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Capítulo 37 – Acerto de contas

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Capítulo 37 – Acerto de contas

— Senhor, nós não temos culpa. — Koda afirmou com firmeza para Yüjin que nos encarava com uma expressão estressada em seu rosto.

Yüjin se levantou de sua cadeira e bateu com as mãos sobre sua mesa. Sua voz ecoou e estremeceu pela sala de reuniões.

— Essa não é a primeira vez Kenji! Casos desse tipo são classificados com alto risco e você não esperou os reforços e por isso colocou um membro do setor de inteligência e também civis em risco. Mais uma vez você agiu com imprudência e fez com que o problema caísse para cima de mim!!! — Yüjin exclamou com raiva em sua feição.

— Eu ajudo vocês e sempre tento limpar a barra, mas novamente tenho que consertar a porcaria que vocês fizeram. Eu sinceramente…estou decepcionado.

— Senhor, nós não temos culpa. Os reforços não chegaram a tempo e diante a situação era impossível evitar combate. Kenji precisou entrar em confronto para proteger os civis ao redor enquanto eu prosseguia a investigação no perímetro. — Koda respondeu com firmeza e sua feição apática de sempre.

— E você Kenji, não tem nada a dizer? — Yüjin indagou com estresse.

— Durante a investigação aquele homem surgiu de repente e iniciou combate em apenas um instante. Não tive opção, os civis iriam ser atacados se eu não lutasse contra ele. — respondi com a voz levemente trêmula, na tentativa de emular uma voz firme como a de Koda.

— É mesmo? — Yüjin me encarou por alguns instantes — De qualquer forma, vocês precisam compreender suas posições e aprender sobre responsabilidade, principalmente você Kenji. Escrevam um relatório completo da missão para mim, e vocês estão suspensos de ir para missões durante essa semana, entenderam?

Yüjin nos encarava com estresse nítido em sua expressão. Seus dentes cerrados e punhos fechados sobre a mesa indicavam a raiva que o líder sentia no momento e também a possível represália que havia sofrido.

— Sim senhor… — eu e Koda respondemos ao mesmo tempo antes de sair pela porta da sala.

Nós cruzamos os olhares e a expressão apática de Koda permanecia em seu rosto. Os olhos dourados e vazios do homem reluziram por um instante, diferentemente de todas as vezes em que o encarei.

— Você é interessante, Kenji Yoshida. — Koda faloi em tom firme e curto antes de caminhar pelo grande escritório até sumir da minha vista.

Apenas restou o barulho do grande escritório e a movimentação constante no local, junto de um estranho sentimento de receio e gratidão.

— O Ishikawa é sempre assustador independente da situação… Que cara bizarro. — Satoshi comentou dentro de minha mente.

— Eu sei, ele é muito estranho… — suspirei e fui na direção da saída do grande escritório — É melhor eu ir para casa. Preciso descansar…preciso muito mesmo.

…

Na tarde do dia seguinte. Em casa.

Apertei as pálpebras e bocejei devido ao cansaço que pesava sobre todo o meu corpo. Estiquei meus braçoa e me contorci na cama enquanto dizia ainda sonolento:

— Bom dia Sato…

Abri os olhos lentamente e meu olhar foi banhado com a luz do sol que atravessava as cortinas e iluminava o quarto.

— Nossa! Que horas são…? — perguntei ainda sonolento.

— Bom dia Kenji… — Satoshi respondeu também sonolento, já que meu cansaço se compartilhava com ele.

Olhei para a cômoda ao lado da cama e estiquei meu braço até meu telefone celular que estava sobre ela. Puxei o aparelho para perto e o liguei.

Encarei o relógio na tela por alguns segundos até finalmente raciocinar que horas eram no momento.

— Como assim?! Já é uma da tarde? — lancei a indagação aos ventos, indignado com a velocidade que o tempo havia passado.

Me espreguiçei novamente antes de me erguer rapidamente da cama em apenas um salto. Pisei sobre o carpete que rodeava a cama e logo segui até o banheiro que ficava no quarto.

— Talvez essa “folga” seja boa. — afirmei enquanto passava a pasta sobre a escova de dentes.

— É um tempo pra planejar sem o tumulto do trabalho. — Satoshi acrescentou.

— E acertar as contas… — disse assim que as memórias de Daichi e da dívida vieram a mente.

— Principalmente acertar as contas. — Satoshi assentiu.

…

Na noite do mesmo dia.

Caminhei pelo gramado morto e pisei nos pedregulhos espalhados na entrada do velho galpão onde Daichi esperava por mim.

Toquei o portão de metal e sem demora o empurrei com força para o lado de dentro e assim o abri. Um alto rangido de metal enferrujado ecoou por dentro do armazém vazio, onde apenas uma lâmpada fraca iluminava o meio do espaço.

A luz amarelada clareava e revelava duas cadeiras no centro do lugar onde uma figura familiar se encontrava sentada em uma delas.

Dei um passo à frente e pude ver o óbvio. O crápula Daichi. Segui a caminhar lentamente, cauteloso, até chegar atrás da segunda cadeira onde o homem não estava sentado.

— Boa noite Kenji Yoshida. Como vai? — a voz assustadora de Daichi ecoou.

— Boa noite Daichi. — respondi de forma direta e seca.

Kiryū estava na escuridão e me encarava com seu olhar afiado que não me amedrontava mais. A única coisa que eu podia sentir era raiva, a raiva e a determinação que me fizeram chegar até ali.

— Vamos direto ao ponto. Eu quero o remédio e a minha mãe. Estou com o dinheiro aqui.

O medo não me domina mais. Existe coisa muito pior e eu cansei de abaixar a cabeça pra esse desgraçado. Hoje é o dia, finalmente.

— Querido Yoshida… Não acha que está tarde demais? Podemos ir amanhã pela manhã, o que acha? — Daichi sugeriu em tom baixo, sagaz.

— Nunca. É hoje, agora. Você me prometeu…! — respondi com irritação na voz.

Kiryū se afastou da parede em que estava encostado e se aproximou de nós, na luz. Notei a sua aproximação, porém rapidamente Daichi fez um movimento sutil com as mãos e fez com que seu guarda-costas se afastasse novamente.

— Tudo bem, tudo bem. Vejo que está apressado, talvez com saudades da mamãe… — o homem proferiu em tom provocante.

Desgraçado.