Capítulo 43: "Uma Aluna Superprotetora Até Demais"
Capítulo 43: "Uma Aluna Superprotetora Até Demais"
"Ah... Professor, Kamijou-san... Sejam bem-vindos..."
Assim que chegamos à casa da Murakumo-san, ela mesma veio nos receber na entrada. Embora ainda demonstrasse uma clara falta de traquejo e parecesse inquieta, fiquei imensamente feliz ao ver que ela havia feito questão de vir até a porta nos recepcionar, mesmo ainda sendo tão tímida para conversar cara a cara com as pessoas.
"Você ficou bem hoje? Ninguém tentou fazer nenhuma gracinha ou te incomodar?"
Demonstrando o ápice de seu lado superprotetor com quem gostava, Kamijou-san disparou as perguntas sem o menor preâmbulo, genuinamente preocupada com o bem-estar de Murakumo.
Olha... você passou o dia inteiro de olho nela na sala de aula, então já devia saber a resposta sem precisar perguntar... — pensei. Mas bem, fazia parte da tentativa dela de puxar assunto e estabelecer uma comunicação.
"S-Sim... Eu tomei um baita susto, mas estou bem..."
"É que você é linda demais, Murakumo-san, por isso todo mundo na escola quer ficar te cercando. Mas você precisa tomar muito cuidado para não dar trela para qualquer tipo estranho que aparecer, entendido?"
Acho que esse aviso sobre "tipos estranhos que ficam cercando" serve perfeitamente para você agora, sabia?
A piada quase me escapou pelos lábios, mas fiz um esforço tremendo para engoli-la a tempo. Perigoso, muito perigoso. Essa garota dava tantas brechas para ironias que, se eu não pisasse em ovos, acabaria detonando uma mina terrestre sem querer...
"S-Sim... É que, para começar, eu sou péssima conversando com as pessoas... Ficar cercada por tanta gente de uma vez na escola me deixou completamente sem saber o que fazer..."
"Pois é, o professor realmente age sem pensar nas consequências, é impressionante."
"Você está jogando a culpa para cima de mim?! Quem insistiu para ela cortar o cabelo e mudar o visual foi você, não foi?!"
Diante de uma Kamijou-san que, com a maior cara de pau do mundo, tentava me empurrar a culpa de um crime, que eu não cometi, só me restou soltar um riso incrédulo. O fato de a beleza estonteante da Murakumo-san ter sido exposta para o colégio inteiro era, sem sombra de dúvidas, responsabilidade da Kamijou-san...
Afinal, quem fez todo o trabalho de persuasão no salão foi ela.
Bem, para ser justo, a proporção da beleza da Murakumo-san provavelmente superou todos os cálculos e previsões dela... Mas, olhando pelo lado positivo, as coisas estavam caminhando em uma excelente direção para a garota.
"Se você se sentir incomodada ou em apuros de novo, pode vir falar comigo imediatamente. Eu posso intervir e dar uma chamada no pessoal para não ficarem se aproximando de você à força."
Embora, para ser sincero, eu soubesse que essa era uma carta que eu devia evitar jogar. Se um professor começa a interferir demais nas interações e dinâmicas sociais dos alunos, eles acabam ficando intimidados e retraídos, o que tornaria a convivência e a integração da Murakumo-san ainda mais difícil.
Mas espere, seria esse o caso no meu cenário atual?
Pensando bem, os alunos daquela turma me subestimavam e me ignoravam tanto que... eles provavelmente nem ligariam para as minhas advertências.
"Por favor, trate de manter todos os garotos bem longe dela."
"Diga uma coisa, Kamijou-san... Você não acha que essa é uma exigência um tanto quanto absurda para uma colega de classe impor?"
Essa menina realmente não conhecia limites para o seu instinto superprotetor. Só de imaginar o futuro, quando a Sana-chan decidisse trazer um namorado para apresentar em casa, eu já conseguia prever uma tragédia de proporções bíblicas. Enquanto a Misuzu-chan provavelmente aceitaria com um sorriso gentil, dizendo algo como “se é a escolha da Sana…”, eu só conseguia visualizar a Kamijou-san humilhando e enxotando o pobre rapaz para fora da propriedade sem a menor piedade.
"Que tal vocês entrarem primeiro para continuarmos a conversa lá dentro...?"
Ao notar que estávamos plantados na entrada batendo boca, a mãe de Murakumo interveio de forma amigável, sugerindo que nos acomodássemos. Aceitamos o convite prontamente e entramos na residência.
E então — "Você realmente foi muito forte e se esforçou bastante hoje... Não se preocupe com aqueles homens; assim que resolvermos toda essa situação, eu mesma vou garantir que eles paguem pelo que fizeram, então pode descansar a sua mente." — Mal havíamos nos sentado no sofá da sala de estar, Kamijou-san puxou a cabeça de Murakumo e a acolheu em um abraço caloroso.
Ela começou a afagar os cabelos negros da colega com uma mansidão extrema, mimando-a exatamente da mesma forma que costumava fazer com a sua irmã mais nova, Sana. Será que ela tinha total discernimento de que a pessoa ali nos seus braços era alguém da mesma idade e da mesma série que ela...?
Bem, como a Murakumo-san, apesar de encabulada com o dengo, parecia estar gostando bastante daquele afeto, decidi não estragar o momento.
"Por favor, nada de promover a violência entre os estudantes, está bem...? Se assim que resolvermos um problema de bullying a gente tiver que lidar com um caso de agressão física, eu vou ficar em maus lençóis, e isso não tem a menor graça."
"Fufufu, não se preocupe, professor. Eu vou apenas fazê-los compreender qual é o verdadeiro lugar deles na hierarquia."
"Isso soa assustador demais. Olha aí, você vai acabar assustando a Murakumo-san."
Encarava com um riso amarelo aquela Kamijou-san que exibia um brilho intensamente perigoso no olhar. Os rapazes da sala obviamente estavam fitando Murakumo com segundas intenções puramente carnais, e era exatamente esse detalhe que estava provocando a ira dela.
O grande problema com essa menina é que, devido à sua inteligência privilegiada, ela seria perfeitamente capaz de arquitetar uma armadilha sutil nos bastidores para destruir um rival sem deixar pistas, agindo de forma idêntica à pessoa que estava encurralando a Murakumo-san agora. Felizmente, ela era uma boa garota no fundo, então eu tinha convicção de que ela jamais cruzaria essa linha.
"Pronto, pronto... está tudo bem. Eu estou do seu lado, Murakumo-san."
Na realidade, ao contrário do que eu havia alertado, Murakumo não parecia nem um pouco assustada com as palavras da colega. Kamijou-san continuava a ninar e a acariciar a cabeça dela com uma ternura impecável. Pelo visto, o fato de ter sido forçada a se conter e acumular tanta frustração na escola fez com que ela descontasse todo aquele afeto reprimido de uma forma um tanto exagerada...
Bem, a Sana-chan andava grudada em mim como chiclete nos últimos tempos, então talvez esse ciúme acumulado também estivesse influenciando o comportamento dela ali.
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