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Prólogo: Chuva com um Guarda-Chuva

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Prólogo: Chuva com um Guarda-Chuva

“Ei, Shigure. Tem uma coisa que eu quero conversar com você... tudo bem?”

Foi no último dia das férias de verão que ela — Amamori Junna — tocou no assunto comigo. Noite de 31 de agosto.

O ar-condicionado da sala de estar estava no máximo. Mesmo sendo o auge do verão, a temperatura do ambiente parecia a de um inverno rigoroso, como se o cômodo estivesse isolado do resto do mundo.

Tomando um gole do meu chocolate quente, respondi:

“Claro. O que foi?”

“...É.”

Junna se mexeu no sofá. Era um sofá grande o suficiente para quatro pessoas se apertarem, mas Junna havia se posicionado bem ao meu lado, pressionando o corpo firmemente contra o meu.

Aparentemente, ela estava com frio.

Se fosse esse o caso, bastava aumentar a temperatura, e eu já havia dito isso inúmeras vezes. Mas ela fingia não saber, alegando que havia perdido o controle remoto. Quando eu tentava procurar, ela me impedia, e quando finalmente encontrei, as pilhas haviam sido retiradas.

[Del: Estratégia insistente essa.]

Desde então, sempre trago uma roupa de frio quando venho à casa de Junna.

Era uma peça felpuda e confortável de roupa de ficar em casa para o inverno.

Esfregando a bochecha contra o tecido macio e de pelos longos, Junna — que vestia roupas de verão, uma camiseta de manga curta — tremia tanto no corpo quanto na voz.

“Na verdade... é algo que venho hesitando... e me preocupando há um tempo.”

Minha mão parou no meio do caminho enquanto levava a caneca à boca. A voz de Junna estava incomumente séria. E, ao contrário do habitual, ela estava tendo dificuldade para encontrar as palavras.

“...S-sim.”

Memórias daquela noite voltaram à minha mente. No caminho de volta do festival de fogos, bem quando eu estava prestes a despejar meus sentimentos transbordantes,

‘Só mais um pouco.’

‘Só mais um pouco...’

‘...Assim está bom. Do jeito que está.’

Foram essas as palavras que Junna me disse. Sua expressão. Sua respiração. Seu olhar. Seus sentimentos.

Fazia exatamente uma semana.

Uma semana. Era esse o ‘só mais um pouco’ para Junna? Enquanto eu ficava tenso, Junna afastou o corpo do meu e, “Shigure.”

Olhando diretamente nos meus olhos—

“Você acha que tudo bem eu aumentar minha exposição?”

—perguntou. Sem entender o que ela queria dizer, meus pensamentos congelaram.

“H-Hã...?”

Ao ouvir a palavra “exposição”, olhei reflexivamente para as pernas de Junna. Suas coxas pálidas e macias. As pernas nuas que se estendiam da barra curta da camiseta faziam parecer, à primeira vista, que ela ‘não estava vestindo nada’, mas eu já havia confirmado que ela estava usando shorts por baixo mais uma vez hoje.

Ela já se expunha bastante.

“...Para a YOHILA?”

Depois de observar minha reação, Junna acrescentou casualmente esse detalhe.

Estreitando os olhos, ela formou um sorriso travesso em seu rosto sem expressão.

“Ora, ora? O que você pensou que eu quis dizer? Que tipo de exposição você estava esperando? ...Pervertido.”

Ela pressionou o corpo contra o meu novamente e sussurrou. Como ela havia capturado meu braço com firmeza, eu não conseguia escapar. Entre o cheiro doce e o calor macio, minha racionalidade estava prestes a derreter.

—Dito isso.

“Você está considerando exposição na mídia?”

Depois de passar quase todos os dias juntos por meio mês, sendo agarrado assim todas as vezes, eu já estava me acostumando. Imediatamente reconduzi a conversa ao rumo certo.

“Com a estreia major se aproximando...”

“Isso.”

Junna voltou à sua expressão sem emoção e assentiu.

“Nós tivemos uma sessão de gravação, né? No segundo dia, alguém da gravadora veio assistir. E descobriram que JUN — ou seja, eu — é uma aluna do primeiro ano do ensino médio, e uma garota linda, impecável, transcendente, ultra-hiper-milagrosa, invencível e suprema.”

“Sua autoconfiança está altíssima!”

“Eles começaram a dizer que não mostrar meu rosto é um desperdício de um tesouro, e que se mostrarmos, as vendas estão garantidas.”

“Bem... é, dá pra imaginar isso acontecendo.”

Junna atuava como JUN, vocalista da YOHILA, uma banda que recentemente havia sido escalada para uma estreia major.

A YOHILA não mostrava o rosto, e suas identidades eram completamente desconhecidas. Além de não fazerem exposição na mídia, eles nem sequer se apresentavam ao vivo. Eram uma existência envolta em mistério.

Se esse véu fosse rasgado e a pessoa que surgisse fosse uma garota linda a ponto de ofuscar idols, certamente geraria um enorme burburinho. Aos olhos do público, a marca ‘garota do ensino médio’ também tinha muito peso.

Era natural que as pessoas responsáveis pelas vendas notassem.

“Parece que a escala e o orçamento da promoção seriam de um nível completamente diferente... a Kotegawa-san disse que respeitaria minha vontade. Mas, como agência, tenho certeza de que ajudaria muito mais se vendêssemos bem.”

Kotegawa-san era a manager da YOHILA e administrava uma pequena agência de música. Era uma das pessoas que ajudavam Junna de várias formas.

“Então fiquei pensando no que devo fazer.”

Junna se afastou e se sentou corretamente no sofá. Olhando para seu perfil, fiz uma pergunta:

“Por que você evitava exposição no começo, Junna?”

“ Hmm ...”

Junna pegou sua caneca e bebeu o chocolate quente. Era um conjunto combinando com o meu, com um padrão que formava um coração quando as duas canecas eram colocadas juntas.

[Del: Só dizendo o óbvio mesmo, eles são namorados não admitidos, apenas.]

Segurando o coração incompleto com as mãos, ela baixou os olhos e pensou.

“...Porque parecia um enorme incômodo de várias formas.”

A resposta de Junna foi simples. Não parecia que ela tinha alguma convicção forte sobre não querer depender da aparência ou querer competir puramente com sua música.

“Ou melhor, porque é um incômodo... Não quero fazer nada desnecessário além de ‘criar’.”

“Faz sentido.”

“E você, Shigure?” — Junna perguntou, parecendo um pouco ansiosa — “O que você acha? Sobre eu mostrar meu rosto, ou a YOHILA aumentar nossa exposição... Quero ouvir sua opinião honesta.”

“...Eu—”

O que me veio à mente foi depois do nosso primeiro encontro no karaokê. Depois de ouvir Junna cantar ao vivo, eu de repente me peguei com uma certa dúvida.

‘Será que está tudo bem eu ter essa voz só para mim?’ — perguntei-me. Não deveria ser entregue a mais pessoas?

Ou quando Junna começou a frequentar a escola normalmente, conquistando a atenção e a popularidade de todos.

Enquanto sentia ciúme e solidão, também sentia felicidade e orgulho. A alegria de ver o encanto de Junna ser transmitido e aceito por pessoas além de mim.

Mas não era suficiente. Eu queria gritar a plenos pulmões que Junna era ainda mais incrível, que JUN era ainda mais impressionante.

Por isso, “—Quero ver.”

Eu disse.

“Quero ver até onde a JUN... até onde a YOHILA pode chegar quando você mostrar tudo. E quero assistir do assento mais próximo possível.”

“Shigure...”

Os olhos de Junna se arregalaram e ficaram úmidos. A sombra escura que nadava no fundo de seus olhos semelhantes a um lago pareceu desaparecer de repente.

“...É. Entendi.”

Um sorriso gentil se espalhou por todo o seu rosto sem expressão. Assentindo, ela disse:

“Entendido. Então é isso que vou fazer. — Ah, alô. Obrigada pelo trabalho. Hum... sobre mostrar meu rosto e a exposição na mídia.”

Assim que se levantou, ela começou a fazer a ligação.

Com um tom seco e direto, ela transmitiu suas intenções e decisão. A pessoa do outro lado provavelmente era sua manager, Kotegawa. Pelo celular, eu conseguia ouvir alguém fazendo um grande alvoroço, gritando coisas como “Eh!?” e “Eimi, isso é chocante!”. Estavam juntas?

“—Então é isso. Estou contando com você.”

Virei o restante do chocolate quente na caneca de uma só vez.

“Shigure— Uah!? ”

“Você vai acabar pegando um resfriado.”

De pé, coloquei a jaqueta que havia tirado sobre os ombros de Junna, que acabara de terminar a ligação.

“Você vai ficar ocupada de novo a partir de agora, né? Não vai adiantar nada se você ficar doente.”

“S-sim...”

“Estou torcendo por você.”

Dei um leve cafuné em sua cabeça e sorri.

“Faça o seu melhor, mas não se force demais. Tá?”

“S-sim...”

“E quando você estiver cansada, estarei aqui para te curar.”

“S-sim...”

“Você virou um robô de ‘sim’?”

“M-mas...”

Abraçando a jaqueta que eu havia colocado sobre ela junto ao peito, Junna escondeu o rosto que ficava vermelho. Suas orelhas também estavam vermelhas, então ela não estava escondendo completamente.

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“Shigure, você é…”

“Eu sou?”

“…melo demais.”

‘Melo’ era uma gíria que significava alguém tão atraente que fazia a outra pessoa ficar melo-melo, ou seja, completamente caidinha de amor.

“A melodia!”

No instante em que disse aquilo, Junna me deu as costas e saiu correndo com passos rápidos e miúdos.

Ela estava indo em direção ao quarto, que também servia como o espaço de trabalho da YOHILA. Provavelmente ia transformar a melodia que acabara de surgir em sua mente em uma música agora mesmo. Enquanto ela fugia, eu conseguia ouvi-la cantarolando.

“Parece que você está transbordando de ímpeto criativo. Que ótimo.”

Segurando as duas canecas vazias de forma que os corações incompletos nelas se encaixassem, fui em direção à cozinha.

Eu já tinha terminado a lição de casa, então decidi preparar algumas refeições com antecedência para ela antes de ir embora. Mesmo que eu não fizesse questão de cozinhar, a Akagi provavelmente faria algo para ela, mas —

‘Seja o guarda-chuva dela.’

Desde que me disseram aquilo, eu queria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance.

“Eu tenho que apoiá-la, né…”

Este apartamento onde Junna morava tinha isolamento acústico e, com as janelas bem fechadas, mal dava para ouvir qualquer ruído vindo de fora. Mesmo assim,

“—Eu vou. Vou apoiar a Junna.”

[Almeranto: Apoia, mas apoia como namorado caramba! 3 volumes enrolando já…]

Tinha estado chovendo o dia todo hoje. Se eu apurasse os meus ouvidos, parecia que conseguia escutar o timbre distante e semelhante ao de um piano vindo da chuva.

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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