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Capítulo 39 – Toc-Toc! Quem é ?

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Capítulo 39 – Toc-Toc! Quem é ?

Como Derek havia previsto, a criatura se movia lentamente. O braço colossal e a perna inchada pesavam demais em seu corpo deformado, tornando cada passo pesado e arrastado, como se cada movimento fosse um esforço descomunal.

O som da perna maior batendo no chão lembrava o impacto de troncos caindo.

Pelo tamanho daquele braço, Derek percebeu outra coisa: seria impossível para a criatura levantá-lo com facilidade.

O peso era tão grande que o membro parecia quase inútil, um fardo grotesco que desequilibrava o corpo. Isso significava que sua atenção deveria se voltar para os outros dois braços mais longos, que ofereciam maior perigo.

Ele aguardou a aproximação, firme, até que a criatura estivesse perto o suficiente para o alcance da lança. Então atacou, mirando diretamente na cabeça, concentrando toda sua força em um único golpe. Mas, pouco antes de acertar, a mutação agarrou a arma. Usando os dois braços esquerdos, segurou a lança e, com força absurda, quebrou-a como se fosse um galho seco, espalhando estilhaços metálicos pelo chão.

Antes que Derek pudesse largar o resto da arma e recuar, o braço colossal direito se ergueu em um balanço devastador. O impacto o arremessou cerca de cinco metros para trás, fazendo-o colidir contra o piso com violência. Uma de suas costelas chegou a se fraturar.

Ao tentar se levantar, sangue escorria de sua boca — não tão negro quanto antes, mas ainda escuro. Vários órgãos, que mal haviam começado a se regenerar, foram novamente feridos.

“Um único acerto… e já me fez tudo isso?”

Não havia sentido continuar aquela luta. Não agora.

Derek se moveu rapidamente, descendo as escadas com passos trôpegos, cada degrau parecendo mais longo que o anterior. Por precaução, bloqueou a passagem entre o terceiro e o segundo andar, empilhando móveis e destroços, criando uma barreira improvisada.

A criatura não o seguiu; apenas cessou os movimentos, permanecendo imóvel, como se aguardasse pacientemente.

Mas Derek não desistiu. Ele perdeu a batalha, mas a guerra entre eles ainda não havia acabado.

Nos dias seguintes, mudou de estratégia. Enfrentar de frente seria suicídio. Poderia usar a arma de fogo, mas isso o tornaria dependente dela — e quando as balas acabassem, estaria indefeso. Precisava de outra solução, algo que exigisse mais paciência e cálculo.

Decidiu enfraquecer a criatura, reduzir seus movimentos. Todos os dias subia carregando facas, pedras e qualquer objeto afiado que encontrasse, tentando feri-la à distância. Mas sua mira era imprecisa, e a força insuficiente. A maioria dos arremessos errava o alvo, ricocheteando nas paredes ou caindo no chão sem causar dano.

Com o tempo, percebeu que aquilo não surtia efeito. Os objetos afiados estavam acabando, e a criatura permanecia quase intacta, como se cada tentativa fosse apenas um incômodo insignificante. Precisava de um acerto crítico, algo que realmente mudasse o rumo da luta.

No terceiro dia, preparou-se melhor. Reforçou as roupas, cobrindo o corpo inteiro, mesmo que isso limitasse seus movimentos e o deixasse mais lento. Armado com uma faca, correu em direção à criatura, sentindo o coração acelerar como um tambor de guerra.

Ela estava de costas. Assim que a cabeça traseira começou a se mover, Derek avançou e apunhalou um dos braços esquerdos, atingindo um tendão.

A resposta foi imediata. A mutação girou o corpo e o atingiu. Derek esperava ser lançado para longe, mas não foi o que aconteceu. O golpe o fez bater contra a parede, quebrando um vaso com uma planta morta. Continuava perto demais da criatura.

Tentou fugir, arrastando-se pelo chão. Mas ela o agarrou com o único braço esquerdo que ainda funcionava e o puxou para trás. O pânico tomou conta dele.

Por um breve instante, a criatura o soltou.

“Certo… consigo fugir agora.”

Ele começou a se arrastar, vendo sua silhueta projetada no piso pela fraca luz que piscava no teto. Então outra sombra surgiu: a da criatura, logo acima dele.

Derek olhou para trás. O braço esquerdo se ergueu. O pânico explodiu. Tentou se levantar, mas a mão desceu em um golpe único. O impacto atingiu sua perna. O som da fratura foi imediato, ecoando como um estalo seco.

Levantar-se tornou-se quase impossível. Ainda assim, não desistiu.

Ele começou a engatinhar rapidamente — quase como um bebê —, tentando se afastar da criatura. Chegou até a escada e começou a descer daquela forma, degrau por degrau.

Quando faltavam dez degraus para o quarto andar, seu corpo cedeu. Escorregou, rolou e caiu.

A queda foi brutal. Por alguns instantes, permaneceu imóvel, tentando se acalmar.

“Foi uma péssima ideia tentar um ataque corpo a corpo…”

Com esforço, desceu até o segundo andar. Esqueceu de bloquear a passagem para o terceiro. Entrou no apartamento, fechou a porta e sentou-se no chão, buscando uma solução.

Então lembrou: após derrotar a variante no shopping, havia guardado pedaços do cérebro dela. Pensou que poderiam servir para regeneração futura. E serviram.

Pegou o pedaço guardado na geladeira e o comeu. A regeneração começou lentamente, e sua perna começou a se recuperar.

Passou a noite inteira pensando em como derrotar a criatura. Não encontrou alternativa clara. No fim, voltou atrás em suas próprias decisões. Pegou a arma de fogo. Preparou-se.

E abriu a porta do apartamento.

Mas não encontrou o corredor. Uma mão colossal vinha de baixo para cima em sua direção.

“Mas hein?”, pensou, antes de ser atingido.

O golpe o arremessou para trás. A arma caiu perto da entrada. Derek foi lançado contra a vidraça da sala, trincando-a.