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Capítulo 51: "Objeto Amaldiçoado de Nível Especial"

A Mãe Da Minha Aluna É Na Verdade Minha Ex-Namorada — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 51: "Objeto Amaldiçoado de Nível Especial"

"O-O que você disse...?!"

"Quer dizer que nós fomos usadas para uma vingança nojenta dessas...?! Você está de palhaçada com a nossa cara, Midou...!"

Quem rompeu o silêncio aos berros foram as duas seguidoras de Midou-san. Elas finalmente se deram conta de que, por terem embarcado naquela retaliação cega, as suas próprias vidas e futuros estavam completamente arruinados.

Embora eu até conseguisse compreender o vislumbre de desespero que as levava a atacar a líder—

"Quem vocês pensam que estão chamando de palhaça...?! Essa foi uma escolha que vocês mesmas fizeram por livre e espontânea vontade! Sem contar que eu assisti, com estes meus próprios olhos, a alegria e o sadismo que vocês esbanjavam enquanto maltratavam a Murakumo-san...! Não achem que vão conseguir escapar ilesas usando essa desculpa esfarrapada de que foram 'utilizadas'...!" — Kamijou-san acabou verbalizando toda a indignação que estava engasgada na minha garganta.

Como a sua escolha de palavras havia se tornado consideravelmente agressiva, era evidente que aquela tentativa das comparsas de se esquivarem da culpa tinha sido o estopim para elevar o seu ódio ao ápice. Ao serem severamente repreendidas por uma Kamijou-san que normalmente era o sinônimo de calmaria e frieza, as duas garotas encolheram-se, intimidadas.

Bem, era o mais puro suco de colheita cármica, então eu não tinha a menor intenção de sentir pena.

"E isso serve para você também, Midou! Eu entendo que ser rejeitada de forma abrupta doa e cause uma tristeza imensa! Mas usar essa dor como justificativa para destruir e ferir a pessoa que você diz amar... é algo completamente doente e sem nexo...!"

Por ter ultrapassado completamente o seu ponto de ebulição, a fúria de Kamijou-san acabou ricocheteando e atingindo Midou-san diretamente.

Olha, considerando que a mentora intelectual de toda essa desgraça era a própria Midou-san, o esporro estava mais do que correto, mas ver a garota ser bombardeada daquela forma bem no meio da sua exposição trazia uma sensação ligeiramente melancólica.

"Kamijou-san... você por acaso já esteve apaixonada por alguém em toda a sua vida?"

"—! O-O que você quer dizer com isso do nada...?"

Ao ser encarada com pupilas que emanavam um profundo e genuíno sentimento de piedade, Kamijou-san vacilou, dando um passo para trás.

"O amor não é composto apenas por nuances doces e momentos de felicidade. Ele também se transforma em uma arma de destruição em massa, capaz de queimar o seu corpo inteiro de dentro para fora em pura agonia. O desespero de ser sumariamente rejeitada pela única pessoa que importa no mundo... é o suficiente para corromper a sanidade de qualquer ser humano."

O grande problema era que eu conseguia compreender perfeitamente a essência do que Midou-san estava defendendo. Na verdade, qualquer indivíduo que já tenha experimentado os sabores amargos de uma desilusão amorosa avassaladora na vida deve guardar, em maior ou menor escala, uma cicatriz parecida no peito.

Uma decepção dessas pode arrastar uma pessoa para a escuridão por dias, semanas, meses... ou, dependendo da gravidade, por anos a fio.

Na realidade, o mundo está repleto de casos policiais terríveis onde crimes passionais hediondos foram motivados por paixões obsessivas mal resolvidas. Tragédias decorrentes de perseguições e assédio obsessivo infelizmente sempre fizeram parte da história da humanidade.

"Contudo, eu não tenho o menor interesse em praticar algo tão tolo e sem utilidade prática quanto uma 'vingança'."

Apesar de ter passado os últimos minutos discorrendo longamente sobre a dor da sua rejeição, Midou-san simplesmente balançou a cabeça em negação, proferindo uma frase que fazia qualquer um questionar o sentido de toda aquela conversa até ali.

"Hã...?"

Como era de se esperar, Kamijou-san não engoliu aquela contradição, inclinando a cabeça com uma expressão repleta de desconfiança e confusão.

Ter essa menina por perto é uma enorme conveniência... Ela faz todas as perguntas que eu preciso sem que eu precise gastar saliva... — pensei.

"Pense bem, Kamijou-san. Se a Rumi-chan continuasse sendo incapaz de pisar no colégio, isolada perpetuamente dentro daquele quarto... qual seria o desfecho lógico da vida dela?"

Midou-san lançou o questionamento diretamente contra os olhos de Kamijou-san.

Essa garota tem uma estrutura mental e uma frieza assustadoras... — eu queria conseguir admirar a sua resiliência, mas a verdade nua e crua era que a psique dela já havia se estilhaçado há muito tempo. A ponto de perder completamente a bússola moral do que era certo ou errado.

Tudo aquilo era o reflexo do tamanho da sua obsessão por Murakumo-san...

"Ela seria forçada a abandonar os estudos em definitivo e teria dificuldades imensas para conseguir qualquer emprego... No fim das contas, ela se tornaria o que a sociedade costuma chamar de 'NEET' (jovem que não estuda e nem trabalha)", respondeu Kamijou-san, injetando o máximo de desprezo e acusação na voz, como quem diz: “E você era a grande responsável por empurrá-la para esse abismo” .

No entanto, as bochechas de Midou-san apenas se suavizaram em um sorriso sombrio — "Fufu, exatamente...! E como todos sabem, a Rumi-chan não tem irmãos ou irmãs...! O que significa que, no momento em que os pais dela vierem a faltar... ela perderá completamente os meios de subsistência para se manter viva...! Sim... a única alternativa que restaria para ela seria implorar pelo meu auxílio...!" — Foi ao ouvir aquela conclusão meticulosa que a ficha finalmente caiu, expondo a verdadeira e aterrorizante engrenagem por trás de suas ações.

Kamijou-san pareceu atingir a mesma linha de raciocínio que eu no exato mesmo milésimo de segundo. Seu rosto empalideceu instantaneamente, e ela passou a encarar Midou-san com o mesmo pavor de quem testemunha a materialização de um monstro real.

"O seu objetivo nunca foi se vingar da Murakumo-san... Você estava destruindo sistematicamente todos os laços e o espaço dela na sociedade para garantir que ela não tivesse outra escolha a não ser viver sob a sua dependência e proteção...?!"

[Pipoc4h: Tem gente que não tem limite pro quão doido pode ficar, bizarro]

"Sim. Afinal, eu preciso da Rumi-chan na minha vida", respondeu Midou-san, assentindo com a cabeça sem demonstrar o menor resquício de remorso ou culpa.

Até que ponto a obsessão cega é capaz de desumanizar alguém...? A persistência daquela garota era algo que ultrapassava os limites do bizarro.

"Professor..."

Essa garota é perigosa demais.

Percebendo a gravidade da ameaça, Kamijou-san buscou o meu olhar de forma implorante, buscando um norte.

Para ser perfeitamente honesto, até eu estava em um beco sem saída mental sobre qual decisão tomar. Chutar Midou-san para fora daquela instituição de ensino seria a tarefa mais simples do mundo; munido daquele registro em vídeo, eu conseguiria uma expulsão sumária sem grandes burocracias.

Contudo... o que aconteceria no dia seguinte? Se tentássemos cortar aquele cordão umbilical de forma descuidada ou agressiva, aquela jovem seria perfeitamente capaz de recorrer a métodos extremos e inimagináveis e, no pior dos cenários, ceifar a própria vida da Murakumo-san para garantir que ela não pertencesse a mais ninguém.

O nível de fixação dela era exatamente desse patamar.

Então é esse tipo de pessoa que a cultura popular costuma classificar como um 'Objeto Amaldiçoado de Nível Especial'... — o pensamento me ocorreu de forma amarga. No entanto — independentemente da insanidade do panorama, o meu dever e as minhas obrigações como professor ali permaneciam inalterados.

[Jeff: Jujutsu referências? kkk essa menina é doida rapaz.]

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