Capítulo 6: Amor Eterno
Capítulo 6: Amor Eterno
Meu suspiro formou uma nuvem branca, dispersada pelo vento frio do inverno.
Vestindo um grosso casaco duffel por cima do uniforme e enrolando um cachecol de caxemira no pescoço, ainda estava congelando de frio. Enfiando as mãos nos bolsos e enterrando a boca no cachecol, caminhei pela rua com as costas curvadas.
À minha frente, o sinal de pedestres começou a piscar em verde.
Enquanto as pessoas ao meu redor começavam a correr apressadas, parei os pés e tirei meu smartphone. Abri o LINE e verifiquei.
「Shigure: Parece que vai chover amanhã pela primeira vez em um tempo. Você vai vir para a escola?」
A mensagem que enviei durante o intervalo do almoço ainda permanecia não lida, mesmo agora que as aulas tinham terminado. Ela pode estar dormindo. Ou talvez esteja completamente absorvida em compor músicas.
Desde o incidente com Natsuki, a frequência com que Junna ia à escola e sua comunicação haviam caído significativamente.
Ela só vinha à escola uma ou duas vezes por semana, e as ligações de duas a três horas que costumávamos ter todos os dias agora se resumiam, na maioria das vezes, a trocar mensagens simples.
Quando Junna criou o “YOU & I” — não, ela parecia ainda mais deprimida agora do que naquela época. Soltei outro suspiro dentro do cachecol.
Meu hálito não congelou branco, mas ficou preso, aquecendo o tecido macio. Um cachecol azul. Um presente de um amigo.
Nos meus ouvidos, a música aleatória mudou.
De “Kuroi Niji” do THE NOVEMBERS para “Melodic Storm” do Straightener.
Guardei meu smartphone e levantei a cabeça.
O sinal vermelho ficou verde.
Assim como a Junna parece estar fazendo o que precisa fazer…
Pensei enquanto começava a me mover.
Eu também vou fazer o que preciso fazer.
Da última vez, cometi um erro.
Mas desta vez, com certeza não vou errar.
☂
“—Shigwure?”
Junna soltou uma voz mole e sonolenta. Acabara de acordar, suas pálpebras estavam pesadas e caídas, e seu cabelo estava arrepiado para todos os lados. Ela vestia um pijama azul-pálido arroxeado com um moletom branco forrado de fleece, de aparência quentinha, por cima.
De pé na cozinha, fervendo os ingredientes para a sopa de missô, eu a cumprimentei com um “Yo.”
“Bom dia, Junna. Desculpe invadir.”
“……………………”
“É um sonho,” ela disse, piscando os olhos repetidamente e esfregando as pálpebras com força antes de assentir.
“É realidade, sabia?”
“É um sonho, é isso. Porque não tem como o Shigure estar na minha casa.”
“Você me deu uma chave reserva no meu aniversário, não deu…? Ou melhor, certifique-se de colocar a corrente na porta. Você é descuidada demais.”
Enquanto dissolvia o missô na concha, eu a repreendi. O aroma de missô vermelho e dashi se espalhava pelo ar. Junna farejou e fechou os olhos.
“…Um sonho com cheiro, isso é raro.”
“Estou te dizendo que é realidade.”
“A ilusão está falando…”
“ Aff , sério.”
Desliguei o fogão de indução e me aproximei dela.
Belisquei a bochecha de Junna com um squish e puxei. Era macia como mochi.
“ Aiouch… ”
“—Viu? É realidade. Entendeu agora, garotinha sonolenta?”
“…………”
Junna abriu os olhos. Olhando fixamente para mim, piscou algumas vezes antes de declarar.
“Invasão de propriedade.”
“O que a pessoa que me deu a chave reserva está dizendo?”
“Além disso, assédio sexual. Não me apalpe com essas mãos pervertidas…”
“Acho que dizer isso é assédio sexual reverso. É essa boca que está falando essas coisas? É essa boca? Hein?”
“ Hyaa , para! Shigwure… nn… ”
Junna começou a se contorcer, então eu a soltei. Ela soltou um “—Ah” que soava decepcionado e inflou as bochechas. Era difícil lidar com ela.
“…O missô é vermelho?” Junna murmurou, espiando dentro da panela. Mexendo a sopa de missô com a concha, assenti.
“É. Como você é de Aichi, Junna, achei que iria gostar. Os ingredientes são konnyaku, rabanete, cenoura, bardana, taro e coxa de frango… Fiz no estilo kenchinjiru. Assim você consegue nutrição suficiente só com isso.”
“Hm. Igual à Sensei.”
“Vou superar as habilidades culinárias dela eventualmente.”
“Eventualmente…”
Repetindo minhas palavras, Junna baixou o olhar. Após uma pausa,
“Certo.”
respondeu simplesmente. Sem expressão.
Provei a sopa de missô. Estava um pouco salgada.
☂
Pegando sua tigela, ela tomou os hashis. Pressionando os ingredientes com os hashis, inclinou a tigela e tomou um gole silencioso. Todos os movimentos de Junna enquanto comia eram elegantes, exalando sua boa educação.
“…………”
Sobre a mesa de jantar havia uma refeição leve feita apenas para Junna — a sopa de missô no estilo kenchinjiru e dois onigiris. Os onigiris eram simples, temperados apenas com sal, mas haviam sido adicionados dashi branco, vinagre e óleo de farelo de arroz durante o cozimento do arroz. O sabor saboroso, porém limpo, deveria combinar bem com o rico missô vermelho.
“……………………”
Junna baixou a tigela e os hashis e deu uma mordida em um onigiri. Mastigando devagar, ela me encarava com olhos sonolentos, mesmo com o cabelo bagunçado já arrumado.
Apoiando o queixo na mão, observei-a comer.
“…Shigure.”
“Dois não são suficientes. Me dê cem,” disse Junna com voz sem emoção, depois de terminar o primeiro onigiri.
“Não cozinhei tanto arroz assim.”
“E mais uma porção.”
“Entendido.”
Aceitando a tigela vazia que ela estendeu, voltei para a cozinha e servi um pouco de sopa de missô levemente requecida. Como ela parecia estar com fome, coloquei ingredientes extras.
“Shigure… você melhorou na cozinha?”
“É. Na verdade, tenho feito aulas com ‘Sensei’ ultimamente.”
“…Isso é uma confissão de traição?”
“Eu te disse, não disse? Que vou superar as habilidades culinárias dela logo,” falei com um sorriso, entregando a segunda porção enquanto ela me encarava.
“Antes você disse ‘eventualmente’.”
“Disse? Deve ter sido um engano de audição.”
“…………”
Junna permaneceu em silêncio enquanto eu fingia inocência.
Na mesa havia copos com ‘Marido’s ♡’ e ‘Esposa’s ♡’ escritos. Junna tomava chá, e eu, café gelado.
A sala de estar, com o aquecedor ligado, estava quase quente.
“Shigure. Tem uma sessão de gravação em breve… quer vir?” perguntou Junna, depois de tomar a segunda e terceira tigela de sopa de missô e terminar um total de cinco onigiris, incluindo os extras que preparei.
“—Oh. As novas músicas estão prontas, né.”
“Isso. Seis músicas.”
“Isso não é muito? Faz só um pouco mais de três meses desde a última sessão de gravação.”
“Escrevi o dobro disso em músicas reais, o suficiente para fazer um álbum completo. Selecionei até seis.”
“Isso é bastante!”
—Imagino quantas dessas músicas nasceram dos sons que a Natsuki e as outras ex-membras da YOHILA fizeram, em vez de mim.
Sentindo uma pontada de ciúme ao pensar nisso,
“…Então. Você vem?”
Junna perguntou novamente. Minha resposta foi—
『Claro!』
—na verdade não, foi essa:
“Não, vou pular essa vez.”
“Eh.”
A mão de Junna, que levava o copo à boca, parou. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, continuei.
“Quero aproveitar puramente as novas músicas que a YOHILA lançar como ouvinte.”
Eu já tinha ouvido algumas gravações demo brutas de algumas músicas, mas era desconhecido se elas foram adotadas. Era quase impossível prever que tipo de EP (ou mini-álbum) iria sair.
Era exatamente por isso que eu queria receber as músicas da YOHILA, que acabara de estrear como major, com a mente completamente limpa.
Isso também era meu sentimento genuíno e sincero.
“……………………Entendi.”
Junna baixou o olhar.
Uma sombra escura cobrindo-os.
“A propósito, Junna—”
Como se para apagar aquilo, continuei.
“Você está livre no dia 24?” perguntei, olhando para o calendário de dezembro pendurado na parede.
☂
Papai Noel não existe.
Desde que percebi isso e parei de receber presentes, o Natal havia se reduzido a nada mais que um evento chato onde eu só comia frango frito e bolo à noite.
Mas este ano é diferente.
24 de dezembro, Véspera da Noite Santa.
Usando a desculpa de “Tenho planos”, pulei o evento familiar que participei sem falta por 16 anos, desviei do bombardeio de perguntas da minha família (principalmente da minha irmã mais velha) e saí para a cidade noturna.
A hora era pouco antes das 17:00.
No verão, ainda seria um horário claro, mas nesta estação estava completamente escuro. O prédio da estação de tijolos, com uma atmosfera exótica, estava iluminado em laranja. As luzes glamourosas nas árvores da rua faziam toda a cidade parecer animada.
…Dada a época do ano, realmente há muitos casais.
Sentado em um banco de pedra, observei vagamente a paisagem em frente à estação.
Mesmo em Tóquio, o cenário urbano por aqui é particularmente refinado, pairando com uma atmosfera madura.
Há muitas pessoas, mas não é barulhento. Mesmo animados, eles têm classe. Mergulhar em tal atmosfera me fazia sentir como se eu também tivesse me tornado um adulto.
Fechei os olhos.
Com a mão enfiada no bolso do casaco, verifiquei a sensação.
“Shigure.”
Meu nome foi chamado e abri os olhos.
—Havia um anjo.
Um casaco branco como neve com um cachecol azul-arroxeado, uma saia plissada xadrez e meia-calça preta. Botas marrons de amarrar reminiscentes de pele de rena. Pendurado na mini bolsa de ombro de couro preto que ela também carregara em nosso primeiro encontro estava um Geroppi vestido de Papai Noel.
Só isso já era inegavelmente fofo, mas—
“…Shigure?”
o anjo inclinou ligeiramente a cabeça. A boina branca pousada levemente em sua cabeça era, honestamente, absurdamente fofa.
Talvez como disfarce, ela puxou a máscara que estava usando, o que só aumentava sua fofura, fazendo até mesmo eu, que estava acostumado a vê-la, perder-me em fascínio.
“Desculpe por te fazer esperar… você congelou até a morte?”
“— Nn . Ah, é só você, Junna.”
Tentando gravar na minha retina a figura excessivamente fofa de Junna, finalmente pisquei para umedecer meus olhos ressecados e,
“Achei que você fosse um anjo.”
“ Kusa .”
Não sei se ela quis dizer “lol” ou “fedido”, mas ao ouvir minha fala, Junna respondeu completamente sem expressão.
Talvez ela tenha desenvolvido resistência a ser chamada de “fofa”, porque não fica mais envergonhada com esse nível de elogio. Em vez disso—
“Me confundir com algo que não sou eu… Seu amor não está faltando?”
ela reclamou. Eu ri…
“Você vai saber a resposta para isso em breve.”
“…? O que você quer dizer?”
[Del: Deve é estar transbordando.]
Ignorando Junna, que franzia a testa, levantei-me e,
“Vamos,” disse, tirando minha mão do bolso e segurando sua mão nua. Talvez ela estivesse usando luvas até o momento em que me encontrou, porque estava levemente quente.
Para que aquele calor não esfriasse, puxei nossas mãos unidas para dentro do meu bolso. Junna soltou um “ Wah ” e se mexeu timidamente.
“Segurar as mãos no bolso… Esta é a primeira vez que fazemos isso, Shigure.”
“Acho que sim.”
“Hoje é o aniversário de ‘Segurar as Mãos no Bolso’.”
“Nesse ritmo, todos os 365 dias vão ser preenchidos com algum tipo de aniversário.”
“Já que estamos falando nisso, que tal mais um hoje à noite? Outro ‘primeiro’ talvez…?”
“De jeito nenhum.”
Descartei as brincadeiras habituais de Junna com um suspiro,
“Porque não vai ser só um.”
[Almeranto: Oi?]
“Eh?”
Comecei a andar. Junna ficou agitada e confusa.
“S-Shigure…” Seu rosto, iluminado pelas luzes das árvores da rua, estava levemente corado.
“…Você, por acaso, está totalmente a fim de fazer? É Noite Santa… mais como Noite de Relações Sexuais?”
“Não fique repetindo uma piada que já foi repetida cem bilhões de vezes. Além disso, hoje é Véspera.”
“Repetindo? Preliminares? Pare com as piadas sujas.”
“Você que precisa parar! É Véspera, estou te dizendo, Véspera.”
“Em outras palavras, vamos fazer amanhã?”
“…………”
“Ignorando-me é. Pontos de depressão mais 1.000.000.000.”
“Você traz isso de vez em quando como se tivesse acabado de lembrar… Ou melhor, a inflação está fora de controle.”
☂
—Pensei que havia entrado em um mundo alternativo.
Era assim tão extraordinária e fantástica a paisagem que se espalhava diante dos meus olhos.
Avenida Marunouchi Naka-dori. A rua arborizada localizada não muito longe da Estação de Tóquio transbordava com luzes douradas decorando as árvores, brilhando intensamente. Era uma visão de tirar o fôlego, como se todas as estrelas do céu noturno tivessem caído no chão de uma só vez.
“…Isso é incrível.”
“É mesmo.”
Em frente à placa iluminada que dizia ‘MARUNOUCHI STREET PARK’, enquanto eu estava impressionado, Junna permanecia completamente composta.
Como ela estava usando máscara para evitar que sua identidade fosse descoberta, eu não conseguia ver muito bem sua expressão.
“Eu costumava achar que pessoas que se davam ao trabalho de sair no frio só para ver iluminações eram como insetos atraídos pela luz.”
“Essa é uma forma terrível de vê-las. Sua garota de língua afiada.”
“Eu consigo entender ser atraída por isso. É bonito… Pontos de depressão menos 1.000.000.000.”
Junna estreitou os olhos para as luzes deslumbrantes, com a voz animada e um tom ligeiramente mais agudo que o normal. O aperto em nossas mãos unidas dentro do bolso ficou mais forte.
Eu sorri e retomei os passos. Avançamos lentamente pelo paraíso pedestre, lotado de uma multidão de pessoas — que, como era de se esperar, eram quase inteiramente casais.
Banhados no banho de luz champanhe-dourada, perguntei:
“Você já esteve por aqui antes, Junna? Esta é a minha primeira vez.”
“Não. Também é a minha primeira vez, Shigure. Eu só conheço Marunouchi de ‘Marunouchi Sadistic’.”
“Mesmo. Bem, é uma parte madura da cidade, afinal.”
“É. No começo eu achei que era o Marunouchi de Nagoya.”
“Hm. Então tem um Marunouchi em Nagoya também.”
“…Quer ir naquele da próxima vez?”
“Não é longe?”
“Podemos só ficar na casa dos meus pais. Posso te apresentar para minha mãe e meu pai também.”
“…………”
Desviei o olhar das iluminações e perguntei:
“Entendi — quando devemos fazer isso? Por volta das férias de Ano Novo parece o momento perfeito se você for voltar para casa.”
“….Você não retrucou.”
“Isso era uma piada?”
“N-Não era piada… mas…”
Junna desviou o olhar.
“—Ah!”
Com a mão que não estava segurando a minha, ela de repente apontou o dedo,
“Olha! Tem um food truck de cozinha de hotel ali.”
e mudou de assunto descaradamente. Fugiu, hein.
[Almeranto: Olha quem fala, ficou de enrolção por 3 volumes pra só agora tomar coragem.]
“O pão e a sopa parecem deliciosos. Stollen e tal, está bem natalino.”
“É uma pena, mas você vai ter que segurar a fome.”
“ Ehh… ”
“Eu fiz reserva em um restaurante. É um menu completo, então você precisa manter o estômago vazio.”
“Um menu completo… um lugar caro?”
“Com certeza. Mas não se preocupe. Eu pago.”
“…Eu que te pago, sabia? Estou ganhando dinheiro com música.”
“Tudo bem, tudo bem. Só se deixe mimar quietinha, okay?”
Afinal, eu tenho os vales-presente de 100.000 ienes que Kotegawa me deu. É exatamente para uma ocasião como esta que quero usá-los.
—Mesmo assim, ela realmente está ganhando dinheiro, né. Como alguém que está experimentando na prática o quão difícil é “ganhar dinheiro”, não consigo deixar de sentir ainda mais respeito por ela.
“ …Mm . Entendi.”
Junna cedeu e assentiu. No entanto, aproximando mais o corpo,
“Vou me deixar mimar bastante, okay?”
ela se aconchegou em mim, soltando uma voz doce.
Os olhares das pessoas que passavam se voltaram para nós. Eu a fiz parar às pressas.
“E-Ei, não faça nada que chame muita atenção! Mesmo com máscara, a cor do seu cabelo é marcante, então quem te conhece vai perceber. Tenha consciência de que é uma celebridade—”
“Tudo bem, tudo bem.”
Imitando a frase que eu havia dito antes,
“Só se deixe mimar quietinho, okay?”
ela baixou a máscara e sussurrou no meu ouvido. Seu hálito quente fez cócegas no meu lóbulo, que havia sido gelado pelo ar externo.
“Espera!? E-Ei—”
「Se for um escândalo de romance apaixonado com você, Shigure, eu aceitaria de bom grado.」
Os olhos de Junna que me encaravam refletiam as luzes da iluminação, brilhando intensamente. Aquele brilho, e os sentimentos que habitavam nele, me cegaram.
Eu—
“….Junna.”
Depois de puxar a máscara que ela havia baixado de volta para o lugar,
“Vamos encontrar algum lugar onde possamos nos acomodar.”
toquei no assunto. É bonito, mas a luz está intensa demais aqui.
“Tem uma coisa que eu quero te dar.”
☂
Mesmo depois de sairmos da rua cheia de food trucks e barracas vendendo artigos de Natal em meio às luzes, as árvores da cidade estavam coloridas e brilhando com iluminações por toda parte.
Em uma cidade transbordando com tanta luz, encontrar o escuro era difícil. Como era Véspera de Natal, havia muitas pessoas, e quase não havia lugares onde pudéssemos ficar completamente sozinhos.
Mesmo assim, tivemos sorte e descobrimos um banco vazio em um canto de uma rua secundária, perto de alguns canteiros.
Moderadamente escuro, moderadamente claro. Moderadamente silencioso, moderadamente barulhento — esse tipo de lugar. A luz dourada iluminava tenuemente o belo perfil da garota sentada ao meu lado.
A máscara dela estava removida e seu rosto nu estava exposto, mas não havia tantas pessoas quanto na rua principal, e estava escuro, então deveria estar tudo bem. Junna soltou um hálito branco, encolhendo o corpo e parecendo com frio.
Desenrolei o cachecol azul que eu estava usando e o coloquei por cima do cachecol que Junna vestia, enrolando os pescoços dos dois juntos.
“ …!? Wa —”
Como o cachecol era longo, havia bastante espaço para usá-lo assim. Na minha mente, passou a imagem de Yōjirō, o remetente do presente, me dando um firme joinha.
“Está quente…” murmurou Junna. Seu hálito quente fez cócegas na minha bochecha, e seu doce aroma fez cócegas no meu nariz.
Por um tempo, ficamos em silêncio, ombro com ombro.
Balançando o corpo levemente, Junna começou a cantarolar. Uma melodia mais encantadora que qualquer música de Natal ecoou pela noite pura.
“—E então?”
Parando de cantarolar, Junna me encarou fixamente.
“O que é que você quer me dar? Eu já ouvi exatamente essa mesma frase antes, mas… é uma nova obra do grande sensei, Kurimoto Shigure?”
“Não.”
Por favor, não desenterre meu histórico sombrio que ainda está tão fresco.
“É um presente de verdade.”
“A troca de presentes é amanhã… certo?”
“É.”
Amanhã, dia 25, planejamos fazer uma festa de Natal nós quatro, incluindo Yōjirō e Yamada.
“Este é um presente pessoal, separado daquele.”
Declarando isso, tirei o item preparado de um bolso diferente daquele onde segurava a mão de Junna e o estendi.
“…Aqui.”
“ Hn —”
Junna o aceitou com a mão livre. A caixa branca, de tamanho que cabia facilmente até na palma pequena dela, estava decorada com uma fita azul-arroxeada.
“…Posso abrir?”
À pergunta de Junna, assenti em silêncio.
Soltando nossas mãos unidas dentro do meu bolso, Junna começou a desatar a fita, parecendo um pouco tímida. Seus dedos trêmulos seriam por causa do frio?
“…………”
Tendo terminado de desatar a fita, Junna respirou fundo, olhou brevemente para mim e então,
“V-Vou abrir…”
ela abriu a tampa fechada.
O que apareceu foi mais uma caixa.
Uma case quadrada de tom roxo-pálido com cantos arredondados. A superfície era de um material veludo agradável ao toque, projetada para abrir por cima.
“…!”
O corpo de Junna deu um sobressalto e ela congelou. Segurando a tampa da caixa branca, ficou imóvel com os olhos bem abertos.
Como não havia sinal de que ela fosse se mover não importava quanto tempo passasse, gentilmente peguei o estojo das mãos dela, removi o cachecol entrelaçado e—
“Junna.”
Sem me importar com o olhar do público, ajoelhei-me sobre um joelho em frente ao banco.
Junna ergueu o rosto com medo e me encarou. Seus olhos límpidos, oscilando enquanto captavam a luz dourada. Olhando diretamente para a sombra escura bem no fundo deles,
“Eu te amo.”
Transmiti meus sentimentos.
“Por favor, namore comigo.”
Abrindo o estojo, acrescentei minhas palavras.
“—Com o pressuposto de casamento.”

[Almeranto: FINALMENTE CARAMBA! 3 VOLUMES E EU SEMPRE ESPERANDO POR ESSE MOMENTO TÃO FATÍDICO! Fiquei tão feliz que comecei a fazer shadowboxing pra aliviar a emoção kkkkkkk. | Del: AAAAAEEEEEE poxa (música de vitoria do Senna toca).]
O rosa-dourado que refletia a luz champanhe-dourada, e o brilho das gemas. Adornado com um diamante arco-íris e uma ametista roxa, era um anel.
Um anel de noivado.
Como temos dezesseis anos, não podemos nos casar. No entanto, podemos ficar noivos — isto é, trocar uma “promessa” de casamento.
O anel de noivado é a prova disso.
“C-Casamento…” murmurou Junna, atordoada, piscando os olhos.
Eu a observei em silêncio.
Na verdade, eu pretendia esperar que Junna desse o passo à frente com o desejo de “mudar”.
No entanto, diante dela, que estava ferida pelo incidente com Natsuki e aterrorizada pela escuridão que não se dissipava, eu reconsiderei.
No fim das contas, quem deve dar o passo à frente sou eu.
Não vou esperar a chuva parar. Na chuva incessante, para a garota parada paralisada, oferecerei um “guarda-chuva”, ficarei ao lado dela e lhe darei a coragem para começar a andar — a garantia.
[Del: A simbologia do guarda-chuva neste sentido é muito bela.]
A prova dessa determinação e amor é este anel de noivado.
Dar forma a sentimentos invisíveis, um presente.
Uma promessa sólida.
“~~~~~~! Shigure…”
O rosto de Junna se contorceu. Com uma expressão tomada pela emoção,
“…Sim… Sim!”
Derramando lágrimas gota a gota, ela assentiu repetidamente.
“Com prazer.”
Mostrando um sorriso amplo e brilhante, deslumbrante o suficiente para ofuscar o brilho das iluminações, ela estendeu a mão esquerda.
“—Fico feliz.”
Retribuindo o sorriso para Junna, peguei o anel do estojo e segurei sua mão.
Uma mão fria e pequena.
Com o coração acelerado, deslizei o anel no dedo branco e fino dela.
O tamanho do anel estava — perfeito.
Uma engaste de quatro garras inspirado na hortênsia de quatro pétalas, segurando uma grande ametista brilhante. Dois diamantes melee decorando cada lado. Uma banda fina e reta de ouro rosa K10.
A ametista representa “Amor Verdadeiro”, e o diamante representa “Amor Eterno”.
O anel que comprei com as parcas economias que ganhei do emprego de meio período que secretamente me fez largar o atletismo e recusar assistir à gravação da nova música, e mais um empréstimo da minha irmã mais velha, era—
“Uau…”
Levantando-me e erguendo a mão dela, combinava perfeitamente com ela — seus olhos brilhavam ainda mais intensamente que a gema em seu dedo anelar.
[Almeranto: Provavelmente ele usou aqueles 100 mil ienes que deram pra ele.]

☂
“ …Guhehehehe .”
Iluminando a ametista e o diamante com a luz da vela, mudando o ângulo enquanto olhava para o anel no dedo anelar esquerdo, Junna deixou escapar uma risada que soava exatamente como a de Yamada.
Sua expressão facial glacial e sem emoção havia derretido calorosamente, dissolvido, e estava completamente frouxa. Ela estava assim o tempo todo desde que eu lhe dera o anel.
“Shigure.”
“—Hm?”
“Eu te amo.”
Eu queria responder “Eu também te amo”, mas
“Quantas vezes você vai dizer isso?”
“244 vezes.”
“Você estava contando…”
“Diga que me ama também, Shigure.”
“…Eu te amo, Junna. Eu te amo.”
“ Guhah!? ”
Junna agarrou o peito com a mão esquerda e se inclinou para trás. Seu personagem mudou completamente.
—Pare com isso.
Ou foi o que pensei, mas ela de repente voltou a uma expressão sem emoção e declarou.
“Vou morrer. Uma dose letal de felicidade.”
“Por essa lógica, acho que eu seria o primeiro a morrer.”
“Se você morrer, Shigure, eu morro também, então pare. Além disso, não seja doce tão casualmente. Vou morrer.”
“Você morre fácil demais…”
“É. Então, me trate com cuidado, okay?”
“Não precisa me dizer. Você é a coisa mais preciosa do mundo para mim.”
“ Gahah!? ”
“Não importa o que eu diga, você toma dano! Garota frágil.”
Sorri com ironia para Junna, que se inclinou para frente segurando o peito com as duas mãos.
Tendo mudado de localização do banco lá fora, estávamos no restaurante que eu havia reservado.
Uma toalha de mesa branca pura cobria a mesa, e a modesta luz das velas esculpia suavemente a penumbra dentro do estabelecimento.
Ao nosso lado havia uma parede de janelas. Além delas se estendia uma paisagem noturna que havia aumentado em brilho por causa das luzes da iluminação. Era bonito quando estávamos ‘dentro’ da luz, mas olhar para ela assim de cima era excepcional.
Especialmente quando a pessoa ao meu lado é minha amada namorada.
“Ei, Shigure.”
Sem dar importância à paisagem noturna, Junna, que só olhava para o anel e para mim, apoiou os dois cotovelos na mesa e aproximou o rosto. Já havíamos terminado o prato principal do menu completo francês criativo, restando apenas a sobremesa.
“Agora somos namorados, né…”
“É.”
“Noivos… né.”
“É.”
“ …Ehehe .”
O rosto de Junna desmanchou. Doce como sorvete derretido. Conversamos enquanto comíamos a sobremesa que foi servida logo em seguida.
“Quantos dezenas de milhares de ienes custou o anel?”
“É segredo.”
“Tem até diamantes, então deve ter sido caro…”
“São pequenos, então não foi tanto assim. Na verdade, eu queria que a banda fosse de platina padrão também. Mas não pude pagar. Bem—” falei, olhando de relance para o anel de ouro rosa ajustado no dedo anelar esquerdo de Junna.
“Vou economizar até completarmos 18 anos. Achei que ouro rosa poderia ficar bom para o anel de noivado, já que vai se destacar quando os dois forem usados juntos.”
“Usados juntos…”
Quando eu disse isso, Junna olhou para o próprio dedo anelar, depois para o meu dedo.
Meu dedo anelar esquerdo, onde ainda não havia nada. Talvez imaginando um futuro onde um anel de platina estivesse ali, os olhos de Junna brilharam.
“Sim!”
E então, ela começou a cantarolar. Enquanto saboreava o doce mousse de morango e chocolate branco, escutei a bela melodia tocada pelo coração dela.
O som da felicidade.
De agora em diante e para a eternidade, quero continuar ouvindo-o do assento mais próximo possível.
Pensei isso do fundo do meu coração.
“Shigure.”
Parando de cantarolar, Junna me encarou fixamente nos olhos.
“Sobre depois disso…”
Eu encarei de volta os olhos dela, mas provavelmente não dava para evitar que meu olhar fosse quase roubado pela blusa preta transparente — a área do peito empurrando o tecido macio.
“Você quer… vir para a minha casa?”
[Almeranto: Eita… Será? ]
As bochechas de Junna, que fazia a pergunta, estavam coradas, e seus olhos estavam completamente úmidos. Seu cabelo preto escondendo a cor de hortênsias e seus lábios carnudos brilhavam sob a luz da vela.
Minha resposta é—
PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.
Spotify
Youtube
(Crédito para o @Thang por reunir)
Traduzido por Moonlight Valley
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