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Capítulo 142 – Uma aproximação inesperada

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Capítulo 142 – Uma aproximação inesperada

Durante todo o terceiro dia da incursão, o grupo dos orcs segue cruzando a floresta. O avanço constante como uma força irrefreável os deixa cada vez mais próximos de seu destino no centro da floresta.

Na região onde os orcs se encontram, as árvores são mais altas e com copas mais largas, que bloqueiam mais a luz do sol. Nesse ambiente com maior escuridão, pegadas e rastros das garras-brancas vêm surgindo pelo caminho.

Apesar dos indícios do perigo, os orcs seguem em frente com um passo mais calmo. Diferente dos outros dias, Brok não fica mais à frente, abrindo caminho na vegetação rasteira. O líder orc caminha pelo meio do grupo, com um olhar atento, com o machado em mãos, como um segurança em uma ronda.

Tudo segue calmo, sem encontros com nenhum dos perigos da floresta, até que, durante a tarde, um crocitar agudo e estridente vindo da mata deixa todos em alerta.

Os orcs que portam armas erguem-nas na mesma hora. Os que não possuem e carregam as bagagens da viagem soltam tudo no chão. Os mais fortes fecham os punhos e se posicionam na frente dos mais fracos, que se juntam no centro.

Todos em silêncio, aguçando os sentidos a tudo nos arredores.

Em seguida, um segundo piado ecoa, dessa vez, entretanto, ressoa mais abafado e fraco.

Brok, de feição fechada, encara a direção de onde o ruído vem. “Folha Seca, Mindinho”, diz ele, rápido e firme.

Mindinho, portando uma faca, vem do fundo e vai ao seu lado.

Da linha de frente, um outro guerreiro deixa sua posição. Um orc grande, que usa um tacape, também chega junto ao líder.

“Escutaram ou… viram mais alguma coisa?”, Brok pergunta.

“Nada”, diz Folha Seca.

“Também não vi nada”, responde Mindinho.

Brok respira pesado, ponderando por alguns instantes. “Estão atacando… outra coisa”, conclui ele.

“Posso ir na frente olhar?”, oferece Folha Seca.

“É perigoso…”, Brok alerta. “É melhor… eu ir com você.”

“E eu junto”, completa Mindinho.

Brok acena, concordando. Ele ergue o machado e olha para trás.

Todos os orcs que podem vê-lo focam toda a sua atenção nele.

“O resto… fique aqui!”, comanda o líder. “O Rugoso dá as ordens.”

Um outro orc toma a frente. Ele possui braços fortes que seguram um pedaço de madeira longo e uma feição séria, enrugada e tensa, como a de alguém com raiva.

“Certo, chefe”, diz ele, com uma voz áspera e em prontidão.

E logo após isso, Brok, Mindinho e Folha Seca avançam na direção de onde veio o grito.

Eles vão com calma e controlados. Avançando abaixados, um de cada vez, de árvore em árvore.

Quando percorrem algumas dezenas de metros, começam a ouvir o som de alguma movimentação pesada na vegetação adiante.

No meio do som de folhas se mexendo, bufadas de ar pesadas eventualmente ecoam.

“Tem o som de orcs ali”, conclui Mindinho.

Os três guerreiros se juntam atrás de um arbusto e param o avanço momentaneamente.

Folha Seca chega com o cenho franzido. “Será que um dos nossos se desgarrou?”, pergunta ele.

“Impossível!”, Mindinho responde, na mesma hora. “Eu conferi todo mundo antes do Brok nos chamar. Eu saberia se faltasse alguém.”

Enquanto os dois falam, Brok permanece quieto, analisando a situação. Se não é dos nossos… então… , pensa ele.

Uma conclusão chega à sua mente, como uma luz iluminando a escuridão. O orc volta o olhar para frente, respirando de maneira audível.

“Acho que… sei quem são”, diz ele, baixo, quase como um murmúrio.

Mindinho e Folha Seca voltam a prestar atenção no chefe. Mas, antes de qualquer outra conversa se desenrolar, Brok se levanta e corre na direção do barulho.

“O que?”, Mindinho pergunta, surpreso.

“Chefe!”, exclama Folha Seca.

“Cuidem da retaguarda!”, comanda o chefe, sem olhar para trás.

Brok cruza vários arbustos e moitas veloz como uma carroça sem freios.

Mais adiante, ao atravessar um grande emaranhado de folhas, ele encontra a fonte dos ruídos.

Em meio à vegetação, quatro orcs que usam armaduras de couro pintadas de verde enfrentam duas garras-brancas.

Dois dos orcs estão sentados no chão, balançando as cabeças, atordoados e com partes de suas proteções rasgadas.

Os outros dois enfrentam uma ave cada um. Eles usam lanças para atacar as criaturas ferozes, tentando manter a distância.

Eu sabia… são da tribo de Estoratora , constata Brok, ao ver a cor da tribo estampada no couro.

Os orcs de pé, a primeiro momento, se assustam ao verem e perceberem quem é o grande guerreiro que acaba de chegar. O olhar dos dois se fecha e, instintivamente, começam a rosnar baixo contra ele.

Ele aqui? Logo agora? , pensa um deles, preocupado.

Contrariando as expectativas dos orcs de armadura verde, Brok vai sem rodeios contra a garra-branca mais próxima.

Ele ergue o machado e o desce nas costas da grande ave. A impiedosa lâmina desce pesada, cortando a carne e fazendo o sangue jorrar. O golpe descendente faz a criatura cair imediatamente, piando de dor, mas ainda viva.

O orc mais próximo arregala os olhos, sem reação.

“Mate logo! Ela ainda pode gritar!”, Brok avisa.

Apesar da hesitação inicial, o guerreiro de Estoratora volta a si e perfura a cabeça com sua lança, finalizando o animal no mesmo instante.

A segunda garra-branca percebe o ataque à sua companheira e foca totalmente nos orcs que a mataram.

O guerreiro próximo a ela ainda tenta espetá-la, mas é em vão. Ela recua a tempo e parte para atacar seus novos alvos.

Entretanto, antes de alcançá-los, na metade do caminho, Mindinho e Folha Seca subitamente surgem do emaranhado de moitas verdes em uma emboscada, já saltando em cima da ave.

O peso dos dois orcs parrudos é demais para a ave suportar e ela é derrubada. Uma sequência intensa de facadas no pescoço e pauladas na cabeça se inicia.

Momentos depois, Mindinho e Folha Seca já estão tingidos de manchas vermelhas e uma nova poça de sangue se esparrama no chão.

A floresta volta a ficar quieta, com apenas a respiração ofegante e ruidosa dos orcs se destacando.

O guerreiro com armadura verde próximo a Brok olha para trás, conferindo os resultados da batalha. Sua expressão tensa relaxa ao ver todos os seus três companheiros vivos e de alguma forma inteiros.

Um segundo depois, a voz grave do orc ao seu lado lhe chama.

“Vocês… estão bem?”, Brok pergunta.

O guerreiro de verde se volta para o grande orc, com as sobrancelhas curvadas, em um semblante confuso.

Por que ele nos ajudou? , ele se questiona, encarando Brok.