Capítulo 154 – Climas de Festividades
Capítulo 154 – Climas de Festividades
Nas margens da vasta cidade, as casas são mais simples como barracos e casebres. Caminhando pela rua enquanto um grupo de crianças se diverte com o Honicka, o estrangeiro de capuz segue adiante. Os adultos o olham com desconfiança, os mais jovens com curiosidade e os outros homens suspeitos como uma oportunidade.
Sem dar atenção para qualquer um deles, ele segue até um prédio em formato convencional como um quadrado. Esse edifício está sob a sombra de uma árvore de tronco espiralado como duas serpentes se cruzando.
Abrindo a porta, não há nenhum recepcionista ou balconista. Subindo os degraus da escadaria lateral, ele para de frente a um dos quartos no quarto andar. Antes de colocar a mão sobre a maçaneta, o Gewissen azul escuro o encobre, fluindo para as paredes e, consequentemente, por todo o prédio.
Ele entra no cômodo enquanto abaixa o capuz. Os olhos azuis escuros buscam algo pela sala de estar, mas está vazia. A porta é empurrada e trancada em seguida. Dessa forma, o manto é solto sobre um gancho ao lado da entrada.
一 Amor, estou de volta. Está tudo bem? 一 diz em bom tom enquanto começa a afrouxar as roupas.
Nenhuma outra voz ressoa pelo apartamento. Ele passa a mão pelos fios negros do cabelo e desliza até as bochechas tapando as suas sardas. De frente para o quarto com a porta escorada, lentamente abre sem fazer barulho.
Deitada sobre a cama, a meia-elfa com cabelo degradê entre o preto e o dourado está dormindo profundamente com a sua camisola. O homem abre um singelo sorriso ao vê-la, mas a testa franze no mesmo instante. As diversas manchas e bolhas vermelhas sobre o ombro direito dela chamam a sua atenção.
“Está crescendo… Não faz nem dois meses e já saiu de uma simples mancha pra isso…” 一 com cuidado ele escora a porta e vai até o sofá.
As botas são deixadas do lado da pequena mesa. Os cotovelos apoiam sobre as coxas e o rosto é coberto pelas palmas.
“Rhosmad é a casa que preza pela competitividade e pela paixão. A Katarina é descendente dos Neelvogel. Não tem como eles ajudarem… O que eu faço? Arriscar a entrada na Svartalfar me parece a pior decisão. Eu seria preso por suspeita de invasão, mesmo sendo casado com uma mestiça.” 一 A mão passa pela barba falha e rala.
“Preciso de mais informações. Nesses quatro dias desde que cheguei, já consegui ter uma boa noção de como esse lugar funciona. O meu pai veio pra cá na esperança de encontrar uma cura pra mamãe, mas ele havia dito que não encontrou nada na Terceira Camada… O único jeito é atravessar aquele portão e ir para a Segunda Camada?” 一 as unhas começam a coçar a barba 一 “Mas pode ter algo novo por aqui. Cacete… Por que o vilarejo onde o pessoal ficava simplesmente sumiu?” 一 as pupilas dilatam e o ambiente ganha um zumbido cada vez mais alto.
一 Olga, você chegou… Por que não me acordou? 一 uma voz doce paira pelo ambiente, nulificando completamente o som agudo sobre os ouvidos do homem.
Apoiada na beirada da porta, a mulher está com os ombros cobertos por um manto curto. Os olhos púrpuros transparecem um brilho instável, as sobrancelhas altas e a testa levemente franzida estão fixos no homem sentado. Essa expressão continua na caminhada até o sofá.
一 Você parecia estar dormindo tão bem… Quis deixar você descansando. Como está se sentindo? Quer comer alguma coisa? 一 o rosto dele a segue até o momento em que ela se acomoda ao lado. Com as mãos nas coxas, Olga seca as palmas.
一 Estou melhor. Não precisa se preocupar… Também não estou com fome. Alguma novidade? 一 a mão de Katarina se apoia sobre as costas da mão dele.
一 Só ruins. Igual a Svartalfar do Sul, a do Norte também não está aberta ao recrutamento. No Vanaheim, é a Casa Rhosmad que vai acompanhar a competição. Não tem jeito mesmo de conseguirmos ajuda do Terceiro Campanário? 一 o polegar dele acaricia a lateral da mão dela.
Balançando a cabeça, a meia-elfa diz:
一 Não. Apesar de viverem perto da gente, os Elfos Puros do Terceiro Campanário também nos odeiam… E, você sendo humano, eles também não acreditariam em nada do que eu ou você dissesse.
Ele desvia o olhar do rosto dela. As pálpebras baixam e os lábios soltam um vapor pesado lentamente.
一 Se eu pudesse ganhar dinheiro como Nômade igual eu fazia em Balmund, teríamos o suficiente pra comprar pelo menos alguns remédios. Mas a desconfiança do seu povo nos humanos não ajuda nem um pouco…
Katarina também desvia o olhar. Com as duas mãos, ela segura a palma dele com tanto cuidado como uma pluma. Suavemente, a aproxima do rosto e a beija. Os dedos grossos e as cicatrizes das batalhas são sentidas pelos lábios.
一 Nós sempre demos um jeito até agora, amor… Dessa vez não vai ser diferente. Conseguimos passar pela Fronteira, por Yothergran, chegamos nos vilarejos e agora estamos aqui… É questão de tempo até você encontrar uma oportunidade. Eu confio em você e eu tenho certeza que o Raisel também sente muita confiança no que você é capaz de fazer.
Os olhos dele se abrem por um segundo. O homem solta um ar pelo nariz e aproxima a testa da cabeça de sua esposa.
一 Obrigado… Tenho certeza que ele está em um lugar seguro. Meu pai jamais deixaria ele em perigo mesmo sendo daquele jeito.
Sob a semi escuridão do fim da tarde, os rostos deles se encontram enquanto seus olhos estão quase fechados. De fora do prédio, os barulhos de explosões começam a ecoar. Os brilhos de diversas cores espalham partículas de energia pelos céus, trazendo consigo falsas estrelas.
一 Todo mundo está bem animado pro Vanaheim. Que tal passearmos um pouco lá fora de noite? 一 a mulher comenta enquanto sutilmente se levanta, aproximando-se da varanda no lado de trás do prédio.
一 Tem certeza que você tá bem o suficiente pra ir lá fora? No caminho pra cá, o pessoal ainda estava decorando as ruas. Não sei se já acabaram… 一 logo atrás dela, Olga se aproxima, mas não se expõe o suficiente para ser visto do lado de fora.
一 É mesmo? Então vamos amanhã de noite. Pode ser? 一 De soslaio, Katarina o observa, mas sempre acaba atraída pelos seus lábios.
一 Claro. Claro… 一 Sem resistência alguma, ele também é atraído por aquele olhar dela. Abraçando-a por trás, a palma dele carinhosamente repousa sobre a barriga dela um pouco inchada.
Dando meia-volta após se beijarem outra vez, Olga se senta sobre o sofá e Katarina fecha as cortinas. As luzes do apartamento acendem com a virada para a noite. Nenhuma outra janela brilha e o prédio inteiro continua influenciado pela energia do humano.
…
Quando o sol deixa o céu límpido em um tom puro de azul, os adornos de cristais transparentes ao redor das torres do palácio se tornam vibrantes absorvendo a luz do dia e deixando toda a estrutura brilhante como ouro, mas não tão ofuscante quanto o próprio astro-rei.
Dentro da construção de proporções imensas, os passos pesados de metal ecoam por um longo corredor. Adiante, uma câmara com piso de tapete vermelho que leva até um trono vazio, mas com um único homem de cabelos loiros e orelhas pontudas observando a janela.
一 Retornei, Senhor. Essa vassala o saúda com toda a perfeição que lhe pertence. 一 De olhos fechados, Anastásia se ajoelha apoiada com as mãos e encosta a testa sobre o chão.
一 Pontual como sempre, Anastásia. Levante-se e venha até mim. 一 Encarando-a com extrema satisfação, as orelhas baixas contrastam com seus olhos estreitos. Ele estende a palma virada para cima na direção dela.
一 Com imenso prazer. 一 Ao se pôr de pé, ela caminha até ele em passos ligeiros e apoia o queixo sobre a mão dele enquanto ajoelha novamente.
一 O que mais posso fazer por você, meu Senhor? 一 Ofegante, ela engole seco enquanto as coxas espremem-se uma na outra.
一 Dependerá da utilidade dos seus relatórios e do quão bem você cumpriu suas tarefas. 一 Seminu, as vestes finas esbranquiçadas de Valdrien balançam ao virar-se para a direção da elfa.
一 O sinal que a representante dos Coelhos enviou sobre o buraco que conecta à parte corrompida da Fonte Guinitta estar tapado era verdade. Também não havia mais corrupção na região afetada pelas águas corrosivas. Eu a questionei sobre qual Viajante havia conquistado tal feito e me deparei com o registro visual de tudo o que aconteceu 一 ela solta um ar pelas narinas ao ter o rosto sendo puxado para cima lentamente 一 O mesmo mestiço de luz e trevas puras que os Sábios e o Terceiro Campanário encontraram foi o responsável… Também confirmei que ele é um Não-Constelado e sequer sabe manifestar Beisen.
A sola do pé de Valdrien pressiona entre as coxas dela, ao mesmo tempo que ele a força a olhar para cima. A mesma expressão sorridente gentil permanece sobre o semblante dele.
一 Interessante… Um mestiço imundo que deu a sorte de nascer possuindo a luz mais pura e as trevas mais profundas, mas não está destinado a nenhuma Constelação e não sabe nem manifestar toda a sua força 一 com risos contidos, ele afunda ainda mais o pé enquanto vê o rosto dela se contorcer 一 Ele participará do Vanaheim? Adikia está interessada em vê-lo pessoalmente e eu ainda não consegui encantá-la para nós transarmos…
一 P-Provavelmente, meu Senhor… Ele estava com o laço Bélico e os mestiços Sêniores o protegeram. 一 Mordendo o próprio lábio, Anastásia continua a encarar o rosto de Valdrien sem nem piscar.
一 Sempre muito útil, Anastásia… Nunca me decepciono quando mando você cumprir meus pedidos. 一 Puxando a corda sobre a cintura, a veste inferior dele cai sobre o chão.
De maneira selvagem, a elfa loira abraça a cintura dele. Com os olhos estreitos, ele observa os “céus” enquanto sorri grandiosamente de bochecha à bochecha.
一 Ah… Como é bom seguirmos os nossos desejos… 一 Arqueando as costas para trás, Valdrien apoia a palma sobre o topo da cabeça dela.