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Capítulo 3: Deus, Nós Notamos

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 3: Deus, Nós Notamos

“Yo-kun, olha, olha! Combina comigo?”

“Combina, combina incrivelmente bem, Haru-chan! Especialmente a tinta que parece sangue espirrado. A tiara com chifres saindo dela e o acessório de globo ocular preso na fita também estão perfeitos!”

“...Você está me elogiando?”

“Estou, estou. Por que eu te desmereceria? Minha amada namorada.”

“...! Yo-kun...”

“Haru-chan...”

Vestida com seu uniforme de ‘Café de Donzela’, Yamada olhava para Yōjirō, e os dois seguravam as mãos um do outro. Uma atmosfera doce pairava no canto da sala de aula decorada de forma sinistra.

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“Eles só ficam flertando eternamente, esses dois.”

Já havia se passado cerca de uma semana desde que os dois começaram a namorar. Desviando o olhar do casal de amigos de infância que já se tornara uma cena familiar, voltei à tarefa de fazer o cardápio.

Suco de Sangue Fresco 200 ienes, Café do Desespero 200 ienes—

“É verdade.”

“...Eles não sentem vergonha?” Junna murmurou no meu ouvido, encostada nas minhas costas.

“Não quero ouvir isso de você, Junna-chan!?”

Captando as palavras de Junna, Yamada soltou um grito. Ela tinha a audição infernal digna de uma empregada do inferno.

O uniforme de maid preto e branco, de design comum, tinha tinta vermelho-escura imitando sangue espalhada pelo avental. A barra da saia era curta, e as meias pretas até o joelho realçavam a absolute territory de Yamada, cuja pele era excepcionalmente clara para alguém de um clube esportivo.

Olhando para aquilo, não pude deixar de

Aposto que ficaria ótimo na Junna se ela usasse...

fantasiar sem querer.

『Bem-vindo de volta, Mestre.』

Uma expressão sem emoção, mas ligeiramente envergonhada. Junna de uniforme de maid, olhando para mim com olhos voltados para cima—

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É. Isso é fofo demais. Quero mantê-la ao meu lado para me servir pelo resto da vida.

“Shigure... será que você poderia não olhar para minha namorada com olhos tão indecentes?”

“Não estou olhando. E Junna, para de apertar meu pescoço.”

Por trás, bem na artéria carótida.

“Haha! Brincadeira, brincadeira. Assim como eu só tenho olhos para Haru-chan, você não vê nenhuma garota além da Amamori-chan, né, Shigure?”

“Não, ele vê sim. Como nossa professora. Eu vivo suspeitando que ele está me traindo.”

“Não, não... traição ou não, nós nem estamos namorando—Ai, dói, dói!”

“...Será que você poderia negar a parte de ‘ver’?”

“Seus critérios para contra-ataque são rigorosos demais.”

Observando nossa troca, Yōjirō riu.

“Hahaha! Vocês é que ficam flertando eternamente. Como esperado dos nossos rivais.”

“Rivais...?”

O casal idiota número um ou dois competindo na escola.

Essa era a avaliação do corpo estudantil sobre Yōjirō e Yamada, que antes eram famosos como o ‘casal de amigos de infância brigões que são tão próximos que brigam’.

Parece que os candidatos rivais somos eu e Junna.

No entanto—

“Yo-kun.”

Abraçando as costas de Yōjirō, que conversava, Yamada

“Você tem tempo agora, né? Então, quero que me acompanhe... Quero praticar o atendimento aos clientes. Com cuidado, num lugar sem ninguém por perto. Por favor, Mestreee.”

sussurrou com uma voz doce enquanto se agarrava a ele de forma brincalhona.

O rosto de Yōjirō se derreteu num sorriso bobo.

“H-Haru-chan... não, permita-me ousar chamá-la de ‘Haruka’. Entendido, Haruka — vou te ensinar exatamente como você deseja! As posições de Mestre e serva, é claro.”

“ Kyaa! ”

““……………………””

Observei o casal idiota mais famoso da escola fazendo um grande alvoroço com uma expressão vazia como a de Junna, enquanto Yōjirō saía da sala puxando a mão de Yamada com força.

“Competir com aquilo é sinceramente impossível.”

“O cachorra louca se transformou em um filhotinha apaixonada, hein.”

“Cachorra louca? Você está falando da Yamada-san?”

“...É. Ela está extraordinariamente apaixonada. Desde que começou a namorar o Kuzujirou — quer dizer, Kuzumi-san, parece que parou de ouvir as músicas da YOHILA. Aparentemente, só está ouvindo músicas de amor super doces e brilhantes.”

“É mesmo?”

“É. Se for música que eu também gosto, como do Spitz...”

“—‘Unmei no Hito’?”

“Ou ‘Haruka’. Mesmo que ela devesse só ouvir ‘Kaede’ já que é outono.”

“Essa é uma música de término... Por que você está sendo tão rancorosa? Deixa pra lá, está tudo bem.”

Eu também estava ouvindo ela no ônibus de volta outro dia.

“Se namorar o Yōjirō acalmou o amor excessivo da Yamada-san pelo YOHILA, então foi uma coisa boa no final.”

Lembrei da determinação que Yōjirō havia expressado antes do encontro duplo.

『Eu vou absolutamente fazer ela se apaixonar por mim de novo. A ponto de—』

『Shigure, Amamori-chan, JUN, a música do YOHILA... ela não vai se importar com mais nada além de mim.』

Tinha se tornado exatamente assim.

Pelo menos, por enquanto, não parecia haver preocupação de Yamada ter alguma ideia estranha em relação a JUN ou à YOHILA.

“...É.”

Junna assentiu e afastou o corpo que estava colado.

“Mas...”

O rosto para o qual olhei estava sem expressão, mas com as sobrancelhas franzidas.

“Isso é irritante do seu próprio jeito,” Junna resmungou, fazendo beicinho.

☂

Terminando os preparativos para o festival cultural, Junna e eu fomos para casa.

O tempo estava chuvoso — debaixo de um guarda-chuva transparente, caminhamos pelo caminho até a estação, naturalmente aconchegados. Devagar, como se saboreássemos cada passo.

Como Junna e eu usávamos linhas de trem diferentes, acabaríamos nos separando na estação.

Por isso eu queria prolongar esse momento.

“Shigure.”

Com uma voz que parecia prestes a ser engolida pelo som da chuva batendo no guarda-chuva, Junna chamou meu nome. Eu não conseguia resistir ao som de sua voz ouvida dessa distância, debaixo do guarda-chuva.

“—Hm?”

“O festival cultural...”

O sinal verde estava piscando.

Enquanto as pessoas ao nosso redor começavam a correr apressadas, chapinhando nas poças, nós paramos os pés e esperamos, como se estivéssemos à beira d’água.

“……………………”

As palavras de Junna não continuaram. Depois de uma pausa tão longa que parecia que o sinal poderia ficar vermelho e voltar a verde novamente, ela manteve os olhos voltados para a frente e declarou:

“Decidi me apresentar. No palco, como a JUN da YOHILA.”

Aquela voz não era de Junna; era de JUN.

Efêmera, porém poderosa. Forte, porém delicada. Transbordando emoção pesada e intensa.

Era como se todos os sons tivessem desaparecido do cruzamento por onde carros iam e vinham, exceto pela voz dela. Em meio ao silêncio, perguntei:

“...Você vai fazer um show ao vivo?”

“Isso. No ginásio.”

“E os membros? Suporte?”

“Não. Vou ser a única a me apresentar. Os instrumentos além da guitarra não serão ao vivo; vou tocar com uma faixa sincronizada — uma fonte de áudio pré-gravada.”

“Entendi. A agência e as pessoas da gravadora já sabem disso...”

“Já contei para eles. Ou melhor, decidimos isso em uma reunião.”

O sinal já havia ficado verde há muito tempo.

No entanto, não começamos a andar. Evitando as ondas de pessoas, nos movemos para a lateral e continuamos a conversa parados.

“A nova foto artística onde a JUN revela o rosto e o videoclipe de ‘VOCÊ & EU’ estão programados para serem lançados na noite em que o show ao vivo do festival cultural terminar. O fluxo de coisas depois disso também já foi decidido.”

“...Sério?”

Inúmeras emoções colidiram contra meu coração e explodiram.

Surpresa, alegria, expectativa, ansiedade, emoção profunda, solidão... Quando respirei fundo, o cheiro de chuva carregando seu aroma doce encheu meu peito.

Eventualmente, o que escapou da minha boca foi—

“Eu achava que você não ia fazer shows ao vivo?”

Uma pergunta em resposta a uma pergunta anterior.

Depois de irmos ao karaokê no nosso primeiro encontro, sentindo que a voz de Junna cantando deveria ser entregue a mais pessoas, eu havia perguntado: ‘Você tem intenção de fazer shows ao vivo?’ ao que Junna havia respondido.

—Que não tinha.

Com uma voz e expressão de zero absoluto.

Envolta em forte rejeição e emoções sombrias como uma aura gelada.

Naquela época, eu ainda não conseguia me intrometer, e não me era permitido me intrometer.

Mas agora.

“…………”

Junna fechou os olhos. Respirou fundo...

“Veja bem, eu—”

Abrindo os olhos, ela olhou nos meus e me contou. O motivo pelo qual JUN, pelo qual YOHILA, não havia feito nenhum show ao vivo até agora.

“──────……”

Em meio à chuva que caía, para que apenas meus ouvidos pudessem ouvir.

☂

Guarda-chuvas coloridos flutuavam, cobrindo o céu azul.

Vermelho, amarelo, rosa, branco, azul, roxo. Era uma decoração chamada Umbrella Sky , suspensa por cordas estendidas no céu acima do pátio.

O terreno da escola também estava coberto por outras decorações brilhantes, transformando a escola que frequentávamos todos os dias em uma paisagem de outro mundo.

O dia do festival cultural.

Muitas pessoas visitavam o campus, que havia sido aberto ao público, tornando a impressão de um mundo alternativo ainda mais forte. Como o local em si era familiar, talvez “mundo paralelo” fosse uma descrição mais precisa. Era uma sensação realmente estranha.

Apoiado pelo burburinho e pelas risadas, um programa de rádio ao vivo feito por alunos tocava. A música pedida por um ouvinte era “Hikoutei” do King Gnu — pessoalmente, prefiro “Ame Sansan”... Justo quando eu pensava nisso, tentando tirar uma foto dos guarda-chuvas acima.

“Shigure.”

Uma voz familiar. Abaixando o smartphone erguido, pressionei o botão do obturador da câmera. Uma foto de uma garota vestindo a saia do uniforme e uma camiseta azul-arroxeada de manga curta foi tirada com um clique. Era Junna.

“Desculpa o atraso. Tem tanta gente,” disse ela, ficando ombro a ombro comigo, pressionando-se perfeitamente contra mim.

“Se você vai tirar uma foto, vamos tirar juntos... tá?” perguntou ela, fazendo uma forma misteriosa com os dedos para me mostrar. Seu polegar estava estendido e o indicador curvado.

“...Ah.”

Entendi imediatamente e fiz uma forma simétrica com minha mão livre, combinando com os dedos de Junna.

Um coração de dedos.

Com o Umbrella Sky como fundo, tiramos uma foto que parecia de um casal idiota.

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“...Será que está bombando? A montanha-russa de madeira da Turma 4.”

“É, está super popular com uma fila enorme. Será que todo mundo quer morrer...? ‘EU NÃO QUERO MORRER’!”

“Essa é uma música do Ging Nang BOYZ.”

“E o seu Café de Donzela, Shigure?”

“Está um sucesso enorme. Graças à nossa pesquisa, dizem que ganhou fama de ser assustador demais.”

“Hmm... Estou curiosa. Eu gosto de terror, afinal.”

“...O que aconteceu com toda aquela encenação de ‘sou ruim com coisas de terror’?”

“Menti. Eu. Sou. Ruim. Com. Coisas. Assustadoras.”

“Como sempre, você é um livro aberto apesar de ser sem expressão.”

“—Shigure.”

Junna me encarou fixamente.

Para a camiseta azul-arroxeada que eu estava vestindo, a mesma que a de Junna.

“Você realmente trocou de roupa por mim...”

“Claro. O show ao vivo da YOHILA está chegando. Em vez da camiseta da turma, tem que ser a da banda!”

[Del: Na moral, baita ideia de marketing para aderir no futuro, quem aí compraria?]

A camiseta com o logo do YOHILA impresso no peito era mercadoria oficial da YOHILA. Vinha em três cores: branco, preto e azul-arroxeado, mas…

“E estamos combinando também...”

Achei que Junna provavelmente escolheria o azul-arroxeado, então combinei com ela.

Junna baixou os olhos e murmurou.

“...É como se fôssemos um casal idiota, que vergonha.”

“É um pouco tarde para isso. Não acredito que isso vem da pessoa que há pouco exigiu com naturalidade uma pose vergonhosa. Ou exibe ou sente vergonha, escolhe um. Sua contradição de garota.”

☂

“Tem algum lugar que você queira ir além da nossa turma, Junna? Ou algo que queira comer?”

“A enfermaria.”

“Não tente evacuar logo de cara.”

“M-mas...”

Os corredores dentro do prédio da escola, lotados com uma grande multidão de pessoas.

Junna olhou para baixo e falou com uma voz quase sussurrada.

“...Estamos sendo encarados demais. Até por gente de fora da escola...”

“Bem, realmente. Se tem um casal de garoto e garota desfilando grudados um no outro com roupas combinando, as pessoas vão olhar,” eu disse, abrindo o folheto com um suspiro.

Olhei para Junna, que estava agarrada firmemente ao meu braço.

Era como se alguém que não soubesse nadar de jeito nenhum estivesse se agarrando a uma boia. Se ela soltasse, iria se afogar — era esse tipo de desespero.

Fazia um tempo desde que Junna parou de se refugiar na enfermaria em vez de ir para as aulas, mas esse aspecto dela não havia mudado desde a primeira vez que frequentou a escola normalmente. Isso me preocupava.

“Você vai ficar bem assim...? Acho que vai chamar ainda mais atenção no palco, sabia?”

“...Se for no palco, vou ficar bem. Meu interruptor liga.”

“É assim que funciona?”

“É assim que funciona. Sou uma garota que consegue fazer as coisas quando decido ‘fazer’.”

“Você estava bem confiante no festival de esportes também.”

“Aquilo foi porque eu queria me exibir para você, Shigure—”

“—Ah. Amamori-san!”

Alguém chamou Junna.

“...!?”

Uma aluna com cabelo bem curto e saia bem curta.

Ela tinha um rosto andrógino e bem-feito que facilmente poderia ser confundido com o de um garoto se não estivesse de saia.

Junna soltou um “Ah...” e relaxou os ombros.

“Sena-san.”

“...Uma conhecida?”

“É. Da minha turma... aquela que jogava vôlei muito bem.”

Ah, aquela garota. — A atacante alta que foi companheira de Junna durante o festival de esportes.

A altura da garota que se aproximou de nós era, de fato, praticamente a mesma que a minha. Parecia ter quase 170 centímetros.

“Desculpa interromper o encontro com seu namorado.”

“E-ele não é meu namorado... ainda.”

“É, eu sei. Só queria ver você se contorcer.”

Sena sorriu e riu de Junna, cuja voz havia subido uma oitava, então olhou para mim de canto de olho. Mas sem falar comigo, voltou o olhar para Junna e,

“—Estou ansiosa pelo show ao vivo.”

simplesmente disse isso antes de se afastar rapidamente. Enquanto ela ia embora,

“Essa garota é demais—”

“E-eu não sou!”

Ela estava escondida, então eu não havia notado, mas havia uma garota atrás de Sena. Uma garota pequena com cabelo preso em um coque, com um olhar forte e determinado.

“Bem, acho que vou assistir você... então é melhor se esforçar!”

“Ah, sim... muito obrigada. Kamegai-san.”

“Aquela garota também é uma conhecida?”

“Uma conhecida de uma conhecida. Amiga da Sena-san... aquela que era a levantadora do time adversário durante o festival de esportes.”

“Ah, do clube de vôlei.”

Talvez para propaganda, uma placa com letras coloridas dizendo ‘Barē-bu no Kurēpu’ — Crepes do Clube de Vôlei — estava pendurada nas costas de Kamegai enquanto ela se afastava. Em japonês, rimava sutilmente.

“Quer comprar um? Um crepe.”

“Vamos. Eu gosto de crepes.”

Conversando, voltamos a andar. Enquanto eu verificava a localização no folheto,

“—Ah. Falando em clubes, eu quero ir ao do time de atletismo também. O seu, Shigure.”

Junna disse, como se tivesse se lembrado de repente.

Franzi a testa com um “ Ehh ...”

“Talvez seja melhor não.”

“Por quê?”

“Por quê, você pergunta...”

Engoli meus pensamentos verdadeiros — Porque vai parecer que estamos indo só para nos exibir.

“...Nosso clube não está vendendo nada que você gostaria, Junna. Coisas como okonomiyaki com proteína, ou takoyaki de roleta-russa onde um em cada seis tem Molho da Morte.”

“Proteína parece bom. Eu treino bastante, sabia? A Sensei também disse que músculos são importantes para uma vocalista... Quer ver? Minha barriga.”

“N-não tente me mostrar num lugar como esse!”

Apressei-me em impedir Junna, que estava colocando as mãos na barra da camiseta — Isso só vai fazer as pessoas nos encararem ainda mais!?

“...Nossa. Ou liga para o olhar dos outros ou não liga, escolhe um—”

“Kurimoto!”

Dessa vez, alguém me chamou.

Falando no diabo; era um colega do time de atletismo. Ele tinha a pele morena, moderadamente bronzeada. Mostrando os dentes brancos com um sorriso, ele veio correndo.

“Eaí.”

“...Oi.”

“Amamori-san também! Eae.”

“...Shigure.”

Olhando para mim em vez do garoto que acabara de cumprimentá-la, Junna perguntou.

“Quem é?”

“Sou o Nakano!” ele respondeu, apontando para o próprio rosto.

Atrás dele havia vários outros garotos com quem ele estava. Não eram membros do time de atletismo — Colegas de turma, talvez? — Todos eles dirigiam olhares cheios de profunda curiosidade para Junna.

“O Kurimoto e eu estamos no mesmo time de atletismo. Vamos ao karaokê e tal o tempo todo!”

Não vamos. Fui convidado, mas não fui.

“Você faz música, né, Amamori-san? Então você deve ser naturalmente boa no karaokê?”

“…………”

“Eu adoraria te ouvir cantar, Amamori-san. Que tipo de música você gosta?”

“…………”

“Aliás, você é seriamente fofa!”

Junna permaneceu sem expressão e sem reagir. Ela nem olhava na direção de Nakano, mas ele não se importava e continuava tagarelando. Sua resiliência mental é forte.

“Mesmo de perto, você é super bonita! Você é meio desperdiçada com o Kurimoto, quer dizer...”

“nakano.”

Junna abriu a boca pela primeira vez e encarou fixamente Nakano. Então, com uma expressão sem emoção, ergueu o dedo do meio e,

“kill you.”

“Por quê!?”

“Ei, ei...”

Fiz Junna abaixar o dedo do meio e a repreendi. Por sinal, ‘nakano kill you’ é o título de uma música do Ling Tosite Sigure — no entanto.

“Não sai falando ‘vou te matar’ para alguém que não vai entender a referência musical.”

“... Hmph ,” Junna resmungou, virando o rosto e saindo andando sozinha rapidamente.

“Falhou.”

“Ah, espera! Desculpa... a timidez dela é fora de série.”

“O-oh...”

Nakano pareceu um pouco surpreso, mas

“Amamori-san!”

Chamando pelas costas de Junna,

“Você vai fazer um show ao vivo hoje, né!? Todos nós vamos assistir, então se esforce!”

ele gritou, usando as duas mãos como um megafone.

Os garotos com ele também se juntaram um após o outro com palavras calorosas como “Estamos torcendo por você!” e “Mal podemos esperar!”

Os pés de Junna, que se afastava, pararam. Ela lentamente se virou e,

“……………………Uh...”

moveu a boca. A voz que escapou era tão pequena que se dissolveu no burburinho do festival cultural, mas mesmo que eu não conseguisse ouvir, sabia o que ela disse.

Sorrindo ironicamente, transmiti as palavras dela.

“—Ela disse, ‘Muito obrigada.’”

☂

Depois disso, eu e Junna passamos por vários lugares.

“Bem-vindo em paz, meus pêsames.”

“...O que há com essa saudação?”

“Afinal, o cenário é uma loja no inferno. Aliás, o ‘ira’ de Irasshaimase (‘Bem-vindo’) usa o kanji de ‘falecer’, e quando você vai embora eles dizem: ‘Mata Irasshaimase’ — ‘Por favor, faleça novamente’.”

“Assustador.”

“ Fuhihi . Será que vocês dois vão conseguir voltar vivos?”

“Assustador...”

Se eu não estiver exagerando, eu realmente quase fui mandado para lá uma vez, não fui?

Recebemos atendimento da empregada Yamada no Meido Café ...

“Ei, Shigure. Amamori-chan. Roupas combinando, como era de se esperar! Estou prestes a passear pelo festival com a Haru-chan agora que o turno dela acabou, mas se quiserem, posso indicar alguns ‘lugares recomendados para casais’.”

“Sim. Isso ajudaria.”

“Muito obrigada, Kuzumi-san.”

“Vocês não vão nem negar que são um casal? E, hm... fico feliz que você tenha parado de me chamar por aquele apelido e passou a usar meu sobrenome, mas Kuzujirou e Kuzumi... não parecem tão diferentes assim, já que ambos começam com ‘Kuzu’.”

Recebemos informações de Yōjirō, que estava patrulhando o campus como membro da comissão executiva...

“Minha compatibilidade com o Shigure é noventa e dois por cento?”

“É alta.”

“Não é alta! O fato de não ser cem por cento... é impossível. Essa vidente é uma fraude, Shigure. Ela só está falando bobagem.”

“...Pare com isso. Desculpe, ela está sendo difícil.”

“—Difícil? Mais um milhão de Pontos de Depressão.”

“Um milhão, hein. Essa inflação está severa.”

Também tivemos uma pequena discussão na barraca de Compatibilidade Amorosa que nos recomendaram...

Depois de aproveitarmos bastante os eventos com aquele clima artesanal, tão diferente do festival de verão ou de um parque temático, decidimos visitar a enfermaria carregando a comida que havíamos comprado nas barracas.

Se alguém estivesse usando a sala, apenas cumprimentaríamos a pessoa e iríamos comer em outro lugar.

Ou pelo menos era esse o plano.

Mas Akagi não estava lá.

Em vez disso, havia outra professora, que nos informou que Akagi estava “fora”.

“Ela parece estar muito ocupada ultimamente...”

Depois de procurar um lugar vazio, acabamos chegando à escada de emergência do Prédio Oeste.

Enquanto comia seu okonomiyaki enriquecido com proteína, Junna murmurou:

“A Sensei não deveria estar tão envolvida com a estreia major... mas será que ela está trabalhando nos bastidores por minha causa, afinal?”

“Quem sabe. Se ela falasse demais, você acabaria se preocupando com ela, então há uma boa chance de que esteja ficando em silêncio de propósito. Conhecendo a Sensei.”

“É............. Espera, Shigure?”

Junna me lançou um olhar de reprovação.

“O que é esse tom de ‘eu a conheço tão bem’? Irritante.”

“Sinto que já recebi uma reclamação injusta parecida antes... Você realmente fica excepcionalmente ciumenta quando o assunto é a Sensei, não é, Junna?”

“...Porque...”

Com os hashis descartáveis presos entre os lábios, Junna mergulhou em um silêncio emburrado.

Enquanto enchia a boca de takoyaki, assenti e disse. “Entendi.”

“A EIMEE-san é atraente, afinal—Au!”

Levei um tapa na parte de trás da cabeça.

“ Tosse, tosse ! P-Picante...!”

Para piorar, justamente o takoyaki que eu havia comido era o que tinha o Molho da Morte.

☂

A apresentação ao vivo da YOHILA seria o último programa realizado no palco do ginásio.

O que se poderia chamar de atração principal do festival.

“Estou tão animado para o show!”

“Uhum.”

“Vou te apoiar com tudo o que tenho! Vou balançar a cabeça e dançar enquanto agito violentamente um bastão luminoso azul-arroxeado!”

“...Isso é constrangedor, então poderia pegar mais leve?”

Depois do almoço.

Após me despedir de Junna, que precisava se preparar para a apresentação, terminei meu turno da tarde e fui direto para o ginásio.

Ainda faltava bastante tempo para o horário marcado do show.

Mas eu já não conseguia mais ficar parado.

Queria testemunhar e sentir o palco onde Junna — JUN da YOHILA — pisaria o mais rápido possível.

Queria esperar por aquele momento com o coração acelerado de expectativa.

Ao que parecia, havia outra pessoa pensando exatamente a mesma coisa.

“Ah, Kurimoto-kun. Bom trabalho.”

Na primeira fila das cadeiras dobráveis alinhadas diante do palco, bem no centro.

Já havia uma convidada ocupando os assentos reservados que Junna havia preparado para nós.

Era Yamada.

Uma enorme fã da YOHILA, assim como eu.

E agora, a namorada do meu amigo.

“Bom trabalho, Yamada-san. E o Yōjirō? Ele não está aqui?”

“Não. Parece que ele está ocupado com as tarefas da comissão executiva... mas disse que chegará a tempo do show.”

“...Entendo.”

Havia quatro cadeiras com folhas de papel escritas “VIP” coladas nelas.

Yamada estava sentada na da extremidade direita.

Eu me sentei na da extremidade esquerda.

“Eh? Aí? Esse lado é para o Yo-kun, então você deveria sentar ao lado dele, Kurimoto-kun!”

“....Certo.”

Seguindo sua sugestão, deslizei uma cadeira para a direita.

E então—

“Mais importante!”

“...!?”

Yamada imediatamente deslizou uma cadeira para a esquerda, fechando a distância entre nós.

Meu coração deu um salto.

Mais do que a sensação de uma garota se aproximando, parecia que eu havia sido atacado por uma fera selvagem.

Com o corpo rígido e o coração começando a acelerar, respondi tentando esconder meu nervosismo.

“O-O que foi?”

“Eu sei que já passou da hora de dizer isso, mas... me desculpe!”

Juntando as mãos com um estalo, Yamada abaixou profundamente a cabeça.

Parecia ser um intervalo entre apresentações, então o palco estava silencioso.

Felizmente, também não havia ninguém por perto.

Para minha surpresa, Yamada continuou com a cabeça baixa.

“Quando eu disse coisas que davam a entender que tinha me apaixonado por você, Kurimoto-kun... a-aquilo era mentira!”

E continuou rapidamente:

“O motivo de eu me aproximar de você também não foi porque eu gostava de você como homem e mulher... Foi para tirar você da Jun-chan. Eu queria roubar algo precioso para ela, para que... ela criasse uma música ainda mais sombria, ainda mais pesada e deprimente. Para que a JUN-sama criasse uma.”

Sua voz estava úmida.

Quase pingando.

Seu amor por Junna, sua culpa em relação a mim e seu remorso transbordavam de cada palavra.

“Eu sabia que era impossível. Sabia disso, mas mesmo assim... queria tanto ouvir aquela música! Eu... por impulso quase em—”

“Tudo bem.”

Interrompendo as palavras de Yamada, falei.

De propósito, de forma direta.

“Está tudo bem mesmo. Eu já imaginava que fosse algo assim. E a Junna também me contou. Sobre o motivo de você ter feito aquilo de repente, Yamada-san.”

Antes do nosso encontro duplo, Yamada havia contado tudo a Junna.

Que tentou me roubar.

O motivo disso.

E que havia gravado escondido o áudio da sessão de gravação e levado os dados para casa.

Porém—

“A Junna perdoou você, Yamada-san. Então eu também vou perdoar você... por tudo.”

Havia apenas uma coisa que continuava em segredo.

Quando percebeu que não conseguiria roubar meu coração, o que Yamada tentou fazer comigo na plataforma da estação.

Provavelmente era isso que ela estava prestes a confessar agora.

Por isso a interrompi.

No momento em que Yamada tentou me revelar a verdade com suas próprias palavras, decidi deixar tudo aquilo para trás.

Se era assim, não havia necessidade de fazê-la dizer em voz alta.

Como para reforçar isso, continuei:

“Escuta. Eu disse tudo. Entendeu?”

“Kurimoto-kun...”

Yamada ergueu a cabeça e me encarou.

Enquanto limpava as lágrimas que transbordavam de seus olhos,

“S-Sim... eu entendi.”

Ela assentiu.

Sorrindo alegremente, parecia ter finalmente se livrado de um enorme peso que carregava nos ombros.

“Obrigadaaa! Por me perdoar por quase empurrar você nos trilhos por impulso, Kurimoto-kun!”

“....Sinceramente, acho ótimo que tenha ficado apenas na tentativa.”

“Não é? Afinal, nós dois queremos entregar nossas ‘primeiras vezes’ às pessoas que mais amamos. Bem... parece que ainda vai demorar bastante até você ficar junto dela, Kurimoto-kun! Fuhihi .”

[Almeranto: Essa mina não é estranha, ela é louca . | Del: Nem me diga…]

☂

Depois de apresentações teatrais, números de comédia, batalhas de rap em formato de debate e uma apresentação da banda de metais, finalmente chegou a vez da YOHILA.

A banda que havia acabado de terminar sua apresentação ao vivo parecia ser composta por veteranos bastante populares, então o ginásio estava lotado até sua capacidade máxima. A empolgação era considerável.

Eles tocaram principalmente covers de bandas de rock famosas, sem nenhuma música original.

Como esperado, músicas já conhecidas são extremamente fortes em um palco como esse. Quanto mais pessoas conhecem a canção, mais o público se envolve e se anima.

Por outro lado, a YOHILA era inteiramente, completamente original.

E seu reconhecimento de nome ainda não era tão alto naquele momento.

—Justamente por isso.

“Uuuh... Será que o público vai mesmo entrar no clima? Vai dar tudo certo?”

Enquanto os preparativos do palco aconteciam, Yamada murmurou ansiosamente, olhando inquieta ao redor do ginásio. Cruzei os braços e respondi:

“Vai ficar tudo bem.”

“É a YOHILA. Mesmo que não conheçam a banda, assim que ouvirem, vão acabar sendo atraídos.”

“Você fala isso, mas sua voz está tremendo, sabia? Não está mais nervoso do que a própria Amamori-chan, que está prestes a subir ao palco, Shigure?” Yōjirō sorriu ironicamente enquanto verificava suas redes sociais, sentado entre mim e Yamada.

“Por enquanto, não parece que esteja gerando muito burburinho... Tem algumas postagens mencionando o nome YOHILA por causa do panfleto, mas todo mundo está reagindo tipo: ‘Não pode ser, impossível’.”

“...Imagino.”

Quanto a essa apresentação, a conta oficial da YOHILA não havia publicado absolutamente nada.

Aparentemente, o plano era evitar que o evento ganhasse proporções muito grandes, funcionando como uma espécie de reabilitação para a YOHILA, que não fazia um show há muito tempo.

—Mesmo assim.

“Só poder vê-la ao vivo já é mais do que suficiente para mim!”

Meu peito parecia prestes a explodir de expectativa.

Mesmo que todas as outras pessoas naquele ginásio, exceto nós, não conhecessem a YOHILA nem se empolgassem, eu simplesmente me empolgaria ainda mais por elas.

Com esses pensamentos, esperei o início.

Yamada arregalou os olhos, brilhando de entusiasmo, e fungou pelo nariz.

“Eu também! Meu Deus, estou tão feliz...”

Yōjirō também fingia estar calmo por fora, mas seus pés batiam no chão em um ritmo frenético, denunciando uma empolgação impossível de conter.

De repente, desviei o olhar para minha esquerda.

O assento reservado permanecia vazio.

Somente aquele lugar estava livre.

Como música ambiente do ginásio, tocava “Red Hot Bomb” da ENDY . Não era uma regravação, mas a versão original da época indie da banda.

“C-Com licença!”

No instante em que eu prestava atenção à música, uma voz desconhecida me interrompeu.

Ao me virar, vi uma garota da nossa idade usando um chapéu branco do tipo casquete, puxado para baixo de forma que escondia seus olhos.

“Tem como... eu sentar aqui?” perguntou timidamente.

Ela tinha uma aparência limpa e elegante, usando um vestido floral rosa. Provavelmente era uma visitante comum de fora da escola.

Interrompendo Yamada, que começou a dizer:

“Ah, esse lugar é da Sensei—”

“Sim. Está vazio, então fique à vontade.”

Retirei o papel com a inscrição “VIP” que estava colado na cadeira e a convidei a se sentar.

“É sério!? M-Muito obrigada!”

A garota se curvou várias vezes e se sentou.

Seus olhos continuavam escondidos pelo chapéu, mas sua boca estava aberta em um sorriso radiante, e sua alegria parecia transbordar de todo o corpo.

Um suave aroma de rosas chegou até mim.

...Uma fã da YOHILA, talvez?

Justo quando minha curiosidade foi despertada e eu estava prestes a lhe fazer uma pergunta, as luzes do ginásio se apagaram de repente, enquanto o volume da música ambiente aumentava de uma só vez.

Como se esmagasse todo o burburinho da multidão.

“...!”

A música cessou.

Em meio à escuridão e ao silêncio, um feixe de luz iluminou o palco.

Roxo e azul.

As cores das hortênsias.

Dentro daquela luz, uma única guitarra elétrica verde-mar repousava sobre um suporte, parecendo estranhamente solitária.

Ao fundo, havia um painel pintado com o logotipo e o símbolo da YOHILA.

Como se representasse a ilustração de hortênsias sendo atingidas pela chuva, um suave som de chuva começou a ecoar pelos alto-falantes.

Não era chuva de verdade, mas um efeito sonoro ambiente.

E então—

Junna apareceu pelo lado direito do palco.

Vestia uma camiseta da YOHILA e sua saia escolar.

Exatamente as mesmas roupas que usava quando estava comigo.

“…………”

Caminhando em silêncio até sua guitarra, JUN colocou a correia sobre o ombro, preparou o instrumento e, pela primeira vez, voltou seu olhar para a plateia.

Olhos sonolentos.

Rosto inexpressivo.

Ela não parecia excessivamente animada nem nervosa. Parecia exatamente como sempre.

Mas, sobre o palco, havia algo de transcendental nela.

Como se estivesse envolta por uma aura invisível.

Apenas sua presença foi suficiente para alterar completamente a atmosfera do local.

Ninguém falou.

Ninguém fez qualquer som.

Apenas o ruído da chuva continuava ecoando.

“…………”

Parada diante do microfone, os olhos de JUN percorreram a multidão.

Então encontraram os meus.

Nossos olhares se cruzaram.

Naquele instante, JUN estreitou levemente os olhos, e seus lábios, antes firmemente cerrados, relaxaram um pouco.

Quando assenti para ela, transmitindo um silencioso “Faça o seu melhor!” , ela respondeu com um pequeno aceno.

Então fechou os olhos.

O som da chuva cessou.

O silêncio caiu sobre o ginásio.

“...‘Hortênsias e Fantasmas’.”

Sua voz sussurrada atravessou o silêncio.

Imediatamente depois, um belo som de piano começou a ecoar.

Leve e fluido.

Como gotas de chuva.

Era a introdução de “Hortênsias e Fantasmas” , a música cujo título JUN acabara de anunciar.

Uma melodia que eu já havia ouvido centenas, milhares de vezes.

Sobre ela se sobrepôs uma guitarra elétrica distorcida.

Áspera.

Afiada.

E, ainda assim, delicada.

Uma execução que parecia ser a própria JUN.

As cordas que ela tocava se entrelaçavam ao som cristalino do piano, acompanhando o groove criado pelo baixo e pela bateria, crescendo até se transformar em uma torrente sonora.

Uma performance magnífica.

Daquelas que fazem todos prenderem a respiração.

Que agarram o coração de quem escuta.

—Mas ainda não era aqui.

Ainda não era o momento em que a YOHILA... em que JUN... mostrava sua verdadeira força.

Como se respondesse aos meus pensamentos, JUN inspirou profundamente.

A voz de JUN.

A canção que me cativou.

Sua canção—

Não ecoou.

Nenhum som saiu.

O que escapou de seus lábios foi apenas um suspiro fraco.

“...!”

O rosto inexpressivo de JUN se distorceu em dor.

Como se quisesse esconder aquilo, abaixou a cabeça.

Por fim, até mesmo suas mãos pararam de tocar a guitarra.

Somente os instrumentos sem músicos continuaram ressoando.

Vazios.

Artificiais.

“…………não consigo...”

JUN murmurou baixinho.

De sua mão caída, uma palheta em forma de gota escorregou e caiu.

“Eu não consigo tocar!”

Lágrimas caíram de seu rosto abaixado.

Uma após a outra.

Como chuva.

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A plateia entrou em alvoroço.

A música parou.

E um anúncio ecoou:

“Devido a problemas técnicos no equipamento, a apresentação ao vivo será temporariamente interrompida. Pedimos que aguardem um momento até que possamos retomá-la.”

Era como se—

esse desfecho já tivesse sido previsto desde o começo.

“.........Jun...na?”

Quem murmurou seu nome não fui eu.

Enquanto a cortina do palco descia lentamente, soltei um longo suspiro.

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.

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(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

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