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Epílogo: Depois da Chuva

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Epílogo: Depois da Chuva

O tufão passou durante a noite e, no dia seguinte, o céu estava limpo e sem nuvens desde o amanhecer.

As poças no asfalto refletiam a luz solar, ferindo meus olhos de forma quase dolorosa. As folhas úmidas das árvores à beira da rua exibiam um verde vibrante, exalando o perfume do verão. O ar estava pesado e quente.

Nesse cenário, era um alívio não termos treino matinal, já que o campo estava inutilizável após a chuva. Afinal, com aquele temporal, havia uma boa chance de que não secasse completamente nem até a tarde. Eu estava torcendo por isso.

Se o treino da tarde fosse encurtado ou cancelado, eu poderia ver Junna não apenas no almoço, mas depois da escola também — ou melhor, a música dela ainda não estava pronta, estava?

A mensagem de LINE que eu enviara para Junna bem cedo esta manhã — “Bom dia. Você vem para a escola hoje?” — ainda não fora lida e não havia resposta. Suspirei, guardei o celular no bolso e comecei a atravessar a faixa de pedestres assim que o sinal abriu. Justo então...

“Bom dia, Kurimoto-kun!”

Uma voz alegre chamou por trás de mim. Uma brisa refrescante com aroma de cítricos passou e alguém parou ao meu lado.

“Bom dia, Yamada-san.”

Eu disse, virando o rosto para ela. Um sorriso que parecia o próprio sol descendo à terra estava bem ali.

“Está super quente hoje. Realmente parece verão!”

“E vocês dois estão super quentes também, hein? Realmente parece juventude!”

Uma voz fútil veio do outro lado. Olhei de soslaio e perguntei:

“Yōjirō... e o seu treino matinal?”

“Não temos. Afinal, é o dia seguinte a um tufão — ei, pode parar de me encarar assim? A terceira roda já vai saindo.”

“Em vez de só sair, você não poderia simplesmente morrer?”

Yōjirō deu de ombros e disse isso casualmente, enquanto Yamada cuspia veneno com o rosto sério. Dei um sorriso irônico diante da troca habitual entre os dois amigos de infância.

“E, no entanto, vocês estão vindo para a escola juntos. Vocês são bons amigos na verdade, não são? Do tipo que briga o tempo todo...”

“Não, não, não, não.”

“Definitivamente não!”

Eles responderam no tempo de uma rotina de comédia. Estavam perfeitamente em sincronia.

“Nossas casas são vizinhas e nós apenas saímos ao mesmo tempo por acaso. Nada mais, nada menos.”

“Não, não!”

“Eu e a Haruka sermos bons amigos, isso é...”

“Não, não, não, não.”

“Definitivamente não!”

Vejam só, vocês estão em perfeita sintonia , pensei, exasperado.

Yōjirō, que dissera antes que sairia logo, acabou ficando afinal, e eu, preso entre os dois, fui submetido às picuinhas deles — que pareciam um velho casal discutindo — por todo o caminho até a escola, sem conseguir dizer se eles se davam bem ou não.

“De qualquer forma, Kurimoto-kun, você está atrasado esta manhã. Você não costuma chegar mais cedo quando não tem treino matinal?”

Yamada perguntou, como se tivesse acabado de lembrar, enquanto trocava seus tênis pelos sapatos de interior no saguão de entrada. Esfreguei os olhos.

“...É.”

“Não consegui dormir muito ontem. Muita coisa aconteceu...”

“Muita coisa?”

“Sim, muita coisa. Eu te conto algum dia, Yamada-san, quando tivermos uma chance. Quando estivermos só nós dois.”

Sussurrei para que apenas Yamada pudesse ouvir. Yōjirō já tinha terminado de trocar os sapatos e caminhava pelo corredor à nossa frente. Yamada deve ter adivinhado pelas minhas palavras que se tratava de Junna, pois assentiu.

“...Entendido.”

“—Ei, o que é aquilo?”

Yōjirō parou no topo das escadas para o terceiro andar e inclinou a cabeça.

“O que é aquele aglomerado de gente?”

Eu conseguia ver um grupo de alunos reunidos no fim do corredor, zumbindo de excitação. No final do corredor do terceiro andar. Em termos de localização, era diretamente abaixo da nossa classe, a 1-8. Então, ali seria a Classe 1-4.

“Estou curioso. Vamos dar uma olhada.”

“Ah... ei!”

Antes que eu pudesse detê-lo, Yōjirō, com sua tendência de bisbilhoteiro em plena exibição, correu em direção à multidão. Yamada e eu trocamos olhares e o seguimos.

Pela atmosfera eufórica que preenchia o corredor, não parecia ser um acidente ou qualquer confusão.

“Ei, ei, qual delas?”

À medida que nos aproximávamos, podíamos ouvir as conversas dos alunos.

“Aquela ali. A que está sentada na primeira fileira, perto da janela—”

“Aquela! ... Caramba, ela é super bonita. Dá para ver que é uma garota linda mesmo desta distância.”

Os que faziam barulho eram principalmente garotos. O que é isso, será que veio uma aluna nova transferida ou algo assim?

“Ei, alguém vai lá falar com ela.”

“Sem chance! Ela está de fones de ouvido. E a aura de ‘não fale comigo’ dela é insana.”

“Eu vi uma garota da nossa sala tentar falar com ela mais cedo, mas ela mal reagiu.”

“Aquilo é uma guitarra? Imagino se ela toca em uma banda.”

“Ouvi dizer que é uma garota que nunca tinha vindo à escola antes. E então, esta manhã, ela simplesmente apareceu na sala de aula.”

“Oh? É o Kurimoto. E aí.”

Quando cheguei perto da multidão, um rosto familiar da equipe de atletismo me cumprimentou.

“Você veio ver a ‘misteriosa garota linda’ também?”

“...Hum. Bem, algo assim... Ei, com licença. Deixem-me passar.”

Respondi vagamente e empurrei meu caminho através da multidão, tentando espiar de dentro da entrada na frente da sala de aula.

Yōjirō estava parado ali, boquiaberto. Ele apontou para o fundo com um dedo trêmulo.

“Shigure, aquela é a—”

Uma única garota estava sentada no assento da primeira fileira, junto à janela.

Um corte bob curto e preto. Ambas as orelhas estavam cobertas por robustos fones de ouvido pretos, e ela contemplava a janela com olhos sonolentos, o rosto apoiado na mão.

Um rosto de boneca, delicado, inorgânico e sem expressão. O vento soprava da janela aberta, balançando seu cabelo. Uma cor interna chamativa, como um sinal de alerta azul-violeta, aparecia por baixo. Ao lado dela, havia uma capa de guitarra preta e um sapo arborícola cor de hortênsia.

“—Junna?”

Não é como se ela pudesse ter ouvido minha voz, mas, justo naquele momento, Junna lançou um olhar apático e de soslaio para as pessoas reunidas na frente da sala.

“...!”

No momento em que nossos olhos se encontraram, os dela, que estavam semicerrados de irritação, arregalaram-se. Ela se levantou com um estrondo da cadeira, tirou os fones e...

“………………”

Sua expressão desapareceu e ela se aproximou de mim com passos rápidos.

Os alunos, que até então pareciam estátuas, agitaram-se com a ação repentina de Junna, e a onda de pessoas na entrada da sala se deslocou. Eu também, instintivamente, dei um passo para trás, mas...

“Hup!”

“Opa!?”

Yamada, por trás de mim, deu um empurrão forte nas minhas costas com as duas mãos. Tropecei para frente, cambaleando para dentro da sala de aula. E então—

Junna envolveu seus braços ao meu redor. Silenciosamente. Como uma pessoa que se afoga agarrando-se a uma boia salva-vidas.

O clamor dos alunos parou subitamente e o silêncio caiu. Engoli em seco.

“............Uh, bem... Junna?”

Quando a chamei, Junna soltou um som patético e, ainda me abraçando apertado, olhou para mim com olhos marejados. Seu rosto gélido e sem expressão derreteu e desmoronou.

“E-Eu senti sua falta.”

Sua voz chorosa deve ter alcançado os outros também. Uma onda de surpresa e confusão espalhou-se pelos alunos antes silenciosos e, no momento seguinte...

Uma tempestade de gritos estridentes, assobios e um burburinho renovado e ainda mais alto varreu a escola.

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☂

“Você está bem? Menina chorona.”

“...Não. Não estou bem.”

Junna, deitada na cama, protegeu os olhos com o braço da luz ofuscante que entrava pela fresta das cortinas e respondeu. Sua voz ainda estava fanhosa pelo choro. “Certo”, eu disse com um sorriso irônico, respirando o cheiro de desinfetante da enfermaria. Soltei um suspiro.

— Depois daquilo. Junna e eu fugimos dos olhares, sussurros e da tempestade de perguntas dos alunos que não conheciam a situação e nos refugiamos na enfermaria.

À porta, Akagi, temida sob o apelido de “Ogro Vermelho”, postou-se como uma divindade guardiã, impedindo a entrada dos estudantes que nos haviam seguido.

A comoção diminuiu quando o sinal indicando o início da aula tocou e a multidão se dispersou. A porta de entrada se abriu e uma Akagi com aparência um tanto cansada entrou.

“...Ufa. Nossa, que agitação logo cedo... Pensar que a aluna que só ‘frequenta’ a escola pela enfermaria apareceria normalmente. O que deu em você, Amamori?”

“............Nada, na verdade. Eu só senti vontade. Só isso.”

Ao ouvir a resposta de Junna, Akagi sorriu de leve. “Ah é?” Então ela voltou seu olhar para mim.

“Kurimoto. O que você vai fazer em relação à aula?”

“...Para ser honesto, eu gostaria de dar um tempo. Não tanto quanto a Junna, mas também estou mentalmente exausto.”

“Entendo. Então, sinta-se à vontade para descansar.”

Com isso, Akagi girou seu jaleco e seguiu para a porta novamente.

“Vocês dois, aproveitem o tempo... okay? Vou dar uma saída rápida.”

Ela nos disse para entrar em contato se algo acontecesse e saiu da enfermaria. Deixando apenas Junna e eu para trás. Imagino se ela estava sendo atenciosa.

Quando a porta se fechou e o som de seus passos desaparecendo sumiu, um silêncio desceu, como se este lugar tivesse sido cortado do resto do mundo. Não havia barulho vindo da escola, nem som de chuva agora.

“...A razão pela qual eu vim para a escola”, murmurou Junna, sua voz como uma gota de chuva caindo subitamente em minha bochecha, “foi porque pensei que precisava mudar.”

Seu braço não estava mais protegendo os olhos, e seu olhar límpido estava fixo em mim. Seus olhos semicerrados pareciam mais deslumbrantes do que sonolentos, e o cabelo cor de hortênsia escondido nos fios pretos brilhava sob a luz do sol.

“Para conseguir sentir adequadamente as coisas dentro de mim que não mudam — eu quis mudar.”

Junna sentou-se. Ela sustentou meu olhar, enquanto eu estava sentado na cadeira ao lado dela, e seus olhos se encheram de lágrimas.

“Vir para a escola esta manhã foi o primeiro passo, e eu estava planejando surpreender você, a professora e todo mundo... mas não achei que viraria um evento desse tamanho. No momento em que entrei na sala, o ar vibrava tão intensamente que eu conseguia sentir mesmo através dos fones... Ugh ... eu não consigo, não consigo fazer isso.”

“É uma tentativa inicial difícil... Mas acho que é natural que as pessoas façam alvoroço se uma garota linda como você aparece de repente na escola.”

“Uma garota linda...”

“Você pode mudar pouco a pouco.”

Hesitei, mas tomei coragem, estendi a mão e a coloquei sobre a cabeça dela. Acariciei seu cabelo liso e sedoso e disse:

“Eu vou te ajudar também.”

“...Sim.”

[Del: Pat pat .]

O rosto de Junna suavizou e ela sorriu como se estivesse sentindo cócegas.

Mas, no momento em que tirei a mão de sua cabeça, sua expressão se obscureceu com um “Ahh” e ela franziu os lábios. Então ela me encarou e perguntou:

“Shigure. O que você estava tentando dizer, naquela hora? Durante o tufão... antes da professora voltar.”

“Junna. Eu—”

“............Eu te conto um dia desses.”

Após uma longa pausa, desviei o olhar e escapei da pergunta.

“Eeeh”, Junna soltou um som de insatisfação, inclinou-se para frente e espiou meus olhos como se tentasse contornar meu bloqueio. Desta vez, olhei-a diretamente nos olhos e disse:

“Eu disse pouco a pouco, não disse?”

Assim como Junna queria mudar, eu também tinha um desejo de mudança dentro de mim. Mas, ao mesmo tempo, era verdade que eu tinha ansiedades e medos sobre mudar.

É por isso que quero mudar aos poucos. Não como o clima que muda rapidamente de limpo para nublado, de nublado para chuvoso, mas como as estações que transitam lentamente da época de chuvas para o verão — alterando suas cores e perfumes.

“...Hum. Eu entendo.”

Junna recuou, sua expressão abrandando.

“Vamos mudar juntos, tudo bem, Shigure?”

“Sim.”

Vendo o sorriso radiante de Junna, senti que queria que ela sorrisse mais; mas, ao mesmo tempo, também queria que ela continuasse sendo sua eu habitual e reservada, mostrando esse tipo de expressão apenas para mim.

Como um arco-íris que só pode ser visto depois que chove.

Quero ser uma existência especial.

“...Será que vai chover hoje?”

Olhei para o céu azul, que não mostrava sinais de nuvens ou chuva, e murmurei. Junna e eu não estamos mais em um relacionamento onde só podemos nos encontrar quando chove, como éramos no início.

E, no entanto—

“...Shigure, você gosta da chuva?”

“Com certeza”, respondi com firmeza. “—Eu amo.”

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA. (O autor tem um ótimo gosto)

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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