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Interlúdio 4: Hortênsia Melancólica

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Interlúdio 4: Hortênsia Melancólica

No momento em que encerrei a chamada com ele, soltei um suspiro. “...Haa.”

Não era um suspiro de exasperação. Pelo contrário. Era um suspiro de contentamento — como se a alegria e a felicidade, os sentimentos positivos que não cabiam no meu coração, tivessem transbordado sua capacidade e derramado naturalmente.

Sinto que ele frequentemente desvia ou esquiva da afeição que demonstro, mas até essa frustração é instigante e prazerosa. O desejo de permanecer nesta distância e o desejo de me aproximar estão em guerra dentro de mim.

“ Haaaah... Eu te amo, Shigure.”

Abracei minha pelúcia do Geroppi e dei voz aos sentimentos que não conseguia dizer seriamente na cara dele. Uma vez que coloquei em palavras, foi como se uma represa tivesse quebrado, e eu não conseguia parar.

“Shigure amorzinho♪ Amo o Shigure♪ Amorzinho-amorzinho-amorzinho♪ Amo o Shigure♪”

Ainda abraçada à pelúcia, cantarolei o que parecia uma canção de amor com meu cérebro derretido e rolei na cama.

Eu queria conversar muito mais. Até o sol nascer, até a bateria do meu smartphone acabar, eu queria estar conectada a ele através das ondas de rádio, me afogar nessa felicidade que borbulhava sem fim.

“Amorzin... Ai.”

—Mas não. Tem algo que eu preciso fazer.

“..........................Sim.”

Caí da beira da cama no chão. Recuperando meus sentidos, joguei de lado o pelúcia e meu coração tonto e me sentei à escrivaninha.

“Hora de fugir da realidade.”

Coloquei meus fones de ouvido, peguei a caneta na mão, encarei a folha em branco de papel almaço e respirei fundo. E então mergulhei. No meu próprio mar. No abismo escuro, frio e solitário—

“...!”

Voltei a mim com um feixe de luz.

As cortinas blackout estavam escancaradas. O sol da manhã entrando pela janela iluminava o quarto sombrio, que parecia o fundo do mar, como as luzes de um submarino. No chão, estavam espalhados os restos de papel almaço amassados.

Tirei os fones de ouvido e me recostei na cadeira da escrivaninha, exausta.

Eu não conseguia me mexer. No momento em que meu fio de concentração se rompeu, a fadiga mental e física chegou de uma vez, e minha consciência estava prestes a ser engolida.

“... E-Eu de alguma forma... consegui.”

A caneta caiu da minha mão fraca e rolou para longe.

À minha frente, na mesa, estavam as letras que eu tinha resgatado do fundo do mar profundo ao longo de uma noite. Eu as examinei e avaliei cuidadosamente, e então mordi o lábio.

“Mas não está bom de jeito nenhum!”

Amassei e joguei. Bateu na parede, atingiu as teclas do meu teclado MIDI e se juntou à pilha de lixo espalhado.

“Isso está errado...”

Abracei meus joelhos na cadeira e cuspi as palavras. As letras que eu tinha reunido eram todas lindas, como joias. Brilhantes, positivas e reluzentes de alegria e felicidade.

“...Isso não é uma letra da YOHILA.”

Não é o estilo da JUN... sombrio, pessimista e mergulhado em lamento e melancolia. Isso era, se tanto, o estilo de antes da YOHILA se tornar apenas eu, quando ainda éramos um quarteto.

De quando a música que tocávamos com as integrantes era apenas diversão pura, e o mundo era deslumbrante. De quando tocávamos uma música cintilante, mas comum, morna.

Estou revertendo para a YOHILA daquela época, a qual eu tanto amo quanto detesto.

O motivo era óbvio.

—É porque eu estou preenchida.

O vazio criado pela perda das minhas companheiras foi preenchido pela existência dele. Ele o ocupou, o satisfez, o saciou e levou embora a minha sede. Por causa disso, não consigo escrever letras melancólicas.

A melodia é adorável, mas, ouvindo de volta, sinto que o estilo musical também não se encaixa na atual YOHILA, que é chamada de “a nova geração do rock depressivo”.

Isso não vai servir. O que as pessoas que gostam de mim, o que a Kotegawa-san e os outros querem, é uma YOHILA que permaneça a mesma “como sempre foi”, mesmo após se tornar major.

“U-Uuuugh...”

Cocei a cabeça com as duas mãos e gemi.

Assim como um violão, que não depende de eletricidade, ressoa com seu corpo vazio, o vazio criado por perder minhas integrantes é o que me permitiu tocar a música que faço agora. Assim como uma hortênsia muda a cor de suas flores dependendo do solo, minha música muda de cor dependendo das minhas emoções, e minhas letras mudam drasticamente também.

Nesse caso, eu, que fui lançada ao holofote com a cor da melancolia — JUN da YOHILA — não deveria estar preenchida, afinal de contas?

Feliz ou infeliz.

Minha vida pessoal ou meu trabalho criativo.

Shigure ou a música.

Se eu só puder escolher um, então eu...

Eu—

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA. (O autor tem um ótimo gosto)

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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