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Capítulo 9: Reirin Estica o Arco

Ainda Que Eu Seja Uma Vilã Inepta. — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 9: Reirin Estica o Arco

— T rouxe água para a senhora.

O sol já havia se posto há muito tempo, deixando o céu envolto em escuridão. Leelee ofereceu um pouco de água à sua senhora, que não parava de disparar flechas num canto do campo de treinamento emprestado dos Olhos de Águia.

No entanto, a garota com o arco não concedeu à tigela sequer um olhar de relance. Quando Leelee notou que a comida e a água que trouxera antes ainda estavam intocadas no chão ao seu lado, ergueu a voz num grito.

— O que está fazendo?! Você me disse que ia comer alguma coisa da última vez!

— ...

A garota não respondeu. Apenas esticou o arco em silêncio.

Tão poderoso era o dito arco que o zunido da corda era alto o suficiente para enviar vibrações pelos tímpanos. No momento seguinte, a flecha voou em linha reta pelo ar, apenas para gradualmente se desviar e passar abaixo do alvo.

— Mm. Errei de novo — murmurou ela em frustração, antes de se virar como se só tivesse notado sua atendente ali naquele momento. — Desculpe, Leelee. Hum, o que você estava perguntando? Se prefiro mel ou sal nas minhas batatas fritas ?

— Você precisa acertar o alvo nessa maldita conversa! — gritou ela, escorregando acidentalmente de volta ao seu jeito natural de falar de rua. Envergonhada, continuou a explicar: — Estava aconselhando a senhora a fazer uma refeição decente. A senhora não comeu nada desde o café da manhã, não é? É ainda pior quando está esticando aquele monstro de arco sem parar. Por mais resistente que a senhora seja... isso seria o suficiente para derrubar qualquer um.

A Donzela sorriu.

— Ora. Está preocupada comigo? Agradeço.

— Não estou! Se a senhora desmaiar, vou perder meu lugar para dormir. Só isso! — balbuciou Leelee de volta, e então acrescentou timidamente: — Então... que tal encerrar por hoje? — Seus olhos desceram para a mão que estivera esticando o arco — aquela mão esbelta tremendo com o esforço da tarefa.

A arma sagrada que se dizia afastar o mal tinha uma construção tão imponente quanto sua reputação sugeria, o suficiente para que até uma garota tão alta quanto Shu Keigetsu lutasse para segurá-la. Quando Leelee tentara manejá-la não muito tempo antes, ficara chocada com o quão pesada era. Pior ainda, o forte qi de água do arco o tornava tão resistente ao toque de uma Shu que, não importa o quanto ela puxasse a corda, não sentira o menor sinal de ceder.

A Donzela estivera esticando aquele arco por mais de seis horas agora. E isso em cima de ter executado a Dança do Redemoinho para a cerimônia, corrido de volta ao depósito e entregue as ervas que preparara para Kou Reirin ao Palácio do Qilin Dourado .

— "Quando estiverem convencidos de minhas boas intenções, por favor, deem a ela este remédio" — ela dissera às damas da corte do Palácio Kou.

A princípio, as mulheres a receberam com frieza. No entanto, à medida que se revezavam visitando o campo de tiro para vigiá-la, a visão de Shu Keigetsu suando em bicas enquanto esticava seu arco as deixou de olhos arregalados de choque, depois as atordoou em silêncio e, finalmente, as fez vagar como se tivessem perdido uma batalha de vontades. Ou talvez fosse que tivessem se cansado de assistir ou até sucumbido a uma onda de sonolência.

A senhora de Leelee disparara seu arco incessantemente o suficiente para fazer sua plateia se entediar de espectá-la.

Seus braços já tremiam há muito tempo, e seus ombros começavam a inchar. Seus dedos provavelmente também estavam dormentes. Afinal, ela não tinha roupas de arqueiro para vestir, então cortara parte das longas mangas de sua túnica cerimonial e enrolara aquilo em sua mão no lugar da tradicional proteção de dedo.

Nesse ponto, Leelee não podia deixar de se preocupar com ela.

— Se nada mais, tenho certeza de que aquelas damas da corte Kou puderam ver o quão séria você está em ajudar a Dama Kou Reirin. Não sei se isso será suficiente para compensar o que você fez, mas tenho certeza de que servirá como o início de um pedido de desculpas. Isso não é o bastante por enquanto?

No ritmo em que estava indo, sua senhora realmente ia desmaiar.

— Ela tem razão — veio uma voz grave.

Quando Leelee se virou para ver quem era, ali estava Shin-u, o capitão taciturno dos Olhos de Águia, e seu subordinado, Bunkou, que segurava uma tocha.

— Capitão! O que está fazendo aqui? Não me diga... Q- quero dizer, o senhor está aqui para me prender, senhor? — perguntou Leelee, as memórias da vez em que ele a imobilizara a deixando tensa.

— Claro que não. Estou aqui para convencer sua Donzela imprudente a parar — respondeu ele com um bufo. Então olhou para a garota que ainda mirava seu arco. — Recebi queixas das damas da corte e dos eunucos que não suportavam mais assistir a isso. Disseram que você já esticou esse arco mais do que o suficiente para fazer as pazes.

— Bem, "recebi queixas" é uma maneira de dizer. É mais como se ele tivesse vindo ao campo de tiro para espioná-la algumas vezes, e depois forçou os outros a dizerem algu...

— Ai!

Shin-u silenciou a explicação sussurrada de Bunkou com um pisão rápido no pé.

— Os Kous querem concentrar seus esforços em cuidar da Dama Reirin e não podem mais poupar pessoal para supervisioná-la; assim, o Palácio do Qilin Dourado também registrou que não há necessidade de continuar esticando esse arco. Você está livre para parar quando quiser, Shu Keigetsu — assegurou o capitão num tom surpreendentemente gentil.

— Ela tomou o remédio que fiz? — perguntou Reirin, virando apenas a cabeça para olhá-lo.

Ele fez uma pausa.

— Pelo que ouvi, a Dama Reirin ainda não despertou. Ela não está em condições de tomar nenhum remédio, incluindo o do boticário.

— Entendo. Vou ter que continuar esticando meu arco, então. Além disso, recebi ordens para fazer isso por uma noite inteira.

— Já chega. Eu disse que todos confiam em suas boas intenções — disse Shin-u com irritação, mas a garota manteve sua posição.

— É verdade que estou esticando este arco para tornar minhas intenções conhecidas, mas toda a razão pela qual devo fazer isso é para ajudá-la. Se não puder salvá-la, não houve propósito em nada disso.

A finalidade de seu tom deixou Shin-u e Bunkou em silêncio. Isso significava que tudo isso não era uma atuação para se redimir; ela realmente estava esticando o arco para curar Kou Reirin de sua doença.

Mas Shu Keigetsu sempre foi uma pessoa tão abnegada?

Leelee lançou aos guardas um olhar que dizia "Viu , ela não é uma mão cheia? ” Shin-u abriu a boca para uma segunda rodada de argumentação em nome do grupo, mas então, de repente, franziu o cenho.

— Ei. Deixe-me ver sua mão direita.

— Hein? — Por alguma razão, a Donzela parou o que estava fazendo em pânico. — Não, hum... não seria apropriado deixar um homem que não seja Sua Alteza tocar...

Ela tentou esconder a mão que segurava sua próxima flecha atrás das costas. Quando Shin-u, no entanto, estendeu a mão para segurá-la à força, ela fez a cara de alguém segurando um grito.

— Você está brincando...

Assim que Shin-u desenrolou o tecido amarrado em sua mão, todo o grupo ficou sem palavras. Leelee, por sua vez, empalideceu como um lençol enquanto contemplava a visão horrenda revelada à luz da tocha.

— O quê... O que você estava pensando?! — gritou a ruiva. — Sua mão está em pedaços!

A mão da garota um dia fora tão imaculada quanto a de qualquer nobre. Agora fora reduzida a uma bagunça sangrenta de pele esfolada.

— T- tá tudo bem. Tomei cuidado para não sujar o sagrado...

— Esse não é o problema!

— V- você tem razão! Ficar obcecada com trivialidades assim só atrapalha meu foco! Bom pon...

— Também não é isso! Idiota!

— Sim, senhor! Sou uma idiota!

Todos os seus esforços para vigiar a linguagem tendo ido por água abaixo, Leelee avançou com uma intensidade nunca antes vista. Sua senhora deu um passo para trás, parecendo fora de si.

Enquanto isso, Shin-u franziu o cenho e disse:

— Que mulher se esforça a esse ponto? Vou pegar esse arco de volta.

Quando ele tentou agarrar a arma, a Donzela se virou para mantê-lo fora de seu alcance.

— Não!

— Shu Keigetsu!

— Por que está tentando me impedir, Capitão? Eu não deveria ser uma vilã perversa? O senhor não deveria se preocupar com uma mulher assim levando alguns arranhões! — afirmou ela com tanta convicção surpreendente que Shin-u não teve escolha senão calar a boca.

Foi naquele momento que um eunuco veio correndo da direção do Palácio do Qilin Dourado. Ele gritou:

— Capitão! Senhor Bunkou! Corre a notícia de que a febre da Dama Kou Reirin baixou! O boticário afirma que ela deve recuperar a consciência a qualquer momento!

— O que disse? — Shin-u olhou por cima do ombro. — Devemos informar Sua Alteza imediatamente.

Embora o status de Gyoumei lhe permitisse ir e vir do Pátio das Donzelas à vontade, ele ainda era o príncipe herdeiro do reino. Fora levado de volta ao palácio principal sob a lógica de que passar muito tempo perto de uma mulher doente poderia arriscar expô-lo a um contágio.

Sabendo que seu meio-irmão estaria desesperado por qualquer notícia que pudesse obter, Shin-u virou-se rapidamente sobre o calcanhar.

Antes de deixar o campo de tiro, no entanto, lançou um último olhar por cima do ombro.

— Vou providenciar para que o boticário passe mais tarde. Certifique-se de se tratar. Ah, e também? É melhor que você tenha abaixado esse arco quando eu voltar. Pode colocar uma cara de coragem o quanto quiser, mas a quantidade de suor que está derramando me diz que está se aproximando do seu limite.

— Ora. Isso é muito gentil da sua parte, Capitão. Está preocupado comigo?

— Se eu disser que sim, você vai me ouvir? — resmungou ele em voz baixa.

Os olhos da garota se arregalaram ligeiramente, mas ela logo sorriu e balançou a cabeça em silêncio.

— Ninguém gosta de uma garota atrevida.

— Isso não faz diferença para mim. Lamento dizer que já sou desprezada por quase todos que existem.

O par se encarou por um bom tempo. Shin-u engoliu em seco ao notar que aqueles olhos negros dela tinham um brilho forte o suficiente para brilhar em meio à escuridão da noite.

Ele foi o primeiro dos dois a recuar.

— Tente não exagerar. Você aí — sua dama da corte. Se acontecer alguma coisa com ela, mande notícias ao escritório dos Olhos de Águia imediatamente.

Com aquela última palavra de conselho, o capitão de cara fechada dos Olhos de Águia se virou para partir de uma vez por todas. A vilã atrevida conhecida como Shu Keigetsu — ou melhor, Reirin — observou-o partir com um sorriso.

O capitão é um homem muito gentil. Mas ainda assim...

Depois de ouvir seus passos se afastarem ao longe, ela enrolou o pano de volta em sua mão.

— Espere! Pelo menos espere até ser tratada! A Dama Kou Reirin já está melhorando. Você já não fez o suficiente? — Leelee quase gritou, mas Reirin ignorou os gritos da garota enquanto erguia seu arco. Era precisamente porque Keigetsu estava no caminho da recuperação que ela tinha que ter certeza de que a garota tomasse seu remédio. E o que é mais...

— Estou tendo uma surpreendente... não, uma quantidade incrível de diversão com a situação.

Leelee ficou sem palavras, enquanto sua senhora apenas sorria.

Isso mesmo. Sinto muito pela Dama Keigetsu, mas a verdade é... acho isso uma situação de tirar o fôlego , pensou Reirin, assentindo para si mesma por dentro.

Deixe com a família para saber quais botões apertar. A missão de Kenshuu fizera um excelente trabalho em agitar o sangue do clã Kou, amante do trabalho, que dormia dentro dela.

Ela deveria esticar seu arco. Uma e outra vez. Não importava como sua pele se rasgasse ou seus ossos rangessem.

Era muito como balançar uma enxada no terreno acidentado repetidamente. Reirin sabia no fundo que Kenshuu propusera aquele método não por malícia, mas como a conclusão lógica de como medir a profundidade de sua sinceridade. Se estivesse na posição de Kenshuu, teria ordenado a mesma coisa.

Além disso, a forte aura da água não representa problema para mim.

O clã Kou era a dinastia da terra que há muito cultivava os campos. A terra obstrui a água. No início, o tesouro sagrado conhecido como Arco do Afastamento se mantivera tenso como se rejeitasse a mão de "Shu Keigetsu", mas à medida que Reirin persistira em seus esforços para esticá-lo, a corda gradualmente começara a se soltar. Parecia semelhante ao fenômeno de persuadir uma criatura viva. Então novamente, uma explicação mais simples poderia ser que ela desgastara a corda com o número de vezes que puxara.

Já perdi a sensação na mão, mas minha precisão está melhorando constantemente. Parece que o arco está se abrindo para mim pouco a pouco. Me pergunto... é estranho estar feliz com isso?

Reirin olhou para o campo de tiro completamente escuro, iluminado apenas por uma tocha externa.

No início, todas as suas flechas caíam aquém do alvo, mas agora ela começava a acertar a palha ao redor do círculo. Uma de suas tentativas mais recentes chegara a roçar a borda do alvo. Tudo o que ela sentia era um sentimento crescente de realização — nem um traço de fadiga ou resignação.

Sim, ela estava se divertindo. Diferente de seus dias como Reirin, quando era vigiada por atendentes ansiosas e mantida na coleira do amanhecer ao entardecer, ela estava livre para enfrentar desafios à vontade, sem nunca correr o risco de incomodar ninguém.

Enquanto Reirin contemplava a chama bruxuleante ao lado do alvo, pensou em Keigetsu.

Sinto muito, Dama Keigetsu. A verdade é que estava tentando ser corajosa na sua frente , pediu desculpas em sua mente. Quando conversara com Keigetsu através da chama três dias antes, contara apenas uma pequena mentira.

A primeira coisa que desejei na noite do Festival de Tanabata não foi exatamente melhor saúde.

Tinha sido uma vida mais fácil.

Devo ter estado cansada.

Não importava quanto remédio tomasse, não havia como parar as ondas incessantes de febre e náusea que a assolavam. Sua pele irrompia no momento em que esquecia de manter seu regime, e o menor descuido a fazia desmaiar. Não podia comer seus alimentos favoritos e passara seus dias sempre atenta para não preocupar as outras pessoas. Não conseguia contar quantas vezes fora para a cama à noite se perguntando se viveria para ver a manhã seguinte.

O medo e a dor podem se tornar uma segunda natureza se sentidos com frequência. Ou talvez não exatamente — a verdade era que seu coração se cansara há muito tempo.

Foi isso que levou Reirin a se desfazer de suas emoções negativas. Medo, dor, ódio, raiva e obsessão. Tudo o que faziam era drenar sua força. Sem dúvida, a razão pela qual ela se dedicava ao treinamento em tempos de doença era para esvaziar sua mente de pensamentos.

Mas então...

Enquanto esfregava o braço, que finalmente estava dolorido demais para ignorar, um sorriso surgiu no rosto coberto de suor de Reirin.

Mas então, na noite do Festival de Tanabata, um cometa lhe concedeu um corpo robusto. Cada dia que passou na forma de Keigetsu, ela ficou profundamente comovida ao aprender o que significava estar em boa forma.

Ela podia rir alto e se jogar em qualquer atividade por nenhuma outra razão senão porque queria. Podia sentir dor, preocupar-se com outras pessoas e ficar com raiva. Cada dia parecia tão vívido e real que às vezes era tudo o que Reirin podia fazer para não desabar em lágrimas.

Dama Keigetsu... Sou verdadeiramente grata a você. E sinto muito.

Keigetsu uma vez a atacara por agir "acima de tudo". Embora Reirin nunca se achasse melhor do que ninguém, era verdade que ela fora indiferente àqueles ao seu redor.

Diga, Dama Keigetsu? Agora tenho energia sem limites. Força maravilhosa o suficiente para deixar meu coração correr solto. E então...

Reirin ergueu seus braços gritando e preparou seu arco. Encaixou a flecha e a puxou até a bochecha.

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Permita-me lutar desgraçadamente, ultrapassar meus limites — e salvar sua vida !

Ela não ia deixar Keigetsu sucumbir ao próprio corpo.

Twaaang!

A flecha que soltara traçou um arco pelo ar tão rápido quanto uma estrela cruzando o céu, até que finalmente acertou o centro.

— Oh! — Leelee ofegou com o que viu.

A flecha atingira o centro do alvo.

— Ah! Consegui! Consegui, Leelee! — exclamou Reirin em êxtase, seus olhos brilhando de alegria. — Você viu aquilo? Viu?! O arco definitivamente está se abrindo para mim! Não vou parar agora. Posso continuar! Posso continuar esticando este arco por tantas flechas e tantas horas quanto forem necessárias!

Em sua animação, ela estendeu a mão para começar a encaixar sua próxima flecha.

Justo então, uma salva de vivas flutuou até as garotas na brisa noturna, vindo da direção do distante Palácio Kou. Reirin e Leelee foram rápidas em trocar olhares. Esse era um bom sinal de que "Kou Reirin" recuperara a consciência.

A Donzela fechou os olhos por um momento. Percebendo a alegria que permeava o silêncio, murmurou:

— Graças a Deus...

Os braços caídos flácidos ao seu lado tremiam como se tivessem acabado de se lembrar de que dor sentiam. Depois de acariciar suavemente cada membro, Reirin apertou ambos contra o peito e abraçou o arco.

— Oh! Estou tão aliviada!

Um calor brotou em seu peito e em sua garganta. Reirin apressou-se em piscar para afastar a emoção tão forte que percorreu todo o seu corpo até ameaçar se materializar em lágrimas. Embora seus olhos sempre se umedecessem rapidamente, era sua política não chorar na frente de outras pessoas.

Em vez disso, sorriu e se virou para sua atendente.

— Leelee. Desculpe pedir isso, mas você se importaria de ir ao escritório dos Olhos de Águia e confirmar que a tal pessoa acordou?

— Claro... — Leelee começou a responder, mas por alguma razão, hesitou de repente. Franzindo o cenho, ela examinou o rosto de sua senhora como se estivesse fazendo uma inspeção. — Não me importo, é claro... mas, uh...

— O que foi?

— Bem... É impressão minha, ou seu rosto está branco como um lençol?

— Hein?

Enquanto inclinava a cabeça para o lado, Reirin notou que Leelee começara a cambalear.

Oh?

Não. Não era isso. Era ela quem cambaleava.

— Oh...?

No momento em que percebeu isso, sentiu todo o seu mundo começar a girar. Foi atingida por um zumbido nos ouvidos, uma sensação de claustrofobia e uma leve onda de náusea. Era algo que não sentia há bastante tempo: um desmaio.

Uh-oh... É porque... relaxei de repente...

Apesar de sua fé cega de que não havia nada que seu novo corpo não pudesse suportar, agora que parava para pensar, não apenas se empolgara tanto com seu bordado que mal dormira nos últimos dias, como estivera acordada desde a manhã dançando a Dança do Redemoinho, preparando ervas e esticando um arco até tarde da noite.

Hein...? A- ah, não... Meu recorde de oito dias sem desmaiar... Arruinado…

Quando percebeu que ia desmaiar, seus joelhos já estavam cedendo sob ela.

— Ah...

— Ei!

Assim que ouviu o grito de Leelee, uma dor excruciante percorreu todo o seu corpo. Em meio aos gritos desesperados de sua atendente e ao toque distante de um braço amparando seu ombro, Reirin desmaiou pela primeira vez em oito dias.

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Maldição...

De seus aposentos no palácio principal, longe do Pátio das Donzelas, Gyoumei encarou a lua com um olhar fulminante.

Forçou os ouvidos na esperança de ouvir algo do que estava acontecendo na corte, mas desesperou-se quando nada chegou a ele além do silêncio da noite, e soltou um pequeno suspiro. Não conseguia contar quantas vezes fizera isso agora.

— Parece que o senhor está tendo dificuldade para dormir, Sua Alteza. Devo trazer uma bebida? — aventurou um eunuco de seu posto do lado de fora da porta.

— Não é necessário. Houve alguma notícia do Palácio do Qilin Dourado? — perguntou o príncipe com um ar de impaciência.

— Receio que não. Parece que estão tão focados em cuidar da Dama Kou Reirin que negligenciaram seus relatórios para nós — respondeu o eunuco, prostrando-se. Ele era o funcionário que servia como mensageiro entre o palácio principal e o Pátio das Donzelas.

— Tudo bem. Não é culpa sua.

O príncipe se esforçou para manter a voz firme. Inseguro de onde direcionar suas emoções furiosas, ele desgrenhou o cabelo em seu estilo noturno solto. Mesmo em circunstâncias como aquela, seu pajem garantira que seus fios estivessem bem cuidados. Ele estava todo limpo de seu banho, e o melhor incenso queimava em meio aos móveis de primeira linha de seu aposento.

Ele lançou um olhar de desgosto para tudo tão "perfeitamente" arrumado ao seu redor. Trocaria a chance de segurar a mão de Reirin e estar lá para ela por qualquer coisa que visse ali.

O príncipe herdeiro não passa de um animal de estimação a ser mantido. Seus lábios bem-feitos se curvaram num sorriso irônico.

Ele e a imperatriz foram ao Palácio Kou para ver como Reirin estava, mas isso não durou muito. No momento em que ficou claro que a Donzela estava em estado crítico, Gyoumei fora levado de volta ao palácio principal imediatamente. Nada podia acontecer ao "Supremo".

Era sempre assim no pátio interior de Ei.

Embora parecesse que os herdeiros masculinos do reino recebiam autoridade sem paralelo, a realidade era que eram mantidos reverentemente trancados numa gaiola, cuidadosamente removidos de qualquer conflito ou infortúnio. Se sua mãe fosse assassinada ou sua irmã mais nova adoecesse — não, ainda mais se a crise atingisse mais perto de casa — os homens seriam expulsos do pátio interior no momento em que o desastre acontecesse. Eram sempre as mulheres que lutavam, se machucavam e gritavam de dor.

Se ao menos ele fosse cruel o suficiente para aceitar os sacrifícios com naturalidade ou obtuso o bastante para permanecer alheio ao sofrimento dos outros, Gyoumei poderia ter tido uma vida mais fácil. Era uma pena que seu sangue Kou, que desejava tanto amar mais do que ser amado quanto proteger suas pessoas preciosas a qualquer custo, sempre causasse estragos em seu coração em momentos como estes.

Ao lembrar da visão de Reirin deitada sem forças sobre sua cama, Gyoumei cerrou as mãos em punhos.

— Vergonhoso.

— O quê? — perguntou o eunuco, inclinando-se para a frente em confusão. Os murmúrios do príncipe eram fracos demais para ele ouvir.

— Nada — respondeu ele com um balançar de cabeça, e então fez questão de se sentar em sua cama.

Então resmungou em seus pensamentos mais uma vez. É vergonhoso. Não há nada que eu possa fazer quando a mulher que amo está em perigo.

Ele tinha a boa aparência viril que herdara da mulher escolhida. Tinha um físico excelente, o talento para fazer qualquer coisa que decidisse, um qi de dragão formado pelo sangue de todos os cinco clãs e o status do Supremo. Mas de que adiantava tudo isso?

Embora pudesse providenciar os melhores boticários do reino e garantir que ela tivesse o ambiente de leito de doente mais confortável imaginável, ele não podia estar lá para seu amor quando ela mais sofria.

— Com licença — o eunuco mensageiro falou timidamente, incapaz de ignorar a irritação que via no olhar franzido de Gyoumei. — Não tenho notícias do Palácio do Qilin Dourado... mas ouvi um relatório do escritório dos Olhos de Águia de que a Dama Shu Keigetsu continua a esticar o Arco do Afastamento.

Ele parecia hesitante em mencionar "Shu Keigetsu", o nome que bem poderia ser considerado o ponto fraco de Gyoumei.

O príncipe respondeu com nada além de um olhar silencioso. Determinando que ainda não incorrera na ira do monarca, o eunuco continuou num tom reservado. Esta era uma das poucas boas notícias que ele podia fornecer.

— Houve duas damas da corte Kou e dois Olhos de Águia destacados para vigiá-la... e de acordo com seu relatório, a Donzela está esticando seu arco há mais de seis horas seguidas.

— Disse seis horas?

O número irreal fez os olhos de Gyoumei se arregalarem.

Embora tivesse sido ela a dar a ordem, certamente nem mesmo a própria imperatriz esperava que ela mantivesse o exercício por tanto tempo.

— Isso mesmo. E antes de começar, ela voltou ao Palácio do Cavalo Vermelho — ou melhor, àquele galpão dilapidado no terreno — e preparou uma decocção para a Dama Kou Reirin. Apesar dos olhares frios que as gamboge-ouro lhe deram quando entregou o remédio, diz-se que a Donzela apenas inclinou a cabeça e se retirou educadamente.

— ...

— Depois de pedir emprestado o campo de tiro dos Olhos de Águia, a primeira coisa que fez foi cortar as mangas de sua própria túnica cerimonial. Usou uma delas para limpar o campo. A outra usou no lugar de uma proteção de dedo. Ela nem tem um uniforme de arqueiro adequado. Enrolou o pano em sua mão e vem esticando seu arco desde então, recusando-se a parar até mesmo para comer. Ouvi dizer que a palma de sua mão já está encharcada de sangue.

Gyoumei ficou sem palavras diante daquele cenário que desafiava toda imaginação. Enquanto isso, havia um olhar inconfundível de simpatia no rosto do eunuco.

— No início, ela não conseguia alcançar a palha, quanto mais o alvo, mas dizem que sua precisão tem melhorado constantemente. Até vários Olhos de Águia parecem impressionados. Mais cedo, o clã Kou vinha dando relatos contínuos de que a condição de sua Donzela piorava a cada minuto, mas as notícias pararam de chegar na última hora. Não acredito que isso seja um mau sinal.

Embora hesitante em injetar suas opiniões pessoais, o homem cuidadosamente acrescentou:

— Talvez, apenas talvez... signifique que a doença da Dama Kou Reirin está diminuindo lentamente com cada vibração da corda do arco.

Mantendo seu silêncio, Gyoumei estreitou o olhar. Não conseguia imaginar Shu Keigetsu sendo uma pessoa tão altruísta. Ela contara mentira após mentira, e muitas vezes se apressara em representar uma atitude doce e inocente assim que se deparava com uma figura de autoridade. Mas ainda assim...

Se nada mais, é verdade que ela esteve esticando aquele arco a noite toda.

Não era uma questão de acreditar ou não; isso era puro fato. E isso significava que ela estava fazendo mais para ajudar Kou Reirin do que Gyoumei, no mínimo.

Ele lançou um olhar pela janela. Ao longe, através do céu noturno, podia jurar que ouvia os ecos acumulados de sua mão desajeitada dedilhando a corda do arco.

Foi então que houve uma batida discreta, mas urgente na porta.

— Sua Alteza, trago boas notícias.

O homem com o mais leve traço de excitação em sua voz era ninguém menos que Shin-u, o capitão dos Olhos de Águia. Parecia que ele dispensara um mensageiro e viera entregar seu relatório pessoalmente.

— Fui informado de que a febre da Dama Kou Reirin baixou. De acordo com o prognóstico do boticário, ela deve recuperar a consciência em breve.

— Sério?! — Gyoumei sentiu como se uma mão invisível tivesse de repente afrouxado seu aperto em seu coração. — Entendo... Que maravilha.

O príncipe se levantou de sua cama e então passou o olhar sobre seu próprio corpo. Ele acabara de sair do banho e estava totalmente limpo. Sua vestimenta branca pura não tinha uma partícula de sujeira.

Após refletir sobre alguns pensamentos, ele chamou o pajem que esperava do lado de fora de seu aposento.

— Vou sair. Tragam-me uma tocha.

— Sua Alteza? Embora eu entenda sua ansiedade, sugiro que deixe sua visita ao Palácio do Qilin Dourado para a manhã. — Shin-u fez um esforço discreto para contê-lo.

— Eu sei. Vou à Fonte do Dragão Violeta — declarou Gyoumei.

O capitão calmo e ponderado encarou aquele destino inesperado com um raro piscar de surpresa.

— A Fonte do Dragão Violeta? Quer dizer a que fica no terreno proibido?

— Sim. Por sorte, já me purifiquei.

A Fonte do Dragão Violeta era uma pequena fonte escondida nas profundezas do palácio imperial, atrás de uma série de florestas e cachoeiras. Reza a lenda que a água desta fonte, que um sábio legara ao reino, era tão clara quanto um espelho e refletia a verdade, e que usá-la para limpar a pele podia curar feridas num instante. Por essa mesma razão, a fonte era mantida sob controle rigoroso, e nem mesmo o príncipe herdeiro podia tirar sua água por capricho. No entanto, aqui Gyoumei declarara que iria buscar aquela mesma água antes do amanhecer.

— Mas, Sua Alteza... Embora a água da Fonte do Dragão Violeta possa ser eficaz em feridas, acredito que tenha pouco poder para curar doenças — inseriu o eunuco com apreensão.

Um sorriso silencioso ergueu o canto da boca de Gyoumei.

— Deve ser mais útil do que água comum, no mínimo. Quando até a notória Shu Keigetsu pode ter contribuído para a recuperação de Reirin, como eu poderia ficar em meu quarto esperando o amanhecer?

Agora que o príncipe usara seu relatório contra ele, não havia mais argumento que o eunuco pudesse fazer. Ao ver o olhar no rosto do homem, Gyoumei sentiu algo borbulhar dentro de si. Era o poder de iluminar o caminho à frente e seguir em frente. Uma pequena coisa chamada esperança.

E aqueles que lhe trouxeram essa esperança foram Reirin, que se agarrava ao mundo dos vivos — e Shu Keigetsu, que persistira em esticar seu arco, honesta ao extremo.

Não vou perder para você.

Dando um passo decisivo para fora de seu aposento, Gyoumei disparou ordem após ordem para os servos que corriam atrás dele.

— Enviem aviso da excursão. Tragam-me uma pedra de tinta e um pincel para solicitar a permissão de Sua Majestade também. Preciso de uma tocha envolta em óleo e um pano imaculado, vinho para oferecer na fonte e uma banheira nova.

Então pensou por um momento em Shu Keigetsu, que diziam ter esticado seu arco até suas mãos ficarem cobertas de sangue.

— Faça duas banheiras — declarou Gyoumei enquanto caminhava confiantemente para o luar.

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— Mm...

Enquanto sentia a luz do luar entrando pela janela bater em suas pálpebras, Reirin lentamente despertou.

Onde estou?

Experiência é tudo. Dado o quão acostumada estava a desmaiar, seu primeiro instinto era examinar seus arredores e condição física e, a partir disso, fazer uma avaliação hábil de sua situação atual.

Ah... Isso mesmo. Desmaiei no campo de tiro. É... ainda é noite, pelo jeito.

A julgar pela posição da lua no céu, não muito tempo se passara desde que desmaiara, e ela parecia estar deitada em sua cama de grama tecida à mão no depósito do Palácio Shu. Provavelmente fora Leelee quem a carregara até lá. Ou talvez tivesse corrido ao escritório dos Olhos de Águia e pedido ajuda. Seja como for, o rosto de Reirin caiu ao pensar que dera trabalho à sua atendente.

Onde estava Leelee? Teria saído para buscar água, ou ido aos Olhos de Águia para negociar remédio?

Reirin deu um sorriso tênue e pesaroso quando olhou para sua mão direita e viu o pano não tão habilmente amarrado em volta dela.

Ela até me tratou.

No momento em que se lembrou de seus ferimentos, eles começaram a doer com força.

Erguendo o braço, Reirin desenrolou cuidadosamente o pano. Um olhar para os cortes revelados a fez suspirar e dizer "Oh, querida." Quase toda a pele de sua palma havia se desprendido, e o sangue ainda escorria da carne avermelhada.

Que coisa terrível fiz ao corpo da Dama Keigetsu.

Sua cabeça ainda estava um pouco tonta.

Deitada de costas, Reirin enrolou o pano de volta com mão experiente. Ela teria preferido limpar o ferimento com água de nascente e álcool primeiro, mas era mais importante estancar o sangramento. Felizmente, ela tinha muito mais habilidade para enrolar bandagens do que Leelee.

Quão agitado... Foram vinte e quatro horas tão movimentadas. Já tive um dia tão cheio antes?

Enquanto enrolava o pano uma e outra vez em sua mão, ela pensou nos eventos do dia em transe. Ou talvez nos últimos dias agitados — ou melhor, todo o tempo desde que trocara de lugar.

Pela primeira vez na vida, fora repreendida. Pela primeira vez na vida, saíra do Palácio do Qilin Dourado. Pela primeira vez na vida, cozinhara suas próprias refeições, tecera sua própria cama e esquecera toda contenção ao se entregar a seus hobbies. Conhecera uma dama da corte encantadora, vira um novo lado de seus entes queridos, ficara com raiva, rira, rebelara-se, desafiara-se e, finalmente...

— Dói...

Assim que terminou de enfaixar sua palma direita, Reirin a ergueu em direção ao teto e a encarou. Todo o seu corpo doía tanto que dava vontade de rir, e sua mão ardente tremia de exaustão.

Naquele dia, ela finalmente se lembrara de todas as emoções negativas e da dor — que uma vez abandonara.

— Oh... querida...

Uma lágrima escorreu repentinamente por seu rosto. Deslizou por sua têmpora, atingiu seu lóbulo, molhou seu cabelo e então se dissolveu na grama da cama.

Insegura sobre que tipo de lágrimas eram aquelas, Reirin franziu o cenho em confusão. Mas depois de refletir por um tempo, finalmente entendeu.

Ela estava aliviada.

Não havia como parar a enxurrada de lágrimas que escorriam por suas bochechas. Reirin até permitiu um soluço, só desta vez.

Eu não sabia...

Ela não sabia que a onda de dor vinha apenas depois que o corpo relaxava.

Ela não sabia que as lágrimas eram algo que se derramava por alívio.

Reirin aprendeu essas duas coisas pela primeira vez naquele dia.

Dama Keigetsu. Embora seu nome não saia da minha garganta, chamei-a em meu coração. Estou tão feliz que você sobreviveu. Estou tão aliviada.

Sua própria contribuição poderia ter sido trivial, mas esperava que a garota a deixasse participar da comemoração de sua recuperação.

Lágrimas escorrendo de seus olhos, Reirin repetiu as palavras "Estou tão feliz" uma e outra vez.

Embora entendesse em algum nível que o fenômeno das cordas do coração se afrouxando abruptamente era conhecido como "alívio", não tinha certeza do que a deixara tão tensa em primeiro lugar. Era a primeira vez, afinal.

Se tivesse que adivinhar, ela estivera aterrorizada com a possibilidade de tirar a vida de outra pessoa através de sua própria fragilidade. Alternativamente, talvez seu corpo atual, que ela levara ao limite dia após dia, tivesse arrastado sua mente junto com seus gritos por misericórdia. Ou talvez a resposta fosse que por muito tempo — tempo demais para se lembrar — ela estivera vivendo com o coração endurecido.

Reirin não tinha certeza — mas gostava daquela nova e estranha emoção que a sacudia como nunca antes. O balançar de seu coração a fazia sentir-se um pouco indefesa, mas tinha todo o calor de uma chama ou de uma batida cardíaca.

Sabe de uma coisa, Dama Keigetsu? Realmente não posso deixar de ser grata a você.

Com um sorriso tênue, ela curvou a mão direita num punho solto. Sentiu o ferimento ainda sangrando pulsar em uníssono com seu coração.

Foi enquanto ouvia o som de seus próprios batimentos cardíacos que percebeu uma comoção do lado de fora do galpão. Parecia uma mulher andando e falando, junto com dois conjuntos de passos se aproximando em velocidades diferentes.

— ...disse... nenhuma condição para...

Uma das duas era Leelee. Ela falava com a outra pessoa com irritação em seu tom.

— Posso cuidar do relatório. Não há necessidade de uma chefe das damas da corte vir até aqui.

Parecia que a mulher misteriosa era uma dama da corte de alto escalão de algum tipo, mas quem quer que fosse, sua voz era suave demais para Reirin distinguir. Quando o par parou bem na entrada do depósito, Reirin apressou-se em enxugar os vestígios de lágrimas de seu rosto.

— Leelee? Temos uma visita? Estou acor...

Reirin conseguiu se sentar e chamar pela porta, apenas para ter sua saudação interrompida.

— Está acordada? — veio uma voz tão profunda e fria quanto um campo coberto de neve. A que empurrou a porta rangente era uma mulher vestida em gamboge-ouro.

Era Tousetsu, a chefe das damas da corte de Kou Reirin.

— Tousetsu...

A luz de sua vela era cegante. Apertando os olhos contra o brilho, Reirin abriu a boca para perguntar o que ela estava fazendo ali, e então a fechou rapidamente. Isso podia muito bem ser uma reencenação de seu encontro nas masmorras. Lembrou-a de como a mulher dissera para não se dirigir a ela com familiaridade. Do jeito que as coisas estavam indo, ela seria repreendida como um rato de esgoto pela segunda vez.

Preciso aprender minha lição de uma vez...

Envergonhada, Reirin colocou a mão no rosto e soltou um pequeno suspiro, mas para sua grande surpresa, Tousetsu não a repreendeu pelo erro.

Ela apenas observou a maneira como Reirin segurava a bochecha e então disse com indiferença:

— Reporto-me a você como a chefe das damas da corte do clã Kou. A enferma recuperou a consciência. Misteriosamente, sua febre começou a diminuir quando as vibrações do Arco do Afastamento começaram a soar com mais clareza — quando suas flechas começaram a voar mais perto do alvo. Não faz muito tempo, ela se levantou da cama e tomou o remédio que você fez para ela.

— Oh, que notícia maravilhosa!

— Desde então, o restante de sua febre diminuiu, e sua tez e frequência respiratória voltaram ao normal. Assim, apesar de sua ordem para esticar a arma sagrada por uma noite inteira, a imperatriz disse que você não precisa mais puxar o Arco do Afastamento. Espero que Sua Majestade venha mais tarde para oferecer seus agradecimentos e...

Por alguma razão, ela hesitou abruptamente.

— Oferecer seus agradecimentos e desculpas...

De repente, aqueles olhos de boneca se encheram de lágrimas.

— Tousetsu? Quer dizer... Dama Kou Tousetsu?

— A maneira como você enrolou a bandagem. — Lágrimas cristalinas escorriam por seu rosto sem emoção. — Seus turnos de frase. Seu sorriso. A maneira como você coloca a mão na bochecha quando está perturbada.

Um olhar mais atento na estreita luz da vela revelou que o cabelo de Tousetsu, que sempre fora impecavelmente penteado, estava despenteado de exaustão. Suas sobrancelhas finas estavam franzidas num olhar de desgosto, e os cantos de seus lábios tremiam.

— É verdade mesmo.

— Hein?

— Ela realmente arrancou sua alma de seu corpo e a trocou pela dela.

Tousetsu jogou o castiçal e ajoelhou-se no local, e então olhou para Reirin com uma súplica em seus olhos.

— A senhora é a Dama Reirin, não é ?!

Seu grito desesperado fez os olhos de Reirin se encherem de emoção.

Ela abriu a boca como se fosse falar, e por um tempo, ela e sua dama da corte chorosa se encararam em silêncio.

Sol: Ladies and Gentleman espero que tenham adorado o volume porque MEU DEUS A TOUSETSU É MUITO PIKA, obviamente a Reirin é muito mais, porém que reviravolta minha gente. Realmente estou muito ansioso para o próximo, vou tentar ter a resolução da Reirin para trazer o novo volume para vocês o mais rápido possível kkkkkk. Bom aqui me despeço com o Volume 1 de vilã inepta finalizado, câmbio e desligo.

Moonlak: Eu não tenho palavras, já estou ansiosa para o próximo volume tbm… Me fez pensar em tantas coisas e atitudes lendo. Enfim, assim como o Sol disse, Tousetsu goat, Reirin Top e Leelee PEAK! Cara, eu tô tão feliz~~~

Traduzido por Moonlight Valley

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