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Capítulo 159 – Penumbra

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Capítulo 159 – Penumbra

Uma grande garra-branca vaga solitária pela floresta. Ao seu redor, altas árvores bloqueiam a maior parte da luz do sol.

O ambiente está sossegado. Os sons dos animais ecoam por todos os lados, enquanto uma brisa sutil provoca o farfalhar das folhas.

A ave caminha em meio a isso, passando entre as moitas com passos silenciosos e um olhar vigilante.

Eventualmente, ela solta um piado curto, não muito agudo, mas reverberante.

Poucos segundos depois, é respondido por outro som similar, que ressoa de algum ponto mais adiante na floresta.

A criatura segue em seu ritmo calmo normalmente, até que, de repente, ela para de se mover.

A garra-branca trava no lugar como se fosse uma estátua. Suas pupilas agora estão sutilmente rosas.

E, na quietude da floresta, a grande ave encara o vazio, como se esperasse por algo.

“Bom garoto…”, comenta uma voz feminina.

As palavras surgem de um espaço aparentemente vazio, bem diante da garra-branca.

Após alguns instantes, perante os olhos da garra-branca, e apenas para eles, o espaço sem nada passa a ondular sutilmente, como um vidro grosso que distorce a luz que passa através dele.

É Rubi quem está ali, oculta por magia. Ela flutua no ar, de asas abertas, enquanto se aproxima.

Ao chegar perto, gentilmente ela coloca as duas mãos sobre a cabeça da criatura, segurando-a pelos lados.

Mesmo a centímetros da garra-branca, a diaba não pode ser vista. Há uma tênue névoa translúcida ao redor que a mantém oculta.

É. A Penumbra é mais efetiva do que eu me lembrava. Tenho que usá-la com mais frequência. Ainda mais agora que posso voar, Rubi reflete. Talvez esse não seja o encanto com mais sinergia com as minhas outras habilidades, mas, se eu estivesse mais acostumada com ele, poderia ter evitado algumas exposições.

Enquanto ela reflete, a garra-branca a encara, com um olhar calmo, tomado pelo charme da diaba.

Enfim, vou logo cuidar desse aqui , Rubi decide.

Os dedos dela brilham em um tom carmesim, ao mesmo tempo em que a névoa translúcida que a cobre perde força e a diaba torna-se completamente visível.

Nos locais em que a garra-branca é tocada, pontos de energia azul se acendem, surgindo bem abaixo da penugem branca que recobre o animal.

Logo, essa energia começa a ser absorvida pelas mãos da succubus. Ela entra pelos dedos e se espalha gradualmente por todo o corpo.

Rubi fecha os olhos, sentindo a revigorante força vital da criatura tornar-se sua. O calor que isso provoca é revigorante e contínuo, como um banho de água morna.

Os músculos da garra-branca começam a tremer. Os vasos sanguíneos nas pupilas dela ficam saltados, enquanto a sensação de vazio lentamente a preenche.

A auréola da ganância surge atrás da nuca da diaba e sua luz rosa acaba refletida nos olhos da grande ave.

Em poucos segundos, a ave fecha os olhos pela última vez e Rubi a deixa tombar morta no chão.

O ruído da queda acaba sendo parcialmente abafado pelas penas brancas que cobrem o corpo da criatura.

A diaba abre os olhos. “Ufa”, comenta ela, suspirando, com a cauda serpenteando no ar.

Foi bom. Uma pena que a ocultação caia quando eu ataco, Rubi pensa, depois saca a espada. Agora, o outro teste. Vamos ver o que a tal corrosão sombria faz na prática.

Ela aponta sua arma para a garra-branca e desce ao chão.

Mas, antes de executar qualquer ação, Rubi para.

Pela direita, vem o som de passos rápidos, algo balançando as folhas, e a diaba escuta isso.

Ela olha naquela direção e vê outra garra-branca aproximando-se.

Ah. Melhor deixar para testar depois. O outro já me viu , Rubi constata. Bem , mas até que isso me poupa um tempo.

Com um bater de asas, ela ganha altura e se afasta da garra-branca no chão.

Após se afastar, ela se concentra. A magia ao redor de Rubi fica mais densa e a diaba simplesmente desaparece no ar como um fantasma.

Apesar de a succubus não ser mais visível, a garra-branca se mantém correndo, olhando fixamente para o alto, com as pupilas indo de um lado para o outro.

Ela está tentando me encontrar , constata Rubi. Mas não vou dar chance disso.

Dentro da ocultação, os olhos da diaba brilham, com ela lançando seu charme contra a ave.

Assim como a outra, a ave trava, suas pupilas ficam rosadas e toda sua agressividade cessa de um segundo para o outro.

Com a criatura sob seu controle, Rubi vai até ela e coloca a mão sobre a cabeça da ave.

“Boa garota”, comenta ela, tranquila. “Você tem sentidos bons. Será que conseguiu me encontrar antes de cair no charme?”

E, sem delongas, a succubus começa a roubar a força vital da criatura, tornando-se visível mais uma vez.

Foi um bom tempo até eu achar esses dois. Será que eles têm um ninho aqui perto? , Rubi se pergunta, enquanto drena. Sem o chefe do enxame, esses carinhas ficam bem menos agressivos e mais difíceis de encontrar. Eu até poderia usar os Corvos Buscadores pra rastreá-los, mas teria que ficar alternando entre esse encanto e a Penumbra toda hora.

A diaba absorve a energia da garra-branca até ela cair no chão, sem mais nenhuma vida no corpo.

É melhor eu me manter só com a Penumbra por enquanto , ela decide. Eu tenho que praticar mais com esse feitiço. Ainda é difícil saber se fui localizada ou não. E agora…

A diaba aponta a espada para o animal e a crava em uma das pernas dele.

Vamos ver o que a corrosão sombria faz , ela pensa.

A lâmina atravessa a carne e a ponta sai do outro lado. Sangue começa a gotejar.

Rubi solta a espada e aguarda quieta, enquanto deixa o efeito da corrosão agir.

Alguns segundos se passam, o sangue da criatura fica mais grosso e sua cor torna-se roxa, quase preta.

As penas mais próximas da espada perdem a cor, ficam murchas e começam a cair.

Conforme elas caem, a pele do animal fica exposta e revela-se roxa. A parte ao redor da lâmina está roxa, podre, enquanto a porção mais distante de onde a arma está fincada ainda é normal, um tom rosa claro. E, pouco a pouco, a área afetada aumenta, espalhando-se pela perna do animal, como um incêndio na mata.

Parece que está se decompondo mais rápido , Rubi constata. Não deve ser nada confortável para alguém que está vivo.

A diaba saca a espada, limpa a lâmina nas penas do animal e guarda-a na bainha.

A diaba estica os braços, espreguiçando-se. Já foi um bom começo , ela constata, de bom humor. Hora de continuar. Deve ter mais dessas aves por aqui.

Com um bater de asas, Rubi ganha altura e, com um pensamento, volta a ficar invisível, enquanto parte pela floresta.