Capítulo 41 – Plano.
Capítulo 41 – Plano.
— Eu não tive escolha, entendeu?! — Kiryū exclamou, colocou a mão em minha nuca e chocou a minha testa com a dele.
— É mesmo?! Qual é a merda da sua desculpa? — confrontei.
— Minha irmã. Ela que corre perigo, não eu. — o homem respondeu com peso na voz.
— Que coincidência não é? A minha mãe também corria, e ela morreu! Morreu por sua culpa, por culpa dele!!! Não mente, eu não caio nessa nunca mais!
— É verdade, merda!
— Eu não posso desobedecer ele, não posso correr o risco. Se eu matar ele, eu não encontro ela e ela morre!
— E por que você deixou a minha mãe morrer? Por que não fez nada pra impedir? E se fosse a sua irmã? — questionei, nervoso.
— Eu não consegui, não deu. Entendeu?! — Kiryū agarrou a minha cabeça e chacoalhou.
Avancei e me lancei na sua direção, mesmo que as correntes em meus braços não me deixassem sair do lugar. Em resposta a impossibilidade de mover os braços, ergui minhas pernas e chutei o abdômen de Kiryū.
— Como assim não deu, porra?! E se fosse a sua irmã? Essa história sequer é verdade… — confrontei, furioso.
O homem tombou para trás, sentado e com as mãos no estômago. Uma feição de dor surgiu no seu rosto e logo em seguida de raiva. Kiryū me encarou por alguns segundos até que respirou fundo e manteve a calma.
— Por que acha que está vivo ainda, hein? — Kiryū questiona.
— Kenji, não faz sentido ele te manter vivo sem um motivo… Se ele quisesse você morto, ele já teria cumprido a ordem de Daichi. — Satoshi disse.
— …
— O que você quer de mim? — questionei, desconfiado.
— Destrua a maldade de Daichi. Destrua todas as raízes da sua influência no mundo antes que ele alcance o que deseja… — Kiryū respondeu com seriedade.
— Ele é só mais um homem, eu podia ter acabado com ele se você não tivesse me impedido…
— Isso precisa acontecer debaixo dos panos… A maldade dele se estende muito mais do que você imagina. Depois daquilo, ele não vai se expor daquela forma de novo, e você está morto e precisa permanecer assim.
— Como eu posso garantir que você não está armando nada pra mim?
— Quer que eu prove com sangue? — Kiryū perguntou e me encarou no fundo dos olhos.
— Seria melhor… — Satoshi sussurrou em minha mente.
— Sim. — respondi.
Kiryū me encarou por alguns segundos e então suspirou:
— Tudo bem…
O homem estendeu sua mão direita para a frente do meu rosto e então segurou seu dedo indicador com força. Ele torceu rapidamente o dedo e pude ouvir o estalar de ossos se quebrando.
Sua expressão se distorceu em dor e ele apertou os olhos por alguns instantes antes de retomar a postura e permanecer sério. Ele então puxou seu dedo com força e o mesmo emitiu um som estranho antes de se desconectar do restante da mão.
Suor descia pela testa de Kiryū e o homem tremia levemente, tentando não deixar a dor aparente, porém ainda era perceptível.
— Pronto…
Kiryū segurou seu dedo recém arrancado com a outra mão e abriu a palma com o mesmo acima dela. O homem aproximou a mão e me ofereceu.
— Que porra… Isso é bizarro. Mas como isso prova alguma coisa? Apenas se machucar não significa nada. — tentei permanecer firme.
— Isso tem meu registro de energia, idiota… Você sempre vai saber onde estou se usar isso. Me certifiquei de deixar minha marca nisso. — Kiryū disse enquanto colocava o dedo arrancado entre minhas roupas.
— É real, Kenji. Ele tá falando a verdade. — Satoshi afirmou.
— Vamos destruir tudo. — dissemos em uníssono.
…
Eu encarava o corpo estirado no chão quando Kiryū retornou com um grande saco de pano em mãos. O homem então foi até a mesa e pegou um cutelo afiado e se dirigiu até o cadáver em minha frente.
— Você está morto, e eu preciso de uma prova disso. Com alguns ajustes eu posso enganá-lo… — disse Kiryū.
— Quem é esse homem? — perguntei, curioso com quem já foi a figura desfalecida aos meus pés.
— Apenas mais uma vítima infeliz daquele demônio. É uma pena… — Kiryū respondeu e já agachado ao lado do corpo ele ergueu o cutelo acima da sua cabeça e o desceu rapidamente em um movimento seco.
A lâmina decapitou o cadáver e o sangue frio espirrou em meus pés. O líquido carmesim escorria no chão da sala enquanto eu encarava aquele corpo decapitado e Kiryū pegava a cabeça em mãos.
— Deixa que eu cuido disso… Apenas trate de desaparecer dos Inquisidores. Ele pode descobrir você lá. — Kiryū orientou.
— Certo. — respondi sem questionar, como uma máquina.
…
— Isso realmente faz algum sentido? — lancei a indagação para Satoshi que me encarava com uma feição pensativa, sentado no chão daquele espaço mental que mais parecia um mar infinito.
O espaço mental parecia instável e ondulava assim como um mar infinito que se estendia em um bréu até onde eu não podia mais ver nada.
— Daichi iria arrumar um meio pra eliminar você. Se as palavras de Kiryū forem verdadeiras, ele não poderia te salvar de outra forma, mas realmente tem algumas inconsistências nessa história… O fato de que ele não pôde te ajudar no momento, mas te ajudou depois ainda configura a quebra de algum tipo de contrato, porém as medidas que ele tomou parecem drásticas demais para se tratar de uma mentira… — Satoshi explicou seu raciocínio.
— Por que ele me entregaria o dedo com uma marca de energia? Não faz sentido. — questionei.
— Como falei, ele tomou medidas drásticas demais para se tratar de apenas uma mentira… E se fosse um plano de Daichi, por quê?
— Mas no fim, a sua única opção é acreditar nele e seguir esse caminho. Era isso ou…a morte.