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Capítulo 1 – Dia comum

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Capítulo 1 – Dia comum

[23 de fevereiro 2017]

O despertador gritou na madrugada, mas Keal quase não o ouviu. Na verdade, ouviu, apenas não encontrou vontade suficiente para sair da cama. O peso do travesseiro sobre sua cabeça parecia muito mais convidativo do que enfrentar mais um dia. Só quando a luz fraca atravessou a fresta da janela e invadiu o quarto é que o sono começou a ceder.

Levantou-se sem pressa e se arrastou até o banheiro, ainda envolto pela névoa da madrugada. A pia estava gelada, e a água fria escorreu por seu rosto, arrancando dele um leve estremecimento. Não havia nada pior do que sentir o frio da manhã antes mesmo de abrir os olhos de verdade.

O café da manhã já o esperava. Sua avó, Dona Olívia, havia preparado um pão acompanhado de café preto — uma refeição simples, tão silenciosa quanto as conversas que costumavam dividir todas as manhãs.

— Keal, não esquece a blusa. Hoje tá frio — disse ela, com a voz rouca que carregava tanto cansaço quanto carinho.

Keal apenas assentiu. Calçou o tênis surrado e vestiu a jaqueta que ainda guardava o cheiro da avó: um aroma suave de flores antigas misturado com terra molhada. Por um breve instante, sentiu-se um pouco menos vazio. Sabia, porém, que bastaria atravessar os portões da escola para o velho tédio voltar a consumi-lo.

Na escola

As paredes da escola pareciam mais cinzentas do que o habitual. O barulho constante dos corredores quase o atordoava. Caminhava entre dezenas de pessoas como se fosse invisível, embora às vezes tivesse a sensação de incomodar apenas por existir. Nunca se encaixou naquele ambiente, e também nunca fez questão de tentar.

Ao entrar na sala, seus olhos encontraram imediatamente o quadro negro. O professor de matemática, senhor Rodrigues, iniciou a aula com o mesmo tom cansado de sempre, típico de quem repetia aquelas explicações há anos.

— Hoje vamos estudar progressões aritméticas.

A caneta riscava o quadro enquanto sua voz ecoava distante, como se Keal a escutasse através da água.

Seu olhar percorreu as fórmulas, tentando encontrar algum sentido nelas. Não porque realmente tivesse interesse, mas porque era mais fácil concentrar-se nos números do que no vazio silencioso que insistia em ocupar sua mente.

Na verdade, nunca se importou muito com nada daquilo. Nem esportes. Nem festas. Nem pessoas. Não tinha amigos. Nunca teve. E, no fundo, acreditava que nem desejava ter.

Enquanto o professor seguia explicando exercícios e preenchendo o quadro com exemplos, Keal voltou a atenção para a janela. O céu permanecia cinzento, carregado de nuvens, enquanto as árvores balançavam ao vento de maneira estranha, quase como se tentassem contar um segredo.

Alguns alunos ainda participavam da aula, mas a maioria apenas resmungava ou mexia discretamente no celular. Keal permaneceu em silêncio, escutando um vazio que parecia gritar mais alto do que qualquer voz naquela sala.

…

Quando o intervalo chegou, ninguém se aproximou dele. Também não esperava que alguém o fizesse.

Seguiu até o bebedouro, observando os grupos espalhados pelo pátio. Riam, conversavam, discutiam por motivos banais. Pareciam pertencer a um mundo completamente diferente do seu.

No caminho, uma garota tropeçou perto da escada. Antes mesmo que ela pedisse ajuda, Keal a segurou, ajudou-a a se levantar e ajeitou sua mochila.

— Obrigada…

Ela sorriu de forma apressada e foi embora quase no mesmo instante.

Keal permaneceu parado por alguns segundos, observando-a desaparecer entre os outros estudantes. Não sabia dizer se aquele pequeno gesto havia feito alguma diferença.

Também não se importava.

…

A tarde passou como todas as outras, entre fórmulas, textos extensos e aulas que pareciam nunca terminar.

Sua mente, porém, estava longe dali.

Pensava na pequena casa onde vivia com Dona Olívia, sempre cercada pelas flores das quais ela cuidava com tanto carinho.

Keal nunca conseguiu entender aquele fascínio. Para ele, eram apenas plantas.

Para sua avó, entretanto, cada flor carregava uma lembrança, um nome e uma história.

Talvez fosse justamente isso que mantivesse aquela casa viva

Ao sair da escola, o céu já estava coberto por nuvens escuras. Keal seguiu pelas ruas que conhecia de cor, embora elas parecessem diferentes a cada dia, como se o clima fosse capaz de mudar até mesmo a aparência do lugar onde cresceu.

Na esquina, um senhor tropeçou e deixou as sacolas de compras caírem no chão. Sem pensar, Keal se aproximou e começou a recolher os objetos espalhados, entregando tudo de volta ao homem.

— Moço, o mundo tá cheio de gente boa como você, viu? — disse o senhor, sorrindo com gratidão.

Keal apenas fez um leve aceno com a cabeça e voltou a caminhar.

No fundo, não se considerava uma pessoa tão boa assim.

…

Chegou em casa com os sapatos encharcados pela chuva fina que começava a cair. A pequena casa de Dona Olívia estava iluminada pela luz amarelada do abajur da sala. O cheiro de terra molhada misturado ao perfume das flores o recebeu logo na entrada e, por um breve instante, sentiu algo próximo da paz.

— Chegou, filho? — perguntou Dona Olívia da cozinha, com a voz acolhedora.

— Cheguei.

Keal tirou o casaco molhado e o pendurou sobre uma cadeira antes de seguir até o pequeno jardim que sua avó cultivava com tanto carinho.

As flores brilhavam sob as gotas da chuva fraca, cada pétala refletindo a luz suave que escapava da varanda. Dona Olívia lhe entregou um velho par de luvas e pediu ajuda para organizar os vasos e separar algumas flores que seriam levadas para a feira de domingo.

Os dois trabalharam lado a lado, quase sem trocar palavras.

Era um silêncio confortável, daqueles que dispensavam qualquer conversa para demonstrar o carinho que existia entre eles.

— Sabe, Keal… — começou Dona Olívia, quebrando o silêncio. — Essas flores são como a vida. A gente precisa cuidar delas, mesmo quando tudo parece que vai morrer.

Keal voltou o olhar para a avó e sentiu uma pontada estranha no peito. Não soube dizer se era esperança ou apenas o frio da tarde atravessando sua roupa.

— Vou tentar lembrar disso… — murmurou.

O cheiro de hortênsias misturado ao aroma de café velho ainda pairava pela cozinha quando terminaram de organizar as flores. Dona Olívia permanecia agachada diante de um vaso, com as mãos mergulhadas na terra, como se conversasse em silêncio com a planta. Às vezes, Keal tinha a impressão de que ela realmente recebia respostas.

— Passa aquele regador azul pra mim, Keal.

Ela nem sequer levantou os olhos, concentrada em ajeitar o caule de uma rosa branca.

Keal pegou o regador e o entregou. Dona Olívia o recebeu com delicadeza, embora suas mãos enrugadas tremessem levemente.

O tempo não era gentil com ninguém.

— Tá cansada, vó? — perguntou, mais por preocupação do que por vontade de conversar.

Ela soltou uma risada baixa.

— Cansada? Cansada é o que a gente fica quando a vida não dá sentido pra nada. Eu tô só velha. É diferente.

Keal permaneceu em silêncio.

As respostas da avó sempre o pegavam desprevenido, como se ela enxergasse o mundo por um caminho que ele jamais conseguiria alcançar.

Quando terminaram, Dona Olívia acendeu a pequena luminária da sala. A luz amarelada espalhou-se pelo cômodo, revelando as marcas do tempo na mobília: o sofá afundado de um lado, os porta-retratos antigos, o armário de madeira que conservava o cheiro da umidade.

A casa inteira parecia guardar histórias que ninguém jamais contara.

— Senta aqui um pouco, menino.

Ela bateu de leve no sofá.

Keal se acomodou ao seu lado. Dona Olívia puxou uma pequena caixa de madeira que ficava sob a mesa de centro. Dentro havia um baralho antigo e vários papéis dobrados pelo tempo.

— Lembra quando você era pequeno e eu te ensinava a jogar buraco? — perguntou enquanto embaralhava as cartas.

— Mais ou menos. Eu perdia sempre.

Ela sorriu.

— É… mas nunca desistia.

Jogaram apenas algumas partidas. Três, talvez quatro.

Como de costume, Dona Olívia venceu todas.

Entre uma jogada e outra, Keal percebeu a respiração tranquila da avó. Era lenta, constante, como se ela tivesse aprendido a viver exatamente no ritmo que a vida exigia.

…

Mais tarde, depois do jantar — arroz, feijão e frango ensopado —, Keal saiu para levar o lixo.

O ar estava frio e carregava o cheiro da terra molhada. O bairro permanecia silencioso, interrompido apenas pelo latido distante de um cachorro. As casas simples alinhavam-se pela rua; algumas exibiam muros descascados, enquanto outras deixavam escapar uma luz amarelada pelas janelas.

Havia um poste bem em frente à sua casa que piscava de tempos em tempos, como se não conseguisse decidir se continuaria funcionando. Sempre que a lâmpada tremeluzia, as sombras mudavam de lugar, e Keal acabava observando aquele movimento por mais tempo do que deveria.

Desde criança, carregava a sensação de que a cidade escondia algo.

Como se existisse uma camada invisível sob o cotidiano, um mundo silencioso que ninguém conseguia perceber.

Talvez fosse apenas sua imaginação tentando encontrar mistério onde não havia nenhum.

Ou talvez não.

Quando voltou para dentro de casa, encontrou Dona Olívia na cozinha, lavando a louça.

— Você devia descansar, vó. Eu lavo isso amanhã. — disse Keal, encostado no batente da porta.

Ela continuou esfregando um prato sem sequer levantar o olhar.

— Amanhã as flores já vão estar pedindo minha atenção. Se a gente deixa o trabalho pra depois, ele cresce e engole a gente.

Keal pensou em responder, mas desistiu. Pegou um pano e começou a secar a louça enquanto a avó continuava lavando. Permaneceram assim durante alguns minutos, trabalhando lado a lado, sem trocar uma única palavra.

Era um silêncio diferente daquele da escola.

Na escola, o silêncio era vazio.

Naquela casa, ele preenchia cada canto.

Quando terminaram, Dona Olívia lançou um olhar discreto para o neto.

— Keal, você pensa muito, mas fala pouco. Isso pode ser bom… ou ruim.

— Depende do que eu tô pensando.

Ela sorriu, mas não respondeu. Apenas enxugou as mãos no pano de prato.

— Vem cá.

Keal a acompanhou até a sala. Dona Olívia apontou para um porta-retrato antigo sobre a estante. A fotografia em preto e branco mostrava um casal jovem sorrindo enquanto segurava um bebê no colo.

— Eles eram seus pais. Você não vai lembrar… Esse dia foi no seu aniversário de um ano.

Keal permaneceu observando a fotografia por alguns instantes. Era estranho tentar sentir alguma coisa por rostos que sua memória jamais conseguiu guardar.

— Você era um bebê quieto, mas observava tudo ao seu redor. Acho que puxou isso deles. — comentou Dona Olívia, como se estivesse tentando devolver ao neto um pedaço da identidade que o tempo havia levado.

— Eu não lembro…

Ela passou a mão em seus cabelos, exatamente como fazia quando ele era criança.

— Não precisa lembrar. Eu lembro por você.

…

Mais tarde, já em seu quarto, Keal permaneceu deitado, olhando para o teto. As pequenas rachaduras nas paredes lembravam mapas de lugares que nunca existiram. Do lado de fora, o vento fazia as árvores rangerem lentamente.

A cama estava fria, mas o cobertor carregava o cheiro familiar da casa: flores, terra molhada e tempo.

Fechou os olhos.

Pela primeira vez naquele dia, permitiu que sua mente descansasse.

Amanhã seria igual.

Escola.

Silêncio.

Mais um dia comum.

Ainda assim, havia algo na maneira como Dona Olívia olhara para aquela fotografia.

Algo em suas palavras permanecia preso em seus pensamentos.

Era como se ela soubesse que, mais cedo ou mais tarde, tudo mudaria.

…

[24 de fevereiro de 2017]

Keal despertou antes mesmo de o despertador tocar. A luz do sol atravessava a cortina e iluminava parte do quarto. O ar parecia mais limpo, como se a chuva da noite anterior tivesse levado embora o peso da cidade.

Seu corpo já estava acostumado a acordar antes do horário.

Levantou-se devagar. O piso gelado arrancou um leve arrepio enquanto seguia para o banheiro. Lavou o rosto, penteou rapidamente os cabelos e encarou o próprio reflexo por alguns segundos.

Desde pequeno, seu cabelo era preto com mechas brancas.

Não grisalho.

Não loiro.

Branco como neve.

Os olhos, por outro lado, eram negros, intensos, formando um contraste difícil de ignorar.

Sabia que sua aparência chamava atenção. Já ouvira comentários suficientes para perceber isso.

Mas nunca enxergou qualquer valor nisso.

Era como possuir uma lâmina extremamente afiada e deixá-la esquecida dentro de uma gaveta.

Na cozinha, Dona Olívia já preparava o café da manhã.

— Dormiu bem? — perguntou, enquanto cortava o pão.

— Mais ou menos.

Ela colocou uma xícara de café preto sobre a mesa e empurrou um prato com dois pedaços de pão em sua direção.

— Come. O dia é longo.

Keal apenas assentiu e comeu em silêncio.

Não era falta de vontade de conversar.

Apenas nunca encontrava muitas palavras logo pela manhã.

Quando terminou, vestiu o casaco, colocou a blusa de frio, pegou a mochila e saiu.

O caminho até a escola era sempre o mesmo.

Na esquina da Rua das Palmeiras, o senhor Elias permanecia sentado no velho banco de madeira, lendo o mesmo jornal amassado de todos os dias.

Desde que Keal se lembrava, aquela cena nunca havia mudado.

— Bom dia, senhor Elias.

O idoso levantou os olhos por cima dos óculos e fez um leve aceno.

— Bom dia, garoto.

Mais adiante, Dona Marisa cuidava das plantas apoiadas na janela de casa.

— Bom dia, Dona Marisa.

Ela respondeu com um sorriso discreto antes de voltar sua atenção às flores.

Esses pequenos cumprimentos eram toda a ligação que Keal tinha com as pessoas do bairro.

Nunca passavam disso.

E talvez fosse melhor assim.

Mais à frente, perto da padaria, três garotas da escola surgiram atrás dele.

Acontecia quase todos os dias.

Não porque estivessem seguindo Keal de propósito, mas porque faziam exatamente o mesmo caminho.

As três caminhavam entre risadas e cochichos.

Algumas palavras chegavam até seus ouvidos.

— Ele parece um personagem de mangá…

Outra respondeu entre risos.

— Cabelo preto com mechas brancas e olho preto? Só falta uma espada.

Keal fingiu não escutar.

Já estava acostumado.

Sabia que sua aparência despertava curiosidade, mas nunca se sentiu incomodado nem orgulhoso por causa disso.

Era apenas uma característica.

Nada mais.

Pouco depois, os portões da escola apareceram à sua frente.

As paredes continuavam descascadas.

O portão rangia como sempre.

As vozes dos estudantes se misturavam pelo pátio.

Keal atravessou a entrada e seguiu diretamente para a sala de aula.

As aulas continuavam tão longas quanto de costume.

O professor de História parecia disputar com o de Matemática quem conseguia falar por mais tempo sem respirar.

Naquele dia, Keal recorreu ao velho truque.

Escondeu um fone de ouvido sob o capuz do casaco e deixou uma música tocar em volume baixo enquanto fingia prestar atenção.

A melodia abafava a voz do professor.

Não era que tivesse algo contra as aulas.

Apenas pareciam um ciclo interminável, repetindo-se dia após dia.

Às vezes, perguntava-se se os próprios professores acreditavam que alguém realmente os escutava.

Entre uma explicação e outra, voltou o olhar para a janela.

O céu estava completamente limpo.

Algumas aves circulavam lentamente lá no alto.

Por algum motivo, observá-las parecia muito mais interessante do que qualquer página do livro aberto sobre sua carteira.

O intervalo chegou e passou depressa.

Keal não fez nada além de comer um pão de queijo e permanecer sentado em um canto do pátio, ouvindo fragmentos das conversas ao seu redor. Algumas arrancavam risadas dos estudantes. Outras pareciam completamente vazias.

As últimas aulas da manhã se arrastaram lentamente, fazendo o tempo parecer mais pesado do que realmente era. Quando o sinal finalmente anunciou o fim das aulas, Keal guardou seus materiais na mochila e deixou a sala sem qualquer pressa.

No caminho de volta para casa, resolveu passar pela Praça Velha.

Era um lugar pequeno, com dois balanços, um escorregador tomado pela ferrugem e um gira-gira antigo que sempre rangia alto quando alguém o colocava em movimento.

Comprou um picolé de limão no carrinho do senhor Joel e sentou-se em um banco de madeira sob a sombra de uma árvore.

Enquanto o picolé derretia lentamente, observava as crianças correndo pelo parquinho.

Elas gritavam.

Riam.

Caíam e voltavam a brincar como se nada fosse capaz de acabar com aquela energia.

Assistir àquela cena despertava nele uma sensação difícil de explicar.

Talvez fosse nostalgia.

Talvez inveja.

Ou talvez apenas a lembrança de uma infância da qual quase não guardava memórias.

O rangido do balanço se misturava ao vento fraco que atravessava a praça.

Naquele instante, o mundo parecia menor.

E, curiosamente, mais tranquilo.

…

Quando chegou em casa, encontrou Dona Olívia no quintal, cuidando das flores como fazia todos os dias.

— Como foi a escola? — perguntou ela, sem desviar a atenção das pétalas.

— Igual a todos os dias.

Keal deixou a mochila sobre o sofá antes de entrar.

Dona Olívia soltou uma pequena risada.

— Um dia você vai se cansar de responder isso.

— Talvez.

Foi até a cozinha para lavar as mãos.

O restante da tarde transcorreu como de costume.

Os dois separaram flores, organizaram os vasos que seriam vendidos na feira e conversaram apenas o necessário.

Quando a noite chegou, jantaram juntos, envolvidos pelo mesmo silêncio tranquilo que sempre preenchia a casa.

Mais tarde, Keal subiu para o quarto.

Deitou-se na cama e ficou observando o teto por longos minutos, até que o cansaço venceu seus pensamentos.

Mais um dia havia terminado.

E, como sempre, tudo parecia exatamente igual.