Capítulo 155 – Autoridade e Posse
Capítulo 155 – Autoridade e Posse
Rubi lê e relê o papel várias vezes, buscando entender cada vez mais as nuances de cada frase. Entretida, o rabo dela se move de um lado para o outro, como um metrônomo.
É incrível mesmo! Deu certo , pensa ela, empolgada. Mas como eu ia saber dessas coisas? Nem o Byron tinha ideia. Ainda mais que tem palavras de ativação. E bem… exóticas, por sinal. Em que contexto eu ia falar uma delas?
Diaba leva uma mão até a nuca, tocando a marca da ambição em sua pele. Aqui não cita nada disso, muito menos das asas , constata ela. São realmente habilidades à parte. O poder por ser lorde demônio.
A succubus caminha pensativa até a escadaria e se senta em um degrau. Por um bom tempo, ela se aprofunda em seus pensamentos, analisando o que acaba de ler. O movimento de sua cauda se torna inconstante, com balançadas súbitas que lembram chicotadas seguidas por longas pausas.
Autoridade de arquidiabo… ele estende um pouco mais as capacidades de conceder poderes que os diabos já têm. É bem interessante , divaga ela. E tem tudo aquilo que o Byron disse sobre gerenciar a nossa hierarquia. No final, essa parece a parte mais importante para os diabos de agora.
Rubi olha para uma das janelas no alto da sala, vendo o céu noturno e parte da lua no canto.
A bênção que o texto fala com certeza é a mesma que eu dei para o Brok, a Benção de Mael, só que burlando a parte em que eu preciso consumir uma alma para concedê-la. Parece até o poder de dar títulos, conclui a diaba. Esse é bem legal. E acho que deve ser um poder que as outras coroas também devem ter.
Enquanto reflete em solitude e silêncio, Rubi relaxa sua postura e cruza os braços e as pernas.
Parece simples, mas no fundo tem toda uma logística complexa nisso aqui. Ter que ficar decidindo entre gerenciar demônios e manter pactos com os outros. Só de pensar em quantas pessoas isso pode envolver, já me vejo com um nó na cabeça , constata ela, com um sorrisinho afiado de canto. Deve estar sendo um saco para os outros lordes. Ainda bem que eu não tenho que lidar com isso. É um lado bom de ser uma diaba de fama ruim. Quem perde são os outros. Vai sobrar mais pra mim.
Rubi levanta e leva a mão à cintura. Falando em coisas que os outros vão perder , reflete ela. Diferente do outro, a marca da posse eu já consigo testar agora.
Com um puxão firme, a diaba saca sua rapieira da bainha. Essa marca parece um poder bem mais ativo. Eu já vi habilidades de ladinagem e furto antes, mas nada que misturasse tantas coisas relevantes e punitivas , analisa ela. Ao que percebi, as únicas limitações são peso, quantidade e recarga, de resto, ele não indica nada, nem duração. E, mesmo que eu não queira usá-la, ainda posso consumir as cargas pra ganhar mana e aumentar minha magia. Chega a ser ridículo de tão versátil.
Antes de prosseguir, ela olha para sua mão direita, que não segura nada, e reflete mais um pouco. Bem, ao que parece, eu só tenho uma chance de testar por enquanto. É bom ir com calma.
Rubi respira fundo. “Mea!”, diz ela.
Em sua mão livre, uma orbe do tamanho de uma maçã surge flutuando bem acima da palma. Ela é rosa e translúcida, exatamente da mesma cor de auréola brilhante em sua nuca.
No mesmo instante em que aparece, a pétala carregada da aréola fica opaca como as demais.
O olhar da diaba se arregala e ela fica boquiaberta, encarando a esfera de luz com as pupilas brilhando.
Porra! Deu certo! Isso é legal demais! Parece até que vou lançar um ataque de energia , ela pensa, com a cauda atrás abanando de um lado para o outro. Vamos ver como essa belezinha funciona.
Rubi testa, movendo a mão, e a esfera a acompanha. Ela se concentra e, com simples pensamentos, a orbe sobe e desce acima da palma.
É como imaginei. É bem intuitivo. Para disparar, eu só tenho que focar nisso, ela conclui.
Em seguida, Rubi faz a ponta da rapieira tocar a orbe. Instantaneamente a energia rosada se move para a arma, como se fosse atraída, e começa a se espalhar, indo da ponta afiada para o cabo que é segurado pela diaba.
A rapieira brilha em rosa e depois se apaga, mas agora mantém um lustro natural inteiramente novo, como se fosse uma arma que recém saiu da loja.
A diaba ergue a arma para cima e a examina contra a luz.
É. Funciona como no papel. Agora ela é uma arma mágica , Rubi constata. E teoricamente outros não podem usar, é como um item Soul Linked, igual meu arco.
Ela toca a lâmina e dá petelecos em várias partes. Depois, firma o cabo na mão e começa a ensaiar cortes e estocadas no ar.
A cada movimento, partículas luminosas, de cor rosa, ficam para trás em um rastro fino e breve.
A diaba conclui o teste com um sorriso satisfeito no rosto. Essa, sim, é uma senhora habilidade , pensa ela, impressionada. Além disso, diferente do outro, acho que posso dizer que esse poder é exclusivamente meu. É difícil imaginar o dono da coroa do orgulho tomando coisas por aí . Esse tem bem mais a cara de um poder da ganância.
Rubi abaixa a arma e volta até o centro da sala. Ela pega o papel traduzido e o lê mais uma vez.
Seria bom saber os números disso aqui, mas as instruções não transcreveram nenhum valor , ela pensa. Acho que seria demais pedir um pergaminho que vinhesse com todas as estatísticas.
Rubi suspira de leve. Ainda tenho muito para testar. Se eu tivesse mais cargas disponíveis poderia testar essa regeneração de mana e o aumento das minhas capacidades mágicas. Deve ser melhor que uma poção , ela pensa.
A diaba olha para a escada que leva ao andar de baixo.
“Hum…”, murmura ela, enquanto pondera sobre algo.
Só tem a Yrah por aqui agora. Será que ela me ajudaria a testar a parte do toque? , Rubi se questiona, com a cauda balançando devagar. Pensando bem… é melhor esperar o Byron ou o Brok. Não faço a menor ideia do que a corrosão sombria faz, mas não parece algo leviano. E também, a Yrah é muito pequena e tem a consistência de uma bola de algodão. Posso acabar matando ela à toa.
Rubi ergue a espada, posicionando-a bem diante do rosto.
Como um espelho, a lâmina metálica reflete a luz rosa da aréola atrás da cabeça da diaba.
Esses dias de descanso foram bons, mas fiquei enfurnada aqui tempo demais. É uma boa hora de voltar para a ativa. Quero completar todas as partes da coroa. É um poder muito interessante para ser só potencial jogado fora, pensa ela, determinada. Agora sinto que posso até s er uma lorde de demônio melhor. E logo pela manhã já vou começar a trabalhar nisso.