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Capítulo 138 – De Volta à Tribo

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Capítulo 138 – De Volta à Tribo

Por um trecho da floresta, com árvores de troncos bem espaçados entre si, Brok vaga, acompanhado do sol da manhã, trazendo consigo seu machado de metal na mão direita.

A cada poucos passos, sua armadura de metal tilinta sutilmente, misturando-se, quase naturalmente, ao canto dos pássaros nos arredores.

O orc, com o olhar baixo e desfocado, respira ruidosamente enquanto divaga, perdido nos próprios pensamentos. Mais de uma dezena de metros atrás, um corvo cinzento o acompanha, voando silenciosamente de um galho para outro, atento.

A travessia de Brok pela mata segue constante, até que ele para diante de uma árvore. Marcado no tronco, bem na altura dos olhos, está o símbolo branco de sua tribo, os Crek’Thra.

Estou perto… , pensa ele.

Por longos segundos, o orc encara fixamente aquela marcação. Pensativo e hesitante, apertando o cabo do machado como se estivesse prestes a enfrentar alguém.

Parece que faz tanto tempo. Como será que… eles estão? , ele se pergunta.

Por fim, Brok suspira. Seus músculos relaxam e a tensão que ele mantém no cabo da arma se desmancha. As coisas… vão ser diferentes agora. Melhores , ele conclui, calmo.

O orc volta a caminhar, seguindo em frente e deixando para trás tanto a árvore marcada quanto sua hesitação.

Minutos depois, a mata se abre diante de Brok. Entre as árvores, surge uma alta barreira de troncos fincados lado a lado, formando um muro rudimentar que circunda uma área protegida.

No alto da estrutura de madeira, protegido até a altura da cintura, está Mindinho, um orc de olhar atento, vestindo um corselete de couro marrom, o rosto marcado por antigas cicatrizes.

Ao avistar Brok aproximando-se, ele franze o rosto. Um orc… de armadura? , ele se pergunta, desconfiado.

Mas, antes de tomar alguma ação, Mindinho reconhece o rosto, a bolsa e o machado que o recém-chegado traz consigo.

O orc fica pasmo e boquiaberto. É… Brok? , ele se questiona, surpreso.

Midinho olha para baixo e grita. “Abram o portão!” Descendo da barreira logo em seguida.

Brok segue em seu caminho tranquilo.

Momentos depois, a porta da construção começa a ranger, sendo empurrada pelo próprio Mindinho junto de outros dois orcs, que também usam trajes de couro, das mesmas cores que o seu.

Atrás deles, revela-se o assentamento da tribo, circundado pelo muro de madeira e uma enorme árvore ao centro.

Aos poucos, vários orcs deixam o interior e vêm para o lado de fora, amontoando-se na entrada.

“É o chefe mesmo!”, confirma um deles.

“Ele voltou inteiro”, murmura alguém, com alegria.

“E com uma armadura brilhante”, ressalta outro.

O grupo esverdeado mistura feições de espanto e felicidade.

Mindinho toma a frente, as mãos tremendo, quase sem acreditar no que os olhos enxergam, emocionado.

“Achamos que… eu achei que… você tinha…”, diz ele, vacilando.

Num gesto súbito e solene, Mindinho curva o joelho, prostrando-se diante de Brok com a cabeça baixa, como se esse fosse o curso certo a se tomar, antes de qualquer coisa.

Numa onda contagiante, todos atrás dele tomam a mesma atitude. A algazarra dos orcs naturalmente se corta e o silêncio toma conta.

Brok dá um passo à frente e coloca a mão sobre o ombro de Mindinho. “Eu disse que… não precisava se preocupar comigo”, reconforta ele.

O orc com cicatrizes ergue o rosto, levemente atônito com o que aquelas palavras significam. “Então… o duelo?”, ele questiona, buscando confirmação de uma possibilidade remota que cada vez mais torna-se real.

Toda a tribo, ainda prostrada, joga a atenção ao chefe. Brok vê uma multidão de olhares ansiosos e confusos o cercando.

Sem mais nenhuma hesitação, ele encara cada um deles, certo do que precisa ser dito. “O duelo… aconteceu”, confirma ele.

Brok ergue o machado acima da cabeça. “Eu ganhei”, anuncia ele, em alto e bom tom. “Estoratora morreu. No final… meu golpe foi mais pesado.”

Os orcs trocam olhares com sorrisos crescentes nos rostos. De súbito, os mais jovens se levantam e rugem em saudação, enquanto os mais velhos olham para Brok, acenando as cabeças, congratulando-o em extrema aprovação.

Mindinho se ergue, rindo eufórico, e coloca a mão sobre o ombro amigo. “Isso é incrível!”, cumprimenta ele.

Em meio à comemoração, Mãe Verde, uma orc anciã com cabelos negros como a noite, toma a frente. “E o dragão?”, ela pergunta, com sua voz antiga e esganiçada.

De um segundo para o outro, a euforia gela e a comemoração para, com toda a tribo voltando à realidade, se lembrando da grande criatura que os assola.

Na mesma hora, Mindinho fica cabisbaixo. “É verdade. Eu quase me esqueci”, diz ele. “Achamos que jamais fôssemos te ver novamente.”

O próprio Brok sai da postura confiante e encara Mãe Verde com seriedade.

Eu sabia que… não ia demorar para perguntarem , pensa ele.

A mudança de semblante dá à tribo a certeza de que esse é um assunto relevante. A maior parte dos orcs começa a jogar seus olhares desorientados ao líder, aguardando a resposta.

“Quando… eu saí da tribo de Estoratora, fui até Cahjia…”, começa o líder, desencadeando expressões arregaladas pelo acampamento. “A cidade está em ruínas… quase tudo destruído. No meio dela… eu vi o dragão… morto.”

Diversas emoções afloram no grupo. Saber da morte da criatura que vinha os ameaçando gera meio-sorrisos, olhares franzidos, alívio, dúvida, surpresa e murmúrios.

Mãe Verde suspira audivelmente, cortando de uma vez as conversas paralelas. “Então é por isso que você conseguiu voltar vivo após matar o guerreiro dele”, ela pontua, pensativa. “Não havia mestre para cobrar.”

“Sim”, confirma Brok. “Aconteceu enquanto… eu estava na tribo de Estoratora.”

De repente, a voz de um dos guerreiros se levanta. “Chefe, mas quem o matou?!”, questiona ele, com uma aflição visível.

Outros, também preocupados, seguem questionando da mesma forma.

“Você viu quem foi?”

“Foram os elfos?!”

“Os espíritos?!”

“Humanos?!”

Toda a atenção converge para Brok, que não precisa conferir os rostos para saber que todos carregam a mesma dúvida. O silêncio inquietante dos orcs retorna.

Brok passa o olhar por cada orc de pé. “Não foram os elfos… nem os espíritos… nem humanos”, esclarece ele, respirando ruidosamente antes de continuar. “Foi… foi uma força maior.”