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Capitulo 2 – Cheiro de Flores

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Capitulo 2 – Cheiro de Flores

[25 de fevereiro de 2017]

O sol nasceu antes de Keal. Quando abriu os olhos, um clarão já atravessava a janela do quarto. Ao longe, o cheiro de café recém-passado misturava-se ao aroma de terra úmida vindo do quintal.

Os sábados sempre lhe pareciam mais longos.

A rotina mudava um pouco. Em vez de ir para a escola, acompanhava Dona Olívia na venda de flores na feira da cidade.

Levantou-se sem pressa, lavou o rosto e desceu as escadas.

Sua avó já terminava de organizar as cestas com rosas, margaridas e lírios. Havia algo quase cerimonial na maneira como ela preparava cada buquê. Cada flor parecia ocupar exatamente o lugar onde deveria estar.

— Bom dia, dorminhoco. — disse ela, ajeitando um girassol no centro de um arranjo.

— Bom dia. — respondeu Keal, ainda com a voz carregada pelo sono.

Tomaram um café da manhã simples, composto por pão com manteiga e café preto, forte o bastante para afastar o restante do cansaço.

Depois, carregaram as caixas até a velha caminhonete que os levava todos os sábados para a feira.

O caminho era sempre o mesmo.

Mesmo assim, aos sábados, tudo parecia mais movimentado.

As ruas estavam tomadas por carros, pessoas carregando sacolas, crianças correndo de um lado para o outro e comerciantes preparando seus estabelecimentos.

Sentado ao lado da janela da caminhonete, Keal observava rostos conhecidos e desconhecidos se misturarem, formando uma paisagem viva que nunca permanecia igual.

Quando chegaram, estacionaram próximo à praça.

O aroma da manhã foi rapidamente substituído pelo cheiro intenso de pastel frito, café fresco, frutas maduras e peixe recém-retirado do gelo.

Era uma mistura forte.

Estranhamente agradável.

— Keal, pega aquela caixa de rosas e coloca na frente. As margaridas ficam mais pro lado. Assim chamam mais atenção. — orientou Dona Olívia, assumindo imediatamente o comando da barraca.

— Certo.

Enquanto montavam tudo, a feira já fervilhava de gente.

Senhoras usando vestidos floridos caminhavam entre as barracas. Jovens passavam usando bonés e fones de ouvido. Casais seguiam de mãos dadas. Vendedores ambulantes anunciavam brinquedos, chaveiros e pequenos objetos coloridos.

A manhã transcorreu lentamente.

Keal atendia alguns clientes, embrulhava buquês e, de tempos em tempos, respondia às mesmas perguntas sobre sua aparência.

— Menino, esse cabelo é pintado? — perguntou uma senhora, sorrindo com curiosidade.

— Não, senhora. É natural.

— Olha só… que diferente.

Ela sorriu mais uma vez antes de seguir seu caminho.

Essas pequenas conversas nunca o incomodavam.

Também nunca despertavam qualquer sentimento.

Eram apenas mais algumas palavras destinadas a desaparecer no meio da multidão.

Com o passar das horas, o tédio voltou a se instalar.

Keal permaneceu observando o movimento da rua.

Era sempre a mesma sensação.

Ele parado.

O mundo seguindo em frente.

Percebendo isso, Dona Olívia colocou discretamente uma nota dobrada em sua mão.

— Vai comer alguma coisa, garoto. Aproveita e dá uma volta por aí.

Keal olhou para ela.

— Tem certeza?

— Claro. Aqui eu me viro. Vai andar um pouco. Vê se distrai essa cabeça.

Ele guardou o dinheiro no bolso e começou a caminhar entre as barracas.

As vozes dos vendedores se misturavam ao som do óleo estalando nas fritadeiras.

— Banana! Três por cinco!

— Pastel quentinho, freguesa!

— Promoção de tempero! Só hoje!

Ao passar por uma banca de frutas, sentiu o perfume doce das mangas maduras.

Logo adiante, uma barraca de queijos artesanais espalhava pelo ar um aroma forte e marcante.

Keal caminhava sem qualquer destino.

Não tinha pressa.

Observava as cores vivas das barracas, as mãos trocando moedas, os rostos iluminados pela satisfação de experimentar algo novo.

Parou diante de uma barraca de pastéis.

O óleo fervia sem parar, e o cheiro era impossível de ignorar.

— Um de carne, por favor.

O homem atrás da chapa preparou o pedido com habilidade.

Enquanto esperava, Keal observava tudo ao redor.

O vapor que subia da máquina de caldo de cana.

Uma criança insistindo para que a mãe comprasse um churro.

Um cachorro vira-lata deitado sob uma mesa, assistindo ao movimento com uma tranquilidade invejável.

Recebeu o pastel e deu a primeira mordida.

O recheio quente quase queimou sua boca.

Estava perfeito.

Crocante por fora.

Bem recheado por dentro.

Continuou caminhando enquanto comia, prestando atenção em detalhes que pareciam invisíveis para todos os outros.

Uma gota de molho escorrendo de um espetinho.

As mãos calejadas de um vendedor de peixes.

A gargalhada alta de um homem que vendia chapéus enquanto contava piadas para atrair clientes.

A feira estava cheia de vida.

Keal conseguia perceber isso.

Ainda assim, sentia que toda aquela energia passava por ele sem realmente alcançá-lo.

Era como assistir a um filme sem som.

Via tudo acontecer.

Mas nunca tinha a sensação de realmente fazer parte daquilo.

Pouco mais à frente, encontrou uma pequena banca de livros usados.

Pegou um exemplar antigo, de páginas amareladas pelo tempo, e começou a folheá-lo.

O cheiro característico de papel envelhecido trouxe uma calma inesperada.

A senhora de óculos grossos que cuidava da banca sorriu.

— Leva, moço. É baratinho.

— Talvez na próxima. — respondeu Keal, devolvendo o livro com cuidado.

Continuou caminhando até o fim da feira, onde um músico de rua tocava violão. A melodia era simples, e a voz do homem carregava a aspereza dos anos, mas também uma sinceridade difícil de ignorar.

Keal permaneceu parado por alguns minutos, apenas ouvindo.

Talvez aquela tivesse sido a primeira coisa que realmente despertara alguma emoção nele naquela manhã.

Quando voltou para a barraca, percebeu que não havia comprado nada além do pastel.

Dona Olívia conversava sorridente com uma cliente indecisa diante dos buquês.

— Voltou cedo. — comentou ao vê-lo.

— Dei uma volta. A feira tá cheia.

— Sempre está. — respondeu ela, sem interromper o atendimento. — Me ajuda aqui. Pega mais fita para amarrar o buquê.

Keal pegou um rolo de fita, cortou um pedaço e entregou à avó.

Os dois continuaram trabalhando juntos pelo restante da manhã, até que o movimento começou a diminuir e restaram apenas algumas flores para guardar.

…

No caminho de volta, a caminhonete seguia em silêncio.

Embora o barulho da feira ainda ecoasse em sua memória, as ruas da cidade já pareciam tranquilas.

Dona Olívia dirigia concentrada.

Keal observava a paisagem passar pela janela, acompanhado pela mesma sensação de sempre.

Estava presente.

Mas, ao mesmo tempo, distante de tudo.

Mais um sábado havia chegado ao fim.

Mais um dia em que o mundo parecia cheio de vida, enquanto tudo dentro dele permanecia igual.

…

Quando chegaram em casa, o sol já começava a desaparecer no horizonte.

A luz alaranjada atravessava as janelas e desenhava manchas douradas sobre o chão da sala.

Muitas pessoas chamariam aquela cena de bonita.

Talvez até poética.

Para Keal, era apenas mais um fim de tarde.

Dona Olívia foi direto para a cozinha preparar o jantar.

Keal permaneceu sentado na varanda, observando a rua.

O vento carregava o perfume das flores que ainda estavam na caminhonete, misturado ao cheiro das refeições sendo preparadas nas casas vizinhas.

— Tá pensando em quê? — perguntou Dona Olívia ao se aproximar.

— Em nada.

Ela trouxe duas canecas de chá e sentou-se ao seu lado.

Os dois permaneceram em silêncio durante alguns minutos.

Ela nunca tentava preencher aqueles momentos com conversas desnecessárias.

Sabia que, para Keal, o silêncio não era desconfortável.

Era necessário.

— Hoje você estava distante. — comentou ela.

Keal esboçou um leve sorriso.

— Quando eu não estou?

Dona Olívia riu baixinho.

— Boa resposta. Mas saiba que, às vezes, a vida só faz sentido quando a gente permite que algo nos aproxime dela.

Keal não respondeu.

Apenas tomou mais um gole do chá enquanto observava a rua escurecer lentamente.

Não havia nada a acrescentar.

…

Depois do jantar — arroz, frango e salada —, subiu para o quarto.

A casa mergulhou no silêncio, interrompido apenas pelo som distante da televisão ligada na sala.

Deitado na cama, ouviu apenas os próprios pensamentos até que o sono chegou.

[26 de fevereiro de 2017]

O domingo começou cedo, exatamente como o sábado.

Carregar flores.

Montar a barraca.

Ver a feira despertar pouco a pouco.

A diferença era o movimento.

Aos domingos, havia mais famílias, mais crianças correndo e mais vendedores disputando a atenção dos clientes.

Keal já conhecia sua função.

Entregava flores para Dona Olívia, recebia o dinheiro dos compradores, embalava buquês.

E observava.

Sempre observava.

Uma mulher escolheu rosas para presentear um homem que parecia completamente desinteressado.

Um garoto comprou margaridas para a mãe.

Uma senhora levou lírios para colocar sobre o túmulo do marido.

Três compras.

Três histórias.

Histórias que Keal jamais conheceria por completo.

E, sinceramente, não fazia questão de conhecer.

Quando o movimento começou a diminuir, Dona Olívia sorriu.

— Vamos almoçar antes de voltar pra casa. Conheço um restaurante simples aqui perto.

Foram até lá na velha caminhonete.

O restaurante tinha paredes claras, mesas de madeira e o cheiro acolhedor de comida caseira.

Sentaram-se próximos da janela.

Enquanto Dona Olívia observava o cardápio, Keal distraía-se olhando o movimento da rua.

Foi então que percebeu.

Uma garota sentada em uma mesa no canto do restaurante o observava.

Os cabelos eram tingidos de preto, com algumas mechas coloridas.

Usava maquiagem marcante e um colar de correntes.

Era um estilo que Keal costumava ver apenas pela internet.

Quando seus olhares se encontraram, ela desviou rapidamente.

Poucos segundos depois, voltou a encará-lo.

Como se aquilo fosse algum tipo de jogo.

Keal apenas sustentou o olhar, completamente impassível.

Achava curioso aquele comportamento.

Era quase como observar dois animais avaliando um ao outro.

A diferença era que os seres humanos costumavam esconder esse instinto atrás de sorrisos, olhares prolongados e palavras bonitas.

Chamavam aquilo de interesse.

Ou de atração.

Para Keal, continuava sendo apenas um impulso natural.

E talvez fosse justamente por isso que nunca conseguiu compreender o amor romântico.

Na sua visão, tudo começava por uma atração física e, mais cedo ou mais tarde, transformava-se em dependência emocional.

Ambas lhe pareciam frágeis.

Instáveis.

O único amor que realmente compreendia era aquele que sentia por Dona Olívia.

Não dependia de aparência.

Nem de desejo.

Nem de expectativa.

Era simples.

Seguro.

Imutável.

Pouco depois, os pratos chegaram.

Arroz.

Feijão.

Carne assada.

Salada.

Enquanto almoçavam, a garota ainda lançava alguns olhares discretos em sua direção.

Keal não reagiu.

Quando terminaram a refeição e deixaram o restaurante, todo aquele episódio ficou para trás.

…

Durante o caminho de volta, Dona Olívia quebrou o silêncio.

— Aquela menina estava te olhando.

— Eu sei.

— E não vai me dizer nada?

— Não tem nada pra dizer.

Ela sorriu de canto.

— Você é mesmo difícil, garoto.

Keal apenas retribuiu o sorriso discretamente.

Falar sobre aquilo lhe parecia completamente desnecessário.

…

Ao chegarem em casa, descarregaram as flores que restavam na caminhonete.

O restante do dia transcorreu sem novidades.

Keal ajudou a avó em algumas tarefas simples e, mais tarde, recolheu-se ao quarto, onde ouviu música em volume baixo até a noite cair.

O silêncio da casa parecia mais intenso do que no sábado.

Mesmo assim, continuava sendo um silêncio acolhedor.

Quando finalmente se deitou, percebeu que sua mente estava estranhamente tranquila.

Nem a garota.

Nem a feira.

Nem o restaurante.

Nada daquilo permanecera em seus pensamentos.

Como quase tudo em sua vida, havia simplesmente passado.

Adormeceu sabendo que, no dia seguinte, a rotina começaria outra vez.

…

[ 27 de fevereiro de 2017]

Na manhã seguinte, Keal despertou cedo.

Não porque desejasse.

Seu corpo simplesmente havia se acostumado ao horário.

Achava curioso como a rotina moldava as pessoas sem que elas percebessem.

Permaneceu alguns segundos sentado na beira da cama, observando o teto branco do quarto, como se esperasse encontrar alguma resposta para perguntas que nem sabia formular.

Depois levantou-se.

Vestiu o uniforme amarrotado de sempre e passou rapidamente o pente pelos cabelos.

Diante do espelho, encarou o próprio reflexo.

O cabelo completamente preto e branco continuava chamando atenção por onde passava.

Os olhos negros também.

Muita gente dizia que transmitiam profundidade.

Outros afirmavam que eram intimidadores.

Para Keal, porém, eram apenas seus olhos.

Nada mais do que isso.

Keal desceu para a cozinha.

Dona Olívia já estava acordada, mexendo uma panela enquanto o aroma de café recém-passado preenchia toda a casa.

— Bom dia. — disse ele, mais por hábito do que por vontade de conversar.

— Bom dia, meu filho. Dormiu bem? — respondeu ela, oferecendo um sorriso discreto.

— Tanto faz.

Pegou um pedaço de pão e comeu rapidamente.

Pouco depois, saiu de casa.

O ar frio da manhã parecia tentar despertá-lo à força.

Seguiu pela mesma rua de sempre, cumprimentando as mesmas pessoas de sempre.

O senhor que varria a calçada.

A mulher que carregava o filho no colo.

O cachorro que latia toda vez que ele passava.

Tudo era previsível.

Tudo permanecia igual.

…

Ao chegar à escola, encontrou exatamente o cenário que esperava.

O portão aberto.

O pátio cheio de estudantes.

As vozes misturadas formando um ruído constante.

Entrou na sala, ocupou sua carteira habitual e assistiu à primeira aula.

Depois à segunda.

Depois à terceira.

O tempo parecia se mover lentamente, como se estivesse preso ao chão.

Quando o intervalo começou, decidiu ir para a biblioteca.

Não por gostar de livros.

Mas porque aquele era um dos poucos lugares silenciosos da escola.

E silêncio era um luxo.

Escolheu uma mesa no canto, apoiou a cabeça sobre os braços e fechou os olhos.

Não percebeu quando acabou adormecendo.

Só despertou ao ouvir passos e vozes ecoando pelo ambiente.

Levantou a cabeça e encontrou a biblioteca quase vazia.

Olhou para o relógio.

Havia perdido todas as últimas aulas.

Não se preocupou.

Os professores dificilmente notariam sua ausência.

E seus colegas provavelmente nem perceberiam que ele tinha desaparecido.

Guardou a mochila nas costas e deixou a escola antes que alguém resolvesse fazer perguntas.

…

No caminho de volta para casa, uma placa iluminada piscando chamou sua atenção.

Era uma lan house.

Fazia anos desde a última vez que entrara em uma.

Talvez fosse curiosidade.

Talvez apenas tédio.

Sem pensar muito, atravessou a rua.

O interior do estabelecimento era tomado pelo cheiro de refrigerante derramado, batata frita velha e fumaça de cigarro.

Algumas cabines estavam ocupadas.

Outras permaneciam vazias.

Reconheceu alguns estudantes da escola.

Colegas de sala.

Pessoas que via todos os dias, mas com quem nunca havia trocado uma única conversa.

No canto do salão, um pequeno grupo escondia algo entre as mãos enquanto ria discretamente.

Keal não precisou se aproximar para entender.

Maconha.

Talvez houvesse outras drogas circulando também.

Eles sequer faziam muito esforço para esconder.

Keal simplesmente desviou o olhar.

Aquilo não lhe dizia respeito.

Escolheu um computador vazio, ligou a máquina e abriu um jogo que costumava jogar quando era mais novo.

Os gráficos já estavam ultrapassados.

Mesmo assim, havia algo reconfortante naquele mundo virtual.

Ali, tudo parecia mais simples.

Se quisesse, poderia construir um império.

Ou destruí-lo completamente.

E ninguém o julgaria por isso.

O tempo passou sem que percebesse.

Quando finalmente olhou para o relógio na tela, já passava das nove da noite.

Fechou o jogo, pagou pelo tempo utilizado e deixou a lan house.

…

A caminhada até sua casa foi silenciosa.

Apenas o som distante dos carros e o zumbido dos postes de iluminação quebravam o silêncio da rua.

Sabia que Dona Olívia estaria preocupada.

Mesmo assim, não apressou os passos.

Ao chegar, encontrou a avó sentada na varanda.

As mãos repousavam sobre o colo.

Os olhos permaneciam voltados para a rua, como se estivessem esperando apenas por ele.

Quando o viu, ela respirou discretamente.

— Onde você estava, Keal?

Sua voz era tranquila.

Mas firme.

— Fiquei um tempo numa lan house.

Dona Olívia suspirou.

— Você podia ter avisado. Eu fico preocupada.

— Eu sei.

Keal abaixou o olhar.

— Então, da próxima vez, só me diz onde vai. Não custa nada.

Ele apenas assentiu.

Não havia motivo para discutir.

Ela estava certa.

Avisar não era difícil.

Ainda assim, existia algo dentro dele que detestava precisar dar explicações.

Talvez fosse orgulho.

Talvez apenas o costume de guardar tudo para si.

…

Entrou em casa, tomou um banho rápido e seguiu para o quarto.

Ligou o celular.

Nenhuma mensagem.

Também não esperava encontrar alguma.

Deitou-se na cama e voltou a encarar o teto.

A lan house.

Os colegas usando drogas.

O jogo.

Dona Olívia esperando na varanda.

Tudo aquilo já parecia distante, como se tivesse acontecido muitos dias antes.

Fechou os olhos.

Pouco depois, o sono o venceu.

E, como sempre, sabia que, na manhã seguinte, a rotina começaria outra vez.