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Prólogo

A Detetive Já Está Morta — novelmania.com.br · All chapters

Prólogo

HÁ 6 ANOS, NAGISA.

Para nós, era uma cena rotineira. “—Nana! Eu trouxe um monte. Qual você quer?”

A luz do sol da tarde entrava no quarto do hospital. A garota de cabelos rosa que tinha me chamado pelo meu apelido jogou um monte de livros ilustrados na minha cama e começou a organizá-los em fila. Ela estava tentando escolher um para ler em voz alta.

“Er, Ali? Eu já tenho doze anos. Você realmente não precisa ler para mim…”

Eu sabia que ela estava fazendo aquilo por bondade, porque eu era fisicamente fraco e não podia sair. Eu agradecia o gesto, é claro, mas…

“Este aqui, então!”

É, ela não estava ouvindo. Ela nunca ouvia.

Em vez de seu diário habitual, no qual ela estava escrevendo há apenas um minuto, ela abriu um livro ilustrado e começou a lê-lo, entusiasmada e em voz alta.

Ela tinha uma voz enérgica e charmosa. Tive a sensação de que apenas ouvir a voz dela poderia me curar. …Embora ouvir uma leitura em voz alta ainda parecesse um pouco infantil demais.

Olhando com carinho para Ali, falei com a outra garota no quarto. “O que você está lendo, Siesta?”

Uma garota de cabelos brancos estava sentada em uma cadeira no canto, com um livro. Por alguma razão, ela tinha o codinome "Siesta" e parecia bastante misteriosa. Ela devia ter a mesma idade que Ali e eu, mas parecia mais madura do que o esperado. Ela tinha o que eu acho que se chamaria de um ar filosófico; pensei que não faria mal se ela fosse um pouco mais infantil e honesta… embora eu mesmo fosse uma criança.

“É o conto de um príncipe que era ao mesmo tempo feliz e infeliz”, disse Siesta. Presumi que aquilo era uma descrição da história, e não o título.

Um príncipe que era infeliz, mas feliz… O que isso significava?

“É sobre o quê?”

Ali tinha parado de ler o livro ilustrado e se juntou à nossa conversa. Absolutamente tudo a interessava, mas ela também se entediava com as coisas duas vezes mais rápido que uma pessoa comum. No bom sentido, nós provavelmente poderíamos aprender com o comportamento de espírito livre dela.

“É sobre a estátua de um príncipe de bom coração que compartilha seus tesouros com as pessoas pobres de sua cidade.” Siesta fechou o livro com delicadeza e, em seguida, fechou os olhos com a mesma suavidade.

“Que cara legal!” Ali sentou-se em uma cadeira perto de mim e começou a balançar os pés para frente e para trás.

Então era uma história sobre um príncipe compassivo e rico ajudando seus cidadãos? …Então de onde vinha a parte "infeliz"?

“O problema é que…” Siesta abriu os olhos, e eles estavam um tanto tristes enquanto ela nos contava o resto. “Os tesouros que ele deu a eles eram pedaços de si mesmo.”

“Como assim?” Ali perguntou. “Ele não tinha muito dinheiro, relógios e coisas do tipo?”

“Não. A bondosa estátua era coberta de folhas de ouro e decorada com joias. Ele entrega seu próprio corpo aos pobres, pouco a pouco.”

“…Ele perde partes de si mesmo?”

O pensamento sobre a devoção daquele príncipe, seu sacrifício literal, me causou um sentimento indescritível. Meu peito se apertou.

“Uma espada de rubi. Olhos de safira. As folhas de ouro que cobriam seu corpo. Quando a estátua do príncipe entregou todas essas coisas aos moradores da cidade, ele ficou com uma aparência muito desgastada. Tudo o que lhe restou foi seu coração, que era feito de chumbo.”

Ao dizer isso, Siesta colocou suavemente a mão no lado esquerdo do peito.

“Que estátua coitada!” Ali exclamou. Mesmo sendo apenas uma história, ela sentiu uma pena genuína daquele príncipe.

Tentar salvar alguém, mesmo que isso significasse sacrificar a si mesmo — era um ato nobre, mas também parecia terrivelmente triste.

“Mas não é aí que essa história termina.”

Ergui a cabeça, como se a voz de Siesta tivesse me despertado de um sono.

“Essa estátua tinha alguém precioso que o compreendia.”

““Tinha?”” Ali e eu perguntamos em uníssono.

“É por isso que o título deste livro também é o que é.”

Então Siesta começou a nos contar sobre a andorinha solitária que permaneceu com la estátua.

O conto de um pequeno pássaro negro que ficou ao lado daquele que amava até o fim, mesmo que ninguém conseguisse entender o porquê.

Traduzido por Moonlight Valley

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