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Capítulo 3:Isana Higashira não está perdida (...Hum...você quer voltar para o quarto?)

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Capítulo 3:Isana Higashira não está perdida (...Hum...você quer voltar para o quarto?)

[Kura: Já começamos como? Kakakakaka]

◆ Irido Mizuto ◆

Não é por querer me gabar, mas uma vez eu visitei a casa de uma colega de classe.

Não é por querer me gabar, mas ela era minha namorada na época.

Sério, não é por querer me gabar, absolutamente não.

[Paiva: Imagina se fosse | Ayko: Ainda não entendi… acho que ele não quer se gabar não, quer não ele hehe]

Quero dizer, eu já tinha estado na casa da minha namorada, mas nunca tinha ido à casa de uma amiga.

"Mizuto-kun, você quer vir à minha casa amanhã?"

Eu estava me perguntando por que a Higashira Isana tinha me ligado do nada, e foi isso o que ela sugeriu.

"Por quê? Não é como se eu precisasse te ver."

"O dia está um tédio~. Mas você vai me ter por perto."

"Você só viria aqui de novo sem me falar nada, não é?"

"É por causa disso. Disso."

"Disso?"

"Bem, eu tenho visitado a sua casa todo santo dia. Então a mamãe..."

"O quê? Ela finalmente te deu uma bronca?"

"Não, não — a mamãe disse: 'quero conhecer o Irido-kun'."

"Ah."

Entendi. É o que qualquer pai ou mãe em sã consciência faria. Provavelmente.

Dados todos os indícios até agora, eu conseguia perceber que a mãe da Higashira era uma pessoa bem intensa, mas parecia ter um mínimo de bom senso social.

"Mas, mas, não acha mancada trazer uma mãe para a casa de um amigo?"

"Bem, sim."

"Então, basicamente, depois de conversarmos, pensamos que devíamos convidar você para vir aqui, ~Mizuto-kun. "

"Outro problema... por que eu tenho que conhecer os seus pais?"

"Fufu... parece até que a gente vai casar."

"Agora me deu um desânimo total de ir."

"Por favor! Se não, a mamãe vai me matar!"

"Faz um tempo que venho me perguntando, mas a sua mãe é uma ex-delinquente ou algo assim?"

"Não, de jeito nenhum. Minha mãe não é delinquente. Ela só é violenta."

[Ayko: “Só é violenta”... Só!]

"Agora eu definitivamente não quero ir."

"Não se preocupe. Ela disse que só queria te agradecer e te pedir desculpas, Mizuto-kun!"

"‘Agradecer’ e ‘pedir desculpas’? Isso soa como..."

Suspirei.

Bem, a justificativa era legítima e, para ser sincero, não é como se eu estivesse totalmente indisposto a aceitar o convite... seria mentira dizer que não estava interessado na Higashira. Ela já tinha vasculhado a minha biblioteca, e seria injusto da minha parte não retribuir um pouco a cortesia. Mas, bem…

Olhei em direção ao quarto ao lado.

Se eu dissesse que ia para a casa da Higashira, me pergunto que cara ela faria…

"...Você não quer... vir?"

[Kura: No final, ele pensa nela]

Houve uma voz levemente ansiosa do outro lado da linha.

"Se você não quiser mesmo, não tem problema. Tudo bem..."

"Não. Por mim tudo bem. Eu vou."

Respondi como si a hesitação de antes tivesse sido uma mentira.

A voz da Higashira se animou.

"Sério?"

"Sim. Não gosto quando a minha privacidade é a única a ser invadida."

"Só a invasão?"

"Só a invasão. Amanhã vou despir o seu corpo."

[Paiva: Gurizada kkkkkkkkk | Kura: Vai ser atacado… | Ayko: Uau, que direto]

"Hein? ...Ah, er, er, se você quiser fazer isso, vou ter que me preparar..."

"Eu mordi a língua. Eu quis dizer que vou despir a sua biblioteca."

"Brincaram comigo! Mamãe!"

"Para de bobeira e vá direto para a prisão dos safados!"

E se eu a visitasse amanhã e acabasse ouvindo um ‘seu tarado, como ousa vir aqui e despir a minha filha, hein?’

"Mmm... por favor, tome cuidado, Mizuto-kun. Nossa casa nunca foi preparada para algo assim."

"A minha também não. No fim das contas, não é diferente do normal."

"Acho que sim."

Vou arrumar meu quarto e te esperar então. Higashira desligou.

Então... involuntariamente, olhei em direção ao quarto ao lado.

...Não tem motivo para ela reclamar, certo? Nesse ponto, eu não tinha obrigação de protegê-la, mesmo que isso fizesse a Higashira se sentir sozinha.

◆

A casa da Higashira era um apartamento familiar afastado da avenida principal.

Eu já tinha a acompanhado até em casa antes e chegado até a frente do prédio, mas sempre a deixava na entrada. Era a minha primeira vez entrando.

Ao contrário das casas do Kawanami e da Minami, não parecia ter portaria eletrônica com tranca automática.

Passei pela entrada principal, peguei o elevador e fui até o andar que me foi informado de antemão.

A placa “Higashira” estava no fim do corredor. Era um apartamento de canto.

O interfone estava bem na minha frente. Peguei meu telefone e liguei para a Higashira.

"Alô, Higashira?"

"Nnni... fffuuui..."

"...Você acabou de acordar?"

"Estou bem... Já vou abrir..."

Ela desligou. Bem, era apenas uma da tarde, nas férias de verão, então fazia sentido. Só ia esperar ela se arrumar.

Pensei nisso e quis pegar um livro para ler, mas antes que pudesse fazer isso, a porta se abriu com um rangido.

"Bem-vindo..."

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[Kura: Sem nada Paiva?| Paiva: Sem nada… | Ayko: Não entendi :D]

Higashira apareceu, claramente sonolenta.

Fiquei desconcertado quando a vi.

"É assim que você recebe os convidados?"

Higashira vestia uma camiseta enorme e shorts. Claramente tinha acabado de acordar. Não estava de sutiã nem nada, e a camiseta era sustentada por seus seios fartos, balançando como uma cortina na frente de sua barriga. O gola da peça estava gasta e folgada, deixando o decote à mostra. As coxas expostas sob os shorts

pareciam totalmente indefesas diante de mim.

[Paiva: Se preparem | Ayko: Agora entendi D:]

Claramente, ela não estava em condições de receber uma visita — muito menos um homem.

Não era a primeira vez que a Higashira ficava tão desprotegida assim, mas ela sempre tinha usado roupas de sair até então. Sem dúvidas, estava vestida daquele jeito agora porque estava sozinha em casa…

"Hmm... parando para pensar, ainda estou usando minha roupa de dormir..."

Higashira puxou levemente a gola e checou o próprio visual. Quase se expôs por completo.

Até eu, com toda a minha calma, tive que desviar os olhos.

...Hmm? Agora...?

"Desculpe... eu estava dormindo antes... fuuaah..."

"Vai se vestir. Eu espero."

"Ahh~, tudo bem... me troco depois... por favor, entra..."

Higashira esfregou os olhos e liberou a entrada.

Tem certeza de que quer fazer isso? Inclinei a cabeça e passei pela porta.

"Kuaaa~..."

Higashira bocejou, tirando as sandálias displicentemente, e subiu o degrau de entrada.

"...uopa."

Ela ainda não acordou totalmente, né? No momento em que subiu, quase tropeçou—

— Boing.

...Hmm?

Por acaso o peito dela... balançou...?

[Paiva: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK | Kura: Que isso cara kakakakaka | Ayko: Esse boing me quebrouKKKKKKKKKKKKKKKKK]

"Essa foi por pouco. Hehe~... Ah, Mizuto-kun. Quer chinelos?"

"Ah, não preciso..."

"Entendi... Então me segue, por favor."

Sou só eu? Olhe, não é como se eu ficasse prestando atenção em como eles balançam…

[Ayko: Talvez também uma tal de Akatsuki… talvez…]

Higashira seguiu pelo corredor à direita da porta da frente.

E então, abriu uma porta não muito longe dali.

"Este é o meu quarto."

"Fica bem perto da porta de entrada."

"Não é~? É fácil de sair. Hehe~~"

"Invejo você. Por quinze anos eu morei no andar de cima."

[Paiva: Bom pra treinar perna pô]

"Eu tenho mais inveja de você. Preferia ter uma casa de dois andares."

"Por que isso?"

A alguns metros pelo corredor, à esquerda, havia outra porta no final.

"Aquele é o quarto dos meus pais~. Virando a esquina fica a sala."

"Eu deveria ir cumprimentá-los primeiro?"

"A mamãe deu uma saída rápida. Volta logo~. O papai não está em casa hoje."

Ela especificou que ele não estava em casa hoje, em outras palavras, ele ficava mais em casa do que fora. Nesse sentido, a situação familiar dela era um pouco diferente da do Kawanami e da Minami.

"Sinta-se em casa~"

Higashira guiou o caminho e me convidou a entrar em seu quarto.

O quarto da Higashira era bem, bom, como eu imaginava.

Havia uma estante entulhada de webnovels, e os livros que não cabiam estavam sobre a escrivaninha, a cama, o chão, por toda parte, formando pilhas. Além disso, folhas da escola e meias jogadas estavam espalhadas por todo canto. Sem dúvidas, tive aquela sensação de ‘Ah, entendi, é o quarto da Higashira’.

Sentei-me casualmente no chão, e Higashira fechou a porta.

"Huh~... pode sentar na minha cama, sabe?"

"Não sou tão ousado quanto você."

"O quê? Isso é tão estranho...?"

Higashira inclinou a cabeça e apoiou os joelhos na cama, onde o lençol estava uma bagunça. Ela tinha dito que ia arrumar o quarto, mas por que acabou assim? Os papéis espalhados... não seriam a lição de casa de verão dela, seriam? — Hm?

No momento em que apoiei minha mão sem querer, toquei em algo que parecia tecido.

O que é isso? Vermelho como uma rosa, duas formas que parecem taças unidas—

...... .Isso não é um sutiã?

[Paiva: Será que botamo a cena do manga aqui?kkkkkk | Kura: Podem ir no chat da Scan que vou mandar traduzido quando lançar esse Cape. | Ayko: … deixa pro chat da scan, inclusive, se ainda não está por lá entrem no sercidor!]

Obviamente, era um sutiã jogado de qualquer jeito no chão. Embora fosse diferente do que eu já tinha visto da Yume. O que mudava? O tamanho. De acordo com ela, lembrei que a Higashira usava tamanho G—

[Paiva: Caps anteriores eu falei dos tamanhos, informações gurizada, informações | Kura: Se informou bastante.]

Ai, meu Deus! Não tem a menor condição de ela receber visitas assim!

Abortar missão, abortar missão. Desviei o olhar rapidamente do sutiã.

E, enquanto eu olhava para o outro lado... um novo acontecimento se desdobrou como uma catástrofe.

"Hmm~..."

Higashira estava em cima da cama, sentada na defensiva, com as pernas encolhidas de lado.

Ela resmungava e gemia com aquela voz abafada típica de quem está sonolenta.

Provavelmente ela não queria ver a própria barriga.

A forma como ela puxou a camiseta para cima era claramente — a de alguém que estava tentando tirá-la.

[Kura: Pessoal, temos uma foto bem sensível da Isana sem camisa, então vou colocar ela no chat da obra, lá no server.]

Pude ver o umbigo da Higashira. Pude ver suas costelas e a cintura. E a camiseta acabou prendendo em outras coisas mais acima.

[Kura: Por essa eu não esperava kkkkkk Asobi]

A barra da camiseta ficou presa por eles.

Graças à gravidade, a metade inferior se soltou da camiseta.

Foi nesse momento que finalmente percebi — a causa daquela sensação de estranheza que eu estava sentindo.

Ela não está... usando sutiã.

[Paiva:Bah… | Kura: Inocente | Ayko:Que isso]

Branco puro. Luas crescentes de pele, sem a proteção de nenhum tecido, espiando por baixo da barra da camiseta levantada.

Fiquei completamente estupefato na mesma hora.

Para começar, era a minha primeira vez vendo a parte de baixo dos seios de uma garota — e eu não esperava que a Higashira estivesse sem sutiã. Eu nunca tinha sequer cogitado isso até esse exato momento!

[Kura: Eu vendo isso em uma call com Paiva, Moon, Jeff e Del kkkkkk]

"Mmm...!"

Higashira lutou por um instante com a camiseta que estava emperrada nos seus seios tamanho G.

Aquela breve luta foi um instante que pareceu a diferença entre a vida e a morte.

"Ei!"

Um segundo antes de eu ver as partes fatais, finalmente gritei.

Higashira parou as mãos e me direcionou um olhar incrédulo.

A parte inferior dos seios dela ficou exposta enquanto ela me encarava por alguns segundos.

Então.

"...Ah?"

Finalmente ela pareceu recobrar a consciência e puxou a barra da camiseta para baixo, cobrindo o umbigo.

Segurou a camiseta e ficou em silêncio por um instante.

"...Isso me assustou..."

"Quem diz isso sou eu!"

Respondi com toda a minha força. Higashira sorriu timidamente e soltou um "Uejejeje".

"Eu estava totalmente dormindo. Esqueci que tinha um garoto no meu quarto..."

"Estou suando frio agora. Isso foi..."

"Desculpe pelo transtorno."

Higashira continuou sentada na cama e abaixou a cabeça rapidamente.

...Nesse momento, a gola da roupa caiu e, como esperado, duas curvas brancas ficaram descobertas bem diante dos meus olhos. Apesar de eu ter desviado o olhar — eu só vi branco, certo? Não vi nada rosado, certo...?

[Paiva: Tão querendo nos sabotar na classificação indicativa Kura | Kura: Suspeito]

Isso foi... desprotegido demais.

Bem, ela sempre é desatenta, e ainda mais quando estava no meu quarto. Ela disse que confiava em mim, mas aqui estamos falando de um esporte completamente diferente. Ela provavelmente não tinha um algoritmo de como se comportar quando outra pessoa estava no quarto dela.

"De qualquer forma, você está sendo desleixada demais. E nem arrumou o seu quarto..."

"Bem~ eu pensei em fazer isso antes de dormir... ah, acho que não guardei o que usei ontem."

"...O que você usou ontem? Tipo, o que está bem aqui do meu lado? Isso?"

"Ahhh~... que vergonha..."

"Você está falando sério?!"

Peguei o sutiã pela ponta e usei o impulso para jogá-lo na Higashira.

Ele acertou o rosto da Higashira, e ela o abriu, segurando-o contra o peito.

"Gostou? Estou usando algo bem sexy, não é~?"

"Você ouviu o que eu disse?"

"Para falar a verdade, ainda estou bastante envergonhada. Acho que é por isso que estou fazendo piadas para disfarçar. Por favor, entenda."

...Claro que não. Você teria corado se fosse sério.

Higashira escondeu o sutiã debaixo do lençol.

"Em primeiro lugar, por que você está sem roupa íntima...?"

"Claro que é porque eu estava dormindo até agora há pouco."

"Você tira tudo para dormir...?"

"Eu uso algo chamado sutiã noturno. Olha, este aqui."

Ela desdobrou o tecido preto que tinha sido deixado em cima da cama. Parecia uma camiseta curta e não passava muita firmeza.

[Paiva: Algo parecido com um top eu acho]

"Ouvi dizer que, se eu não usar isso, meus seios vão perder o formato."

"Não achei que você prestaria atenção nessas coisas."

"Não, a mamãe me mata se eu não usar direitinho... ela sempre diz 'que sentido faz não cuidar do crescimento de seios grandes e bonitos'."

Se a Higashira morrer, qual é o sentido de seios bonitos ou grandes?

"Então por que você não está usando?"

"Eu sempre tiro inconscientemente quando acordo."

"Entendi..."

Bem, os homens não entenderiam a restrição de um sutiã. Eu não podia opinar sobre isso.

[Paiva: E se eu contar que ja usei um bêbado e é bem desconfortável kkkkkk | Kura: Terei que usar…| Ayko: …]

Higashira jogou o sutiã noturno de lado, olhou para os próprios seios, soltou um "Hmmm~" e inclinou a cabeça.

[Paiva: Crianças saiam da sala agora que vai ter um pouquinho a mais de ecchi agora]

"Eu posso... ficar sem sutiã...?"

"Use."

"Mizuto-kun, você vai ficar mais feliz se eu não usar sutiã..."

"Não."

"Sério?"

Higashira estava com as duas mãos segurando a camiseta acima do umbigo e mostrou a base dos seios.

E então, começou a balançá-los para cima e para baixo.

"Doink doink~♪!"

"Para com isso, sua idiota!"

Nhac, nhac, as molas da cama rangiam conforme a fartura da Higashira balançava suavemente. A falta de sutiã mudava tudo, e a maneira como ricocheteavam parecia transmitir o peso e a maciez do corpo dela.

[Kura: Estranho…]

Eu podia ver de relance a Higashira sorrindo com malícia para mim enquanto eu desviava o olhar dela.

"O que foi~? O Mizuto-kun que me rejeitou realmente se incomoda com os seios da mulher que você rejeitou?"

"Não se ache tanto...! Pelo menos agradeça por eu estar agindo como um cavalheiro!"

"Ehehe~. Esse Mizuto-kun envergonhado é tão fofo e adorável~! Vamos! Chega mais perto!"

"Não chega perto você!"

Higashira levantou da cama e se aproximou de mim. Eu só conseguia recuar.

Poderia ser uma reação ruim da minha parte, mas a Higashira elevou o nível do jogo. Ela levantou os seios com as duas mãos.

A pressão exercida fazia com que os dedos dela afundassem na camiseta.

"Eles são macios, sabe~, você pode tocar, Mizuto-kun~"

Ela está se achando demais...!

É hora de castigá-la um pouco — ou foi o que pensei, e abaixei um pouco o tom da minha voz.

"...Sério?"

"Hein?"

"Tem certeza de que eu posso tocar?"

"Hein...?"

Olhei bem nos olhos da Higashira. Ela começou a piscar nitidamente mais do que antes.

"Não, er, isso foi..."

"Eu posso tocar, certo?"

E, desse jeito, comecei a diminuir a distância entre nós. A Higashira, por sua vez, deu um passo para trás.

"V-você pode... na verdade, eu quero que você faça... mas talvez eu devesse dizer que ainda não estou mentalmente preparada... não acho que meus sentimentos estejam prontos para esse avanço repentino... e-eu me empolguei — ah?!"

Higashira, que vinha desviando o olhar dos meus olhos com toda a força enquanto inventava desculpas, gritou de repente e se agachou para esconder o corpo.

"O que foi?"

"Na-nada. Bem. Graças a Deus... você não percebeu..."

Higashira murmurou algo incompreensível por um momento e finalmente abaixou a cabeça.

Aquela cara dela parecia um tanto envergonhada.

"Meus mamilos... apareceram um pouco."

[Paiva: Os famosos polêmicos]

Higashira riu em tom de brincadeira.

Eu congelei.

"...Ahn?"

"Ehe... ehehe. Só de leve. Ficou um pouquinho excitado? — Ai!"

Silenciosamente, dei um cascudo na cabeça da Higashira.

A todas as mulheres, pensem sobre a linha que vocês não têm permissão para cruzar.

Saí do quarto para permitir que a Higashira se trocasse.

Meu Deus... ela não sabia da existência de um código de etiqueta entre amigos? Mesmo se estivéssemos falando de uma namorada, ainda existiria a necessidade de se manter apresentável.

...Bem, mesmo que eu quisesse dizer isso, provavelmente passei um pouco do limite quando virei o jogo contra ela — claro, expliquei para ela que não fiz por mal.

Apoiei as costas contra a parede e olhei para o teto. Eu me sentia ansioso só de ficar parado no corredor da casa de outra pessoa. A família dela devia voltar para casa a qualquer minuto — não, na verdade, seria um problema ainda maior se ela dissesse que ninguém ia voltar.

"— Cheguei~."

Escutei a porta se abrir acompanhada de uma voz e tomei um susto.

Alguém entrou pela porta da frente bem ao meu lado... ou melhor, retornou.

Não precisei pensar muito para saber quem era.

"Isana~. Você está acordada~? — Oh?"

A mulher me avistou de pé no corredor e ergueu as sobrancelhas.

Ela era esguia e alta, e parecia até que pertencia ao Takarazuka.

[Paiva: A Takarazuka Revue é uma famosa companhia teatral japonesa fundada em 1913 na cidade de Takarazuka, província de Hyogo. Ela é mundialmente conhecida por ser composta exclusivamente por mulheres, que interpretam todos os papéis da peça — incluindo os personagens masculinos ( otokoyaku ) e femininos ( musumeyaku ). No chat da obra vou por as cenas do mangá pra verem como é a mãe da Isana]

Vestia calças justas, mantinha a postura ereta, braços e pernas finos, e não parecia ter a personalidade violenta que a Higashira tinha mencionado. Mas, dado o seu cabelo curto e juvenil, captei um vislumbre da sua personalidade.

A Yuni-san já parecia jovem, mas essa pessoa parecia mais jovem ainda — ninguém duvidaria se ela afirmasse ser a irmã mais velha da Higashira. Embora eu nunca tenha ouvido falar que a Higashira tivesse uma irmã.

"...Desculpe a intrusão."

De qualquer forma, cumprimentei a mulher — que muito possivelmente era a mãe da Higashira.

A mãe (teoricamente) da Higashira franziu a testa, "Hmm?", inclinou-se para a frente e instintivamente dei um passo para trás.

"Por acaso... você é... o Mizuto-kun?"

"S-sim, sou Irido Mizuto."

Ela se referiu a um completo estranho usando um tom informal demais.

Fui dominado por uma pressão inexplicável e encarei os olhos dela com um olhar de desconforto. Ela é da mesma altura que eu.

A mãe (teoricamente) da Higashira inclinou a cabeça.

"Bem, que estranho... por que um amigo da Isana seria tão educado a ponto de se apresentar para alguém que acabou de conhecer?"

De onde vem esse preconceito?

"O 'Mizuto-kun' que a Isana mencionou é um garoto mal-encarado, solitário e antissocial, não um tipo boa-pinta como você."

[Kura: É… não falaram muito bem sobre meu menino | Ayko: A distorção de imagem veio forte]

"Ei, Higashira! Que tipo de boatos você anda espalhando por aí?!"

"Hyoowaaaa?!"

Pude ouvir uma voz frenética vindo de trás da porta.

Uns segundos depois, a porta se abriu e a Higashira colocou a cabeça para fora. Ela continuava com a roupa de dormir, a camiseta, mas eu podia ver a alça de um sutiã aparecendo na gola.

Acho que ela colocou uma roupa íntima, graças a Deus — não, espera, eu ainda conseguia ver.

"O que você está fazendo — ah, mamãe."

"Isana."

A mãe (confirmado) da Higashira olhou com desdém para a filha e estreitou os olhos.

"Cadê o 'bem-vinda'?"

"Bem-vinda, mãe!"

Higashira de repente ergueu a mão e disse como se prestasse um juramento. "Bem," assentiu a mãe da Higashira, confirmando. O que é isso? O exército?

A mãe da Higashira apontou para mim com o polegar.

"Isana. Deixa eu te perguntar uma coisa. Quem é esse sujeito?"

"É o Mizuto-kun."

"Esse garoto? Sério?"

"É sério. Eu disse que ele tem um rosto muito lindo, não disse?"

Sempre a ouvi falar em linguagem cortês com todo mundo, mas nunca pensei que ela fizesse isso também com a própria família. É muito estranho.

"Hmmm..."

A mãe da Higashira me mediu com os olhos — ah, que problemático.

"Com licença. Posso te fazer uma pergunta?"

"O quê?"

"Gostaria de saber o seu nome."

"O meu?"

"Sim. Caso contrário, terei que chamá-la de Obasan ."

[Paiva: No bom e velho portugues é a famosa tia quando se referimos às mães dos nossos amigos | Kura: Saudades das Obasan do lanche da escola… | Ayko: Caso alguém esteja perdido, são as “tia”!]

Eu não achava apropriado chamar essa pessoa de obasan , e não estava insinuando nada além disso quando disse aquilo. A mãe da Higashira sorriu, achando graça.

"Heh, um rapaz interessante."

Ela soltou uma fala que parecia saída direto de um mangá shoujo.

"Meu nome se escreve como Nagi Tora. Sabe quais são os kanjis?"

"Nagitora... Nagi de calmaria no mar, e tora de tigre?"

"E como você lê isso?"

Não soa nada feminino ler como Nagitora.

"...Natora. Eu presumo."

"Correto."

Assim que respondi, a mãe da Higashira — Natora, sorriu para mim e deu um tapinha no meu ombro.

"Ora~, hahaha! Desculpe te incomodar, Mizuto-kun! Você não é nada do que eu imaginei!"

"Haa... não me incomoda."

"Você é bem perspicaz! Conseguiu decifrar meu nome de primeira. Acho que você é provavelmente a quinta pessoa a conseguir isso."

Aquele "provavelmente" era dos mais ambíguos. É verdade que o nome dela era um pouco estranho, mas não tanto quanto outros nomes espalhafatosos e cheios de pose. Uma correção: o único motivo pelo qual consegui associar Nagi com calmaria no mar foi porque o nome da filha tinha ligação com o mar ( Isana é um nome antigo para baleia).

"E você é bem educado para um moleque! Já gostei de você, Mizuto-kun! Você é areia demais para o caminhão da Isana!"

[Paiva: Concordo, a única digna é a Yume | Kura: Assino em baixo | Ayko: Assino embaixo da assinatura de baixo!]

"Obrigado por isso."

Só preciso que ela pare de esmurrar o meu ombro.

"Graças a Deus, Mizuto-kun. Se a mamãe não gostasse de você, você poderia ter levado marteladas até a morte."

"Hein?"

"Isana, não me difame na frente dos outros. Eu só teria mandado ele voando com um chute e pronto."

Qual é a diferença entre isso e me dar uma surra?

[Kura: Quer que eu explique?]

"...De qualquer forma, Isana. Que aparência é essa? É assim que você recebe o seu convidado?"

"Ehh? Tudo bem. Eu não vou sair de casa mesmo."

Vestindo a camiseta enorme e os shorts, Higashira biquinho de descontentamento.

Isso. Continue, mãe, explique para ela o que é bom senso.

"Mmm..."

Natora cruzou os braços e inspecionou o visual da filha.

"...Não. Eu me equivoquei. Você só vai usar isso por hoje."

"Eba!"

O quê? É aceitável? A gola dessa camiseta está tão frouxa que está caindo nos ombros e expondo as alças do sutiã dela, sabe?

Minhas perguntas não foram respondidas. Natora-san começou a caminhar pelo corredor.

"Isana, você não comeu nada, certo? Está tarde, mas aqui está o almoço. Mizuto-kun, você provavelmente já almoçou em casa, então vou te dar um lanche."

"Ah, sim, desculpe pelo incômodo."

"Huh, isso é um pouco bobo da sua parte. Você é o primeiro amigo que ela convida. Por que eu não deveria me importar?"

Natora-san sorria de coração. Se eu fosse mulher, também poderia ter me apaixonado pelo estilo galante dela, mas, de qualquer forma, parecia que ela dava ordens sempre que falava…

Higashira e eu seguimos Natora-san até o fim do corredor.

Era uma sala de estar e jantar espaçosa, e havia uma grande varanda ao fundo, com roupas lavadas secando no varal.

"Isana, seu almoço de hoje é oyakodon. Sente-se e espere."

[Ayko: Curiosidade culinária! Oyakodon (親子丼 ) Significa no literal tigela de pais e filhos, isso por que dois dos principais ingredientes são frango e ovos (pai e filho), que são cozidos juntos em um molho com base em shoyu, dashi e mirin. O frango e os ovos são servidos sob uma tigela de arroz.

"Tá bom~."

Natora-san entrou na cozinha, e Higashira foi até o sofá da sala e desabou nele. Ela olhou para mim e deu um tapinha no espaço ao seu lado, então eu me sentei.

Higashira observava o meu rosto.

"As suas boas-vindas foram um grande sucesso."

"É o que parece... bem, é melhor do que ser odiado."

"A partir de agora você pode vir à minha casa quando quiser!"

"Vou pensar no assunto se você se vestir de forma decente."

Falei sem olhar para a cara da Higashira. Se eu fizesse isso, não seria capaz de desviar dos seios que estavam completamente expostos sob o decote daquela camiseta.

Higashira resmungou: "Ehh? Não posso ter o trabalho de trocar de roupa..."

Bem, eu conseguia entender o que ela estava pensando, mas esperava que ela tivesse um senso básico de vergonha, como ser humano.

Mas, ainda assim, é impressionante que ela permita que a própria filha se vista assim. Que tipo de criação é essa? Presumo que a ingenuidade da Higashira se deva em grande parte ao seu ambiente familiar.

E enquanto discutíamos os novos lançamentos do fim do mês, Natora-san saiu da cozinha.

"Aqui está. Coma."

Ela colocou uma tigela de oyakodon na frente da Higashira. Surpreendentemente, eu diria, Higashira não disse itadakimasu , apenas pegou a tigela e começou a mastigar. Parecia um cachorro de verdade comendo.

"Isto é para você. Experimente."

Natora-san disse e colocou um prato de madeira no meio da mesa. Eram biscoitos.

Higashira falou enquanto ignorava os grãos de arroz nos lábios.

"Ah, esses? Os que ela preparou ontem."

"Desculpe por não estarem recém-saídos do forno. Mas bem. Tenho certeza de que estão bons o suficiente. Eu acho."

"Foi a senhora mesma quem fez?"

"É um hobby. Afinal, a vida sem diversão não tem graça."

O hobby dessa personagem é fazer biscoitos? ...Isso me surpreendeu, mas o jeito descontraído com que ela agia era meio descolado. O fato de ela não ser influenciada pela forma como os outros a viam parecia ser um traço comum com a filha, Higashira.

Agradeci e experimentei os biscoitos. Estão deliciosos. Natora-san se sentou na minha frente.

"Muito bem, Mizuto-kun. Mais uma vez, obrigada por cuidar da minha filha."

"Presumo que sim."

"Huh? Mizuto-kun, você não deveria dizer 'não, não, ela é quem sempre cuida de mim'...?"

"Não, não, eu sou o único que tem cuidado dela."

"Hein, hein?! Você não deveria estar falando no sentido passivo?!"

"Haha! Parece que ela tem te causado momentos difíceis. Muito obrigada."

Natora-san dobrou as pernas e começou a comer um biscoito. Basicamente, ela o comeu como se fosse um biscoito de arroz.

"Isana sempre teve zero senso de cooperação. É melhor do que ser um personagem NPC, mas esta mãe sempre se preocupou porque ela nunca teve um amigo. Sabe o quão feliz eu fiquei quando a Isana estava radiante ao te apresentar?"

"N-não estava radiante..."

"Estava sim... ah, bem, não estava radiante, estava com um sorriso bobo na cara. Isso sim me deu um belo de um ranço, sabe!"

"Isso é terrível! É abuso!"

Natora-san ria calorosamente. A família delas parecia se dar muito bem.

"Até onde eu sei, Mizuto-kun, você é o único que teve a bondade de cuidar da minha filha imprevisível. Acho que vocês dois devem estar na mesma sintonia. O que acha? Hein?"

"...É verdade que, para mim, nunca conheci ninguém com quem eu me desse tão bem quanto com a Higashira. Eu também nunca tive amigos."

"Heh?"

"Es-espera, Mizuto-kun... estou um pouco envergonhada..."

"Uuu~" Higashira gemeu.

Não é nada para se envergonhar. É apenas um fato.

"Haha!" Natora-san riu com energia e deu um tapa no próprio joelho.

"Muito bem! Vocês dois, casem-se!"

[Kura: EU ME RECUSO!! | Paiva: TODOS RECUSAMOS | Ayko: R E C U S O !!!!]

Meu cérebro não conseguiu processar.

"...Ahn?"

"Ueeh?!"

Higashira e eu ficamos estupefatos por um momento.

Natora-san sorria para si mesma.

"Então, Mizuto-kun. Ouvi dizer que você é o aluno de honra da sua sala, especialmente naquela escola. Isso é impressionante. Isana nunca vai conhecer alguém tão incrível quanto você. Por favor, aceite-a."

"Não... er?"

"Há necessidade de surpresa? É natural que uma mãe se preocupe com a filha. Sou uma boa juíza de caráter, sabe. Sei que você pode fazer minha filha feliz. Case-se com a Isana. Rápido. Assim que completar dezoito anos."

Recuei diante da pressão e, então, pensei.

Rapidamente, sussurrei para a Higashira ao meu lado.

"(Ei, Higashira... você não contou para ela?)"

Higashira tinha se confessado para mim. E eu a rejeitei.

Será que a Natora-san não sabia?

Higashira encolheu os ombros.

"(N-não consegui falar sobre isso...)"

"(Por quê?)"

"(S-se eu disser isso... acho que ela pode te matar, Mizuto-kun...)"

Fiquei mudo.

Então, vi os olhos penetrantes de Natora me atravessando.

Um suor frio e desagradável escorreu.

É possível.

Eu não tinha visto o quão violenta a Natora-san era, mas... a pressão claramente insinuava: "Se você deixar a minha filha triste, eu te mato".

Ela parecia tão durona e severa com a filha... mas é uma mãe bem coruja também.

Eu não podia dizer nada.

Se eu fizesse isso, eu morreria.

Eu já a rejeitei... mas não podia dizer isso nesta situação.

"Hmm? O que você acha? Não acho que seja uma má ideia se você não se opuser a ela."

"Não. É só que... eu falo com ela como amiga."

"Tudo bem. O que tem de errado em se casar com a sua amiga? Bem, você pode ter bastante trabalho com esta minha filha, mas não se preocupe, eu garanto que ela tem o melhor corpo que já vi."

[Paiva: Olha essa mãe KKKKKKKKKKK | Ayko: KKKKKK MANO?]

Natora-san mostrou um polegar para cima.

"Eheheh."

E Higashira também parecia envergonhada.

Por que ela está envergonhada? Ela acabou de levar uma bronca.

O que tem de errado em me casar com uma amiga, hein…

Para ser sincero, mesmo que tivéssemos que chegar a um acordo, eu não me importaria de dividir um quarto…

"Hmm."

Natora-san bufou e mordeu um biscoito.

"Você é desse tipo de pessoa, não é? Acho que você é do tipo que não quer passar pelo incômodo de se apaixonar."

"...Sim, acho que sim. Basicamente é isso."

"Huh~..."

Natora-san suspirou profundamente. Parecia estar desapontada, mas era exatamente assim que eu pensava de verdade. Embora ela vá se enfurecer se eu tentar enrolá-la.

"Você não entende nada. É por isso que não gosto de moleques — na verdade, quanto mais você pensar sobre isso, mais cedo deveria se casar."

"Hein?"

"Escute, Mizuto-kun. O casamento serve basicamente para aquelas pessoas que querem lavar as mãos do complicado mundo do amor."

As palavras inesperadas me fizeram segurar o fôlego.

"Se eu usar um anel no meu anelar esquerdo, ninguém vai tentar me dar em cima, e não preciso me preocupar com a minha família me amolando perguntando 'Você tem namorado?' e 'Quando vai se casar?'. É mais simples quando você está casado, certo? Aqueles que se casam não têm que lidar com essa gente sem salvação que acha que todo ser humano deveria se apaixonar."

Natora-san sorria ironicamente.

"Não nego o casamento por amor, mas, se você me perguntar, é basicamente uma aposta. A pessoa por quem você se apaixona nem sempre tem o mesmo estilo de vida que você. Olhe ao seu redor, por exemplo. Aqueles que namoraram no ensino fundamental com certeza terminaram no ensino médio, e aqueles que namoraram no ensino médio terminaram na faculdade, certo? As emoções sozinhas não vão garantir que você fique com o seu parceiro pelo resto da vida — se quer se casar, escolha alguém com quem você se dê bem. Leve isso como o conselho de alguém que já passou por isso."

[Ayko: Acho triste dizer isso mas, Natora-san está certa. Atualmente, assim como antigamente, os casamentos em si tem se tornado mais uma conveniência social do que algo que fazem por amor… interesse financeiro, dependência, mostrar que é feliz e tem uma boa família, diversas razões sabem? Nada disso inválida o casamento por amor, eu acredito e gosto de acreditar que é real, tanto que verdadeiramente amo minha namorada, mas ainda assim, não nego essa realidade quanto aos casamentos… desculpa, divaguei]

"Vocês, seus pais, parecem bem próximos, hein?"

"Sim. Nós ainda jogamos MonHun juntos."

[Kura: Abreviação do jogo de “caçar monstros” | Paiva: Monster Hunter]

"Sinto que o papai sempre leva bronca de você..."

"Isso é porque ele esqueceu de levar a bomba de barril grande."

"Hahahahah!"

Natora-san ria como uma pirata.

Então aqueles que começaram a namorar no ensino fundamental terminavam no ensino médio, hein...?

Bem, isso fazia sentido. O amor é apenas um luxo passageiro. Não decidia o parceiro para a vida toda.

Uma vez casado, não terei que me preocupar em me distrair…

Fazia sentido.

Higashira e eu podíamos não ser namorados, mas, como marido e mulher, seríamos capazes de viver de maneira confortável — presumo que era um fato inegável.

"Bem... eu te disse para andar logo, mas acho que você precisa de um tempo para pensar. Você é um estudante do ensino médio, uma fase em que você ainda pensa com a cabeça de baixo."

Será que ela considerava os garotos do ensino médio como alguma forma de vida inferior ou algo assim?

"Ei, Isana."

"Sim~?"

A tigela de oyakodon da Higashira estava vazia. Ela lambeu os grãos de arroz dos lábios.

Natora-san olhou para a Higashira e apontou para mim. Ela apontou para mim.

"Você. Vai enjaular esse sujeito."

"Eh~? Eu faria isso se pudesse."

"O que você disse? Que droga~, para que você acha que eu te dei esses seios grandes? Use-os."

"Mamãe, você não conhece a força de vontade de aço que o Mizuto-kun tem. E não é a sua coluna que está sofrendo."

"É claro que ele está se segurando, sua idiota."

"Ehh~?"

"Os vizinhos não estão em casa, certo? Vou dar uma saída. Se você ficar com medinho de fazer alguma coisa, eu te mato."

[Kura: Essa é doida kkkkkk| Paiva: Confesso que é um bom acordo, mas tendo uma Yume em casa negaria veemente | Ayko: Esse cap tá me surpreendendo, de muitas formas]

"Ueeehh~"

Higashira gemeu de desagrado.

Bem, comecei a me sentir meio anestesiado, mas o que eu deveria dizer para essa mãe e essa filha? Sentia como se tivesse sido transportado para outro mundo, onde o sentido comum era totalmente diferente.

Natora-san se levantou do sofá.

"Agora, Mizuto-kun, fique à vontade. Nossas paredes são bem grossas, então podem fazer barulho."

"...Não se preocupe com isso."

"Não me faça repetir. É claro que eu me preocupo, sabe?"

Natora-san sorriu com deboche e foi embora de verdade.

Ficamos sozinhos. Por um tempo. Passamos um tempo comendo biscoitos. Senti que a Higashira ao meu lado estava um pouco sem jeito perto de mim, e ela não me pediu um travesseiro de colo como sempre fazia.

"...Ah... Mizuto-kun."

Higashira gaguejava, parecendo perdida.

"Você não precisa se preocupar com o que a mamãe disse, tá bom?"

"Eu sei."

"Ela é rápida para julgar tudo. Uma vez que decide algo, ela dá a ordem."

"Sim."

"...Er... a gente devia voltar para o quarto?"

Olhei para o lado e vi a Higashira erguendo os olhos para mim.

Sob os meus olhos, eu podia ver o branco da camiseta dela, o tom de pele do seu peito e um tecido azul-claro na parte de baixo da minha visão.

"...Bem."

— É claro que ele está se segurando, sua idiota.

Sim. É isso mesmo.

Não te rejeitei porque você não me atraísse.

Lembrei-me do que aconteceu naquela época.

Higashira se confessou. Eu a rejeitei.

— Desculpe, Higashira — não posso te ter como namorada.

Quando Higashira ouviu minha resposta, ela ficou ali em silêncio por um tempo.

Não consegui falar com ela. Não consegui me afastar. Tudo o que pude fazer foi olhar em silêncio e pensar que era só isso o que eu tinha que fazer.

De fato, eu já tinha me decidido.

Higashira e eu poderíamos não ser amigos para sempre.

Assim como aconteceu com a Ayai no ensino fundamental, poderíamos terminar sendo algo mais do que apenas amigos.

E quando isso acontecesse... com certeza eu acabaria tomando uma decisão pela qual a Higashira me odiaria.

Eu estava muito feliz por ela ter carinho por mim... mas aquele lugar no meu coração não podia ser entregue a mais ninguém.

Para mim, não havia dúvidas sobre a minha decisão.

Era fazer chorar a pessoa no meu coração, ou fazer chorar a Higashira — esse era o meu dilema.

[Kura: Você é um homem :) | Paiva: Com H | Ayko: Por mais apelativo que tenha sido esse cap, ele ta me fazendo pensar bastante, me surpreendendo bastante]

Mesmo que isso significasse me afundar em um mar de desprezo por mim mesmo, incapaz de me perdoar, essa era a única decisão que eu podia tomar.

Mas.

Higashira... não chorou de jeito nenhum.

Apenas permaneceu ali por um tempo, com a cabeça baixa — e então, quando a ergueu de novo.

Mostrou um sorriso relaxado.

— Muito obrigada por me ouvir... Vamos para casa, Mizuto-kun.

Ela agiu como sempre.

Fiquei estupefato ao ver a Higashira agir como se fosse o dia anterior.

— Você está... bem?

Higashira sorriu de forma evasiva diante da minha pergunta estúpida.

Segurou o próprio cotovelo direito com a mão esquerda, como se estivesse se protegendo.

— Não posso dizer que... estou bem... é só que me assusta ficar sozinha.

Essa foi a primeira vez que vi a Higashira Isana magoada.

Se tivesse sido outra pessoa a machucá-la, eu nunca teria perdoado. Faria o que fosse necessário para fazer o culpado se arrepender.

E por causa disso.

Quando percebi que fui eu quem fez aquilo, tive consciência de que precisava ser punido.

Sentia que tinha que assumir a responsabilidade por rejeitar a Higashira.

Então, mesmo quando ela fez o estranho pedido de voltar para casa junto comigo logo após ter a sua confissão rejeitada, senti que precisava acompanhá-la, não importava o que acontecesse.

Deixei a entrada da escola com a Higashira naquele dia.

Paramos em uma livraria como sempre. Ela disse que queria uma certa série nova, e conversamos sobre as mesmas coisas de sempre.

Pensei que seria o melhor consolo para ela.

E quando nos despedimos, Higashira disse.

— Bem... muito obrigada por hoje.

Foi aí que.

Pela primeira vez, foi que... a voz da Higashira tremeu.

Foi um tremor fraco. Mas dizia o suficiente.

Mostrava-me com quanta desesperação a Higashira tentou manter suas emoções sob controle quando voltamos da escola e folheávamos as light novels, e quão desesperada ela estava para manter a nossa relação viva —

Talvez seja a personalidade dela.

Talvez seja uma qualidade sua.

Talvez seja porque ela nunca interagiu de verdade com os outros e não sabia como controlar seus fracos músculos faciais, que nunca demonstrou isso em seu rosto.

Mas — ela é forte.

É completamente diferente de mim, que armava escândalos por coisas triviais, o oposto de mim, que queria voltar ao passado, mas nunca tentava.

[Paiva: Essa parte aqui é interessante, ele querer voltar ao passado]

A sua aparência frágil parecia muito fascinante para mim.

Era tão preciosa que eu queria protegê-la a qualquer custo.

Então — antes que a Higashira se virasse.

Antes que seguisse firmemente em sua solitária jornada para casa.

Segurei o seu braço.

— Hein?

Higashira sobressaltou-se. Ergueu os olhos para mim.

As lágrimas permaneciam em seus olhos e brilhavam levemente.

E eu lhe disse para evitar que elas rolassem.

"O que tem de errado em sermos amigos?"

"Presumo que os namorados vão terminar depois de alguns anos. Tipo, podemos não manter contato quando entrarmos na faculdade. Comparado com isso —"

"Não seria muito melhor sermos amigos?"

Poderiam ser puros argumentos semânticos da minha parte.

Provavelmente é apenas um monte de bobagens para menosprezar o amor e inflar a amizade.

Mas eu precisava de uma desculpa.

Precisava de uma razão para não fazer a Higashira chorar.

"Posso não te beijar, mas posso te abraçar."

"Você pode esquecer a maquiagem e a sua roupa pode não ser bonita, mas não vou ficar bravo por causa disso. Não preciso que você tenha certos atributos ou requisitos para estar comigo."

"É por isso que..."

Não consegui terminar as minhas palavras.

Antes que eu pudesse, Higashira abaixou o olhar e puxou o peito do meu uniforme.

(Por favor, pare. Por favor…)

(Se você continuar dizendo isso... eu só vou te amar ainda mais...!)

Não neguei nem confirmei as palavras dela.

Dependia da Higashira decidir se ela deveria agir assim, então...

Mas, prometi uma coisa a ela.

"Sempre serei o Mizuto que você conhece."

A nossa relação não vai mudar só porque você se confessou.

A nossa relação não vai mudar só porque eu te rejeitei.

É a única forma pela qual eu podia compensar a sua determinação.

Alguns segundos depois... achei ter ouvido um fungar, e Higashira ergueu os olhos.

Aquele rosto parecia que tudo o que aconteceu antes tinha sido um sonho, um rosto despreocupado.

(“Bem, então as coisas são assim. Por favor, continue cuidando de mim!”)

Não. Bem .

Até eu fiquei chocado e apavorado com a rapidez com que ela mudou de humor.

Até eu me perguntei se ela se forçou a sorrir.

Ela se despediu alegremente de mim e correu de volta para casa. Foi então que entendi: esta era Higashira Isana.

Certamente estreitei os olhos ao vê-la se afastar caminhando.

Como se tivesse visto algo deslumbrante.

Ah, sim, não ia me enganar a esse respeito.

Porque não é um luxo passageiro.

Eu acredito em Higashira Isana. Não é amor. É fé.

Voltamos para o quarto da Higashira e colocamos uma certa distância entre nós.

Higashira sentou-se na cama. Eu fiquei perto da escrivaninha.

A cama rangeu, e os olhos da Higashira claramente vagavam de um lado para o outro. Ela brincava com a franja. Ela foi quem me disse para não levar as coisas tão a sério, e mesmo assim estava claramente nervosa.

"Higashira."

"Hyah! Hyaiiii?"

Ela deu um pulo no momento em que a chamei e sacudiu as mãos freneticamente.

É divertido. Vamos continuar provocando ela um pouco.

"Você não vai fazer nada?"

"Hein? ...Ah, e-eu tiro a roupa agora?"

"Você não tem cartas suficientes para jogar."

Mesmo se quisesse me capturar, essa deveria ser a última carta, o ás na manga.

"Auuu~." Higashira caiu de lado na cama e gemeu.

"Não consigo fazer isso, afinal de contas... e fui rejeitada porque não conseguimos fazer..."

"Não se preocupe com isso. Mesmo que fosse outra garota, eu também não seria capaz de fazer."

"Bem, acho que sim. Talvez eu tenha tirado a sorte grande ao te convidar para o meu quarto, Mizuto-kun."

Absolutamente. Mesmo quando eu estava em um relacionamento, não teria entrado no quarto dela se não fosse por causa de um resfriado.

Tentei aliviar a tensão da Higashira olhando para a escrivaninha. Não parecia apropriado xeretar o quarto de outra pessoa tão desleixadamente, mas já que a Higashira está sempre revirando cada canto do meu quarto, acho que estamos quites.

Havia um tablet PC, várias light novels, uns fones de ouvido empoeirados e outras coisas sobre a escrivaninha da Higashira. Claramente ela não estava estudando de jeito nenhum. Será que ela terminou as lições de casa?

...Hm?

Há um caderno de folhas soltas enterrado ali.

O caderno de estudos dela? Mas não tem nenhum texto nele…

Fiquei curioso, então afastei a light novel que estava por cima. "Ah!" Higashira balbuciou.

"Espera. Mizuto-kun... isso é...!"

Que pena, tarde demais.

Vi o que estava desenhado naquela folha solta.

Sim — era um desenho.

Era uma ilustração.

Parecia ser uma ilustração da heroína da light novel que estava em cima do caderno.

"Hmm... entendi."

"Arrrgh! Não olha, não olha, não olha!"

"Não tire conclusões precipitadas. Eu já suspeitava que você escrevia webnovels e desenhava ilustrações."

"Hein?! Você viu o que está no tablet?"

"Então a história está salva no tablet?"

"Argh! Eu cavei a minha própria cova~...!!!"

Higashira afundou o rosto no travesseiro e gritou em agonia.

Enquanto isso, peguei o caderno e examinei a ilustração detalhadamente.

"Você não está cobrindo por cima... nada mal se você realmente desenha do zero."

"Não, de jeito nenhum... não importa quantas vezes eu refaça o desenho, os braços, as pernas e o rosto parecem estranhos..."

"Hmmm, eu como leigo não consigo notar nada de errado, na verdade."

No mínimo, eu diria que ela é boa o suficiente para chamar a atenção nas aulas de artes.

Higashira rolou na cama.

"Isso não é verdade~! Eu não consigo desenhar aquelas ilustrações divinas que existem nas redes sociais!"

"Você quer ser uma ilustradora divina?"

"Com certeza!"

Higashira de repente se levantou e olhou bem nos meus olhos.

"Escuta, Mizuto-kun — se eu não conseguir desenhar direito, não vou conseguir desenhar ecchi ."

"T-tá bom!"

"Se eu desenhar mal, não vai ser erótico! Se eu não tiver técnica, não consigo desenhar ilustrações de humanos se unindo!"

Essa garota menor de idade está quebrando as leis do bom senso escancaradamente.

"Por que você quer tanto desenhar imagens eróticas...?"

"Porque eu quero ver os mamilos da minha heroína favorita! Não tem muita fanart de light novels, então eu mesma tenho que desenhar!"

[Paiva: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK definitivamente ela é doida | Kura: Bom, eu disse | Ayko: Eu tô sem palavrasKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK]

É raro encontrar uma garota que seja tão honesta sobre seus desejos sexuais na adolescência.

"Bem, não posso descartar isso como motivação. Não posso te dar conselhos porque também sou leigo, mas já que você chegou até aqui, devia dar o seu melhor."

"Ehh~? Mas eu preciso praticar desenho e tudo mais se quiser ficar boa nisso."

"As pessoas dizem que a base é importante em tudo, afinal de contas."

"Mas não acha chato desenhar maçãs e esse tipo de coisa? Só de olhar já dá tédio."

"Não é como se existisse uma regra dizendo que você é obrigada a desenhar maçãs para praticar. Você não pode simplesmente escolher algo que goste e desenhar?"

"Mmm... então, Mizuto-kun."

[Kura: Irei lanchar, já volto | Paiva: Contexto: estamos em call kkkkk]

"Sim... hm?"

Ela falou como se estivesse se referindo a algo óbvio e, por um momento, não consegui reagir.

Higashira inclinou a cabeça, confusa.

"Você disse que eu devia desenhar algo que eu goste, certo? Vou desenhar você então, Mizuto-kun. Por favor, me ajuda~."

"Não... bem, não é que você não possa."

Eu deveria dizer que ela é descompromissada demais ou que simplesmente não hesita em nada...?

De qualquer forma, eu não ia aguentar se ficasse sobressaltado toda vez que a Higashira fizesse isso.

Higashira deu um pulo da cama e pegou o tablet na escrivaninha. Ela não vai desenhar de forma analógica, mas sim digital.

"Por favor, senta nessa cadeira~."

Ela puxou a cadeira debaixo da escrivaninha, ofereceu para mim e voltou para a cama.

Eu me sentei na cadeira, e a Higashira se sentou encolhida, apoiando o tablet no colo.

"Você consegue desenhar nessa posição?"

"Sim. Por favor, não se mexe muito~."

Ela pegou a caneta digital, ficou me olhando repetidamente e começou a desenhar.

"Nunca tive ninguém para posar de modelo para mim. Estou um pouco nervosa."

"Então você sempre desenha tudo tirando da imaginação? Isso é impressionante."

"Bem, na verdade, costumo desenhar o que vejo. O corpo humano não faz sentido para mim quando tento desenhar de cabeça."

"Ahh, então você procura imagens de modelo na internet?"

"Mesmo sem isso, eu tenho o meu próprio corpo."

"Hein?"

"Eu faço as poses, tiro fotos minhas e depois fico olhando... quer ver?"

"...Não vou olhar."

"Graças a Deus. Todas estão sem censura."

[Paiva: Ah que isso KKKKKKKKK]

O que diabos ela estava tentando desenhar? A propósito, era melhor eu não perguntar.

"Naquela época, eu usava aquele espelho para tirar selfies para ter material de referência, mas desde que a Minami-san me ensinou, tenho usado mais para o propósito original dele."

Como a Higashira ficaria diante do espelho da parede... tentei imaginar.

Ela sozinha no quarto, fazendo uma pose escandalosa, apontando o smartphone para o espelho —

— Oh, meu Deus. Para, para, para, não pensa mais nisso.

Eu sentia uma forte culpa quando tinha esse tipo de imaginação com a Higashira — provavelmente porque eu tinha a oportunidade de fazer aquilo acontecer de verdade, e sentia que estava me negando ao escolher não fazer.

Se eu voltasse atrás na minha resposta àquela confissão bem agora, tenho certeza de que a Higashira aceitaria alegremente.

Se esse dia realmente chegasse — eu não deveria voltar atrás na minha decisão com segundas intenções.

"Nurufufufu, o corpo do Mizuto-kun..."

...Bem, ela é a personificação da malícia.

"Você tem uma silhueta bem magra e bonita. Seus dedos são bem finos. É como se você tivesse saído de um mangá shoujo."

"Falta músculo em mim. Vou ser puro osso se tirar a roupa."

"Nnnnnmmm... então vou te dar uma encorpada."

"...Ei, espera um segundo. Eu estou de roupa, tá legal?"

"É difícil desenhar roupas."

"Ei!"

"Tudo bem, tudo bem! Não vou desenhar aquelas coisas que precisam de mosaico! ...Embora vá ser outra história se você me mostrar os detalhes."

"É claro que não vou te mostrar!"

"Tch~."

Higashira estalou a língua com rancor. Inacreditável…

Mesmo enquanto conversávamos, Higashira continuava mexendo a caneta digital. Ela parecia bem feliz com aquilo. Aliás, a Yume era igualzinha quando me tirava fotos para usar de modelo. O que tem de tão divertido em me pedir para fazer essas poses?

"...Vocês realmente têm uns fetiches estranhos..."

Murmurei, e a Higashira ergueu os olhos.

"Este é o meu primeiro amor. Não sei o que tem de estranho nisso."

"Não fale de forma tão direta. Eu fico assustado."

"Então, Mizuto-kun... você já teve namorada?"

Higashira perguntou em um tom de conversa casual entre amigos, e seu rosto já estava voltado para a tela do tablet, com a caneta sem dar sinais de que iria parar.

Você não se importa? Naturalmente, não fiz essa pergunta, já que sabia que a Higashira Isana não era uma pessoa de mente fechada.

"...Não, não tem ninguém de quem eu goste."

"Ehh~? Por que você está mentindo? Eu lembro que — quando me confessei para você, você disse: 'Já tem alguém ocupando o lugar no meu coração'."

"..."

"Achei uma forma estranha de falar. Isso não significa que tem alguém que você ama?"

Até esse ponto, nunca parei para notar com quanta precisão a Higashira tinha entendido a minha resposta.

Talvez a Higashira nunca tivesse se importado com os detalhes; essa era a ponta de esperança que eu guardava.

Mas, bem... isso não seria possível.

"...Não, não tem ninguém de quem eu goste... neste momento."

"Neste momento?"

"...Você realmente quer ouvir sobre isso?"

"Quero! Sempre tive um pouco de interesse nisso!"

"Um pouco? Você devia ter se interessado um pouco mais. Quero dizer, podia ter me perguntado isso na hora da confissão."

"Eu não estava no clima. Eu tinha acabado de levar um fora naquele exato momento!"

"Não, espera, não parece ser esse o caso... bem, não vou tentar te inflar aqui. Mas primeiro vou dizer uma coisa, não fica brava, tá?"

"Sim?"

Higashira inclinou a cabeça, e eu firmei a minha determinação.

"No ensino fundamental — eu tive uma namorada."

Nunca contei isso para ninguém até hoje.

O fato que estava trancado a sete chaves saiu da minha boca.

A caneta digital da Higashira parou.

Gigigigi. Ela ergueu o rosto como uma máquina travada.

"...Hein?"

Higashira abriu a boca com uns 999ms de lag.

[Paiva: Pra quem joga sabe o que é e pra quem não joga to com preguiça de explicar, pesquisem tmj | Ayko: Em poucas palavras, 999ms de lag indica que a tua conexão está tendo um atraso de quase 1 segundo para enviar e receber dados do servidor, esse que é o tal do ping ou latência]

"N-namorada?"

"Sim."

"Amante?"

"Sim."

"Com o Mizuto-kun?"

"Sim."

Higashira me olhava boquiaberta, parecendo um peixe fora d'água.

"V-você está mentindo!"

Grgrgr , ela se arrastou para trás na cama e bateu as costas contra a parede.

"U-um otaku como o Mizuto-kun! É sério! T-teve namorada...! Namorada...!"

"Diz a garota que acabou de se confessar para mim."

"...Ah. Você tem razão..."

Higashira se acalmou.

Achei que ela ficaria brava. Higashira sempre parecia estar na mesma sintonia que eu — e definitivamente assumia que eu era como ela, passando os meus dias de ensino fundamental no isolamento.

Nunca contei para ela sobre isso porque não conseguia suportar a ideia de trair essa expectativa…

"Entendi... estou um pouco chocada... de que você teve uma namorada, Mizuto-kun..."

"Ainda bem que é só 'um pouco'."

"Achei que seria algum tipo de história bizarra onde você diria 'Não consigo esquecer a garota que me emprestou uma borracha'..."

[Kura: Bom, é nesse contexto]

"Quem você acha que é o garoto por quem se apaixonou?"

Será que ela não estaria em apuros por colocar uma pessoa assim num pedestal por causa de um detalhe tão bobo?

Higashira lentamente voltou a mexer a caneta digital.

"Então você 'teve'... o que significa que terminou com ela...?"

"Sim. Quando nos formamos... na verdade, nós já estávamos praticamente separados meio ano antes disso."

"Woah~~... é meio bizarro ouvir isso de você, Mizuto-kun."

"Se você realmente achou ruim, eu paro."

"Sim, por favor, para."

Não deveria ser essa a parte onde ela diz 'Não, eu não acho ruim'?

"Hmm... entendi~... Então você me rejeitou por causa dessa ex-namorada?"

"É... isso aí, eu acho."

"Em resumo: você continua pensando na sua ex, não é?"

[Paiva: Sim e vê ela todos os dias | Kura: Graças a Deus]

"Ugh."

"Você ainda tem muitos arrependimentos na cabeça, não é~?"

"...N-não, de jeito nenhum..."

"Sério?"

Por um momento.

Os olhos da Higashira pareceram tristes e desolados enquanto ela baixava o olhar.

"...Você realmente gosta dela, né?"

Era obviamente um olhar de inveja.

Ela tinha inveja de uma pessoa que nem conhecia, e ansiava por ser uma existência assim também.

"Tenho certeza de que você era muito gentil e fofo com ela, Mizuto-kun... como o herói de um mangá shoujo, sempre ajudando ela."

A caneta digital parou de novo.

Ela ergueu a cabeça com um olhar nostálgico.

"...Ah..."

E soltou um suspiro.

"...É meio bizarro..."

"Ei."

Esta não deveria ser a parte onde ela deveria revisitar a amargura do seu primeiro amor perdido?

"Mas sério, é bizarro. Não combina com o grande Mizuto-kun ser todo doce com uma garota."

"Isso provavelmente é verdade olhando agora...!"

"Que tal tentar isso comigo? HEHEHE."

"Você está soando como uma garota que gosta de fazer bullying com os outros!"

Tente se tiver coragem! Não vá terminar se apaixonando por mim de novo, sua idiota!

Embora estivesse posando de modelo, eu não conseguia ficar calado sendo provocado desse jeito. Levantei-me da cadeira e me sentei ao lado da Higashira na cama.

Higashira continuava olhando para o tablet, e eu me aproximei do rosto dela, acariciando de leve a sua costeleta de lado.

"...Nn..."

"Deixa eu dar uma olhada mais de perto."

Lembrei-me dos vários eventos do passado e aproximei ainda mais o meu rosto do da Higashira, usando uma voz suave.

"Bem, você é bem linda e adorável... não esconde tanto assim."

Higashira ergueu a cabeça, olhou nos meus olhos, e os dela brilharam.

E então —

"— Pfft!"

Ela caiu na risada, cobrindo a boca.

"Ahaha! Ahahahahaha! Ahahahahahahahahahahaha!"

"Para de rir!"

Tentei conter a Higashira, que estava rolando na cama, segurando a barriga.

Agora que me acalmei e pensei bem, realmente pareceu uma palhaçada! Mas eu fui tão sério naquela época! Ahhh, que vergonha, quero morrer!

"Hiii~... ofega ... ah~, isso foi engraçado. Por favor, faz de novo HAHAHAHAHA."

"É claro que não!"

Pfft , Higashira continuava rindo enquanto se encolhia perto de mim.

Ela colocou a mão no meu ombro, com os lábios perto do meu ouvido.

"(...Mizuto-kun, você é mais descolado do que eu pensava, sabia?)"

"Fghhh...!"

"Ah, acertei, não foi? Entendi. Então era assim que a sua ex era. Que conversa boba."

"Cale a boca! Todos os casais são idiotas!"

"Nurufufufu, bem, a seguir..."

"Já chega! Isso é constrangedor!"

"Ukyaaa!"

Segurei a Higashira pelos ombros e a encurralei contra a cama.

"Ah!" Os olhos da Higashira se abriram de forma pretensiosa no momento em que a encurralei.

"Já que você teve namorada... você já...??"

"...Não, nunca fui tão longe."

"Ah~, entendi~, então é por isso que você ainda tem arrependimentos sobre ela..."

"Não! Olha, acho que tenho que te explicar. Eu te rejeitei porque pensei em cada um dos motivos, e não porque continuo apaixonado por ela —"

"Ah?"

Higashira virou o rosto para o lado, como se algo a puxasse.

E eu, que estava encurralando-a contra a cama, olhei na mesma direção.

"..."

A porta estava ligeiramente aberta.

Dois olhos espiavam em silêncio pela fresta, enquanto nós estávamos ali sobre a cama.

Era a Natora-san.

"...Muito bem, Isana. Mas usem o que tem que ser usado."

[Paiva: Team SCC Futebol Clube]

Natora-san disse e jogou uma caixinha pela fresta.

Aquilo — para dizer o mínimo... era uma caixa de camisinhas. Em outras palavras…

"É muito cedo para você engravidar, sabe. Então, boa sorte com isso."

Disse Natora-san, e fechou a porta.

Não tive tempo nem de me explicar.

"Hmm...?"

Higashira olhou para a caixinha com curiosidade... Ahn? Será que ela...?

Ela se esgueirou por baixo de mim, engatinhou pela cama e pegou a caixinha.

"O que é isso... Ah?! Isso é...?"

Higashira inclinou a cabeça enquanto inspecionava a caixinha e a mostrou para mim, toda animada.

"Olha isso, Mizuto-kun! É aquilo! É o que você coloca no seu pênis! Eu nunca tinha visto um! Uau~. Então é assim que se parece. Woah~..."

[Paiva: kura depois vou ter que te mostrar o meme que eu me lembrei | Kura: Rapaz do céu, eu que iniciei a tradução desse monstro…]

"...É, acho que sim."

Higashira nem ouviu minha resposta sem jeito e começou a abrir a caixa. Antes que eu pudesse impedi-la, ela já estava destacando um dos pacotinhos quadrados da cartela.

"Mizuto-kun, olha! ...Ahn, vamos colocar isso em cima da capa dos doujinshis ~!"

"Para com isso, sua idiota!"

"Ai!"

Dei um cascudo na Higashira, e os pacotinhos quadrados caíram da mão dela.

Quantas vezes eu vou ter que te dar um corretivo, garota?!

"Até logo. Tchau."

"Você podia ter passado a noite aqui. Foi o que a minha mãe disse."

"Não sou louco a ponto de posar na casa de alguém que acabei de conhecer."

Disse à Higashira enquanto ela me acompanhava até a entrada do apartamento.

Depois de tudo aquilo, Natora-san praticamente me obrigou a jantar e até a tomar um banho. Desse jeito, eu não conseguiria voltar para casa, então escapei correndo.

Higashira usava seu pijama e um cardigã. Ela esfregava os braços de leve.

"Por favor, venha nos visitar de novo."

"Sim, eu venho... quando não tiver ninguém em casa, espero."

"Eh~~. Não~! Tarado~!"

"Que cara de vergonha mais fingida."

Higashira levou a manga do cardigã à boca e riu.

"Vamos jogar algum jogo na próxima vez. A mamãe tem um jogo de terror, e eu quero ver você com medo, Mizuto-kun."

"Eu sou bem resistente a esse tipo de jogo."

"Quem sabe se é o caso. Vai dizer o mesmo quando alguém decepar o seu braço no VR?"

"Sério que vocês têm VR? ...Agora fiquei um pouco interessado."

"Afinal de contas, meus pais são gamers. Não teria como eu comprar coisas tão caras com a minha mesada!"

Higashira se balançava de um lado para o outro para expressar sua empolgação. Ao ver aquilo, os cantos da minha boca se curvaram de leve para cima.

Presumo que, enquanto eu continuar sendo quem sou, e a Higashira continuar sendo a Higashira…

Nada vai mudar. Se ela se confessasse ou se eu a rejeitasse, se eu me confessasse ou se ela me rejeitasse, nada disso faria diferença.

Nós não nos perderíamos em um momento de bobeira.

"Tá bom. Me manda uma mensagem no LINE quando chegar em casa."

"Tá. Eu respondo quando estiver com vontade."

"Você diz isso~, mas a sua taxa de resposta é de 100%~, não é?"

"Isso é porque, se eu não ler as suas mensagens, você começa a lotar o chat de emojis, não é?"

"Nijeje." Higashira soltou uma risadinha.

Está ótimo assim para nós.

◆ Irido Yume ◆

Era por volta das 20h quando ouvi a porta da frente se abrir.

O jantar já tinha acabado, e eu passei o dia inteiro inquieta na sala, então corri direto para o corredor.

Na entrada, vi o Mizuto tirando os sapatos.

"Espera aí!"

"...Hm? Ah. Voltei."

"Bem-vindo... Não, espera!"

"O que foi?"

"Onde você esteve esse tempo todo? Você disse que voltaria logo após o jantar, e a mamãe só ficava com aquele sorrisinho malicioso sem me contar nada!"

Essa era a primeira vez que algo assim acontecia com o Mizuto.

No começo, achei que ele só estava jogando conversa fora com o Kawanami-kun e que tinha saído para jantar, mas eu não conseguia tirar aquele mau pressentimento da cabeça.

Afinal de contas, a mamãe sorria daquele jeito, como se aquilo tivesse um significado muito específico…

Mizuto ignorou a minha frustração e passou direto por mim pelo corredor.

"Fui à casa da Higashira."

Ele respondeu de forma simples.

"...Hein?"

"Quero dizer, como a Higashira vive vindo aqui em casa, os pais dela disseram que eu deveria ir lá cumprimentá-los. Eu só não esperava que me fizessem jantar lá também — ah, é mesmo."

Enquanto eu ficava ali estática, Mizuto passou rapidamente pelo meu lado e abriu a porta da sala.

"Yuni-san, pai, vocês estão aí?"

"Oh, Mizuto-kun, bem-vindo de volta. O que houve?"

"Os pais da Higashira querem vir nos visitar. Querem saber qual seria um bom dia."

"Oh! Claro! Espera um minutinho. Deixa eu ver quando estou livre."

A mamãe começou a checar a agenda no celular, e a ansiedade tomou conta do meu corpo.

"O que... o que... o que você está pensando...?!"

"Hmm?"

Segurei o ombro do Mizuto por trás, e ele se virou, confuso.

"O que deu em você...?! Você se esqueceu do que a mamãe pensa da Higashira-san agora...?!"

Eles tinham certeza de que a Higashira-san era a namorada do Mizuto.

Se esse mal-entendido se espalhasse para a família da Higashira-san...!

"...Ah—"

Mizuto desviou o olhar, como se quisesse desconversar.

"Para falar a verdade, sobre isso..."

"Hein? O quê? O quê? Eu não quero nem ouvir!"

"Talvez... já seja uma causa perdida."

O tom do Mizuto era puramente de resignação.

O que ele queria dizer com aquilo? Eu nem precisava perguntar.

Em outras palavras, a família da Higashira-san já tinha oficializado o relacionamento deles...!

O que está acontecendo aqui?!

Porque parecia que a Higashira-san estava avançando muito mais do que eu, que moro sob o mesmo teto que ele?!

[Paiva: Poisé Yume, para de se fazer e vai pra cima po | Kura: Se eu fosse ela gritaria no meio da casa que amo ele.]

Resenha dos tradutores:

-Paiva: Salve gurizada, confesso que esse cap rendeu umas boas gargalhadas mas esse bgl de foco na Isana é paia, queremos desenvolvimento do casal e não aberturas pra triangulo amoroso por favor.(respondendo a fala do kura ali embaixo) Coitada da Yume nada, ela que ficou se fazendo depois da viagem

-Kurayami: Rapaz, esse Cape me fez uma raiva imensa… principalmente o final, está me matando por dentro, enquanto vejo o Paiva escrevendo sobre o triângulo amoroso kkkkkk. Pô, nesse capítulo, é um personagem mais doido que o outro. Coitada da Yume… PS: O Paiva fala isso porque estamos revisando juntos.

-Ayko: Cara eu tive uma pequena introspecção existencial, ri demais, fiquei indignado, e quase me debati aqui. Mas honestamente, a leitura desse cap tá bem macia! Embora apelativa tho… Queria ter revisado em conjunto com o Kura e o Paiva… Mas estive doente nas últimas 3 semanas. Enfim gurizada, de onde vem esse tem mais! Não se esqueçam de entrar no servidor do Discord da Moonlight Valley para extras, imagens do mangá e conversar sobre essa e outras obras!

Traduzido por Moonlight Valley

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