Prólogo: O Monólogo de Sudou Ken
Prólogo: O Monólogo de Sudou Ken
PARA SER totalmente honesto, eu não sou exatamente uma pessoa capaz. Eu sei disso sem precisar que ninguém me diga. Depois que minha mãe abandonou a gente para entrar no ramo de casas noturnas, decidi que queria ficar mais forte. Lembro que as costas do meu velho estavam sempre curvadas. Me embrulhava o estômago ver ele passar os dias trabalhando como zelador. Sendo o idiota que sou, resolvi largar os estudos e entrar para os esportes.
No começo, eu gostava de esportes que dava pra jogar sozinho, como tênis e pingue-pongue, mas não continuei com nenhum deles. Eu era muito bom, mas sabia que nunca chegaria a ser um atleta de primeira linha. Então tentei o basquete.
Eu não era lá muito de trabalhar em equipe nem nada, mas, de algum jeito, acabei me envolvendo de verdade com o basquete. E fui melhorando cada vez mais. Cheguei a receber recomendação para entrar em um colégio com um dos melhores times de basquete do país. Mas me envolvi em encrenca — teve violência no meio — e minha recomendação foi retirada. Foi aí que eu realmente entendi a verdade dolorosa: eu era lixo, nascido de lixo.
Por isso escolhi esta escola. Uma escola dos sonhos, que não custava nada e ainda podia garantir o meu futuro.
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