vontade própria da minha posição na Classe A? — perguntou Katsuragi.

— Num futuro não muito distante, eu vou derrubar a Sakayanagi. Quando isso acontecer, a classe dela vai cair junto. Ou seja, pertencer à atual Classe A vai deixar de ter qualquer valor. Certo? — disse Ryuen.

Se Sakayanagi, a líder da classe, desaparecesse, certamente seria muito mais difícil para sua classe continuar lutando na linha de frente.

— Quantos pontos você tem agora? — perguntou Ryuen.

— Cerca de um milhão e oitocentos mil — respondeu Katsuragi.

— Caramba, até que você tem bastante ponto. Bom, mesmo morto e apodrecendo, acho que ainda é um aluno da Classe A, hein? — disse Ryuen.

Ainda assim, a quantia que Katsuragi tinha em mãos estava muito longe dos vinte milhões.

Mesmo somando os pontos que a escola depositava mensalmente em sua conta com aqueles que recebia da Classe A, o saldo de Ryuen só poderia aumentar em uma quantia relativamente pequena: apenas oitocentos mil por mês.

Se Katsuragi perguntasse a Ryuen se ele tinha, digamos, dez milhões de pontos disponíveis, aquela conversa certamente entraria em terreno delicado.

Sabendo que provavelmente seria rejeitado caso não apresentasse algo mais concreto, Ryuen tirou uma folha de papel e a colocou sobre a mesa.

— Lembra disso? É o contrato que você assinou no ano passado — disse Ryuen.

— Sim, lembro.

— Depois de negociar com a Sakayanagi, decidi te liberar desse contrato por cinco milhões — disse Ryuen.

Embora fosse uma quantidade considerável de pontos, se simplesmente calculássemos quanto ele receberia até a formatura caso o contrato permanecesse em vigor, o total chegaria a aproximadamente dez milhões de pontos.

Além disso, acabaria também o peso psicológico de ter que continuar entregando pontos a Ryuen.

Não importava por qual ângulo se analisasse: a proposta de Sakayanagi beneficiava Ryuen.

É claro que, ao perceber que Ryuen estava disposto a encerrar o contrato em troca de uma grande quantidade de Pontos Privados de uma só vez, Sakayanagi provavelmente conseguiria prever o que ele pretendia fazer com eles.

Considerando a natureza da próxima prova, aqueles pontos seriam essenciais para formar os melhores grupos ou adquirir as cartas mais poderosas. Mesmo assim, apesar de conhecer os riscos, podia-se dizer que Sakayanagi havia acabado de aceitar uma proposta que daria a Ryuen uma vantagem esmagadora.

Ainda assim, se eu estivesse no lugar dela, também teria aceitado a proposta de Ryuen.

— Você não contou a ela que usaria esses pontos para me tirar da Classe A? — perguntou Katsuragi.

— Você realmente acha que ela teria aceitado minha proposta se eu tivesse contado? — respondeu Ryuen.

— Bem, considerando que estamos falando de Sakayanagi, provavelmente teria aceitado, sim — disse Katsuragi.

Ele reconhecia que não havia motivo para Sakayanagi rejeitar uma proposta que só lhe traria benefícios.

— Você nunca mais vai ter uma oportunidade dessas batendo à sua porta, Katsuragi — disse Ryuen.

Foi assim que o contrato que prendia Katsuragi foi anulado, e o dinheiro obtido com isso, por sua vez, seria usado para comprar o próprio Katsuragi.

Em outras palavras, Ryuen estava disposto a pagar uma quantia enorme — vinte milhões de pontos — para adquirir a pessoa chamada Katsuragi Kouhei. Isso também significava que Katsuragi agora poderia confrontar Sakayanagi abertamente.

— Por quê...? Por que iria tão longe por alguém como eu? — perguntou Katsuragi.

— Kuku. Nossa, você tem uma opinião bem baixa de si mesmo, hein, Katsuragi? Bom, uma coisa é certa: você não sai barato — disse Ryuen.

No fim das contas, tudo o que Ryuen queria era derrotar a Classe A. Mesmo supondo que ele conseguisse vencer Sakayanagi e fazê-la ser expulsa, se Katsuragi permanecesse na Classe A, isso não seria um desfecho favorável para Ryuen.

Caso Katsuragi, alguém que priorizava fortemente a defesa, reassumisse o comando da classe, seria inevitável que a Classe A se transformasse em uma fortaleza quase impenetrável. No entanto, se Katsuragi fosse retirado de cena primeiro e Sakayanagi fosse derrotada depois, a Classe A entraria em colapso de uma só vez.

Provavelmente era por isso que Ryuen estava disposto a não poupar despesas para garantir que aquilo acontecesse. Ryuen também devia reconhecer plenamente o elevado nível de habilidade individual de Katsuragi. Sua capacidade geral era bastante alta no OAA e, caso ele se transferisse para a Classe B naquele momento, seria o melhor aluno da classe.

— Tem os cinco milhões pela anulação do contrato, mais os pontos que você já tem. O restante do que precisamos pra trazer você pra cá já foi arrecadado com o resto da classe. Eu praticamente forcei o nosso pessoal à pobreza pra conseguir trazer você pro nosso lado — disse Ryuen.

Se trinta e nove pessoas economizassem seus pontos, somente entre maio e julho conseguiriam acumular quase seis milhões e quinhentos mil Pontos Privados.

Depois disso, bastaria reunir o restante, o que representaria menos de duzentos mil pontos por pessoa. É claro que os recursos da Classe B seriam temporariamente esgotados, mas aquilo não era um preço alto a se pagar se conseguissem arrancar de outra classe um de seus alunos mais bem avaliados.

Ryuen tirou outra folha de papel: um contrato que havia preparado com antecedência.

No documento estavam detalhadas as condições de um acordo segundo o qual Ryuen forneceria a Katsuragi o dinheiro necessário para que ele se transferisse para a Classe B.

— Anda logo e assina. Existem várias condições pra usar os vinte milhões e fazer alguém mudar de classe, sabia? Ninguém pode simplesmente obrigar outra pessoa a se transferir. A própria pessoa precisa declarar que está mudando de classe por vontade própria e usando os próprios recursos — disse Ryuen.

O contrato tinha como objetivo impedir que Katsuragi simplesmente pegasse os pontos e fugisse depois de receber aquela enorme quantia, ou que os utilizasse para outra finalidade.

Bem, se Katsuragi realmente pegasse os pontos e gastasse aquela soma gigantesca com o que quisesse, eu tinha certeza de que a escola suspeitaria de fraude. Em outras palavras, a finalidade daquele contrato não era impedir que Katsuragi cometesse algum ato desonesto. Era um contrato criado para impedi-lo de mudar de ideia.

— Parece que você está falando sério — disse Katsuragi.

— Ei, boas notícias pra você, hein, Katsuragi? Foi justamente porque você continuou sozinho até hoje que eu resolvi te fazer esse convite — disse Ryuen.

Ryuen queria dizer que, se Katsuragi já tivesse formado grupo com alguém, eles não estariam tendo aquela conversa.

— Só aceita isso como o seu destino — disse Ryuen.

Depois de permanecer algum tempo em completo silêncio, Katsuragi voltou a se sentar, quase como se tivesse se resignado àquela reviravolta.

Ryuen havia conseguido, de maneira brilhante, trazer à tona o desejo de vingança que Katsuragi mantinha escondido no fundo de si e, com isso, conseguiu trazê-lo para o seu lado. Agora, Katsuragi estava sob a bandeira de Ryuen.

Uma coisa era certa: aquilo representava, sem dúvida alguma, um enorme ganho para a classe de Ryuen. A distância entre a classe dele e a Classe A definitivamente estava diminuindo. Katsuragi assinou lentamente o contrato.

— Não me incomoda que esteja me trazendo para a sua classe, mas o que exatamente você espera de mim? Não se importa que eu dê minha opinião sincera sobre as coisas, certo? — perguntou Katsuragi.

— Faz o que quiser. Acho que essas suas opiniões cabeça-dura podem acabar sendo úteis de vez em quando — disse Ryuen, depois de receber de volta o contrato assinado por Katsuragi.

E assim, um precedente foi estabelecido. Um indivíduo havia se transferido de uma classe para outra, algo que nunca havia acontecido naquela escola antes. E, além disso, essa pessoa não estava se transferindo para a Classe A, mas para a Classe B.

Podia-se dizer que o fato de essas duas circunstâncias terem coincidido naquele caso era resultado de uma combinação de fatores bastante específica. Ryuen possuía o tipo de poder que lhe permitia reunir a quantidade necessária de Pontos Privados simplesmente dando ordens aos colegas, já que exercia controle absoluto sobre eles.

Além disso, a pessoa que estava convidando, Katsuragi, encontrava-se isolada dentro da Classe A, estava insatisfeita com a atual líder e ainda nutria um desejo de vingança.

Se havia algum motivo de preocupação para eles, era o fato de que todos os alunos da Classe B precisariam lutar com tudo o que tinham na próxima prova da ilha. Apenas um número limitado de alunos da Classe B tinha condições de arcar com a penalidade.

— A propósito, Ayanokoji, o que você tá fazendo? — perguntou Ryuen, desconfiado, enquanto me observava despejar água no último quinto de café que ainda restava em minha xícara.

— Hã? — perguntei de volta. — Ah, bem... Eu só estava me perguntando qual seria o gosto do café se eu o diluísse com umas três ou quatro vezes essa quantidade de água.

Depois que respondi sinceramente à pergunta, Ryuen e Katsuragi pareceram ainda mais perplexos do que antes.

— Você é um sujeito estranho, Ayanokoji — disse Katsuragi.

Um comentário um tanto duro. Ele parecia até ligeiramente incomodado comigo.

— Então, o que pretende fazer com Ayanokoji? Afinal, você também o chamou para participar desta conversa. Se incluir um aluno da Classe D no grupo, isso significa que teremos de dividir a recompensa entre duas classes — disse Katsuragi.

— Ninguém falou nada sobre convidar ele pro grupo — respondeu Ryuen.

— Nesse caso, o que espera conseguir com ele? — perguntou Katsuragi.

— A carta "Trials and Tribulations" que ele conseguiu — disse Ryuen, mencionando o nome da carta que eu havia recebido. Então, voltou-se para mim. — Vende ela pra mim.

Eu vinha me perguntando para que exatamente ele precisava da minha ajuda. Então era disso que se tratava.

— Considerando que você acabou de gastar uma enorme quantidade de pontos para trazer Katsuragi para a sua classe, imagino que seus recursos estejam bem baixos agora. Consegue juntar pontos suficientes para pagar por ela? — perguntei.

— Consigo dar um jeito de juntar uns quinhentos mil. Deve ser o bastante, né? — respondeu Ryuen.

Aquilo certamente parecia ser minha única oportunidade de me livrar da carta "Trials and Tribulations". Não seria, nem de longe, a negociação mais lucrativa possível, mas, no mínimo, eu conseguiria garantir alguns pontos para Kei.

— Tenho uma condição. Faça o aluno da sua classe que possui a carta "Half Off" trocá-la pela carta "Free Ride" que está com um dos alunos da minha classe. Se aceitar essa condição, estou disposto a vender a carta para você — respondi.

Mesmo que Kei não conseguisse entrar em um grupo de seis pessoas na ilha e acabasse recebendo uma penalidade, ela ainda deveria conseguir se salvar e pagar o milhão de pontos caso usasse a carta "Half Off".

Garantir a segurança dela era um ponto crucial.

— Kuku, beleza, então tá decidido. A carta "Half Off" , é? Bom, isso é perfeito. Não é, Katsuragi? — disse Ryuen.

— De qualquer forma, não vou ficar com muitos pontos em mãos. Não há motivo para eu continuar com a carta "Half Off" — respondeu Katsuragi.

Pelo que parecia, Katsuragi havia recebido a carta " Half Off".

Se Ryuen conquistasse o primeiro lugar enquanto estivesse com a carta "Trials and Tribulations", poderia obter 450 Pontos de Classe de uma só vez.

A marca dos 1.000 Pontos de Classe já estava ao alcance da Classe B.

*

Era 16 de julho. O prazo que havíamos recebido para formar os grupos estava prestes a acabar. Naquela manhã, enquanto me preparava para o dia, recebi uma ligação. Era de Ishizaki.

— E aí, Ayanokoji. Bom dia, cara — disse Ishizaki.

— É bem raro você realmente me ligar — respondi.

— Então... sabe como o prazo pra formar os grupos tá quase acabando? Queria conversar um pouco com você sobre isso — disse Ishizaki.

— É sobre a Nishino? Parece que ela ainda não tinha formado dupla com ninguém até ontem — respondi.

Eu ainda não havia conferido o aplicativo OAA naquela manhã, então supus que era possível que a situação tivesse mudado.

— Ah, no fim a gente não conseguiu encontrar ninguém da nossa própria classe pra fazer dupla com ela. Então acabamos pedindo ajuda pra Ichinose. Agora a Tsube, da Classe C, tá fazendo dupla com a Nishino — disse Ishizaki.

Tsube Hitomi, da Classe 2-C, hein? Ela era uma aluna excepcionalmente competente, com avaliações B ou superiores tanto em capacidade acadêmica quanto física. Seria uma boa aquisição.

— Que bom saber disso — respondi.

— É, cara. Agora quase todo mundo já tá em algum grupo, com pelo menos duas pessoas, mas... — disse Ishizaki, deixando a frase no ar.

Ainda havia uma aluna da Classe B que não tinha entrado em nenhum grupo.

— Imagino que seja sobre a Ibuki — respondi.

— É. Ela ainda tá sozinha. Eu tava pensando... você conhece alguém que toparia fazer dupla com ela? — perguntou Ishizaki.

— Tentar enfrentar essa prova sozinho é arriscado. Entendo por que você sente que precisa fazer alguma coisa a respeito — falei.

Pelo tom de voz de Ishizaki ao telefone, dava para perceber que ele já havia tentado, sem sucesso, convencer Ibuki a formar dupla com alguém várias vezes.

— Espera um pouco. Talvez eu tenha uma ideia — acrescentei.

— Sério? De qualquer jeito, foi mal por te incomodar tão cedo, cara — disse Ishizaki.

Disse a Ishizaki que ligaria de volta mais tarde e encerrei a chamada. Então decidi entrar em contato com alguém que, na minha opinião, talvez aceitasse formar dupla com Ibuki.

Por sorte, essa pessoa ainda não havia saído do dormitório, então combinamos de nos encontrar no saguão.

Depois que desci de elevador e cheguei ao lobby, percebi que Horikita apareceu pouco depois, saindo do elevador seguinte. Horikita era uma das poucas alunas que ainda não havia demonstrado qualquer sinal de estar tentando se juntar a alguém.

Era justamente com ela que eu havia combinado de me encontrar.

— O que pretende fazer em relação ao seu grupo? — perguntei.

— Agora já é tarde demais para fazer qualquer coisa. Não vou fazer nada. Também não tenho intenção de tentar formar um grupo a esta altura. Considerando que o número máximo de integrantes de um grupo é seis, não é uma ideia ruim tentar agir sozinha — respondeu Horikita.

— Entendo que esteja fazendo isso para poder avaliar a situação conforme ela se desenvolve e se adaptar ao que surgir, mas, na improvável possibilidade de você adoecer ou se machucar, será desclassificada. E acabará expulsa, já que não conseguirá pagar a pesada multa da penalidade — falei.

Eu sabia que realmente não precisava chegar ao ponto de alertá-la sobre tudo aquilo, mas, ainda assim...

— Acho que é necessário estar preparada para assumir esse nível de risco. Não é pelo mesmo motivo que você também não formou grupo com ninguém até agora? — disse Horikita.

— Ainda assim, os riscos que eu estou assumindo são diferentes dos seus — respondi.

— Qual é a diferença? — perguntou ela.

— Você ficou doente durante a prova da ilha no ano passado — falei.

— Não acredito que esteja trazendo à tona algo que aconteceu há um ano. Todo mundo fica doente de vez em quando — argumentou Horikita.

— É verdade. Mas você também ficou de cama com febre por um tempo durante o inverno. Foram duas vezes em um ano — respondi.

— Certo, mas mesmo que, por acaso, você não tenha faltado nenhum dia no ano passado, como pode ter certeza de que não vai ficar doente? — rebateu ela.

— Quando se trata de cuidar de mim mesmo, tenho confiança de que consigo me administrar melhor do que você — respondi.

Diante do fato de que eu tinha presença perfeita, Horikita só pôde concordar.

— Está bem. Sim, é verdade que, quando se trata de cuidar de si mesmo, você é melhor do que eu. Eu admito. Mas, mesmo que esteja dizendo que isso é motivo de preocupação, eu——

Horikita me encarou e baixou o tom de voz, que havia ficado um pouco mais exaltado.

— Se você entende isso, então está tudo bem. Desde o começo, eu não pretendia me opor ao seu plano de qualquer forma — disse, interrompendo-a.

Era preciso garantir que ela cuidasse bem de si mesma. Desde que estivesse plenamente consciente disso, estava tudo bem.

— Mesmo assim, isso não muda o fato de que agir sozinha é perigoso — acrescentei.

— Eu sei — respondeu ela.

— Só restam três pessoas da nossa classe que ainda não entraram em nenhum grupo: você, eu e Koenji. Todo o resto está em grupos de pelo menos duas pessoas. Se possível, você deveria formar uma dupla para ter algum tipo de segurança — falei.

— Como você mesmo disse, além de mim, os únicos da nossa classe que restam são você e Koenji. Isso significa que não tenho como formar um grupo — argumentou ela.

— Só se estiver tentando formar dupla com alguém da nossa própria classe — respondi.

— Ainda há alguma garota que não tenha formado grupo? — perguntou.

— Tem uma que me vem à cabeça — respondi.

— E quem seria? — perguntou Horikita.

— Ibuki, da Classe 2-B. Você não tem acompanhado o OAA? — perguntei.

— Pensando bem, da última vez que verifiquei, acho que ela ainda estava sozinha — disse Horikita.

— Ishizaki me ligou. Ele parecia bastante preocupado com o fato de Ibuki ainda não ter formado dupla com ninguém. Que tal trabalhar com ela nesta prova especial, Horikita? — perguntei.

— Eu e Ibuki-san? — perguntou.

— Com um grupo formado por duas garotas, vocês ainda poderão se unir a outro grupo mais tarde. Que tal, pelo menos, ouvir o que Ibuki tem a dizer? — sugeri.

— Bem, é verdade que seria melhor ter algum tipo de garantia... Está bem. Então vamos ouvir o que ela tem a dizer — respondeu Horikita.

Talvez Horikita sentisse que não podia simplesmente descartar aquela proposta sem sequer considerá-la, mas, de qualquer forma, concordou em ao menos se encontrar com Ibuki.

Entrei em contato com Ishizaki e pedi que reservasse um tempo para nós durante o almoço daquele dia.

*

Durante o intervalo do almoço, levei Horikita até o local onde deveríamos nos encontrar com Ishizaki.

— Ei, Ayanokoji! Aqui! — gritou ele, praticamente pulando de um lado para o outro enquanto acenava ao me avistar de longe.

Ao lado dele estava Ibuki, de braços cruzados, encarando-nos com uma expressão extremamente descontente.

— Ela concordou com isso? — perguntou Horikita.

— Pela cara dela, não tenho tanta certeza — respondi.

Ibuki parecia estar de péssimo humor, mesmo que estivéssemos ali justamente para conversar sobre a possibilidade de conseguir um grupo para ela. Acho que era seguro presumir que Ishizaki a havia trazido até ali sem explicar direito o que estava acontecendo.

— Anda logo, cara! Vem pra cá! — gritou Ishizaki, pulando de empolgação.

— Você parece ser bem próximo dele — disse Horikita, demonstrando certo incômodo com a atitude de Ishizaki.

— Ele é um cara legal — respondi.

— Mesmo assim, eu não gostaria de me aproximar demais dele — disse Horikita.

Ishizaki se parecia com Sudou no sentido de ambos serem sujeitos esquentados e passionais, mas Ishizaki também tinha suas próprias particularidades.

— Que merda é essa? Por que Ayanokoji e Horikita estão aqui? — disparou Ibuki.

Então Ishizaki realmente não havia contado nada a ela. Horikita e eu trocamos olhares. Parecia que deixar Ishizaki conduzir aquela conversa poderia acabar causando problemas.

— Na verdade, há uma coisa que queríamos discutir, então pedimos a Ishizaki para entrar em contato com você, Ibuki — comecei a explicar, já que aparentemente não tínhamos muita escolha.

— E daí? — respondeu ela.

— Você pretende enfrentar a próxima prova especial sozinha? — perguntei.

— Isso é escolha minha — respondeu Ibuki friamente, como se quisesse dizer que não havia sequer motivo para discutir aquilo.

— Eu já te falei um monte de vezes que é melhor ter um grupo — disse Ishizaki.

— Eu não preciso de grupo — retrucou Ibuki.

— Bom, tá, você diz que não precisa de um grupo, mas a verdade é que não tem ninguém querendo fazer dupla com você — disse Ishizaki.

Ishizaki acrescentou um comentário completamente desnecessário. Ele estava tentando ajudar? Ou simplesmente atrapalhar tudo? Lancei-lhe um olhar, tentando dizer apenas com os olhos para que ficasse quieto.

— Hã? Que foi, Ayanokoji? — perguntou.

Mas… Aparentemente, Ishizaki não entendeu a mensagem, pois respondeu ao meu olhar fazendo uma pergunta.

— Nada. De qualquer forma, Horikita está numa situação parecida. Ela também ainda não encontrou um grupo, Ibuki — disse, voltando-me para ela.

— E daí? — bufou.

— Se você não formar um grupo para a próxima prova, ficará em uma desvantagem considerável. Mesmo que não formem um grupo de três, se pelo menos fizerem uma dupla, no pior dos casos, se uma de vocês for eliminada, a outra ainda poderá continuar — expliquei.

Aquilo deveria ser suficiente para fazê-la entender onde eu queria chegar.

— E também não resta muito tempo para formar grupos — acrescentei.

— E daí? Está dizendo que quer que eu faça dupla com a Horikita? — perguntou ela.

— Bom, resumindo, é isso — respondi.

— Hã?! Quem você pensa que é pra vir me pedir pra fazer dupla com ela?! — retrucou Ibuki.

— Bem, sua capacidade física certamente não é algo que se possa menosprezar... Mas, tirando isso, há uma lista enorme de problemas — disse Horikita.

— Ei! Quem você pensa que é pra achar que pode falar o que quiser de mim também?! — gritou Ibuki.

Ibuki avançou bruscamente em nossa direção, diminuindo a distância entre nós. Então se virou para encarar Ishizaki, que continuava atrás dela com uma expressão despreocupada e completamente alheia à tensão.

— E você! Queria que eu e a Horikita formássemos um grupo, então armou tudo isso? Foi pedir ajuda pra eles? — perguntou Ibuki.

— Bom, eu não sabia que ia ser com a Horikita nem nada assim, mas isso não é bom? Quero dizer, você conseguir um grupo — respondeu Ishizaki.

— Eu odeio aquele cara, mas odeio a Horikita ainda mais — resmungou Ibuki.

Imagino que "aquele cara" se referisse a mim. Ibuki, muito gentilmente, apontava o dedo diretamente para o meu rosto.

— Nossa, Ayanokoji-kun. Parece que ela odeia bastante você — disse Horikita.

— E eu nem sabia. Mas parece que ela odeia você ainda mais do que me odeia — respondi.

— Que honra — disse Horikita.

O fato de Horikita e eu estarmos cochichando um com o outro deve tê-la irritado, porque Ibuki nem tentou esconder o quanto estava furiosa.

— Não sei se foi a Horikita que pediu pra você fazer isso ou qual foi o motivo, mas eu nunca vou formar dupla com ela! — gritou Ibuki, rejeitando a ideia de imediato.

Parecia que ela realmente não gostava nem um pouco de Horikita.

— Ora, mas eu não me lembro de ter dito que queria formar dupla com você, disse? — respondeu Horikita, provocando-a ao perceber a reação de Ibuki.

— Hã? O que você quer dizer com isso? — perguntou Ibuki.

— Parece que você entendeu alguma coisa errada. Você está sozinha porque ninguém quer ficar com você. Você é o que sobrou. Eu estou sozinha porque quero lutar por conta própria. Nós duas estamos agindo sozinhas, mas nossas situações são diferentes — disse Horikita, soando um tanto exasperada.

No entanto, as palavras de Horikita pareceram apenas atiçar ainda mais Ibuki.

— Ei, eu estou sozinha porque quero! De qualquer forma, se você também diz que vai enfrentar essa prova sozinha, então perfeito. Vamos transformar isso numa disputa, Horikita! — gritou Ibuki, lançando-lhe um olhar afiado enquanto desviava sua atenção de mim para Horikita.

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— Posso fazer só uma pergunta? Por que você quer tanto competir comigo? Quer dizer, claro, tivemos nossos momentos de rivalidade na ilha no ano passado e durante o festival esportivo, mas não foi nada de mais — disse Horikita.

— Você é a única que pensa assim — respondeu Ibuki.

Até onde eu sabia, Ibuki havia saído vencedora da luta entre as duas na ilha, no ano anterior. Depois, Horikita venceu quando elas disputaram a corrida de 180 metros durante o festival esportivo.

Cada uma tinha uma vitória e uma derrota. No entanto, não dava para dizer que ambas estavam em sua melhor condição nas duas ocasiões. Durante a prova na ilha, Horikita foi obrigada a lutar mesmo estando com febre alta. Já no festival esportivo, Ibuki estava tão obcecada por Horikita que isso, sem dúvida, acabou fazendo com que ela cometesse erros durante a corrida.

Sendo assim, se me perguntassem qual das duas era melhor, naquele momento eu não saberia responder.

Ibuki, a quem eu havia derrotado junto com Ryuen no terraço no ano passado, chegou até mesmo a me desafiar pessoalmente depois, na tentativa de acertar as contas. Em resumo, ela tinha o tipo de personalidade que não ficaria satisfeita enquanto não tivesse absoluta certeza de quem era melhor: ela ou Horikita.

Levando tudo isso em consideração, imaginei que não havia a menor chance de ela formar uma dupla com Horikita.

— Parece que isso não passa de perda de tempo — disse Horikita.

— Espere aí. Vai aceitar meu desafio ou não? — perguntou Ibuki.

— Não é como se eu tivesse decidido começar sozinha porque quero, por puro egoísmo, bancar a heroína e fazer tudo por conta própria. Quando o exame especial começar, vou agir de acordo com o desenrolar da situação e me juntar a outro grupo. Foi isso que decidi fazer — explicou Horikita.

Se elas tivessem estabelecido que permaneceriam sozinhas durante todo o exame, aquela poderia ser uma boa oportunidade para decidirem quem era melhor. Mas, se Horikita se juntasse a outras pessoas mais tarde, a disputa deixaria de ser justa.

— Que sem graça! — gritou Ibuki.

— Achar algo sem graça ou não não vai determinar como vou agir em um exame especial — respondeu Horikita com naturalidade, deixando claro que as provocações de Ibuki eram inúteis. — Se você está tão determinada a seguir sozinha, que tal isto? Tente não perder para mim, mesmo que você e eu acabemos no mesmo grupo. Se conseguir me superar nessas condições, pelo menos vou reconhecer um pouco do seu mérito.

— Não é o bastante — retrucou Ibuki.

Não havia a menor possibilidade de aquelas duas formarem um grupo.

As negociações haviam fracassado. Ainda assim, eu tinha certeza de que Horikita provocá-la deliberadamente durante toda aquela conversa só serviria para aumentar ainda mais a determinação de Ibuki.

Pedi brevemente desculpas a Ishizaki e então decidi voltar para a sala de aula com Horikita.

— Você sabia desde o começo que não havia nenhuma chance de Ibuki aceitar aquela última proposta, não sabia? Você é boazinha demais — comentei.

— Minha intenção era provocá-la para que ela fizesse alguma imprudência e acabasse desclassificada — respondeu Horikita.

Não era uma resposta sincera. Ainda assim, pensei que soava exatamente como algo que ela diria.

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag

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