Capítulo 166 – O fim do encontro
Capítulo 166 – O fim do encontro
O poder sai da diaba e vai até a garota como uma névoa rosada, que entra no corpo e desaparece sem traços visíveis.
Chloe sente algo quente no tórax. Um calor que vai crescendo e começa a se espalhar pelo corpo, indo pelos braços e pernas até chegar à ponta dos dedos.
No processo, ela percebe algo dentro de si mudando. O que é isso? , a garota se pergunta. É estranho, mas… não dói.
A visão dela fica turva, a pele fica pálida, o mundo parece um pouco mais distante, os sons ficam distorcidos e a força de suas pernas se esvai.
Chloe desmorona sob o próprio peso, mas Amila a segura, impedindo uma queda.
“Jovem mestra? O que está sentindo?”, pergunta Amila, preocupada.
Rubi suspira, cansada.
“Perdão, eu devia ter avisado que isso podia acontecer”, diz a diaba. “Deve ser uma reação ao pacto.”
De novo? , pensa ela, quase desconcertada. A essa altura eu já tinha que ter me acostumado com isso.
“Eu estou bem… Só um pouco tonta”, diz Chloe, com a voz arrastada e a respiração levemente ofegante.
“Bem, acho que a senhorita já aguentou muito por hoje”, diz a elfa, mais aliviada.
Apesar de cansada, a garota encara seu próprio corpo com um sorriso renovado, sentindo uma energia nova e densa fluindo por suas veias. “Já sinto meu poder aumentando”, comenta ela, entre uma respiração e outra.
“Fico feliz que esteja bem, mas, por hora, é melhor a senhorita descansar um pouco”, diz a elfa. “Todas aquelas tentativas devem ter exaurido seu corpo também.”
Rubi franze o olhar, captando algo na conversa. Tentativas? , pensa ela.
Após o baque inicial, a tontura de Chloe perde intensidade e a garota recupera forças para se manter de pé. “Mas parece que já valeu a pena”, ressalta ela.
Amila se mantém segurando-a, servindo de apoio enquanto ela recupera o equilíbrio. “Isso só o tempo vai dizer. Por hora, é melhor dar uma pausa”, recomenda a elfa.
Quando a garota volta a ficar de pé sozinha, Rubi aproxima-se de Amila.
“Você disse tentativas. Quer dizer que eu não fui invocada de primeira?”, ela pergunta.
“Estamos aqui há um bom tempo. Tentamos te invocar dezenas de vezes”, a elfa responde.
“Eu tive que beber poções extensoras de mana e gastar dois amuletos de aumento de poder mágico só para poder executar o feitiço. Ainda assim, ele falhou muitas vezes”, Chloe acrescenta.
Que estranho , pensa Rubi. Eu só senti uma vez. Talvez me invocar não seja uma questão tão simples quanto o Byron fez parecer.
“Enfim, se não tem mais nada a falar, podem me dissipar por agora. Não foi um dia fácil pra ninguém”, diz a diaba. “Me invoquem depois de amanhã, logo cedo, e a gente começa a conversar sobre as moedas e o nosso pacto.”
“Também prefiro que seja assim”, comenta a elfa.
A succubus estende a moeda a Chloe, e a garota a pega.
“O que eu faço com ela?”, pergunta a jovem. “Quer que eu a destrua?”
“Por mais que eu adorasse ver isso deixando de existir, pode acabar sendo importante. Por hora, só guarde”, pede Rubi. “Não deixe ninguém ter acesso a isso.”
Eu preferiria eu mesma guardar, mas não posso levar nada comigo na volta , constata a diaba.
“E, se puderem, eu não me importaria de fazer a nossa reunião em um lugar mais… agradável”, comenta Rubi.
Não sei se foi intencional ou não, mas essa sala toda escura aqui não tá nada legal , ela pensa. Pode até ser um lugar que o Byron gostaria, mas não faz muito o meu tipo.
“Tomarei providências quanto à isso”, diz Amila.
Chloe ergue a mão direita. “Então, já vou te mandar de volta”, diz ela. “Nos vemos amanhã… Senhora Lorde Demônio.”
As sobrancelhas da diaba se curvam. “Pode me chamar de Rubi”, corrige ela. “Já que vamos passar a nos encontrar com frequência, não precisa dessa formalidade toda.”
A garota simplesmente acena com a cabeça e move o braço para baixo, encerrando seu feitiço.
Um círculo mágico, roxo e cheio de runas, se forma abaixo de Rubi e move-se velozmente de baixo para cima, dissipando a succubus no ar.
Sem a presença da diaba, o ambiente fica mais leve e o ar menos denso.
A elfa vai até uma janela e a abre.
A luz do sol da manhã ilumina toda a sala, e Amila começa a recolher alguns objetos no chão e apagar as velas, uma por uma.
“E agora? O que fazermos?”, Chloe pergunta.
“Se sentir que consegue chegar até o seu quarto sozinha, você pode já retornar. Vou ficar aqui e arrumar o lugar”, responde a elfa. “O combinado era devolver esta sala limpa.”
Chloe abaixa a cabeça. “Não foi bem isso que eu quis dizer”, diz ela.
“Então imagino que se refere ao compromisso que acabou de firmar.”
“É…”, confirma a garota, pensativa. “As coisas saíram um pouco do controle. E agora… não sei bem o que fazer.”
Enquanto a jovem fala, a elfa segue em sua arrumação. “Bem, pode não ser como queríamos, ainda assim, a senhorita conseguiu o que precisava.”
“Mas…” A garota começa a falar, porém, antes de completar a frase, é interrompida pela elfa.
“Tenho certeza de que aquela demônio vai aproveitar muito bem o acordo que fez conosco. O que a senhorita precisa fazer agora é se preparar para seguir em frente e também dar utilidade ao que conseguiu”, recomenda Amila. “É o que seu pai faria.”
Chloe ergue a cabeça, com um olhar determinado. “Eu vou fazer valer”, declara ela.
A elfa sorri de canto e apaga a última vela da sala.
Enquanto isso, longe dali, dentro da floresta das Terras-Livres, um círculo mágico aparece em meio às árvores e dá forma à Rubi.
Ela surge no ar, já abrindo as asas e flutuando. As bolsas, as armas e os demais objetos reaparecem junto dela.
A primeira coisa que a diaba faz é verificar se tudo está como devia. Ela tateia cada coisa e checa o interior das sacolas.
Tá tudo aqui . Pelo visto, aparecer sem as minhas coisas foi só um dos efeitos de uma invocação parcial, constata a diaba, aliviada, mas logo suspira, com um olhar baixo. Quer dizer que, dependendo do conjurador, até posso aparecer sem nada e pelada. Eu preciso mesmo encontrar aquelas moedas.
Apesar de estar cabisbaixa, já não há mais tensão em seu semblante.
Rubi fecha um pouco suas asas e pousa no chão.
Que dia difícil. Pelo menos estou de volta agora. Mas estou sem ânimo nenhum pra voltar a caçar hoje , ela pensa, olhando para as árvores ao redor. É melhor eu procurar um lugar pra descansar por aqui mesmo. Ou, quem sabe…
Rubi então se volta ao leste, reflexiva. Ela encara a imensidão da floresta, diretamente na direção da cidade de Cahjia.
Talvez eu devesse voltar, divaga ela. Melhor não. Eu mal saí de lá e já iria voltar com todo esse problema. E, francamente, não tem muito o que eles possam fazer. Isso só iria tirar o foco do pessoal. Eles já estão ocupados com muita coisa. Ainda assim…
Rubi estende a mão para frente e começa a se concentrar.
Não quer dizer que eles não devam saber de nada, ela pensa.
“Convocar demônio!”, conjura ela.
Habilidade de Raça: [Véu Natural](Natural veil)
Requerimentos: Demônio, Succubus, Nível 15
Você pode conjurar o feitiço Penumbra de maneira inata, sem a necessidade de executar seu componente verbal.
Enquanto estiver sob a ocultação de Penumbra, você pode escolher uma criatura que esteja olhando na sua direção e tê-la como alvo de uma habilidade de encantamento, mesmo que ela não seja capaz de vê-lo ou perceber sua presença. Caso ela escape do encantamento, perceberá você e saberá sua localização.
Usuários conhecidos: Rubi, Camélia
[Penumbra](Twilight)
Magia de 1º Ciclo
Tipo: Utilidade/Encanto
Conjuração: Padrão
Alcance: Pessoal
Componente: Verbal
Duração: 1 hora
Recarga: 30 segundos
Descrição: Você envolve seu corpo com um véu de magia ilusória que cobre sua imagem e faz você desaparecer gradualmente, tornando-o invisível à percepção comum.
Você ainda pode ser percebido por visão mágica, efeitos e magias de detecção.
Uma criatura pode tentar localizá-lo, mas deve ser bem-sucedida em uma checagem de Sentidos contra sua Ocultação(Magia). Caso consiga, poderá ver o véu tremulando ao seu redor e detectar sua localização, mas deve manter contato visual direto ou perderá seu rastro.
Uma criatura a menos de um metro de você pode te perceber com mais facilidade e tem vantagem na checagem para de encontrar.
Atacar, conjurar feitiços ou interagir com objetos que não estavam com você no momento da conjuração enfraquece o véu, revelando sua posição. Usando uma ação rápida, você também pode enfraquecer o véu por vontade própria, sem interromper o feitiço.
Você pode voltar a ficar oculto seis segundos após ser revelado usando uma ação rápida, desde que não esteja executando algo que enfraqueça o véu.
Ao atingir sua duração máxima, Penumbra pode ser renovada.
Alguns Usuários conhecidos ao momento: Rubi.