LNCrawler

Capítulo 53: "Olhando para o Futuro"

A Mãe Da Minha Aluna É Na Verdade Minha Ex-Namorada — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 53: "Olhando para o Futuro"

"...Midou-san, posso te perguntar uma coisa?"

"O que seria?"

Midou-san, que parecia um tanto confusa com a atitude inesperada de Murakumo-san, endireitou a postura e fixou os olhos em meu rosto assim que a chamei. O fato de ela se manter tão fria e controlada mesmo diante de uma situação daquelas só reforçava o meu pensamento: deixá-la agir às soltas por aí era perigoso demais.

"O que você pensa sobre o que fez com a Murakumo-san? Sente algum arrependimento?"

"Arrependimento, é...? Bem, a respeito de ter machucado a Rumi-chan, sim, eu me arrependo. Se fosse possível, eu gostaria que ela tivesse se tornado minha sem precisar passar por nenhuma dor."

Ou seja, ela não se arrependia de absolutamente nada, exceto pelo fato de ter ferido a integridade física e emocional de Murakumo-san... Que criatura perigosa...

Essa garota definitivamente não tem a menor intenção de desistir da Murakumo-san...

"Muito bem, está decidido. Vamos fazer do jeito que a Murakumo-san quer."

Após ponderar bastante, levando em consideração tanto os riscos práticos da situação quanto os sentimentos de Murakumo-san, resolvi ceder ao apelo dela.

"Professor?!"

Como eu já previa, Kamijou-san protestou com uma voz que misturava choque e indignação; eu teria que dar um jeito de convencê-la de alguma forma mais tarde.

"Muito obrigada, professor...!"

Por outro lado, Murakumo-san abriu um sorriso radiante e se jogou para me abraçar de alegria.

O grande problema foi que, no exato instante em que ela fez isso, o olhar de Midou-san tornou-se afiado como uma lâmina — olha, a minha própria vida parece estar correndo um sério risco aqui, então será que dá para você me soltar, Murakumo-san...?

"O que o senhor tem na cabeça para tomar uma decisão dessas...?!"

Kamijou-san deu um passo à frente, encurtando a distância para me pressionar. Como tomei essa resolução sem consultá-la previamente, era perfeitamente natural que ela não compreendesse, mas a aura intimidadora que ela emanava era de dar um pouco de medo.

"Acontece que, acima de qualquer outra métrica, o que nós precisamos priorizar aqui é o bem-estar e a vontade da Murakumo-san..."

"O senhor realmente acha que eu vou aceitar uma desculpa dessas...?!"

Ela estava coberta de razão. Se eu estivesse no lugar dela, provavelmente também estaria cuspindo fogo de indignação.

Por conta disso, aproximei-me e sussurrei discretamente perto do ouvido de Kamijou-san para que as outras não escutassem.

"Pense bem, Kamijou-san. A Murakumo-san passou o tempo todo tentando proteger a Midou-san desde que esse problema com o bullying começou, não foi...? Se ignorarmos os sentimentos dela e simplesmente expulsarmos a Midou-san do colégio, a Murakumo-san, com aquele coração gentil que tem, vai carregar a culpa disso nas costas para sempre. No pior dos cenários, a mente dela pode acabar quebrando de vez."

"—! S-Sim, isso pode até ser verdade, mas para evitar que algo assim aconteça nós poderíamos dar um suporte psicológico, cuidar dela...! Manter aquela garota frequentando a mesma escola é um nível de perigo absurdo...?!"

"Garantir que a mente dela não quebre é justamente o objetivo dessa nossa jogada. Além disso, pense no panorama inteiro. Se nós expulsarmos a Midou-san, ela vai ter passe livre para agir como bem entender na vida privada. Quem garante que ela não vai invadir a casa da Murakumo-san do nada? Na verdade, eu apostaria que ela faria exatamente isso no primeiro momento em que baixássemos a guarda."

"............"

Kamijou-san provavelmente visualizou a cena mental de Midou-san invadindo os aposentos de Murakumo-san enquanto ela dormia. Seu rosto empalideceu novamente em um instante.

"Por conta disso, reatar o laço de amizade entre as duas vai manter a psique da Midou-san muito mais estável do que se a rejeitarmos por completo. Isso pode fazer com que ela fique ainda mais obcecada pela Murakumo-san no futuro? Talvez. Mas se serve para conter aquela fixação doentia e bizarra no curto prazo, você não concorda que é a melhor alternativa que temos?"

"...É inegável que, se nós a cortarmos de vez, ela vai chutar o balde e agir de forma completamente insana..."

"Exatamente. E se chegarmos a esse ponto, nós vamos ficar totalmente na defensiva, sem capacidade nenhuma de reação para protegê-la."

No pior dos cenários, uma tragédia irreversível poderia acontecer. Em vez de arriscar o futuro, era infinitamente melhor estabilizar o psicológico da agressora e mantê-la sob um raio de alcance onde os nossos olhos pudessem vigiá-la.

"Mas... se elas ficarem juntas o tempo todo, a Murakumo-san corre o risco de ser devorada por ela...!"

"Devorada...?"

De onde essa menina tira esse tipo de vocabulário...? Será que ela é uma mente poluída disfarçada de santa? — a dúvida passou pela minha cabeça, mas mantive a compostura dada a seriedade do momento.

"Bem, é aí que você entra, Kamijou-san. Você vai ficar encarregada de vigiar as duas nos bastidores... Pense pelo lado positivo: com isso, você ganha um passe livre legítimo para passar o tempo todo colada na Murakumo-san no colégio, não acha?"

"E se a Midou-san resolver me devorar no processo também...?!"

Espera aí, com que tipo de cenário essa garota está preocupada agora...?

[Jeff: Rapaz, como que aguenta traduzir uma conversa dessas. | Pipoc4h: Ela tem a mesma imaginação fértil da Misuzu]

Apesar do meu questionamento interno, era verdade que a hipótese não podia ser descartada como impossível. Excluindo a diferença de temperamento, Kamijou-san também ostentava uma beleza estonteante; não havia garantias de que Midou-san não passaria a demonstrar interesse por ela em algum momento.

Por uma fração de segundo, imaginei a cena de Kamijou-san amarrada e chorando de desespero enquanto recebia o "carinho" forçado de Midou-san — o apelo visual para certos públicos seria gigantesco, mas conhecendo a Kamijou-san, ela provavelmente daria um jeito de nocautear a agressora e escapar antes que a situação chegasse a esse ponto.

Obviamente, formular esse tipo de pensamento envolvendo as minhas próprias alunas era algo que eu jamais assumiria em voz alta na vida.

"Conto com o seu esforço. Se qualquer coisa fora do comum acontecer, é só vir falar comigo imediatamente."

"O senhor está simplesmente jogando toda a responsabilidade nos meus ombros...?! Isso é um fardo pesado demais, sabia...?!"

"É claro que eu também vou ficar de olhos bem abertos e policiar a situação o máximo que puder..."

Até porque, se eu vacilar aqui, a Misuzu-chan com certeza vai comer o meu fígado...

E assim, após muito suor e saliva, consegui finalmente convencer Kamijou-san. Dei meia-volta para encarar o trio de agressoras novamente.

"Contudo, o fato de vocês não serem expulsas não significa que vão sair ilesas. Vocês vão receber uma punição severa pelo que fizeram. Eu não tenho a menor intenção de deixar esse assunto ser abafado."

Esse caso de bullying ainda não havia se tornado de conhecimento geral na escola, mas acobertá-lo não traria benefício a ninguém. Era fundamental que elas encarassem as consequências de suas ações.

Para ser perfeitamente honesto, o desejo de Murakumo-san restringia-se apenas a aliviar a barra de Midou-san; no meu íntimo, a minha vontade real era chutar as duas seguidoras para fora do colégio sem pensar duas vezes.

No entanto, se eu fizesse isso, tornaria-se burocraticamente impossível suavizar a punição da mentora intelectual do crime. A única saída viável era estender o abrandamento para as três de uma vez.

"A suspensão das aulas é algo inevitável, e eu não vou mover um dedo para impedir que isso aconteça. A Murakumo-san teve o seu rendimento escolar, suas oportunidades de emprego futuras e seu ingresso na faculdade severamente prejudicados por conta do período em que ficou isolada em casa; portanto, vocês terão que carregar uma colheita equivalente. E eu não estou pedindo que façam isso pelo resto da vida. Contanto que estejam matriculadas nesta instituição, vocês vão se empenhar ao máximo para servir e compensar a Murakumo-san por todo o mal que causaram. Esse é... o único ponto de equilíbrio onde aceito ceder."

Considerando a gravidade dos atos que praticaram, aquela diretriz era um presente divino de tão branda. Ainda assim, se era o que a vítima desejava, eu não tinha o direito de contestar. Afinal, foi ela quem sofreu na pele; aplicar um castigo que fosse contra a sua vontade seria cometer uma nova injustiça.

Pensando bem... um caso desse patamar normalmente resulta em expulsão sumária na hora...

Eu fiz todo esse discurso imponente e heroico aqui, mas e se o conselho escolar resolver expulsá-las de qualquer jeito...? Bem, se eu conversar diretamente com o Diretor Executivo e explicar as nuances por trás dos panos, tenho certeza de que ele vai atender ao meu pedido...

Eu precisava depositar as minhas fichas nessa linha de fé.

Naturalmente, Kamijou-san continuou resmungando e reclamando no meu ouvido por um bom tempo depois daquilo, mas ela teria que ter paciência. Ela foi a grande heroína e colaboradora de toda essa operação, mas o meu objetivo final era encerrar esse capítulo de uma forma que trouxesse paz ao coração de Murakumo-san.

Após o término da discussão, fiz com que as três se curvassem em um pedido profundo de desculpas para Murakumo-san. Em seguida, fiz questão de ir pessoalmente à residência de cada uma para relatar detalhadamente os acontecimentos aos pais, exigindo que aplicassem uma educação rígida e corretiva em suas filhas daqui para frente.

Server do discord: https://discord.gg/moonlight-valley-1123194351095402526