Epílogo: Neve com um Sorriso
Epílogo: Neve com um Sorriso
“Nós nos casamos.”
“……………………Eh?”
“……………………Hã?”
[Del: Estão sentindo o gostinho?]
No dia seguinte, Natal. Para Yamada e Yōjirō, que estavam visitando o apartamento, Junna mostrou o anel no dedo anelar da mão esquerda e anunciou.
Eu ri e a corrigi.
“Não é ‘casamos’, é ‘noivos’.”
“Vamos nos casar no futuro de qualquer jeito, então é praticamente a mesma coisa que estar casados, não é?”
“…Verdade. Acho que isso também é bem válido.”
Eu assenti,
“—Então, é assim. Como nós nos casamos.”
Relatei ao casal de amigos de infância, que estavam parados atordoados na entrada.
“Isso não é ‘assim’.”
Yamada retrucou com uma expressão séria.
“Não, o desenvolvimento está rápido demais!? Até outro dia vocês nem eram namorados ainda!”
“Isso mesmo, isso mesmo! Como vocês avançaram tanto de uma vez só!? O que diabos aconteceu ontem à noite, vocês dois?”
“Q-Que, você pergunta…”
À pergunta de Yōjirō, Junna e eu ficamos em silêncio. Desviando o olhar…
“…Bem, várias coisas?”
“Deixo para a sua imaginação… Está frio, então por favor entrem.”
Murmurando nossas palavras, mudamos de assunto.
Junto com Junna, recuei para o fundo como se estivesse fugindo.
Consegui ouvir Yamada murmurando baixinho.
“Não me diga que você passou a noite aqui? Então—”
“Ei, ei, não tenha delírios estranhos. Com licença!”
Repreendendo Yamada, Yōjirō entrou na casa. Enquanto tirava seu sobretudo Chesterfield camelo, olhou ao redor da sala de estar e,
“Oh! É simples, mas é um apartamento legal— Uwah!? ”
deu um grito. Yamada se assustou.
“Espera… o que foi, Yo-kun? De repente— Bufwoh!? ”
Seguindo a linha de visão de Yōjirō e vendo o que havia ali, ela expeliu ranho pelo nariz.
Um formulário de registro de casamento assinado.
Tinha sido colocado em uma moldura esplêndida e exibido na parede.
“Ah, isso.”
Enquanto arrumava os utensílios na mesa de jantar, eu expliquei.
“Esta manhã, Junna me entregou em troca do anel… dizendo para eu assinar aqui também, Shigure. Eu também fiquei surpreso no começo.”
Na prateleira perto de onde o registro de casamento estava exposto, havia uma certa ‘revista grossa de informações sobre casamentos’.
Quando perguntei, aparentemente ela havia comprado astutamente no verão — junto com utensílios e copos combinando — mesmo antes de eu comprar o anel.
O formulário de registro de casamento rosa, que parecia representar o cérebro de Junna, era algo que vinha junto com a revista.
Como a pessoa que lhe deu o anel, não é realmente meu lugar dizer isso, mas isso é se adiantar demais.
“…. Ehehe .”
Junna coçou a bochecha. Na frente de Yamada e Yōjirō, ela parecia estar se esforçando ao máximo para manter sua expressão facial usualmente inexpressiva, mas estava falhando completamente.
Toda vez que avistava o registro de casamento, ela sorria com um ar bobo, corada e tonta.
“A decoração de interiores definitiva. Quero ficar olhando para ele 24 horas por dia e me deleitar de felicidade.”
“Vocês nem conseguiram a assinatura de uma testemunha ainda, não exiba isso.”
“Para testemunhas, não seria okay usar amigos…?”
“Aparentemente é okay, mas obviamente deveriam ser nossos pais.”
“Verdade. Temos que ir cumprimentá-los… começando pelos seus pais, Shigure.”
“Como eles estão próximos. Algum dia deste ano?”
“Isso. Depois que cumprimentarmos seus pais, Shigure, voltaremos para minha cidade natal e cumprimentaremos meus pais.”
“Aquilo de ‘Por favor, me dê sua filha’, né. E se formos rejeitados?”
“Vou cortar relações com eles e sair de casa.”
“…Vou me esforçar para que não chegue a isso.”
Discutimos nossos planos densos de fim de ano e Ano Novo em um tom leve.
Yamada cambaleou e recuou.
“Y-Yo-kun… isso é ruim. Esse casal de idiotas é notícia ruim!”
“Guh!? Nós deveríamos estar um passo à frente deles… mas fomos ultrapassados! Será que eu deveria ter dado um anel a ela a sério, e não como brincadeira!? Mesmo que eu vá comprar um agora… não, é impossível. Mesmo que eu quisesse comprar, não tenho dinheiro suficiente, droga!”
Yōjirō lamentou frustrado.
Eu abri um sorriso presunçoso e triunfante com um “ Heh .”
Junna estava fazendo uma expressão semelhante.
A propósito, meu trabalho de meio período era em um restaurante de propriedade privada, e o trabalho envolvia auxiliar na cozinha com a preparação dos pratos.
O ‘Sensei’ sobre quem falei para Junna não era Akagi, mas o dono daquele lugar, que estava me ensinando isso e aquilo sobre culinária.
Minhas habilidades culinárias aprimoradas eram o fruto daquele esforço.
Tudo para que Junna ficasse feliz.
Se fosse o caso, eu até considerava me tornar um chef no futuro.
Não um escritor.
“…Mais uma vez.”
Na frente dos pratos alinhados na mesa de jantar — como não tínhamos tempo, tudo era pré-preparado, como itens de delicatessen de supermercado e frango de rede de lojas —, ergui minha taça de champanhe cheia de Chanmery dourado.
“Feliz Natal!”
☂
Enquanto nós quatro comíamos, bebíamos e conversávamos, aproveitando uma sessão de karaokê em casa possível apenas em um apartamento à prova de som e uma troca de presentes, o tempo passou num piscar de olhos.
Parece que vai nevar esta noite, então decidimos encerrar as coisas mais cedo.
“Bem, então vamos indo. Foi divertido. Acho que esta é a última vez que vamos nos ver este ano?”
“Provavelmente? Da próxima vez será no novo semestre. Obrigado por terem vindo no frio hoje.”
“Obrigada também! As luvas e meias que a JUN-sama me deu, vou exibi-las exatamente como vocês exibiram o registro de casamento de vocês, tá?”
“Eu não te dei elas de propósito. Foi aleatório. Além disso, já falei isso várias vezes, mas por favor pare de adicionar ‘sama’… Você não tem zero capacidade de aprender?”
Como resultado de passarmos os presentes que cada um trouxe ao som da música, o que Yamada tirou foram as ‘Luvas & Meias Geroppi’ de Junna.
“É bom você ler meu ‘Conjunto Completo de Light Novels Recomendadas’ também, Jun-chan! São rom-coms wholesome para todas as idades, mas tem cenas de amor tão intensas quanto um romance erótico, então… fuhihi . Acho que vai ser útil para vocês dois!”
“Obrigada. Vou vender elas logo amanhã de manhã.”
Junna rebateu friamente, lançando um olhar impassível para Yamada.
Era seu tratamento salgado de sempre, mas durante a festa elas estavam sussurrando secretamente só entre garotas (provavelmente conversa de meninas) e fazendo duetos no karaokê, então, apesar de tudo, pareciam se dar bem.
Desviando o rosto de Yamada, que cutucava sua bochecha dizendo “Ah, qual é~”, Junna resmungou.
“…Os ‘Salgadinhos Variados’ do Shigure teriam sido melhores.”
“Hã? Eu sei que não é muito vindo de mim mesmo, mas aquele foi o maior fiasco do lote, não foi?”
Como gastei dinheiro demais no anel, não pude reservar verba para isso.
“Não é fiasco nenhum! Eu amo salgadinhos. É o companheiro perfeito para relaxar debaixo do kotatsu no fim de ano.”
Yōjirō, que tirou meu presente, me apoiou imediatamente. E então,
“Certifique-se de usar meu ‘Conjunto de Bombas de Banho’ também, tá?”
“Sim. Hoje à noite, imediatamente, no meu banho, juntos…”
“É. Vou me certificar de usar no banho da minha própria casa.”
Interrompi as palavras de Junna e respondi. Deixando Junna fazendo beicinho sozinha.
“—Bem, até mais. Tenham um bom Ano Novo.”
Despedi Yōjirō e Yamada na entrada.
Da porta aberta, o ar frio de fora entrou.
“É, até mais. Tenham um bom Ano Novo, vocês dois.”
“Tenham um bom Ano Novo! Tchau-tchau! Quando o Ano Novo chegar, a Jun-chan já vai ter se formado—”
“Adeus.”
Junna fechou a porta com um baque e trancou. Depois de colocar a corrente da porta com segurança também, voltamos para a sala de estar aquecida.
“…Shigure.”
Chamado pelo meu nome, eu me virei, e Junna, olhando para mim com olhos virados para cima,
“Você vai passar a noite?”
perguntou.
“…………”
O que me veio à mente foi a conversa no restaurante na Véspera da Noite Santa.
Para Junna me convidando com ‘Você quer… vir para a minha casa?’, eu—
“—Não.”
Desta vez também, balancei a cabeça para os lados e respondi.
“Vou passar. Eu te disse, não disse? Só de ter planos no Natal já sou interrogado… No dia em que eu realmente passar a noite, uma reunião familiar de emergência será realizada na casa dos Kurimoto.”
“Eu quero participar dessa também.”
“Não, não…”
Suspirando, coloquei a mão na cabeça de Junna.
Acariciando como se consolasse uma criança,
“Vamos cumprimentá-los em breve, certo? As famílias um do outro. Pelo menos até lá, temos que manter um relacionamento wholesome adequado para estudantes do ensino médio.”
“ …Mn . Você está certo.”
Quando a persuadi, Junna assentiu e recuou obedientemente.
“Temos que manter um relacionamento wholesome, até lá , certo?”
Fiquei um pouco preocupado com a ênfase que ela colocou na parte do ‘lá’, mas enfim. Tirei a mão da cabeça de Junna e olhei para o relógio.
16:30. Já está quase na hora do sol se pôr.
Eu disse à minha família que jantaria em casa.
“Vou relaxar um pouco e depois vou para casa. Antes que comece a nevar.”
“ Nn , entendido.”
Yamada e Yōjirō tinham ido embora, e o silêncio caiu sobre a sala. Sentados lado a lado no sofá, bebemos café quente de canecas combinando.
O sabor que se espalhava na minha língua era amargo, mas o tempo que passava era doce. Mesmo dizendo que ia para casa, não conseguia evitar pensar que queria ficar assim para sempre.
“Shigure.”
“—Hm?”
Quando virei o rosto para ela, Junna estava agindo de forma estranhamente inquieta.
Segurando a caneca com as duas mãos, ela desviava o olhar repetidamente entre os próprios joelhos e eu.
“…O que foi?”
“Be—”
“Be?”
“……………………”
Olhando não para os meus olhos, mas para a minha boca,
“ ~~~~, n-nada!”
ela virou o rosto abruptamente.
Inclinei a cabeça.
“— ‘Be-frio hoje, não é?’ ”
“Nem de longe!”
Levei um tapa.
☂
『As cerejeiras são lindas na primavera.』
De repente, lembrei-me das palavras de Junna.
Foi o que ouvi naquele dia de verão, quando visitei o apartamento dela pela primeira vez, enquanto nós dois caminhávamos por este lugar — o rio Meguro.
As cerejeiras se espalham na primavera, e mesmo as folhas verdes exuberantes murcham completamente no final do outono, dando lugar ao inverno. As árvores, agora despojadas tanto de flores quanto de folhas, estavam atualmente decoradas com LEDs de cor cerejeira.
Iluminações.
Diferente do dourado champanhe de Marunouchi, a paisagem que lembrava cerejeiras em plena floração à noite era fantástica e bela.
『Vamos voltar quando as cerejeiras estiverem floridas, tá, Shigure?』
Foi o que ela disse.
O futuro que parecia tão distante naquela época, agora parecia esmagadoramente próximo.
Seria o tempo e as memórias que nós dois havíamos acumulado, como a neve que caía silenciosamente e se acumulava, que me faziam nutrir tal pensamento?
No ano que vem, e no ano seguinte.
Daqui a cinco anos, dez anos, até décadas no futuro—
Eu desejava sentir as estações junto com ela.
“…Está frio,” murmurou Junna, exalando uma respiração branca. Ela não estava usando máscara.
Porque eu estava segurando um guarda-chuva.
Mesmo sem máscara, o guarda-chuva de cor hortênsia nos protegia dos olhares das pessoas e da neve que caía levemente como chuva. Neve que veio mais cedo do que o previsto.
“De fato.” Eu assenti, ajustando a pegada no guarda-chuva de Junna. A respiração exalada junto com minhas palavras congelou branca e se dissolveu no crepúsculo de cor cerejeira.
“Mas, se eu fizer assim… fica quente. Fufu ,” disse ela, puxando-se mais para perto do braço que segurava o guarda-chuva, abraçando-o e esfregando a bochecha nele.
Mesmo com nossa linha de visão bloqueada pelo guarda-chuva, era noite de Natal. Embora não no nível da Naka-dori de Marunouchi, a promenade colorida pelas iluminações estava bastante movimentada, com um grande número de pessoas.
“Ei,” repreendi Junna. “Eu te disse, não fique tão colada em mim aqui fora. Se alguém que conhece a JUN nos vir—”
“Vindo do cara que fez uma proposta chamativa fora, Shigure, isso não tem absolutamente zero poder de persuasão, sabia?”
“ Guh!? ”
—Não posso argumentar contra isso.
Pelo que verifiquei nas redes sociais ontem e hoje, parece que está tudo bem, mas se você faz uma cena assim na rua na Véspera de Natal com pessoas passando, até uma pessoa comum viraria o centro das atenções.
…Ou melhor, olhando para trás com calma, eu fiz algo incrivelmente cafona e constrangedor, não foi?
“Uma proposta,” disse Junna, acariciando seu anel. “Você estava agindo de forma bacana, e foi realmente legal.”
“…Você está me zoando?”
“Não estou zoando. Foi genuinamente, realmente legal.”
“ O-Oh… ”
“Embora você ficando envergonhado assim seja fofo, Shigure.”
“Não me chame de fofo.”
“ Fufu ,” Junna riu, cobrindo a boca. O anel encaixado em seu dedo anelar captava a luz.
Vê-la, que normalmente não demonstra muitas emoções, transbordando sentimentos incontroláveis assim me fez pensar que engolir minha vergonha para fazer a proposta tinha sido completamente válido.
Os pés de Junna começaram a bater um passo leve, e uma melodia de bênção ecoou pela noite santa.
A neve que caía ganhou intensidade.
Como uma rajada de pétalas de cerejeira caindo—
“……..Junna,” chamei por ela bem quando seu cantarolar parou.
“Tem neve nos seus cílios.”
Parando meus passos, apontei para ela.
“Vou tirar, então feche os olhos.”
[Almeranto: Que bela desculpa… hehe. ]
“ Nn… ”
Junna fechou os olhos obedientemente. Não havia branco em seus longos cílios.
Inclinei o ângulo do guarda-chuva.
Dentro da sombra que criei ao fazer isso,
Apertei meus lábios contra os dela. Como se entrelaçássemos nossos sentimentos mútuos.
“…!?”
Os ombros de Junna tremeram.
Fechei meus olhos e prendi a respiração.
Macio — e quente.
Um único segundo pareceu uma eternidade.
Assim que minha respiração começou a ficar dolorosa, separei nossos lábios e abri os olhos. O rosto de Junna, em uma distância sem precedentes, estava,
“………………………………………… Shigure.”
tingido de um tom de vermelho sem precedentes, e,
“Isso é injusto.”
era supremamente adorável.
Uma expressão em que timidez e alegria se misturavam em um equilíbrio exquisito.
Sentimentos de profundo afeto transbordaram.
“…Eu te amo,” escapou de sua boca. “Eu te amo tanto!” exclamou ela, me abraçando.
O ímpeto foi tão forte que quase deixei o guarda-chuva cair.
“Shigure—”
Como se dissesse que era retaliação pelo beijo, ela esfregou a bochecha e o corpo contra mim enquanto apertava meu braço com força. Sem dar a mínima atenção aos olhares ao nosso redor.
Contorcendo o corpo, ela repetidamente disse:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo.”
“J-Junna…”
Não há nada que não mude.
Era o que eu havia pensado.
—Mas.
“Shigure,” disse Junna, erguendo o rosto e me encarando.
A coisa imutável da qual ela havia falado uma vez antes.
Eu compreendi claramente que ela também existia dentro de mim.
Não importa o que mudasse ou como, esses eram certamente sentimentos que permaneceriam para sempre imutáveis.
Portanto—
“Eu te amo muito!”
Não querendo ficar para trás, sorrindo deslumbrantemente na neve,
“É. Eu também, Junna.”
Respondi.
“—Eu te amo demais.”
Almeranto: E com isso, acabamos o volume 3 dessa obra maravilhosa! Não vou mentir que deram uma enrolada pra os dois finalmente ficarem juntos como um casal, mas valeu pela espera, pois todas as cenas foram emocionantes e de aquecer o coração! E esse capítulo de encerramento foi a cereja do bolo.
Os próximos capítulos serão os extras, então, espero você lá!
PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.
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(Crédito para o @Thang por reunir)
Traduzido por Moonlight Valley
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