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Capítulo 165 – Frigate

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Capítulo 165 – Frigate

Chloe engole seco. “E… qual é esse preço?”, ela pergunta, temendo a resposta.

“Depende”, Rubi responde. “Me diga o que você precisa exatamente. Por que precisam tanto mostrar que têm contatos com alguém como eu?”

A elfa franze a testa. “Está mesmo disposta a negociar por isso?”, ela questiona.

“É claro”, diz a diaba. “Esse pedido eu posso ao menos ouvir.”

Isso é bem mais razoável do que virar servo ou familiar de alguém , pensa ela. E é até bem estranho na real. Normalmente seria melhor me evitar, principalmente pra algo público.

Amila e Chloe se encaram. Um aceno silencioso ocorre entre as duas. Uma conversa, sem som, feita apenas pelo encontro dos olhares.

“Pois bem, irei lhe explicar”, diz a elfa. “A senhorita Chloe mencionou anteriormente que nos encontramos nos domínios da Academia Cadley, na cidade de Frigate. Este lugar é uma instituição renomada e secular, situada dentro do país de Ingressir.”

“Um lugar para pessoas com dinheiro e influência pelo que entendi”, Rubi comenta.

Ingressir… Lembro desse lugar nos mapas que vi em Gramina. Caramba, eu vim parar muito longe , pensa ela.

“Não apenas isso. Aqui é onde a próxima geração de possíveis governantes costuma se conhecer”, Amila pontua. “Em 20 ou 30 anos, muitos dos jovens que estão aqui hoje ocuparão cargos de liderança neste país e nos demais da vizinhança.”

“A fama que se consegue aqui é a que vai ficar por muitos anos, por isso é bom sempre tentar causar a melhor impressão possível”, Chloe acrescenta.

“E para causar essa boa impressão você precisa de um familiar diferenciado, certo?”, Rubi indaga, encarando a garota. “Tem algum motivo específico para esse tipo de contrato ser valorizado?”

Tem que ser algo que vale a pena. E eu tenho certeza de que deve haver opções menos arriscadas do que invocar um demônio maior , ela pensa.

“Sim”, confirma Chloe. “Há muitos lugares em Ingressir e nos países próximos que têm conexão com outros planos. Às vezes, as coisas ficam estranhas e até portais se abrem. E seres como você conseguem pressentir esses eventos e lidar com isso.”

“Por esse motivo, nesse reino ter um vínculo mágico com alguma criatura que possa sentir as mudanças na natureza tem um significado especial”, pontua a elfa. “A velocidade e a qualidade das informações que alguém recebe sobre mudanças em seu domínio podem ser o fator decisivo entre aproveitar uma oportunidade ou cair na ruína.”

Deve ser como na floresta das terras livres. A diferença é que lá são só zonas de magia natural. Aqui deve ser algo mais intenso ainda , conclui a diaba. A Yrah provavelmente se daria bem trabalhando por aqui.

Amila vai até seu livro caído e o recolhe do chão. “E, já que ter contatos com criaturas mágicas é importante, tornou-se tradição que nobres tenham algum tipo de relação com esse tipo de ser”, ela acrescenta. “Essa academia já oferece aos jovens cursos de como lidar com esses seres e com as instabilidades no ambiente.”

“E, bem… pra fazer esses cursos, o colégio recomenda ter um vínculo familiar ou um elo com algum ser mágico”, pontua Chloe.

“Se o aluno não tiver um, a academia vai fornecer”, acrescenta a elfa. “Mas aqueles que possuem vínculo com um ser mais poderoso têm acesso a aulas mais avançadas.”

“E é isso que você quer, não é?”, Rubi pergunta, olhando diretamente para a garota.

“Tem muitos alunos de famílias importantes nessas aulas. Marcar presença nelas é um bom jeito de se conseguir contatos e prestígio na nobreza. Ainda mais quando se tem contato com um ser mágico que se destaque”, responde Chloe, com um tom que tenta soar casual. “Até uma família sem raízes nobres poderia ascender se conseguisse uma boa reputação nesses cursos.”

Se eu soubesse que tinha um país assim no norte, eu teria passado aqui um pouco antes , Rubi pensa.

“Tudo bem, compreendi o que você precisa. É um pedido um tanto ambicioso. Vou dizer a minha proposta e, se estiver disposta a pagar o meu preço, posso firmar um pacto com você”, diz ela, olhando para Chloe.

“E quais os seus termos?”, Amila indaga.

Rubi encara a garota firmemente.

“Vamos fazer o seguinte, para começar, vou te dar minha bênção. Já que foi você que me invocou, imagino que você seja uma conjuradora. Esse poder vai aumentar em muito as suas capacidades mágicas”, diz ela. “Deve ser o bastante para mostrar que você tem vínculo com algum ser mágico.”

Já vai ser uma boa forma de medir o poder da autoridade , ela pensa, brevemente.

E a diaba continua. “Além disso, como você vai carregar a minha magia, vou permitir que esse vínculo seja usado para que eu me manifeste, tendo você como ponto de ancoragem. Assim poderemos manter contato, e você pode me chamar em momentos importantes.”

“Eu vou mesmo poder te invocar?”, Chloe pergunta, surpresa.

“Sim…”

Isso até facilita as coisas pra mim , pensa Rubi. E não vamos ter que ficar usando as moedas ou feitiços estranhos.

“Mas, de preferência, só faça quando combinarmos com antecedência”, completa ela. “Se tentar me chamar em um momento aleatório, eu posso estar ocupada. Então, é bom não contar comigo nesses momentos.”

Um meio sorriso começa a aparecer no rosto da garota. Não parece ruim…, ela pensa. Ela é só uma invocação e teve aquela força toda…

Mas a empolgação crescente não dura muito. Amila leva a mão sobre o ombro da garota. As sobrancelhas curvadas, tensas, quebram as expectativas da garota.

“Senhorita, não ache que um poder assim vem sem um grande custo”, adverte ela. “Tenho certeza de que não está ganhando um favor, nem contratando um serviço que se paga com ouro.”

O sutil ânimo de Chloe é apagado quase que por completo de seu semblante. A tensão sobe. “E o que eu vou ter que fazer por isso?”, ela pergunta.

“Você terá que cumprir algumas regras. Não poderá agir contra mim, nem dizer que sou um lorde demônio sem a minha permissão. E, de vez em quando, pelo menos uma vez por mês, vou poder pedir um favor, mas, nada que te coloque em muito risco ou que você não consiga fazer. Se recusar esse favor ou falhar em cumpri-lo, poderei remover a sua bênção pelo tempo que eu quiser. Mas, se violar qualquer uma das outras regras, ficarei com a sua alma.”

“Eu teria que trabalhar para você?!”, ela pergunta.

O olhar da elfa fica semi-cerrado. “Dever favores a um demônio. Um preço muito alto, como esperado”, comenta ela. “Há outra forma de mudar esses termos?”

“Devia se considerar com sorte. Da última vez que concedi a minha bênção, o preço foi a alma da pessoa e foi pago no instante em que fechamos acordo”, pontua Rubi. “Mas ninguém aqui é obrigado a aceitar nada. Ainda podemos voltar à minha proposta anterior. O perdão de vocês, pela colaboração com as moedas.”

Nem é o acordo mais pesado que eu já propus, estão reclamando de barriga cheia. Se ela se cansar, pode só entregar a bênção e ir embora, fingindo que nunca me conheceu, pensa a diaba. Mas , se ela aceitar, vai ser muito bom pra mim, mesmo depois de resolver essa situação toda. Vou conseguir um intermédio melhor pra interagir com humanos.

Uma aura rosa sutil se forma sob a pele da diaba. “Então, Chloe Astley Clifford, aceita a minha proposta?”, ela pergunta.

Cada termo e concessão é repetido na cabeça da garota.

A jovem encara o chão. Essa ajuda dela é exatamente o que eu precisaria, mas… servi-la é o oposto do que eu planejava , ela divaga, indecisa.

Ela sente o toque da elfa sobre seu ombro mais uma vez.

“Você não é o seu pai, nem o seu avô. Não é obrigada a assumir o peso disso”, diz Amila, mantendo-se controlada. “Essa não é a nossa única opção, podemos tentar outras coisas.”

Chloe respira fundo e encara Rubi. Ela não é a nossa única opção, mas é a melhor que eu poderia ter. Depois de ver as coisas que ela pode fazer, não vou deixar essa chance passar , ela pensa.

“Eu aceito”, diz ela.

Ao mesmo tempo, Rubi sorri e Amila suspira.

“Boa escolha”, comenta a diaba.

Como pode uma família inteira sempre ser vítima dos próprios desejos? , pensa a elfa.