Capítulo 8: A ex-namorada volta à cidade natal 4 (A declaração do primeiro beijo)
Capítulo 8: A ex-namorada volta à cidade natal 4 (A declaração do primeiro beijo)
Posso dizer agora que eu era jovem e boba, mas tive uma existência chamada namorado entre o meu oitavo e nono ano do ensino fundamental.
Que época maravilhosa.
[Paiva: Começamos ganhando já | Kura: Já começou diferente kkkk | Ayko: Esse comecinho que coisa boa :) ]
Sim. Não serei mais teimosa nem negarei.
Fui muito feliz durante o tempo em que fui a namorada de Irido Mizuto—— pelo menos até as férias de verão do meu nono ano.
Olhando para trás, o auge dessa felicidade—— definitivamente foi aquele dia.
Não o Natal. Nem o Dia dos Namorados. Nenhum dia especial.
Mas sim em um dia comum.
Foi um dia em que saímos da sala separadamente, como sempre, nos reunimos do lado de fora da escola e voltamos para casa juntos.
Os dias passavam desde que começamos a namorar, e estávamos nos acostumando a caminhar de mãos dadas—— foi aí que comecei a pensar sobre o próximo passo.
Quando foi o seu primeiro beijo?
Apareceu na minha mente o título de um artigo de internet que eu vi.
Eu estava pensando naqueles números vagos e pouco confiáveis como "Xº encontro" e "X meses de namoro", e continuava lançando olhares para o rosto do meu namorado enquanto caminhávamos de mãos dadas.
Talvez... seja a hora?
Todas as condições escritas na internet estavam quase cumpridas.
Acho que... deveríamos tentar?
Estávamos na rota familiar da escola, mas eu não conseguia evitar me sentir nervosa.
De vez em quando, eu me preocupava que ele pudesse notar meus pensamentos através do meu aperto ou do meu suor, e isso me inquietava.
Mas, ao mesmo tempo... também esperava que ele percebesse meus sentimentos, então tomei a iniciativa de sugerir.
Eu sabia muito bem.
Sem importar o quão boba eu fosse, depois de namorar por tanto tempo, eu deveria saber.
Irido Mizuto nunca tomaria a iniciativa para um beijo.
Então, em outras palavras, eu teria que sugerir...?
Mas como eu deveria fazer isso...?
Entrei em pânico por dezenas de minutos, e chegamos ao mesmo lugar onde costumávamos nos despedir.
Geralmente, eu não me sentiria sozinha.
Poderia falar com ele por telefone quando chegasse em casa, e poderia vê-lo no dia seguinte.
Mas este dia——
"Até amanhã, então."
Irido-kun acenou com a mão e me deu as costas.
Naquele momento.
Aconteceu completamente de forma instintiva.
Abruptamente estendi minha mão e segurei o braço de Irido-kun.
"Hm?"
Irido-kun me olhou com confusão.
No fim... não consegui dizer nada.
Só o encarava.
Jiiiiii——
Continuei olhando nos olhos dele, mas nada.
Por favor, perceba.
Por favor, perceba.
Por favor, perceba.
Rezei—— e me decidi.
Fechei meus olhos e levantei o queixo.
Eu teria que morrer se não conseguisse com isso.
Com as costas contra a parede.
Meu coração estava batendo tão rápido que parecia que ia explodir, e meu corpo congelou como uma pedra.
Não sabia quantos segundos haviam passado.
Achei ter cometido um erro ao fechar os olhos.
Se ao menos eu tivesse mantido os olhos abertos, poderia ter esperado enquanto observava o Irido-kun.
Mas não podia abrir meus olhos aqui.
Ahhh, o que eu faço, o que eu faço! Irido-kun, você ainda está aí? Ainda estou segurando sua mão. Está tudo bem? Eu não fiquei para trás——?
E então meus lábios tocaram algo quente.
Naquele momento, a tensão que habitava todo o meu corpo desapareceu.
Os batimentos frenéticos adotaram um ritmo pacífico que me envolvia.
Tack. Nossos dentes se tocaram.
E, naturalmente, separamos nossos lábios.
Finalmente abri os olhos—— e vi o rosto do meu namorado, avermelhado pelo brilho do pôr do sol.
"...Iri."
Senti um calor prazeroso subindo pelo meu rosto e cobri os lábios com a mão.
"Inrivelmente... é difícil, né?"
E então ele sorriu suavemente para mim, como para esconder a própria vergonha.
"...Vamos nos acostumar aos poucos com isso."
Este era o momento.
Este era o momento mais feliz da minha vida.
Daqui em diante, eu posso fazer isso com ele, uma e outra vez, para todo o sempre.
...Apesar de que não era possível.
Tudo tinha que chegar ao fim, afinal.
Em certo sentido, era um episódio simbólico.
Eu era o tipo de pessoa que sempre deixava tudo para os outros, inclusive aquelas coisas que eu queria fazer.
E foi por isso.
Que você acabou indo ao festival de verão sozinha—— Ayai Yume.
[Paiva: Tenho um pouco de inveja desses primeiros beijos tão românticos que algumas obras mostram, meu primeiro beijo e meu primeiro beijo com minha ex, ambos foram jogando verdade ou consequência | Kura: Sério Paiva? Kkkkkk |Paiva: Sim kkkk inclusive, tem mais detalhes sobre o primeiro beijo mas não é papo pra ta no cap | Ayko: Kkkkkk no verdade ou consequência é complicado]
◆ Irido Yume ◆
"Yume-chan... isso ficou ótimo!"
Madoka-san, vestida com um yukata, me olhava como se estivesse lambendo meu corpo da cabeça aos pés, com os olhos transbordando excitação.
"Você é tão magra, é como se tivesse nascido para vestir um quimono...! Isso é genial! Perfeito! Uma Yamato Nadeshiko! Ei, que tal um estilo romântico Taisho?! Posso conseguir um figurino!"
[Paiva: Pra quem leu tonari kuuderella, ja sabe o que é, mas pra quem não sabe, Yamato Nadeshiko é meio que “a beleza ideal japonesa” | Kura: Inclusive, preciso revisar um Cape do mangá hoje…| Ayko: As refs de mamahaha, são realmente incríveis]
"N-Não é necessário... um yukata está bom."
A energia de Madoka-san me pegou um pouco de surpresa, então me olhei no espelho.
Meu primeiro encontro com Mizuto foi durante o festival de verão. O yukata que usei naquela época era azul-marinho, uma cor base tranquila.
Mas desta vez, Madoka-san me obrigou a usar um yukata branco chamativo com flores vermelhas.
"Você parece fogos de artifício florescendo na terra! O show de fogos deste ano será um desastre porque todos estarão olhando para você, Yume-chan!"
"Não, er... você só está zombando de mim, certo?"
"Mas estou sendo honesta..."
Madoka-san fez um biquinho. Ela estava usando um yukata azul-marinho que aparentemente se misturava com a escuridão. "Cumprirei meu papel como Kuroko, a contrarregra!", disse ela.
[Paiva: Aqui pode ser uma referência a Kuroko no Basket, mas kuroko é alguém que auxilia das sombras, alguém “invisível” que apoia o destaque de uma peça | Ayko: Acho que nesse caos seja ao Kuroko do anime mesmo, mas o próprio nome já se refere ao termo então… elas por elas sabe?]
"Vamos, vamos, vamos. Vamos, vamos, vamos! O Mizuto-kun está esperando~."
"Por que o Mizuto está aqui..."
"Ok, ok. O que você está dizendo, Yume-chan. Quero ver a reação dele!"
Não pude negar realmente, já que Madoka-san havia preparado aquela roupa para mim. Ela me deu um empurrãozinho nas costas e saímos da entrada.
O carro estava esperando lá fora.
O festival era realizado na cidade perto da estação, então o tio Mineaki nos levaria e ele teria um encontro com a mamãe.
Mizuto e Chikuma-kun nos esperavam lá.
Madoka-san me empurrou para a frente deles e olhou por cima do meu ombro, sorrindo para Mizuto.
"O que você acha? O que você acha? Bonita, né~?"
Mizuto me olhou com seus habituais olhos sonolentos.
Como se estivesse me avaliando com o yukata——
——Ele vestia um yukata cinza.
"...Então."
"Hm?"
Ignorei a surpresa de Madoka-san e me dirigi a Mizuto, passo a passo.
"Ei, podemos... tirar uma foto juntos?!"
FICOU MUUUIIITO BEEEEM NEEELEEEEE~~~~~~~~~~~!!!!!
O que diabos? O que há com esse garoto? Por acaso ele nasceu para vestir quimonos? Sua estrutura esbelta, seus ombros finos, as linhas do corpo dele, tudo fazia aquele yukata simples parecer muito bonito! Kuuu~, tenho que gravar isso... salvar no meu telefone...
Mizuto semicerrou os olhos e se afastou um passo de mim.
"...É repugnante. Melhor não."
"Por quê?! Não é repugnante de jeito nenhum! Não há nada mais legal que você! Acho que nem você pode ser subestimado nesse yukata!"
"Estou falando de você! Não há nada que possa ser usado para descrevê-la além de repugnante!"
Camarada insolente! Então vou tirar isto.
[Paiva: A Yume sincera é fofa demais | Kura: Eu não esperava por esse sol kkkk | Ayko: Que diferença kkkk Yume golden retriever]
Madoka-san, que me viu tirar o telefone da bolsa, mostrou um sorriso irônico.
"Você não tem o direito de me enganar, Yume-chan..."
"Vamos estacionar o carro então."
"Tenham cuidado, pessoal~."
Descemos do carro; mamãe e o tio Mineaki dirigiram até o estacionamento quase lotado.
Dei uma olhada em volta.
"Tem muita gente..."
"Ah, sim. Tem muita gente a apenas dezenas de minutos daquela cidade."
Eu pensava que a área ao redor da estação já era bastante urbanizada.
Havia muitos prédios comerciais, transeuntes, mas não tanto quanto aqui.
As calçadas estavam repletas de gente, gente e mais gente.
Não havia espaço suficiente para atravessar uma multidão se movendo na mesma direção.
De onde saiu tanta gente?
"O festival é bem famoso nesta área. Muita gente vem aqui de trem. Claro, não é tão famoso quanto os festivais de Kyoto."
"Ouvi dizer que haverá fogos de artifício. Não é maravilhoso?"
"É impressionante, sabe? Além disso, as bênçãos dos santuários que animam este festival trazem uma sorte muito precisa."
"Sorte?"
"Nihihi." Madoka-san soltou uma risadinha intencional.
"Sor•te de ca•sais♪"
"...Isso não tem nada a ver comigo, certo?"
"Eh~? Essa sorte não se refere apenas ao casamento, sabe~? No que você está pensando quando diz isso~? Por que não conta para esta onee-san~?"
"...Ugh..."
Ela está ficando cada vez mais irritante...
"Hehehe! Bem, por isso é um dos poucos lugares para encontros por aqui, não? Não é como se precisassem visitar o santuário, por que não aproveitam a feira?"
"Venha aqui, Chikuma." Disse Madoka-san enquanto estendia a mão para Chikuma-kun, que obedientemente a segurou.
"Será um problema se você se perder, sabe?"
Madoka-san sorria suavemente enquanto olhava para Mizuto e para mim. Suas intenções eram óbvias.
Mizuto suspirou.
"Não sou uma criança que vai se perder. E se eu me perder, posso encontrar o caminho de vol——"
Mas antes que Mizuto pudesse terminar, peguei sua mão esquerda.
Mizuto olhou para a mão segurada e depois para o meu rosto.
"...O que quer dizer com isso?"
"É responsabilidade da irmã mais velha se o irmãozinho mais novo se perder. Certo, Madoka-san?"
"Isso mesmo!"
Olhei nos olhos de Madoka-san e soltamos uma risadinha.
O momento de ser exigente com esse pequeno detalhe acabou, Mizuto-kun.
Mizuto timidamente olhou para o lado.
"...Entendido. Só tenho que segurar sua mão, certo?"
"É incrível que você esteja me ouvindo de maneira obediente."
"Cale a boca..."
Ri enquanto caminhava ao lado de Mizuto.
Depois que chorei na frente do Mizuto ontem, me senti muito melhor.
Talvez seja porque deixei sair muitas coisas desnecessárias... comparado com antes, sentia que não precisava me preocupar em tocar o Mizuto.
Excluindo o fato de que ele era meu ex, ele é apenas alguém com problemas de comunicação, exceto quando se trata de sarcasmo.
Para garantir que nossos guias, Madoka-san e Chikuma-kun, não ouvissem, perguntei em voz baixa ao Mizuto ao meu lado.
"(Por que você veio? Você não gosta de multidões.)"
"Ninguém gosta dessa ocasião... é só que todos os anos a Madoka-san me arrasta até aqui. Resistência é inútil."
"Humm~..."
Você não veio aqui para ver meu yukata? Embora eu não pudesse zombar dele com esse comentário.
Yukatas e festivais de verão. A última lembrança que envolvia ambos era amarga demais para mim.
Durante as férias de verão do meu nono ano, nossa relação estava um pouco abalada pela discussão que tivemos antes, e não fizemos planos para essa rara oportunidade nas férias.
Mas, ainda assim... com um raio de esperança, fui ao festival de verão de yukata.
Talvez ele também vá—— e talvez me encontre, como antes. Essa era a esperança ingênua que eu tinha quando visitei o lugar um ano mais tarde.
E o resultado foi óbvio.
Naquele momento, estive sozinha até o fim do festival.
Com certeza ele não sabia—— esta era a minha última lembrança sobre um yukata e um festival de verão.
Com certeza ele não sabia da solidão, ansiedade e tristeza que senti naquele dia quando tudo acabou—— o anseio podia desaparecer, mas a dor talvez nunca cicatrizasse.
Seguimos a multidão através do que parecia ser o sandō, e vi uma variedade de barracas.
[Paiva: sandō é aqueles “portões” que tem pique os portões do hashirama, e na arquitetura japonesa são entradas de visitas | Ayko: Só uma correçãozinha, o sandō em si se refere mais ao caminho que se segue, 参 = San (Visitar, ir a um local sagrado) 道 = Do (Caminho, estrada), então se inicia em um Torii (鳥居) que são como portais de transição, e continua-se o percurso pelo Sandō (参道).O Fushimi Inari Taisha é um bom exemplo, já que acompanhando o sandō tem uma infinidade de portais torii.]
Takoyaki, algodão-doce, pepino em conserva, bananas de chocolate, okonomiyaki, pepino em conserva, yakisoba, frango frito, pepino em conserva, pepino em conserva, pepino em conserva——
"Ei, não tem barracas demais de pepino em conserva?"
"De certa forma~, tem muitas todos os anos."
Madoka-san riu.
Por alguma razão, notei um número de negócios com muitos pepinos em conserva em palitos em um zaru. Havia tantos deles quanto as barracas de takoyaki e yakisoba combinadas.
[Paiva: cestas de bambu, normalmente utilizadas pra escorrer o soba]
Será que havia tanta demanda?
"O que vocês querem comer? A vovó nos deu muito dinheiro, então vamos lá, vamos gastar~!"
◆
"As barracas noturnas são obviamente mais caras... acho que os preços em um mercado seriam mais baratos."
"Não se preocupe! Estamos no campo. Você não vai achar nenhum mercado por perto! Nihihi!"
Ela não negou que eram caros...
Mas, bem, são como os tipos de café em uma cafeteria; parte do valor vem com a atmosfera. É diferente comprar takoyaki de uma barraca noturna comparado a um mercado.
"Se não sabem o que provar, podemos ir a um lugar que um conhecido meu gerência. Se é que a loja abriu este ano."
"Eh? Conhecido? ...Você não visita este lugar uma vez por ano, Madoka-san? Você não fica muito tempo aqui, certo?"
"Veja e aprenda. Esta é uma verdadeira extrovertida."
"Poderia não fazer parecer que eu sou uma falsa?"
"Mas é a verdade."
"Não preciso que você me diga isso!"
"É inútil esconder algo que cheira mal de qualquer maneira."
Estou vivendo minha vida de ensino médio com essas táticas, ok?!
Seguimos Madoka-san e finalmente chegamos a uma barraca.
"Olá~! Você está aqui este ano também~!"
"Ooo~! Madoka-chan~? Você voltou aqui de novo~!"
"Nihihi~, muito obrigada, muito obrigada."
...Um indiano suspeito.
[Paiva: Rajesh? | Kura: Talvez? | Ayko: Maybe?]
Era um senhor indiano com um sotaque um tanto desajeitado, a ponto de soar falso.
Bem, ele é um pouco bronzeado e não pude concluir à primeira vista que vinha da Índia... é só que ele está mexendo uma panela enquanto conversa com Madoka-san, e claramente é curry...
"O frango tandoori daqui é genial. Querem provar?"
E ao lado de Madoka-san, Chikuma-kun estendeu suas pequenas mãos e entregou um pouco de dinheiro ao misterioso indiano.
"Ohh~, Chikuma-kun! Obrigado! Nosso curry é melhor do que aqueles na Índia~!"
O que há com essa aparência de estereótipo japonês de um indiano... pensei, mas Chikuma-kun aceitou o frango tandoori com curry sem medo. Parece acostumado com isso.
"Bom... já que é uma oportunidade rara."
"Ok~! Ojisan, um para cada um deles~!"
"Combinado~!"
Ela pediu para o Mizuto também, mas ele não reclamou, então não deve haver problema.
Pouco depois, nos serviram o frango tandoori.
Certifiquei-me de evitar que meu yukata manchasse enquanto cautelosamente provava um bocado.
Um sabor picante se espalhou pela minha boca junto com a textura do frango.
"...D-Delicioso..."
"Não é~? A comida deste ojisan é grandiosa! Embora ele pareça suspeito!"
"Não sou suspeito!"
Então até a Madoka-san achava que ele era suspeito…
[Kura: Um falso indiano | Ayko: Falsiano…]
Ao meu lado, Mizuto comia o tandoori sem dizer uma palavra. Não conseguia determinar nenhum pensamento a partir do rosto dele.
"Delicioso?"
"...Bom."
"Seja específico."
"..."
De alguma forma ele ficou em silêncio. Ele realmente odiava me ouvir?
"Uau, Chikuma-kun. Olha, você manchou a boca toda. Não se mexa. Vou limpar para você."
"E-Eu faço isso... mgu."
Madoka-san limpou a boca de Chikuma-kun com um lenço. Provavelmente ele estava envergonhado enquanto continuava resistindo. Eu fui quem limpou a boca dele no churrasco da última vez, se não me falha a memória.
[Paiva: Iludindo o TALARICO | Kura: É uma inspiração Paiva, relaxa. | Ayko: Eu realmente acho que é algo pessoal pro Paiva…| Paiva: Não é algo pessoal mas talarico nem é gente]
Enquanto eu ficava pensando no que tinha à minha frente, Madoka-san de repente olhou para mim.
...Ah.
Rapidamente me virei e vi os lábios de Mizuto manchados de curry.
"Mizuto——"
"..."
No momento em que eu estava prestes a tirar o lenço, Mizuto rapidamente limpou o curry.
Grrr, tarde demais! Apesar de eu ter tido sucesso quando estávamos no rio!
"O que você está aprontando?"
"Bem, se eu fizer as mesmas coisas que a Madoka-san, isso me torna a irmã mais velha, certo?"
"Não, de jeito nenhum."
"Eu sou, sim!"
Como filha única, eu sempre fazia o papel de irmã mais velha por instinto.
Mas adivinha só. Agora que tenho a Madoka-san como exemplo, é fácil para mim agir como uma!
Agora as pessoas ao nosso redor vão pensar que sou a irmã mais velha. O mesmo não pode ser dito de você. Fufufu...
"...Nihihi. Entendo~..."
Assim que abandonamos a barraca do indiano suspeito, percorremos o sandō .
A multidão estava tão apertada que não podíamos nos mover com liberdade, e se estendia tanto à frente que não conseguíamos ver o fim.
"Ah, Chikuma, vamos dar uma olhada. Tem um jogo de tiro ali. Quer tentar~?"
Quando Madoka-san disse isso, Chikuma-kun olhou para a barraca de tiro. Ele olhou para os prêmios alinhados na estante ao fundo e pronunciou: "Ah".
Imaginei que o maior motivo fosse a caixa de um console de videogame apresentada como o prêmio principal.
...Bem, acho que o dono não quer que os jogadores ganhem isso.
"Q-Quero jogar..."
"Combinado~! A onee-chan vai jogar com você e mirar no melhor prêmio!"
O pagamento foi feito, Chikuma-kun recebeu a arma e se inclinou para frente, mirando na caixa do console.
Mas a arma tremia. Parecia que os braços dele não eram fortes o suficiente.
Ele não vai conseguir.
"Ah, olha. Você tem que segurar a arma assim."
Madoka-san deu uma risadinha enquanto abraçava Chikuma-kun por trás, levantando os braços dele.
"O-Onee-chan... eu consigo fazer sozinho..."
"Não fique tão nervoso! Vamos, mira direito, ok?"
São irmãos, mas deveriam estar tão próximos assim?
Os seios dela estavam tocando as costas dele, e ela basicamente estava soprando no ouvido dele—— ah, entendi. Não os incomoda já que são irmãos——
Um ruído surdo, a bala disparou da arma de Chikuma-kun.
Mas, infelizmente, voou para o lado e rolou pelo chão sem acertar nenhum prêmio.
"Ah, que pena~"
"...Uuu..."
"Hmm... não podemos deixar terminar assim... então, Mizuto-kun!"
Mizuto, que foi mencionado de repente, levantou uma sobrancelha.
"Vou encarregar você de vingar o Chikuma! Yume-chan também, você precisa dar apoio. Como. Irmã. Mais velha♪"
[Kura: Foi de propósito? |Paiva: FOI, madoka a GOAT | Ayko: Se a Madoka jogasse na NBA as melhores assistências seriam dela, só cesta de 3 pontos cara.]
Olhei para o rosto de Madoka-san sorrindo e percebi que tinha caído em uma armadilha.
M-Madoka-san... fez isso de propósito sabendo que eu a estava imitando...!
"...Parece que não tenho escolha. Só desta vez."
Mizuto provavelmente não percebeu as intenções dela, deu uma olhada no triste Chikuma-kun e entregou o dinheiro ao senhor que atendia na barraca.
Ele segurou a arma e se inclinou para frente na barraca.
E justo quando eu permanecia quieta atrás dele, Madoka-san se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido.
"(E agora~, onee-san? Se você não vai ajudar seu irmão mais novo——)"
"(Ah, mas isso é...!)"
"(Huh? É estranho? Você só~ será~ uma irmã mais velha abraçando seu irmão mais novo por trás. Com o que você está preocupada, Yume-chan~?)"
M-Madoka-san é... terrível!
Bloquearam minha saída, e involuntariamente me aproximei das costas de Mizuto.
Se ele não precisasse da minha ajuda de forma alguma, eu poderia ao menos tentar passar com essa desculpa. Estamos falando de um jovem que não praticava exercícios, e a arma estava tremendo tanto quanto aconteceu com Chikuma-kun.
Obviamente ele não seria capaz de vingar o Chikuma-kun nesse ritmo.
S-Sim... é tudo pelo bem do Chikuma-kun...
Finalmente me decidi, aproximei-me por trás e segurei o braço de Mizuto.
"Ei... o quê?!"
"O-Ok. Não olhe para cá! Só mire!"
Rapidamente gritei de volta quando Mizuto tentou se virar.
Enquanto isso, minha mão alcançou a manga do yukata e segurei o pulso dele.
...É tão fino, mas os músculos eram muito firmes... são muito diferentes dos de uma garota.
Ele não sentia o mesmo quando me tocava?
Algo como... é diferente dos de um garoto.
"Você não está mirando demais para a direita?"
"Não, de jeito nenhum."
"Está sim!"
"Cale a boca. Assim está bom, não está?"
Discutimos—— e finalmente miramos.
Só precisávamos apertar o gatilho.
...Mas por alguma razão...
Meus cotovelos apoiados sobre o balcão começaram a tremer.
Por um momento, meus braços ficaram tensos para que meu corpo, especialmente meus seios—— não tocassem as costas do Mizuto... mas inesperadamente levamos muito tempo para mirar, e a força no meu braço estava...
"Bem..."
Mizuto prendeu o fôlego e fez força no dedo.
E foi justamente nesse momento que meus braços finalmente cederam.
"Ah."
——Só para fazer um prefácio.
É verdade que no ensino médio nós nos beijávamos como macacos no cio. Isso é verdade.
Mas eu juro, nunca fiz nada além disso—— quero dizer, er... tocar... e ser tocada... a-absolutamente nunca fiz essas coisas!
[Paiva: Mas queria, safada | Kura: Kkkkk, o engraçado é “macacos no cio” | Ayko: MACACOS NO CIO KKKKKKKK]
Meus braços relaxaram, e meu corpo caiu——
——E meus seios se pressionaram contra a escápula de Mizuto.
"?!"
O corpo de Mizuto deu um solavanco.
Uma bala voou.
A bala voou mais alto do que onde estávamos mirando e traçou um arco, como uma montanha.
"Ah~"
Atrás de nós, Madoka-san soltou um ganido de pena.
É um erro... a culpa foi minha.
Mas esse pensamento terminou em um flash.
Ruído surdo.
A bala voou em um arco e acertou o coelhinho branco que estava logo abaixo do console de videogame que tínhamos mirado.
O boneco caiu.
"Ah, você acertou!"
O senhor que cuidava da barraca levantou o boneco, "Ok!" e o trocou pela arma de Mizuto.
Observamos perdidamente o coelhinho branco que tinha um visual de atleta juvenil e ficamos em branco por um momento.
"...Você fez isso de propósito?"
Mizuto murmurou.
"C-Como isso seria possível...! Só cansei as minhas mãos..."
"Entendi. Graças a Deus a minha meia-irmã não é uma exibicionista."
"Ex...?! D-De qualquer forma, o que foi essa reação...?! V-Você já não está acostumado com os da Higashira-san...?!"
"...Você não é ela."
"Eh?"
"A Higashira nunca pensa em nada quando se pendura em mim. Eu consigo perceber o quanto você está nervosa. Vê se relaxa de uma vez!"
"O que...! V-Você está fazendo parecer que eu estou acostumada a tocar em garotos comparada à Higashira-san! Você não está sendo sensível demais sobre isso, seu pervertido silencioso?!"
"Ok, ok, vocês dois, não atrapalhem os negócios."
Madoka-san nos deu um empurrãozinho nas costas, tirando-nos do sandō até um canto um pouco mais escuro. Algumas pessoas estavam sentadas no chão comendo takoyaki e yakisoba.
Mais uma vez, olhei para Mizuto, que estava segurando o boneco.
"Não combina nada com você..."
"Você não precisa comentar sobre tudo. Não consegue guardar as palavras para si mesma ou algo assim?"
"Pff. Isso não é uma coisa boa? Podemos ser um pouco mais amigáveis."
"Você não carrega isso com você! Não é como se fosse um personagem loli com um lado sombrio!"
Não entendi a analogia dele, mas, em todo caso, a combinação de Mizuto com o boneco era um pouco estranha. Até a Higashira-san, se visse esse boneco no quarto do Mizuto, diria algo como: "Eh? O que é esse elemento moe? Não é demais? Esse estilo antiquado não é exatamente popular hoje em dia~", ou algo do tipo.
Pensei nisso e encontrei Chikuma-kun observando intensamente o boneco nas mãos de Mizuto.
A propósito, nós não participamos do jogo de tiro para vingar o Chikuma-kun?
Mas será que meninos gostam desses bonecos...?
Hm?
Mizuto notou o olhar de Chikuma-kun, semicerrou os olhos e olhou para o boneco de novo.
"Ahhh... isso aqui?"
Enquanto murmurava.
"Hm."
Mizuto ofereceu o boneco ao Chikuma-kun.
Chikuma-kun instintivamente recebeu o boneco, olhou para o rosto de Mizuto e seus grandes olhos piscaram incessantemente.
"Ah... er..."
"Eu não preciso disso. Pegue."
Quando Mizuto disse isso com um tom rígido, Chikuma-kun abraçou o boneco com firmeza.
"Mu-Muito obrigado."
Hmm... combinou com ele.
É um menino, mas o rosto fofo do Chikuma-kun e o boneco se encaixavam perfeitamente.
Pelo modo como os cantos de sua boca se elevaram, parece que ele realmente queria aquele boneco.
Perguntei discretamente ao Mizuto:
"(Como você sabia que ele queria?)"
"(Porque esse boneco é personagem de um jogo.)"
"(Eh? Sério?)"
"(É um Pokémon. Vi o Chikuma jogando.)"
Ahh... agora que ele mencionou.
Desviei o olhar do feliz Chikuma-kun e o dirigi ao meu irmão com cara de tédio.
"(Me surpreende que você seja tão observador. Ele geralmente não diz uma palavra.)"
"(...Ele é assim. Deve ser difícil para ele todos os dias.)"
Mizuto não era tímido, mas nunca foi alguém de se misturar com a multidão.
Assim como eu me sentia mais próxima do Chikuma-kun, acho que ele também sempre esteve preocupado com o Chikuma-kun...
Se esse era o caso, ele poderia simplesmente ter falado.
Qual seria a expressão dele se soubesse que o Chikuma-kun o respeitava?
"(Você também é muito complicado como irmão mais velho.)"
"(O que você quer dizer com 'também'? Quando foi que eu fui desajeitado?)"
"(Agora eu acho que não posso permitir que você seja meu irmão mais velho.)"
"(Melhor do que você como minha irmã mais velha.)"
Desonesto como sempre. Veja como o Chikuma-kun é honesto. Aprenda com ele de uma vez por todas.
Mizuto resmungou com tédio, e não pude evitar rir enquanto olhava para o seu perfil.
Quando iam soltar os fogos de artifício?
Depois daquele incidente, Madoka-san nos arrastou pelo mercado noturno.
Provamos takoyaki, algodão-doce e outras barracas de comida, e até testamos algo suspeito chamado "vidente automático". Um pedaço de lixo.
Passeamos sem pressa e lentamente chegamos perto do salão principal do santuário.
Parecia que podíamos entrar para rezar para o deus do matrimônio ou algo assim. Eu não tinha nada para oferecer a ele, só queria dar um soco nele.
Mas quando vi a multidão à nossa frente, senti que não seríamos capazes de ver os fogos de artifício sem conseguir um bom lugar com antecedência. Eu disse à Madoka-san.
"Hm~, acho que são quase oito da noite."
Madoka-san disse enquanto lambia um pirulito.
"Não se preocupe. Pedimos a alguém para reservar assentos para nós."
"Alguém?"
"Ah, os tios."
Madoka-san disse de repente, e olhei para onde ela estava olhando.
Vi um edifício que parecia um escritório do santuário; mamãe e o tio Mineaki pareciam falar com uma estranha.
Lembrei-me que mamãe e o tio Mineaki disseram que queriam ter um encontro a sós.
"Com quem estão falando?"
"Quem é~ essa vovozinha? Bem, nossa família é bastante famosa aqui, então temos boas conexões."
Então a mamãe só está cumprimentando? Ou talvez se encontraram por acaso e só queriam conversar? Será que eu não deveria cumprimentá-los...?
"Ah, Yume~! Mizuto-kun~!"
Enquanto isso, mamãe nos notou e nos cumprimentou.
Despreocupadamente soltei a mão de Mizuto. Em todo caso, seria um problema estarmos de mãos dadas na frente da mamãe.
Nos aproximamos da mamãe com Madoka-san e Chikuma-kun.
"Chegaram a tempo! Keidouin-san, esta é minha filha Yume."
"Ora, ora, que filha linda. Esse yukata fica muito bem em você, poucas pessoas hoje em dia vestem yukata tão bem..."
"Obrigada pelos elogios. Meu nome é Irido Yume..."
Ela não me foi apresentada formalmente, então eu nunca saberia quem era até o fim. Mas, dada a sua forma elegante de falar, senti que era algum tipo de celebridade.
"Você não precisa se preocupar se ninguém a quiser, visto que é tão bonita. Nossa neta está chegando aos trinta e continua vadiando o dia todo..."
"Eh~? Trinta anos não é ser velha hoje em dia~! Está tudo bem, está tudo bem!"
Madoka-san, que estava murmurando "Quem é ela?", não parecia nem um pouco tímida.
No máximo, ela é corajosa; no mínimo, cabeça dura. Eu gostaria de ter um pouco dessa personalidade.
"Mizuto-kun agora tem uma família além de seu pai."
A elegante avó sorriu docemente para mim e me olhou.
"Mesmo sendo uma estranha, fiquei preocupada quando soube pela Natsume. Pode ser uma situação estranha para se adaptar de repente, mas, por favor, cuide do Mizuto-kun."
"...Sim."
Assenti, mas senti uma certa dissonância.
Ela parecia insinuar que Mizuto era um pobre garoto que não conseguia viver sem os outros.
O Irido Mizuto que eu conhecia era uma pessoa que podia cuidar de tudo por conta própria, mesmo sem se associar com quem estava ao redor.
Nunca pensei nele como um garoto lamentável.
Estamos falando da mesma pessoa? Eu estava um pouco confusa...
"Temos um lugar excelente para os Tanesato verem os fogos de artifício. Vamos mostrar o caminho."
"Obrigada por fazerem isso todos os anos."
"Yume e Madoka-chan, o que vocês querem fazer? Ainda falta um pouco para os fogos começarem——"
Eu me perguntava o que deveria fazer em seguida e olhei para trás.
Nesse exato momento, eu percebi.
Mizuto, que esteve ao meu lado o tempo todo, de alguma forma tinha se afastado de mim por um breve momento.
Em silêncio—— ele desapareceu, como se estivesse se misturando à multidão.
"...Ah..."
Ele não fugiu da cena.
Não foi excluído.
É como se—— ele tivesse se fundido ao ambiente.
Era assim que eu sentia.
Mizuto se desvaneceu deste mundo, como se nunca tivesse existido.
"Ahh~... ele se foi de novo."
Madoka-san demorou um pouco para perceber e franziu a testa com angústia.
"Por que... todos os anos, ele desaparece sozinho?"
Verdade.
Tudo o que aconteceu nos últimos dias passou pela minha mente como um flash.
—— No primeiro dia.
No primeiro dia, quando Mizuto estava saindo da festa, tio Mineaki lhe disse: "Obrigado".
A essa altura, entendi que ele devia estar dizendo ao Mizuto: "Obrigado por vir à festa conosco".
Imagino que o próprio pai do Mizuto, Mineaki-ojisan, era a única pessoa que sabia que uma festa não era algo que alegrava o Mizuto.
—— No segundo dia.
Mizuto nunca se juntou ao churrasco, de jeito nenhum.
Estava tão absorto em seu próprio mundo que nem sequer levantava a cabeça.
Mal disse algumas palavras quando me aproximei dele...
—— No terceiro dia.
Mizuto ficou obviamente incomodado quando me viu conversando com o Chikuma-kun.
Parecia uma criança que teve seu brinquedo roubado.
Mas ele não estava descontente com o Chikuma-kun. Afinal de contas——
—— E hoje.
Mizuto não quis ignorar seus parentes.
De fato, ele vigiou e cuidou do Chikuma-kun. Se ele realmente fosse completamente indiferente aos seus familiares, como teria tido a ideia do boneco?
E não é só isso.
—— No Dia das Mães, vi sua expressão vazia em frente ao santuário de sua própria mãe.
—— Higashira-san temia perder seu lugar no coração do Mizuto.
—— E Mizuto disse "não há lugar" quando rejeitou a Higashira-san.
E então——
"—— Ayai."
"—— ...Nada..."
"—— Para falar a verdade, meu telefone está ficando sem bateria."
Se ele tivesse me ligado de um lugar onde pudesse carregar o telefone.
Olhei para o meu celular.
12 de agosto, 19:26.
[Paiva: Ó meu aniversário sendo citado | Kura: 12 de agosto? | Paiva: Isso ae | Ayko: PaiVersário!]
Sim.
Certo, é isso mesmo. Não há dúvidas.
Eu não poderia saber. Como eu poderia saber naquela época?
Há dois anos, eu.
Como eu poderia saber que ele tinha voltado para casa para ir ao festival de verão local?
"—— 'Eu queria que você me impedisse'."
De colegas de classe.
A namorada.
E então, nos tornamos família.
Vi várias facetas de Irido Mizuto sob vários pontos de vista.
Eram como peças de quebra-cabeça se unindo e finalmente formando uma imagem tridimensional.
Eu nunca tinha visto aquilo.
Como eu poderia ter visto apenas me tornando sua amante?
Olhando para trás, o estilo de vida de uma pessoa certamente derivava de sua trajetória de vida e adotava essa forma.
Não havia nada que ele pudesse fazer a respeito.
Tudo era uma consequência natural.
As pessoas ao redor dele estavam tão convencidas, tão zangadas, e diziam isso sobre ele.
Até ele mesmo reconhecia isso.
Foi isso que levou à criação da persona Irido Mizuto.
Então, o que aconteceu naquela época deve ter sido a luta dele.
Ele devia estar lutando.
Afinal de contas, seu vínculo com Ayai Yume era sua única arma.
Contra o que ele estava lutando? , você pergunta.
Contra o que mais seria?
Com certeza, era a armadilha armada pelo destino.
Em outras palavras, o destino.
"...Eu."
E assim foi.
Minha voz sentida, que tinha sido um nêmesis contra ele durante todo esse tempo, naturalmente escapou dos meus lábios.
"Vou procurá-lo."
Um sorriso brincalhão apareceu no rosto de Madoka-san quando ela ouviu isso.
"Vá buscá-lo. E voltem logo."
Aquele registro de chamada ainda estava no meu telefone.
◆ Irido Mizuto ◆
Desde que me conheço por gente, nunca senti nenhum realismo.
Tudo parecia estranho para mim.
Tudo o que eu via parecia vazio.
Parecia que tudo o que as pessoas chamavam de vida estava localizado do outro lado de um monitor.
Agora, veja bem, não estou me inserindo como o protagonista de Declínio de um Homem.
É claro que existe alguma sobreposição entre ele e eu. Havia ocasiões em que eu lia e pensava: Não sou eu? ... mas definitivamente sou uma pessoa diferente de Dazai Osamu.
[Paiva: vou colocar uma nota no final falando sobre esse livro | Ayko: ótimo livro diga-se de passagem]
É que eu não conseguia me identificar com nada.
Não importava se meus colegas estivessem felizes, tristes ou irritados, eu não conseguia entrar em sintonia com eles.
Talvez fosse porque eu já sabia.
"Graças a Deus."
"Que lamentável."
Percebi que era inútil adicionar tal nota de rodapé.
Porque me diziam isso uma e outra vez.
"Graças a Deus você nasceu com saúde."
"Que pena que você não teve sua mãe quando nasceu."
Uma—— e outra—— e outra, e outra, e outra, e outra vez.
O que isso tinha a ver comigo?
Eu não sabia como isso me envolvia.
Eu só queria viver uma vida normal, respirar o mesmo ar. Por que tinham que ter pena de mim ou me elogiar?
Eu não sabia.
E, como eu não sabia, o buraco no meu coração continuava crescendo.
E por causa disso, tudo o que eu via e ouvia atravessava silenciosamente esse grande buraco, sem que eu pudesse formar uma única onda.
Entre tudo isso... o único realismo que eu sentia era o mundo dos livros.
Não conseguia esquecer o impacto que senti quando li pela primeira vez A Bailarina da Sibéria do meu bisavô.
Estava tudo em preto e branco, mas havia vida, emoções e pessoas ali, mais vibrantes do que qualquer filme de sucesso.
Eu, que nunca tinha sido capaz de empatizar com nada, senti algo preencher meu coração pela primeira vez quando entrei em contato com o mundo convertido em texto.
A Bailarina me ensinou sobre a fragilidade da humanidade.
Rashōmon me ensinou sobre o ego humano.
Sangetsuki me ensinou sobre o orgulho humano.
E Kokoro me levou ao âmago do coração da humanidade.
[Ayko: São todas obras reais, de Rashomon á Kokoro, agora A Bailarina pode ser tanto a obra de seu bisavô, quanto a real obra chamada Maihime]
Para mim, a relação entre a realidade e a ficção tinha se invertido.
Para mim, o mundo fictício era o verdadeiro, e o mundo real era o falso.
É por isso que... meus sentimentos por Ayai Yume inicialmente começaram como um acaso.
Falei com ela por um capricho.
Mesmo quando acabávamos conversando na biblioteca, eu sentia que estava falando através de um monitor.
Mas... sim. O momento decisivo ocorreu no festival de verão, onde tivemos nosso primeiro encontro.
A boba se perdeu e chorou pelo telefone.
Eu me sentia.
Eu me sentia—— incomodado.
Realmente existe uma pessoa tão fraca neste mundo.
Sentia que ela não conseguiria respirar se ficasse sozinha.
Tinha certeza de que, se eu a abandonasse, ela continuaria chorando na escuridão, sem que ninguém mais soubesse.
Ahhh——
Ela é lamentável.
Foi aí que... finalmente percebi o que tinha à minha frente.
Ayai é desajeitada, fraca, incapaz de fazer algo sem a ajuda de outra pessoa. Eu sabia disso—— mas era tudo o que eu conhecia.
Era a sensação que eu tinha ao ler romances—— não, é algo mais intenso, gravado no meu coração——
E essa pessoa é você, Ayai.
Para mim—— você é a única pessoa que me trouxe uma sensação de realismo.
Eu sabia.
Foi apenas por impulso.
Foi apenas meu cérebro enlouquecendo naquele momento.
Especialmente neste ponto, onde tudo terminou, eu sabia disso muito bem.
Mas——
—— Por alguma razão, aquele sentimento daquela época permanecia gravado no fundo desta alma.
Por quê?
Estamos apenas revisitando o passado.
Não há nada com que se perturbar.
Então, por quê?
O antigo fogo se recusava a se apagar——
[Paiva: É interessante ver o ponto de vista do mizuto, apesar de estranho o jeito dele perceber que começou a gostar dela, acaba sendo muito a cara dele e com isso da pra perceber o motivo dele não ter se conectado romanticamente com a Isana | Kura: Ele é realmente estranho, mas isso também significa que até o momento, a Yume é a única que consegue se conectar com ele de verdade. | Ayko: Não acho que ele seja estranho, na verdade divido do mesmo sentimento. Vivemos num mundo onde as plantas de verdade são de plástico, sabe? Ele simplesmente só não se enxerga especial por ter nascido, ou digno de pena por não ter conhecido sua mãe. Digo, como eu posso sentir falta de algo que nunca tive? Além disso, por ser alguém auto suficiente, às vezes é estranho ver pessoas que precisam de ajuda muitas vezes pra coisas simples, acho que o choque de realidade chamado Yume Ayai ter ocorrido com ele é o que o tornou mais consciente de si como indivíduo no mundo. Inclusive sobre como ele se sente.]
◆ Irido Yume ◆
Vi um caminho estreito ao lado do sandō.
Não tinha provas.
Mas meus instintos insistiam, então atravessei a multidão e entrei no caminho.
O caminho da floresta era pavimentado com pedras mínimas.
Atravessei a trilha com estas zōri desconhecidas e encontrei um pequeno santuário.
[Paiva: zōri é aquela sandália, que em muita obra acaba machucando o pé da heroína nos festivais | Kura: Ou quebrando, mas não acho que dessa vez ele vá conseguir carregar ela… | Ayko: Pensa num trem que dói? Tipo os chinelin de madeira, quando tu não tá acostumado (Sim, já useikkkkk)]
Está escuro.
O brilho da feira parecia uma mentira, já que o estreito pátio do santuário estava envolto em trevas. Havia uma velha lanterna, mas não parecia estar em uso.
Em vez disso, a luz da lua brilhava sobre o local, que tinha mais ou menos o tamanho de uma quadra de basquete.
Ao final do sandō que atravessava o centro do terreno do templo.
Irido Mizuto estava sentado no meio das escadas que levavam ao templo.
Mizuto estava olhando para o céu noturno, atordoado, e nada mais.
Aproximei-me dele enquanto batia as minhas zōri nas pedras, sinalizando minha presença.
"Você gosta mesmo da escuridão, não é?"
Fui muito sarcástica.
Agi como agiria normalmente.
"Você renasceu como um fracote ou algo assim? Estava tremendo quando segurava a arma antes."
Mizuto desviou o olhar do céu e o dirigiu ao meu rosto, franzindo a testa levemente.
Isso, é isso aí. Olhe para mim.
Está tudo bem se você não gostar de mim. Está tudo bem me odiar.
Afinal, não sou mais sua namorada.
"...Você está aqui só para me insultar ou o quê? Acha que estou me sentindo sozinho porque não consigo me dar bem com os meus parentes?"
"De jeito nenhum. Eu já sabia disso. É perda de tempo dizer."
"Hmph."
Um passo, dois passos, três passos.
Aproximei-me e pude sentir o hálito dele, o aroma, o calor, cada vez mais fortes.
Eu não considerava um milagre ele ter nascido de uma mãe debilitada.
É apenas trabalho duro. É Irido Kana-san trabalhando duro, trabalhando duro, trabalhando duro para dar à luz. Não há razão para ele ser elogiado apenas por ter nascido.
E eu não considerava uma lástima ele não saber o que é uma mãe.
Certamente, eu poderia sentir pena de mim mesma por não ter um pai. Eu o conhecia. Conheci uma vida onde minha família estava junta e, de repente, ela desapareceu. Eu conhecia... essa tristeza.
Mas é outra questão não conhecê-la para começo de conversa.
Ele não sabia como era a vida com uma mãe. Isso lhe foi privado.
Nesse caso, a ideia de crianças sem mães ao nascer era simplesmente um ponto de vista imposto sobre ele.
[Kura: Como você pode sentir a falta de algo, se nunca teve a sensação?]
É como rotular alguém de cima para baixo, dizendo que aqueles que nunca se apaixonaram são lamentáveis.
É apenas impor piedade sobre alguém que não conhece algo específico.
A ideia de "graças a Deus" e "que pena" não se aplicava a ele de forma alguma.
Esses eram sentimentos que os outros derivavam de si mesmos.
Se alguém dissesse que o efeito do observador da física quântica era aplicável para moldar a personalidade—— então, a personalidade dele poderia ser moldada quando os outros olham para ele.
[Paiva: outra nota pro final]
Portanto, a persona de "um menino lamentável que perdeu a mãe" imposta sobre ele deve ter lhe causado um vazio imenso.
—— Não sei por que perseverei até o fim.
—— É o primeiro livro que terminei de ler por conta própria.
Certo autor disse uma vez: "Penso que a criação e a leitura de um romance é um protesto contra o fato de que temos apenas uma vida".
[Paiva: Isso foi estranhamente profundo | Kura: No final, é isso que procuramos nos romances, algo que não teremos. | Ayko: Procurem sobre o autor Carlos Fuentes, ele aborda esse tema e curiosamente acredito que seja uma frase paralela a alguma obra dele.]
Isso estava correto, imagino que fosse um protesto. Ele não era bom em falar, por isso admirava um grande detetive que pudesse explicar seu raciocínio de forma simples e lógica.
Ele estava fascinado por uma vida que não era a sua, e protestava contra o vazio imposto pelos outros.
Irido Mizuto não tinha nada.
Continuava preenchendo os espaços vazios com coisas que pedia emprestado a outras pessoas.
Ele nunca teve algo para que tivessem pena dele.
Não se sentia triste, nem sozinho.
E como não tinha nada, naturalmente, não possuía nada.
Mas, no fim, houve uma coisa que ele perdeu.
E para ele, era o milagre, a única parte pela qual deveriam ter pena dele.
Ei, tudo bem, não é, Mizuto?
—— O amor que você uma vez perdeu jaz bem diante de você.
"... Há dois anos."
Disse enquanto caminhava em direção a Mizuto, que estava sentado em frente ao santuário.
"O festival de verão foi o nosso primeiro encontro, não foi? Eu me perdi e chorei para você no telefone..."
"Huh...?"
Mizuto parecia desconcertado, mas eu não tinha mais medo.
"Não sei quantos dias se passaram depois disso... mas recebi uma ligação repentina sua no meio da noite."
O vento soprou, e o som das folhas sussurrando ecoou.
"Ainda me lembro. Havia algumas árvores se agitando ao fundo... então era aqui."
Naquela época, você estava sozinho, sentado neste santuário vazio.
Mas naquele ano, estando sozinho... você me ligou.
"Ei, você——"
Pff—— soltei uma risadinha que não conseguiria ter soltado dois anos atrás.
"O quanto você gosta de mim, afinal?"
Até agora, eu acreditava que tinha sido eu quem se confessou para você.
Mas... isso foi apenas um mal-entendido.
Afinal de contas, ele estava tentando me levar a um tempo e espaço onde ninguém mais havia entrado antes, se isso não fosse uma confissão, o que seria?
Mizuto não disse uma única palavra.
Enquanto ele permanecia impassível, dei uma olhada no meu celular para checar a hora na frente dele.
20:00, verifiquei.
Pisei nos degraus onde Mizuto estava sentado e me sentei ao lado dele.
Estávamos a dois punhos de distância.
Esta era a distância apropriada para nós neste momento.
"Ei, você se lembra?"
Dirigi meu olhar para o céu repleto de estrelas e disse.
"O primeiro dia em que fomos à escola depois que começamos a namorar. Eu estava muito envergonhada e tivemos que ir para a escola separados... teria mudado algo se tivéssemos ido para a sala juntos publicamente?"
"..."
"Ei, você se lembra? A primeira vez que tivemos um encontro no nosso dia de folga, eu usei uma minissaia. Achei que você estava estranhamente passivo, mas você me disse para ser menos reveladora quando nos despedimos. Naquela época, achei que você tinha um lado surpreendentemente fofo."
"..."
"Ei, você se lembra? Durante a aula de educação física, no futebol, você demonstrou um senso atlético chocante. Eu estava ansiosa para ver meu namorado em ação, mas você me decepcionou horrores. Bem, senti uma certa proximidade por causa disso."
"...”
"Ei, você se lembra? Costumávamos estudar juntos antes dos exames de meio de semestre. Flertávamos em cada oportunidade que tínhamos, e eu não conseguia me concentrar de jeito nenhum. Foi por essa época também que eu guardei a sua borracha..."
"..."
"E então fomos àquela antiga biblioteca, passando pedaços de papel um para o outro sobre a mesa. Era divertido e excitante..."
"..."
"Ei."
Perguntei ao meu ex, que permanecia em silêncio.
"Você se lembra—— de quando foi o nosso primeiro beijo?"
Eu me lembro.
Lembro-me daquele dia em que voltávamos da escola ao entardecer e eu era invadida pela felicidade.
Nunca esqueci, nem uma única vez.
Olhei para o lado.
Mizuto olhava para o céu, atordoado.
Seus lábios se abriram ligeiramente.
"... 27 de outubro."
Ele soltou um longo suspiro, como se o lançasse aos céus.
"Isso foi exatamente... dois meses depois que começamos a namorar."
"Você ainda se lembra, afinal."
"Você sabia que eu lembrava?"
"Você não desbloqueou meu celular no rio?"
"... Eu te disse para não usar datas como senha."
"Isso é engraçado vindo de você. Se você digitou '1027' tão rápido, significa que usou a mesma senha também, não é?"
Mizuto exerceu seu direito de permanecer em silêncio, mas esse silêncio era basicamente uma admissão de culpa.
"Sim, foram exatamente dois meses. Eu estava um pouco impaciente porque sentia que teria que esperar até o terceiro mês se perdesse aquela oportunidade."
"Eu achava que você tinha lido alguma informação maluca em alguma revista ou na internet."
"Ugh... bem, usei como referência. Só como referência."
"Mas, dada a sua personalidade, sem esse manual te guiando, você provavelmente nunca teria feito algo tão ousado."
"Perdão por ser uma pessoa que depende de manuais! Elogie logo a sua namorada por ter se esforçado tanto!"
"Sim, sim. Imaginei que você tivesse praticado aquela cara de beijo várias vezes."
"O quê... como você sabia...?"
"Percebi de primeira. Você não teria feito tão bem se nunca tivesse praticado."
"Que rude! Até eu consigo improvisar de vez em quando!"
"Eu sou quem tem feito todas as improvisações."
"Ahh~, que condescendente da sua parte. Um bom homem não deveria dizer tais coisas, ok?!"
"Qual é o ponto de agir como um bom homem na sua frente?"
"Com certeza. Não traz benefício nenhum. Minhas ilusões sobre você se destruíram há muito tempo."
"Digo o mesmo de você."
Nossas palavras continuavam fluindo de forma efervescente.
Eram palavras que pertenciam apenas a nós, não impostas por mais ninguém.
"Eu gostaria de responder uma coisa. Sobre a primeira vez que você usou minissaia em um encontro."
"Ahh, foi ali que você demonstrou sua possessividade repugnante."
"É isso! Foi só porque você não ficava bem de minissaia——"
"Ahh~, sim, sim. Diz o sujeito que correu até a minha casa para me ver de pijama~."
"Nada disso, eu só estava te visitando como seu namorado."
"Hmm? Você diz isso, mas por que sinto alguns olhares de vez em quando quando estou de pijama em casa?"
"Isso é só você sendo consciente demais!"
"Ah, você disse 'isso'! Você disse 'só'! Você quer me ver de pijama, afinal, seu pervertido silencioso!"
"De quem você está falando..."
"Ahh, é difícil ter um namorado péssimo. Você perdeu sua primeira oportunidade porque é um grande pervertido silencioso."
"...Havia muito nervosismo de ambos os lados, é claro que fracassaríamos se tentássemos fazer aquilo."
"Ahh...?! O que você disse...?! Você disse algo impronunciável!"
Tínhamos uma conversa sem sentido.
O tipo de conversa que colegas têm na sala de aula.
O tipo que famílias têm na sala de estar.
E, ainda assim, quanto tempo levamos para chegar a este ponto?
Quanto tempo levou para ele?
"Ei."
"O quê?"
"Por que você me permitiu ser sua namorada?"
Continuando essa conversa, fiz a pergunta que não consegui formular durante os últimos dois anos.
Mizuto ponderou por um momento.
"Talvez não precisasse ser você."
"Huh?"
"Afinal, foi apenas uma coincidência, não foi? Se eu tivesse conhecido a Higashira antes de você... eu não teria saído com você, teria?"
"... Imagino que sim."
Não havia necessidade para aquilo.
Se a Higashira-san tivesse sido a primeira, não haveria lugar para mim.
"Mas o fato é que—— eu conheci você."
Disse Mizuto com uma voz confiante.
"É apenas um jogo de dança das cadeiras, ganha quem chega primeiro. Se me pede uma razão... provavelmente é essa. Satisfeita?"
"...Sim."
Dança das cadeiras, quem chega primeiro ganha.
Sim, isso combinava comigo.
Afinal de contas, é o que as pessoas chamam de destino.
"Está quase na hora."
"Hm?"
"Este não é o seu desejo de dois anos atrás?"
Ao mesmo tempo, era o meu desejo de um ano atrás.
Nas férias de verão passadas, apeguei-me a esse pequeno desejo, e ele nunca apareceu.
Por isso, desta vez, eu vim.
Aquela experiência me ensinou que eu não deveria simplesmente ficar esperando por ele.
Não há dúvidas sobre isso.
Irido Yume superou Ayai Yume.
20:00.
Não houve atraso no cronograma.
Uma flor de luz floresceu no meio do céu noturno.
Um som surdo sacudiu nossos corpos.
A mim, e a Mizuto.
As cores vibrantes nos iluminaram.
Os fogos de artifício explodindo um após o outro eram mais poderosos do que eu imaginava.
Entendo, este antigo santuário devia ser um lugar escondido que apenas o Mizuto conhecia.
Ele sabia que este era o melhor lugar para ver os fogos, mas nunca contou a ninguém, e observava este céu magnífico sozinho todos os anos.
Mas—— ele teve o que mereceu.
Este é o fim do seu espetáculo privado.
"Suponho que nós dois vimos os fogos juntos, então."
Olhei para o rosto ao meu lado, que se iluminava com as cores vibrantes, e o provoquei.
Ele é inescrutável.
Tão problemático, tão irritante, tão teimoso.
Eu não saberia de nada se não tivesse adivinhado. Faltavam expressões a ele, e ele não gostava de falar. Sério, é incrível. Como é que ele teve uma namorada?
Com razão não durou muito.
Um ano é bastante tempo.
Se não tivéssemos nos tornado família—— como eu poderia permanecer ao lado dele?
"...Ahh..."
Mas graças a isso.
Pude ver um lado dele que nunca tinha visto desde o nosso primeiro encontro.
"...Ahh..."
O gemido foi abafado pelo rugido dos fogos de artifício.
Ao mesmo tempo, os fogos pintavam categoricamente a escuridão do pátio, e a expressão dele.
Então—— eu não teria visto isso se não estivesse com ele.
Se não estivesse no mesmo lugar que ele.
Se não estivesse ao seu lado, a apenas dois punhos de distância dele.
Se não estivesse observando seu perfil enquanto ele estava ao alcance do meu toque——
—— Eu não poderia ter visto a lágrima caindo por sua bochecha.
Ahh, eu me lembrava.
Várias e várias vezes, eu demonstrava fraqueza a ele, resmungava e derramava lágrimas vergonhosas.
Mas eu nunca o vi chorar, nem uma única vez.
O que entrou no meu peito desta vez foi um sentimento sem precedentes.
Não é uma sensação cortante.
Não é uma felicidade vertiginosa.
Meu corpo não ficou tenso e meu rosto não corou; eu permanecia simplesmente normal.
Um calor atravessava meu corpo, como se estivessem me abraçando.
Um desejo ansiava dentro de mim.
Sim, é desejo, é instinto humano.
É por isso.
Que eu tinha que ter certeza.
Os fogos de artifício não duraram muito.
A luz que preencheu o céu noturno se dispersou, e a escuridão ocupou o lugar mais uma vez.
Os olhos que se acostumaram à luz faziam a escuridão parecer mais densa. Até a silhueta dele bem na minha frente parecia borrada.
E, ao contrário de antes, eu disse:
"Ei... olhe para mim."
"Hm?"
A silhueta da cabeça dele se moveu.
Ahh—— vamos lá, ele está tão indefeso.
Se você vai ser tão descuidado... não pode reclamar se for devorado, não é?
Minhas mãos seguraram a cabeça do Mizuto.
"?! Esp——"
Não vou deixar você falar mais nada.
Está tudo bem.
Não importa o quão escuro esteja, eu sei muito bem onde estão os seus lábios.
A sensação familiar despertou em meus lábios.
O rosto estava um pouco para a direita.
Não cometerei o erro de bater nossos dentes de novo.
Só que desta vez, eu não precisava respirar a cada três segundos.
Porque desta vez, eu não vou soltar você.
4 segundos—— o tempo perdido lentamente despertou dentro de mim.
5 segundos—— desde que paramos de nos falar há um ano, até agora.
6 segundos—— agosto, setembro, outubro.
7 segundos—— aniversários, Natal, Ano Novo.
8 segundos—— Dia dos Namorados, White Day, formatura.
9 segundos—— acabamos sendo meio-irmãos.
10 segundos—— fomos enganados apesar de termos terminado.

[Paiva: Eu não queria interromper mas VAMOOOOOOO YUME TU É DEMAIS | Kura: Atacante nata! FINALMENTE!! | Ayko: VAMO GURIZADA, ACONTECEU, FINALMENTE!!!!!!!!!!!!]
Meus lábios lentamente se separaram.
O tempo que poderíamos ter tido foi preenchido.
Finalmente alcancei o presente——
E meu coração sentia tanta paz.
Meu desejo foi concedido.
Recuperei tudo o que poderia ter feito durante todo esse tempo.
Seria bom continuar este relacionamento com ele—— pensei, mas esse sentimento persistente não existia.
Meus olhos lentamente se acostumaram à escuridão.
O rosto aturdido e imóvel de Mizuto aparecia de perto.
Isso mesmo. Impacte-se, confunda-se, aflija-se.
Talvez seja apenas um arrependimento persistente para você.
Talvez seja apenas uma sensação de vergonha por desenterrar um amor que acabou há muito tempo.

"Está tudo bem por agora. Você pode brincar com o passado o quanto quiser.
Mas.
Não importa o quanto você tenha amado a Ayai Yume——
—— Irido Yume definitivamente vai te seduzir.”
Aquele beijo foi uma declaração.
Não de Ayai Yume, mas de Irido Yume.
O segundo primeiro beijo da minha vida será uma declaração de guerra contra você.
“Aquele lugar de que você falou quando rejeitou a Higashira-san——
—— Eu vou garantir que ela seja expulsa do seu assento."
Soltei uma risadinha e me levantei da escada, deixando para trás um Mizuto atordoado.
Então, dirigi minha atenção ao santuário que estivera à minha frente.
Nunca pensei que me apaixonaria pelo mesmo homem duas vezes.
Seria esta mais uma das armadilhas de Deus—— ou é o destino?
Maldito seja você, Deus.
...Mas, só por esta vez, estou grata a você.
"Vamos voltar, Mizuto."
Estendi minha mão para Mizuto, que permanecia sentado. Ele piscou e tocou suavemente os próprios lábios.
"Eh? Não..."
"Vamos! Não deixe a mamãe e os outros preocupados."
Segurei a mão do nervoso Mizuto e o levantei.
De repente, ouvi um sussurro na grama atrás de mim... mas não dei importância enquanto arrastava Mizuto para frente.
"Ah! Vocês voltaram~!"
Chegamos ao escritório onde nos separamos antes, e vi Madoka-san nos esperando. Chikuma-kun estava atrás dela. ...? Por alguma razão, havia algumas folhas em seu yukata.
"Ahh~ graças a Deus~... Estava preocupada que vocês tivessem se perdido também."
"Eh? Também? ... O que quer dizer com isso?"
Chikuma-kun parecia estar protestando contra Madoka-san por dizer aquilo, pois deu um chute nas costas dela.
É raro ver o honesto Chikuma-kun sendo violento. "Por quê? O que aconteceu, Chikuma?"
Madoka-san estava claramente confusa.
Enquanto inclinava a cabeça, Madoka-san olhou para mim e para Mizuto, e então aproximou rapidamente a boca do meu ouvido.
"(Correu tudo bem?)"
"(...Digamos que eu dei o primeiro passo.)"
"(Ohhh! Bom trabalho! Me ligue se precisar de qualquer coisa! Vou te apoiar e——)"
E então, Chikuma-kun chutou a panturrilha de Madoka-san.
O que está acontecendo...? Aconteceu algo para deixá-lo bravo?
Madoka-san, observando o comportamento do irmão, soltou um "Ah" com um olhar de entendimento.
"Eh...? Não pode ser? Sério?"
Chikuma-kun não levantava o olhar e continuava limpando os olhos com as mangas do yukata.
"Ah, ahh~... bem, meus pêsames, ou..."
[Paiva: TOMA TALARICO, SOFRA | Kura: Paiva, ele viu… ele viu Paiva. | Ayko: Paiva meio “desista dos seus sonhos e morra” pro Chikuma KKKKK]
Suponho que fosse de se esperar que a irmã mais velha compreendesse as ações inexplicáveis de Chikuma-kun imediatamente.
Madoka-san abraçou o irmão e acariciou suas costas, como se confortasse um bebê.
"Está tudo bem, Chikuma. Esse tipo de experiência é o que faz um bom homem. Assim, você não vai se tornar um perdedor como o meu namorado!"
Madoka-san tranquilizou pacientemente o Chikuma-kun, que chorava.
E perguntei em segredo ao Mizuto, que estava ao meu lado.
"(Ei, o que está acontecendo? Por que o Chikuma-kun está chorando?)"
"(Quem sabe...?)"
Parece que estávamos longe de ser verdadeiros irmãos.
Bom, é melhor assim para mim agora.
◆
Nossa despedida foi bem simples.
"Adeus~! Visitem-nos de novo~!! Vamos, você também, Chikuma."
"..."
"Até quando você vai ficar resmungando? Se não se despedir agora, pode ser que nunca tenhamos a chance de vê-los de novo, sabe?"
Estávamos na entrada dos Tanesato e, quando estávamos prestes a entrar no carro, Chikuma-kun recebeu um empurrãozinho nas costas da irmã mais velha e parou cautelosamente na minha frente.
Então, ele olhava para o meu rosto repetidamente.
"E-Erm...?"
"Hm, o que foi?"
"...P-Posso... discutir algumas coisas com você...?"
Lembrei-me de ter dito que, como colegas de timidez, ele poderia me procurar se quisesse conversar.
Sem hesitar, sorri e disse a Chikuma-kun:
"Com certeza. Estarei esperando!"
Não sabia se Chikuma-kun estava nervoso ou algo assim, mas o rosto dele ficou vermelho instantaneamente ao ouvir essas palavras.
"M-Muito obrigado!"
Após um agradecimento alto e uma profunda reverência, ele voltou para perto de Madoka-san.
"Oh~, bem feito, bem feito... vai ser difícil para você quando não houver esperança, sabe~...?"
"...Uu..."
"Ah, desculpe por abrir uma nova ferida! Prometo que não vou te provocar de novo por esses dias!"
Os dois irmãos entraram no carro com um alvoroço e seguiram para a estação.
Nós também voltaríamos para casa depois de visitar os túmulos dos ancestrais dos Tanesato.
"Muito obrigada, Yume-chan. Vou deixar o Mizuto-kun sob seus cuidados."
Enquanto se despedia, Natsume-san sorriu e me disse isso.
"Ele é um garoto forte. Ficará bem sem mim."
"Hmm? Sério?"
"Mas vou honrar o seu pedido... ele também é inesperadamente solitário."
Deliberadamente baixei a voz para que Mizuto não pudesse me ouvir, e Natsume-san sorriu de alegria.
"Agora estou aliviada."
Fui até o carro, e Mizuto, que esperava ali, olhou para mim com espanto.
"O que você disse para a vovó?"
"O que você acha?"
"Hm~?"
Devolvi o olhar e a pergunta, e Mizuto inclinou-se para trás.
"Você não está... agindo um pouco estranha?"
"Não, de jeito nenhum. A sua informação não está um pouco desatualizada?"
"Huh?"
Naquele momento, soou a voz do tio Mineaki.
"Estamos prestes a sair!"
"Sim", respondi, e coloquei a mão na maçaneta.
Antes de abrir, olhei para trás.
Observei meu ex e meio-irmão—— por quem eu tinha carinho.
Tentei mostrar um sorriso travesso.
"Não precisa se preocupar, somos meio-irmãos, Mizuto-kun."
"...Com certeza, Yume-san."
O que desapareceu nunca retornará.
A felicidade que existiu uma vez nunca poderá reviver.
Mas, além disso, poderíamos criar novas memórias.
Por exemplo—— sim.
Uma sequência está em andamento.
Por favor, aguarde por mais informações.
◆ Higashira Isana ◆
Voltei para a sala e encontrei Mizuto-kun dormindo no sofá.
"Huh?", pensei.
É o dia em que vi um filme na casa de Mizuto-kun—— Your Name .
Se não me falha a memória, depois que o filme terminou, Mizuto-kun acabou dormindo sobre o colo de Yume-san.
Então, para onde a Yume-san foi enquanto eu estava no banheiro?
Enquanto inclinava a cabeça, aproximei-me do sofá e vi o Mizuto-kun adormecido.
Essa situação se parece muito com a Branca de Neve, não é?
A Branca de Neve envenenada acorda com o beijo do Príncipe...
Hm, em outras palavras——
O Mizuto-kun acordaria se eu o beijasse agora?
Yume-san conseguiu me impedir uma vez.
Mas desta vez ela não está aqui. Os freios não estão aqui.
...Como pode isso, Mizuto-kun? Você não pode se mostrar tão indefeso...
Se você vai ser tão descuidado... não pode reclamar se for devorado, não é?
Talvez ele esteja me tentando? Já que me rejeitou, ele não poderia dizer e indiretamente queria que eu agisse?
Bom, é só uma desculpa, só uma desculpa para mim, já que não consigo me conter...
Afinal de contas, quem pode garantir isso?
Os lábios de Mizuto-kun são muito finos e macios, como os de uma garota——
Não importa o quanto eu tentasse me convencer, o rosto dele me atraía——
Sua respiração leve estava sobre meus lábios.
Meu coração batia forte e estava prestes a saltar.
Talvez eu estivesse mais nervosa do que durante a confissão.
Por favor, me elogie, Mizuto-kun.
Vou dar o meu melhor para não colocar a língua, por favor, me elogie.
E, por favor.
Não acorde, nem por um segundo——
E então, ofereci meu primeiro beijo.
"Era brincadeira!!"
Senti vergonha de repente e apaguei o texto que tinha escrito no meu tablet.
Haa, suspirei e olhei para o teto do meu quarto.
Hmmm... é muito vergonhoso escrever uma história de fantasia baseada em pessoas reais, especialmente meus amigos. Pensei em escrever algo pervertido...
Talvez eu estivesse pensando em escrever algo assim porque o "Comitê do Poderia Ter Acontecido" estava na minha cabeça.
É isso. Ria o quanto quiser.
É verdade que voltei para a sala naquele dia quando a Yume-san saiu.
No entanto, assim que tentei aproximar minha boca do Mizuto-kun adormecido, pensei: "Não posso fazer isso", e então recuei.
Aquela teria sido a primeira vez—— e talvez a última vez que eu beijaria.
"Mas eu não podia fazer isso com alguém dormindo, certo? É um crime.
— ...Haaa... —
Mizuto-kun, você não poderia se apressar e voltar logo do campo?
Aitakute Aitakute Furueru ... oho, se eu disser mais, as pessoas vão dizer 'você está revelando sua idade'. Não vou revelar minha idade aqui. É coisa da última era, ok?!
[Paiva: "Quero te ver, quero tanto te ver que estou tremendo" é a tradução dessa frase, é de uma música da Kana Nishino, só não entendi a parte da idade pq a música é de 2010 e é uma música bem daora]
— ...Mizuto-kun... —
Abracei o travesseiro e rolei na cama.
Mizuto-kun, meu amigo.
Fico empolgada toda vez que penso em você. Sobre o que deveríamos conversar amanhã? Você leu aquele livro? Você gosta disso?
Acho que isso definitivamente é um sentimento de amor.
Mas não sei. Comparado a quando me esforcei tanto com a ajuda da Yume-san e da Minami-san, o título de namorada não me parece tão atraente.
Amigos e amantes não são tão diferentes assim, são?
Como amigos, podemos passar o tempo, nos divertir, ser felizes.
Mas, ao contrário dos amantes, a única desvantagem é que não podemos fazer nada erótico.
Bem, algumas pessoas fazem de qualquer jeito.
Eu percebi isso.
Perdão à Yume-san e à Minami-san... mas aproveito mais este tempo do que quando tentava ser a namorada do Mizuto-kun.
Porque, para ser namorada, ele tem que gostar de você, não é?
Você tem que se maquiar, se vestir bem e tentar parecer melhor.
É exaustivo.
Comparado a isso, isto é muito mais fácil!
Não fico nervosa com ele e não preciso me preocupar com erros na minha maquiagem!
Sei que o Mizuto-kun não liga para isso, então não preciso me preocupar com gênero também!
Além disso—— está tudo bem eu continuar gostando dele.
Posso continuar tendo uma queda por ele sem a pressão de ter que contar um dia.
Se eu puder ter um amor não correspondido para sempre, está tudo bem para mim se ele nunca for satisfeito.
Porque é muito divertido.
Posso fantasiar sobre coisas, roubar olhares e ficar nervosa quando ele se aproxima de mim inesperadamente.
Ele vai levar um susto se eu brincar sobre o meu fracasso amoroso.
Isso vai continuar para sempre, sabe? É claro que é divertido!
Provavelmente não estou com o coração partido.
Não perdi o meu amor.
Talvez este amor não correspondido seja a melhor forma de amor para mim.
Ah—— estou tão feliz por estar aqui.
Deus, ajude-me, por favor.
Se estiver me ouvindo, por favor, deixe-me ser amiga do Mizuto-kun para sempre.
Não me importo se o Mizuto-kun tiver uma namorada.
“Definitivamente vou valorizar quem quer que o Mizuto-kun ame.”
Nota dos tradutores:
Paiva: Pois bem meus caros leitores, encerramos aqui a história do volume 4 e tudo o que foi adaptado ao anime de mamahaha, ainda tem o posfácio mas sei que muita gente pula então vamo dizer que acabou aqui, antes de falar sobre o capítulo irei comentar sobre as duas “notas” que eu citei antes.
Um homem em declínio é um romance de 1948 pelo escritor japonês Osamu Dazai . Conta a história de um homem perturbado, incapaz de revelar o seu verdadeiro eu aos outros, e que, em vez disso, mantém uma fachada de jovialidade vazia, mais tarde entregando-se a uma vida de alcoolismo e toxicodependência antes do seu desaparecimento final. O título original traduz-se como "Desqualificado como ser humano", ou por "Humano falhado", pelo que li o romance foi publicado um mês depois que o autor quis virar jogador do Vasco.
Agora a parte mais longa. O efeito do observador pode ser exemplificado com duas coisas, na parte teórica da pra citar o paradoxo do gato de Schrödinger, vocês sabem, só da pra saber se o gato ta vivo se olhar, agora existe uma parte que foi comprovada com prática também, acredito que todos aqui já tiveram aula de química e estudaram os modelos atômicos certo? após o modelo de Bohr que é o mais “comum” existiam mais dois(ou mais) e um deles é o do próprio Schrödinger, que dizia que em volta do núcleo existe uma nuvem de elétrons e tal, a partir disso os físicos começaram a se perguntar, um átomo se comporta como? só como partícula? e foi aí que começaram a estudar se o átomo poderia ter algum outro comportamento e o que pensaram foi no comportamento de uma onda então decidiram fazer o experimento, o curioso disso foi que enquanto observavam o átomo só se comportava como partícula, mas quando o observador saía surpreendentemente o átomo se comportava como onda, doidera né? foi daí que surgiu a questão do efeito do observador, muita gente acredita que isso pode até mesmo influenciar na nossa realidade, como se cada pessoa tivesse o próprio mundo e que essa mesma pessoa é que influencia nele, tudo de ruim e tudo de bom que acontece com essa pessoa é decisão dela mesma, seja conscientemente ou inconscientemente, se tiverem interesse nisso procurem o documentário “quem somos nós” tem quase 2 horas mas ta disponivel no youtube, é deveras interessante. Agora pra finalizar a nota, vamo ligar o efeito do observador com as falas da Yume, como o Mizuto cresceu sem a mãe dele, as pessoas começaram a projetar nele a imagem de um “coitado” com pena dele, a partir disso ele provavelmente acabou aceitando essa imagem inconscientemente e por isso ele fala que tem um “vazio” dentro dele, foi por causa das projeções dos outros que eram os “observadores” tenderam? qualquer coisa só me marcar la no chat de mamahaha no discord da scan que podemo falar mais sobre.
Agora sobre esse belíssimo capítulo(vou deixar pra falar sobre o volume no posfacio) muito daora ver que a Yume nunca sentiu pena dele mesmo ao saber sobre a mãe dele e tal e tudo isso por conhecer ele melhor do que todo mundo, a parte dela dizendo que ia ocupar o lugar da Ayai Yume no coração do Mizuto, me lembrou um pouco o título de um cap de outra obra “Dizendo adeus ao meu eu covarde”, achei muito daora essa evolução que a Yume teve com uma maturidade dos sentimentos dela, agora sobre o final da Isana, achei meio zoado, provavelmente vai ser apenas um recurso narrativo do autor pra Yume ter uma concorrência(acredito que mais pra frente surjam outras personagens também, principalmente imagens dos volumes futuros) e eu confesso que acho isso paia, mas ao menos sabemos que nosso querido e frio protagonista só tem olhos e espaço no coração para uma única mulher e essa mulher vai ir atrás dele com vontade, já me estendi demais então encerrarei por aqui, valeu valeu até o próximo cap
Ayko: Gurizada, leitorada, meus amigos… o que foi esse capítulo hein? Sem dúvidas minha parte favorita foi o trecho dos pensamentos do próprio Mizuto, talvez por em partes me identificar com a visão de mundo e das pessoas, mas enfim. A Irido matou a Ayai, e isso me deixou contente. Gostei muuuuiito do conceito de abrir mão de um passado para se poder iniciar um novo futuro, a mudança é surreal de se acompanhar, a maturidade que ela adquire e se tocar sobre a existêncial o Mizuto no festival… que incrível, realmente incrível.
Concordo com o Paiva sobre a Isana. Não me apetece a ideia de ela em especifico ser a concorrente, não pela personagem em si mas pelo fato de já se ter encerrado a parte dela. Não sei se fui claro o suficiente, mas bom, até o próximo volume amigos! Obrigado pela obra Kyousuke Kamishiro-san!
Traduzido por Moonlight Valley
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