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Capítulo 4: Afogando-se em um Verão Vívido

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 4: Afogando-se em um Verão Vívido

Parado junto à porta do vagão, eu ouvia música nos meus fones de ouvido enquanto observava o céu de um azul vibrante e as nuvens cúmulo-nimbo passando pela janela do trem. “Ao to Natsu”, do Mrs. GREEN APPLE — até mesmo um cínico como eu escolhe uma canção direta sobre a juventude como essa de vez em quando.

Não que eu estivesse mal dois dias atrás, quando chamei a Junna para sair depois da aula e ela me deu um fora daqueles, dizendo: “Vou sair com o pessoal da minha sala hoje,” e depois tenha ficado todo bobo ao receber uma mensagem alegre dela — e que agora meu coração estivesse martelando de ansiedade pelos nossos planos de hoje, ou que eu estivesse me deixando levar nem nada do tipo.

O tilintar de um sino de vento ecoou na minha mente, e meu celular vibrou no bolso.

[JUN: “Desculpa, acho que vou me atrasar!”]

[Shigure: “Isso é raro. Beleza.”]

Assim que respondi, o trem chegou à nossa estação de destino e as portas se abriram. Uma onda de calor envolveu meu corpo, e o cheiro de concreto quente invadiu meu nariz.

O cheiro de um verão em Tóquio.

“…Calor.”

—Linha Tokyu Toyoko, Estação Naka-Meguro. Esta deve ser a primeira vez que desço aqui.

É uma região conhecida por ser o lar de muitas celebridades, e um arranha-céu de 45 andares se erguia sobre a estação, olhando de cima para os reles mortais. Fiquei me perguntando se ela morava ali… enquanto descia as escadas e começava a andar.

Quando passei pelas catracas, me vi sob a sombra dos trilhos elevados, o que por algum motivo me fez lembrar de Junna, e não pude deixar de dar uma risadinha. O ponto de encontro era em frente a uma livraria estilosa, com paredes de vidro.

Tirei meus fones de ouvido e estava prestes a enviar uma mensagem dizendo “Cheguei” quando:

“D-Desculpa o atraso!” alguém me chamou. Ergui os olhos do celular e:

“Ah. Eu acabei de chegar tam—”

Minha voz sumiu.

“…Shigure?”

Uma blusa branca translúcida com mangas bufantes e uma saia evasê na cor lilás. Nos pés, sandálias com um visual fresco, e as unhas dos pés pintadas de um roxo-azulado.

A garota linda, que parecia uma jovem de boa família, estava diante de mim e perguntou com um olhar tímido de baixo para cima.

“Você está… bravo porque eu me atrasei?”

“N-Não.”

Respondi àquela garota deslumbrante — Junna — coçando a bochecha.

“Não estou bravo. Ainda faltam cinco minutos para o horário. Eu só fiquei surpreso porque você está vestida… diferente do que eu esperava.”

“………………Está estranho?”

“De jeito nenhum. Ficou ótimo em você.”

Comparado à última vez, quando ela estava com um visual mais despojado, desta vez ela parecia muito mais feminina. Quase não havia aquela vibe punk. Mas combinava perfeitamente com ela.

“Você pintou as unhas.”

“Sim. Só por causa das férias de verão. É a mesma cor das minhas mechas internas, uma hortênsia fora de época.”

“Ficou bonito. É a sua cara.”

“Mhm…” Junna sorriu e se mexeu, meio sem jeito. Então ela me analisou de cima a baixo com atenção e:

“…Você também, Shigure. Ficou super, super, super, super bem em você,” disse ela. Eu estava vestindo uma camiseta azul-clara com calças jogger de sarja azul-índigo. Nos pés, meus tênis brancos favoritos, e trazia uma bolsa sacoche preta atravessada no peito.

“Você gosta de Aerosmith, não gosta?”

“Stan Smith. É raro você citar uma referência de música ocidental… Que tipo de coisa você escuta desse lado?”

“Nirvana, Radiohead, Nine Inch Nails. Gosto de Kurt Cobain, Thom Yorke e Trent Reznor.”

“Entendi. Basicamente, a versão ocidental de rock depressivo.”

“Hum… agora que você falou, talvez? Eu não pensava nisso conscientemente.”

Debaixo dos trilhos elevados e escuros. Em uma cidade desconhecida, mantendo a mesma conversa de sempre. Era estranhamente reconfortante e calmante. Até mesmo a brisa morna, impregnada com o cheiro de fumaça de escapamento.

“Ainda assim, Naka-Meguro. Você mora num lugar bom… O aluguel deve ser bem caro, né?”

“É. Mas a minha agência cobre uma parte, e o acesso é fácil. A Sensei mora aqui por perto também.”

“Ah, é?”

Como esperado da ex-vocalista de uma banda super popular. Não seria de se estranhar se Akagi morasse naquele arranha-céu, mas ela é apenas uma enfermeira de escola agora, então provavelmente não.

“…É. Enfim, vamos. Está calor.”

Junna começou a andar e abriu uma sombrinha.

—Está ensolarado, mas ela está usando um guarda-chuva?

“É uma sombrinha para o sol.”

A sombrinha que Junna havia aberto era do mesmo roxo-azulado que o guarda-chuva que ela usava em dias de chuva, mas em um tom ligeiramente mais claro e com detalhes em renda nas bordas. Combinava com a roupa dela e, segurando aquilo, ela parecia exatamente uma boneca. Suas vestes eram tão glamourosas que até as pessoas da cidade, que provavelmente estavam acostumadas a ver celebridades, não podiam deixar de se virar para olhar.

“Quer entrar?”

“…Não, obrigado.”

“Vamos, vem.”

“Dividir uma sombrinha de sol é meio…”

“ Entre .”

“Isso foi uma ordem!?”

Enquanto conversávamos como uma dupla de comédia, seguimos em direção ao nosso destino.

Hoje, logo no início das férias de verão, seria o “encontro em casa” que Junna havia pedido.

☂

[JUN: “Quero que você venha aqui em casa cozinhar para mim!!”]

Esse tinha sido o pedido de Junna. Como era uma promessa de conceder um desejo, não importava o que fosse, um “sim” era a única resposta permitida.

No entanto, para mim, que estava me preparando mentalmente, imaginando “algo ainda mais incrível”, meu sentimento sincero foi: ‘É só isso…?’

Dito isso, era uma visita à casa dela. À casa de uma garota que morava sozinha.

Por causa disso, mal consegui pregar o olho ontem à noite. Prendi um bocejo enquanto eu e Junna passávamos pelas portas automáticas.

O ar fresco trazia um aroma familiar. Um cheiro que eu amava tanto quanto o de uma livraria: o cheiro de um supermercado.

“…Shigure. Você já decidiu o que vai comprar?”

Perguntou Junna, segurando uma cestinha. Abri o aplicativo de notas no meu celular e respondi:

“Tente adivinhar o que vou fazer olhando os ingredientes que eu escolher.”

Comecei a procurar pelas coisas escritas ali.

A primeira foi repolho.

“Carne de porco com gengibre.”

“…Dava para não adivinhar em um segundo?”

Suspirei e peguei um pouco de gengibre. Gengibre fresco, da estação.

“Bom,” Junna murmurou, “repolho significa picado, e repolho picado significa carne de porco com gengibre… Achei que você gostasse de coisas exóticas, Shigure, mas sua culinária é bem tradicional.”

“…Você não gosta?”

“Não. Eu gosto.”

“Viu? Eu gosto de pegar os clássicos e dar um toque diferente.”

Comecei a colocar os ingredientes na cesta. Broto de feijão, mioga, folhas de shisô, broto de rabanete, cebolas—

“Você vai usar panceta de porco?”

“Lombo ou retalhos serviriam, mas desta vez vai ser essa.”

Coloquei a carne de porco em fatias finas na cesta que Junna segurava e deixamos a seção de produtos frescos.

“Você tem todos os temperos básicos, certo?”

“Sim. Eu peço para alguém vir cozinhar para mim às vezes…”

“A Akagi-sensei? É muita bondade dela.”

“Não mencione o nome de outra mulher durante o nosso encontro.”

“Isso é muito injusto nesse contexto!”

“Dona de casa… ou melhor, esposa? Fazendo compras assim juntos, parecemos um casal. É como se estivéssemos morando juntos.”

“Pode ser.”

“Essa resposta foi bem desanimada. Mais dez mil Pontos de Depressão.”

“Os números estão ficando absurdos. E faz tempo que isso não vinha à tona.”

Virei o rosto, fingindo procurar alguma coisa. Queria que ela não dissesse coisas como “parecemos um casal” ou “como se estivéssemos morando juntos” de forma tão desavergonhada.

“…Humph.”

Junna bufou, fazendo o som de propósito, e se afastou. Peguei uma lata de milho e me apressei atrás dela.

“Ei, espera! Não leve a cesta!”

“—Esta.”

Onde ela havia parado, Junna tinha pegado uma escova de dentes azul.

“Para você, Shigure.”

“A gente já está morando junto!?”

“Você vai querer escovar os dentes depois de comer, não vai?”

“…Bem, sim.”

“E a outra coisa que precisamos para morar juntos é—”

“Não se precipite. Não é como se estivéssemos nos mudando agora.”

“— Agora? Hum.”

“O-O que foi…”

“Menos vinte mil Pontos de Depressão.”

“Já disse, a oscilação das suas emoções é grande demais.”

Enquanto mantínhamos essa conversa, conseguimos reunir todos os itens de que precisávamos. No entanto, Junna já estava andando pela loja há algum tempo, olhando ao redor de forma inquieta.

“O que você está procurando?”

Perguntei, e ela se virou. Ela me disse com a cara mais séria do mundo:

“Preservativos.”

“…!? Você—”

Bem naquele momento, um jovem casal, provavelmente estudantes universitários, passou por trás de Junna.

Ao passarem, o homem olhou para Junna com uma expressão de surpresa, e a mulher deu uma risadinha, como quem diz: “Nossa…”.

O rosto de Junna, até as orelhas, ficou vermelho como um pimentão.

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“E-E-E-E-E-E-Eu estava só brincando!” disse ela, alto o suficiente para o casal ouvir, e caminhou em direção ao caixa de cabeça baixa. Enquanto eu observava sua saia na altura do joelho balançar e sua silhueta se afastar:

“…Ela se autossabotou. Serve de lição.”

Dei um sorriso irônico e retribuí o aceno de cabeça do casal, que olhava para trás em nossa direção.

☂

“As cerejeiras ficam lindas na primavera.”

Depois de terminar as compras no supermercado, caminhamos lado a lado ao longo do Rio Meguro. As folhas verdes e viçosas das cerejeiras, balançando acima de nossas cabeças, traziam o aroma do verde profundo com o vento.

“Vamos voltar quando as cerejeiras estiverem floridas, tá bom, Shigure?”

“Isso ainda vai demorar bastante…”

Ajustei melhor a pegada na alça da sacola de compras, que parecia pesar metade do que deveria, e respondi.

“Bem, claro, por que não.”

“Mm… É uma promessa. Agendamento feito.”

“Você já está se adiantando demais!”

“E eu gravei como prova, só por garantia.”

“…Você está brincando, né?”

Junna não respondeu. Em vez disso, começou a cantarolar uma melodia. O coro de fundo eram os grilos cantando.

Enquanto escutava a melodia que um dia poderia se tornar uma música da YOHILA, comecei a imaginar como estaríamos diferentes na próxima primavera — e então parei.

Parecia distante demais. Era uma sensação de ser sugado pelo céu azul infinito que se estendia além do verde balançante.

Nós, que não podemos voar, estamos fazendo o nosso melhor só para caminhar no chão firme do presente.

“Minha casa fica um pouco longe da estação.”

No momento, eu estava mais nervoso do que nunca. Sobre o futuro que estava bem à minha frente. Sobre o primeiro grande evento da minha vida: visitar a casa de uma garota.

“C-certo… entendi.”

Suor brotava nas minhas palmas.

“É”, Junna assentiu e ajustou a pegada na outra alça da sacola.

“Provavelmente seria melhor ir de bicicleta, mas aí não consigo ouvir música.”

“Verdade.”

“Também não gosto de usar capa de chuva em dias de chuva.”

“É…”

Junna me olhou de lado.

“Shigure? Você parece um pouco desligado… Está com calor? Se estiver, eu abro minha sombrinha─”

“…Não, estou bem. Só estou um pouco sem dormir.”

A sombrinha de Junna estava fechada. Porque eu havia recusado dividir com ela. Mesmo assim, “Hmm… você não conseguiu dormir ontem à noite? Antes da sua primeira vez?”

“Primeira vez indo à casa de uma garota, você quer dizer?”

“Primeira vez entrando em uma garota, no sentido de…”

“O calor fritou seu cérebro!? Suas piadas sujas estão piores que o normal!”

Caminhar carregando uma única sacola entre nós dois era bastante constrangedor. Eu tentei carregar sozinho, mas Junna insistiu teimosamente.

Como resultado, era como se estivéssemos de mãos dadas com a sacola no meio.

Junna olhou para o conteúdo da sacola, onde a escova de dentes azul descansava por cima, e disse:

“Ei, será que a gente não devia comprar camisinha? Num konbini ou algo assim.”

“Caramba, o remédio não está fazendo efeito!”

Eu estava farto, mas quando o assunto era tão direto assim, acabava tendo o efeito contrário: matava o clima e aliviava minha tensão. Quando atravessamos a ponte azul sobre o rio, passamos por um túnel verde e entramos no bairro residencial, eu já havia me recuperado completamente.

“Shigure. Seu corpo está todo corado…”

“É, é, está quente. Vamos ligar o ar-condicionado quando chegarmos na sua casa.”

“Já está ligado. Só falta colocar.”

“Eu, dentro da casa. Me colocar. É, é.”

“Para com esse ‘é, é’.”

“Eu paro quando você parar com as piadas.”

“…Não consigo. Eu morro.”

“Você é um atum que não consegue respirar fora da água…”

“Eu não sou passiva, sabia? Sou bem ativa, provavelmente .”

“É, é.”

“Eu disse para parar com o ‘é, é’.”

“Se você quer que eu pare, pare com as piadas sujas.”

“É, é.”

“Não me devolva o ‘é, é’.”

[Almeranto: Cara, esses dois são pura comédia KKKKKK.]

Continuei respondendo habilmente ao bombardeio de piadas secas de Junna.

O motivo de Junna estar mais falante que o normal provavelmente era porque ela estava tão nervosa quanto eu… pensei com um sorriso carinhoso.

☂

Era um prédio de apartamentos bonito, de cinco andares. A fachada de concreto aparente dava um ar distinto e moderno de design novo.

O apartamento de Junna ficava no canto do último andar. Pegamos o elevador, percorremos um corredor interno com piso elegante de padrão de azulejos e chegamos em frente a uma porta que parecia de hotel.

“Entra.”

“O-Oh. Com licença pela intrusão…”

Segurando a sacola do supermercado, entrei timidamente. O aroma floral de um aromatizador de ambiente fez cócegas em meu nariz. Havia uma porta à minha esquerda e um curto corredor em L se estendia à frente.

“A sala de estar fica à esquerda, e a cozinha e o banheiro ficam no fundo, à direita.”

“…Entendi. Por enquanto, vou guardar as coisas que compramos na geladeira, tá?”

Olhando de relance para o suporte de guarda-chuvas onde descansava um guarda-chuva azul arroxeado, tirei os sapatos e subi.

Um tapete de boas-vindas com Geroppi estava no chão. Realmente parecia a casa de Junna.

“O espaço de trabalho é um pouco pequeno, mas por favor, aguente.”

“Sem problema. Tem duas bocas.”

A cozinha tinha cooktop por indução. Era mais compacta do que eu esperava, mas acho que isso é normal para um apartamento de uma pessoa só. Comecei a guardar as compras na geladeira preta, que parecia nova.

“…Não têm energéticos demais nessa geladeira?”

“Comprei demais quando estava estudando para a prova.”

“Não beba muito disso, tá? Faz mal.”

“Não fala igual à professora…”

Não tínhamos comprado tanta coisa, então guardei tudo rapidamente.

─Pronto. Agora, preciso verificar os temperos e utensílios.

“Vou abrir isso aqui, okay?” avisei, e enquanto remexia nos armários da cozinha, Junna me chamou, com a mão na porta atrás da bancada e uma escova de dentes azul na outra.

“Shigure.”

“Sim.”

“Vou tomar banho.”

“Sim.”

………………Banho?

“Sinta-se à vontade para usar qualquer tempero ou ferramenta que precisar─”

“Espera, espera.”

“…Hm?”

“Não é ‘hm’. Por que você vai tomar banho?”

“Porque suei.”

O rosto de Junna parecia fresco. Ela não parecia ter suado nem um pouco.

“É porque você não me deixou usar a sombrinha, Shigure.”

“Você poderia ter usado sozinha.”

“…………Então, vou deixar com você.”

“Ei, espera! Não─”

Slam, click!

Junna fugiu. Porta fechando e trancando.

Deixado sozinho, cocei a nuca com a mão estendida e resmunguei.

“Só porque é a sua própria casa, você faz o que quer…”

“Shigure.”

Junna falou comigo do outro lado da porta. Eu ouvia o farfalhar de roupas.

“Quer tomar junto? Se quiser, eu destranco─”

“Nem pensar!”

Gritei e liguei o exaustor. Depois, para me concentrar na cozinha, tirei um avental da minha sacoche.

☂

Vestindo um avental bem usado (com um aplique costurado pela minha irmã), fiquei em pé na cozinha.

Na tábua de corte sobre a pia, eu preparava a refeição com habilidade.

Evitando o talo, rasguei apenas as folhas externas macias do repolho em tiras finas. Deixei de molho em água fria para ficarem crocantes, depois misturei com myoga picado, folhas de shiso e brotos de rabanete. Após escorrer a água e colocar na geladeira, o acompanhamento estava pronto.

Enquanto fatiava finamente uma cebola, a água na panela começou a ferver, então adicionei o talo do repolho cortado grosseiramente. O dashi era um shiro-dashi simples. Não me dou ao trabalho de fazer do zero, mas é isso que se consegue com a cozinha descomplicada de um cara.

Os fones de ouvido enfiados nos meus ouvidos soltavam músicas aleatórias de uma playlist.

[Almeranto: Ainda bem que eles estão nos seus ouvidos… | Del: ? Oi?]

─Um deles foi puxado de repente.

Um cheiro forte de sabonete veio até mim. Junna, com um fone só, “‘Kanpeki na Niwa’, do People In The Box… Legal. Eu gosto”, murmurou, compartilhando o som sem pedir permissão. — Não fala “eu gosto” assim casualmente.

Parei de picar o gengibre e perguntei:

“…Isso é sua roupa de ficar em casa?”

Junna, que havia terminado o banho, trocou as roupas de sair por algo mais casual — um moletom azul arroxeado. Na cabeça, um capuz com olhinhos saltados.

“É. Meu Geroppi roomwear favorito. Ribbit, ribbit .”

“É fofo pra caramba!” Piquei o gengibre com total concentração.

O cabelo úmido pós-banho saindo do capuz, a pele ligeiramente corada e as pernas carnudas aparecendo pela barra eram provocantes demais.

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[Del: Óh, tá parecendo um wolf cut.]

“A propósito, por baixo─”

“É short, né? Dá pra perceber sem olhar. Não mostra.”

“…Hmph.”

Metade do gengibre estava picado, a outra metade ralada. Enquanto eu me concentrava na tarefa, Junna fez biquinho. Tirou a mão da barra do moletom e, “A propósito,” — ela espiou pelo lado, como se quisesse bloquear minha visão. — “Não estou de maquiagem.”

Não consigo trabalhar com a Junna desse jeito.

“…O que você acha?”

Desviei o olhar do dela, intenso, e respondi.

“F-Fofa… é.”

“Olha direito pra mim.”

Levei uma bronca, então voltei a olhar.

A pele dela ainda estava bonita, macia e com um leve tom rosado.

Enquanto o cheiro de shampoo e condicionador que vinha dela ameaçava derreter minha razão, consegui forçar as palavras para fora.

“…Você fica bonita sem maquiagem também.”

“Com detalhes.”

“…………Sinceramente, não consigo notar muita diferença. Se tivesse que dizer, você parece um pouco mais jovem? Acho que maquiagem combina com o tipo de roupa que você estava usando antes, e sem maquiagem combina com o tipo de roupa que está usando agora. Então, no final, você é bela dos dois jeitos… Satisfeita? Garota carente.”

“~~~~~~~~~~!”

O rosto de Junna ficou vermelho, e seus lábios apertados tremeram. Como se ela estivesse segurando algo.

No momento em que pensei ‘Ah, ela vai explodir’ ─ Junna baixou o olhar e virou o rosto.

Abana o rosto corado com a mão para se refrescar e me disse com uma voz quase inaudível:

“P-Passou…”

A panela ferveu e transbordou.

“…!?”

Tirei a panela do cooktop às pressas e desliguei o fogo.

“Uwah, por pouco…”

Algo dentro de mim também estava prestes a transbordar.

“D-Desculpa. Me empolguei.”

Junna se desculpou enquanto eu limpava o derramado com um pano, tomando cuidado para não me queimar. Suspirei e coloquei a panela de volta.

“...Francamente. Mas, bom, se você está arrependida, tudo bem. Estou no meio do preparo da comida, então por favor se controle. Principalmente quando estou usando fogo e faca.”

Enquanto esperava o cooktop esfriar, cortei a barriga de porco. Meu coração estava acelerado, e a música que tocava no modo aleatório em um dos fones mudou.

“Mariage”, do Bungei Tengoku─

Junna, que estava olhando para baixo, ergueu a cabeça.

“Shigure…”

Segurando o celular, com a lente e os olhos brilhando,

“─Posso tirar uma foto sua de avental? E um vídeo cozinhando?”

“É, você não está nem um pouco arrependida.”

☂

Levei os pratos prontos para a sala de estar e os coloquei, ainda nas bandejas de estilo café, sobre os jogos americanos. Havia um conjunto completo para duas pessoas, desde as tigelas de arroz até os descansos de hashi.

“Comprei isso caso algo assim acontecesse,” disse Junna, sentada na cadeira da mesa de jantar na sala de cerca de oito tatames, enquanto checava as fotos e vídeos que havia acabado de tirar. “Um conjunto combinando. Escolhi da lista de presentes de casamento populares.”

“…Esqueci de verificar se você tinha pratos para duas pessoas, então isso ajuda bastante. Boa compra.”

Ignorei a parte sobre presentes de casamento. Sentei na cadeira em frente a ela.

Junna ergueu o celular.

“Parece delicioso.”

Depois de tirar uma foto rápida da comida, virou a câmera para mim e disse:

“Shigure. Faz uma cara de ‘recém-casados’ pra mim?”

“Que tipo de cara é essa…”

Enquanto eu olhava exasperado, ela tirou uma sequência de fotos minhas. Por que estava usando o modo rajada?

“…Mm. Obrigada.”

Enquanto eu servia chá de cevada no copo de Junna, “Ei, por que você trocou de roupa de novo?”

“Não troquei. Só tirei o moletom.”

Junna, agora vestindo uma camiseta simples, respondeu enquanto colocava o celular na mesa. Essa era a terceira transformação dela. Será que planejava fazer as sete?

“Quando eu sentei de frente pra você na mesa, senti minha temperatura subindo e fiquei com calor…”

“Você não precisa tirar, pode só abaixar a temperatura do ar-condicionado─Ai.”

Enquanto eu tentava desviar, ela me chutou na canela por baixo da mesa.

Junna me encarou.

“ …Querido . Qual é o cardápio de hoje?”

“Barriga de porco com gengibre, repolho ralado com mix de ervas e sopa de missô com milho e manteiga,” respondi, servindo chá no meu próprio copo.

Esse também era um conjunto combinando de copos. Era difícil notar quando estavam vazios, mas quando servi o chá, as palavras “Esposa ♡” e “Marido ♡” apareceram na superfície de cada copo.

─Não vou comentar sobre isso.

“Adicionei algumas ervas da estação ao repolho, fica mais refrescante e você não enjoa.”

“ Querido? ”

“Usei barriga de porco porque a gordura combina bem com esse acompanhamento. Também adicionei maionese e doubanjiang para variar o sabor. Se você não gosta de picante, pode misturar.”

“ Querido …”

“A sopa de missô com milho e manteiga é exatamente o que parece: sopa de missô com milho e manteiga. É rica e deliciosa. Fica melhor no inverno, mas ainda é boa no verão.”

“Ei, querido ─”

“Para de me chamar assim.”

Não consegui mais segurar e retruquei. Os olhos de Junna se estreitaram, e ela pareceu satisfeita.

“…Shigure. Você está com vergonha?”

“Não estou com vergonha.”

“Mentiroso. Quando você diz ‘não estou’, geralmente está com vergonha.”

“…Vamos comer. A comida está esfriando.”

“Ah, ele está fugindo.”

“Itadakimasu.”

“…Itadakimasu.”

Juntamos as mãos e pegamos os hashis. Observei Junna enquanto fazia isso.

Junna levou a tigela aos lábios e tomou um gole da sopa de missô.

Então, seu rosto normalmente estoico se abriu em um sorriso suave.

“Está delicioso.”

Outra colherada. Desta vez, colocou os brotos de feijão, repolho e tofu na boca e, “Está tão, tão delicioso…” disse ela, saboreando.

Não consegui evitar sorrir também.

Mesmo sem ter provado a sopa de missô ainda, uma sensação quente se espalhou pelo meu peito.

Comemos a terceira colherada juntos.

É. Está bem bom, se posso dizer. — Tentei adicionar a gordura da fritura da barriga de porco e realmente aprofundou o sabor.

“…Tem gosto de felicidade.”

Depois que Junna murmurou isso, começou a cantarolar.

A melodia da “felicidade” que Junna estava sentindo.

Uma melodia doce, e o tempo, fluíam.

“A barriga de porco com gengibre também está deliciosa. Combina perfeitamente com o acompanhamento.”

“Fico feliz em ouvir isso.”

“É como você e eu, Shigure.”

“…É.”

Os ponteiros do relógio avançavam enquanto repetíamos o ciclo de comer, conversar e cantarolar.

E ao mesmo tempo, tenho certeza de que nosso relacionamento também avançava.

Rezei para que o futuro fosse cheio de dias como esse.

“Shigure? O que foi, você está distraído.”

“…Não, não é nada.”

Movimentei os hashis, que haviam parado sem que eu percebesse, e voltei meu olhar.

Nos copos combinando, onde só restava o “♡” no conteúdo diminuído, o gelo derretido tilintava com um som fresco e claro.

☂

Shuko, shuko, shuko, shuko.

Movimentei minha escova de dentes em frente ao espelho. A escova novinha ainda estava bem dura.

Shuko, shuko, shuko, shuko.

Ao meu lado, Junna, vestindo sua roupa de ficar em casa, movia sua escova azul arroxeada do mesmo jeito. O fato de até os pequenos itens do dia a dia dela serem coordenados nas cores de hortênsia mostrava seu forte senso de estilo.

“…………”

Enquanto escovávamos os dentes, nossos olhares se encontraram no espelho.

Nós dois estávamos sem expressão. Senti que perderia se desviasse o olhar, então virou uma espécie de competição de encarar.

Shuko, shuko, shuko, shuko, shuko, shuko, shuko, shuko.

“…………!………”

Foi Junna quem não aguentou primeiro.

Seus olhos se estreitaram enquanto um sorriso se abria em seu rosto, e ela cuspiu a espuma branca que havia se acumulado em sua boca.

Colocou a escova levemente enxaguada de volta no suporte e, com água de um copo também azul arroxeado, bochechou. Kuchu, kuchu, kuchu.

“…………”

Ela não cuspiu de imediato. Em vez disso, enquanto continuava bochechando, me encarava pelo espelho.

Suas bochechas inflavam e desinflavam, alternando de lado. A cena era tão engraçada que não consegui segurar e cuspi minha própria espuma.

Naquele instante, Junna aproximou o rosto do meu por cima da pia e, com um “ npeh ”, lavou minha espuma com a água que cuspiu. Depois, limpou a boca molhada com a mão e,

“Mm.”

Me entregou o copo, que ainda tinha alguns goles de água, enquanto eu enxaguava minha escova.

“Obrigado.”

Coloquei minha própria escova no suporte e bochechei com a água do copo que ela me deu.

Quando levei o copo aos lábios, o incidente na hamburgueria durante nossa sessão de estudos voltou à minha mente, e eu congelei por um segundo ─ mas como não sabia onde Junna havia colocado a boca, decidi não me preocupar e cuspi junto com a água o leve constrangimento que havia brotado no meu peito.

“Shigure─”

Junna me chamou enquanto eu limpava a boca com um lenço que tirei do bolso de trás. Tentei prever o que ela diria em seguida.

“É como se estivéssemos morando juntos. Nós (indiretamente) nos beijamos de novo…”

“Posso pegar esse lenço emprestado?”

“─O que tem pro jantar?”

“Acabamos de almoçar!?”

A pergunta dela foi completamente inesperada.

Balancei a cabeça enquanto guardava o lenço.

“Infelizmente, ainda não pensei no cardápio do jantar.”

Eu havia usado todos os ingredientes que compramos de uma vez. Planejei o menu pensando que seria incômodo para ela se sobrasse comida, já que ela não cozinha para si mesma.

“ Ehhh ”, Junna fez biquinho.

“Seu planejamento é ingênuo demais, Shigure. Quando você vai à casa de uma garota, pernoitar é o curso natural dos eventos. E isso significa, claro, que vamos precisar de jantar… Então, vamos fazer compras de novo, tá?”

“Vou conceder só um pedido.”

Falei com firmeza e me afastei da pia onde as escovas azul e azul arroxeada estavam alinhadas.

Fui até a cozinha e comecei a lavar a louça de nós dois.

Junna me seguiu e ficou ao meu lado. Pegou um pano de prato limpo e, “B-Bom, é verdade, mas… você não quer passar a noite aqui, Shigure?”

“…Não é que eu não queira… Não não não não não não sou contra.”

“Um número par de negativas. Então você ‘quer’? Que jeito indireto de falar. Você é tão fofo, Shigure.”

“Não pensei tão profundamente nisso, e não conta com tanta precisão.”

“Lá vem o ‘não’. Está com vergonha?”

“Não não, não não não não não sou contra.”

“Ímpar dessa vez… então significa ‘não estou com vergonha’, mas você está totalmente envergonhado, né, Shigure? Que fofo.”

“Para com esse ‘fofo’.”

“Eu paro se você passar a noite comigo.”

“Então não precisa parar.”

“ …Hmph .”

Enquanto discutíamos, eu lavava a louça e entregava para Junna. Ela pegava imediatamente e secava com habilidade.

Como se fizesse aquilo há anos.

Uma colaboração bem coordenada.

Depois que Junna caiu em um silêncio emburrado, ficamos os dois quietos por um tempo, mas não me incomodou muito.

O barulho dos pratos, o som da água. Era estranho, formigante e agradável estar imerso nesses sons cotidianos com Junna.

─ Eu realmente não quero ir embora.

O pensamento surgiu de repente na minha cabeça.

“…Fofinho, fofo Shigure-san. Até que horas você vai ficar hoje?”

Junna perguntou. Não sei por que ela estava usando linguagem formal, mas, “Até umas quatro ou cinco da tarde, acho,” respondi.

Eu tinha acabado de lavar toda a louça quando, “Mm, entendi. Então,” Junna pendurou o pano de prato molhado no varal e disse:

“Quer assistir a JUN da YOHILA… trabalhando?”

☂

Fui fisgado direitinho , pensei.

No fundo da sala de estar havia uma porta de correr divisória. Do outro lado, em um quarto de cerca de quatro tatames e meio, havia uma cama além de uma mesa de trabalho.

“Este é meu espaço de trabalho… e meu quarto.”

Lençóis brancos, fronha e edredom azul arroxeado claro.

As cortinas blackout azul-arroxeadas também estavam fechadas, e a luz pálida azul-esbranquiçada do teto iluminava o quarto pequeno.

“É conveniente porque posso deitar assim que fico cansada.”

Enquanto falava, Junna caminhou até o fundo do quarto. Por ter tirado o moletom e trocado por uma camiseta, a parte de baixo que usava ficou exposta, e a barra era claramente mais curta que shorts normais.

Era roupa esportiva, conhecida como dolphin shorts, feita de um tecido solto com fendas nas laterais das coxas para facilitar o movimento.

E aquilo, bem, não era bom para minha saúde mental.

Suas coxas, com não metade, mas dois terços expostos, eram tóxicas para meus olhos.

[Almeranto: Pô cara, não julgo. Eu fico MT sem graça e me sinto estranho quando uma mulher usa roupas que revelam muito as coxas, tipo… não sei pra onde olhar.]

“─Shigure. Você vai assistir, né? Entra…”

Mesmo que eu visitasse a casa de Junna, eu havia resolvido nunca pisar no quarto dela.

E mesmo assim, ser atraído pelo charme da “isca” pendurada à minha frente e morder com vontade, sem pensar duas vezes…

Não era nada menos que um erro grave.

“Fecha a porta.”

“…Não dá pra deixar aberta?”

“Eu sempre fecho, então fecha. Se o ambiente muda, eu me distraio.”

Junna disse, ligando o computador e mexendo no mouse.

“…Entendi,” respondi obedientemente e fechei a porta do espaço de trabalho (e quarto).

Quando me virei para dentro do quarto, Junna, em pé na frente da mesa, estava inclinada para frente, com a bunda empinada na minha direção.

Como havia uma cadeira grande de escritório ali, seu corpo ficava em um ângulo.

“…………Será que você poderia sentar na cadeira?”

Junna me olhou de relance.

“Onde você está olhando? Pervertido .”

“…!? O q─”

“Não para mim. Olha aqui.”

Junna apontou para a mesa com o dedo e sentou. Engoli minha resposta e me aproximei.

Como me foi dito, direcionei meu olhar para a mesa.

Era a primeira vez que eu via o espaço de trabalho de uma musicista.

Um computador de mesa ficava no centro, com caixas de som pretas pesadas de cada lado. O equipamento com uma fileira de pequenos knobs provavelmente era uma interface de áudio.

O teclado estava disposto em forma de L, e embaixo da mesa havia um amplificador e um pedalboard de efeitos. Vários cabos serpenteavam pelo chão, um deles conectado a um microfone fixo em um suporte.

Havia várias guitarras ao longo da parede. Uma guitarra elétrica surf green familiar, uma guitarra elétrica branca e uma guitarra acústica preta.

Um tipo completamente diferente de empolgação de antes agora queimava meu coração.

“…Então é aqui que você compõe e grava as músicas.”

“É. Só as demos no entanto.”

Junna disse, abrindo algum tipo de software.

“Gravo a guitarra com aquele microfone… Também existe um método chamado ‘line recording’ que captura o sinal de som diretamente, e a qualidade fica mais clara e estável. Mas como a YOHILA não faz shows ao vivo, quero que o som seja o mais cru possível, como uma banda de verdade, com o mínimo de sensação digital que eu conseguir. Então, mesmo nas demos, basicamente gravo com microfone só. Acho que um simulador não consegue reproduzir completamente o som e a atmosfera, o ambiente, de um amplificador. É como se o som não tivesse sangue.”

As palavras saíam em rajada, típico de otaku. Tinha partes que eu não entendia completamente, mas, “Você é bem exigente com isso.”

“…É. Meu amor pela música também é pesado.”

Junna respondeu, com os olhos ainda na tela do computador. Seu perfil sério me fez perceber mais uma vez que ela realmente era a JUN da YOHILA.

“Pode ser que eu precise me concentrar um pouco?”

Junna perguntou, pegando um par de fones de ouvido que estava pendurado em um gancho.

Eram com fio, não sem fio, e de uma marca diferente. Provavelmente usava fones diferentes para produção musical e para ouvir casualmente.

“Claro,” assenti.

“Pense em mim como ar e foque no seu trabalho.”

“Ar… é. No sentido de que eu morreria sem ele, sim. Mas se você fica parado tão perto, é impossível não te notar.”

Junna disse casualmente.

“A cama. Senta aí.”

“Tá bom.”

Obedeci às instruções dela mais uma vez e fui para o outro lado da mesa.

Não sei. Me sinto patético por ter me empolgado tanto e entrado no quarto onde a Junna dorme. Ser fisgado tão facilmente…

“…………”

Junna, sem prestar nenhuma atenção em mim sentado na cama, estava virada para o computador.

Fiquei observando sua forma dedicada e sincera.

Não como ar, mas como uma obra de arte.

A garota que parecia tão próxima há pouco agora parecia incrivelmente distante.

☂

Cerca de uma hora depois de começar a trabalhar, Junna se espreguiçou com um “ Mmm… ”.

Tirou os fones de ouvido, levantou-se e começou a fazer alguns alongamentos leves.

Sem nem olhar para o celular, eu, que havia observado atentamente seu trabalho o tempo todo, comentei:

“Bom trabalho… Sabe, é meio…” Depois de uma leve hesitação, “Surpreendentemente mundano, né?”

Falei minha impressão honesta. Junna, sem parecer ofendida nem um pouco, “É. Eu só fiquei cortando, colando e organizando as coisas aos poucos no DAW.”

“DAW?”

“Digital Audio Workstation. É um software para compor música no computador.”

“Entendi.”

De fora, parecia que ela só ficava clicando o mouse na frente do computador.

De vez em quando ela estendia a mão para o teclado MIDI, mas só dava umas batidinhas como se confirmasse algo e voltava imediatamente para o mouse. Era trabalho totalmente de mesa.

“Deve ser cansativo ficar sentada o tempo todo.”

“É. Estou tão cansada… Então,” Junna virou-se para mim.

“Massagem.”

Seus olhos refletiam a luz do quarto e brilhavam.

“─Por favor?”

“Hã?”

Eu já tive um mau pressentimento desde o momento em que ela disse “então”. Junna se aproximou de mim enquanto eu estava sentado na beira da cama. Com uma expressão vazia, mexeu os dedos.

“Posso ser eu que faço, se quiser. Eu te toco e recarrego minha energia…”

“Espera, espera, espera, espera!”

Com a parede atrás de mim, eu não tinha por onde escapar, então estendi as duas mãos para detê-la.

“Isso está indo rápido demais! Se você está cansada, tem energético na geladeira─”

“Você disse que eram ‘ruins pra mim’, Shigure.”

“Você pode só deitar e descansar─”

“Não. Você esqueceu?”

Junna segurou minhas duas mãos e as afastou, aproximando-se ainda mais. O cheiro forte de sabonete me lembrou do incidente do banho, e prendi a respiração.

“A promessa.”

“…!”

Lembrei da conversa que tivemos antes da prova.

“Se eu for melhor que o Kuzujirou, quero uma massagem.”

“…E eu que vou dar?”

“Tanto faz. Eu te tocando ou você me tocando.”

─Isso mesmo.

Eu tinha esquecido completamente depois de cumprir a maior promessa de “fazer uma coisa, seja o que for”, mas ainda restava essa.

Trazer isso à tona justo agora… Você é estratégica demais, Amamori Junna.

“O que você vai fazer?”

A pegada dela nos meus pulsos apertou.

“Vai fazer a massagem? Ou vai receber?”

Não havia escapatória, nem física nem mental. Promessa é promessa.

“Shigure.”

Revisei meus pensamentos mais uma vez.

Junna realmente me atraiu para esse espaço como uma armadilha, e eu caí direitinho. Como uma predadora que capturou sua presa, Junna deu um sorrisinho.

“Escolha.”

☂

Fazer massagem em Junna, ou ser massageado por Junna. Diante de um dilema tão definitivo, eu escolhi─

“…………Fica nas suas mãos.” a segunda opção, ‘ser massageado’. Achei que ser tocado seria menos danoso do que tocá-la. Ao ouvir minha resposta, Junna soltou minhas mãos com um “Mm.”

“Deita de bruços.”

“…Não dá pra fazer no sofá? Na sala de estar.”

“Não. Na cama, de bruços,” ela ordenou num tom que não admitia discussão, e afastou o edredom para o lado da parede.

“Tá bom,” respondi, e deitei de bruços na cama com relutância.

O colchão era macio e fofinho, e tinha um cheiro doce, que não era de sabonete nem perfume.

“Pode usar o travesseiro, sabia?”

“…Vou passar.”

Usei meu próprio braço como travesseiro e virei o rosto para a parede.

Nossos olhares se encontraram. Um Geroppi de pelúcia na cor de hortênsia e eu.

Era bem grande. Fiquei imaginando se Junna dormia abraçada com ele — e então afastei a imagem que começou a se formar na minha cabeça.

“ Nnsho… ”

A cama rangeu e afundou. Logo em seguida, “ Peron .”

Junna levantou a barra da camiseta que eu estava usando. E antes que eu pudesse me surpreender, Junna montou na minha lombar exposta.

Suas coxas frias e nuas tocaram minha pele e se apertaram. Como era contato direto, eu sentia a sensação crua.

“Quê─!? Ei─”

“Não se mexe, não se mexe.”

Junna deu tapinhas nas minhas costas se contorcendo como se quisesse me acalmar. Depois, as acariciou.

“Tá tudo bem. Vou ser gentil…”

Mesmo por cima da camiseta, a estimulação era mais que suficiente. Amaldiçoei a finura do tecido, consequência das roupas de verão.

“Relaxa.”

Como se eu conseguisse! — Quase gritei, mas segurei. Senti Junna rindo baixinho.

O número de mãos acariciando minhas costas aumentou, e gradualmente ela começou a aplicar pressão.

“Vou te soltar,” anunciou, e a área que ela mirou foram meus ombros. Pressionou a parte interna das escápulas com as almofadas dos polegares, aplicando força. Como se quisesse colocar ainda mais pressão, apertou minha cintura com as coxas.

“…Shigure. Está gostoso?”

“Mm. S-Sim…”

“Que bom. Está gostoso pra mim também.”

“…‘Pra mim também’? Que frase é essa? Não me diz que você está gravando isso de novo pra usar depois — Ai!”

Ela pressionou um ponto no meu ombro como se fosse arrancá-lo. Girando.

“Para cada resposta atravessada, a massagem fica mais forte.”

“E-Ei, você! Não faz o que quer─”

“…Nn, fu… Nnuh.”

“Para de fazer esses barulhos estranhos quando força!”

Os olhos pretos e redondos do Geroppi refletiam minha forma gritando.

Junna continuou a massagem, não só com os dedos, mas também amassando com as palmas e aplicando o peso do corpo. Talvez por não estar acostumada, seus movimentos eram um pouco desajeitados, o que era tanto fofo quanto agradável.

“Você é bem musculoso, né?”

Junna murmurou, amassando meu bíceps.

“Mesmo sendo tão magrinho.”

“…Eu treino num clube esportivo.”

Respondi, meio sonolento pela sensação agradável, já acostumado com a estimulação.

“Eu malho bastante…”

“Mm, você é do time de atletismo, afinal.”

Ela me massageou em ordem, do braço superior até o antebraço, da palma até os dedos, e, “Sua parte inferior deve ser ainda mais incrível.”

[Almeranto: Calma aí paisão, ele nem tirou a roupa ainda. | Del: Atletismo, o foco dele ainda é as pernas.]

Junna disse baixinho.

Percebi um tom ominoso na voz dela e fui arrancado da beira do sono.

“─Junna?”

“Mudando de posição. Para massagear a parte inferior… Vou virar.”

Naquele instante, o peso na minha lombar desapareceu, e suas coxas deixaram minha pele. A cama rangeu, e o ar doce e parado fluiu.

“ Nn… sho… ”

Minhas costas foram esmagadas com um baque.

Meu fôlego ficou preso na garganta. Unhas pintadas de azul arroxeado passaram pelo meu campo de visão, e um par de pernas brancas bloqueou a vista do Geroppi. Junna, montada em mim, havia girado 180 graus.

“…!?”

O bichinho de pelúcia em forma de sapo desapareceu da minha vista, e meu campo de visão foi preenchido pela pele dela, das panturrilhas até os pés.

Essa posição era ruim por vários motivos.

A bunda dela, que estava na minha lombar até pouco antes, agora estava nas minhas costas. Como eu estava de bruços com a cabeça virada para o lado, as pernas nuas dela estavam bem na frente dos meus olhos.

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“E-Ei! Junna─”

“─Ah.”

Levantei instintivamente a cabeça para olhar para trás ao mesmo tempo em que Junna soltou um pequeno grito.

A porta divisória do quarto estava aberta, e uma mulher estava parada ali.

“Vocês dois…”

Um tricô vermelho sem mangas, jeans preto rasgado. Ela não estava usando máscara. Akagi, com roupas casuais, sorriu, com os cantos dos lábios pintados de vermelho erguidos.

[Almeranto: Quando eu li sem saber quem era, eu pensei: Oxi? Invasão de propriedade? — Mas era a Akagi.]

“Não liguem pra mim.”

Ela abaixou os óculos de sol levemente escuros que segurava com o dedo e, “─Continuem?”

“Entendido, Sensei.”

“Não entendeu! Não, não pode!? Não posso!”

As palavras de Akagi foram seguidas pela resposta de Junna e meu protesto.

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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