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Prólogo

Além Dos Zodíacos — illusia.com.br · All chapters

Prólogo

Uma forte luz ofusca a visão de certo alguém.

Por mais bela que a luminosidade pareça, nem sempre ela significa um bom presságio.

Dentro de uma esfera dourada, alguém permanece enclausurado, com pulsos e tornozelos presos por correntes áureas, o rosto mantido baixo.

Porém, o olhar desse homem não está envolto de arrependimento.

As paredes do casulo cedem, liberando a visão desse indivíduo para o exterior.

Na varanda de um castelo no cume, a cidade abaixo, repleta de luzes, música e dança, celebra a sua captura.

Ao observar isso, apenas um sorriso discreto se forma.

一 O que é tão engraçado, criminoso ? 一 uma voz feminina com um tom etéreo ressoa.

Os passos com salto alto se aproximam do homem restrito com uma espada cravada sobre as costas.

Ao lado do rapaz, a mulher loira trajada em uma vestimenta peplo nobre, também admira o ambiente festivo abaixo.

一 Eu já tava com saudade de você, Adikia…

一 Me poupe do seu papo furado. 一 de braços cruzados, a loira o encarou com desdém usando o canto dos olhos.

As suas atenções se encontram.

Mas o dourado sobre os olhos da mulher ainda estão imaculados de qualquer tingimento escuro.

一 Só é engraçado pensar que… mesmo explorados… ou sem qualquer noção da verdade, as pessoas ainda conseguem achar um tempo pra sorrir… 一 com o riso, o tom baixo da fala não permite que a mulher desfrute do seu sofrimento.

一 É por esse motivo que você lutava? Desejando a liberdade dos outros… Que piada . 一 os olhos dela se reviram com tamanha tolice.

一 Talvez pra você seja um motivo idiota… mas eu já fui uma daquelas pessoas… 一 complementou com um suspiro de alívio.

O cenho da moça aparece de forma nítida.

一 E onde “ ser livre ” te trouxe, Raisel Forsch? 一 a ponta do pé bate incessantemente contra o chão.

一 Do que adiantou a liberdade, se tudo o que você fez te trouxe aqui? Você chegou longe, mas acha que tudo isso valeu a pena?! Destruir a ordem dos reinos, apenas por liberdade?!

No fim, ela se vira para ele.

A feição decepcionada contrasta com a sua frustração.

一 Você devia ter escutado o meu aviso em Roderich… Eu pensava que você era como–

一 Adikia! 一 urrou com os punhos bem apertados.

O semblante dele se ergue.

O cabelo longo castanho abre espaço para os olhos amarelados oscilantes que deslizaram para a direção da mulher.

一 Você é… o Arauto de Sagitário… Nossos papéis são… completamente diferentes.

Porém, em um balançar de mão da loira, a espada de luz simplesmente afunda mais, ao ponto de atravessá-lo.

一 Basta da sua voz … Logo após o festival, você será executado ao público e feito como exemplo do que não se fazer. Um homem com tanto potencial, mas que sucumbiu para o caminho da desordem. É realmente lamentável… 一 suspira enquanto o fecha novamente no domo ofuscante.

一 Faltam mais dois dias para o seu fim, Raisel. Reflita sobre os seus pecados.

Com as últimas palavras, Adikia caminha em direção aos aposentos do prédio real e desaparece sob o balanço das cortinas.

Na varanda, restou apenas o sentenciado sob o céu estrelado.

A cabeça do rapaz cai para observar os próprios joelhos.

“Meu fim… Se esse for mesmo o fim, eu segui os meus valores, o propósito que me pertence…”

Conforme a festa acontece nas largas ruas da cidade, as memórias do início de tudo começam a surgir sobre a vista dele. Afinal, sua única companhia agora é si mesmo.

“Sinto saudade daquela época… Descer para o vilarejo, caçar e passar o dia com o pessoal… Do último dia em que eu me senti seguro…”

“Eu não quero morrer…”

Em meio às lembranças, Raisel adormece.

Entre a nostalgia do conforto, é a hora de explorar o que o levou até aqui.

Voltando para quatro anos atrás, uma vila pacata de poucas casas surge.

Nessas memórias distantes, o som dos pássaros ganha notoriedade sob a sua mente. Um aconchego que foi perdido há muito tempo entre memórias que, talvez, não existirão mais.