Capítulo 156 – O primeiro uso da minha autoridade
Capítulo 156 – O primeiro uso da minha autoridade
Pelo céu noturno, Byron voa em sua grande forma demoníaca. As fissuras incandescentes em sua pele estão completamente apagadas, deixando seu corpo com um aspecto ainda mais sombrio e permitindo que ele se mescle à noite como uma nuvem obscura.
Na mão esquerda, ele carrega uma larga espada prateada, sem nenhuma mancha ou arranhão na lâmina.
Abaixo dele, a floresta, que logo é substituída pela cidade de pedra dos orcs.
O demônio oculto ruma diretamente para a torre no centro, indiferente aos arredores.
Em pouco tempo ele aterrissa, se envolve em chamas, retorna à sua forma humanoide e vai até a escadaria.
Após descer alguns degraus, Byron vê Rubi no chão do andar, sentada sobre uma caixa de madeira, segurando um papel enrolado. Ela já o olha, com os lábios curvados em um sorriso firme e confiante.
“Boa noite”, diz a diaba.
“Meus cumprimentos à senhorita”, responde Byron, descendo pela escadaria.
“Como foi a patrulha?”
“Melhor do que planejei, porém, mais demorada do que eu gostaria”, admite o demônio.
É. Essa saída dele durou bem mais que o normal. Foram 6 dias? , ela pensa.
“Encontrei outro grupo desgarrado daquelas aves e a senhorita sabe como elas são”, conta Byron, chegando ao chão do andar. “Não pude deixar aquela região até me certificar de que tinha me livrado de todas elas.”
“É. Parece que você teve uma aventura fascinante. Mas, em contrapartida, perdeu algumas coisas também”, comenta a diaba, deixando ao final escapar risinho fino.
As sobrancelhas de Byron se curvam diante daquelas palavras. “Poderia me atualizar?”, pede ele.
“Galen conseguiu mais das coisas que pedimos”, diz Rubi. “Não tudo, mas algumas armas para o Brok, poções e até… aquele pedido especial que eu fiz.”
A testa do demônio, usualmente firme, fica enrugada em uma expressão de surpresa. “Refere-se ao feitiço de análise?”, pergunta ele.
Rubi ergue o braço e arremessa o papel que segura em direção a Byron.
O demônio o agarra no ar sem dificuldades e a encara, levemente intrigado.
“Eu já até o usei”, diz a diaba. “O resultado está escrito aí. Queria que você o lesse.”
Byron olha para o papel, depois volta a atenção à Rubi. “Tem certeza? Me daria essa honra?”, questiona ele, com a voz séria e hesitando.
“Vai fundo.”
O demônio deixa a espada de lado e desenrola o papel.
Por algum tempo, ele se foca totalmente na leitura.
Os olhos se movem da esquerda para a direita repetidamente. Sua boca fica em silêncio, mas sua feição se franze e se enruga em surpresa a cada parágrafo.
Quando termina, Byron enrola o papel com cuidado e olha Rubi, pasmo. “Tudo isso… é verdade?”
“Eu testei algumas coisas e tudo aconteceu exatamente como estava escrito aí”, responde a diaba.
“Meu Mael”, comenta ele.
“Eu falei que ainda poderiam haver bem mais poderes ocultos”, relembra a succubus, dando de ombros com uma expressão confiante.
“De fato, a senhorita estava mais do que correta.”
“Aliás…”, começa ela, sacando a rapieira da bainha na cintura. “Foi nessa arma que eu coloquei a Marca da Posse. Comecei a fazer alguns testes nela. Pelo pergaminho, ela agora tem um efeito chamado Corrosão Sombria. Por acaso você sabe o que seria isso? Eu mesma nunca ouvi falar.”
Byron observa meticulosamente a lâmina. “O lustro dela realmente se assemelha ao da minha espada”, comenta ele. “Quanto a esse efeito, eu o reconheço.”
A cauda da diaba estala no ar como um chicote. “E o que ele faz?”, pergunta ela.
“É simples, no entanto, bem interessante, se me permite acrescentar. Quando algo vivo está sob esse efeito, a carne começa a se decompor lentamente. Dizem que começa como um pequeno formigamento, mas que, se durar por tempo o bastante, faz partes começarem a cair”, explica o demônio, num tom casual.
A diaba volta a olhar para a arma em sua mão, momentaneamente introspectiva. É… Eu teria matado a Yrah. E seria algo bem feio de se ver , consta ela. Ainda assim…
Rubi ergue a rapieira um pouco e sorri com satisfação. “Parece um efeito bem interessante para se proteger uma posse”, diz ela.
“É algo que costuma aparecer quando se envolve com coisas antigas e amaldiçoadas”, acrescenta Byron. “Definitivamente uma habilidade poderosa.”
A succubus embainha sua arma. “O poder da autoridade não fica muito atrás”, pontua ela. “Usando ele, daria para fazer um exército inteiro.”
“Eu não ousaria discordar”, responde o demônio. “Em circunstâncias normais, eu sozinho já conseguiria sustentar a Bênção de Mael em uma célula de até 40 cultistas antes de enfraquecer. Considerando o aumento nas reservas que a autoridade lhe proporciona, não consigo sequer imaginar quantas a senhorita conseguiria sustentar sozinha.”
E ainda amplia minhas capacidades de promover outros diabos , ela pensa.
“E agora que está de posse dessas informações, o que a senhorita planeja fazer?”, Byron pergunta.
Rubi olha para o alto, focando em uma janela. Momentaneamente Rubi fica distante. Suas pupilas miram longe, não nas estrelas do céu, mas em um objetivo claro que só ela vê.
“Eu estou pensando em sair daqui por alguns dias. E quero que alguém tome conta daqui por mim”, responde ela.
Os olhos de Byron se arregalam. “Que inusitado”, comenta ele, pego de surpresa. “Para onde vai?”
“Quero ir caçar e testar minhas habilidades. Mas, principalmente, quero ir drenar a força vital que preciso para completar todas as partes da coroa, mas não posso fazer isso aqui por perto”, responde ela. “Também não me sinto bem deixando essa cidade inteira só na mão do Brok e da tribo dele, por isso quero que você fique.”
Não posso arriscar perder esse lugar depois de tudo o que fizemos. Além disso, tudo o que eu tenho no mundo está aqui , ela pensa.
Byron acena com a cabeça. “Eu entendo”, diz ele. Depois, leva a mão ao peito, rígido como um soldado em continência. “Junto de Brok, defenderei esse lugar com a minha vida.”
Não precisa ser tão intenso. Se você morrer enquanto eu estiver fora, não vai ter valido a pena , almeja a diaba, sutilmente desconcertada.
“Mas, antes de ir, tenho que fazer umas coisinhas primeiro”, diz Rubi.
“E o que seriam?”
“Quero te dar umas instruções de coisas para fazer enquanto eu estiver ausente. E também… como primeiro uso da minha autoridade, quero te promover a comandante”, afirma Rubi.