LNCrawler

Short Story 1: Um Sol Distante

Amamori Junna É Úmida — novelmania.com.br · All chapters

Short Story 1: Um Sol Distante

Eu — Yamada Haruka — tenho alguém que eu amava antigamente.

Kuzumi Yōjirō. Um garoto da minha idade que mora no apartamento ao lado do meu.

O que se chamaria de amigo de infância.

Desde antes de conseguirmos formar memórias, desde antes de entrarmos no jardim de infância, nossas famílias interagiam entre si, e passávamos muito tempo juntos.

Yo-kun.

Legal, gentil, alegre e caloroso.

Brilhando intensamente, iluminando o mundo.

Meu sol.

—A pessoa que costumava ser isso.

“Morra, Kuzujirou!”

Dou um tapa com toda a força naquele rosto insuportavelmente odioso.

—Por que as coisas acabaram assim?

Olhando para baixo para ele, que desabou segurando a bochecha, fiz essa pergunta a mim mesma, contendo as lágrimas que ameaçavam transbordar sobre minha mão latejante e dolorida.

Acho que a atitude dele em relação a mim começou a mudar quando nós dois tínhamos cerca de dez anos, nas séries intermediárias do ensino fundamental.

As palavras gentis que ele costumava dizer para mim se transformaram em insultos. Idiota, burro, desastrada, imbecil, solitária, garota sombria…

Eram todos verdadeiros, mas o ‘Yo-kun’ que eu conhecia jamais diria coisas tão horríveis. Sem entender o motivo, eu chorava. E quando eu começava a chorar, ele apontava para mim, ria, zombava e me transformava em espetáculo para todos verem.

No entanto, se tivesse sido só isso, eu poderia tê-lo perdoado completamente. Porque ouvi de nossas mães que, quando os meninos chegam a essa idade, eles querem ser maus com a pessoa que gostam.

O que eu não conseguia perdoar era—

“Na verdade, eu tenho uma garota que eu gosto, sabia.”

—ele me dizer que se sentia atraído por uma garota diferente de mim, um tipo de garota que era o exato oposto de mim.

“Quatro delas. Ah, a propósito, você não é uma delas, tá?”

“………………………………….É mesmo. Morra!”

Desde então, meu amigo de infância mudou de ‘Yo-kun’ para ‘Kuzujirou’.

Meus sentimentos por ele mudaram de amor para ódio, e deteriorou para o pior tipo de relacionamento, onde brigávamos toda vez que nos víamos.

Mas—

O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença. O ódio é apenas o amor virado do avesso… né.

Lembro-me das palavras que ela disse ao telefone. Eu neguei dizendo “De jeito nenhum”, mas, é, talvez ela estivesse certa.

Quando foi decidido que eu iria sair para uma ‘pesquisa’ com ele, meu coração não parava de bater forte.

A partir daquela noite, eu agonizei e agonizei sobre que roupa vestir, e entre ansiedade e expectativa, não consegui dormir nem um segundo no dia anterior (então escondi as olheiras com maquiagem).

Quando o vi aterrorizado com a montanha-russa, acabei achando ele ‘fofo’, e quando ele declarou tranquilamente que ‘gostava’ de mim, meu coração disparou como louco por dentro.

…Mesmo que fosse brincadeira.

Era dolorosamente óbvio que, no momento em que ele soltasse uma cantada e eu levasse a sério, ele me zoaria com um ‘Brincadeira!’.

Uma armadilha transparente.

—Ou era o que eu pensava, mas.

“…Haru-chan.”

Dentro do ônibus no caminho de volta. Ainda incapaz de me livrar da sensação residual de termos nos tocado no secador de corpo e na casa mal-assombrada, enquanto eu olhava distraidamente pela janela, ele me chamou.

Não era sua voz usual, frívola e leviana.

Era uma voz rígida, séria.

“Sabe, eu—”

Franzindo a testa, olhei para ele com desconfiança. O olhar que ele derramava sobre mim era igualmente sério — não, ainda mais sério e direto do que sua voz. Olhos castanhos claros, lindamente límpidos.

Meu batimento cardíaco deu um salto. E então,

“Eu estou apaixonado por você, há muito tempo.”

—ele parou. Sério. Junto com minha respiração, acho que realmente parou por alguns segundos, não parou? Foi um impacto tão forte que me fez sentir assim.

“………………………………….Hã?”

Foi tudo o que consegui dizer.

Ele continuou. Com um tom pesado e uma expressão solene diferente do ‘Kuzujirou’ frívolo.

“Agora e no passado, eu te amo como uma garota. Mas… é exatamente por isso…”

O conteúdo das palavras que se seguiram mal se registrou na minha mente. Como se eu estivesse sonhando, meus sentidos se desconectaram, flutuando fofamente no ar.

O que se repetia na minha cabeça eram os sentimentos que ele acabara de confessar para mim.

『Eu gosto de você.』

『Eu gosto de você, eu gosto de você.』

『Eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você.』

『Eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você.』

『Eu sempre gostei de você.』

『Eu te amo.』

“Yo-kun!”

Antes que eu percebesse, meu corpo havia se movido por conta própria, e eu estava abraçando ele bem na minha frente.

Legal, gentil, alegre e caloroso.

Brilhando intensamente, iluminando o mundo.

Meu sol, nasceu mais uma vez.

Eu não conseguia perdoá-lo por ter me traído, e passei a odiá-lo — ou melhor, ficava dizendo a mim mesma que odiava, mas mesmo assim. Mesmo assim, eu tinha esperança de que algum dia, com certeza mais uma vez,

『Eu te amo,』

ele me dissesse aquilo como nos velhos tempos; eu tinha rezado para que aquele dia chegasse. As memórias radiantes do passado, o brilho deslumbrante do meu primeiro amor, haviam sido minha âncora emocional.

Ele só tinha se posto; o sol sempre estivera bem ali no meu coração.

Por isso—

“…Eu também.”

Encarando ele, que parecia surpreso, com sentimentos mais quentes que o sol,

“Eu também, Yo-kun!”

Respondi.

“—Eu te amo!”

PLAYLIST DAS MÚSICAS QUE SÂO MENCIONADAS NA OBRA.

Spotify

Youtube

(Crédito para o @Thang por reunir)

Traduzido por Moonlight Valley

Link para o servidor no Discord

Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.