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Capítulo 157 – Agora estamos diferentes

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Capítulo 157 – Agora estamos diferentes

Byron sorri e curva os joelhos diante de Rubi, se dobrando em uma postura elegante, como a de um cavalheiro.

“Se essa é a sua vontade, aceito essa honra. Aceito a oportunidade de subir na hierarquia”, responde ele, lisonjeado.

Rubi pisca, quase sem reação. “Ué. Achei que fosse fazer mais resistência, igual da outra vez”, comenta ela, surpresa.

Normalmente ele mal aceita até elogio , pensa a diaba.

Byron lança um olhar firme à lorde.

“Agora somos diferentes. Não há por que deixar passar essa oportunidade”, pontua ele.

A postura do demônio é segura, sua feição está calma e suas palavras são convictas e resolutas.

A surpresa no semblante de Rubi suaviza-se. “Entendi agora”, diz ela, voltando a sorrir ao final.

Ele tem razão. Não somos mais os mesmos diabos que entraram nessa floresta , reflete ela. Eu estava pronta pra bater o pé e ser irredutível hoje.

“Já que você está disposto, podemos começar”, diz Rubi. “Você prefere ser comandante mesmo, não é? Nunca perguntei qual é a diferença entre esse título e o de barão.”

Comandante Byron é bom, mas Barão Byron soa bem , ela pensa.

“Apesar de nunca ter visto um, sei que os barões demoníacos, tradicionalmente, possuem poderes mágicos mais intensos. Costumam estar mais ligados ao gerenciamento de células cultistas e aos assuntos da nossa nobreza, sendo raramente vistos no campo de batalha. Não acredito que esse papel combine comigo”, responde o diabo. “Confrontos diretos são o que mais combinam comigo.”

“Certo então”, a diaba comenta. “Só preciso confirmar uma coisinha primeiro.”

A succubus levanta e estende uma mão na direção do diabo. A auréola rosa surge atrás da sua nuca.

“Byron, cavaleiro demônio…”, diz ela, e uma leve aura rosada aparece ao redor do demônio diante dela. “Se já aprendeu o manejo da espada e não precisa mais da minha magia, concluo agora o nosso pacto.”

A aura se desprende de Byron e vai até Rubi, sendo completamente absorvida pela palma da mão da diaba.

O demônio olha para sua mão esquerda e começa a abrir e fechar os dedos, tencionando um a um. “Hum”, murmura ele, medindo a própria força. “Ao que parece, já concluí meu treinamento e nem percebi.”

“É. Eu imaginei que pudesse ser o caso”, Rubi comenta, suspirando com um alívio leve.

Eu até ia usar isso de argumento pra provar que ele já estava pronto , ela pensa. Ele já era uma máquina de matar antes, e depois que conseguiu usar a espada se tornou um guerreiro estupidamente mais letal.

“Isso tudo quer dizer que você está mais do que pronto para o próximo passo”, diz a succubus.

Mais uma vez, Rubi concentra-se e estende a mão na direção do diabo.

Byron fecha os olhos e abaixa a cabeça. “Sim…”, murmura ele, baixo.

A auréola da ganância volta a aparecer, brilhando mais intensa do que o normal.

“Byron, cavaleiro demônio… Usando da minha autoridade, vou te promover. Ganhará o título de Comandante Demônio. Também lhe dou a permissão de dar a minha bênção àqueles em que você ver valor. Você aceita?”

A voz de Rubi ecoa diretamente na mente de Byron, um som que, mesmo que quisesse, não pode ignorar.

“Aceito”, responde o diabo.

No mesmo instante, uma névoa de magia rosada sai da mão da succubus e vai até o behemoth. A magia se espalha com um fluxo, percorrendo dos chifres até a ponta da cauda.

Mudanças físicas acontecem. Alguns segmentos da cauda e dos chifres mudam de cor, adquirindo tons mais escuros, e as pontas ganham cores ainda mais densas. Sua roupa começa a ficar mais levemente justa na pele, com alguns músculos aumentando de tamanho.

Poucos momentos depois tudo acaba e a torre volta a ficar em silêncio.

Byron ergue-se em silêncio. Ele levanta uma mão e, com os dedos voltados para si, dedilha o ar controladamente. Em meio ao movimento, uma pequena chama surge entre seus dedos.

Rubi arregala os olhos logo que percebe as mudanças. Ele… ficou mais alto , ela constata, intrigada.

Curiosa, a diaba se aproxima, examinando-o de cima a baixo. Ele também parece um pouquinho mais robusto, ou é impressão minha? , ela se questiona, intrigada.

Assim que tem a chance, Rubi cutuca o braço do demônio. O dedo mal se move contra a pele dura, os músculos resistem à leve pressão que ela aplica, como se fossem feitos de rocha. Ele está mais musculoso mesmo. E mais bonitão também. Acho que as mudanças de um barão não seriam tão aparentes.

“Sente-se… bem?”, a diaba pergunta.

Ainda encarando sua mão, Byron fecha os dedos com força, contendo a chama, e sorri. “Me sinto… mais forte do que jamais pensei em ser e com poder o bastante para ceifar qualquer um que se oponha a nós nessa floresta”, diz ele, imerso.

Eu… posso presumir que isso é um sim, pensa Rubi, mais incerta do que gostaria.

Subitamente, o demônio pega a grande espada que está ao seu lado e a ergue. Usando as duas mãos, ele brande a arma no ar num movimento rápido, que deixa um sutil rastro de brasas atrás da lâmina.

“Ela está tão leve…”, comenta ele. “Isso é incrível.”

Mas faz sentido ele se sentir assim , conclui Rubi, observando-o atentamente. Até alguns meses atrás, seria impossível para alguém receber uma promoção e se tornar Diabo Maior.

Perante a diaba, Byron volta a se curvar num gesto solene, apoiando-se com um dos joelhos no chão e deixando uma das mãos apoiando a espada. “Sou grato pela oportunidade. Mostrarei que sou digno da sua benção”, promete ele, baixando a cabeça.

“Você já fez”, diz Rubi.

Caramba. Essa promoção caiu muito bem nele! , ela pensa, animada. Parece que todos os atributos dele aumentaram… e ele nem se transformou ainda.

Byron eleva a cabeça. “A senhorita disse que iria deixar tarefas sob minha responsabilidade enquanto estivesse ausente. Como comandante, o que devo fazer?”, questiona ele.

“Bem, não é tanta coisa. Para começar, quero que converse com o Brok. Eu te dei o poder de conceder a minha bênção sem precisar fazer pacto. Veja com ele se seria mais interessante dar a minha bênção para mais algum dos guerreiros dele.”

“Certo. Deve haver um guerreiro ou dois que se encaixam em um perfil como o dele.”

“E também…”

“Pode falar”, diz Byron, firme.

“Agora que você concluiu a primeira parte do treinamento, quero que você continue a se aperfeiçoar como combatente. Com certeza agora você pode aprender coisas mais complexas.”

“Refere-se a manobras de combate?”

Rubi encara o demônio com confiança. “Eu pensei em algo mais interessante, se você quiser, é claro”, diz ela, com ânimo.

“O que a senhorita tem em mente?”

“Feitiços!”

O demônio leva a mão ao queixo e começa a pensar. “Bem, antes a senhorita comentou sobre isso”, comenta ele, reflexivo. “A ideia não me desagrada, mas ainda não enxergo uma forma efetiva de um behemoth como eu conjurar feitiços em combate.”

“Eu sei que você gosta deles. E eu sei uma boa forma de você aplicá-los quando precisar lutar. Vão ser a base para sua clas… para o estilo de luta que quero te ensinar”, diz Rubi, corrigindo-se ao final.

As sobrancelhas de Byron franzem-se. “E como seria esse estilo?”, ele indaga, intrigado.

“É o estilo de um cavaleiro arcano!”, responde ela, determinada. “Um combatente pesado que usa feitiços de suporte pra melhorar as defesas e maximizar os ataques com armas.”

É uma classe perfeita para o Byron. Ele não precisa soltar bolas de fogo. Alguns buffs mágicos e ele vai ser imparável , pensa Rubi.

Um novo brilho se acende nos olhos de Byron. “Isso soa muito interessante”, diz o demônio. “Aceito o desafio. Trilharei o caminho de um cavaleiro arcano.”

“Ótimo”, diz a succubus. “Para começar, eu posso te passar dois dos meus feitiços e você tenta aprendê-los com o uso. Depois podemos tentar conseguir mais feitiços com o Galen.”

“E eu irei os dominar”, afirma Byron, determinado.

Vendo o ânimo do demônio, Rubi também sorri. Agora estamos diferentes de antes, mas ainda estamos muito longe do nosso ápice.

Comandante Demoníaco (Demonic Commander)

Em um campo de batalha contra as forças sombrias, poucos diabos são tão intimidantes quanto um Comandante Demoníaco.

Responsável por liderar cavaleiros, soldados e serviçais nas linhas de frente, sua presença é um dos principais pilares que sustentam o exército durante o combate, coordenando as tropas e mantendo a ofensiva organizada.

Ao receber esse título, o diabo ascende à condição de Demônio Maior, obtendo um aumento em todas as suas capacidades e a autoridade para promover ou rebaixar diabos de hierarquia inferior.