Capítulo 162 – Vão precisar de mais do que uns truques pra arrancar algo de mim.
Capítulo 162 – Vão precisar de mais do que uns truques pra arrancar algo de mim.
A elfa capta a atenção da diaba, que ainda flutua a alguns centímetros do chão.
Rubi gira os olhos, cansada. “Pode falar”, diz ela. “Desde que seja breve.”
Elas podiam pedir alguma coisa mais simples e me liberar logo , almeja ela.
Amila, de canto de olho, lê algo em uma página do livro que segura e então encara Rubi diretamente.
Seus olhares se encontram, e cada uma vê a própria imagem refletida nos olhos da outra.
A todo momento, elfa mantém um semblante calmo e controlado.
“Por que você não se acalma um pouco e reconsidera a nossa oferta?”, sugere Amila. “Tenho certeza de que ela pode ser bem mais promissora, se você pensar melhor no assunto.”
Aquelas palavras chegam aos ouvidos de Rubi com nitidez, como se fossem sussurradas em sua mente.
A diaba inclina sutilmente a cabeça. Isso… não soou normal , pensa ela, intrigada. Não foi só um pedido…
Os instintos dela subitamente ficam atiçados.
Chloe pigarra contra o punho, chamando a atenção da diaba para si. “E que tal agora? Aceitar ser a minha familiar?”, propõe ela, exalando a mesma confiança da elfa.
O semblante da diaba fica ainda mais intrigado e seus instintos ainda mais em alerta.
A sala fica em silêncio por segundos. A elfa e a humana aguardam a resposta, olhando para a succubus com segurança.
Ninguém mudaria de ideia assim, reflete Rubi. O único jeito disso acontecer seria se…
Uma única possibilidade toma forma em sua mente.
O sangue da diaba ferve e ela fecha os punhos com força, ainda assim, ela se contém e mantém a postura firme.
Elas usaram algum feitiço de controle em mim, conclui Rubi. São duas canalhas . Vão precisar de mais do que uma barreira e uns truques pra arrancar algo de mim.
A succubus dobra as asas e pousa no chão sem fazer o menor ruído. Ela atravessa o círculo mágico com passos tranquilos e para diante da garota. Um sorriso suave surge no rosto de Rubi enquanto seus olhos encontram os dela.
Deu certo! , conclui Chloe com ânimo. Ela vai ser…
E, de repente, a linha de raciocínio da garota trava.
As pupilas amarelas da diaba brilham em rosa.
Os olhos azuis de Amila também brilham da mesma cor, mas duram pouco e, em um instante, voltam ao normal.
A elfa percebe algo errado e franze a testa. Ela… ela tentou usar uma habilidade em mim? , Amila se pergunta. Isso não devia acontecer. O meu feitiço falhou?
Ela abre o grimório e torna a estender a mão na direção de Rubi. “O que você fez?”, a elfa questiona, enraivecida.
A diaba mantém o mesmo semblante suave. “Por que não dá um jeito de me tirar daqui?”, sugere ela. “Ou, pelo menos, me diz como eu saio dessa barreira?”
Amila franze ainda mais as sobrancelhas, confusa com o pedido sem sentido. “Do que você…”
Enquanto ela fala, Chloe ergue lentamente o braço esquerdo e começa a movê-lo da esquerda para a direita.
Percebendo a ação, Amila arregala os olhos. “Não!”, grita ela, temerosa. “Isso vai…!”
Ela estende a mão em direção à garota, mas, antes que consiga terminar a frase, Chloe, com os olhos brilhando e um sorriso vazio estampado no rosto, completa o movimento.
O círculo mágico, repleto de runas, sob os pés de Rubi, desaparece por completo. A névoa azulada ao seu redor se dissipa em uma nuvem que se apaga, sem deixar vestígios.
Na mesma hora, as chamas das velas tremem e Amila sente um calafrio sombrio emanando da direção da daiba.
A elfa se vira na direção de Rubi, já conjurando um feitiço na ponta dos dedos, mas é muito tarde.
Assim que se vê livre, Rubi avança contra a elfa e leva a mão diretamente ao pescoço dela.
Os dedos a agarram com força, firmes e imóveis como algemas de ferro, dificultando o fluxo de ar na traqueia.
E, quase sem esforço, Amila é erguida do chão.
Sem conseguir respirar direito, a elfa deixa o livro cair e perde toda a concentração. Desesperada, tenta se soltar da diaba com as duas mãos, mas não consegue.
Ela é… muito forte , constata Amila, sem ar. Se continuar assim, nós vamos…
Rubi a encara sorrindo e então a arremessa para trás. Isso deve servir pra te aquietar , ela pontua.
Amila atinge o chão e rola pela sala, completamente desnorteada.
Após alguns segundos, ela recupera forças o bastante para começar a se levantar.
Com a cabeça ainda zonza, saca a faca prateada da cintura e ergue o olhar, procurando a diaba.
Porém, ao encontrá-la, hesita.
Rubi está apenas alguns passos à sua frente, atrás de Chloe, com apenas parte do corpo ocultada pela garota.
As mãos dela repousam sobre a jovem. Uma está apoiada sobre um ombro e a outra agarrada a um braço.
A diaba não está prendendo-a, apenas segurando-a de uma forma quase desconfortavelmente delicada.
A garota está praticamente inerte. As pupilas estão completamente rosas, tomadas pela magia da succubus. Sua expressão é serena, completamente indiferente à situação daquele ambiente.
Mestra Chloe… , pensa a Amila, assustada.
“Se você fizer alguma coisa, essa daqui vai ser a minha próxima refeição”, Rubi ameaça.
A mão da elfa treme, mas logo solta a faca no chão. “Eu… Por favor. Não faça nada a ela”, diz Amila, baixando a cabeça.
A cauda da diaba balança de um lado para o outro.
Ótimo. Mas não vou deixar vocês saírem daqui ilesas depois de tudo isso, pensa ela . Não quero que isso aconteça de novo. Talvez quando virem o quão brutal eu posso ser, as pessoas pensem duas vezes antes de me invocar.
Rubi muda o olhar de Amila para a garota. Eu gostaria de começar pela elfa… mas essa aqui caiu no charme , pondera ela.
Pelos dedos, a succubus sente a força vital de Chloe fluindo abaixo da pele, como um riacho de água fresca e cristalina, correndo pela carne macia e delicada.
Na teoria, a invocação só deve ser dissipada se ela morrer. Então posso drená-la, ao menos um pouco. Depois eu vejo o que faço com a elfa, pensa a diaba . Eu até preferiria não drenar alguém tão jovem, mas ela fez por merecer. Além disso, ela já está no ponto… Seria um desperdício não fazer.
Antes de prosseguir, Rubi aproxima a boca do ouvido da garota. “Tem só uma coisinha que eu gostaria de saber. O que vocês usaram para me invocar?”, ela pergunta.
Eu não vi ainda, mas com certeza elas têm alguma coisa minha aqui. Só assim para poder me invocar sem permissão , conclui Rubi. Deve ser a faca que eu deixei com a Ariele ou uma das roupas que a Jenny me emprestou.
“Foi… isso aqui”, responde Chloe, soando vaga e perdida.
A garota levanta a mão fechada e abre os dedos. Na palma dela, está uma simples moeda de ouro, envolta em algum tipo de proteção metálica.
Dessa vez é Rubi quem arregala os olhos. A cauda trava e os músculos ficam tensos, como se visse uma assombração na mão de Chloe.
Eu me ferrei legal , conclui a diaba.