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Capítulo 5: Melancolia, Ressoando Brilhantemente na Chuva

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 5: Melancolia, Ressoando Brilhantemente na Chuva

Na semana seguinte, eu me vi visitando Nakameguro novamente.

Estava chovendo — Perfeito para hoje — pensei, enquanto observava o céu nublado e parado, a cidade cinzenta encharcada pela chuva e as gotas carregadas pelo vento, tudo se estendendo além da janela do trem.

A trilha sonora do momento era “Hydrangea & Ghost”, da YOHILA. O contraste entre a guitarra distorcida e o piano cristalino, a letra doentia e a voz linda... não importava quantas vezes eu ouvisse, sempre me fascinava.

O trem chegou à plataforma e as portas se abriram.

O cheiro de chuva, mais forte que o aroma do verão, me recebeu.

Foi na noite em que visitei a casa de Junna que ela me convidou para assistir a uma sessão de gravação da YOHILA.

Embora eu tivesse ficado aliviado por dentro com a aparição de Akagi, também me senti culpado e insatisfeito por ter tido que sair no meio, então respondi com entusiasmo:

“Eu vou.”

Mesmo sem isso, era uma gravação ao vivo da minha banda favorita absoluta.

Não tinha como eu não ir.

Ela provavelmente sente o mesmo...

“Desculpa, esperei muito?”

Debaixo dos trilhos elevados, ergui a mão e cumprimentei a pessoa que havia chegado antes de mim.

Uma garota vestida de forma refrescante: um vestido-camisa listrado branco e azul-claro, botas de chuva curtas em tom de carvalho e uma bolsa transparente no ombro. Seu rabo de cavalo castanho-claro balançava.

“Ah, Kurimoto-kun. Oi”, disse Yamada, acenando alegremente.

O guarda-chuva dobrado era azul pastel. Mesmo em um dia chuvoso, ela parecia luminosa e ensolarada, como um céu azul.

“Cara, esse bairro é realmente estiloso. Até a livraria é assim...”

Ela olhou para trás, para a livraria com paredes de vidro, e coçou a bochecha com a mão em que havia uma pulseira de amizade azul-claro.

Dentro de sua bolsa transparente de verão, havia um livro de bolso (provavelmente uma light novel) com capa xadrez gingham azul.

“Você, por outro lado, está se misturando perfeitamente com esse bairro estiloso. Camuflagem perfeita.”

“Camuflagem, é? Bom, você não está errado.”

Depois de um sorriso irônico, Yamada me olhou de cima a baixo. Camisa polo azul-marinho, calça chino bege afunilada e tênis impermeáveis pretos.

“Você também está bem, Kurimoto-kun. É simples, mas sofisticado...”

“O Yōjirō que coordenou para mim.”

“...Desculpa, talvez eu tenha me precipitado. Ficou um pouco chamativo.”

“Você mudou de opinião rápido demais!”

Era quase uma reação alérgica a essa altura. Mas, na verdade, como não tenho muito interesse nem preferência por roupas, costumo depender da opinião do bem-informado Yōjirō.

“...Bem. Vamos?”

Diferente da bolsa de Yamada, eu abri o fecho do meu guarda-chuva de vinil transparente — não por ser estiloso, mas porque era barato.

“Deve ser uns quinze minutos de caminhada da estação.”

Saí de debaixo dos trilhos elevados. Debaixo do guarda-chuva, Yamada estava inquieta, mexendo as mãos sem parar.

“E-eu estou tão nervosa! Poder assistir à sessão de gravação da JUN-sama, da YOHILA! É uma honra enorme!”

“Sua voz está alta demais.”

☂

O lugar onde chegamos era uma casa independente elegante, com fachada preta sofisticada. À primeira vista, parecia uma residência comum, não um estúdio de música, mas era definitivamente ali.

A página principal do site exibia as capas de álbuns de músicos que presumidamente haviam gravado ali no passado. Entre elas, havia um álbum que eu adorava.

Com certa timidez, tocamos a campainha e esperamos um tempo, ambos tensos.

“Desculpem a espera.”

Quando estávamos prestes a tocar novamente, a porta da frente se abriu e uma jovem nos recebeu.

Minha primeira impressão sincera foi: uma pessoa pequena .

Ela tinha menos de 150 centímetros de altura. Usava um corte bob preto longo com franja reta, e seus grandes olhos redondos nos olhavam de baixo. Até a maquiagem leve e natural parecia deslocada em seu rosto fofo de bebê.

Ao meu lado, senti Yamada prender a respiração.

“Vocês são amigos da JUN-san, certo? Por favor, entrem.”

“S-sim...”

“C-c-c-com licença!”

Yamada, você está gaguejando demais.

Enquanto dobrávamos os guarda-chuvas, tirávamos os sapatos e calçávamos chinelos, a mulher continuou:

“O primeiro andar é para gravação, e o segundo andar inteiro é um lobby. JUN-san está em reunião com o técnico agora... então, que tal subirmos primeiro? Podemos cumprimentá-la lá em cima.”

“...Sim.”

Enquanto seguia a mulher, olhei para o fundo.

Eu havia verificado a planta antes. Além da porta à prova de som, à esquerda ficavam a cabine de gravação e a sala de controle.

Senti que aquele era um espaço sagrado que pessoas comuns como nós não deveriam pisar — como se o menor som se tornasse ruído. Acabei prendendo a respiração naturalmente.

Também abafei meus passos e subi as escadas o mais silenciosamente possível.

O lobby do segundo andar era um espaço de cerca de vinte tatames, com várias mesas, cadeiras e um sofá. O ambiente, com papel de parede e piso em tom de madeira, seguindo uma paleta de madeira natural e branco, transmitia uma atmosfera suave e tranquila.

“Vocês podem ver o que está acontecendo na cabine do primeiro andar naquela TV e caixas de som ali. No momento elas estão desligadas.”

“O-oh...”

“Isso é incrível.”

Surpreendentemente, não havia mais ninguém além de nós. Talvez estivessem no andar de gravação, ou talvez Junna tivesse limitado o número de pessoas.

A mulher se virou para nós enquanto observávamos o espaço.

“Bem, então vou me apresentar direito.”

Olhando para ela de frente, pensei novamente: ela realmente é pequena...

Sua roupa — uma blusa branca simples de corte e costura com um conjunto formal preto — transmitia a imagem de uma mulher profissional competente, mas...

“Eu sou Kotegawa, representante da agência à qual a JUN-san pertence... e também atuo como sua manager.”

O cartão de visitas que ela entregou com uma saudação educada trazia o nome da empresa “YALEVANA” e o cargo “Presidente e Diretora Representante”. E, escrito nele, o nome Kotegawa Yo.

Yamada, que recebeu o cartão com as duas mãos, começou a tremer.

“E-e-e-e isso! K-K-K-Kotegawa-san, por acaso você não é... não é a...”

Ela engoliu em seco e perguntou:

“A YO-san da... ENDY? A guitarrista.”

“Sim.” Kotegawa sorriu, levando a mão ao peito. Vários anéis de prata se empilhavam em seus dedos. O anel especialmente grosso no dedo médio provavelmente era um Chrome Hearts.

Dentes duplos afiados, de aparência carnívora, apareceram entre seus lábios.

“Houve uma época assim.”

“ Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!? ” Yamada gritou. A persona gyaru desmoronou e a otaku esquisita surgiu.

“E-eu sou muito sua fã! Ouvi todos os seus álbuns! Na verdade, eu tenho todos! Os DVDs dos shows, as camisetas, as pulseiras e um monte de outros itens... Meu Deus, meu Deus. O que eu faço!”

“Ahaha, obrigada.” Kotegawa respondeu com um sorriso, completamente tranquila diante da transformação de Yamada, que parecia prestes a desmaiar de empolgação, com as mãos cheias de anéis bem abertas.

“Quer apertar a mão?”

“Eh, eu vou morrer. Por favor, me mate.”

“Fufu. Então vou ser gentil para você não morrer... aqui.”

“...! Ah... meu Deus... isso é loucura... vou desmaiar.”

“E você? Kurimoto Shigure-san.”

Kotegawa desviou o olhar de Yamada, que estava quase subindo aos céus por causa do aperto de mão, e olhou para mim.

“Ah... sim. Seria uma honra.”

Ela não deveria saber meu nome ainda. E por que o nome completo?

Fiquei confuso, mas, como também era um grande fã, estendi a mão sem hesitar.

Suas mãos pequenas e cheias de anéis seguraram a minha — e imediatamente apertaram como um torno.

“Ai-ai-ai-ai-ai! Isso dói! Dói, sabia!?”

“Obrigada por cuidar da... JUN-san e da Eimi. Fufu .”

Um sorriso. Seus olhos também sorriam, mas o aperto era tão forte que parecia que meus ossos iam estalar. E ainda estava aumentando.

“Ai-ai-ai-ai-ai-ai!”

“...Eimi?”

Yamada parecia confusa.

“Isso é...”

“Yo.”

Uma voz metálica e rouca chamou o nome de Kotegawa.

Talvez ela estivesse na sala de descanso, mas Akagi, segurando uma xícara de café, estava parada na entrada, olhando para nós.

“Não fique com ciúmes de uma criança dessas.”

Akagi, de folga, não estava usando máscara. Uma regata cropped vermelha com calça cargo preta, e por cima uma camisa branca transparente aberta. Um ear cuff prateado brilhava em sua orelha, e um pingente no estilo Chrome Hearts pendia de seu peito.

Kotegawa afrouxou o aperto, soltou minha mão e inclinou a cabeça.

“...Eu não estou com ciúmes, sabia? Pode parar com as acusações falsas?”

“Assim como maquiagem e roupas de adulta, depois de todos esses anos, linguagem formal ainda não combina nada com uma baixinha como você.”

“Vá pro inferno.”

“Opa.”

Akagi desviou graciosamente do soco cheio de anéis que voou na direção do seu rosto.

Tomou um gole do café que quase derramou e disse:

“...Vocês crianças não virem adultos assim, hein. Adultos bárbaros que ficam exaltados e partem pra violência.”

[Del: Baixinha e raivosa, tava com saudade desse estilo. Agora, a Akagi desviou do golpe, tomou um gole de café e ainda deu uma lição de moral… caracas .]

“Eu não estou brava, sabia? É só brincadeira.”

“O jeito como você brinca é de animal selvagem. Se fosse qualquer outra pessoa, estaria morta.”

“Eu não tenho intenção de brincar com ninguém além de você, Eimi, então está tudo bem.”

“Mas comigo não está.”

Akagi olhou com desgosto para Kotegawa, que mostrava os dentes duplos em um sorriso.

Então virou-se para mim e falou:

“Ah, Kurimoto. Desculpa pela semana passada... por ter me intrometido.”

“Não, na verdade você me salvou.”

“E então...”

Ela olhou para Yamada e franziu a testa.

“É uma amiga da escola? Não sei o nome dela, mas parece familiar... Droga. Não esperava que Amamori tivesse uma amiga além do Kurimoto. Inesperado.”

“H-hum! A... Akagi-sensei, certo? A enfermeira da escola...”

Yamada, que estava ofegante como um peixe fora d’água desde que Akagi apareceu, tremia tanto na voz quanto no corpo. Akagi admitiu, como se resignada.

“Sim.”

“E... você é a EIME-san da ENDY, né? A vocalista.”

“...Sim.”

“............ Vou desmaiar... ”

O tremor de Yamada parou. Seus olhos reviraram e seu corpo balançou.

Em seguida, ela caiu para trás. Tinha desmaiado de choque.

Corri para ampará-la.

“Y-Yamada-saaaaaan!?”

“Ai, meu Deus...”

☂

“Haruka-san, o que você está fazendo?”

Junna olhava para Yamada, que estava deitada no sofá, com uma expressão de puro desgaste. A reunião pré-gravação havia terminado e ela veio cumprimentar-nos.

Usava um moletom azul-arroxeado com estampa do Geroppi. Parecia querer ficar confortável, vestindo roupas casuais de descanso.

“Assim como o Shigure, você fica toda empolgada com a Sensei. Traidora.”

“... Ugh . M-mas...”

(Kotegawa) “Tem malícia e mal-entendido no jeito como você fala, não tem?”

(Akagi) “Yo. Não estale os dedos.”

Essa mulher é assustadora.

Kotegawa, repreendida por Akagi, pegou o smartphone com a tela rachada e disse, no tom de uma verdadeira manager:

“—Então, como planejado, vamos começar a gravação às dez horas. Primeiro a guitarra. Depois o teclado. Quando terminarmos ou chegarmos a um bom ponto, faremos um intervalo para o almoço.”

“Sim,” assentiu Junna.

Por sinal, os outros instrumentos, como baixo e bateria, já haviam sido gravados por músicos de estúdio sob supervisão remota de Junna. Por isso, hoje seria apenas para as partes dela.

Estava programado que ela gravaria quatro músicas em dois dias, hoje e amanhã.

“Não é um single?”

“Era o plano inicial, mas acabei compondo bastante, então pedi para lançarem como EP.”

[Del: Um intermediário entre um Single e um Álbum por assim dizer.]

Junna e eu conversávamos perto da janela em frente à varanda, observando a chuva que caía forte.

“Então você estava tirando primeiro lugar nas provas e compondo músicas ao mesmo tempo... Isso é impressionante.”

“Só elogio?”

Junna tirou o capuz que estava usando. Ela me lançou um olhar suplicante, de baixo para cima.

Mesmo consciente da presença das outras pessoas, acariciei a cabeça dela. “ Mm ...” Junna estreitou os olhos, satisfeita.

“Carga completa. Vou lá me apresentar.”

“Certo. Vou ficar assistindo.”

“…………Agora eu fiquei nervosa...”

☂

Yamada e eu assistíamos à sessão de gravação de Junna pela TV.

JUN havia tirado o moletom e estava com uma camiseta de manga curta e shorts dolphin. Estava descalça.

Sentada em um banquinho, ela se inclinava para a frente em uma postura curvada, como se abraçasse sua guitarra elétrica verde-surf. Usava fones de monitor pretos.

Deste ângulo, não conseguia ver sua expressão.

“...Me avise quando estiver pronta”, veio uma voz masculina abafada, provavelmente do técnico.

JUN dedilhou as cordas algumas vezes para checar, e o som saiu pelas caixas de som ao lado da TV.

Não era o som que estava sendo produzido de fato na cabine principal onde JUN estava, mas aparentemente o som vindo de uma cabine menor e separada, onde o amplificador havia sido colocado.

O som do amplificador era captado por um microfone e enviado em tempo real para os fones de JUN, mas o mundo em que ela se imergia devia ser um silêncio pesado, como a calmaria antes da tempestade. Até aquela atmosfera parecia vazar pela tela.

Depois de tirar os fones e colocá-los de volta uma vez, JUN fez um sinal de “OK” com os dedos.

“Okay, take um. Por favor.”

Após o sinal, a faixa pré-gravada de bateria e baixo começou a tocar. Era um som que eu ouvia pela primeira vez.

A guitarra de JUN se sobrepôs a ele. Era a mesma guitarra que Yamada e eu havíamos escutado na sala de AV durante o quiz de introdução. Ao meu lado, Yamada soltou um pequeno “ Fwaah ...”

Meus olhos se arregalaram de surpresa.

Isso não era apenas adição. Era multiplicação.

A guitarra de JUN, que já era avassaladora sozinha, agora cavalgava o groove tempestuoso criado pela seção rítmica — bateria e baixo —, e um se tornava dez, cem.

Eu simplesmente fui engolido. Dominado.

“Isso... isso é incrível...”

“...Isso é incrível.”

Quando a performance terminou, Yamada e eu estávamos atordoados.

Trocamos impressões enquanto, ao fundo, acontecia a conversa técnica entre JUN e o técnico após o primeiro take.

“Caramba, foi realmente... incrível.”

“Isso foi incrível...”

—Meu vocabulário.

“Para nossos ouvidos amadores, pareceu uma qualidade boa o suficiente para um single take, não?”

“Take dois.”

“Take três.”

“Take quatro—”

“…………Ela está gravando bastante, né?”

JUN, talvez insatisfeita, fez vários takes. Enquanto trocava palavras e opiniões com o engenheiro.

“E ela é tão detalhista.”

Não apenas a música inteira, mas partes dela, não apenas uma frase, mas até uma única nota eram repetidas em takes.

“Por que isso?”

“B-bom...”

Enquanto nos perguntávamos, Akagi, que estava sentada a uma mesa um pouco afastada, falou:

“Eles vão emendar depois.”

Kotegawa não estava mais visível. Ela estava na sala de controle do primeiro andar, dando suporte e orientações.

Akagi continuou:

“Eles vão escolher os ‘melhores momentos’ de todos os takes gravados, recortá-los e conectá-los para formar uma música. Todas as faixas dos álbuns que vocês escutam todo dia — a maioria delas são cristais de momentos, feitos de incontáveis instantes reunidos.”

“...Uau!”

Os olhos de Yamada brilhavam com inocência.

“É assim então! Eu não fazia ideia... Nunca tinha percebido.”

“É porque a emenda fica muito suave. Provavelmente você nem conseguiria notar só escutando normalmente. Além disso, o volume, a qualidade do som, a pressão sonora e a posição do som são todos ajustados com precisão pela mão do técnico. Se você pensar nos dados gravados como ingredientes, então a mixagem que os combina é como cozinhar — é um processo tão importante que costuma ser comparado a isso. E a JUN não é uma cozinheira de nível profissional.”

“Por isso” — disse Akagi.

“Ela pediu para um chef de primeira linha finalizar da melhor forma possível os melhores ingredientes que a JUN preparar... As instalações do estúdio, os equipamentos, tudo é de alto nível. Poder gastar dinheiro com esse tipo de coisa é uma das grandes vantagens de estar em uma gravadora major.”

Uma musicista de alto nível como Akagi chamar alguém de profissional de alto nível significava que era, sem dúvida, alguém de verdade.

E JUN, que conseguia reunir ingredientes capazes de fazer esse profissional de elite querer colocar suas habilidades à prova, também era da pesada.

“...Não. Não é isso.”

“Isso é algo que eu tenho meu próprio jeito particular de fazer... então...”

“—Mm. Ah, se essa é sua intenção... Entendi. Vou tentar.”

“…………Ela é incrível. Sério.”

JUN, que conversava de igual para igual com um adulto profissional pelo talk mic, sem recuar nem um centímetro, me parecia impossivelmente grandiosa.

☂

JUN continuou gravando com diligência depois disso, e quando terminou de registrar as partes de guitarra e teclado de duas músicas, já passava das duas da tarde.

Nos reunimos no lobby e comemos o almoço que Akagi havia preparado para nós. Durante esse tempo,

“………………”

Junna permanecia em silêncio. Usava um fone de ouvido preto com fio diferente do habitual e escutava o rough mix. A distância entre ela e eu, sentada ao seu lado, também estava maior que o normal.

“Achei que o cronograma ficaria apertado, mas não houve problema nenhum.”

“Não é? Parte disso foi porque a performance da JUN-san foi simplesmente excelente, mas o Kuma-san é muito confiável. Mesmo sendo a primeira vez que nos encontramos, ele foi ótimo em tirar o melhor dela.”

Kotegawa, sentada diretamente à minha frente, olhou diagonalmente para trás enquanto conversava com Akagi ao seu lado.

Era o técnico, um homem de meia-idade grande e robusto chamado Okuma. Camiseta amarelo-mel, jeans preto e dreadlocks presos em um rabo de cavalo único.

Sua aparência era intimidadora, mas sua personalidade era gentil. Assim como Junna, ele comia os onigiri enrolados em carne que Akagi havia feito, murmurando para si mesmo no sofá com os fones de ouvido.

“A comida caseira da Eimi é deliciosa.”

Kotegawa, também segurando o onigiri embalado individualmente com as duas mãos e saboreando-o, murmurou feliz. Se Okuma era um urso, então Kotegawa era como um esquilo.

“Yo. Tem um grão de arroz na sua bochecha... Você é criança?”

Akagi tirou o grão de arroz da bochecha de Kotegawa e ofereceu a ela.

“Aqui.”

Kotegawa abriu a boca e mordeu o dedo de Akagi.

“ Chomp! ”

[Almeranto: Chomp reference.]

“ Gah!? N-não morda! Seus dentes duplos estão cravando... Ugh!? P-para de chupar!”

“Vocês duas são tão próximas,” comentei enquanto comia meu kinpira.

Yamada, sentada no “lugar de honra” entre mim e Akagi, tinha uma expressão de “ guhehehe ...” no rosto, aproveitando plenamente tanto a comida caseira de Akagi quanto o bate-papo carinhoso entre elas.

“...Mas minha primeira impressão dela foi a pior possível.”

Akagi lambeu o dedo que sangrava e franziu a testa, seu rosto bonito se contorcendo.

“Ela é baixa, mas tem pavio curto e é violenta, o tipo de pessoa com quem menos quero me envolver.”

“Eu também não gostei de você no começo, sabia?”

Kotegawa retrucou imediatamente. Pelo que entendi, elas haviam estudado na mesma escola no ensino fundamental.

“Você era tão distante, não se encaixava. Só porque era uma repatriada meio japonesa, agia como se fosse superior.”

“...Você só estava com ciúmes e inveja. Não era que eu não me encaixava, era que vocês, lixo, estavam afundando.”

“É esse tipo de coisa que você fala, Eimi-chan☆”

Kotegawa retrucou em um tom que parecia terminar com uma estrelinha.

“Você é da Inglaterra, certo?”

À minha pergunta, “Sim. Aliás, isso é extraoficial, mas,” Kotegawa sorriu. “O nome do meio da Eimi—”

“Se você falar isso, nunca mais vou cozinhar pra você.”

“Peço sinceras desculpas. Por favor, me perdoe, Eimi-sama.”

Kotegawa endireitou a postura e baixou a cabeça profundamente. Era um pedido de desculpas de manual de adulto profissional. Vendo o relacionamento delas, minhas bochechas relaxaram, assim como as de Yamada.

Durante esse tempo, Junna mantinha os olhos fechados, concentrada no som que entrava em seus ouvidos.

Um período de silêncio continuou por um tempo.

“...Música é uma coisa maravilhosa, não é?”

Foi Kotegawa quem murmurou para si mesma, sob o som fraco da chuva. Suas palavras foram: “Sem a música, eu não teria conseguido me conectar com a Eimi e com todos os outros tão profundamente, tão intensamente. A música nos conectou.”

Dirigidas à pessoa ao seu lado, à sua companheira que havia abandonado a música.

“Por isso eu amo música.”

É a mesma coisa , pensei.

Foi a música que também me conectou a Junna. Mas, “Você também pensava assim, não é, Eimi?”

Estava no passado.

Tristeza, solidão, nostalgia e melancolia.

Como se quisesse esmagar a tênue esperança contida ali, “...É.”

Akagi respondeu “Há muito tempo” com uma voz seca. Sem qualquer expressão no rosto. Sua figura se sobrepôs à da garota ao seu lado, e senti uma dor aguda bem no fundo do peito.

☂

“Por favor, deixem-me fazer em um único take.”

Depois do almoço. JUN, que havia retornado à cabine principal, declarou isso logo de cara. Sem esperar pela resposta do técnico, Okuma.

“Nas duas músicas, vou colocar tudo no primeiro take, vou derramar tudo... Não consigo fazer um segundo,” anunciou. Sua voz estava baixa, mas o tom era firme.

Não houve resposta imediata de Okuma. Após um breve momento, “…………Entendido.” Okuma respondeu. Sua voz carregava uma tensão, ou talvez empolgação, que ele tentava suprimir.

“Me avise quando estiver pronta.”

Na cabine, eles provavelmente conseguiam se ver por meio da parede transparente. JUN assentiu em resposta às palavras de Okuma e começou a alongar e aquecer.

Ela girou o pescoço, moveu os ombros e soltou os músculos dos braços e das costas. Cantarolou, fez os lábios vibrarem e soltou um som enquanto colocava a mão na barriga.

Como quem afina uma guitarra, ela afinava o instrumento que era sua própria garganta.

Tomou um gole de água de uma garrafa plástica, colocou os fones de monitor pretos que estavam pendurados em seu pescoço e parou em frente a um grande microfone condensador, respirando fundo.

No lobby, assistíamos a JUN com a respiração presa.

Yamada se remexia inquieta.

Akagi estava de braços cruzados.

Kotegawa estava no primeiro andar e não se encontrava ali no momento.

“………………”

De algum lugar, eu conseguia ouvir o som distante de uma tempestade.

O som de um tufão de algum tempo atrás.

Como se segurasse uma palheta, JUN ergueu a mão direita.

Aquele foi o “sinal”.

Guitarra, baixo, bateria, piano.

Os sons que eu não havia escutado naquele dia, naquela ocasião — o quarteto da YOHILA — transbordou das caixas de som, vibrando o ar úmido. Eletrizando-o.

Era uma música eletrizante.

Mesmo tendo ouvido na sessão de gravação anterior, fiquei tão comovido que não conseguia me mover. O rugido do conjunto, multiplicado, continuava furioso.

“...!”

Enquanto prendíamos a respiração, JUN inspirou profundamente.

—Ela cantou.

Naquele instante, um choque como um raio perfurou meu cérebro, e o tempo foi puxado de volta para o passado.

O terraço durante um forte temporal.

Junna, rugindo com a voz rouca.

Seus sentimentos, embutidos na canção e na letra que uivavam.

Eu estava—

...Ah, entendi.

Não era eu.

Então era assim que ela se sentia quando cantava...

Eu estava vendo através dos olhos dela.

Um forte sentimento por algo precioso e, por causa disso, uma emoção sombria que inevitavelmente se lembrava. O medo da perda, o desespero. A ansiedade.

Eles se sobrepunham e ressoavam dolorosamente em meu coração.

Mais fortes e mais violentos que as gotas de chuva, eles me golpeavam.

Senti uma vontade avassaladora de gritar.

Eu estou—

Eventualmente, a voz dela parou, e a música terminou, mas a chuva não. Meu coração permaneceu encharcado, parado para sempre sob um céu que parecia estar chorando.

☂

A chuva molhava os agrupamentos de prédios altos, e os pneus dos carros que iam e vinham pela larga avenida principal chapinhavam a água acumulada no asfalto.

Estávamos voltando do estúdio. Tanto Yamada quanto eu permanecíamos em silêncio. Estávamos mergulhados no brilho residual e na energia que ainda emanava do som e da canção que JUN havia apresentado — um eco parecido com o zumbido que fica nos ouvidos depois de um show ao vivo.

“...Foi um tempo parecido com um sonho, não foi?” murmurou Yamada, girando seu guarda-chuva azul pastel.

“Um momento em que eu mal conseguia acreditar que estava naquele lugar, naquele espaço.”

Eu me sentia exatamente da mesma forma.

Os contornos do mundo pareciam borrados, como no instante em que se acorda de um sonho pela manhã. Meu coração, ainda desconectado do corpo, parecia flutuar entre a realidade e o sonho.   Tocando em repetição infinita na minha cabeça estavam as duas músicas da YOHILA que JUN havia cantado e tocado.

“Sofrimento & Amor”

A faixa principal do EP que marcaria a estreia deles em uma grande gravadora. Uma nova música assinatura que, não era exagero dizer, continha todo o encanto da banda YOHILA.

“Juventude & Cianeto”

Uma faixa matadora com um som que fazia imaginar um céu de verão venenosamente azul e cristalino. Uma música incomumente brilhante para os padrões da YOHILA, com letras caracteristicamente sombrias e impregnadas do veneno próprio de JUN.

Ambas estavam maravilhosamente bem feitas e, mesmo antes da mixagem e masterização profissionais, já eram obras-primas que pareciam destinadas a se tornarem meu primeiro e segundo lugar entre as músicas favoritas da YOHILA.

Eu me perguntava como seriam as outras duas músicas restantes, que seriam gravadas amanhã. Mal podia esperar. Mas, “Eu sei que é ganancioso pensar ‘eu queria poder ir ver amanhã também’...” só nos permitiram observar no primeiro dia, hoje.

De acordo com Kotegawa, o segundo dia seria difícil porque alguns executivos da gravadora e responsáveis pela promoção estariam visitando.

—Mais uma vez, fui obrigado a perceber.

Que um grande número de pessoas estava envolvido na estreia da YOHILA em uma major.

Que o encanto e o talento de JUN estavam movendo esses adultos.

A magnitude daquilo tudo.

Mas isso ainda era apenas o começo. Nem sequer o prólogo.

Depois da sessão de gravação de hoje, eu estava convencido de que a YOHILA — de que JUN — iria mover ainda mais pessoas a partir de agora. Incontáveis corações.

Naquele momento, eu.

Será que ainda conseguirei ficar ao lado dela?

Será que me permitirão ficar ao lado dela?

Alguém como eu—

“Yamada-san.”

Eu parei de andar e chamei por ela.

Depois de terminar a gravação vocal das duas músicas em um único take, exatamente como havia declarado.

Senti que era a primeira vez que eu falava desde que me despedi de Junna, que havia se trancado na cabine querendo polir até o último minuto, e saí do estúdio com Yamada.

Yamada se virou com um “Hmm?”. Olhei diretamente em seus olhos e disse:

“...Você tem tempo depois daqui?”

Fui direto ao ponto.

“Preciso de um conselho amoroso.”

☂

“Entendi”, disse Yamada depois de ouvir toda a minha história. Ela tomou um gole do seu chá de pera La France e mexeu o purê de pera com o canudo, pensativa.

Um café em Nakameguro. Sobre a mesa havia também um prato com um crepe coberto de manteiga, bastante açúcar e sorvete de baunilha. Por minha conta, como taxa de consulta para Yamada.

“Então, em outras palavras, Kurimoto-kun, você está pensando...”

Yamada cortou o crepe elegantemente com faca e garfo e fez uma expressão melancólica.

“— ‘Será que eu sou realmente bom o suficiente para a Junna...?’ ”

“...É.”

Decidi não apontar que a impressão dela sobre mim não era nem um pouco parecida, nem que ela estava segurando a faca e o garfo com as mãos trocadas, provavelmente por estar nervosa em um lugar tão estiloso.

Umedeci a língua com minha limonada e soltei um suspiro frio:

“Ultimamente, tenho tido essa sensação sutil...”

Por exemplo, quando a notícia sobre mim e Junna se espalhou pela escola e virou assunto.

Por exemplo, quando ouvia outros alunos (principalmente os garotos) falando de mim.

Por exemplo, quando Junna, que eu achava que estava “abaixo” de mim, tirou o primeiro lugar do ano nas provas.

E quando vi Junna, que havia me procurado pedindo conselho por não conseguir se encaixar na turma, sendo elogiada pelos colegas depois da apresentação no festival esportivo.

E quando observava as costas de Junna enquanto ela trabalhava no computador, com sua música, no quarto dela.

A cada vez, eu sentia que a distância entre mim e Junna estava aumentando.

Porque Junna era brilhante demais.

Uma sombra havia nascido em meu coração.

[Almeranto: Lembra Sakurasou essa parte. | Del: Bom gancho Al, afinal, é a trama do talento.]

“Eu comecei a ficar ansioso. Será que um cara normal como eu conseguiria ficar ao lado dela para sempre... será que ela conseguiria continuar sentindo o mesmo por mim?”

E assistir à sessão de gravação de JUN fez com que eu sentisse isso ainda mais forte.

“...‘Normal’?”

“Não ter grandes pontos fortes nem fraquezas... Acho que é isso. Para mim.”

Respondi à pergunta de Yamada.

Deixe-me falar um pouco sobre mim.

Nasci e cresci em uma família de classe média.

Graças aos dois pais trabalhando, vivíamos com um conforto razoável, mas, por outro lado, havia pouca interação entre os membros da família. Dito isso, o relacionamento familiar não era bom nem ruim, apenas extremamente normal.

Minha capacidade acadêmica é bastante alta, mas minha habilidade atlética está abaixo da média, e escolhi atletismo pela razão passiva de que correr era a única coisa que eu conseguia fazer. Meus tempos nas corridas de longa distância são a definição de medianos.

Meu estilo de vida não é nem sério nem desleixado.

Não sou bom em socializar, mas também não é como se eu não tivesse nenhum amigo, e nunca me senti solitário ou insatisfeito por ter poucos amigos. Levo uma vida razoavelmente agradável e razoavelmente melancólica.

Acho que tenho uma personalidade cínica e emoções negativas mais fortes que as dos outros — mas não a ponto de ser um problema mental. Minha resiliência mental é forte. Isso também é de forma meio morna.

Mais e menos, somando tudo dá zero.

[Del: Que dilema.]

Não havia uma única coisa que eu pudesse dizer que não fosse normal — que fosse especial.

O motivo de eu gostar de coisas incomuns como rock depressivo pode ser porque quero criar ao menos uma pequena diferença entre mim e os outros.

Pode não ser um “gostar” puro.

“Porque eu sou um cara bem sem graça—”

“ Wachaah!? ”

Yamada soltou um grito estranho e deixou cair a faca e o garfo. Os pensamentos escuros e nebulosos que enevoavam minha mente se dissiparam.

“…………Desculpe.”

Ergui a mão e chamei o garçom. Yamada parecia envergonhada.

“D-desculpa...”

“Está tudo bem. Você é destra, não é, Yamada-san? Você passou o tempo todo com a faca e o garfo nas mãos trocadas.”

“…………Ah. Não é à toa que estava tão difícil de usar... Que vergonha! Eu sou tão sem noção!”

Yamada, com o rosto vermelho até as orelhas, cobriu o rosto com as duas mãos.

Não consegui segurar o riso. Queria ter um lado desajeitado e fofo como esse.

“Então, hum... o que estava dizendo mesmo?”

Yamada, agora segurando os talheres corretamente, se recompôs e continuou:

“Estava tão sem graça que eu esqueci.”

“Q-que direto... Tem certeza de que não está vazando o veneno que você costuma reservar para o Yōjirō?”

“Brincadeira, brincadeira.”

Enquanto eu ficava surpreso, Yamada comeu o crepe tranquilamente e disse:

“Eu não acho que você seja uma pessoa ‘normal’ ou ‘sem graça’, Kurimoto-kun, e acho que a Jun-chan também não pensa assim. Se vocês combinam ou não.”

Ela lambeu o açúcar de confeiteiro dos lábios e continuou:

“Mas, bem, se é assim que você se sente, Kurimoto-kun... então você só precisa encontrar, ou procurar, não é? Algo que seja sua fonte de confiança!”

Ela riu. Com um brilho como o do sol, algo inacreditável para uma ex-otaku melancólica.

“Foi assim que eu consegui mudar.”

☂

“Uma fonte de confiança... hein.”

Naquela mesma noite. Eu estava deitado na cama do meu quarto, ruminando as palavras de Yamada.

Algo que me permitisse erguer a cabeça com orgulho e ficar ao lado de Junna com confiança.

O que poderia ser?, me perguntava.

A primeira coisa que me veio à mente foram meus sentimentos pela YOHILA, por JUN e por Junna, mas aquilo me parecia uma base frágil.

Eu sou um grande fã da YOHILA e tenho confiança de que meus sentimentos por ela não perdem para ninguém, mas só isso provavelmente não é suficiente.

—Que está tudo bem eu ficar ao lado dela.

—Que eu sou digno disso.

Eu sentia que precisava encontrar algo sólido que me fizesse acreditar nisso com força.

“………………”

Uma brisa úmida da noite soprava pela janela aberta do meu quarto. Um sino de vento de metal, pendurado para o verão, tilintava e seu som se misturava ao da chuva forte que caía.

Não faz nem dois meses, mas quando recordo aquele dia, já parece um começo distante.

☂

Um certo dia de junho, na sala de AV depois das aulas, em um dia chuvoso.

Em um canto de um mundo desbotado para o cinza, ela estava sozinha, melancólica… virando silenciosamente as páginas de um livro.

☂

O sol do meio do verão queimava minha pele como ferro em brasa. Quando olhei para o céu, um belo degradê de azul ultramarino se estendia diante de mim. Era um dia perfeito para atletismo.

“Ei, ei, Kurimoto.”

Atividades do clube nas férias de verão. Enquanto eu corria voltas no percurso delimitado dentro do terreno da escola, um garoto frívolo da mesma série veio correndo ao meu lado e começou a falar.

Seu sobrenome era Nakano. Ele adora karaokê e costuma convidar todo mundo para sair depois das atividades do clube.

[Del: Faz tempo que não vejo o sobrenome Nakano.]

“Como você tem passado ultimamente?”

“Como tenho passado... Normal. Além do clube, só tenho ficado trancado no meu quarto com ar-condicionado.”

“Com a Amamori-san?”

“...Sozinho.”

Eu o afastei e aumentei o ritmo. Mas Nakano teimosamente acompanhou e perguntou:

“Você não viu ela nem uma vez nas férias de verão?” Quando o assunto de Junna surgiu pela primeira vez, fui bombardeado com esse tipo de pergunta, mas parece que ele ainda não tinha perdido o interesse.

Desisti e diminui o ritmo. Decidi conversar um pouco com ele.

“...Eu a vi algumas vezes. Mas não recentemente.”

A última vez que vi Junna foi há duas semanas, quando fui assistir à sessão de gravação dela.

Desde então, a frequência e o tamanho das nossas conversas no LINE também diminuíram.

O motivo é que Junna está ocupada com o trabalho—

E...

“Hmm. Ei, você está com uma cara pálida, não está?”

Nakano olhou para o meu rosto enquanto eu corria com a cabeça ligeiramente abaixada e disse, preocupado:

“Você não parece bem, está sem energia. E perdeu peso?” Ou talvez ele não estivesse atrás de uma história sobre Junna, mas tivesse me chamado justamente porque estava preocupado com a minha aparência.

Se for o caso, então ele até que é um cara decente.

“Será que... você levou um fora!? A Amamori-san te deu um fora, Kurimoto?” ele pressionou, com um sorriso no rosto. Quase tropecei nele, mas me segurei. Retiro o que disse. Olhei feio para Nakano com meus olhos cercados de olheiras e respondi:

“...Ainda não levei um fora.”

“Ainda? Então você está planejando levar um fora!?”

O rosto de Nakano se iluminou ao ouvir minhas palavras. Por que você parece tão feliz...? Talvez eu devesse tropeçá-lo mesmo.

“Quando isso acontecer,” Nakano ergueu o polegar para mim. “Vamos ao karaokê! Vamos cantar até o coração sair do peito com músicas de término. Tipo ‘Pretender’ do HIGE DANdism, ou ‘Happy End’ do back number.”

“‘Ame to Boku no Hanashi’ do back number cairia como uma luva... não, não cairia! Esse dia nunca vai chegar.”

Cuspi as palavras e, de repente, acelerei. Deixei Nakano para trás.

Também ultrapassei os outros e corri na frente do pelotão.

Em pouco tempo, eu estava sem fôlego e o suor escorria. O BPM do meu coração acelerou e martelava nos meus ouvidos.

Eu queria gritar com toda a força dos pulmões.

Assim como eu havia feito naquela tempestade.

Mas...

“...Hah... hah...”

O céu estava limpo, e tudo que saía era uma respiração irregular com gosto de sangue.

Antes que eu percebesse, minhas pernas haviam diminuído o ritmo e eu estava sendo ultrapassado por Nakano e pelos outros que eu havia deixado para trás.

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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