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Capítulo 2: A ex-namorada cuida dos doentes (...será verdade que as pessoas se recuperam transmitindo sua doença para os outros?)

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Capítulo 2: A ex-namorada cuida dos doentes (...será verdade que as pessoas se recuperam transmitindo sua doença para os outros?)

◆Yume Irido◆

Um resumo até agora. Eu estraguei tudo.

"—Ei, cadê a xícara que estava aqui?"

"O quê? Eu levei para a pia."

"Hã? Eu ainda ia usar ela..."

"Como é que eu iria saber? A culpa é sua por deixar largada aí."

"Haa..."

"...Hmph."

Viu? Essa é uma conversa que aconteceu entre um garoto e uma garota depois de se beijarem.

Nós já estamos acostumados um com o outro hoje em dia. Era pra tudo estar calmo. E então, antes que eu percebesse, voltamos a nos dar mal.

Como isso aconteceu?

Não. Eu sei. Eu sei. Espera um pouco, tá? Eu só tentei esconder minha vergonha, só um pouquinho! Eu só achei que seria constrangedor admitir o motivo de eu ter beijado ele, então tentei negar a minha própria realidade e fugir! Mas...!

E então, depois daquilo com a Higashira-san, senti que por pouco consegui enganar ele sobre aquele beijo~ e então, antes que eu percebesse, isso aconteceu. Mizuto ficou mais propenso a se irritar comparado a antes das férias de verão, e eu não conseguia evitar de responder com ironia.

Uuu~...! Não. Não. Não...! É exatamente o oposto do que eu queria fazer~...!

Eu queria me aproximar do Mizuto como uma diabinha, deixar ele envergonhado, fazer ele agir de forma um pouco suspeita. ~!

[Kura: Por essa eu não esperava kkkkkk | Paiva: Yume sendo Yume | Ayko: Os dois tem uma líbido bem alta né…]

Como é que eu volto àquela época...? Eu explico pra ele que eu só estava escondendo minha própria vergonha? Agora? Nem pensar! Como é que eu vou agir como uma diabinha assim?

Sentei no sofá da sala. Na cozinha, Mizuto despejou a água da jarra na xícara.

De qualquer forma, eu precisava parar com essas reações maldosas. Foram meus reflexos automáticos que me meteram nessa confusão. Certo. Eu sou uma mulher que aprende. Sou boa no ciclo PDCA—

[Kura: Teoria de gestão: planejar, executar, analisar e melhorar. Em inglês está diferente porque depende do lugar, mas a lógica é essa. (Eu vendo o assunto da faculdade em mamahaha kkkk.)]

Clack! Um som alto ecoou. Eu me virei em choque.

Mizuto olhava para o chão com a testa franzida.

Me levantei e fui ver. A tampa da jarra do filtro tinha caído, e a água estava espalhada pelo chão da cozinha.

"V-você tá bem?"

A jarra era de plástico. Então não quebrou. Talvez não tenha sido culpa minha…

Mizuto pegou um pano e se agachou. Eu me aproximei para ajudar.

"Não vem."

Fui interrompida por uma voz dura.

"Não chega mais perto. Eu consigo fazer isso sozinho."

Fiquei parada ali. Eu não conseguia fazer nada.

...é isso...?

Ele me odiava tanto assim? Sério?

Ah, é verdade. É verdade mesmo. Nós terminamos uma vez. Mas... nós dois não queríamos nos reconciliar?

E agora... ele me odiava tanto assim?

A antiga eu era tão diferente assim...?

Mizuto terminou de limpar o chão molhado, encheu novamente a jarra do filtro e a colocou de volta na geladeira.

E então. Ele não disse uma palavra. Apenas passou direto por mim.

Hmm?

Me virei e vi as costas do Mizuto enquanto ele saía da sala.

Por algum motivo... ele parecia pálido, hein?

[Kura: Ressaltando um comentário do Paiva, é realmente bom ver que eles se entendem. Mas agora, a Yume é o problema, às vezes ela interpreta errado… | Paiva: Nesse volume acho que ela vai me fazer passar raiva, ela acha que ele ta assim por odiar ela e não por ela ter beijado ele do nada e simplesmente ter voltado se fazer de salame (expressão gaúcha gurizada pra não falar baixarias aqui) | Ayko: Não só a Yume entende errado, como também o próprio Mizuto confunde coisas e leva tempo pra entender outras… porém realmente quando se trata de um ao outro, eles sabem se ler bem]

◆Mizuto Irido◆

Meus pensamentos estavam uma bagunça.

Meu corpo inteiro doía.

Minha garganta estava terrivelmente seca lá no fundo, e até respirar era difícil.

No geral, acho que peguei um resfriado.

"...Haa..."

Voltei para o meu quarto com muita dificuldade e imediatamente desabei na cama.

Fazia tempo... Quanto tempo fazia desde a última vez que fiquei resfriado?

Será que peguei algum vírus no interior...? ... Eu sabia que não devia ter ido ao festival...

...Ela provavelmente não foi infectada por mim, né...?

[Paiva: Isso foi fofo mano | Kura: Já amoleceu o coração?|Paiva: quem vai me fazer passar raiva é a Yume | Ayko: É Mizuto, a gripe masculina realmente bate diferente…]

Me enfiei na cama tentando afastar a sensação inquietante nos meus lábios.

De qualquer forma. Vamos dormir. Isso deve curar.

Era o que eu sempre fazia quando ficava resfriado, desde criança.

...Que frio…

✦  ✦  ✦

Acordei com uma sensação gelada na testa.

Ainda atordoado, conferi meu estado. Minha garganta ainda doía, e eu ainda me sentia mole. Parecia que eu precisava dormir mais.

Preciso melhorar o mais rápido possível . Eu estava prestes a me entregar ao sono de novo, mas então uma pergunta surgiu bem a tempo.

O que é essa coisa gelada na minha testa?

Parecia uma compressa refrescante, mas eu não lembrava de ter colocado uma.

Abri lentamente as pálpebras.

"Ah."

Na minha visão embaçada, vi um rosto familiar.

Ela percebeu que eu estava acordado, colocou o longo cabelo preto atrás da orelha e olhou para o meu rosto.

"Você tá bem?"

Ela perguntou como se fôssemos uma família normal. Achei que ainda estivesse sonhando.

Porque, bem, é.

Eu não sabia exatamente o que nela estava incomodada comigo. Ultimamente, ela vinha fazendo cara feia na minha frente e parecia preguiçosa demais pra se aproximar de mim... mas naquele momento, era como se estivesse preocupada comigo...

"Quer alguma coisa? Peguei umas bebidas isotônicas."

"...Me dá...."

"Hmm. Consegue se levantar?"

Me levantei devagar, e Yume despejou a bebida esportiva isotônica num copo com canudo e o levou até meus lábios.

"...Eu consigo beber sozinho..."

"Não adianta nada se você derramar tudo. Só fica quieto."

Mesmo assim, segurei o copo na mão da Yume. E coloquei o canudo na boca. A bebida doce e gelada desceu até o fundo da minha garganta.

"Você podia ter me falado... que estava tão mal assim."

Yume disse num tom incrédulo.

"E se for uma gripe muito séria? Ainda estamos nas férias de verão..."

"...Cala a boca...."

"O quê? Nem posso cuidar de você?"

"...Eu estava...."

Como eu estava com febre, não filtrei as palavras que saíam da minha boca.

"...Eu estava...com medo..."

"O quê?"

Foi aí que minhas forças acabaram. E deixei a cabeça cair de volta no travesseiro.

Só algumas palavras já tinham me cansado...

"Vai dormir? Como tá sua temperatura? Você mediu?"

Não medi.

Eu nem consegui dizer isso e caí num sono profundo.

◆Yume Irido◆

...Ele adormeceu...

Olhei para o rosto do Mizuto enquanto ele respirava silenciosamente durante o sono. Sem ter outra escolha, peguei um termômetro.

E então. Lentamente. Coloquei a mão no botão da roupa do Mizuto.

Eu não tinha escolha. Não tinha escolha nenhuma... Eu não estava pensando em nada pervertido. Nem um pouco...!

[Kura: Não entre em crise, é uma operação necessário… Vamos vamos| Paiva: Ela ta se aproveitando do nosso prota]

Desabotoei o botão. Aquela clavícula branca e o peito dele entraram no meu campo de visão, e o sangue subiu direto pro meu rosto. Ele está doente agora! Calma! Calma...!

Vou colocar o termômetro debaixo do braço dele... Eu sempre achei que ele não fosse do tipo peludo, mas nunca imaginei que ele nem tivesse pelos nas axilas...

Pipipipipi. Um som ecoou, sinalizando o fim da medição.

Voltei a mim. Tirei o termômetro da axila do Mizuto. Ah, isso foi perigoso... Eu quase beijei ele, e não foi porque eu queria ficar encarando um doente dormindo sem permissão. Preciso me controlar. Controle. Controle...

37,9°C

O número indicado não era exatamente baixo nem alto. Nesse caso, uma noite de descanso deve bastar.

"...Ainda bem..."

Se isso continuasse por dias, eu não teria confiança suficiente pra manter meu autocontrole. Não é exatamente uma coisa boa perceber meus verdadeiros sentimentos...

Arrumei a roupa do Mizuto, desviando os olhos com toda a força de vontade que eu tinha. Respirei fundo e olhei para o rosto adormecido dele.

—'Eu estava...com medo...'

Medo?

Do que ele estava com medo...? Eu fui dura demais com ele? Ele precisava falar sobre mim até dormindo...? Ngggghhhh...!

...Não era como se eu estivesse tentando bancar a durona com ele ou algo assim.

Mas, no fim das contas, nosso relacionamento já tinha mudado. Ontem, hoje, de repente... não dava simplesmente pra mudar tudo assim. Sempre que nos encontrávamos, acabávamos naturalmente trocando provocações, e se um dizia alguma coisa, o outro respondia na mesma moeda. Essa era a distância normal entre nós agora.

Eu sabia que só porque eu queria, não significava que poderíamos voltar ao passado.

Não, nós não deveríamos voltar ao passado, porque seria apenas repetir o passado.

Assim como eu me apaixonei por ele nesse estado atual — eu também esperava que ele se apaixonasse por mim do jeito que sou agora.

[Kura: Me intrometendo novamente, essa é uma linha de raciocínio bem madura, a Yume evoluiu muito.]

Eu sabia que estava exigindo demais, mas... não poderíamos ser amantes se não conseguíssemos chegar tão longe.

Ainda somos meio-irmãos até nos tornarmos amantes.

Eu tentei sair num encontro com ele, mas simplesmente não consegui me acostumar com aquilo. Nossa situação não permitia que acontecesse.

...Mas eu não sabia o que fazer.

Se eu contasse tudo honestamente pra ele, talvez ele ficasse cauteloso comigo. Quanto da confiança dele eu perdi?

Se eu não fizesse nada, será que ele acabaria se apaixonando por mim e se confessaria sozinho...?

...Senti como se tivesse regredido pra um estado pior do que quando eu estava no ensino fundamental, em vez de amadurecer.

"...Talvez eu faça um ojiya."

[Kura: A típica sopa de arroz que vemos nos animes quando alguém pega um resfriado/gripe | Ayko: Em alguns locais, o Ojiya pode chegar a ter uma textura próxima de um mingau]

Nunca fiz antes, mas devo conseguir dar um jeito se procurar uma receita.

Me levantei e saí do quarto do Mizuto por enquanto.

[Kura: Era disso que eu estava falando Paiva, peguei o melhor cape ehehehe.| Paiva: Mas o cap que não vai sair da mente das pessoas é o 3 e tu sabe o pq kkkkk]

◆Mizuto Irido◆

Percebi imediatamente que estava sonhando.

"Quer que eu pegue água pra você? Quer que eu te dê na boca?"

Não havia sarcasmo nem ironia na Yume Irido enquanto ela cuidava de mim como uma mãe, e a única coisa que eu sentia era compaixão, sem que ela pedisse nada em troca.

Isso jamais poderia acontecer na realidade. Era uma alucinação assustadora.

"Quer que eu meça sua temperatura? Certo. Levanta o braço."

—O que ela tá fazendo?

Mesmo que fizesse isso, o resultado seria o mesmo. Não importa o quão gentil ela fosse comigo, o quão próximos ficássemos, foram as pequenas coisas que acabaram nos destruindo no fim, não foi?

No fundo, as pessoas são iguais. Eu e você não mudamos tanto assim. Vai acontecer de novo. Vai haver momentos em que não concordaremos com o que o outro faz. Quando isso acontecer, quem vai ceder primeiro? Quem vai aceitar o outro? —Com certeza nenhum de nós.

[Kura: Eu acredito que dessa vez vai ser diferente meu caro Mizuto.| Paiva: É SÓ CONVERSAR, gurizada saibam que um bom relacionamento funciona na base do diálogo e diálogo de verdade e não o do meme | Ayko: É só eles terem conversas ao invés de monólgos internos, CONVERSEM, DIALOGUEM]

Nós não conseguíamos nos adaptar tão facilmente quanto a Higashira.

Nós só continuávamos arrastando tudo sem parar. Deixávamos nossas emoções nos puxarem pra baixo. Somos teimosos, cheios de orgulho — e, antes que percebêssemos, acabávamos presos.

Então nós somos apenas... meio-irmãos. Isso não já é bom o bastante?

Finalmente estávamos prestes a deixar o passado pra trás.

Eu finalmente consegui largar os sentimentos que me prendiam.

...Mas por que tivemos que fazer algo tão desnecessário?

Eu já estava cansado disso.

Achei que as coisas estavam indo bem, mas não estavam. Achei que ela estava feliz, mas ela estava decepcionada.

O amanhã que seria igual ao hoje nunca chegaria.

Nunca existiu um momento de paz.

...E ainda assim. No final, tudo explode como uma bolha e se perde.

O amor é apenas uma paixão passageira.

O sonho de um adolescente. Um pesadelo.

—Já tive sofrimento suficiente.

"...Nn..."

Abri lentamente as pálpebras, ainda distraído, e só conseguia ouvir o tique-taque do relógio.

Não havia ninguém ao lado da cama.

Só havia uma bebida isotônica na mesinha.

Me ergui devagar.

Estiquei os braços. A dor nas articulações tinha diminuído bastante. A sensação ruim girando dentro da minha cabeça tinha desaparecido. Não estava tão mal quanto antes de dormir. Eu estava suando um pouco, e meu metabolismo parecia ter voltado ao normal. Minha garganta ainda doía, mas... parecia que o vírus estava prestes a ser eliminado.

Bebi um copo da bebida isotônica para lavar os resquícios do resfriado e saí da cama.

Na verdade, eu não pretendia fazer nada em específico. Só tinha dormido o suficiente.

Saí do quarto, desci as escadas e ouvi movimento na sala de estar.

Abri a porta.

"Vejamos. Uma colher grande de sal... mas quanto é uma colher grande!?"

Parada na cozinha estava uma desastrada.

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[Kura: Fofa | Paiva: DEMAIS | Ayko: ABSURDAMENTE]

Ela estava usando um avental por cima da roupa de casa e havia prendido o longo cabelo num rabo de cavalo para não atrapalhar. Bem, só essa aparência já fazia ela parecer confiável.

Mas a forma como franzia a testa encarando a montanha de sal na colher medidora fazia ela parecer nada mais que uma criança tendo sua primeira aula de culinária.

"Uma colher grande... deve ser assim, né? Ah, tanto faz, deve servir."

"Não, não serve."

"Eh?"

Consegui segurar a mão dela bem na hora em que estava prestes a despejar aquela montanha de sal dentro da panela.

Yume se virou para mim, piscando surpresa.

"Você tá... bem?"

"Uma colher de sopa não significa isso. Significa uma colher rasa. Você aprendeu isso nas aulas de economia doméstica, não aprendeu?"

"Eh... ah, é mesmo...?"

Soltei a mão da Yume, lavei as mãos na pia, nivelei o excesso de sal e despejei a quantidade certa na panela fervendo.

Havia arroz cozinhando nela, e vi um ovo ao lado do fogão. Aparentemente, ela estava tentando fazer ojiya.

"...Não faça algo que você não está acostumada enquanto eu tô dormindo. E se começar um incêndio?"

"E-eu não sou tão ruim cozinhando assim! Às vezes eu ajudava a fazer arroz! Isso eu consigo fazer sozinha!"

"É verdade. Você nem sabia cozinhar arroz até eu te ensinar."

"Ugh...!"

Yume desviou o rosto, olhando para o lado com os lábios emburrados.

"...Me dá crédito por tentar. Além disso, é pelo seu bem também..."

Olhei de canto para Yume.

"Seu conceito de cuidar de alguém é fazer o doente se preocupar?"

"Ngg... uuuu~...!"

Yume rosnou como uma criança e me encarou. O rosto dela claramente dizia: "Seu homem sarcástico. Você devia estar mais fraco."

Sim. É assim que deve ser.

Desviei o olhar dela e abri a gaveta de legumes da geladeira.

"Arroz e ovo não têm nutrientes suficientes, né? Coloca cebolinha."

Peguei uma cebolinha e a coloquei na tábua de corte.

"Ah...! Eu faço...! Você ainda não se recuperou totalmente, né?"

"Mais ou menos. Mas a doença vai voltar se eu comer esse ojiya de mina de sal."

"Mas isso é diferente de ficar doente."

"Bate o ovo então. Isso você consegue fazer pelo menos, né?"

"...Já entendi! Tá bom! Parece que você tá bem mesmo se consegue discutir desse jeito! Eu faço, eu faço! Tenho praticado!"

Yume bateu o ovo cru na pia, inclinou a cabeça para olhar a rachadura e bateu de novo, e de novo — e claro, acabou usando força demais. Ela quase destruiu o ovo inteiro, então tive que correr até ela para tirar os pedaços de casca.

[Kura: Acho que me identifiquei kkkkk, sou horrível em quebrar ovos| Paiva: Dica: peguem um talher e batam no ovo e pronto não derrama nada | Ayko: Fiquei tão bom com ovos que uma mão já é suficiente, antes era dificil]

Cortei a cebolinha enquanto ela observava. Se eu deixasse essa desastrada mexer numa faca, meu estado pioraria.

Despejei o ovo em movimentos circulares e acrescentei a cebolinha picada do jeito que achei melhor.

O ojiya ficou pronto.

Eu estava prestes a pegar a panela.

"Você deixou a panela cair agora há pouco, não deixou?"

Yume disse isso e praticamente arrancou a panela das minhas mãos... Bem, é verdade que eu não podia dizer que estava completamente recuperado. Talvez eu estivesse mais fraco do que imaginava e, considerando o perigo potencial, decidi deixar isso com ela.

Coloquei um descanso de panela na mesa da sala de jantar, e Yume colocou a panela sobre ele. Ela pegou tigelas e uma concha para nós, e nos sentamos um de frente para o outro diante da panela.

"Você vai comer também?"

"Quero ver como ficou."

Ainda estava claro lá fora, mas já eram sete da noite, quase hora do jantar. Para uma pessoa saudável, ojiya não seria suficiente para o jantar — então ela ficou tão ocupada cuidando de mim que nem chegou a comer?

[Kura: 7 da noite, claro? | :Paiva: No verão sim mano, na época que existia horário de verão na minha antiga cidade 20:00 o sol tava recém se pondo | Ayko: Yep, em alguns lugares no Oriente, em certas épocas do ano o Sol leva mais tempo para desaparecer]

Yume nem pediu minha opinião e serviu o ojiya em duas tigelas.

"Ah, esqueci os hashis... talvez colher sirva?"

Ela murmurou isso enquanto corria rapidamente para pegar colheres e as colocava diante de nós.

"Itadakimasu."

Juntei obedientemente as mãos e peguei um pouco do ojiya amarelo com a colher.

"Ahh!"

Tentei colocar direto na boca como um idiota e, naturalmente, levantei o rosto franzindo a testa.

"Esfria isso..."

"F-fica mais gostoso quente."

Então rebati enquanto soprava o ojiya para esfriar.

[Kura: Todos tem seus momentos fracos kkkk | Paiva: O home não é de ferro]

Acho que era porque eu estava com fome — e percebi uma coisa, mas não queria pensar mais nisso. Não fazia sentido imaginar a cena de uma mulher que mal sabia cozinhar enquanto eu estava morrendo de fome.

Yume colocou lentamente a colher na boca e saboreou o ojiya.

"Tá gostoso..."

Continuei soprando o vapor para esfriar o ojiya. Mastiguei os grãos de arroz cobertos de ovo por alguns segundos.

"O arroz parece aguado. Você colocou água demais?"

"Uu... d-desculpa..."

"...Bem. Tudo bem, já que é ojiya."

Dei outra colherada. Felizmente, meu apetite estava maior do que o normal.

Yume olhou surpresa enquanto eu movia a colher repetidas vezes... e então abriu um sorriso aliviado.

"Nós cozinhamos juntos. Nós comemos juntos..."

Enquanto eu pegava uma segunda porção da panela, Yume de repente murmurou distraidamente:

"...Acho que é assim a sensação de ser casado, né?"

Olhei de relance para o rosto dela e murmurei:

"Não acho que seria muito diferente de agora."

"Sério?"

"Estamos vivendo sob o mesmo teto, e temos o mesmo sobrenome."

"Acho que é verdade. ...hmm?"

De repente, Yume inclinou a cabeça.

"Isso foi..."

"O que foi?"

"Não. ...erm."

As bochechas da Yume ficaram levemente vermelhas, e o olhar dela caiu para a mesa.

"Nós acabamos de conversar... assumindo que vamos nos casar ou algo assim...?"

"Hmm? ...Ah."

Minha cabeça estava mais lenta que o normal, e finalmente percebi o que tinha dito.

"...A culpa é sua por falar disso quando estamos sozinhos. Se isso é um problema, vai arrumar um namorado—"

"Não quero."

A negação foi imediata. Não consegui evitar gaguejar.

Do outro lado da mesa, Yume encarava a tigela vazia.

"Eu não... quero isso."

"...O que você quer dizer com isso—"

"—O que você acha que significa??"

Ela levantou o olhar de repente. Era um olhar investigativo.

Senti como se aquilo atravessasse meu corpo, e algo ficou preso bem no fundo da minha garganta.

Por um tempo, eu não consegui falar.

[Kura: De repente, uma emoção me pegou de surpresa…]

Yume soltou uma risadinha provocadora.

"Entendo. Acho que estou começando a entender... um pouco melhor."

"Do que você tá falando...?"

"Nada? É só que eu tive um namorado muito legal no ensino fundamental, então os outros garotos simplesmente não se comparam a ele, sabe?"

"...Hã?"

"Tô brincando."

Ela sorriu como uma criança travessa que acabou de aprontar alguma.

Espera... ela acabou de... me provocar?

Ela, essa novata do ensino médio que só tinha notas boas pra mostrar?

"Por que você não vai dormir depois que terminar de comer? Você não tá pensando direito."

"...Vou fazer isso."

É. Meu cérebro não tá funcionando. Se eu conseguisse expulsar o vírus do meu corpo, não teria caído nas brincadeiras dela.

...Que diabos ela estava tentando fazer, afinal?

Ela não estava arrogante como de costume, nem demonstrava afeto como fazia antigamente.

Ela parecia... uma pessoa diferente.

[Kura: Fisgado | Ayko: Meu mano Mizuto foi pego no fishing]

◆Yume Irido◆

"...Phew...."

Observei Mizuto subir as escadas, soltei um longo suspiro e me joguei preguiçosamente contra o encosto da cadeira.

Eu já estava praticamente no meu limite.

Se eu não tivesse encerrado aquilo dizendo que era brincadeira, não conseguiria expressar meus sentimentos.

E além disso... foi até um pouco divertido.

"...Fufu, fu..."

Não consegui evitar rir baixinho enquanto pensava em como Mizuto ainda devia estar pensando nas minhas palavras e na minha atitude provocativa.

Isso é uma mulher. As alegrias de ser uma mulher adulta.

Afinal, eu cresci. A eu do ensino fundamental jamais conseguiria bolar um plano tão genial assim—.

"Fufu... fufufu. Fufufufufufufu—"

"Yume? Do que você tá sorrindo aí sozinha?"

"Fuaayyyyaahh?"

E antes que eu percebesse, mamãe tinha voltado e falado comigo, me assustando na hora.

[Kura: Cuidado megamente kkkkk]

◆Mizuto Irido◆

"...É verdade que as pessoas se recuperam passando a doença para outra pessoa?"

Mais uma vez, eu estava sonhando.

Percebi isso logo de cara. Ela era só uma desastrada metida a esperta que achava ser mais inteligente do que realmente era. Como ela poderia vir pra cima de mim com um sorriso tão sedutor assim...? Se ela está tentando me enganar, é uma tentativa bem ruim.

Afastei aquele sorriso e aqueles lábios que se aproximavam e tentei recuperar a consciência.

Escuridão cobria minha visão. Esperei um instante e então percebi que nem tinha aberto os olhos.

Ahh, eu sou simplório demais pro meu próprio bem... Como eu poderia ter um sonho tão ridículo só porque ela me provocou? Não existe chance de ela me atacar enquanto eu estivesse dormindo. Mesmo quando namorávamos, ela nunca tomou a iniciativa de me beijar...

Ri mentalmente, incrédulo comigo mesmo, e abri lentamente as pálpebras. Provavelmente já era tarde da noite. Talvez eu não conseguisse dormir direito porque tirei um cochilo longo durante o dia. Como eu deveria passar o tempo? Falando nisso, ainda tinha livros que eu não li—

"..."

"...!?"

Achei que ainda estivesse sonhando. Duvidei seriamente.

[Kura: Sério que ele foi ATACADO? kakakakakaka]

Abri os olhos e vi o rosto da Yume bem na minha frente, com os olhos fechados.

Era real.

Prendi a respiração.

O pequeno sopro que escapava dos lábios da Yume roçou nos meus lábios.

O rosto dela se aproximava do meu, com o cabelo preso atrás da orelha direita. Ela perceberia que eu estava acordado se eu virasse o rosto. Então tudo o que consegui fazer foi semicerrar os olhos olhando para ela.

Aquilo me lembrou da noite do festival de verão no interior.

Sim. Houve uma vez. Uma das raras ocasiões em que ela tomou a iniciativa de me beijar.

...Não. Não foi isso. Ela só perdeu o equilíbrio.

Então o que é isso? Ela está perdendo o equilíbrio de novo? Isso é só coincidência, né?

Impossível! Calma! E se isso continuar acontecendo repetidamente? E nós simplesmente nos perdoarmos... e deixarmos tudo passar... somos uma família vivendo sob o mesmo teto. Quantas chances temos de ficar sozinhos? Se dermos esse passo, nós—

[Kura: Ele iria aceitar mesmo kkkk| Paiva: E quem não iria? | Ayko: Nota-se que ele pensou diretamente nas chances de ficarem sozinhos kkkkkkk]

"...Tô brincando."

—Yume afastou o rosto de repente.

A pressão sufocante desapareceu num instante. Foi como se eu tivesse sido deixado para trás.

Olhei para baixo com os olhos semicerrados e vi Yume olhando para mim. Quando rapidamente fingi estar dormindo, Yume riu baixinho sozinha.

"Se é contagioso e tem cura, então ser infectado não é algo do qual se deve ter medo."

[Ayko: Que linha de raciocínio impressionante… vou testar com a Elly, obrigado Yume!]

Yume murmurou aquilo de forma enganosa — e saiu do quarto.

Quando já não consegui mais ouvir os passos dela, me sentei imediatamente.

A compressa refrescante caiu da minha testa e pousou sobre o cobertor.

Fiquei encarando aquilo por um bom tempo.

"..."

—...'Tô brincando'...

Até parece!

Com quem você tá brincando!? Não tinha ninguém olhando pra você! Até um palhaço ficaria quieto quando está sozinho!

"...Kuu..."

Eu já estava praticamente recuperado, só que minha garganta ainda estava um pouco seca e dolorida. Mas agora eu tinha um novo sintoma. Minha cabeça estava tonta e leve.

Eu não entendia.

Eu realmente não entendia.

O que eu deveria... fazer?

"—Ah, Mizuto-kun, você acordou."

A porta do quarto se abriu. Yuni-san colocou a cabeça para dentro.

Ela entrou no quarto e se sentou na cadeira onde Yume estava sentada antes.

"Como está se sentindo? Melhor agora?"

"Sim. Bem... praticamente."

"Você é tão jovem. Eu queria poder fazer coisas que uma mãe faria, mas infelizmente não tive chance de mostrar serviço..."

Yuni-san riu baixinho.

Olhei para o relógio. Já estava quase meia-noite. Acho que dormi umas três ou quatro horas... Yuni-san disse que não precisava atuar hoje, então ela voltou tão tarde assim?

"Na verdade — ah, mas guarda segredo da Yume, tá?"

Yuni-san disse alegremente, levantando o dedo indicador em sinal de silêncio.

"Eu perguntei se podia cuidar de você. Mas a Yume recusou, dizendo que queria fazer isso sozinha."

...Cuidar de mim? Sozinha?

"Ela ficou cansada fazendo algo com que não está acostumada. Nossa, a Yume cresceu tanto e virou uma menina responsável sem que eu percebesse~."

As palavras da Yuni-san não pareciam ter nenhum significado oculto, e ela parecia genuinamente feliz com o crescimento da filha.

Mas eu simplesmente não conseguia aceitar isso.

Eu não achava que ela estivesse agindo só por responsabilidade.

...Você gosta de mim ou não?

Enquanto formos irmãos, nada disso deveria importar. Não importa se você gosta ou me odeia — o fato é que somos apenas meio-irmãos que costumavam namorar.

Mas, se você não quer que fique apenas nisso e deseja que seja algo além—

...Eu estava abalado. Confuso. Inquieto.

Uma mistura conflitante de felicidade e ansiedade surgiu dentro de mim.

A única coisa de que eu tinha certeza naquele momento era:

"Por favor, diga a ela que agradeço."

"Ehh~? Você mesmo não pode dizer isso?"

"...É vergonhoso."

Desviei o olhar e murmurei isso, fazendo Yuni-san piscar surpresa.

"Ah não. Não consigo parar de sorrir. ...! Mizuto-kun, você também é tão fofo!"

"...Por favor, para."

"Okay. Já decidi. Nunca vou contar! Nunca vou dizer isso!"

"Eh?"

"Se você está realmente agradecido, diga você mesmo. A qualquer momento, mas faça questão de dizer."

"Eh..."

"Fufu. Agora eu pareço uma mãe de verdade?"

[Kura: Muito mais, você é uma sogra, auxiliar, técnica, Ancelotti…| Paiva: Tenho leves suspeitas que ela sabe de algo… | Ayko: Talvez até imagine que tenha algo acontecendo Paiva, mas acho que não tem ideia da totalidade que a situação é kkkkkkk]

Yuni-san riu baixinho.

"Esse é o segredo para viver junto. Considere isso um conselho de um mau exemplo que já cometeu esse erro uma vez!"

...É difícil entender ela. Mas—

"Entendi."

Como filho, eu não tinha outra escolha além de assentir em concordância.

◆Yume Irido◆

Na manhã seguinte,

Acordei muito mais tarde do que o normal, já que fiquei com Mizuto até tarde da noite — eu sabia que ele já estava praticamente recuperado e que não havia mais com o que se preocupar, mas acho que queria retribuir por ele ter cuidado de mim em abril... então pensei que deveria ficar com ele até o fim... E, bem, ele fica tão fofo dormindo.

Mamãe me disse que ele estava completamente recuperado, então fui dormir — até agora.

Eu estava na sala, tentando decidir o que fazer para o almoço, quando ouvi um rangido vindo das escadas. A porta se abriu.

Era Mizuto de pijama.

O cabelo dele estava todo bagunçado de tanto dormir.

"Bom dia...."

"..."

Mizuto olhou rapidamente para mim, entrou na cozinha, serviu água da jarra do filtro em um copo e bebeu tudo de uma vez. O rosto dele parecia completamente normal.

Me aproximei dele.

"A febre passou?"

"..."

"Tá com fome? Eu estava prestes a preparar o almoço..."

"..."

Mizuto não respondeu. Ele pegou um arroz frito congelado da geladeira e ligou o micro-ondas.

O-o quê? Por que você tá me ignorando? Se você já melhorou, eu não preciso mais me preocupar em pegar a doença, certo??

"Ei, espera—"

Estendi a mão em direção ao ombro do Mizuto.

Ele desviou rapidamente e deu um passo para longe de mim.

"Eh?"

Mizuto olhou uma vez para mim enquanto minha mão ainda permanecia suspensa no ar.

"...Não chega muito perto."

Ele disse suavemente e fechou a porta do micro-ondas.

Mizuto encarou o prato giratório começando a rodar e não falou mais nada.

Olhei para o perfil dele, completamente perplexa.

"....O-o que foi isso...?"

Eu cuidei tão bem dele ontem...! E ele nem tá agradecido comigo!?

"Hmm."

"Pfft."

Mamãe, relaxando na mesa de jantar, sorriu de canto ao nos observar.

"...O quê? Aconteceu alguma coisa?"

"Quem sabe? Um dia você descobre, não vai?"

Não algum dia. Me conta agora.

Por mais que eu quisesse uma resposta, mamãe e Mizuto simplesmente não me diziam nada.

Notas dos Tradutores / Revisores:

-Kurayami: Nesse, em uma tarde de domingo eu estou completamente eufórico por ter traduzido esse capítulo. Acredito que terei que tomar algo, mas uma crise de alegria me atacou kakakakakakakaaka. Mandei mensagem para o Ayko e Paiva, mas nada ainda… Preciso dar spoilers… Mas que capítulo! Se antes eles se entendiam, agora eles não se entendem mais, como um casal que acabou de descobrir que se amam e não sabem o que fazer.

E para quem não viu o Mizuto mostrando a paixão novamente, aí está! A Yume lhe deu uma rasteira kkkkkk. O próximo capítulo é com o Paiva, então nos vemos lá.

-Paiva: Cap gostosinho de ler, devia ter ficado com os pares, porém o próximo cap será um tanto apelativo gurizada, kura e eu acabamo dando uma olhada no que tem traduzido no mangá e o próximo cap se tiver algo sobre nossa querida Yume vai ser pouco infelizmente, mas como ja tão me chamando de amante de peitos entre o pessoal da staff KKKKKKK quem for do mesmo time vai curtir o cap KKKKKKKKKKKKKK é isso gurizada, indo agora traduzir o cap 3 tmj

- Ayko: De fato eu gostei muito mais desse segundo cap do que do primeiro, e sobre o que o mano Kura disse, tive a mesma sensação. Quanto a quando tinham que entender um ao outro como conheciam e como irmãos ao meu ver tava tudo certo, mas agora com os sentimentos e a verdade a flor da pele… Bom, vejamos os próximos acontecimentos e sim guys, Oppaiva como tem sido caridosamente reconhecido reinou no próximo cap diga-se de passagem! Espero que aproveitem a leitura.

Traduzido por Moonlight Valley

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