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Capítulo 42 – Plano pt 2.

Após O Mito Da Criação — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 42 – Plano pt 2.

No dia seguinte, durante o fim da tarde, segui até meu apartamento discretamente para averiguar a situação após o incidente com Daichi.

Toquei à maçaneta fria da porta de entrada, mas antes de abrir, me concentrei e por conta própria pude sentir a energia que fluía dentro das coisas, com isso, confirmei que não havia ninguém dentro do local.

— O que veio buscar por aqui, Ken? — Satoshi questionou.

— Preciso me certificar se eles estão me procurando ou algo assim. Se eu simplesmente desaparecer, eles vão desconfiar e talvez iniciar uma investigação que leve até mim… Se eu for me vingar, devo fazer isso direito.

— Esperto… Todo cuidado é pouco. — Satoshi disse.

Olhei ao redor e observei o meu apartamento cautelosamente, mas nem era necessário uma atenção especial para notar a bagunça que aquele lugar estava.

— Os Inquisidores procurando por mim ou Daichi em busca das minhas coisas? —questionei.

Caminhei com cuidado pelo apartamento enquanto observava os cômodos bagunçados e revirados.

— Não acho que Daichi iria atrás de algo mais… Depois de acabar com você e tomar todo seu dinheiro, ele não chutaria um cachorro morto. — Satoshi respondeu.

Ao entrar no meu quarto, imediatamente notei um envelope branco acima da minha cama, intocado. O selo preto com o símbolo das três nuvens gravado em relevo revelava quem havia deixado a correspondência ali, os Inquisidores.

— Imaginei…

— Não está se esquecendo de nada, Ken? — Satoshi questionou.

— Do quê? — perguntei de volta, confuso.

— Seu celular, seu esquadrão, mensagens… — Satoshi respondeu.

— Merda. Como me esqueci…

Levei a mão até o bolso e deslizei até pegar meu celular que estava guardado. Apertei o botão, esperei até a tela acender e então acessei minhas mensagens.

— Três semanas…

Visualizei as mensagens que enchiam a minha barra de notificação e li o que me esperava há dias.

“Ken, cadê você?” enviado por Yuna.

“Kenji, dá um sinal de vida, porra.” enviado por Morgan.

“Kenji, apareça, estamos preocupados.” enviado por Yüjin.

“Ken, estamos muito preocupados…” enviado por Aiko.

Além de diversas outras mensagens enviadas pelos membros do esquadrão que haviam se preocupado com o meu sumiço, uma notificação inesperada aguardava na tela. O capitão Takashi.

— Consegue abandoná-los, Ken? — Satoshi lançou o questionamente que me fez refletir por um instante.

— É só até resolver tudo isso… — respondi com pesar.

Deslizei as mensagens novamente e suspirei. Talvez eu não precisasse disso tudo. Eu deveria apenas encontrá-lo e acabar com isso logo, mas não é tão simples assim… Esse rato se esconde.

— E que desculpa você vai dar quando reaparecer? — Satoshi perguntou.

— Talvez eu deva falar a verdade.

— Como acha que eles reagiriam a isso?

— Eu não sei… Mas eles são meus amigos, é injusto esconder tudo isso.

— Você também não sabe tudo da vida deles, não seria injusto. — Satoshi responde.

— É… Eu sei, mas eu me sinto mal com isso. — disse, com voz entristecida.

— Não sei se vale a pena correr o risco apenas porque se sente mal, Ken…

— Vou tomar meu tempo pra pensar nisso, mas talvez o caminho seja deixar tudo isso para trás. — encerrei o assunto e fui até minha cama.

Me sentei na cama e joguei meu torso sobre ela, me deitando no colchão confortável onde passei minhas noites. Suspirei e disse:

— E pensar que eu vou abandonar isso tudo…

— Mas é por algo maior, com certeza. É pra destruir o maldito que acabou com a minha vida. Sequer pude ver o seu corpo novamente, nem sepultar ela eu pude!!!

— A Pétala Celeste pode te ajudar, com certeza eles seriam capazes de encontrar Daichi e matá-lo. — Satoshi disse.

— Precisa ser algo feito por mim… Para honrar ela. Eu consigo sozinho, não importa o quanto demore, eu sei que vou matá-lo. — jurei com firmeza na voz.

— E eles já estão ocupados demais com a busca de Amaterasu, não posso lhes entregar mais problemas. Kenshi também seria o primeiro a se opor…

— Ken, sabe que pode confiar em nós… Você se dispôs a nos ajudar, devemos nos ajudar mutuamente.

— Não, no momento não. Eu preciso me encontrar com Kiryū novamente, precisamos traçar um plano.

Satoshi se manteve quieto após a minha resposta, então encerrei a conversa e saí do apartamento discretamente. Deixei para trás a cidade e segui viagem disfarçado até a minha antiga cidade.

Avistei pela janela do carro as casas simples na beira da estrada de terra batida quando o veículo lentamente parava.

Segurei na aba do boné e o abaixei sobre meu rosto, encobrindo a minha face. Peguei as notas de dinheiro do bolso, entreguei ao motorista e disse com voz grave:

— Obrigado, pode ir.

Desci do carro e apenas a luz da lua me iluminava quando subi o capuz sobre minha cabeça para ocultar melhor a minha aparência.

Caminhei dentre as sombras, discretamente me aproximando de uma cabana isolada mais distante do restante do vilarejo.

Enquanto caminhava até a cabana, olhei para trás e observei aquele pequeno vilarejo, e minha mente foi invadida subitamente por uma lembrança vívida, o corpo desfalecido de minha mãe.

— Maldito. — disse com pesar.

Apertei o passo até estar de frente a porta da cabana distante. Levantei a mão, dei quatro toques subsequentes e então parei e aguardei alguma resposta.

Alguns instantes depois, pude ouvir alguns sons de passos e então a porta se abre devagar e posso ver Kiryū dentro da cabana.

Dou passos à frente e entro no local. Kiryū fecha a porta e então se vira para mim, que o encaro com seriedade, com o boné e o capuz cobrindo parte da minha face.

— Como vamos destruir esse merda?