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Capitulo 4 – Você pode mudar?

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Capitulo 4 – Você pode mudar?

[2 de março de 2017]

A chaleira assobiava na cozinha, espalhando um som fino e constante por toda a casa.

Dona Olívia permanecia sentada à mesa, segurando a xícara de café entre as mãos, como se aquele calor pudesse aquecer não apenas seus dedos, mas também um espaço dentro do peito que permanecia frio havia muitos anos.

A manhã era cinzenta.

O vento que entrava pela janela fazia a cortina balançar lentamente, como se respirasse.

Seu olhar repousou sobre a cadeira vazia à sua frente.

Era ali que Keal costumava se sentar quando ainda era pequeno, tomando café antes de sair para a escola.

Agora, porém, tudo era diferente.

O neto descia, pegava a mochila, respondia poucas palavras e saía sem demora, carregando nos olhos aquela distância que parecia não se prender a lugar algum.

Keal…

Nunca fora um garoto ruim.

Muito pelo contrário.

Apenas parecia viver em um lugar onde Dona Olívia não conseguia alcançá-lo.

Era como se existisse uma porta fechada dentro dele.

E a chave não estivesse com ela.

Talvez nem mesmo com o próprio Keal.

Às vezes, quando o via sentado no sofá, perdido nos próprios pensamentos, lembrava imediatamente da filha.

A mãe de Keal.

Ela também era assim.

Guardava tudo para si.

Silenciava sempre que algo a machucava.

Segurava os copos com as duas mãos, como se tentasse se proteger do mundo.

E carregava a mesma teimosia de acreditar que conseguiria enfrentar tudo sozinha.

Dona Olívia suspirou.

Sabia que Keal sentia falta da mãe.

Mesmo sem perguntar.

Mesmo sem comentar.

Mesmo sem deixar escapar uma única lágrima.

As crianças carregavam essas ausências dentro de si por muito tempo.

E, às vezes, o silêncio pesava muito mais do que qualquer palavra.

Ela levantou-se e caminhou até a pia.

Lavou a xícara que mal havia usado.

O barulho da água correndo era um daqueles sons simples que a mantinham presa ao presente.

Enquanto enxugava a louça, lembrou-se das inúmeras vezes em que tentou conversar com o neto.

Perguntar sobre a escola.

Sobre o futuro.

Sobre o que gostava.

Mas quase todas as conversas terminavam da mesma maneira.

Respostas curtas.

Poucas palavras.

Como tentar ler um livro ao qual faltavam páginas.

Ela queria dizer que compreendia.

Que sabia como o mundo podia ser pesado para um garoto que cresceu praticamente sozinho.

Mas talvez Keal acreditasse que ela jamais conseguiria entender.

Talvez enxergasse nela apenas uma avó distante de tudo aquilo que ele sentia.

E, quem sabe…

Talvez ele tivesse razão.

Seus olhos encontraram o velho relógio pendurado na parede.

O ponteiro dos segundos avançava lentamente, quase preguiçoso.

Ela imaginou onde Keal estaria naquele momento.

Será que conversava com alguém na escola?

Ou continuava isolado, tão silencioso quanto era dentro de casa?

Pegou um pano de prato e começou a limpar a mesa.

Não porque estivesse suja.

Mas porque precisava ocupar as mãos enquanto os pensamentos insistiam em permanecer.

Uma única pergunta voltava repetidas vezes à sua mente.

Será que, no fundo, Keal sentia que podia confiar nela?

Se a resposta fosse “não”…

Então talvez tivesse falhado.

E ela não queria falhar com ele…

Como havia falhado antes.

O pensamento morreu antes mesmo de ser concluído.

Dona Olívia apenas engoliu em seco, respirou fundo e voltou a olhar para a cadeira vazia diante da mesa.

…

O cheiro de livros antigos e papel envelhecido envolvia Keal como uma névoa silenciosa.

A biblioteca da escola sempre foi um refúgio para ele.

Não porque fosse apaixonado por leitura, mas porque aquele era um dos poucos lugares onde ninguém esperava nada dele.

As estantes altas formavam corredores estreitos, e cada passo produzia um leve eco sobre o piso encerado.

Keal escolheu uma mesa afastada, próxima à janela, onde a luz cinzenta da manhã atravessava o vidro de forma suave.

Pegou um livro qualquer da estante.

Nem se preocupou em ler o título.

O que realmente importava era o peso do livro entre as mãos e a promessa de algumas horas de tranquilidade.

Sentou-se e abriu a primeira página.

As palavras estavam ali, silenciosas, esperando para serem lidas… ou simplesmente ignoradas.

Enquanto avançava pela leitura, sua mente começou a vagar.

Observava discretamente os outros estudantes espalhados pela biblioteca.

Alguns cochichavam.

Outros rabiscavam cadernos.

Poucos pareciam realmente concentrados nos livros.

Não era que Keal não gostasse das pessoas.

Apenas nunca encontrava sentido em tentar participar das conversas.

Sempre tinha a impressão de que todos falavam uma língua diferente da sua.

Folheou mais algumas páginas.

O livro narrava a história de um viajante solitário que cruzava pequenas cidades sem jamais permanecer tempo suficiente para criar raízes.

Havia algo estranhamente reconfortante naquela ideia.

Não precisar pertencer a lugar nenhum.

Por um instante, seus pensamentos voltaram para Dona Olívia.

Ela sempre perguntava se ele estava bem.

Se estava se alimentando direito.

Se precisava de alguma coisa.

E quase sempre recebia exatamente a mesma resposta.

“Tá tudo certo.”

Keal sabia que a avó se preocupava.

Sabia disso melhor do que ninguém.

Mas nunca conseguia explicar o que realmente passava por sua cabeça.

Não porque escondesse grandes segredos.

Nem porque carregasse dores impossíveis de contar.

Era apenas…

Difícil transformar pensamentos em palavras.

Quando tentava, tinha a sensação de que nenhuma delas era suficiente.

Ergueu os olhos para a janela.

Lá fora, o vento balançava as árvores enquanto folhas secas giravam lentamente até tocar o chão.

O mundo seguia seu próprio ritmo.

Sem pressa.

Sem esperar por ninguém.

Keal voltou ao livro.

Nas páginas seguintes, o viajante permanecia parado à beira de uma estrada, observando o horizonte.

Por algum motivo…

Ele compreendia exatamente aquela sensação.

…

Alguns minutos depois, o som metálico do sinal ecoou pelos corredores da escola.

Era um barulho repetitivo.

Cansado.

Como se até ele estivesse exausto de anunciar o fim de mais um período.

Keal fechou o livro lentamente.

Não havia qualquer pressa em acompanhar a multidão que deixava a biblioteca.

Enquanto caminhava em direção à saída, um pensamento atravessou sua mente.

Aquele seria seu último ano na escola.

A ideia parecia estranha.

E, ao mesmo tempo…

Pouco importante.

Durante anos, enxergara a escola apenas como um lugar onde cumpria uma obrigação.

Nunca a odiou.

Também nunca gostou dela.

Era apenas um espaço entre sair de casa e voltar para casa.

Mesmo assim, ultimamente vinha pensando que talvez estivesse na hora de mudar alguma coisa.

Não porque alguém esperasse isso dele.

Mas porque ele próprio começava a perceber que, quando aquele ano terminasse, sua vida mudaria.

E havia o risco de sair dali exatamente igual ao garoto que havia entrado anos antes.

Apenas alguns centímetros mais alto.

Deixou a biblioteca e seguiu pelo corredor.

As vozes dos estudantes enchiam o ambiente.

Conversas.

Risadas.

Passos apressados.

Tudo acontecia ao mesmo tempo.

Ao passar por um grupo de colegas da própria sala, ouviu alguns deles comentando sobre um jogo que aconteceria no fim de semana.

Thiago percebeu sua presença e fez um discreto aceno com a mão.

Keal respondeu com outro aceno, igualmente discreto.

Era um gesto simples.

Mas, para ele, já representava algum tipo de contato.

Ao chegar ao pátio, avistou Juliana e Fernanda sentadas sobre um banco de concreto.

Entre as duas havia uma garrafa de água e um pacote de salgadinhos aberto.

Assim que o viu passar, Juliana levantou o rosto e chamou:

— Ei, Keal! Vem cá um segundo! — chamou Juliana.

Keal caminhou até ela e Fernanda.

— Você vai no ensaio hoje? — perguntou Juliana, referindo-se ao ensaio da apresentação de encerramento que a turma estava organizando.

— Não sei… — respondeu ele, tentando não parecer alguém que já havia decidido que não iria.

— Vai, sim. É o último ano. Nem que seja pra ficar parado num canto. — Ela riu, embora o olhar permanecesse sério.

Fernanda entrou na conversa.

— É, você devia participar. A gente precisa de alguém pra ajudar com o cenário. Não é nada complicado, só montar algumas coisas.

Keal ficou em silêncio por alguns instantes.

Em outro momento, provavelmente responderia apenas um “talvez” e seguiria seu caminho.

Mas, se realmente queria mudar um pouco, talvez aceitar pequenos convites fosse um bom começo.

— Tá… eu vejo se passo lá.

Juliana abriu um sorriso.

— Isso já é alguma coisa.

Keal voltou a caminhar pelos corredores.

Enquanto seguia em direção à sala, percebeu uma sensação diferente dentro do peito.

Era um calor discreto.

Nada grandioso.

Mas era novo.

…

Na aula de História, ocupou seu lugar de sempre, próximo à janela.

A professora iniciou uma explicação sobre movimentos sociais.

Pela primeira vez em muito tempo, Keal levantou a mão.

Alguns colegas se viraram imediatamente para olhá-lo.

— Professora… acho que, às vezes, a gente enxerga esses movimentos como algo muito distante. Mas eles acontecem todos os dias, só que em escalas menores.

Ela o observou com interesse.

— Quer explicar melhor essa ideia, Keal?

Ele assentiu.

Explicou que, em sua visão, até discussões entre grupos de alunos ou decisões tomadas dentro da escola eram pequenas versões daqueles movimentos.

Pessoas reunidas por um objetivo comum.

Tentando convencer outras.

Disputando espaço.

Quando terminou, a professora sorriu.

— Excelente observação. É bom ver você participando mais.

Keal percebeu alguns olhares diferentes vindos dos colegas.

Talvez fosse apenas impressão.

Talvez não.

…

Durante o intervalo, decidiu não permanecer isolado como fazia de costume.

Aproximou-se de um grupo que conversava sobre música.

Não conhecia todas as bandas mencionadas, mas ouviu atentamente, fez algumas perguntas e, em determinado momento, recomendou uma das bandas que costumava escutar.

Um dos estudantes pegou o celular para anotar o nome.

Era uma conversa simples.

Sem esforço.

Sem constrangimento.

Naquele instante, Keal percebeu que interagir com outras pessoas não precisava ser uma disputa, nem uma exposição desconfortável.

…

Quando o fim das aulas chegou, deixou a escola enquanto o céu adquiria aquele tom alaranjado que só permanecia por alguns minutos antes do anoitecer.

No caminho para casa, passou na padaria para comprar o pão que Dona Olívia havia pedido.

Depois disso, caminhou sem pressa.

Observou as pessoas seguindo suas rotinas.

Cada uma no próprio ritmo.

Enquanto andava, pensou em tudo o que havia feito naquele dia.

Aceitara um convite.

Participara da aula.

Conversara com outras pessoas.

Eram passos pequenos.

Quase imperceptíveis.

Mas ainda assim…

Passos.

Talvez fosse assim que as pessoas mudassem.

Não através de grandes acontecimentos.

Mas por meio de pequenas escolhas que, pouco a pouco, alteravam o rumo da própria vida.

…

Ao chegar em casa, encontrou Dona Olívia na cozinha.

Ela levantou os olhos e sorriu.

— Como foi a escola hoje?

Por impulso, Keal quase respondeu o habitual “normal”.

As palavras chegaram até sua garganta.

Mas não saíram.

Depois de um breve silêncio, respondeu:

— Foi… bom.

Dona Olívia demonstrou surpresa.

Ainda assim, não fez mais perguntas.

Apenas voltou ao que estava preparando, mantendo um discreto sorriso no rosto.

Keal percebeu que, às vezes, dividir apenas um pouco do que sentia já era suficiente para começar a abrir a porta que havia mantido fechada por tanto tempo.

…

[Dia 9 de março de 2017]

A semana seguia lentamente.

Daquele jeito em que todos os dias pareciam iguais.

Mas, para quem prestasse atenção, pequenas diferenças começavam a surgir.

Uma conversa inesperada.

Uma resposta que antes nunca seria dada.

Um olhar que permanecia por tempo suficiente para ser notado.

Na quinta feira pela manhã, Keal sentou-se em seu lugar habitual.

Segunda fileira ao lado da janela.

Nem perto o bastante para chamar atenção.

Nem distante o suficiente para parecer completamente desligado.

Sempre escolhera aquele lugar por instinto.

Era dali que conseguia observar a sala inteira sem se sentir observado.

O professor de Matemática começou a escrever na lousa.

Logo surgiram as primeiras reclamações dos alunos.

Keal já compreendia o conteúdo.

Enquanto copiava os exercícios, percebeu Gustavo — um dos colegas que costumava sentar perto da porta — rabiscando o caderno repetidas vezes, visivelmente frustrado.

Ele apertava a caneta contra o papel como se quisesse atravessá-lo.

Keal observou a cena por alguns segundos.

Depois, respirou fundo.

Pela primeira vez, pensou em quebrar o próprio silêncio antes que alguém precisasse fazer isso por ele.

— Quer que eu te explique depois da aula? — perguntou Keal em voz baixa.

Gustavo levantou a cabeça, surpreso.

— Sério? Você entende isso?

— Acho que sim. — respondeu, dando de ombros.

O garoto soltou uma breve risada, visivelmente aliviado.

— Então, beleza. Porque, se depender da minha cabeça, eu já tô reprovado.

Em outro momento, Keal simplesmente teria ignorado a situação.

Pensaria que não era problema dele.

Mas, daquela vez, oferecera ajuda.

Não porque estivesse tentando forçar uma amizade.

Apenas porque…

Por que não?

Quando o sinal do intervalo tocou, os dois seguiram juntos até a cantina.

Sentaram-se em uma mesa no canto enquanto Keal explicava os exercícios de matemática.

Percebeu que Gustavo realmente prestava atenção em cada explicação.

Isso fez com que falasse mais do que costumava.

Ao final, Gustavo fechou o caderno e sorriu.

— Valeu mesmo, Keal. Não sabia que você era tão de boa de conversar.

Keal fingiu não dar importância.

Mas aquelas palavras permaneceram em sua mente.

Será que era assim que as pessoas o enxergavam?

O garoto calado.

Distante.

Talvez até frio.

Pela primeira vez, essa ideia realmente o incomodou.

…

[10 de março de 2017]

No dia seguinte, surgiu outro pequeno desafio.

Juliana voltou a procurá-lo.

— A gente vai fazer o ensaio hoje depois da aula. Você vem?

Keal ficou alguns segundos em silêncio.

Poderia inventar qualquer desculpa.

Parte dele queria fazer exatamente isso.

O ensaio significava permanecer no meio de um grupo grande.

Muito barulho.

Muitas pessoas.

Muitos olhares.

Mas outra parte lembrava da decisão que havia tomado.

Tentar coisas novas.

Mesmo que fossem pequenas.

Respirou fundo antes de responder.

— Tá… eu vou.

Assim que as palavras saíram, sentiu um leve fio de ansiedade percorrer seu corpo.

…

O ensaio era exatamente como havia imaginado.

Alunos corriam de um lado para o outro.

Alguns ensaiavam falas.

Outros discutiam figurinos.

Risadas ecoavam pelo salão por motivos que apenas eles pareciam entender.

No começo, Keal permaneceu mais afastado.

Limitou-se a carregar algumas caixas do cenário e organizar materiais.

Pouco a pouco, porém, acabou entrando em pequenas conversas.

Fez um comentário.

Depois outro.

Sorriu discretamente diante de uma piada.

Sem perceber, já não parecia tão deslocado quanto imaginava.

Em determinado momento, Fernanda tentava prender um painel de papelão.

— Keal, consegue segurar isso pra mim?

Ele aproximou-se imediatamente.

Enquanto ela colava as últimas partes, manteve o painel firme.

Quando terminaram, Fernanda sorriu.

— Valeu, Keal. Você é tranquilo de trabalhar junto.

Era um elogio simples.

Mesmo assim, permaneceu com ele durante o restante do dia.

…

[11 de março de 2017]

No sábado, teve aula, e aconteceu outro pequeno acontecimento que chamou sua atenção.

Durante o intervalo, voltou à biblioteca.

Estava concentrado em um livro quando ouviu duas garotas conversando na mesa ao lado.

Falavam sobre um clube de leitura que pretendiam organizar.

A antiga versão de Keal teria ignorado completamente aquela conversa.

Dessa vez, porém, fechou o livro e olhou para elas.

— Vocês estão falando sério sobre esse clube de leitura?

As duas demonstraram surpresa.

Uma delas, que usava óculos e tinha um sorriso acolhedor, respondeu imediatamente.

— Sim. Vai ser toda quarta-feira depois da aula. Você gosta de ler?

Keal refletiu por um instante.

Depois respondeu com sinceridade.

— Gosto.

Ela pegou uma folha de papel e anotou seu nome.

— Pronto. Agora você faz parte.

Keal apenas assentiu.

Ao deixar a biblioteca, percebeu que estava acumulando pequenos compromissos.

Coisas que, poucas semanas antes, jamais teria aceitado.

E, curiosamente…

Não se arrependia de nenhuma delas.

…

Quando chegou em casa naquela noite, encontrou Dona Olívia sentada no sofá, tricotando enquanto a televisão permanecia ligada em um programa de variedades.

Assim que ele entrou, ela ergueu os olhos.

— Você anda chegando mais tarde esses dias.

— É… tenho ficado mais tempo na escola.

Ela apoiou as agulhas de tricô sobre o colo.

— Fazendo o quê?

A pergunta não soava como cobrança.

Era apenas curiosidade.

Keal sorriu discretamente.

— Algumas coisas… nada demais.

Dona Olívia apenas assentiu.

Não insistiu.

Não fez novas perguntas.

Mas havia satisfação em seu olhar.

Talvez…

Até um certo orgulho.

…

Naquela noite, deitado em sua cama, Keal permaneceu observando o teto por alguns minutos.

Pensou em tudo o que havia acontecido nas últimas semanas.

Ajudara um colega.

Aceitara um convite.

Participara de um ensaio.

Entrara para um clube de leitura.

Pequenas mudanças.

Quase imperceptíveis.

Então percebeu que mudar não era como acionar um interruptor.

Era mais parecido com empurrar um objeto muito pesado.

No começo, ele quase não se movia.

Mas, a cada novo esforço, ganhava um pouco mais de impulso.

Até que, sem perceber, já estava seguindo em frente.

Ainda devagar.

Ainda com dificuldades.

Mas avançando.

E, pela primeira vez em muito tempo, Keal sentiu uma curiosidade genuína sobre o próprio futuro.

Queria descobrir até onde aquele novo caminho poderia levá-lo.