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Capítulo 29: O exame já começou? Parte 1: A verdade por trás dos assassinatos.

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Capítulo 29: O exame já começou? Parte 1: A verdade por trás dos assassinatos.

Ethan limpou o suor da testa com a manga, sentindo um pouco de tontura. Tanto ele quanto Hector decidiram que a melhor forma de relaxar os nervos era uma boa sess ão de treino.

Contudo, o assassino era muito r ápido. A cada golpe que dava, recebia três dele. Essa diferença só apareceu quando o amigo parou de se segurar e liberou o primeiro Céu.

Enquanto os cortes do íam um pouco, sentia-se cada vez mais acostumado a enfrentar um oponente mais rápido.

— Um dia tem que me contar a sua rotina de treino — disse, girando o bra ço dormente enquanto guardava as adagas. — Ainda com a constituição aumentada, quase que perco o braço. A sua força é só 27 mesmo?

— N ão é só a força — falou Liza, indo até os dois e começando a curá-los. Sentiu um pouco de espanto quando viu o estado do braço de Hector. “Não… tem algo de errado com esse idiota. Mesmo com um valor menor, ainda conseguiu fraturar o osso.”

— O que quer dizer? — perguntou, sentindo o al ívio da magia de cura e sorrindo quando percebeu que o membro voltara ao normal.

— T écnica. Por mais que não pareça, o Ethan é bem treinado. Cada ataque que ele acertava era mirado quando você parava num local, antes de ter a chance de se recuperar. Mesmo com uma constituição fortalecida, não adianta nada se a base não for boa.

— Caraca, voc ê até que sabe bastante de lutas, mocinha — riu, voltando momentaneamente ao seu dialeto natal. — Meu mestre me ensinou que, devido a natureza fluída do nosso estilo, preciso saber a hora de atacar para conseguir ter a maior eficiência.

Mesmo que ele explicasse, Hector ainda tinha problemas em entender como algu ém tem reflexos tão rápidos. Liza perguntou que tipo de treino ele fez e a resposta os surpreendeu.

— V árias vezes, eu acordava no meio do mato e tinha de achar o caminho de volta para casa. Vivi enfrentando todo o tipo de animal, tendo que bloquear uma ou outra flecha no meio da peleia.

Ambos viram a forma como estufou o peito e perceberam, uma vez mais, o qu ão sem noção Ethan era.

“ Tem certeza que esse seu mestre não queria te matar?” Essa era a pergunta na mente de ambos, mas, por educação e consideração, não falaram nada.

Hector estava satisfeito com o desempenho do amigo e, se essa tortura o ajudaria a sobreviver, estava satisfeito.

Quando estavam para voltar ao treino, um cheiro estranho chamou a aten ção de Ethan. Farejando o ar, estreitou os olhos e saiu correndo para sul.

Chegando l á, viu mais um corpo, este com a cabeça e o braço cortados. Junto dele estava um jovem, que chorava pela perda do que devia ser um amigo próximo.

“ Oh porqueira , mais um morto? ” Olhou para os lados, procurando alguma pista. Seja lá quem tiver matado-o, estava por perto. O sangue era muito fresco.

— Voc ê… — Olhando para o dono da voz, teve de bloquear um bastão e usou da força para afastar o homem, que o olhava com clara raiva. — Você matou ele!

Desviou de mais golpes e, quando viu uma oportunidade, segurou o punho do jovem, puxando-o para perto e dando uma pancada no rosto.

— Se eu fosse o assassino, teria usado a l âmina para cortar sua cabeça — resmungou, cansado de ser acusado de crimes que não cometeu.

Virando-se, voltou a procurar por pistas, ignorando as pegadas feitas com bota. Haviam tr ês rastros ali. Um era o do morto, que usava uma sandália. Outro era de uma botina militar, e o terceiro fora feito com os pés descalços.

Seus irm ãos o ensinaram a ignorar pistas óbvias na hora de caçar. Alguns animais da vila Cuckoo eram inteligentes o suficiente para enganar predadores. Esses eram os que tinham a carne mais macia e suculenta. Parando de caminhar, notou que a pista dos pés descalços terminava numa tenda. Apurando os sentidos, procurou algum cheiro ou som diferente, mas não teve sorte.

Seja o que for, era experiente o suficiente para n ão deixar rastro algum e isso o preocupou.

Enquanto Ethan n ão era exatamente o mais inteligente naquele grupo, não era estúpido. O treino que teve com Ittai o fez não apenas um espadachim competente, mas também ajudou em outras áreas.

Ser jogado no meio do mato enquanto dormia aumentou a efici ência com que rastreava uma presa, podendo achar qualquer animal com relativa tranquilidade. O real problema era que isso só se limitava a animais.

Seja quem for o assassino, este era melhor em se ocultar que muitos que ca çou naquela floresta.

N ão demorou muito para que a Caravana saísse de onde estavam. Chegariam na próxima cidade em algumas horas e o assassino podia muito bem usar isso para se separar do grupo. Enquanto caminhava, o rapaz notou um cheiro particularmente curioso e estreitou os olhos.

Dando uma última olhada na direção de onde as mortes mais recentes ocorreram, decidiu que valia a tentativa.

Alguns minutos antes da caravana sair, Hector come çara a trabalhar numa emboscada para o assassino. Enquanto a opinião pública era que Ethan era o culpado, tinha uma lista de possíveis suspeitos.

Notou, para sua surpresa, que eram poucos os que estavam minimamente qualificados ali, ao menos fora de seu grupo.

J á fazia algumas horas desde que usara Liza para recolher informações dos outros participantes enquanto plantava a semente da desconfiança. Usaram um grupo de pássaros para se comunicar. Ainda que fossem selvagens, foram domados por uma habilidade da clériga.

Aparentemente, ela tamb ém falava druídico, uma língua que permite ao falante se comunicar com diversas espécies de bestas.

Ap ós isso, foi só uma questão de Hector aprender a interpretar o voo das aves para entender o que estava dizendo.

Era arriscado e sabia disso. O assassino mostrou ser capaz de despist á-los, de matar rápida e eficientemente. Havia dois tipos que conseguiam isso e que tem seus motivos.

O primeiro era um assassino, um da fac ção aristocrática, que escapou e agora quer vingança. Sabia que era um tiro no escuro e que seria muita arrogância pensar que iriam querer se vingar deles em específico.

O segundo fazia mais sentido e era o que o fez procurar por pessoas experientes naquele lugar. Pessoas cuja pr ópria postura já os deixava prontos para lutar; que a própria respiração era perfeita, o suficiente para não se cansarem depois de horas lutando; cujo ar ao redor era de certeza, confiança na própria força.

M ármores.

Estes eram o tipo de gente que Hector buscava ali. Um poss ível Mármore escondido entre os vários participantes. O motivo?

Um teste.

Hector era inteligente. O suficiente para saber que um teste desses n ão começa com um apito. Que só os melhores tem o direito de passarem, de participarem. Então, era óbvio para qualquer um ali que tivesse meio cérebro que o exame já começou.

E que era passar ou morrer.

Poucos sabiam disso. N ão, era mais correto afirmar que a maioria não aceitava. Como poderiam? Fazê-lo era o mesmo que aceitar que estavam sendo caçados um por um. Tinha uma lista daqueles que reconheciam o perigo, foi a primeira coisa que o jovem fez.

A segunda foi enviar Liza para as massas, onde ela tentaria dissuadir o grupo da culpa de Ethan enquanto recolhia informa ções.

Hector n ão podia se mover livremente. Era visível qual a classe que ele escolheu, qual a área que se especializava. Além disso, o fato que estava com Ethan só o atrapalharia a longo termo.

Olhou para a dire ção em que Ethan seguiu enquanto arrumava a mochila. Estava preocupado com seu amigo. Uma memória veio a sua mente, a de Ethan, ainda dormindo, quase perfurando o próprio estômago com a lâmina da Bento.

Sabia que isso n ão era normal, mas decidiu deixar para lá, ao menos por enquanto. Tinha um assassino para pegar e não podia fazê-lo se se preocupasse com Ethan a cada segundo.

Colocando-a nas costas, voltou a caminhar enquanto refletia uma vez mais no que fazer. A pr óxima parada que fariam seria numa vila pequena o suficiente para não ter um nome registrado no mapa do arquipélago.

Por isso, tinham apenas mais algumas horas at é que tivessem de sair da caravana… De repente, o grupo de pássaros que os seguia entrou em pânico, voando erroneamente.

Demorou pouco mais de um segundo, mas Hector correu na dire ção de onde Liza estava, sabendo que aquilo significava.

O escudo amarelo bloqueou outro proj étil azul, a força o suficiente para criar mais uma rachadura. Vendo isso, suspirou, sentindo a sua reserva sendo esgotada conforme mais uma saraivada de flechas vinha.

Esperou at é a barreira quebrar e pulou no último segundo. Seguido disso, pulou outra vez para a esquerda, escapando de uma machadada. Tentou olhar para o assassino, mas só viu uma nuvem de poeira, seguido de um movimento.

Estralando a l íngua, pulou fora e conjurou a barreira de novo enquanto olhava para a única saída do bosque.

Estava claro para ela que, se corresse para l á, perderia sua cabeça. Com esse conhecimento, após a barreira ser quebrada uma vez mais, Liza Colt pulou para dentro das árvores, esquivando como podia das machadinhas que eram jogadas contra si.

— Apare ça, seja meu escudo! Obice! — entoou, usando do mesmo feitiço de novo. A diferença, dessa vez, era que a barreira estava apenas na frente dela.

Obice era, normalmente, uma magia de n ível 1 que criava um domo esférico ao redor do usuário. Porém, interromper o cântico permitia que você aumentasse o nível da magia, o que dava mais flexibilidade para o conjurador.

Pode n ão parecer muito, mas concentrar um Obice criava uma poderosa barreira, capaz de parar uma conjuração de nível médio.

Virou os olhos levemente para tr ás, já prevendo de onde o assassino viria. Após conjurar a magia, deu um segundo e começou a sussurrar outra, dessa vez em druídico.

Esta faria um estrago grande, que sem d úvidas alertaria o grupo.

Sorriu quando o assassino enfim se revelou e virou o rosto, vendo o olhar arregalado do mesmo ao notar a ferocidade que seus olhos carregavam.

“ Meu irmão é um grande idiota, mas ele tem razão numa coisa.” Pensou, declarando em voz alta o nome do feitiço. “É divertido ver a expressão de descrença do alvo quando percebem que foram encurralados.”

— Flamae Providenia!

Um imenso pilar de fogo azul irrompeu na floresta. A mesma magia que Jack usara na base dos imperialistas apareceu ali. Enquanto n ão era tão poderosa quanto, ainda se tratava de uma magia de nível 4, uma conjuração média.

Era uma aposta arriscada, mas Liza n ão se importava tanto assim. Não só foi obrigada a trabalhar como peão para um assassino, aquele responsável por essa situação ainda teve a ousadia de a atacar quando ia fazer suas necessidades.

Logo, sabia que sua raiva era justificada. Por isso, colocou energia o suficiente naquele feiti ço para esgotar sua magia, tornando tudo que as chamas tocassem em pó.

O clar ão azul se desfez, revelando a devastação a sua frente. Ela caiu no chão, incapaz de se manter de pé, mas satisfeita o suficiente para sorrir.

— É isso que pervertidos merecem! — disse, tentando recuperar o controle da respiração enquanto olhava para a fumaça ao redor.

Estava satisfeita. Em sua mente, se livrou de mais um inimigo de todas as damas e donzelas.

Contudo …

— S ério… acho que devia ouvir mais o que a chefa disse e parar de espiar. — Uma voz falou, a fumaça reduzindo o suficiente para Liza conseguir enxergar. Seus olhos ficaram arregalados e sentiu todas as forças se esvaírem. — Quase que morro aqui.

Por mais que toda a área ao redor estivesse destruída, no limite do raio da explosão, o assassino, um homem caucasiano, estava de pé. Sua roupa estava arruinada, seu torso e braços queimados. Aqueles ferimentos deviam ter o incapacitado, mas ele continuava consciente, algo que a deixou pálida.

— O que … Como?

O homem sorriu com aquilo enquanto se aproximava lentamente dela, segurando uma machadinha na m ão.

— Meu bisav ô era um Ogro. Mesmo que seja pouco, os genes dele ainda me dão uma resistência alta o suficiente para resistir a morte, pelo menos um pouquinho — disse, olhando para baixo e sorrindo, mostrando as presas. — Ainda assim, estou surpreso. Já tem alguns anos desde que algo me deixa quase morto.

Engoliu em seco, vendo-o levantar a arma.

“ Então… é aqui que eu morro?”

Antes que pudesse sentir pena de si mesma, uma sombra apareceu, e um grito foi ouvido.

— Patada Leonina!

A l âmina da Bento forçou o homem a se defender e pular para trás, fraco demais para repelir o ataque. Naquele momento, Ethan aterrizou, olhando para o assassino com um sorriso psicótico.

— Te achei, filhote de encruzilhada.

Oi. Bem, como eu disse antes, voltamos com a Lenda.

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