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Capítulo 3: Juventude & Cianeto

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 3: Juventude & Cianeto

Os exames finais tinham acabado e, com a cerimônia de encerramento do semestre logo ali na esquina, nossa escola estava realizando um torneio esportivo.

Os alunos do primeiro ano jogavam vôlei e basquete, com as partidas divididas entre os lados leste e oeste do ginásio.

O rangido dos tênis na quadra, o baque das bolas quicando e os gritos entusiasmados dos estudantes. O canto das cigarras se sobrepunha a esses barulhos, entoando uma canção de verão.

O tempo estava limpo, mas os ares pareciam um tanto úmidos. Seria por causa de todo aquele suor? Ou talvez fossem os resquícios da estação chuvosa, que havia terminado há apenas alguns dias.

Um cheiro de madeira velha, cera e borracha se misturava no ambiente.

Uma brisa que entrava pelas portas abertas agitava o ar, acariciando minha pele corada.

“…Está calor,” resmunguei, sentado em um canto daquele ginásio abafado com as costas apoiadas na parede, enxugando o suor com uma toalha.

Minha franja grudada na testa estava me irritando.

Se alguém me perguntasse se eu gostava do verão, eu responderia: “Gosto, mas odeio.”

O motivo era simples: é quente demais.

Apenas esse ponto negativo anulava todas as coisas boas.

Como dizem por aí, quanto mais forte a luz, mais profunda é a sombra.

Em suma — provavelmente era brilhante demais. Ofuscante e vívido em excesso para pessoas como nós, que amam a chuva.

“…Está calor,” disse Junna, ecoando meu comentário solitário. Talvez ela também não fosse fã do mormaço. Sua voz carecia de energia e, assim como seu corpo, parecia desanimada.

E, no entanto, sua expressão era serena, e ela mal parecia suar.

Olhando para ela assim, o pensamento “Será que ela é na verdade uma boneca?” me veio à mente. Suas feições bem proporcionadas, a pele branca excessivamente lisa, os olhos que pareciam joias e o cabelo preto brilhante, destacado pelas mechas internas na cor de hortênsia — era tudo perfeito —

“Shigure. Sua mão parou.”

“—Hum. Ah, desculpe.”

Instigado, movi a mão. Afaguei gentilmente o cabelo de Junna, sua cabeça.

Essa tinha sido a promessa que fizemos antes da prova: ‘Se você passar em todas as matérias, ganha carinho ilimitado na cabeça.’ Era uma promessa, então eu não tinha o direito de recusar.

“…É calmante. O seu perfume, Shigure.”

“Não esfregue a bochecha em mim. Faz cócegas.”

“Eu, na verdade, estou me controlando, sabe?”

“…Entendi. Nesse caso, continue com o bom trabalho.”

No momento, eu estava servindo de travesseiro de colo para Junna. Eu estava sentado com as pernas esticadas, os joelhos levemente dobrados para ajustar a altura, e a cabeça dela repousava na minha coxa.

Isso também fazia parte das promessas que fiz a ela antes do teste. ‘Tempo ilimitado de travesseiro de colo.’

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A condição era—

“Mãos ao alto! É a polícia das demonstrações públicas de afeto!”

Olhei na direção de onde vinha a voz e vi Yamada apontando uma garrafa plástica de isotônico para mim como se fosse uma arma, com a tampa branca mirada na minha direção.

Ela vestia o mesmo uniforme de educação física da escola que nós, com uma toalha azul-clara jogada ao redor do pescoço.

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[Almeranto: “Com a tampa branca virada na minha direção.” Temos um equívoco aqui? | Del: ?]

“…Sua voz está alta demais.”

“Não levante as mãos. Não pare o carinho.”

“Brincadeira, brincadeira. Vocês dois podem ficar de melaço pelo resto da vida.”

Yamada abaixou sua arma de isotônico e se aproximou. Ela se sentou ao meu lado e disse:

“Se for para eu assistir a isso, então valeu a pena ter perdido de lavada,” comentou, com uma expressão entediada.

A classificação de Yamada nos exames finais foi a 305ª posição. De certa forma, era um resultado impressionante, por ser exatamente a mesma nota do seu exame intermediário. Como Yamada tinha perdido para Junna, agora eu estava preso ali, servindo de travesseiro de colo para ela.

“Eu realmente achei que dava para ganhar da Jun-chan, sabe?”

“Desculpe por ser uma gênia… e não do tipo ‘pelo contrário’, mas uma de verdade.”

Junna disse sarcasticamente, como se guardasse rancor pelo que foi dito na sessão de estudos antes das provas, e deu uma risadinha.

Yamada não se importou e riu de forma descontraída.

“Ahaha! Mas você é realmente incrível, Jun-chan.”

Ela olhou para frente e murmurou. Diminuindo o tom de voz para que as pessoas ao redor não pudessem ouvir:

“Conseguir compor músicas tão maravilhosas e ainda ser boa nos estudos… isso é insanidade! Quão perfeita você consegue ser?”

“Não é?”

Concordei com as palavras de Yamada.

“Ficar em primeiro lugar no ano inteiro, honestamente, me pegou de surpresa… Você é inteligente demais.”

“…Eu não sou particularmente inteligente.”

Junna fechou as pálpebras enquanto eu acariciava sua cabeça.

“Eu só queria a recompensa.”

“…Eu acho que não dá para conseguir um resultado desses só por causa disso, sabe?”

“Dá sim.”

Junna abriu os olhos e me encarou com suas pupilas límpidas.

“ Só por causa disso.”

“Ah… Entendi.”

“É.”

Enxuguei meu suor com a toalha, desviando o olhar daquele encarar direto demais. Minha perna estava começando a adormecer por causa do peso de Junna. Mas era uma dormência doce e agradável.

“Mas falando em ser perfeito. O Kurimoto-kun também não é discretamente incrível?” disse Yamada, observando os garotos correndo atrás de uma bola de basquete na quadra.

“Ele está no top dez, é bem alto. Tem aquela vibe intelectual por causa do hábito de leitura, mas também está em um clube de esportes, e não é nada mal apessoado.”

“Não é ‘nada mal’, ele é muito bonito.”

“…Não, que isso.”

Franzi a testa. Senti como se a dissonância misturada aos sons do verão de repente tivesse ficado mais alta.

“Isso não é verdade. Caso contrário—”

“Qual era o nome daquele cara mesmo… Ah, sim, Kurimoto da Sala 8. Ele é muito injustiçado. Ter uma garota linda daquelas grudada nele!”

“Sim, ele tem muita sorte. Ele não é feio, mas é meio comum. Não chama atenção de verdade, sabe?”

“Honestamente, eu me pergunto: ‘por que ele?’”

“…Você está na mesma equipe de atletismo, não está? Não ouviu os detalhes? Tipo, como eles se conheceram.”

“Não… A gente não conversa muito sobre essas coisas. Ele não é muito sociável. Mas eu nunca imaginaria que ele estava se encontrando com uma garota linda daquelas nos bastidores! Eu poderia morrer de inveja.”

“E-Ele está se exibindo! Tem uma flor em cada mão. Dá uma para mim!”

“É verdade que eles nem são um casal?”

As vozes dos garotos chegaram aos meus ouvidos. As emoções contidas nelas agitaram meu coração de forma desconfortável. Fiquei sem palavras, e Yamada tomou um gole de seu isotônico, inclinando a cabeça.

“ Hum? ”

“…Nada.” respondi, balançando a cabeça com um sorriso amarelo. “Eu não tenho nada de especial. Minhas notas são boas, mas não sou particularmente marcante em nada… e perdi logo na primeira rodada.”

“Se você vai dizer isso, eu também perdi. Fui completamente esmagada.”

Eu havia participado do vôlei, e Yamada do basquete, mas nós dois tínhamos perdido logo na primeira rodada.

O torneio era disputado sala contra sala, então, se perdesse, estava fora. Era por isso que tínhamos tempo de sobra e agora assistíamos aos jogos.

“Você não estava participando, estava, Junna?”

“…É. Fui colocada no banco do vôlei, mas quando percebi, o jogo já tinha acabado.”

A sala de Junna, o time feminino de vôlei do 1-4, tinha vencido a primeira rodada e avançado para as semifinais. Yamada perguntou:

“Você é ruim em esportes, Jun-chan?”

“Eu não sou ruim em esportes, sou ruim com pessoas.”

“Você parece ruim em ambos, na verdade. Consigo até imaginar você fazendo uns movimentos bem engraçados com a cara séria… fuhihi .”

“Por favor, pare com essa risada bizarra de otaku. Está tentando arrumar briga? Porque eu topo.”

“Calma, calma.”

Baguncei o cabelo de Junna para acalmá-la enquanto ela fazia uma pose de luta ainda deitada.

Junna estreitou os olhos.

“ Mfuu .”

E relaxou.

—E, bem naquele momento, a multidão foi à loucura.

Yōjirō, que estava jogando na partida masculina de basquete, tinha feito uma cesta de três pontos que garantiu a vitória no último segundo.

Yōjirō acenou de volta para os gritos agudos das garotas.

“ …Tsc! ”

Um estalo de língua afiado.

“Aquele desgraçado. Ficando todo cheio de si… Tsc! ”

Yamada estava irritada. Como se para provocá-la ainda mais, Yōjirō sorriu e piscou. Yamada estalou a língua repetidamente.

“ Tsc! Tsc! Tsc! Se isso aqui fosse tênis, eu… Tsc! ”

[Almeranto: Daqui a pouco ela vira o Avdol.]

“Quem é realmente perfeito é o Yōjirō, não eu.”

Ele é bom o bastante no basquete para ser titular logo no primeiro ano, e sua habilidade atlética é notável. Suas notas também são excelentes, ele é mais alto do que eu, além de ser bonito e sociável.

“Ele não presta porque é um lixo,” Yamada fez bico com as minhas palavras e abraçou os joelhos.

“Apenas esse ponto negativo anula todas as coisas boas! Ou melhor, é um ponto negativo total, sabe?”

“Entendi…”

[Del: Então ele é o Verão? E se a Yamada é o céu limpo e a Junna a chuva, o Shigure seria o inverno? (Pesquisei aqui, sim, “Shigure” se refere a uma chuva/garoa que marca o início do inverno.]

—Exatamente como o verão. Enxuguei o suor da testa com a toalha e:

[Del: Eu li depois, blz?]

“Ei. A Yamada-san e o Yōjirō são—”

No momento em que eu ia perguntar, o apito final soou.

“Isso aí!” Yōjirō comemorou. Parecia que sua cesta de três pontos no final tinha sido o fator decisivo; seu time venceu e avançou para as finais.

“ Ngaaaaaaaaaah! ” Yamada gritou, coçando a cabeça. “Isso é o pior de tudo! Pensar que ele seria a estrela do show!”

“Yamada-san—”

“Estou caindo fora!”

Assim que se levantou, Yamada deixou sua garrafa plástica pela metade para trás e saiu correndo. Não houve tempo para impedi-la. Logo em seguida, Yōjirō, que tinha terminado o jogo, se aproximou.

“ …Tsc , ela escapou. Eu estava esperando esfregar isso na cara dela.”

Ele resmungou, pegou o item esquecido de Yamada e:

“Ei, Shigure, Amamori-chan. Está calor, não está?”

Ele bebeu da garrafa como se fosse a coisa mais natural do mundo.

“Bom jogo,” eu o parabenizei.

“Você foi incrível. Como esperado do time de basquete. Aquele lance de três pontos no último segundo foi especialmente inacreditável… A Yamada ficou bem irritada, sabe?”

“Que bom saber disso.”

Yōjirō chacoalhou a garrafa plástica vazia e sorriu. Do outro lado da quadra, a partida masculina de vôlei também tinha terminado, e as salas que avançariam para as finais masculinas estavam decididas.

As próximas seriam as semifinais femininas.

“Você viu a minha jogada incrível também, Amamori-chan—”

“Shigure.”

Junna interrompeu a pergunta de Yōjirō e me encarou intensamente.

“…Você gosta de pessoas que são boas em esportes, Shigure? Você acha que elas são descoladas?”

“Hum? Sim, acho que sim. Eu acho, normalmente.”

“…Entendi.”

Junna fechou os olhos e se sentou.

Ela estalou o pescoço e disse:

“Eu vou jogar na próxima partida.”

☂

Semifinais do vôlei feminino, primeira partida. Junna e sua sala, a 1-4, enfrentavam a 1-1 — uma equipe fortíssima, segundo Yōjirō, liderada por uma jogadora talentosa do clube de vôlei.

A partida seria disputada em um único set de 25 pontos. Cada time contava com seis jogadoras em quadra e até seis reservas inscritas, que podiam entrar a qualquer momento do jogo.

Junna era uma das reservas.

“Belo saque!”

“Não dá nada, não dá nada!”

“Força, vai!”

“Isso!”

“Acabem com elas.”

As reservas incentivavam as colegas de classe enquanto elas corriam atrás da bola e lutavam bravamente.

Tive a impressão de ouvir uma voz ligeiramente desanimada, mas com uma intenção assassina, misturada ali no meio, mas provavelmente foi só impressão minha.

“Cara, quem já tem experiência é outra coisa…”

Apoiado no corrimão, Yōjirō murmurou enquanto observava a partida lá de cima, na passarela que cercava o ginásio. “É verdade,” concordei.

O vôlei é um esporte onde a diferença técnica entre quem já joga e quem é iniciante é enorme. Não há tantas oportunidades de praticá-lo quanto o futebol ou o basquete, e o próprio manejo da bola, como no levantamento e na recepção, é bem difícil.

Um único erro pode resultar diretamente em um ponto para o adversário, e a necessidade de conectar a bola de forma fluida entre as jogadoras exige um trabalho em equipe crucial, o que eleva ainda mais o nível de dificuldade.

Especialmente para pessoas como eu e a Junna.

“…Mas a 1-4 até que está lutando bem.”

O placar marcava 13 a 18. A levantadora do 1-1 parecia ser experiente; ela era o pilar da defesa e do ataque, ajeitando a bola com precisão mesmo quando as recepções vinham tortas, focando em apenas devolver a bola quando o ataque não era possível e, de vez em quando, surpreendendo com um ataque de segundo toque.

Por outro lado, o 1-4 tinha uma atacante alta e forte, mas o time enfrentava dificuldades para fazer a bola chegar até ela e, no geral, a organização estava meio caótica.

Tudo indicava que seriam massacradas.

Justo quando eu pensava isso, o apito de substituição soou.

O momento exato foi quando o direito de sacar voltou para elas após um erro do adversário. No lugar da jogadora do fundo-direita, que se preparava para sacar, Junna pisou na quadra.

“Eita! A Amamori-chan vai mesmo jogar…”

“Ela é tão expressiva quanto uma porta.”

O ginásio murmurou com o surgimento da “garota linda que de repente começou a frequentar as aulas, desmaiou no último dia dos exames finais e garantiu o primeiro lugar do ano inteiro”, que vinha sendo o assunto do momento.

No meio de todo aquele falatório, Junna, com uma fisionomia vazia que sugeria indiferença total, caminhou até a zona de saque e recebeu a bola de uma colega.

“A-Amamori-san. Bom saque?”

“Sim.”

Junna assentiu e se posicionou com a bola. Com os olhos sonolentos, ela encarou as jogadoras na quadra adversária como se estivesse avaliando cada uma.

O apito soou.

Junna lançou a bola levemente com a mão esquerda e a golpeou com um impacto suave de direita.

O saque foi fraco, com uma trajetória dócil. Ela provavelmente optou por um saque seguro para garantir que a bola passasse da rede.

A jogadora do fundo-direita do time adversário, com um olhar confiante, moveu-se para receber a bola, que vinha em sua direção com uma linha reta quase cômica. No entanto —

“…!?”

A bola caiu direto no chão. O apito soou.

15 a 18.

“—Ué? O que aconteceu com aquela garota?” Yōjirō se perguntou.

“Por alguma razão, ela nem se mexeu, não foi?”

“Não.”

O ginásio entrou em alvoroço. Engoli em seco.

“Não é que ela não se mexeu…”

Junna se posicionou novamente, mantendo a expressão neutra. Com um olhar frio, ela fixou os olhos na jogadora do fundo-direita, que ainda estava visivelmente abalada.

“Ela não conseguiu se mexer.”

Ela sacou assim que o apito soou.

A bola subiu e foi golpeada. O mesmo saque instável e suave da primeira vez.

Mas, assim que cruzou a rede, ela de repente oscilou e, com um movimento errático, avançou contra a adversária.

A bola passou direto pelos braços estendidos da jogadora e tocou o chão. O apito soou. 16 a 18.

Após um instante de silêncio, uma onda de aplausos e gritos ecoou.

“Um saque sem rotação.”

Junna, que tinha acabado de marcar dois pontos seguidos de saque, permanecia tão impassível quanto antes. Uma onda de confusão se espalhava pela equipe adversária.

“Ao não aplicar nenhum efeito de rotação na bola e deixar que as correntes de ar façam o resto… a trajetória se torna imprevisível. É difícil para jogadoras sem experiência receberem isso.”

Era como uma piada de mau gosto contada com a cara mais séria do mundo.

Um movimento que era a cara da Junna.

“Calma, gente! A bola só está balançando no ar, se a gente se concentrar—”

—A bola subiu e foi golpeada.

“O quê!? Eu de novo?! Ah, não…”

Ela conseguiu receber desta vez, mas o contato deve ter sido ruim, pois a bola voou na direção errada.

A levantadora correu para cobrir, mas não chegou a tempo, e o apito indicou mais um ponto. 17 a 18. Diferença de apenas um ponto.

“…Nossa. Isso é muita maldade, Amamori-chan.”

“Ela está claramente mirando na mesma pessoa.”

Se você continua errando, a pressão mental te leva a errar ainda mais. A garota que estava servindo de alvo parecia prestes a chorar.

Mas Junna não demonstrou piedade.

Com o olhar gélido, continuou a encurralá-la sem mudar de expressão.

—A bola subiu e foi golpeada.

“Deixa comigo!”

Não aguentando mais aquela situação, a levantadora agiu.

Em vez de subir para a rede para armar a jogada, ela permaneceu na linha de trás. Erguendo a mão, ela se infiltrou e recebeu o saque no lugar da colega.

“Não fiquem…”

Como esperado de alguém do clube de vôlei, sua recepção foi perfeita, e ela saltou para cortar um levantamento vindo de uma companheira.

“…se achando!”

Um poderoso ataque da linha de trás foi desferido.

A defensora central do 1-4 fez uma defesa brilhante, mas a bola voou longe da levantadora da linha de frente, indo em direção ao fundo da quadra e prestes a sair de lado.

Desta vez, com certeza, o ponto estava perdido—

“Eu busco!”

Naquele milésimo de segundo, uma voz aguda ecoou. Uma voz de soprano, clara e bem projetada. Por um momento, não soube quem havia falado.

Abaixo da bola que subia, Junna já estava posicionada para fazer o levantamento. Seus olhos sonolentos agora estavam bem abertos. A bola se refletia em suas pupilas grandes.

“Esquerda!”

Sua voz bonita, lapidada por seu talento como vocalista, vibrou pelo ar abafado.

A bola foi atraída para as mãos de Junna e, usando os dedos como amortecedores, ela a impulsionou em um arco suave e delicado. Para a ponta esquerda da linha de frente, a posição mais distante do lado oposto.

Ela voou, desenhando uma trajetória parabólica perfeita.

As jogadoras da linha de frente do time adversário, que haviam se concentrado na direita sob a perspectiva de Junna, correram para tentar o bloqueio, mas já havia alguém no ar, mais rápida do que elas.

A atacante alta e forte.

“Ahaaaaaaaaah!”

No meio do ar, colada à rede, a mão da atacante da esquerda golpeou a bola com força, cravando-a na quadra adversária.

—18 a 18. Empate.

“Boa.”

Junna disse com a expressão de sempre e ergueu a mão ao retornar para sua posição. Não apenas o time adversário e nós, os espectadores, mas até mesmo suas companheiras de equipe ficaram atônitas.

“…………Ué, o que aconteceu? Ahn…”

“Amamori-san! Isso foi incrííível!”

Justo quando ela ia abaixar a mão diante do silêncio inicial, a garota que tinha acabado de pontuar no ataque bateu um “toca aqui” na mão dela. Logo em seguida, o ginásio inteiro foi tomado por um estrondo de comemoração que parecia capaz de derrubar o teto.

☂

“Você foi incrível, Junna-chan! Quero dizer, foi simplesmente… sensacional!”

“É, ela foi o máximo. Mas acho que você também é incrível, Haruka. O seu vocabulário e tudo mais. Assim como os seus peitos, é tudo incrivelmente escasso — eita!? Não tenta cortar a minha cabeça!”

“Foi por pouco. Foi uma partida tão apertada que qualquer um dos lados poderia ter vencido.”

“Cheguei ao meu limite de interação social…”

A programação da manhã havia terminado e agora era hora do almoço. Estávamos comendo em um canto do corredor entre o ginásio e o prédio da piscina. Estendemos uma esteira que Yamada tinha trazido sobre o concreto arenoso e nos sentamos ali, nós quatro.

Poderíamos ter ido para a enfermaria, mas imaginamos que estaria lotada de pessoas por causa do torneio esportivo e, como era um evento especial, escolhemos um local mais apropriado.

Estava surpreendentemente fresco. O cheiro de cloro, diferente de desinfetante, pairava no ar e, além do corredor, sob o sol, a sombra de uma cerca caía. Alguém, cheio de uma energia sem limites, devia estar se divertindo na piscina, pois podíamos ouvir o barulho da água espirrando e risadas alegres.

“…Estou cansada.”

Junna amoleceu o corpo e se apoiou em mim.

“Recarregando… as energias…”

“Bom trabalho,” eu disse, mas a empurrei de volta com o ombro, forçando-a a ficar ereta.

“Você pode recarregar suas energias comendo, sabe?”

“Eu vou comer você, Shigure.”

“Nada disso agora.”

[Almeranto: Deixou pra depois kkkkkkk.]

“ …Humph .”

Além de nós quatro, havia um bom número de outras pessoas ao redor. Depois do desempenho dela no jogo de vôlei, a atenção sobre Junna havia crescido ainda mais, e eu começava a sentir os olhares, mais quentes que o próprio sol.

Talvez devêssemos ter escolhido um lugar mais reservado, afinal — mas agora já era tarde demais para isso.

“Junna-chan, você jogava vôlei em algum clube? Você foi muito bem.”

Yamada perguntou, revirando uma sacola plástica de loja de conveniência. Junna balançou a cabeça.

“Não. Eu só joguei nas aulas de educação física.”

“…E você jogava bem daquele jeito? Você é genial demais. Você é boa em tudo?”

Semifinais do vôlei feminino, primeira partida. A batalha entre a sala da Junna, o 1-4, e o 1-1 terminou com a vitória do 1-1. Logo depois daquilo, a energia de Junna se esgotou e o time, que tinha começado a se reerguer ao redor dela, rapidamente desandou. Perderam de 22 a 25.

Após a partida, Junna quase foi cercada por suas companheiras de equipe e pelos colegas de classe que estavam torcendo, mas ela saiu em disparada e se refugiou na enfermaria, onde me encontrei com ela — e então Yamada e Yōjirō se juntaram a nós, o que nos traz ao momento presente.

“Ei, eu estou curiosa sobre isso já faz um tempo,”

Yamada disse, apontando com seu onigiri de atum com maionese para algo ao lado de Junna.

“…O que tem nessa trouxa?”

Um objeto quadrado embrulhado em um pano de furoshiki vermelho. Tinha cerca de 30 centímetros de altura e era bem grande.

“Não é… um bento, é?”

“É exatamente isso.”

Junna desfez o nó do furoshiki.

O que surgiu foi uma magnífica caixa jūbako de laca preta. Quatro andares no total.

Yamada deixou seu onigiri de conveniência cair no chão com um baque.

“O quêééééé!? U-Uma jūbako!?”

Diante da perplexa Yamada, Junna removeu as tampas da jūbako e as alinhou.

O primeiro andar é de comida japonesa, o segundo é ocidental, o terceiro é chinesa e o quarto é… exótica? — Cada andar tinha um tema diferente, e a variedade de pratos era espantosa. As cores também eram vibrantes e maravilhosas.

[Almeranto: Essa enfermeira é masterchef mesmo.]

“Isso é uma recompensa para todos vocês que foram bem nos testes.”

As palavras de Akagi, de quando ela me entregou o bento extragrande quando fui buscar a Junna, voltaram à minha mente.

“Eu fiz a mais. Cooperem e terminem tudo, combinado?”

“…Isso não é um pouco demais? Você come tanto assim, Amamori-chan?”

“Não é para uma pessoa só. Eu fiz para todo mundo.”

A garota mentirosa estufou o peito com orgulho diante do semblante confuso de Yōjirō.

“Sério!?” Yamada se inclinou para frente.

“Você é uma deusa?! Além de toda-poderosa, você é onipotente?”

“Sim, eu sou a deusa onisciente e onipotente. Adorem-me.”

““Sim, Vossa Santidade!””

Yamada e Yōjirō se prostraram lado a lado. Junna, olhando para eles de cima, exibia um ar triunfante. Os estudantes ao redor começaram a murmurar: “O que está acontecendo?” Eu suspirei e:

“A Sensei que fez, não a Junna.”

—Eu a desmascarei.

A dupla de amigos de infância ergueu a cabeça ao mesmo tempo.

““Hã?”” O sincronismo deles foi perfeito.

“A Sensei… você quer dizer a Akagi-sensei, a ‘Ogro Vermelho’? A enfermeira da escola?”

“É.”

“Aquela que tem peitões e é linda, mas tão intimidadora que é inacessível, aquela Akagi-sensei?”

[Almeranto: Mas que belas descrições, dignas do ser chamado Yōjirō.]

“Sim, ela mesma.”

“…Shigure.”

Junna, cuja mentira tinha sido exposta, me encarou de soslaio.

“Você acha que a Sensei tem peitões e é linda…?”

É nisso que você vai prestar atenção? — Suspirei novamente e, enquanto distribuía os palitinhos descartáveis e os pratos de papel que haviam sido preparados:

“Ela tem feito bentos nutritivos e bem balanceados para a Junna todos os dias desde que ela começou a frequentar a enfermaria. As pessoas têm medo dela, mas ela é, na verdade, uma pessoa gentil.”

“…O que é esse tom de voz de ‘eu sou o único que a conhece’? Isso é irritante.”

“Vamos agradecer à Sensei e comer.”

“Ir-ri-tan-te.”

— Paf, paf, paf, paf, paf . Ignorei Junna enquanto ela me batia e comecei a comer.

Yamada pegou um rolinho primavera do andar de comida chinesa e mordeu. Fez um som agradável e crocante.

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“Nossa, de jeito nenhum! O que é isso, está bom demais… Isso não é congelado, é? Tem abobrinha, quiabo, milho e carne de porco… e o óleo de gergelim está perfeito. Que delícia.”

“Flocos de bonito e cream cheese! E o arroz é integral. Como esperado de uma enfermeira escolar, é super saudável. Só de pensar que isso foi feito pelas mãos dela, fica ainda melhor. Bom demais.”

Yōjirō comemorava, fechando os olhos enquanto enchia as bochechas com o onigiri.

[Almeranto: Não lembro se ela é solteira, mas se for casada… Que marido de sorte.]

Peguei um pouco de macarrão frito ao estilo pad thai com camarão, cebolinha, broto de feijão e pimentão do que parecia ser o andar de comida exótica.

“…Junna, você também. Pare de me bater e coma o almoço, tá? Ela teve todo esse trabalho para cozinhar para a gente.”

Falei para Junna, que continuava a me desferir golpes implacáveis mesmo depois de eu tê-la ignorado. O som era mais como um “ploft, ploft” , mas vinha com força e doía. Os olhares de todos ao nosso redor também machucavam.

“A-Aquele desgraçado do Kurimoto… Ele está cheio de melaço!”

“Aquele bento, foi a Amamori-san que fez? Se sim, não vou conseguir manter a minha compostura.”

“ Gwaaaaaaaaaah!? Acalme-se! Acalme-se, meu braço esquerdo! As chamas furiosas do ciúme… vão queimar os meus companheiros não-populares até virarem cinzas!”

—Isso não é estar cheio de melaço, eu só estou apanhando, e a Junna não fez o bento. E parem de ter crises de chuunibyou em pleno ensino médio.

“…Você gosta da Sensei, não gosta, Shigure?” Junna resmungou, pegando um sanduíche de rosbife do andar de comida ocidental.

“Você come o bento dela todo dia com uma expressão de alegria tipo ‘guhehe’… ”

“Eu não faço expressão de ‘ guhehe ’. Eu não sou a Yamada-san.”

“…Então você não está negando as partes do ‘gosta’ e ‘com alegria’?”

“É tão difícil te rebater.”

Se eu errar o foco do argumento por pouco que seja, coisas parecidas com Pontos de Depressão se acumulam.

Yamada, que estava num momento “ guhehe ” decidindo qual prato provar em seguida, ignorando completamente o seu almoço de conveniência, olhou para mim com um “Hã?”

“Não apenas a Junna-chan, mas você também, Kurimoto-kun, come uma comida deliciosa dessas todo santo dia?”

“…Bem, recentemente sim. Meio que aconteceu?”

“Isso é tão injus… Ei! Isso é muito injusto, vocês dois!”

“ Gwaaaaaaaaaah!? Acalme-se! Acalme-se, meu braço direito!”

“Não comece a ter uma crise você também, Yōjirō.”

Mais dois pares de olhos cheios de ciúme agora estavam fixos em nós. Olhei para Junna, que estava com as bochechas estufadas por causa do sanduíche.

“Não tem o que fazer. Preparar o bento era meio trabalhoso. Mesmo que fosse só um extra junto com o da Junna, se alguém se oferecesse para me fazer um bento gostoso desses todo dia, não teria como eu recusar—”

“Higurye. Hyouhi, hehihuho?”

“Vamos tentar engolir antes de falar.”

“… glup … Você sabe cozinhar, Shigure?”

“Sim. Meus pais trabalham fora… então eu e minha irmã dividimos as tarefas domésticas, e eu faço a maior parte da comida.”

Eu costumava fazer o bento da minha irmã também, mas desde que ela entrou na faculdade, tem sido só o meu, e estava virando uma função. Embora, para ser justo, a maior parte era de sobras e eu tendia a depender de comida congelada.

“—Faça para mim.”

Junna se inclinou para perto, com as narinas inflando.

“Faça um bento para mim. Todo dia. Em vez do da Sensei.”

“…………”

Engoli algo que tinha gosto de guioza frito com uma mistura complexa de especiarias e disse:

“Er. Eu provavelmente não sou tão bom quanto você pensa, sabe? O da Sensei é muito melhor tanto em sabor quanto em equilíbrio nutricional — a propósito,”

Olhei de volta para Junna e perguntei:

“Isso é o ‘favor’ da nossa ‘promessa’? Se for, eu faço, mas…”

“Hum…”

Junna hesitou. Ela olhou para baixo e, após pensar por um tempo, “…Não. Esquece,” disse ela, recuando. Ela reconheceu os diversos pratos dispostos diante de si e assentiu.

“Eu também gosto do bento e da comida da Sensei. E se eu for pedir alguma coisa, quero pedir algo ainda mais incrível.”

“Algo ainda mais incrível…”

Fiquei me perguntando o que diabos ela iria pedir. Com uma sensação de apreensão, estendi a mão para um pedaço de frango frito que claramente não vinha de um pacote de comida congelada.

☂

As finais de basquete masculino, o único evento em que nossa turma, a 1-8, havia avançado.

O resultado foi uma derrota esmagadora. O motivo da nossa perda foi…

“ …Urp .”

O péssimo desempenho de Yōjirō por causa da gula. Além do bentô de Akagi, ele também devorou todo o seu próprio lanche sem deixar uma migalha, e seus movimentos estavam claramente lentos, o que levou a uma série de erros.

O ás que havia liderado o time até então acabou arrastando todos para a derrota.

“ Ugh . Pensar que eu iria… Você me enganou, Haruka!?”

“Hã? Você só foi um glutão. Que patético. Que vergonha.”

Depois da partida, Yamada zombou de Yōjirō, que esfregava a barriga ligeiramente protuberante.

Durante o almoço, quando ela alimentou o já cheio Yōjirō com um “Aqui, abre a boquinha…”, não tinha sido um momento de carinho, mas uma jogada estratégica.

Após a partida dos meninos, também foi realizada a final feminina, e no vôlei, a turma 1-1, que derrotou a turma 1-4 de Junna, conquistou o título.

E com isso, o festival esportivo havia terminado… ou não.

Ainda havia um último evento depois do basquete e do vôlei: “Dodgeball Misto”.

Era um evento divertido jogado com doze jogadores de cada lado, seis meninos e seis meninas.

[Almeranto: Pôôô, eu AMAVA queimada na minha época de Fundamental e Médio, não querendo me gabar, mas eu era muito bom. Conseguia agarrar e desviar da maioria das bolas por conta das minhas habilidades de goleiro.]

Os meninos eram proibidos de usar a mão dominante, e supostamente deveria ter um clima mais brincalhão do que competitivo… ou pelo menos era o que deveria ser.

“Matem… Kurimoto, matem.”

“Estava esperando por isso. O momento em que posso te esmagar abertamente!”

“Você ficou se exibindo esse tempo todo, não foi!? Vou te dar um exemplo público!”

“Mirem no rosto. Assim conta como ‘Safe’ e podemos machucá-lo o quanto quisermos.”

“ Heh heh heh. Agora é a hora de liberar o poder selado no meu braço esquerdo!”

[Almeranto: Temos um Yuuta aqui?]

“ Hyahahaha! Vai chover… sangue!”

─O desejo assassino dos alunos do sexo masculino era intenso.

“Força, Shigure!”

“Faça o seu melhor, Kurimoto-kun!”

“Vou recolher seus ossos depois, Shigure… urp .”

Torcidas vinham da galeria.

Deixando de lado Yōjirō, os gritos de incentivo de Junna e Yamada só serviam para jogar mais lenha na fogueira do desejo assassino.

Em pé no centro da quadra, eu suava frio.

“Eu… não deveria ter feito isso…”

Me arrependi, mas já era tarde. Joguei pedra-papel-tesoura com os meninos do time adversário, que me encaravam com olhos injetados, e venci, recebendo a bola.

“B-Bom, não tem jeito.”

Soltei um suspiro, me preparei e encarei de volta os homens alinhados à minha frente.

“Se é assim que vocês querem jogar─”

O apito sinalizando o início da partida soou.

Eu girei o corpo com a bola, tomei impulso e,

“Venham! Vamos nessa!”

Arremessei a bola com toda a minha força.

─Dez minutos depois.

Uma bola arremessada pelo garoto chuunibyou acertou meu rosto em cheio.

“‘Vou destruir essa sua juventude’!”

“ Guh!? ”

O impacto me fez cambalear para trás, e a bola voou alto no ar.

“Safe!” gritou um companheiro de time que fez uma bela recepção.

“Você ainda aguenta!? Aguenta firme, Kurimoto!”

Outro companheiro segurou meu corpo que desabava e me encorajou. Ambos eram meninos.

“…V-Vocês…”

Eu, que já havia sido acertado no rosto várias vezes, limpei o sangue dos lábios e cuspi.

“Na verdade vocês estão do lado deles, não estão?”

☂

“Sh-Shigure!”

Junna correu até mim enquanto eu era carregado em uma maca.

[Almeranto: Minha reação sincera: Porr@!? – O cara levou tanta pancada que foi acamado kkkkkkk.]

“Você está bem!? Shigure…”

“…Estou bem. Isso não é nada, só um ferimento leve─ Ugh!? ”

Uma chuva de lágrimas caiu sobre meus olhos, e eu gemi. Quando pisquei e os abri, a luz havia desaparecido das pupilas de Junna.

“─Não vou perdoar eles.”

[Del: Ih.]

As lágrimas que transbordavam pararam, e uma aura escura e sinistra começou a subir de todo o seu corpo ─ ou pelo menos era o que parecia. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Junna girou nos calcanhares.

“Matar.”

A voz que saiu era baixa, pesada e gelidamente fria. Seu olhar estava fixo nos meninos do time adversário, que comemoravam a vitória.

“Vou massacrar todos eles.”

☂

A partida final do festival esportivo, a final de dodgeball misto.

A batalha entre a turma 1-7, que havia derrotado completamente nossa turma 1-8 na primeira rodada, e a turma 1-4, de Junna, foi completamente unilateral.

“D-Desculpa! Foi culpa minha, então por favor me perdo─ Gah!? ”

“O que é esse olhar… Assustador. Meu corpo congelou, não consigo me mex─ Gyaaah!? ”

“É um demônio! Um demônio desceu!─ Gyehh!? ”

“P-Por favor para! Não no rosto, de novo não─ Guhh!? ”

“A-Acalme-se! Por favor!─ Gugaaah!? ”

“Nos rendemos! Nos rendem─ Abeshi!? ”

Como se quisesse poupar sua estamina, Junna, que havia se concentrado em “fugir” nas partidas anteriores, entrou em frenesi e eliminou sozinha todos os seis meninos.

Com uma expressão vazia. Mas em seus olhos habitava uma raiva feroz e ódio.

As meninas do time adversário se encolheram juntas, tremendo de medo diante da intensidade dela, e os alunos que assistiam à partida também estavam aterrorizados.

“…Nunca mais,” disse Junna, com a voz baixa e rouca, falando pela primeira vez durante a partida.

“Não ousem machucar Shigure de novo─”

Como se estivesse alertando não apenas seus oponentes, mas todos no local.

“─Entendido?”

Ela disse com uma voz baixa e pesada, abrindo um sorriso.

Um sorriso radiante e deslumbrante.

Mas seus olhos, apenas seus olhos, estavam escuros e não sorriam.

“““““Sim.”””””

As vozes chorosas dos meninos se sobrepuseram. As meninas restantes ofereceram sua rendição, e o apito soou, sinalizando o fim do massacre.

“A vencedora do torneio de dodgeball misto é a turma 1-4!”

O som de um anúncio distorcido ecoou. A expressão de Junna havia voltado ao normal, vazia, e ela estava parada ali, segurando a bola com as duas mãos.

Ela olhou ao redor para o ginásio silencioso e para os alunos com olhos sonolentos e, “………………” baixou a cabeça.

Sua pegada na bola apertou. Naquele instante, “Amamori-saaaaaan!” uma de suas colegas de turma na quadra correu até Junna e a chamou animadamente.

Era a garota alta que havia marcado vários spikes na partida de vôlei e também fora uma grande contribuinte até a final no dodgeball.

“Ótima partida. Você foi super legal!”

“…!?”

Junna ergueu o olhar, os olhos arregalados. Como se aquilo fosse o sinal, os alunos da turma 1-4 explodiram em vivas e se reuniram ao redor de Junna.

Junna se encolheu, mas foi rapidamente cercada e não conseguiu escapar. O ginásio também explodiu, e aplausos caíram como uma chuva repentina.

Suas colegas começaram a falar com ela todas ao mesmo tempo.

“Você foi incrível. Também foi ótima no vôlei, mas…”

“Amamori-san, você também é boa em esportes!? Cérebro e força, beleza e talento!”

“…Uh… hum…”

“Derrubar todos os caras sozinha é insano! Você é demais, Amamori-san.”

“O MVP do festival esportivo tem que ser a Amamori-san!”

“…Uh, hum…”

“Vamos jogá-la para o alto, vamos jogá-la!”

“─Vocês só estão dizendo isso pra poderem tocar na Amamori-san, né, meninos? Vamos fazer só com as meninas!”

“…Eh? N-Não… Parem…”

“Preparaaar, já!”

“Upa!”

“Upaaaaaaaaaaaa!”

“~~~~~~~~~~!”

O corpo de Junna era jogado para o alto repetidamente no ritmo do canto.

Junna se encolhia como se estivesse assustada, e sua expressão estava visivelmente tensa mesmo de longe, mas─ quando o arremesso terminou e ela foi colocada de volta no chão, parecia que já havia se acostumado um pouco.

“Você fica séria quando seu namorado se machuca, então na verdade você é bem apaixonada, né, Amamori-san…?”

“Ele não é meu namorado. …Ainda .”

“ Ainda? Ah… entendi, entendi.”

“Conta mais sobre isso.”

“Eu também, eu também! Estou super curiosa.”

“…Não me importo. Mas se eu começar a falar sobre o Shigure, não paro por três dias e três noites, sabiam?”

“Não pode ser, isso é tempo demais. Até lá já vamos estar nas férias de verão!”

“Também tenho gravações das nossas conversas. Conversas que vão mostrar o quão próximos somos.”

“Gravações!? Você está brincando, né, Amamori-san… com essa cara séria.”

“Você é uma garota interessante.”

“Escuto isso bastante.”

Antes que eu percebesse, comentários espirituosos saíam da boca de Junna, e sua expressão havia suavizado.

Um sorriso tímido floresceu em seu rosto. Um sorriso arco-íris que eu queria ver mais ─ um sorriso que eu queria que ela mostrasse apenas para mim.

Eu quero fazer amigos.

Quero me encaixar na minha turma.

Quero mudar.

Testemunhando a cena em que os desejos dela se tornaram realidade.

“Junna…”

Senti alívio e alegria, e ao mesmo tempo─

“A Jun-chan está bem popular agora, né?”

“…………É.”

Era como ver uma banda indie que você apoia desde o começo de repente fazer um grande sucesso e virar uma banda famosa de grande gravadora.

Não pude evitar sentir uma pontada de solidão.

—Almeranto: Que baita capítulo, hein minha gente. Dei altas risadas com esse daqui. Acho que o mais me prendeu até agora.

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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