Short Story 1: Calmaria com Fogos de Artifício
Short Story 1: Calmaria com Fogos de Artifício
Os fogos sobem.
Flores vermelhas desabrocham no céu noturno, se espalham e desaparecem como se murchassem.
“Desculpa, Yo,” disse ela. Serviu gim em um copo cheio de pedras de gelo e continuou: “por não termos conseguido ver ao vivo...”
Ela se desculpou. Balancei a cabeça e respondi “Não,” desviando o olhar da tela da TV, onde passava um vídeo de um festival de fogos do passado.
“Está tudo bem. O que eu queria ver não eram os fogos, mas você de yukata, Eimi.”
Peônias carmesim sobre fundo preto. Um lado de seu curto cabelo preto estava trançado, com um kanzashi vermelho preso nele. As unhas também estavam pintadas de um vermelho vivo. Linda, fria e sexy. Em outras palavras, a mais forte.
“Desde que possamos ter esse encontro de yukata, já estou feliz!”
Por sinal, eu estava usando um yukata azul-claro pálido com estampa de girassóis. É um pouco infantil para uma mulher adulta, mas Eimi disse que ficava bem em mim, então gostei.
Eimi bufou e abriu a tampa de uma garrafa de ramune com um “ pssh ”. A bolinha caiu e afundou no mar gasificado.
Ela serviu o ramune em um copo, acrescentou um pouco de suco de limão e mexeu com um muddler.
Terminei minha India Pale Ale, uma cerveja britânica forte e amarga com muito lúpulo.
“Faz um pra mim também. O mesmo.”
“...Você está bebendo rápido. Não exagere, tá? IPAs têm um teor alcoólico mais alto do que parece.”
“Mesmo se eu ficar bêbada, estou na sua casa, então está tudo bem. Na verdade, posso até ficar bêbada de propósito só pra você cuidar de mim.”
“Se isso acontecer, vou te jogar para fora. Te chutar para fora na verdade.”
“Ah, não, não, estou brincando! Brincadeira, Eimi, não me expulsa... Waaaaaaaaaaaaah! ”
“ Gah! Não chora, droga, você é um pé no saco. Já está bêbada?”
“Estou sim. Bêbada da sua beleza e do seu charme─”
“Sim, sim, entendi. Aqui, bebe isso, sua bêbada.”
Eimi pareceu exasperada e empurrou uma garrafa de ramune pela metade na minha direção.
Eu, que fingia ser adulta mas na verdade não era muito fã de coisas amargas, aceitei com prazer.
“Será que a JUN-san e os outros estão se divertindo?”
Murmurei, beliscando os pratos estilo comida de festival dispostos na mesa: yakisoba caseiro da Eimi, yakitori e dote-ni, um prato clássico de Nagoya.
“Eles podem até já estar em um hotel a essa altura...”
“Não pode ser... bem, não posso afirmar com certeza. Com o relacionamento deles.”
“─Detalhes.”
“Não pula em cima de mim. Você está perto demais.”
Quando me inclinei para a frente, Eimi se afastou. Suas bochechas estavam levemente vermelhas, provavelmente porque o álcool já estava fazendo efeito. Como Eimi é meio japonesa, tem a pele clara e o rubor fica mais evidente.
Eimi tomou um gole de seu gim com ramune e resmungou:
“...Nesse aspecto, você é igualzinha à Amamori.”
“Em que aspecto?”
“Você tem um rosto infantil.”
“Vá pro inferno.”
“Opa.”
Eimi desviou sem esforço do soco cheio de anéis que eu havia instintivamente desferido. Olhei feio para Eimi, virei o ramune de uma vez e abri uma nova bebida.
BREWDOG’s PUNK IPA. Uma marca de que Eimi sempre gostou.
“Eu amo música.”
Lembrei das palavras que eu havia dito durante o intervalo da sessão de gravação.
“Você também pensava assim, não é, Eimi?”
Àquela pergunta, Eimi havia assentido com um “sim” e então continuado: “Há muito tempo.” O amargor da cerveja que eu acabara de tomar se sobrepôs à emoção que senti naquela hora. Não sou fã de coisas amargas. Mas…
“Você gosta disso?”
“Gosto!”
Eu estava começando a gostar aos poucos. Mostrei meus dentes duplos e sorri.
“Porque você gosta, Eimi!”
“Então meus ‘gostos’ influenciaram você... de novo.” Eimi riu. Um sorriso muito mais gentil do que costumava ser.
“Você não mudou, Yo.”
A gentileza era um sinal de que ela havia amadurecido. Ou, eu sentia, de que seu brilho e seu calor haviam enfraquecido, desbotado. Como o fim do verão.
Respondi, estreitando os olhos:
“...Não é verdade.”
Akagi Eimi — EIMEE — havia abandonado a música. O laço insubstituível havia se rompido e seguimos caminhos separados.
Mas se ainda podíamos ficar juntas assim, ainda conectadas em um nível profundo, e rir juntas...
“Eu também cresci um pouco.”
Não é ruim.
Eu provavelmente havia crescido o suficiente para conseguir pensar assim.
“...Entendi.”
Os fogos, presos no passado, lançavam uma sombra um tanto melancólica no perfil dela. Meu olhar foi roubado por aquele perfil, e engoli meus verdadeiros sentimentos.
É amargo.
PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.
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(Crédito para o @Thang por reunir)
Traduzido por Moonlight Valley
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