LNCrawler

Capítulo 167 – Uma conversa mais íntima

A Coroa Da Ganância — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 167 – Uma conversa mais íntima

Um disco de magia aparece na frente, girando lentamente. Ele é vermelho, com linhas internas desenhando um pentagrama dourado.

“Convocar demônio!”

Suas palavras reverberam. O círculo de magia brilha forte e Byron salta dele, em sua forma humanoide.

O demônio traz consigo sua espada longa em mãos e já pisa firme no chão, conferindo os arredores como um soldado, pronto para a batalha.

“Senhorita, não consegui visualizar meu alvo”, diz ele, ainda conferindo o entre as árvores com o olhar. “Para que lado devo ir?”

Rubi se aproxima e coloca a mão nas costas dele.

“Relaxa. Tá tudo bem”, diz ela. “Te chamei aqui só para conversar.”

“Ah. Entendo.”

O demônio então relaxa sua postura, volta-se à Rubi e apoia sua arma no ombro.

“Em que posso lhe ser útil?”, pergunta ele.

“Bem…”, começa ela, lenta ao mesmo tempo em que busca as palavras certas. “Houve uma mudança nos meus planos. Vou ficar mais um tempo fora.”

Byron então arqueia uma sobrancelha.

“O que aconteceu?”, ele pergunta, preocupado.

Antes de responder, Rubi junta os dedos da mão e respira fundo. “Resumindo muito, alguns mortais conseguiram me invocar em uma cidade e eu fiz um pacto com eles”, responde ela. “E agora vou ficar um tempo até resolver o acordo.”

É melhor ir logo direto ao ponto , ela pensa.

Byron franze a testa. “O quê?!”, indaga ele, perplexo, quase como um reflexo. “Como isso é possível?”

“Pois é. Eu também fiquei surpresa”, Rubi comenta, com o olhar baixo. “Não foi uma invocação completa. Aparentemente, eles usaram um objeto que eu deixei para trás, quando eu estava indo te encontrar.”

O demônio fica calado por alguns segundos, processando.

Por fim, ele se abaixa, ajoelhando-se como um cavaleiro.

“Senhorita, peço perdão pela minha reação. Essa é uma situação para a qual eu não estava preparado para escutar”, pede ele, formal. Depois, ele enruga a testa e seus olhos ficam semicerrados, com um sentimento de raiva visível. “Eu não esperava tamanha ousadia por parte dos mortais. Invocar Lordes demônios ao bel prazer.”

“É. Eu também não esperava. Eles não sabiam que estavam invocando um lorde”, Rubi comenta. “Mas eu logo fiz questão de mostrar que não sairia barato.”

“Que tipo de pacto fez?”

“Eu concedi minha bênção a um deles e nós vamos resolver alguns assuntos na cidade”, a diaba responde. “Também coloquei a destruição do objeto que usaram para me invocar nos termos.”

Byron acena com a cabeça. “Fez bem”, diz ele. “Um demônio sem controle sobre suas invocações é um demônio exposto.”

Rubi desvia o olhar por um momento e cruza os braços. “Eu sei…”

Ele não precisa saber do número incerto de moedas que podem me invocar. Ainda não. Se eu contar agora, ele vai ter um colapso nervoso e eu vou ser o lorde demônio mais exposto da história , ela divaga. Pelo menos, por enquanto, é melhor eu verificar isso só com as meninas. Se não escalar demais, deve dar tudo certo.

Então Byron percebe o semblante sutilmente descaído de Rubi. O olhar distante e carregado.

“Está tudo bem?”, ele pergunta. “Algo a aflige.”

Ela volta a olhá-lo, com um sorriso no canto da boca leve. “Nada que valha a sua preocupação”, a diaba responde. “Esse tipo de mudança inesperada acaba com meu dia. Foi mais cansativo do que eu esperava. E também, não sei quanto tempo vou gastar com os mortais, por isso achei melhor te avisar.”

“Entendo.”

“Aproveitando que você está aqui, está tudo bem em Cahja?”

O diabo hesita por um momento, antes de responder. O aviso de Brok sobre o povo-fera ecoa em sua mente, mas, apesar disso, Byron também sorri.

“Nada que valha a sua preocupação”, responde ele.

Ela já tem coisas mais importantes para fazer agora , pensa o demônio.

“Pelo menos uma notícia boa hoje”, Rubi comenta. “Então era só isso. Obrigado por ter vindo. Vou te mandar de volta.”

A diaba estende a mão na direção dele, pronta para desfazer a invocação.

“Espere, por favor”, diz Byron, de repente, ainda ajoelhado.

Rubi arregala os olhos, pega de surpresa.

“Tem mais alguma coisa pra me falar?”

“Ao invés de simplesmente dissipar esse corpo, por que não me drena?”, sugere ele.

A succubus imediatamente recua a mão, sem esconder o espanto.

“O quê? Do nada? Por que isso?”, ela indaga.

“Se me permite a palavra, a senhorita parece um pouco sem forças. Certamente o encontro com os mortais foi exaustivo. E a senhorita gastou ainda mais mana ao me invocar aqui. Já que a senhorita vai me dissipar, poderia ao menos repor um pouco de suas forças comigo.”

Rubi encara Byron nos olhos e não encontra nenhum sinal de hesitação. O argumento é bom. E eu não me vejo achando ruim, mas é tão de repente, sei lá. Isso está certo? Posso fazer isso?, a diaba se pergunta.

“Você sabe o que isso significa, não é? Você vai sofrer um bocado”, avisa ela.

“Entendo as suas necessidades como succubus e sei como isso irá agradá-la. E mesmo que fosse meu corpo real aqui, eu faria a mesma sugestão. E, quanto à dor, tenho certeza de que sabe que não sou como os mortais. Não estará me machucando de verdade”, afirma Byron, seguro.

Logo em seguida, o diabo abaixa a cabeça e estende a mão a ela.

“Por favor, aceite. Seria uma honra lhe ceder isso.”

Os dedos de Rubi tremem em antecipação. Na mão de Byron, ela enxerga uma oportunidade, uma brecha aberta diante dela.

Ele está mesmo sendo voluntário. Posso drená-lo sem o charme. Dá pra sentir daqui , constata ela, tentada por aquela chance. Eu… quero .

Rubi segura a mão de Byron e ele volta o olhar para ela, com sorriso no rosto.

“Eu aceito a sua oferta, obrigado”, diz ela.

“Sou eu quem fico lisonjeado. Pode ir até o fim.”

E a succubus começa a drená-lo. A energia do diabo lentamente flui para Rubi. Ela sente o calor e a magia sendo absorvidos.

Byron sente uma dor fina como uma agulha vindo do lugar onde ela o toca, mas para ele é quase irrelevante e ele a suporta, firmemente.

A succubus fecha os olhos, deixando-se levar pelo momento, e sua cauda se enrola.

O prazer é grande. Toda a tensão de seu corpo desaparece. Ela sente algo único, diferente de drenar humanos e orcs. Algo mais intenso.

Os dois ficam quietos, concentrados naquele ato, sob o silêncio da floresta que os cerca.

Após alguns momentos, a forma física de Byron começa a desaparecer, lentamente ficando transparente como um fantasma.

Mas Rubi não para, ela segue consumindo toda a força vital que o demônio lhe cede.

A espada de Byron é a primeira a sumir por completo.

Em pouco tempo, o demônio já está tão translúcido quanto o vidro de uma janela.

“Até mais, senhorita”, diz ele, com uma voz fraca, que quase não pode ser ouvida. “Vá e cuide dos mortais da maneira que for necessária. Estaremos te aguardando em Cahja assim que cumprir seus a fazeres.”

E logo, Byron desaparece por completo.

Rubi abre os olhos. Seu corpo está quente, mais vivo, revigorado e satisfeito.

Ele tinha razão… eu precisava disso , ela constata, levemente corada.

Rubi coloca a mão contra o peito, enquanto suspira devagar.

Isso com certeza foi a coisa mais intensa que eu já fiz com ele , pensa a diaba, com um sorriso contido no canto da boca. Ele é sempre todo formal e sério. Achei que nunca fosse ter interação mais íntima com ele, mas eu estava errada. Isso… foi bom.

A cauda de Rubi começa a serpentear vagarosamente. Será que, quando eu voltar, ele me deixa repetir? Eu não recusaria outra oportunidade dessas. Além do mais, a energia dele é muito saborosa. Talvez até demais. Não sei se isso é preocupante, ela pensa . Agora quero resolver a situação das moedas mais rápido ainda.